fevereiro 03, 2005
Rastreio neonatal
O Instituto de Genética Médica (IGM) Jacinto Magalhães, no Porto, onde está instalado o Laboratório Nacional de Rastreio, prepara-se para alargar o exame neonatal - a "picada do pezinho" - a 13 doenças metabólicas hereditárias (...) Actualmente, com o recurso a uma nova tecnologia denominada espectrometria de massa (Tandem-Mass) já instalada no IGM, será possível alargar o rastreio neonatal a um leque de 13 doenças genéticas que estão geralmente associadas a deficiências de metabolismo que podem ter consequências graves na saúde destes indíviduos, provocando, nomeadamente, atrasos evidentes no desenvolvimento mental.
Excluídas deste rastreio ficam muitas outras patologias (existem mais de oito mil doenças genéticas identificadas), muito embora o equipamento instalado permita obter mais resultados do que os 13 agora previstos.
(Público)
Publicado por agineotonico às 07:30 AM
fevereiro 02, 2005
Hospital Amadora-Sintra recorre para tribunal
O Hospital Amadora-Sintra vai recorrer para tribunal da decisão das autoridades de saúde de Lisboa de o multar em 40 mil euros por falta de assistência, suspendendo assim a sanção (...)
O hospital contestou a decisão da ARSLVT, a 20 de Janeiro de o multar por ter encerrado a urgência de obstetrícia e ginecologia durante um fim-de-semana em Dezembro. A presidente do organismo, Ana Borja, recusou, no entanto, as justificações apresentadas pela unidade e, como a coima não foi paga voluntariamente nos dez dias para esse efeito, decidiu retirar o dinheiro dos duodécimos pagos todos os meses pela ARSLVT ao hospital.
Em declarações à Rádio Renascença, a responsável frisou que «não havia fundamentos para fechar a maternidade e nessas circunstâncias mantemos a coima proposta».
Falando à Lusa, fonte da administração do hospital classificou esta decisão como «uma precipitação inexplicável» e adiantou que a unidade vai recorrer para o tribunal administrativo ainda antes da data do pagamento do próximo duodécimo, o que suspende a iniciativa da ARS. «O hospital vai apresentar o recurso até ao dia 12, quando são pagos os duodécimos, e enviar uma cópia à ARS, de forma a que, respeitando o que está no contrato de gestão, este recurso tenha efeitos suspensivos de qualquer sanção»
(Diário Digital)
Publicado por agineotonico às 07:04 AM
fevereiro 01, 2005
Listas de espera "foram uma bandeira perdida" do Governo
As listas de espera em cirurgia, "o mais visível e sensacionalista dos problemas de acesso à saúde do ponto de vista político", foi uma bandeira do actual Governo, mas a batalha foi perdida. A opinião é de Cipriano Justo, investigador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, que lança hoje o livro Acesso aos Cuidados de Saúde. Porque Esperamos? (...) Cipriano Justo defende que as listas de espera para cirurgia têm sido combatidas como se fossem uma doença aguda, sem que sejam feitas alterações de fundo nos serviços de saúde. Por isso, tornaram-se "um problema crónico". Desde que foi identificado, há dez anos, cinco programas já foram lançados, mas o problema está longe de ser resolvido, "e já devia ter sido" (...)
O Programa Especial de Combate às Listas de Espera (PECLEC), lançado em 2001, tinha como objectivo resolver os 123 mil casos inscritos naquele momento. "Nunca soubemos o que foi feito a 30 mil destes casos. O ministério diz que não conseguiu identificar 20 mil pessoas e nunca deu conta se os outros dez mil foram ou não intervencionados" (...) O médico lamenta ainda o facto de não ter havido nenhum relatório final sobre o programa (...) Para Cipriano Justo, há passos que devem ser dados. O primeiro passa por uma avaliação da capacidade instalada de cada hospital e do aproveitamento que a unidade faz desses recursos, "que nunca foi feita" (...) "é necessário um bom sistema de informação" que coordene os diferentes hospitais. Ou seja, perceber qual é a resposta que a unidade pode dar a determinadas operações e, no caso desta ser ultrapassada, o doente ser encaminhado para outro hospital da área, público, privado e social (...) "O SIGIC recupera a filosofia do Programa de Promoção do Acesso, através da emissão de vales-cirurgia, mas anda à deriva porque não há informação sobre a capacidade real de cada hospital nem sistema de contratualização explícito". Assim, pode tornar-se numa mera "transferência de grande parte dos inscritos para o sector privado". Além disso, "deixa cair a definição de tempos de espera garantidos, que é fundamental". "Os doentes deviam poder consultar, na Internet, em que fase está o seu processo, como acontece noutros países".
(Diário Notícias)
Publicado por agineotonico às 03:52 PM | Comentários (1)
janeiro 20, 2005
Hospital Amadora-Sintra multado
A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo multa em 40.000 euros o Hospital Amadora-Sintra devido ao encerramento da maternidade sem aviso prévio.
É a primeira vez que a Administração Regional de Saúde decide aplicar uma multa ao hospital gerido pelo Grupo Mello, por incumprimento do contrato feito com o Estado.
Publicado por agineotonico às 03:00 PM
8º ciclo de debates do Fórum Gulbenkian de Saúde
Iniciou-se dia 19 de Janeiro o 8º ciclo de debates do Fórum Gulbenkian de Saúde, em colaboração com a escola Nacional de Saúde Pública e com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
Na 1ª sessão sob o tema “Questões e desafios éticos da investigação em células estaminais”, a investigadora portuguesa em células estaminais e Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa, Leonor Parreira, defendeu que o maior problema ético relacionado com esta área de investigação reside na justiça da distribuição dos seus resultados. Diz Leonor Parreira: "é um problema ético da maior importância. Será que os 120 milhões de pessoas com doenças que poderão vir a ser curadas com células estaminais irão poder aceder aos tratamentos?" (...) "Sabemos que só as sociedades ricas poderão beneficiar deste tipo de tecnologia, cuja investigação é muito cara, apesar de, como médicos, termos um compromisso: o querer e o dever de oferecer ao doente que nos procura o melhor que há" (...) a futura terapia com células estaminais "não ajudará todos os que dela precisam, da mesma forma que a cirurgia cardiovascular ou os transplantes não o fazem".
William May, conselheiro para a bioética do Presidente norte-americano, George W. Bush, entre 2002 e 2004 e defensor de uma investigação em células estaminais devidamente regulamentada, preconizou, no mesmo encontro, uma "repartição justa dos benefícios desta pesquisa".
Este professor de Estudos Religiosos na Universidade de Virgínia, Estados Unidos, foi um dos sete conselheiros do Presidente norte-americano que defenderam a clonagem terapêutica e que foram vencidos por uma dezena de posições contrárias. O Presidente George W. Bush é um opositor da investigação na área da clonagem com recurso a embriões humanos. (...) Para este especialista, "a questão do acesso universal aos benefícios que possam resultar da investigação em células estaminais não deve ser ignorada". Nos Estados Unidos, lembrou, os opositores à investigação em células estaminais não se opõem, contudo, à investigação realizada com fundos privados.
(Público)
Publicado por agineotonico às 02:26 PM
dezembro 19, 2004
Descubra as diferenças ...
entre as situações relatadas para criticar os Hospitais Públicos e defender os Hospitais de Gestão Privada.
"pelas 20H42, foi registada a entrada de minha mãe no serviço de urgência do Hospital Dr. Fernando da Fonseca (...) Sujeitos a uma desagradável e violenta corrente de ar, aguardámos pela conclusão da triagem e ganhámos, ela e eu, uma etiqueta autocolante com uma bolinha cor de laranja – que garantia, segundo fui informado, um atendimento prioritário (...) Terminada esta fase, acompanhei a maca até uma sala onde, com etiquetas e bolinhas similares, já se encontravam cerca de dez outros doentes e respectivos acompanhantes aguardando que, uma voz com fortíssimo sotaque estrangeiro chamasse, pelo sistema de som, os doentes (...) Perto das 21H45 (isto é, uma hora após a entrada) interpelei uma auxiliar e pedi-lhe que me dissesse de que forma é que poderia contactar um médico, de modo a obter autorização para, perante o agravar da situação e a demora no atendimento, a transportar para o Hospital da Cruz Vermelha (...) voltei a contactar a médica (e, posteriormente, uma enfermeira), para saber se havia alguma formalidade a cumprir para poder transportar a minha mãe. “Não”, foi a resposta de ambas, “pode levá-la quando quiser”. Estranhei o procedimento mas, obviamente, acatei-o."
(Blog-Notas)
Nos comentários a este post do Blog-notas, podem ainda ler-se outras histórias.
Para além da defesa do Serviço Nacional de Saúde a discussão deveria centrar-se, não apenas se é gestão Pública ou Privada, mas também na necessidade de urgente fiscalização de todas as instituições prestadoras de cuidados de saúde por uma entidade independente.
Publicado por agineotonico às 11:22 AM | Comentários (3)
dezembro 14, 2004
SNS e o "Sonho Americano"
Ou "A amputação deliberada do mercado médico"
Nós proibimos a venda de rins e a compra de esposas, juizes ou crianças. Até onde devem ir tais proibições? Nos últimos anos, os empresários e os seus amigos no governo têm privatizado muitos dos serviços financiados pelos poderes públicos que anteriormente eram fornecidos pelo governo ou por agências não-lucrativas (...) Contudo, firmas de propriedades de investidores passaram a dominar a diálise renal, lares de 3ª idade, hospitais psiquiátricos, unidades de reabilitação e HMOs (Health Maintenance Organizations). Fizeram incursões significativas nos hospitais de cuidados de emergência (possuem cerca de 13 por cento de tais unidades), bem como nos centros cirúrgicos, agências de assistência médica ao domicílio e mesmo hospitais para doentes incuráveis. Os teóricos defensores do mercado argumentam que a motivação do lucro optimiza os serviços e minimiza os custos. Mas um crescente conjunto de provas indica que este dogma não tem fundamento (...) A sua análise meticulosa demonstra custos e taxas de mortalidade acentuadamente mais elevados nos hospitais de propriedade de investidores do que nos públicos, e resultados mais fracos nas clínicas de diálise renal privadas do que nas públicas. O custo excessivo nos cuidados privados é substancial -- 19 por cento -- implicando que os US$ 37,348 mil milhões que os americanos pagaram pela assistência médica nos hospitais privados de cuidados primários em 2001, teriam custado apenas US$ 31,385 mil milhões em estabelecimentos não-lucrativos; o desperdício atingiu os US$ 5,963 mil milhões. A perda de vidas é mais chocante: 2047 mortes evitáveis por ano provocadas pelos hospitais lucrativos, e 2500 mortes por ano em centros privados de diálise renal. É fácil perceber porque razão o sentido do lucro poderá levar a cuidados de saúde mais escassos e de pior qualidade. Mas por que a propriedade de investidores aumenta os custos?
(...) A assistência na mão dos accionistas dá corpo a um novo sistema de valores, que erradica qualquer vestígio das raízes comunitárias e das tradições samaritanas dos hospitais. Os hospitais dos accionistas transformam médicos e enfermeiras em instrumentos dos investidores, e encaram os doentes como mercadorias. As intrusões do mercado têm estimulado uma nova onda de apoio à segurança de saúde nacional (national health insurance-NHI). Recentemente, 13,000 médicos assinaram uma proposta de NHI (publicada no Journal of the American Medical Association ), a qual bania seguradores e hospitais lucrativos, repercutindo o sentimento dos 62 por cento dos americanos que defendem o NHI (de acordo com uma sondagem em Outubro de 2003, do Washington Post /ABC Notícias).
(David U. Himmelstein e Steffie Woolhandler)
Texto no original AQUI
A amputação deliberada do mercado médico
por David U. Himmelstein e Steffie Woolhandler
Mesmo nos Estados Unidos, há aspectos da vida que são demasiado preciosos, íntimos ou passíveis de corrupção para serem confiados ao mercado. Nós proibimos a venda de rins e a compra de esposas, juizes ou crianças. Até onde devem ir tais proibições? Nos últimos anos, os empresários e os seus amigos no governo têm privatizado muitos dos serviços financiados pelos poderes públicos que anteriormente eram fornecidos pelo governo ou por agências não-lucrativas — incluindo interrogatórios de prisioneiros iraquianos. Aqui mesmo, na Cambridge liberal, o superintendente da nossa escola propõe-se criar uma empresa lucrativa para montar uma nova escola secundária "pública"". A saúde resume esta tendência. Os impostos cobrem 60 por cento dos gastos com a saúde nos EUA — considerando como despesas governamentais não só os cuidados médicos (Medicare), medicamentosos (Medicaid), a Administração de hospitais de veteranos, como também os custos dos benefícios de saúde para funcionários públicos e os subsídios à cobertura privada. (Na verdade, numa base per capita, o financiamento público dos cuidados de saúde nos EUA, ultrapassa os gastos totais com a saúde nos países com serviço nacional de saúde (National Health Insurance). Contudo, firmas de propriedades de investidores passaram a dominar a diálise renal, lares de 3ª idade, hospitais psiquiátricos, unidades de reabilitação e HMOs (Health Maintenance Organizations). Fizeram incursões significativas nos hospitais de cuidados de emergência (possuem cerca de 13 por cento de tais unidades), bem como nos centros cirúrgicos, agências de assistência médica ao domicílio e mesmo hospitais para doentes incuráveis. Os teóricos defensores do mercado argumentam que a motivação do lucro optimiza os serviços e minimiza os custos. Mas um crescente conjunto de provas indica que este dogma não tem fundamento. Os estudos mais recentes — publicados na Canadian Medical Association Journal e no Journal of the American Medical Association — provêm de um grupo de investigadores canadianos altamente conceituados. Eles reviram minuciosamente todos os estudos comparativos de custos e resultados da assistência em hospitais e clínicas de diálise lucrativos e não-lucrativos. Para evitar parcialidade, um documentalista eliminou as indicações sobre se o estudo apresentava tendência para o privado ou o público. Os investigadores usaram métodos estatísticos refinados para reunir todos os dados (provenientes apenas de unidades de saúde dos EUA). A sua análise meticulosa demonstra custos e taxas de mortalidade acentuadamente mais elevados nos hospitais de propriedade de investidores do que nos públicos, e resultados mais fracos nas clínicas de diálise renal privadas do que nas públicas. O custo excessivo nos cuidados privados é substancial -- 19 por cento -- implicando que os US$ 37,348 mil milhões que os americanos pagaram pela assistência médica nos hospitais privados de cuidados primários em 2001, teriam custado apenas US$ 31,385 mil milhões em estabelecimentos não-lucrativos; o desperdício atingiu os US$ 5,963 mil milhões. A perda de vidas é mais chocante: 2047 mortes evitáveis por ano provocadas pelos hospitais lucrativos, e 2500 mortes por ano em centros privados de diálise renal. É fácil perceber porque razão o sentido do lucro poderá levar a cuidados de saúde mais escassos e de pior qualidade. Mas por que a propriedade de investidores aumenta os custos? Os hospitais privados são maximizadores de lucros, não minimizadores de custos. Estratégias que reforçasm os lucros muitas vezes pioram a eficiência e aumentam os custos. O Columbia/HCA — o maior hospital-empresa — usou diversos truques para inflacionar as facturas de cuidados médicos: exagerar a gravidade do diagnóstico, falsificar os registos de despesas que são a base das retribuições dos cuidados médicos, passar doentes dos hospitais de cuidados agudos para os seus hospitais de convalescença e agências de cuidados ao domicílio, cobrando assim múltiplas facturas por um único episódio de doença. Depois de pagar multas e acordos totalizando US$ 1,7 mil milhões, a empresa continuou alegremente — e lucrativamente — no seu caminho. O Tenet, o segundo maior hospital-empresa, pagou quase US$ 700 milhões para resolver acusações de ignorar indicações e reter indevidamente doentes psiquiátricos a fim de ocupar camas nos anos 80, quando a empresa era conhecida por NME. O Tenet voltou a ser notícia por nova série de alegadas infracções, incluindo a realização de centenas de exames cardíacos desnecessários, mas lucrativos. Os executivos dos privados recolhem gratificações principescas, sangrando os fundos da assistência. Quando o executivo chefe do Columbia/HCA se demitiu por enfrentar investigações de fraude, saiu com US$ 10 milhões de dividendos por rescisão e US$ 324 milhões em acções da companhia. O executivo chefe do Tenet exerceu direito de opção em acções no valor de US$ 111 milhões pouco tempo antes de ser forçado a sair em 2003. O director do HealthSouth (o principal fornecedor de cuidados de reabilitação) fez US$ 112 milhões de dólares em 2002, o ano anterior à sua acusação por fraude. Os enormes rendimentos dos executivos explicam parte, mas não a totalidade dos altos custos administrativos nas empresas privadas de cuidados de saúde. Os hospitais por acções gastam muito menos em cuidados de enfermagem do que os hospitais não-lucrativos, mas os seus custos administrativos são seis pontos percentuais mais altos — reflectindo a sua meticulosa atenção aos aspectos financeiros. Altos custos administrativos e pior qualidade têm também caracterizado as HMOs privadas (Health Maintenance Organizations). Actualmente as seguradoras privadas dominantes nos EUA, tais como as HMOs, levam 19 por cento a mais, contra os 13 por cento dos planos não-lucrativos, 3 por cento no programa Medicare, e 1 por cento no Programa Nacional de Seguros de Saúde Canadiano. Obviamente, os contratos com HMOs privadas têm inflacionado os custos dos cuidados médicos. De acordo com o Gabinete do Orçamento do Congresso, as HMOs da Assistência recrutaram selectivamente idosos saudáveis, os quais, se tivessem permanecido no plano Medicare tradicional, teriam custado pouco à Assistência—cerca de US$ 2 mil milhões a menos, anualmente, do que aquilo que o Medicare pagou às HMOs em prémios. Os planos privados que não conseguiram recrutar os saudáveis, abandonaram os contratos com a assistência, desestabilizando a assistência para milhões de idosos. A resposta dos republicanos foi dourar a pílula para as HMOs, incluindo US$ 46 mil milhões para aumentar os pagamentos às HMO, como parte do recentemente editado decreto de prescrição de fármacos do Medicare. Por que razão sobrevivem no mercado, as empresas lucrativas que oferecem produtos inferiores a preços inflacionados? Vários pré-requisitos do mercado competitivo descritos nos manuais, estão ausentes, no que diz respeito aos cuidados de saúde. Primeiro, é absurdo pensar-se que os utilizadores vulneráveis dos serviços públicos, tais como idosos frágeis e doentes graves, os maiores consumidores da assistência, possam actuar como consumidores informados. Geralmente não estão habilitados para tal. Não podem comparar lojas, reduzir a procura quando os fornecedores sobem os preços, ou avaliar a qualidade com exactidão. Mesmo doentes lúcidos e instruídos, podem ter dificuldades em avaliar se os acessórios de luxo num hospital, serão indicadores de boa qualidade nos cuidados de saúde. Segundo, os “produtos” de serviços complexos, como a assistência médica, são notoriamente difíceis de avaliar, mesmo para compradores sofisticados. Médicos e hospitais criam os dados usados para os monitorá-los; quando usados como base para retribuições financeiras tais dados têm o mesmo rigor de uma declaração de IRS. Ao rotular uma pequena dor no peito como “angina”, em vez de “dor no peito”, um hospital americano pode aumentar a taxa de retorno da assistência em 9,2 por cento e melhorar ficticiamente os resultados da angina. Explorar estas lacunas tem-se revelado mais proveitoso do que melhorar a eficiência ou a qualidade. Mesmo para empresas sérias, a selecção cuidadosa de doentes e serviços lucrativos é a chave do êxito, ao passo que responder às necessidades da comunidade geralmente ameaça a lucratividade. Por exemplo, os hospitais lucrativos de especialidades, oferecendo apenas assistência em cardiologia ou ortopedia (fontes de dinheiro, segundo os esquemas de pagamento actuais) têm proliferado nos EUA. A maioria destes novos hospitais duplica os serviços disponíveis nos hospitais gerais públicos vizinhos, mas os recém-chegados evitam os programas em que podem perder dinheiro, tais como assistência geriátrica e departamentos de urgência (um ponto de entrada comum para doentes não-segurados). Os lucros fluem para os investidores, os prejuízos para os hospitais públicos, e os custos totais para a sociedade aumentam, por via da duplicação desnecessária de instalações dispendiosas. Por último, um verdadeiro mercado exigiria múltiplos compradores e vendedores independentes, com entrada livre no mercado. Contudo, muitos hospitais exercem monopólios virtuais. Um único hospital numa cidade não pode competir consigo próprio, mas pode usar o seu poder no mercado para inflacionar os seus ganhos. Não surpreende que os hospitais-empresa lucrativos nos EUA tenham concentrado as suas compras em áreas onde podem ganhar uma boa parte do mercado local. Além disso, muitos fornecedores e seguradores de cuidados de saúde gozam de monopólios conferidos pelo Estado sob a forma de licenças para médicos e hospitais e protecção de patentes para fármacos (a indústria farmacêutica fornece uma enciclopédia virtual do fracasso do mercado nos cuidados de saúde dos EUA, mas deixamos isso para outra ocasião). Além disso é um estranho mercado, que depende largamente dos fundos públicos. A privatização resulta numa grande perda líquida para a sociedade, em termos de aumento de custos e perda de qualidade, mas alguns ficam a ganhar. A privatização cria vastas oportunidades de lucro para empresas e investidores poderosos. A família Frist, cujo rebento, Bill, lidera os republicanos no Senado dos EUA, acumulou a sua vasta fortuna a partir dos hospitais Columbia/HCA. Ross Perot juntou o seu dinheiro a vender serviços informáticos ao Medicare. E cada pico nos pagamentos do Medicare às HMOs tem feito subir em flecha o preço das acções das HMOs. A privatização também não redistribui o rendimento pelos trabalhadores da saúde. As tabelas de vencimentos são relativamente niveladas nas instituições de saúde não-lucrativas do governo; as diferenças de salário entre o chefe do executivo e uma governanta, são talvez 20:1. Nas corporações dos EUA, uma razão de 180:1 é vulgar. De facto, a privatização tira o dinheiro dos bolsos dos que têm baixos salários, a maioria mulheres, para o dar a investidores e gerentes bem pagos. Por trás de falsas reclamações de eficiência esconde-se uma verdade bem mais feia.
A assistência na mão dos accionistas dá corpo a um novo sistema de valores, que erradica qualquer vestígio das raízes comunitárias e das tradições samaritanas dos hospitais. Os hospitais dos accionistas transformam médicos e enfermeiras em instrumentos dos investidores, e encaram os doentes como mercadorias. As intrusões do mercado têm estimulado uma nova onda de apoio à segurança de saúde nacional (national health insurance-NHI). Recentemente, 13,000 médicos assinaram uma proposta de NHI (publicada no Journal of the American Medical Association ), a qual bania seguradores e hospitais lucrativos, repercutindo o sentimento dos 62 por cento dos americanos que defendem o NHI (de acordo com uma sondagem em Outubro de 2003, do Washington Post /ABC Notícias).
Mas os fundamentalistas do mercado continuam a impingir as privatizações como panaceia para a assistência à saúde e para os outros problemas da América. Asseguram-nos que o Aetna e o Columbia/HCA resolverão todas as nossas queixas de saúde, tal como a Edison solucionará o fracasso das nossas escolas públicas, a Enron baixará as tarifas de electricidade na Califórnia, e a Halliburton e Blackwater nos resgatará no Iraque.
[*] David U. Himmelstein e Steffie Woolhandler praticam e ensinam medicina em Cambridge, Massachusetts. Eles lançaram em conjunto o programa Physicians for a National Health.
Publicado por agineotonico às 05:28 PM
Parcerias Público-Privadas (PPP) na saúde: consequências para o Serviço Nacional de Saúde e para os portugueses
1- O modelo de Parcerias Público-Privados (PPP) que está a ser implementado em Portugal, contrariamente ao que tem afirmado o encarregado da Missão PPP, não é “o mais avançado do mundo”, representando mesmo um retrocesso em relação ao modelo inglês onde se inspirou. Efectivamente, na Inglaterra não foi incluída na parceria a prestação de cuidados de saúde por ser incompatível com a lógica económica que domina a actividade dos privados, enquanto em Portugal as prestações de saúde foram incluídas no modelo adoptado, o que certamente levará à degradação da qualidade dos serviços de saúde prestados e ao aumento dos custos a pagar pela população.
2- Os 10 Hospitais que o governo pretende construir no âmbito do chamado Programa PPP abrangerão mais de um quarto da população portuguesa, o que significa que num espaço de tempo muito curto – cerca de 4 anos – os grupos económicos privados alcançarão o controlo sobre uma parte significativa dos sector público de saúde em Portugal, o que corresponde a quase 7 vezes mais do que aquilo que já controlam actualmente como reconhece o grupo Mellos, embora achando ainda que é muito pouco.
3- Tomando como base a população abrangida pelos 10 Hospitais PPP e o custo para o OE dos contratos que o Estado assinará para o Hospital de Loures – 800 milhões de euros a preços actuais – estimamos que o custo total para o Orçamento do Estado dos contratos a assinar com os grupos económicos privados relativos aos 10 hospitais PPP representará um negócio que ultrapassará, a preços actuais, mais de 7.000 milhões de euros (1.400 milhões de contos), e ainda por cima é um negócio seguro porque é garantido fundamentalmente pelo Orçamento do Estado.
4- A lógica económica que está associada à forma como os grupos privados serão pagos determinará a degradação dos serviços de saúde prestados à população. E isto porque serão fixados anualmente preços para cada um dos actos de saúde prestados à população (consultas externas, urgências, hospitais de dia, internamentos, etc.), que se manterão inalteráveis pelo menos durante um ano. Assim, os grupos privados como não poderão manipular os preços durante aquele período de tempo como o fazem em consultórios, clínicas e hospitais privados procurarão aumentar os lucros reduzindo os custos, o que significa reduzir consumíveis, medicamentos, meios complementares de diagnósticos, tempo que cada profissional de saúde poderá dispor para cada doente, etc, ou seja, reduzindo a qualidade dos serviços de saúde prestados à população. A redução das remunerações dos profissionais da saúde que o governo pretende impor com a sua Proposta de ACT que enviou aos Sindicatos, se fosse aceite, representaria também uma “ajuda” que o governo daria ao aumento desses lucros, pois as condições de trabalho dos Hospitais SA seriam certamente aplicadas também nos Hospitais PPP.
5- O grupo Mellos exige mais. De acordo com declarações do seus responsáveis disponíveis no seu sítio web – www.josedemello.pt – este grupo exige a privatização imediata de metade do Serviço Nacional de Saúde no lugar dos 20% que o governo tenciona privatizar, e ficar já com 4 dos 10 Hospitais PPP cujos concursos o governo está a lançar. Para além disso pretende também apoderar-se de centros de saúde, como é já voz corrente entre os profissionais de saúde do concelho de Loures. Afirmam eles, para além do Hospital de Loures, os Mellos pretendem também o centro de saúde construído recentemente com dinheiros públicos.
(Eugénio Rosa)
COMO ESTÃO A SER UTILIZADAS AS PPP NA SAÚDE E O QUE NOS PROPOMOS FAZER
Como ficará claro neste estudo, os grandes grupos económicos privados pretendem utilizar as Parcerias Público-Privadas para alcançarem rapidamente o controlo de uma parcela importante do sector público de saúde em Portugal.
Neste pequeno estudo de investigação vamos procurar provar isso, fornecendo ao leitor a informação necessária para que possa tirar as suas próprias conclusões sobre uma matéria vital para todos os portugueses, que é o direito à saúde garantido pela Constituição, que está em perigo. No entanto, apesar da ameaça real que as PPP representam para o SNS, as consequências destas parcerias estão a passar despercebidas quer à maioria da população quer aos próprios órgãos de comunicação social.
O QUE SÃO AS PPP NA SAÚDE EM PORTUGAL:
- Um dos modelos “mais avançados a nível mundial” ou um retrocesso?
Jorge Abreu Simões, um homem de confiança do governo, que é o encarregado da chamada missão das Parcerias Público-Privadas (PPP), afirmou ao jornal Vida Económica da primeira semana de Outubro de 2004 que o modelo de PPP que está a ser implementado em Portugal é “um dos mais avançados do mundo”. E fez tal afirmação sem a explicar e sem a fundamentar como se fosse uma verdade inquestionável. Este é o tipo de discurso que caracteriza cada vez mais o pensamento único oficial dominante em Portugal, o qual espera que uma afirmação de tanto ser repetida acabe por passar como verdadeira. Seguindo um caminho inverso vamos explicar o que são as chamadas Parcerias Público-Privadas, acrescentando mais alguns dados conhecidos sobre a sua aplicação, para que o leitor possa tirar as suas próprias conclusões.
As Parcerias Publico-Privadas (PPP) na saúde foram regulamentadas, no nosso País, pelo Decreto-Lei 185/2002, publicado em 20 de Agosto de 2002, portanto em pleno período de férias eventualmente para passar despercebido aos portugueses. De acordo com o artº 8º daquele decreto-lei o contrato de gestão de uma PPP “tem por objecto principal assegurar as prestações de saúde promotoras, preventivas ou terapêuticas correspondentes ao serviço de saúde“ (nº1) e “pode ainda ter por objecto a concepção, construção, financiamento, conservação e exploração do estabelecimento, ou de parte funcionalmente autónoma”. Isto significa que com base em dois contratos de gestão o Estado pode entregar a um grupo económico privado tudo, ou seja, a concepção, a construção, financiamento, conservação e exploração de uma unidade de saúde e os próprios cuidados de saúde. E de acordo com o nº1 do artº 10 do mesmo decreto lei “a entidade gestora deve oferecer garantias de idoneidade, qualificação técnica e capacidade financeira que satisfaçam os requisitos que forem fixados no programa”. E como este negócio envolve muitos milhões é evidente que só os grandes grupos económicos terão “a capacidade financeira que satisfaça os requisitos” para participar em parcerias. É uma forma de selecção com base no dinheiro. Se compararmos o chamado “MPPP” (Modelo Português Parcerias Público-Privadas), que Jorge Abreu Simões considera “um dos mais avançados do mundo”, com o “MIPPP” (Modelo Inglês Parcerias Público-Privadas), onde o modelo português se inspirou e que é normalmente utilizado em Portugal como paradigma pelos defensores das Parcerias Público-Privadas, concluímos que na Inglaterra, contrariamente ao que se pretende fazer em Portugal, não se entregou as prestações de saúde à gestão e exploração privada. O que faz parte das Parcerias Público-Privadas na saúde em Inglaterra são apenas os chamados serviços infra-estruturais e logísticos, ou seja, fundamentalmente as instalações, ficando de fora a exploração privada a prestação dos cuidados de saúde assim como a renovação e a actualização dos equipamentos. E a razão é extremamente simples. É que tanto a prestação de cuidados de saúde como a renovação dos equipamentos de saúde pagos com dinheiros públicos são incompatíveis com princípios que regem uma gestão privada. E para concluir isso basta ter presente o seguinte. O objectivo principal de qualquer “boa gestão privada” é maximizar os lucros para assim maximizar a rentabilidade das aplicações dos investidores. Sendo os preços fixados pelo governo embora com base numa negociação, e não podendo variar por simples decisão do privado, como sucede em qualquer consultório, clínica ou hospital privados, assim a única forma que têm os privados de aumentar os lucros é reduzir custos, o que na saúde pode significar degradação da qualidade do serviço de saúde prestado à população. Isto foi compreendido até pelo sr. Tony Blair que apesar de ter apoiado o desenvolvido as Parcerias Público-Privadas na saúde em Inglaterra não entregou a gestão e a exploração nem dos cuidados de saúde nem a dos equipamentos de saúde e a sua modernização aos privados.
Assim, vista com esta luz transparente o modelo português de Parcerias Público-Privadas no sector de saúde transforma-se de “um dos mais avançados do mundo” num retrocesso mesmo quando o comparamos com o modelo que lhe serviu de inspiração. Infelizmente o Presidente da República promulgou o decreto que o criou sem levantar qualquer objecção.
O CONTROLO RÁPIDO DE UMA PARTE SIGNIFICATIVA DO SECTOR PÚBLICO DE SAÚDE PELOS GRANDES GRUPOS ECONÓMICOS PRIVADOS
Embora esteja a passar despercebido a muitos portugueses, as chamadas Parcerias Público-Privadas na saúde vão permitir aos grandes grupos económico controlar num espaço de tempo muito curto (quatro anos é o tempo previsto) uma parte importante do sector público de saúde. E isto porque até 2008 entrarão em funcionamento, segundo os planos do governo, 10 novos hospitais em regime de Parcerias Público-Privadas.
Destes 10 Hospitais, dois são novos hospitais – Loures e Sintra – sendo os restantes hospitais que irão substituir outros existentes (Cascais, Vila Franca de Xira, Braga, Évora, Gaia, Póvoa/Vila do Conde, Algarve e Guarda).
O quadro I, que a seguir se apresenta, mostra as populações que serão abrangidas por estes hospitais assim como o número de camas, dando uma ideia clara da importância destes hospitais no sistema público de saúde.

Como mostram os dados, mais de um quarto da população portuguesa (cerca de 26% da população total) ficará abrangida por hospitais cuja gestão e exploração caberá a grandes grupos económicos privados. Desta forma, e num período de tempo bastante curto (a previsão oficial é até 2008), os grandes grupos económicos privados obterão o controlo de uma fatia importante do sector publico de saúde em Portugal, o que nunca tinham conseguido até aqui.
UM NEGÓCIO DE MAIS DE 7.000 MILHÕES DE EUROS (1.400 MILHÕES DE CONTOS) A PREÇOS ACTUAIS
Em 2003 foi lançado o concurso para o Hospital de Loures e em Julho de 2004 receberam-se as propostas dos interessados. Com base quer nos dados desse concurso quer nas propostas apresentadas é possível saber, com um mínimo de consistência, quem será beneficiado com o negócio da saúde, quanto ele custará ao Orçamento do Estado, e quais serão as consequências prováveis para os portugueses abrangidos pelos Hospitais PPP. De acordo com dados fornecidos por Jorge Abreu Simões no seminário verificado na Escola Nacional de Saúde Pública em 28 de Maio de 2004, só o custo do Hospital de Loures para o OE, a valores actuais, seria de 800 milhões de euros (160 milhões de contos), sendo 100 milhões referente às infra-estruturas hospitalares que seriam pagas pelo Estado durante 30 anos, e 700 milhões de euros referente às prestações clínicas a pagar para um período de 10 anos, que poderia depois ser renovado à semelhança do que sucedeu no Hospital Amadora-Sintra. É evidente que a parte fundamental do negócio são as prestações de saúde. E os 800 milhões de euros são valores a preços actuais, pois ainda terão de ser actualizados (aumentados) com base na taxa de inflação. Por exemplo, admitindo uma taxa de inflação média de 4% ao ano, os 800 milhões de euros a preços actuais correspondem a 1.184 milhões de euros a preços de 2014. No entanto, a importância a pagar pelo OE, mesmo a preços actuais, não serão apenas 800 milhões como constava do cadernos de encargos, mas um valor que poderá ser ainda superior como revelam os valores das propostas apresentadas pelos quatro grupos privados que concorreram ao Hospital de Loures.
O grupo liderado pela Misericórdia do Porto pediu 798 milhões de euros, mas o grupo José Mellos já exigiu 876 milhões de euros, o grupo Espírito Santo 921 milhões de euros, e o grupo HPP (CGD)/Teixeira Duarte quer 1.073 milhões de euros. Destas propostas serão escolhidas duas, que não serão obrigatoriamente as mais baixas, que constituirão a short list , com cujos proponentes a comissão de avaliação irá negociar para escolher aquela com base na qual serão assinados dois contratos: um de 30 anos relativo ao pagamento das infra-estruturas a construir, e outro de 10 anos relativo ao pagamento das prestações de saúde.
Tomando como base os valores da população que será abrangida pelos 10 hospitais PPP constantes do quadro I — 2.683.078 habitantes — e o custo do Hospital de Loures para a população a que se destina — 342.129 habitantes — estimamos que o custo dos contratos iniciais destes 10 Hospitais PPP para o Orçamento do Estado será certamente superior a 7.000 milhões de euros (mais de 1.400 milhões de contos ) a preços actuais, porque a preços de cada um dos anos em que terá de ser pago cada uma das parcelas daquele valor será certamente muito superior a este como mostramos na simulação realizada anteriormente para um valor de apenas 800 milhões de euros.
UM NEGÓCIO RENTÁVEL E SEGURO MAS QUE CAUSARÁ A DEGRADAÇÃO DA QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE
O pagamento quer das infra-estruturas a construir quer da prestação de cuidados de saúde a realizar será feito fundamentalmente pelo Orçamento do Estado, assegurando-se assim que os grupos privados escolhidos não corram riscos e tenham um lucro garantido. E isto a começar pelo terreno em que serão implantados estes Hospitais PPP. Por exemplo, no caso de Loures (e isto sucederá para todos os outros hospitais), a autarquia teve de ceder gratuitamente um terreno com uma área de 166.000 m 2 cujo valor se estima em 15 milhões de euros (3 milhões de contos). Depois, e como já se referiu, os contratos que vão ser assinados – 30 anos para as infra-estruturas e um de 10 anos, que poderá ser depois ainda renovado, para as prestações de saúde – garantem um mercado certo e seguro durante um longo período de tempo que nenhum outro fornecedor privado tem. Em seguida a fixação dos preços a pagar pelo Orçamento do Estado. De acordo com o encarregado da Missão Parcerias Público-Privados da Saúde, as infra-estruturas serão pagas pelo Estado durante 30 anos, e o valor anual a pagar pelo Estado ao chamado operador das instalações Hospitalares (Infraco) será constituída por duas parcelas: uma fixa e outra variável que será revista (actualizada) anualmente com base no Índice de Preços no Consumidor. Desta forma garante-se que o lucro do privado não seja corroído pela inflação.
Relativamente à remuneração do Operador Clínico (Clinco), ou seja, em relação aos serviços clínicos a prestar à população, o valor a pagar pelo Estado durante 10 anos, período este que poderá ser renovado como sucedeu no Hospital Amadora-Sintra; repetindo, o pagamento ao privado terá como base um preço por tipo de prestação realizada – internamento, urgência, consulta externa, hospital de dia, actos específicos, etc. – preço esse por prestação que será actualizado todos os anos de forma também a evitar que seja corroído pela inflação, preço esse que depois será multiplicado pela quantidade de prestações de saúde realizadas pelo Hospital PPP. A entrega das prestações de saúde a uma entidade privada, cujo objectivo principal é a maximização do lucro, associada àquela forma de pagamento (um valor fixo por cada prestação) determinará inevitavelmente a degradação da qualidade dos serviços de saúde prestados à população, o que será imposto pela própria e férrea lógica económica. E para concluir isso basta ter presente o seguinte. Diferentemente do que sucede actualmente num consultório, ou numa clínica ou num hospital privado, a entidade não pode manipular facilmente os preços. E isto porque com base no contrato que fez com o Estado eles só podem ser revistos ao fim de um ano.
Como é que o privado poderá aumentar os seus lucros?
Reduzindo os custos os quais não são fixados pelo Estado, e onde ele tem mão livre. E como é que consegue reduzir os custos na saúde? Em relação aos equipamentos, prolongando a sua utilização para além do período aconselhável ou não os substituindo quando aparecem equipamentos mais eficazes no tratamento ou identificação de doenças. Relativamente às prestações de saúde, reduzindo ou utilizando consumíveis de menor qualidade que têm custos mais baixos, não recorrendo aos meios complementares de diagnósticos necessários, não dando os medicamentos necessários, encurtando as estadias dos doentes nos hospitais mesmo que isso seja prejudicial para os mesmos, obrigando os profissionais de saúde a reduzirem o tempo que estão com cada utente a fim de no mesmo tempo realizarem mais prestações de saúde e assim poderem facturar mais prestações e o hospital alcançar maiores lucros, etc, etc.
É à luz deste objectivo — reduzir custos para assim garantir lucros aos grupos privados a quem o governo pretende entregar a gestão e a exploração de uma parte significativa do sector público de saúde — que deve ser interpretada a Proposta de ACT para os 31 Hospitais SA enviada recentemente pelo governo aos Sindicatos e que servirá naturalmente de modelo para os Hospitais PPP. Como se mostrou no estudo feito a aplicação das condições da Proposta governamental determinaria uma redução dos custos, através da diminuição das próprias remunerações que são pagas actualmente aos profissionais de saúdes, que estimamos entre 15% dos 25% dos gastos totais dos Hospitais com pessoal. Para além disso, a Proposta de ACT contém uma disposição que agora se torna mais clara. De acordo com o nº2 da clausula 70 da Proposta “a cedência de trabalhadores integrados no grupo profissional da prestação de cuidados de saúde, quando feita a outra entidade prestadora, situada no mesmo concelho ou em concelho limítrofe do local de trabalho habitual, por período não superior a 6 meses, não admite oposição do trabalhador”. Seria uma forma de garantir, com o apoio do Estado, também trabalho qualificado barato aos grupos privados. Finalmente, para além de ser um negócio lucrativo é também um negócio seguro por ser garantido fundamentalmente pelo Orçamento do Estado.
O GRUPO MELLOS EXIGE MAIS
No sítio web do grupo José Mello, na parte dedicada a “Noticias do Grupo”, pode-se ler ainda textualmente o seguinte: “GRUPO MELLOS DEFENDE A PRIVATIZAÇÃO DE METADE DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE – 03/Jun/2004” . ”MEIA SAÚDE DEVIA ESTAR EM MÃOS PRIVADAS – 23/Set/2004. O dr. Salvador de Mello, um dos mais altos dirigentes do Grupo José de Mello Saúde defende que 50% do sector deveria estar na mão dos privados dentro de 10 anos, ao contrário dos 20% que o Estado prevê transferir até 2014 . Actualmente, a iniciativa privada detém cerca de 3% do sector”, ou seja, pouco mais de um sétimo daquilo que o governo pretende privatizar, mas que os Mellos ainda consideram muito pouco. Os objectivos são claros e as exigências são grandes, e já não existe qualquer pudor para as ocultar. Os números constantes da noticia anterior confirmam também a nossas estimativas sobre a parte do sector publico de saúde que o governo pretende entregar à exploração dos grandes grupos privados (20% dizem os Mellos, embora as nossa estimativas sejam um pouco superiores, mas que não os satisfaz). Relativamente aos 10 Hospitais PPP que o governo está a por a concurso público o apetite do grupo Mellos é também muito grande como revela a noticia seguinte retirada também do seu sítio web: “O Grupo José de Mello Saúde quer ganhar quatro dos dez concursos para a construção dos novos hospitais que o Ministério da Saúde vai lançar em regime de parceria público-privada – 01/Out/2004”. Além disso, corre já entre os profissionais de saúde de Loures que os Mellos além do Hospital também querem o Centro de Saúde de Loures, um centro novo e amplo construído recentemente com dinheiros públicos. Desta forma também se tornam claros os objectivos de uma medida anunciada recentemente pelo ministro da Saúde: colocar os Centros de Saúde dependentes dos Hospitais.
Os comentários são desnecessários. Mas é evidente que Orçamento do Estado não tem possibilidades de suportar indefinidamente o aumento de custos que a privatização da saúde inevitavelmente determinaria. As chamadas taxas diferenciadas anunciadas pelo governo mostram isso, pois enquadram-se já na intenção clara de transferir para a população o pagamento de uma parte crescente do aumento dos custos da saúde determinado pela privatização crescente do sector público de saúde em Portugal, que o OE já não consegue suportar, garantindo assim o mercado que os privados necessitam para poderem rentabilizar os investimentos que realizarem.
Publicado por agineotonico às 07:22 AM | Comentários (1)
dezembro 13, 2004
Hospitais SA: a mercantilização e privatização da saúde é ali inevitável
Na 2ª semana de Janeiro de 2004 os órgãos de comunicação social divulgaram com “espanto e indignação “ que “Hospitais SA podem privilegiar doentes vindos das seguradoras”. E referiram o caso do Centro Hospitalar do Alto do Minho que compreende os Hospitais de Viana do Castelo e de Ponte Lima que andaria a contactar companhias de seguro oferecendo “um atendimento mais atempado, célere e personalizado”. Na mesma altura a Ordem Médicos e a Associação dos Administradores Hospitalares protestavam contra tal procedimento considerando que ele violava a Constituição da República na medida em que os doentes privados teriam prioridade em relação aos do Serviço Nacional de Saúde. Igualmente vários partidos políticos exigiram a presença do ministro da Saúde na Assembleia da República para prestar explicações. No entanto, para quem tenha acompanhado e estudado as medidas tomadas pelo actual governo no campo da saúde, nomeadamente as que se relacionam com os chamados Hospitais SA, que são já 31, certamente o caso referido anteriormente não provoca qualquer surpresa. E isto porque já teria concluído que os utentes do SNS, nos Hospitais SA, acabariam inevitavelmente por serem discriminados em relação aos utentes dos serviços privados de saúde e dos chamados subsistemas (SMAS, ADSE, etc), devido à lógica económica e financeira imposta pelo governo a esses hospitais assim como a disposições contidas nos vários instrumentos jurídicos que regulam o seu funcionamento. É precisamente isso que vamos procurar explicar e provar neste pequeno estudo.
(Eugénio Rosa)
HOSPITAIS SA ENDIVIDADOS À NASCENÇA
Os chamados Hospitais SA foram criados, cada um deles, com um capital inicial de apenas 29.930.000 de euros, ou seja, cerca de 6 milhões de contos. No entanto, na mesma altura foram transferidos para esses hospitais as dívidas que eles tinham acumulado ao longo dos anos, ou seja, enquanto não eram Hospitais SA, o que determinou, relativamente a quase todos, que aquele reduzido capital inicial – 29,9 milhões de euros – acabasse por ser rapidamente absorvido no pagamento dessas dívidas, ficando esses hospitais sem os meios financeiros necessários ao seu funcionamento, e passando a acumularem dividas que o Estado se recusa a suportar. Por exemplo, de acordo com notícias publicadas no Jornal de Negócios de 30/Out/2003, só 17 Hospitais SA deviam já 156 milhões de euros a 48 laboratórios farmacêuticos no fim de Setembro de 2003, sendo 101 milhões de euros a mais de 90 dias, e os fornecedores ameaçavam, se aquelas dividas não fossem pagas ou se o Estado não as garantisse, cortar os fornecimentos àqueles hospitais. Por outro lado, de acordo com a lei que criou estes hospitais, eles teriam “até ao fim de 2003, de realizar a avaliação dos seus bens, sendo o valor do capital social alterado de acordo com o necessário”. Como muitos deles possuem patrimónios valiosos adquirido com fundos públicos (por ex., terrenos, instalações, etc), o que se pretende é aumentar significativamente, com base numa simples operação contabilística, o capital social desses hospitais, sem haver qualquer entrada de dinheiro, para assim já se poderem endividar junto à banca. E isto porque de acordo também com os seus estatutos, “ o endividamento do hospital não pode ser superior a 30% do capital social”, portanto aumentando artificialmente esse capital já se pode aumentar o endividamento. Desta forma, com uma única cajadada pretende-se alcançar dois objectivos: - Por um lado, criam-se as condições para que os Hospitais SA recorram ao endividamento libertando assim o Orçamento do Estado das suas obrigações financeiras e ajudando o governo a cumprir desta “forma habilidosa” a obsessão do défice dos 3%; por outro lado, criam-se os mecanismos económicos e financeiros que acabam por justificar e “obrigar” esses hospitais a entrar no campo da comercialização dos serviços de saúde pelo melhor preço, pois se o não fizerem a banca apoderar-se-á do seu património mais valioso. E esta intenção é tão clara que a própria lei, que transformou os 34 hospitais públicos em 31 hospitais SA, estabelece que estes podem “explorar os serviços e efectuar as operações civis e comerciais relacionadas directa ou indirectamente, no todo ou em parte, com o seu objecto”, que é a saúde. Isto significa que estes hospitais poderão legalmente vender serviços de saúde a clientes que não pertençam ao Serviço Nacional de Saúde. É evidente que para os captar e para poderem fixar preços mais elevados do que aqueles que são pagos pelo SNS é necessário que esses hospitais criem “um atendimento mais atempado, célere e personalizado”, discriminando os utentes do Serviço Nacional. É a própria lógica económica e financeira dura que o governo introduziu nestes hospitais que leva inevitavelmente a isso. Pensar que é possível ter estes hospitais, que são sociedades anónimas (SA quer dizer precisamente sociedade anónima, e é necessário que não seja esquecido) a funcionar de acordo com o interesse público é tomar os desejos pela realidade. E não se pense que será uma entidade reguladora que conseguirá inverter esta lógica económica e financista agravada por uma envolvente em que as restrições orçamentais se transformaram em deusa toda poderosa. Para concluir isso, basta ter presente o papel das entidades reguladoras que existem em outros sectores da actividade económica do País e que nada têm conseguido fazer para impedir a pratica de preços que são dos mais elevados em toda a UE15 como acontece no da electricidade.
OS HOSPITAIS SA GANHAM MAIS SE PRODUZIREM MENOS, E SÃO FORTEMENTE PENALIZADOS QUANDO PRODUZIREM MAIS
Os contratos programas que o Ministério da Saúde, através da chamada Unidade de Missão, está a impor aos Hospitais SA fomenta a mercantilização, a privatização da saúde e a discriminação dos utentes do Serviço Nacional de Saúde. Para provar isso vai-se analisar os pontos mais importantes de um desses contratos programa: -- o de um hospital SA da região de Lisboa assinado em 2003. Os contratos impostos aos outros hospitais são naturalmente semelhantes até porque este tem o título — “CONTRATO PROGRAMA PARA OS HOSPITAIS SA”.— que mostra que é um contrato tipo normalizado que se aplica a todos os Hospitais SA, embora depois adaptando-o às características concretas de cada um deles. De acordo com a cláusula segunda desse contrato, o Hospital obriga-se a “produzir” 76.800 prestações de saúde (5.800 Altas/Internamentos, 69.700 Consultas Externas e 1.400 Outras) pelas quais receberá cerca de 35 milhões de euros. No entanto, esta produção respeita “apenas aos beneficiários do Serviço Nacional de Saúde”, pois os chamados subsistemas públicos e privados são “outro negócio” que não têm quaisquer limites. De acordo com a cláusula oitava do contrato programa (Revisão dos valores), se o hospital realizar menos internamentos e consultas externas do que as constantes do contrato programa, aos 35 milhões de euros serão deduzidas as seguintes importâncias calculadas da seguinte forma:
(1) Por cada internamento realizado a menos será descontado 41% do preço estabelecido para aquele acto de saúde, ou seja, 873 euros recebendo o hospital a restante parcela que é 1.256,44 euros;
(2) Por cada consulta externa realizada a menos será descontado 41% no preço estabelecido por este acto de saúde, ou seja, 25,19 euros recebendo no entanto o hospital a restante parcela que são 36,26 euros, etc.
Em resumo, até à produção contratada ou acordada, mesmo que a não realize totalmente, o Hospital SA receberá por cada internamento não realizado 1256,44 euros, e por cada consulta não realizada 36,19 euros, ou seja, em qualquer um dos casos mais do que é descontado. E se a sua produção for superior à contratada ou acordado, por ex., até a 10% – De acordo com a mesma clausula do contrato programa o Hospital receberá por cada internamento realizado a mais apenas 30% do preço estabelecido para essa prestação de saúde, ou seja, apenas 638,83 euros, e por cada consulta realizada acima da meta de produção receberá apenas 31% do preço fixado para esse acto de saúde, ou seja, 19,05 euros. Embora pareça absurdo isto consta do contrato que o governo está a impor aos Hospitais SA. Mas coloquemos num quadro tudo aquilo que se acabou de referir para que fique mais claro para o leitor, porque depois serão mais facilmente compreensíveis as consequências inevitáveis da lógica económica e financeira que o governo está a impor aos Hospitais SA.
Quadro I – Preços pagos pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos Hospitais SA quando a sua produção não coincidir com a meta contratada

Como os dados do quadro I mostram com clareza, quando um Hospital SA ultrapassa o objectivo de produção, no lugar de ser premiado, é fortemente penalizado. Recebe apenas 30% do preço estabelecido por cada internamento realizado a mais, 31% do preço estabelecido por cada consulta externa feita a mais, e apenas 55% do preço estabelecido por cada hospital de dia realizado acima da meta de produção estabelecida para o ano em referência. Mas o absurdo desta situação não fica por aqui. Como também mostram os dados do quadro I, o Hospital SA recebe mais por não fazer do que por realizar mais produção. Assim, por cada “Internamento” que faça abaixo da meta de produção do ano recebe 1.256 euros, enquanto por cada internamento que realize acima da meta de produção receberá apenas 638 euros, ou seja, cerca de metade. Em relação a consultas externas, por cada consulta produzida a menos o Hospital SA recebe 36 euros, enquanto que por cada consulta produzida acima da meta de produção receberá apenas 28 euros. E o que pretende o governo quando estabelece um quadro de funcionamento e de financiamento desta natureza? Apenas o seguinte:
(1) Impedir que os Hospitais SA prestem serviços de saúde à população servida pelo Serviço Nacional de Saúde acima da chamada produção contratada que é imposta pelo governo a esses hospitais tendo em conta objectivos financeiros e orçamentais, porque se ultrapassarem essa produção serão fortemente penalizados (receberão apenas uma parte dos custos, tendo de suportar a parcela mais importante, que no caso do internamento e das consultas ronda os 70%;
(2) Pressionar os Hospitais SA para que produzam mesmo menos que o estabelecido para o ano, pois assim por cada unidade não produzida receberão mais do que receberiam por produzir uma unidade a mais acima da meta de produção;
(3) Libertar capacidade de produção para assim criar as condições necessárias para que a mercantilização da saúde se possa desenvolver de uma forma rápida no nosso País utilizando meios adquiridos com fundos públicos e limitando assim o acesso à saúde a muitos portugueses por razões económicas, em clara violação do artº 64% da Constituição da Republica, que estabelece que esse direito deverá ser assegurado a todos os portugueses de uma forma “tendencialmente gratuita”.
COMO SERÃO PAGOS OS HOSPITAIS SA EM 2004
E o que é que está previsto para 2004? De acordo com o Relatório do Orçamento de Estado para 2004, “os Hospitais SA serão financiados com base num contrato-programa plurianual celebrado entre o Ministério da Saúde e o Hospital; e será utilizada uma tabela de preços com base na qual o SNS pagará a esses hospitais; e essa “tabela de preços foi calculada com base nas produções contratadas, com uma margem de 10%. Acima desse patamar é pago apenas o custo marginal” (pág. 28, Relatório do OE para 2004). Trocando isto por miúdos, como se costuma dizer, o que é que significa o que está escrito no Relatório do OE de 2004? – Precisamente o seguinte:- O Ministério da Saúde, através da chamada Unidade de Missão, negociará com cada um dos Hospitais SA um contrato plurianual que terá um objectivo de produção (nº de consultas, nº de internamentos, e nº de hospitais de dia) que o hospital terá de realizar (a chamada produção contratada) pelo qual receberá um determinado valor (o valor contratado). Se executar mais do que 10% que a produção contratada, por cada prestação de saúde realizada a mais a utentes do Serviço Nacional de Saúde, ele receberá “apenas o chamado custo marginal”, ou seja, 30% do preço estabelecido para o acto de saúde se for um internamento, 31% se for uma consulta externa, e 55% se for um hospital de dia. A restante parcela de custos que diz respeito nomeadamente a instalações, a equipamentos, etc, terão de ser suportados pelo próprio Hospital SA, o que os obrigaria a procurar receitas fora do SNS, portanto através de prestação de serviços de saúde a privados.. Embora o Relatório do Orçamento de 2004 nada diga o que acontece quando os Hospitais SA produzem menos que a produção contratada é de prever, à semelhança do que sucedeu em 2003, que eles sejam premiados. Talvez isto ajude a explicar a celebre poupança que consta da propaganda paga pelo Ministério da Saúde que saiu em todos os jornais relativa aos “Resultados do 1º Ano de Empresarialização – Hospitais SA”
OUTROS CASOS QUE CONFIRMAM A MERCANTILIZAÇÃO CRESCENTE DA SAÚDE NOS HOSPITAIS SA
Á medida que passa o tempo e que o quadro jurídico exposto anteriormente e o tipo de gestão a ele associado se vai implementando, multiplicam-se os casos concretos de mercantilização e privatização da saúde nos Hospitais SA que vêm a publico. Os órgãos de comunicação social e profissionais da saúde referem-se quase todos os dias a novos casos. Assim, a Visão numa reportagem publicada em 20/Nov/2003 sobre os Hospitais SA relatava o seguinte: “ O Hospital de Viseu é uma carta fora do baralho. A administração demitiu-se quando viu que o contrato lhe destinava bem menos do que os 78 milhões de euros do ano passado. Mesmo incluindo todas as receitas, ficarão com menos 25% do que desejaria para manter a qualidade do hospital. Internamente, a situação de aperto obrigaria a cortar em tudo, desde serviços, à produção e mesmo ao hospital. A nova administração é presidida por Clara Lima, uma inspectora das Finanças”. No Hospital Garcia da Horta em Almada, um Hospital também SA, “o contrato programa não prevê qualquer verba para investimento. Agora, há que puxar pela imaginação, afirma o presidente da administração. O Sporting instalou um centro de estágio na Academia do Alcochete. Pois ele decidiu procurar aquele clube para lhe propor que faça no Garcia da Orta os exames de ressonância magnética que precise”. Mas casos como este de mercantilização crescente da saúde nos Hospitais SA multiplicam-se empurrados pelo garrote da lógica económica e financeira imposto a estes hospitais. Mas as consequências daquela lógica tomam também outras formas, algumas delas até chocantes. Por ex., no Hospital de S. Teotónio de Viseu o Departamento de Psiquiatria vinha realizando uma actividade pioneira no apoio domiciliário/comunitário de mais de 400 doentes crónicos, reduzindo assim o número de camas necessárias, evitando ter doentes crónicos residentes e reinternamentos e recursos a urgência, fazendo prevenção e educação para a saúde e melhorando a qualidade de vida dos doentes, o que deve ser o objectivo fundamental de qualquer política verdadeira de saúde. No entanto, o chamado Grupo de Missão informou a anterior administração do hospital que essa actividade não seria financiada o que levará à sua extinção. No Hospital de Beja, é voz corrente entre os profissionais que no serviço de medicina, por ex., para poupar até se reduziu o número de vezes de substituição de fraldas a acamados; e os louvores neste hospital são dados fundamentalmente aos que conseguem reduzir custos e não aos que prestassem serviços de qualidade.
É NECESSÁRIO MUDAR PARA INVERTER A MERCANTILIZAÇÃO CRESCENTE DA SAÚDE NOS HOSPITAIS SA
Uma coisa são os contratos programa, ou seja, a fixação de objectivos de prestações de saúde, com base na qual as entidades de saúde são financiadas, e a responsabilização pelo seu cumprimento; e outra coisa bem diferente é a lógica económica e financeira dura que se está a impor aos Hospitais SA com o objectivo claro de transformar o bem saúde numa mercadoria, só acessível a quem a possa pagar em clara violação da Constituição, e também com o objectivo de privatizar um numero crescente de serviços desses hospitais. E não é possível mudar a forma de funcionamento destes Hospitais SA sem antes mudar o quadro jurídico e financeiro que lhe foi imposto. Efectivamente, enquanto for permitido a estes hospitais comercializar os serviços de saúde que prestam, procurando clientes privados para obter melhor preço; enquanto, forem fortemente penalizados quando ultrapassam as metas de produção, e premiados quando as não atinjam; enquanto se fomentar a degradação da qualidade nos serviços de saúde como forma de aumentar a margem e os resultados financeiros como decorre dos próprios contratos programa; enquanto não se dotar estes hospitais dos meios financeiros adequados de forma que não sejam obrigados a cometer as perversões anteriores; tudo isto acompanhado pela negociação e assinatura de contratos programas com cada um dos hospitais baseados em princípios de eficácia, eficiência e de responsabilização, e no fim de cada ano numa avaliação efectiva do executado com consequências práticas e imediatas para todas as partes envolvidas, então o direito à saúde garantido pela Constituição da República a todos os portugueses está em perigo, e pode-se transformar crescentemente num direito meramente formal. Finalmente, agradecemos a todos os leitores que enviem, por um lado, as suas opiniões mesmo criticas sobre este pequeno estudo para o melhorarmos e, por outro lado, casos de mercantilização da saúde que eventualmente tenham tido conhecimento para que assim se possa acompanhar de uma forma mais completa o que se está a passar no nosso país num sector que é fundamental para todos os portugueses, para o endereço edr@netcabo.pt .
Loures, 10 de Janeiro de 2004
Publicado por agineotonico às 10:09 PM | Comentários (2)
dezembro 08, 2004
Ainda por falar em Maternidades ou a “força maior” dos privados
"A administração do Amadora-Sintra vai entregar na próxima quinta-feira à Administração Regional de Saúde um relatório sobre o encerramento da maternidade do hospital. O administrador alega que o fecho está relacionado com um «motivo de força maior» (...) Na opinião de Lopes Martins, administrador do Amadora-Sintra e vice-presidente do Grupo Mello Saúde, o encerramento da maternidade não deveria dar lugar a multas. «Seguiremos as nossas responsabilidades. O que nos pareceu foi que, perante uma situação súbita e inesperada de falta de elementos que nos permitissem constituir uma equipa com qualidade e com segurança, fizemos um juízo de mal menor» (...)Lopes Martins alega que a alternativa ao encerramento da Maternidade era um atendimento deficiente. Isto porque dos 30 obstetras que trabalham no hospital, dez são tarefeiros ...”
(Diário Digital)
A irresponsabilidade de ter fechado a maternidade, sem qualquer aviso, é preocupante. Mas mais preocupante ainda é a irresponsabilidade assumida como natural, traduzida nas palavras deste administrador do Amadora Sintra e vice-presidente do Grupo Mello Saúde, que não vê razões para lhe ser aplicada multa e para quem o facto de as parturientes chegarem ao hospital e darem com “um aviso na recepção” a dizer que a maternidade está encerrada, é um “mal menor” que não carece de apuramento de responsabilidades.
Felizmente ainda há Hospitais Públicos. Não há história no nosso país, mesmo em situações extremas, de um hospital público fechar portas sem aviso prévio e sem dar alternativas.
Publicado por agineotonico às 02:14 PM
Equidade em Saúde e o interior do país
Segundo o relatório da OCDE sobre a Reforma do Sistema de Saúde em Portugal (Outubro de 2004), nos anos 70 apenas 40% da população tinha acesso ao Sistema de Saúde, a mortalidade infantil era o dobro da média europeia e a esperança média de vida uma das mais baixas. No pós 25 de Abril, o Sistema de Saúde teve um desenvolvimento excelente melhorando a qualidade de vida dos portugueses, reflectindo-se isso nos indicadores acima referidos – mortalidade infantil e esperança de vida – que são considerados como indicadores básicos da avaliação em saúde.
São apontadas ineficiências do sistema, mas sobre isso tentarei reflectir mais tarde. O que gostaria de referir neste post é que, neste mesmo relatório, se aponta como uma das lacunas do cumprimento dos objectivos constantes na Constituição, que consagra a “igualdade de acesso à saúde”, o esquecimento votado ao interior do país quer no que respeita ao número de profissionais de saúde, quer no que se refere aos meios aí disponíveis. Diz no relatório que: “The geographical distribution of health services is uneven. Medical facilities (hospitals and high technology equipments) are concentrated in three main urban areas (near Lisbon, Porto and Coimbra) leaving the central part of the country under-served (particularly for high-technology equipment11). With doctors and nurses concentrated on the coastal areas, human resources are in short supply elsewhere. Inadequate service levels are particularly notable in rural as well as low-income urban areas (see Annex 4 Table A1.2). Oliveira and Bevan (2003) show important geographical inequities by comparing actual resources levels with estimated needs reflected by a capitation formula including population, gender, age, and mortality”.
Contrariamente ao que seria de esperar para corrigir estas assimetrias na equidade de acesso à saúde, o Ministro vem dizer que o encerramento de algumas maternidades no interior do País está relacionado com razões clínicas e não com questões de poupança porque a falta de prática dos médicos, que apenas assistem a partos de vez em quando, pode ser prejudicial em casos complicados.
Publicado por agineotonico às 02:03 PM | Comentários (1)
dezembro 06, 2004
Hospital Amadora-Sintra
A maternidade do Hospital Amadora-Sintra está encerrada até à manhã de segunda-feira. A decisão foi tomada pela comissão executiva e a direcção clínica daquela unidade hospitalar, por não estar assegurado o número mínimo necessário de médicos para garantir o atendimento. (...) As grávidas que chegam ao Amadora-Sintra são avisadas da situação por uma circular afixada na recepção, e são aconselhadas a seguir para outras maternidades da zona da grande Lisboa (...) em causa está a falta de obstetras em número suficiente para assegurar os serviços mínimos com segurança.
(Diário Digital)
Publicado por agineotonico às 07:48 AM | Comentários (1)
novembro 26, 2004
Células estaminais no combate à leucemia
O New England Journal of Medicine publicou um estudo sobre a utilização de células estaminais, obtidas de cordão umbilical de bebés recém nascidos, para tratamento de doentes com leucemia. Segundo o estudo, estas células estaminais são uma opção viável e eficiente para muitos doentes que não conseguem dadores compatíveis.
Uma nova técnica, de transplante de células estaminais foi desenvolvida por médicos espanhóis para ser aplicada no tratamento de tumores.
Publicado por agineotonico às 04:12 PM | Comentários (3)
Clonagem: grande divisão na ONU
A Assembleia Geral das Nações Unidas votou, em 2003, a autorização para investigar células estaminais, depois deste assunto ter sido aprovado por uma curta margem no mês anterior - 80 votos a favor, 79 contra e 15 abstenções.
O Governo norte-americano fez pressão para que o assunto fosse de novo votado, na esperança de que a ONU impedisse a investigação a nível global. Enquanto a comunidade internacional está de acordo sobre a interdição da clonagem humana reprodutiva, a divisão em relação à clonagem terapêutica é muito acentuada.
Os Estados Unidos quiseram angariar apoio de cerca de uma centena de países para proibir as duas práticas, mas o que acabou por ficar decido foi que tinha de se chegar a um consenso para que a votação da ONU pudesse ser aplicada.
De novo este ano, no dia 19 de Novembro foi, felizmente, chumbada a proposta da Costa Rica que visava proibir toda e qualquer técnica de clonagem. Esta proposta foi subscrita por Portugal, Estados Unidos e vários países subdesenvolvidos. O Conselho dos Laboratórios Associados fez sair um comunicado chamando a atenção para a obrigatoriedade de consulta aos especialistas nacionais e a organismos internacionais independentes ... o que não aconteceu no nosso país.
Publicado por agineotonico às 03:44 PM | Comentários (1)
Erros de pessoal de enfermagem nos Hospitais
Um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia fez uma descrição detalhada sobre a natureza e prevalência dos erros cometidos pelo pessoal de enfermagem nos hospitais.
Study provides the first detailed description of errors by hospital staff nurses
Posted By: News-Medical in Medical Study News
Published: Saturday, 20-Nov-2004
A University of Pennsylvania School of Nursing study provides the first detailed description of the nature and prevalence of errors by hospital staff nurses.
During a 28-day period, 393 registered nurses kept a detailed journal of their errors and prevented errors, referred to as near-errors. Thirty percent of the nurses reported at least one error during the 28-day period, and 33 percent reported a near-error. Although the majority of errors and near-errors were medication-related, the nurses also reported a number of procedural, transcription and charting errors.
"Given the prevalence of other types of errors, an exclusive focus on medication administration errors, often a typical practice, may miss many important and potentially hazardous situations," said Ann E. Rogers, an associate professor in Penn's School of Nursing.
The findings are presented this month in the journal Applied Nursing Research and are derived from a previous study that examined staff nurse fatigue and patient safety.
"Although nurses pride themselves on being able to juggle multiple tasks at once, too many distractions from multiple sources make errors inevitable," Rogers said. "Other reports have shown that a nurse may be interrupted, on average, at least 19 times during a three-hour period by at least 13 different types of sources." Approximately 33 percent of actual medication errors were because of late administration of drugs to patients, which in some cases was due to inadequate numbers of nurses on duty. In one example, a nurse reported a 90-minute delay in giving medications to one patient and a 40-minute delay to another because she could not leave the bedside of a third unstable patient. As hospitalized patients become more ill, with complex care requirements, and the nursing shortage intensifies, such situations may become more common.
Other errors can be attributed to workplace distractions. According to the participants in the study, frequent interruptions from staff, students or even the telephone made administering medications and carrying out other patient-care activities challenging.
Procedural errors, such as omitting a routine task or making charting and transcription errors often arise from garbled communication within the immediate work area. While it might be impossible to avoid all distractions, the use of technology such as bar code medication administration systems and paperless charting systems have been shown to reduce errors. But such technologies are not widely used and are not user friendly.
The study itself demonstrates that nurses will report errors when they feel safe and when the reporting system is not burdensome. According to Rogers, it is important to acknowledge the vigilance and astuteness that led to the nurses catching many of their own errors before they reached the patient.
Michele C. Balas, a Penn Nursing doctoral student, and Linda D. Scott, an associate professor from Grand Valley State University, co-authored the study. Funding was provided by the Agency for Healthcare Research and Quality.
Publicado por agineotonico às 03:20 PM
novembro 23, 2004
Técnicas de clonagem
"Portugal é signatário de uma proposta que pretende banir todas as técnicas de clonagem, apresentada pela Costa Rica na ONU, e ninguém sabe como foi tomada tal decisão".
Como, tanto quanto se sabe, não houve nonosso país qualquer discussão ou consulta de especialistas sobre este assunto, deduz-se que coube ao MNE tomar aleatoriamente a decisão.
Paulo Pereira, investigador do Instituto de Biologia Molecular e Celular, defende: "na clonagem terapeutica a célula ovo que é produzida, não é implantada no útero, mas sim mantida em cultura, enquanto se trata ainda de uma esfera microcóspica, sem sistema nervoso. O que possibilita a obtenção de células que poderão constituir tratamentos eficazes para algumas doenças".
Rui Reis, presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapias Celulares diz que "se for proibida a clonagem terapeutica e a investigação em células estaminais, os portugueses ficam impedidos de participar em grandes projectos europeus".
Paula Martinho da Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, também diz que não foram ouvidos como "seria natural e desejável".
(Visão 609)
Publicado por agineotonico às 07:29 AM
novembro 22, 2004
Degradação das urgências ligada à inexperiência de médicos
Os utentes que recorrem às urgências têm vindo a ser penalizados com a degradação dos serviços, admitiu o presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Manuel Delgado.
A mesma ideia tinha sido já apontada pelo bastonário da Ordem dos Médicos, Germano de Sousa, no início dos trabalhos. De acordo com o clínico, espanhóis recém-formados exercem funções nas urgências dos hospitais nacionais, muitas vezes sem muita preparação.
Manuel Delgado partilha destas preocupações, e explicou ao congresso que a contratação de clínico espanhóis é uma solução de recurso, sendo uma segunda escolha. «São profissionais que são colocados nos hospitais sem qualquer ligação com o funcionamento dos hospitais, com a sua estrutura, com os outros colegas que ali trabalham. Não acompanham os doentes», avançou.
Delgado admite mesmo que, neste aspecto, «estamos a repetir um pouco o modelo brasileiro que já provou que não funciona e os doentes que vão às urgências são os mais penalizados com certeza». Como consequência, a qualidade do serviço tem vindo claramente a degradar-se.
(Diário Digital)
Publicado por agineotonico às 10:09 PM | Comentários (1)
novembro 11, 2004
Porquê o ranking dos hospitais
Enquanto a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e o Sindicato Independente dos Médicos consideram que o ranking do Ministério da Saúde só serve para descredibilizar os profissionais porque compara realidades completamente diferentes e privilegia uma análise quantitativa na avaliação dos hospitais, Luís Filipe Pereira dá conta das suas motivações:
"os resultados vão ser tidos em conta na decisão de transformar, pelo menos, dez destes hospitais SPA em Sociedades Anónimas (SA)";
"o «ranking» é um dos critérios da escolha. Posteriormente, existem outros factores a ter em conta, como a localização das unidades hospitalares".
"o Hospital de Oliveira de Azeméis, que lidera este ranking, trata-se de uma hipótese que reúne cada vez mais consistência para passar a SA".
Publicado por agineotonico às 07:09 PM | Comentários (1)
Erro médico
Os médicos não cometem mais erros do que outros profissionais de nível superior fora do âmbito da saúde, como em Direito, Arquitectura, Administração, etc. Com certeza, cometem bem menos. A diferença principal está na natureza do seu trabalho.
Embora para o médico a medicina seja um compromisso de meios, para o paciente e a sociedade ela é vista como uma cruel expectativa de resultados.
O doente vai ao médico à procura de resultados, e, quase sempre imediatos, mostra-se ansioso, com a sua vida em jogo e não transige na exigência de resultados substantivos e positivos.
Isso torna quase proibitivo o erro médico. Os resultados são quase sempre visíveis a olho nu e a curto prazo. A verdade é que o resultado adverso em medicina pode ser sinónimo de morte e, por isso, diferente de outros serviços prestados pela sociedade. Enquanto outros serviços malfeitos apenas representam percas financeiras ou materiais, os erros médicos podem gerar sofrimento imediato, perca de órgãos, ou de funções, ou a morte de entes queridos.
Esta circunstância coloca a actividade médica sob pressão constante.
Erro médico; negligência médica; crimes cometidos no exercício da actividade médica, sempre foram uma questão complexa, seja no plano da ética, seja na esfera da própria justiça civil ou criminal.
Sendo uma actividade essencial para a vida humana que está, nos dias de hoje, não só a ser afectada pelo rápido desenvolvimento das tecnologias, como pela exigência da sua rápida privatização que trará desigualdades de atendimento acrescidas, a exigência de apuramento de responsabilidades nos “erros médicos”, fará correr muita tinta.
Não defendendo de forma alguma a impunidade profissional dos médicos, parece que eles tendem e ser colocados na posição de “bode expiatório” das instituições que prestam cuidados de saúde. Transformados em simples prestadores de serviços, com relações distantes dos doentes e substituído o seu tradicional papel social por uma visão economicista de rentabilização de recursos, arcarão com toda a responsabilidade dos maus serviços prestados em saúde.
Mais do que nunca se torna necessária uma reflexão sobre questões verdadeiramente éticas suscitadas pela vida e que são os reais alicerces dos códigos morais e de conduta. Não esquecendo que a actividade médica é realizada por pessoas que carregam consigo as limitações próprias da condição humana e, por isso, com imperfeições, deficiências e contradições, não pactuar com os actos de má prática, nem com a negligência médica deve ser uma exigência da classe médica em particular e de todos os cidadãos.
Publicado por agineotonico às 06:39 PM | Comentários (1)
Sobre a discussão entre João Tilly e Alfredo Vieira
A forma como a comunicação social publicitou o livro sobre “erro médico” de Luís Martins (Prof no ISCTE) e José Fragata (Médico), tem dado origem a grandes discussões.
Aos títulos sensacionalistas “todos os anos morrem nos hospitais portugueses três mil pessoas devido a erros cometidos pelos profissionais de saúde”, fica como de somenos importância os factos de ser «esta estimativa parte de estudos conduzidos nos EUA» adaptados à realidade nacional e de não ser esclarecido a diferença entre conceitos como “erro médico”, negligência”, “imperícia”, “dolo”, etc.
Nos comentários do Blog de João Tilly, podem ler-se verdadeiros insultos à classe médica que têm origem no desconhecimento, na falta de informação e na mítica ideia que os médicos são todos multimilionários que agem sempre de má fé com os doentes.
Esquece-se, em primeiro lugar, que o livro que relança esta importante discussão no nosso país é feito por um membro dessa classe médica que se ataca.
Já diversas vezes referi aqui no blog que a conivência com actos de negligência médica, que o espírito corporativo da Ordem dos Médicos e da classe no seu conjunto, são os grandes culpados da desconfiança dos cidadãos.
Sem dúvida que este é um debate importante. Importante também é que seja feito com seriedade e que faça parte de um conjunto de medidas como, por exemplo, a avaliação independente dos sistemas de saúde (público, SA e Privado), o controle efectivo dos cuidados prestados e o estabelecimento de seguros hospitalares que cubram os erros médicos (e não apenas a negligência).
(Leia alguns dos argumentos de Alfredo Vieira)
Alguns argumentos de Alfredo Vieira
"Só um pateta acha que os médicos são "multi-milionários".
Só um pateta vê as consequências de um sistema que expõe os médicos em condições inacreditáveis de trabalho, e depois lhes atribui a culpa de não se conseguirem duplicar, de não conseguirem ser deuses que acorrem a tudo e a todos em tempo útil.
Só um pateta atribui ao esforço e ao estudo árduo de uma vida inteira o epíteto de grunhice.
Só um pateta chama criminosos, insinua falta de respeito pela vida de outrem, por parte de quem só procura fazer o bem ...
Quando os médicos erram, às vezes, os doentes morrem. Outras demoram mais tempo a curar-se. Invariavelmente sofrem mais do que deviam. E a não ser que erre de propósito, ou que tenha a sorte de voltar atrás e corrigir a tempo, ou de alguém o fazer por ele, o erro passa-lhe despercebido. É assim com aqueles que lidam com a doença, e a morte que a todos toca.
Nas urgências temos, de forma criminosamente legislada, médicos de serviço durante um mínimo de 24 horas seguidas por semana, 47 semanas por ano(...) Nesta situação está a esmagadora maioria. Esperam concentração para o vosso caso em particular, entre 50 mais ou menos graves que ele teve/terá que ver? Depois de 12 horas de serviço? Depois de 18? Esperam que ele não erre? Esperam simpatia? (...) (sem) nunca terem na vida estado tão perto do lado mais carente, mais decadente, menos educado, menos compreensivo e mais agressivo da sociedade que ignoram.
Há erro médico? Cruzes credo, que a terra tremeu! Esses cabrões ainda por cima enganam-se! Não só se divertem a atender-nos mal, a deixar-nos secar com as nossas mazelas, (...) como ainda ... erram. Esses incompetentes, que têm o privilégio de terem sido os melhores entre os melhores nas suas turminhas, nas suas escolinhas, enganam-se? Que tiveram o privilégio de estudar 6 anos de curso em regime de reclusão, que têm o privilégio de terem que trabalhar depois do curso entre 5 a 8 anos para finalmente terem o estatuto (obrigatório) de especialistas, para finalmente não terem emprego certo (ao contrário do que suas excelências sabedoras julgam). E ainda têm a lata de se enganar ... A sociedade a dar todas as benesses deste mundo e do outro, entre cuspidelas e insultos gratuitos, entre indignações egoístas e hipócritas, e eles enganam-se. Sim, porque ninguém mais se engana (...)
Modelos de financiamento? Nem pensar, antes os modelos de não financiarmos todos por igual. Melhor gestão? Não, então e o partidozito que ganha deixaria de poder ocupar centenas de tachos!? (...) Melhor política do medicamento? Então e o nosso ministro deixava de poder relacionar-se com os grandes laboratórios internacionais, a troco só ele sabe do quê, e iria afrontar essa filantropa associação que é a ANF? Melhor controlo da produtividade, com critérios de qualidade (e nunca de quantidade)? Balelas. Fizeram um estudo (foram médicos que o fizeram, os únicos não-sacanas e que nunca se enganam, provavelmente, pensa o Zé povinho) para detectar erros, corrigir procedimentos e exigir reformas? Qual quê! Importante, importante é saber que os cabrões enganam-se! E nem perguntem porquê, que nos dá logo uma dor de cabeça que nos distrai do objectivo fundamental e construtivo (à maneira portuguesa), que é a de insultar uma classe de gente, maioritariamente ímpar no panorama merdoso da intelectualidade nacional. “Os cagões”, pensam 99% dos leitores, “a acharem-se superiores”. Ninguém pede que o reconheçam. Apenas que não chateiem com as futilidades com que gostam de os brindar gratuitamente".
Publicado por agineotonico às 04:36 PM | Comentários (2)
Cientistas dizem ter criado nova técnica 'que poderia curar qualquer doença'
A técnica chama-se "interferência do RNA" e consiste na anulação do efeito dos genes que dão origem às doenças. O princípio da anulação das doenças logo nos genes, pelo menos em teoria, pode levar à cura de qualquer tipo de doença, de acordo com especialistas em genética.
Esta técnica poderia ser particularmente importante, diz o geneticista Andrew Hamilton da Universidade de Glasgow, para combater infecções virais como a Aids e a hepatite C, o cancro e doenças genéticas.
(Nature)
Publicado por agineotonico às 07:27 AM | Comentários (1)
novembro 09, 2004
Kim Peek
Cientistas da NASA submeteram a uma série de exames, nomeadamente tomografia computarizada e imagiologia por ressonância magnética, o cérebro de Kim Peek, esperando que as tecnologias utilizadas para estudar os efeitos das viagens espaciais sobre o cérebro, ajudem a explicar as suas potencialidades mentais.
Kim Peek, é um autista que serviu de inspiração à personagem interpretada por Dustin Hoffman no filme «Rain Man». É considerado um “mega-sábio” porque é um génio em aproximadamente 15 assuntos diferentes, como história e literatura, geografia, números, desporto, música e datas.
Apesar destas capacidades excepcionais, Kim Peek não é um ser humano autónomo, necessitando de apoio para coisas simples como vestir-se sozinho.
Hoje com 53 anos de idade, e contrariamente ao que seria de esperar com o processo de envelhecimento, Kim Peek parece continuar a melhorar as habilidades nas áreas em que é especialista.
O seu cérebro e capacidades são únicos. Tendo-lhe sido diagnosticada à nascença uma bolha de água no cérebro, num quadro muito semelhante à hidrocefalia, testes posteriores mostraram que os seus hemisférios cerebrais não estão separados, apresentando uma “grande área de armazenamento de dados”.
Este estudo pretende “medir o que acontece no cérebro de Kim quando expressa coisas e quando pensa sobre elas” e verificar se o cérebro tem sofrido quaisquer alterações.
Publicado por agineotonico às 05:31 PM
novembro 08, 2004
Tabaco
Pesquisadores da Califórnia descobriram uma molécula responsável pelo vício do tabagismo, informa a revista "Science".
As pessoas tornam-se dependentes da nicotina quando ela se instala nos receptores de neurónios específicos da acetilcolina. É quando a nicotina ocupa esse espaço que se liberta dopamina. Assim, sendo conhecido o local onde se aloja a nicotina, será possível, segundo os investigadores, criar uma substância que possa ocupar esse lugar. Daniel McGehee, neurobiólogo da Universidade de Chicago que estudou outro género de receptores sensíveis à nicotina, disse que o estudo era "fantástico", mas alertou para possíveis inconvenientes de um medicamento desse tipo. Interferir no modo como o organismo sente as recompensas da nicotina pode retirar gosto a experiências tão simples como comer alimentos ou beber água, advertiu. "[Mexer nisso] pode interferir com a nossa capacidade de sentir prazer e alegria em coisas banais, saudáveis", alerta McGehee.
Publicado por agineotonico às 07:14 AM
novembro 02, 2004
Extracção dentária compromete a memória
Um estudo sueco que será apresentado em Estocolmo diz que quando um dentista nos extrai um dente, pode estar "arrancando" também parte da nossa memória.
Jan Bergdahl, um dos autores do estudo, afirma que os dentes parecem ter uma relação importante com a memória.
Publicado por agineotonico às 01:58 PM
novembro 01, 2004
Vacina não comparticipada
Apesar de ser considerada uma doença benigna, em 10% dos casos a varicela pode ter complicações graves, quer nas crianças quer nos adultos. Na verdade continuam a ocorrer mortes devido a esta doença que tem um impacto significativo na comunidade e custos sociais e económicos expressivos.
Enquanto os especialistas estão empenhados em definir estratégias de prevenção da doença, a vacina não é comparticipada pelo Estado e o seu preço ronda os 50 euros.
Os cortes do governo no orçamento da saúde levou-nos ao desfasamento entre o mercado privado e o sector público nesta área da prevenção da saúde pública.
Publicado por agineotonico às 09:40 PM
outubro 28, 2004
Doenças oportunistas vão matar 17 mil professores e alunos moçambicanos
Cerca de 17.000 professores e alunos moçambicanos de níveis primário e secundário morrerão de doenças ligadas à SIDA até 2010, revela um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), publicado esta terça-feira, na Comunicação Social.
Segundo o jornal «Notícias», a maior taxa de mortes entre os docentes, 26%, tem vindo a registar-se na província central de Sofala, enquanto a média noutras regiões é de 14,2%.
Segundo o mesmo jornal, só este ano já morreram em Sofala 350 professores, o que segundo alguns especialistas, acaba por criar um vazio na educação das crianças, que já sofrem de graves problemas e de recursos
(Diário Digital)
Publicado por agineotonico às 09:44 PM
Federação dos médicos rejeita proposta da tutela
Mário Jorge Neves, vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam) especificou, em conferência de imprensa, que a estrutura sindical discorda da proposta apresentada pelo Ministério da Saúde (MS) relativamente à admissão dos profissionais, horários de trabalho, estrutura das carreiras médicas e exercício do direito à greve.
(TSF)
Publicado por agineotonico às 08:03 AM
outubro 27, 2004
Estados Unidos - Feridos a tiro dão prejuízos enormes aos hospitais
Há preocupação entre os administradores dos hospitais americanos: as despesas dos hospitais com os feridos a tiro ascendem a mais de 800 milhões de dólares por ano, e o mais grave para os administradores é que um terço dos assistidos não tem seguro de saúde que pague o internamento. A verba refere-se apenas às despesas hospitalares, sem incluir os honorários dos médicos nem a recuperação e fisioterapia.
Curiosamente os Administradores dos hospitais americanos não questionam a leviandade da legalização da venda de armas de fogo que tais consequências tem. Eles apenas estão preocupados com o dinheiro que são obrigados a cobrar aos restantes utentes que têm seguros de saúde.
Jeff Cohen, director do Allegheny General Hospital's Center for Violence and Injury Control, e Claudia Steiner, da Federal Agency for Healthcare Research and Quality, os principais autores do estudo agora publicado e que se refere às estatísticas de 1997, concluem que os feridos a tiro são os principais causadores dos prejuízos nos hospitais, por não terem seguros de saúde, e que isso «para além de ser espantoso, é muito preocupante para nós».
O estudo aferiu que o internamento de vítimas de assalto baleadas custa em média 24 mil dólares, e que os casos de vítimas de acidentes com armas de fogo saem mais caros: 30 mil dólares em média por internamento.
Nos mil hospitais estudados foram admitidos mais de 35 800 feridos a tiro _ metade deles feridos em assaltose 30% por acidente. Um total de 8% eram casos de suicídio frustrado.
Por sua vez, sete por cento dos que chegaram aos hospitais morreram, 75% recuperaram e tiveram alta, mas 12% tiveram que continuar em tratamento de reabilitação. A grande maioria, 86%, eram homens, 60% deles com menos de 30 anos. Do conjunto, 29% não tinha seguro de saúde, sendo as despesas absorvidas pelos hospitais e diluídas pelas contas dos outros doentes.
(Diário de Notícias)
Publicado por agineotonico às 07:44 AM
outubro 22, 2004
Químicos perigosos detectados no sangue de ministros da UE
Análises ao sangue de vários ministros do Ambiente e da Saúde de Estados membros da UE revelaram a presença de 55 químicos industriais considerados perigosos. Os testes foram uma iniciativa da associação ambientalista WWF, em 14 governantes, e tiveram os seus resultados publicados esta terça-feira.
Em Junho deste ano, os ministros do ambiente do Reino Unido, Suécia, Espanha, Eslováquia, Hungria, França, Finlândia, Dinamarca, República Checa, os vice-ministros do Ambiente da Itália e da Estónia, assim como is tutelares da pasta da Saúde da Lituânia, do Chipre e da Hungria, submeteram-se às análises químicas a 103 substâncias consideradas perigosas, tendo sido detectada a presença de 55 químicos, alguns deles proibidos há décadas.
Em mediam cada ministro tinha presente no sangue 37 químicos. No entanto foi detectado um máximo de 43 substâncias em simultâneo. Pelo menos 25 produtos foram detectados em todos os sujeitos, um anti-inflamável, dois pesticidas, e 22 PCBs, uma substância que se utiliza como isolador.
Tendo em conta estes resultados, a WWF defendeu a iniciativa da comissária europeia do Meio Ambiente, Margot Wallström, para a identificação e eliminação das substâncias mais perigosas, denominada REACH. A proposta foi fortemente atacada pela indústria e por alguns Estados membros, para os quais a medida colocará em perigo a competitividade no seio da União.
(in Diário Digital)
Publicado por agineotonico às 05:14 PM | Comentários (3)
outubro 21, 2004
Café e problemas cardiovasculares
O consumo de café parece estar ligado a um agravamento dos indicadores de inflamação no sistema cardiovascular de adultos com boa saúde, podendo provocar doenças cardíacas, segundo um estudo publicado na última edição do "American Journal of Clinical Nutrition".
O estudo realizado na Grécia junto de três mil pessoas - 1514 homens e 1528 mulheres com uma média de idades de 46 e 45 anos, respectivamente - põe em evidência a ligação entre um consumo moderado e elevado de café e o agravamento do processo inflamatório.
(Público)
Publicado por agineotonico às 08:02 AM | Comentários (4)
outubro 18, 2004
Protagonistas da liquidação do Serviço Nacional de Saúde
1. - Luís Filipe Pereira, ministro da saúde, nunca admitiu que a privatização da saúde constitui a primeira prioridade da sua reforma.
2. - Rui Nunes, responsável da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), "congelado" pelo ministro à espera do "timing" certo para entrar em funções de forma a não importunar o lançamento do processo de privatização dos hospitais. Já admitiu, em entrevista ao Diário Económico, ser adepto da privatização dos hospitais. Não o vemos com capacidade e meios para controlar a onda de choque dos lobbys privados e defender os interesses dos utentes.
3. - José Mendes Ribeiro, ex responsável da Unidade de Missão, depois de um estágio no ministério da saúde para conhecer os cantos à casa, surge como líder de mais um projecto de assalto ao sector da saúde.
4. - Salvador de Mello, presidente do maior grupo português privado da saúde, demonstra apetite desmedido pelo sector: construção e gestão de novos hospitais, gestão dos piores hospitais SA. Efectivamente, negócios destes à sombra do estado não abundam em Portugal: financiamento e clientela assegurados por contratos de trinta anos.
(in SaudeSa)
Publicado por agineotonico às 02:46 PM
outubro 11, 2004
Tribunal autoriza médicos a deixar bebé doente morrer
"Um tribunal britânico decidiu nesta quinta-feira que os médicos não devem ressuscitar uma menina de 11 meses se ela parar de respirar.
Charlotte Wyatt nasceu prematuramente, pesando menos de 0,5 kg e com problemas no coração e nos pulmões.
Os pais da menina queriam que ela fosse reanimada em qualquer situação, mas os médicos argumentam que Charlotte sente dores constantes e que seria cruel prolongar o seu sofrimento com novos tratamentos.
O juiz Mark Hedley afirmou que futuros tratamentos não seriam do interesse da criança. "Eu sei que isso pode significar que ela morra mais cedo, mas, no meu julgamento, o momento da morte será apenas um pouco antecipado. Eu me perguntei: o que pode ser feito agora para beneficiar Charlotte?"
Segundo Hedley, a menina deveria receber três coisas: "O maior conforto possível, o maior tempo possível ao lado de seus pais e a possibilidade de seguir o seu destino", disse o juiz".
(in BBC Brasil)
Publicado por agineotonico às 03:13 PM
outubro 09, 2004
Parcerias Público-Privadas (PPP) na saúde
A PRIVATIZAÇÃO DO SECTOR PÚBLICO DA SAÚDE EM PORTUGAL POR MEIO DAS PPP
Neste pequeno estudo de investigação, utilizando dados e informações oficiais, mostramos que:
1- O modelo de Parcerias Público-Privados (PPP) que está a ser implementado em Portugal, contrariamente ao que tem afirmado o encarregado da Missão PPP, não é “o mais avançado do mundo”, representando mesmo um retrocesso em relação ao modelo inglês onde se inspirou. Efectivamente, na Inglaterra não foi incluída na parceria a prestação de cuidados de saúde por ser incompatível com a lógica económica que domina a actividade dos privados, enquanto em Portugal as prestações de saúde foram incluídas no modelo adoptado, o que certamente levará à degradação da qualidade dos serviços de saúde prestados e ao aumento dos custos a pagar pela população.
2- Os 10 Hospitais que o governo pretende construir no âmbito do chamado Programa PPP abrangerão mais de um quarto da população portuguesa, o que significa que num espaço de tempo muito curto – cerca de 4 anos – os grupos económicos privados alcançarão o controlo sobre uma parte significativa dos sector público de saúde em Portugal, o que corresponde a quase 7 vezes mais do que aquilo que já controlam actualmente como reconhece o grupo Mellos, embora achando ainda que é muito pouco.
3- Tomando como base a população abrangida pelos 10 Hospitais PPP e o custo para o OE dos contratos que o Estado assinará para o Hospital de Loures – 800 milhões de euros a preços actuais – estimamos que o custo total para o Orçamento do Estado dos contratos a assinar com os grupos económicos privados relativos aos 10 hospitais PPP representará um negócio que ultrapassará, a preços actuais, mais de 7.000 milhões de euros (1.400 milhões de contos), e ainda por cima é um negócio seguro porque é garantido fundamentalmente pelo Orçamento do Estado.
4- A lógica económica que está associada à forma como os grupos privados serão pagos determinará a degradação dos serviços de saúde prestados à população. E isto porque serão fixados anualmente preços para cada um dos actos de saúde prestados à população (consultas externas, urgências, hospitais de dia, internamentos, etc.), que se manterão inalteráveis pelo menos durante um ano. Assim, os grupos privados como não poderão manipular os preços durante aquele período de tempo como o fazem em consultórios, clínicas e hospitais privados procurarão aumentar os lucros reduzindo os custos, o que significa reduzir consumíveis, medicamentos, meios complementares de diagnósticos, tempo que cada profissional de saúde poderá dispor para cada doente, etc, ou seja, reduzindo a qualidade dos serviços de saúde prestados à população. A redução das remunerações dos profissionais da saúde que o governo pretende impor com a sua Proposta de ACT que enviou aos Sindicatos, se fosse aceite, representaria também uma “ajuda” que o governo daria ao aumento desses lucros, pois as condições de trabalho dos Hospitais SA seriam certamente aplicadas também nos Hospitais PPP.
5- O grupo Mellos exige mais. De acordo com declarações do seus responsáveis disponíveis no seu sítio web – www.josedemello.pt – este grupo exige a privatização imediata de metade do Serviço Nacional de Saúde no lugar dos 20% que o governo tenciona privatizar, e ficar já com 4 dos 10 Hospitais PPP cujos concursos o governo está a lançar. Para além disso pretende também apoderar-se de centros de saúde, como é já voz corrente entre os profissionais de saúde do concelho de Loures. Afirmam eles, para além do Hospital de Loures, os Mellos pretendem também o centro de saúde construído recentemente com dinheiros públicos.
Leia mais aqui
Publicado por agineotonico às 03:09 PM
Trabalho barato e desregulamentado
Proposta governamental de Acordo Colectivo de Trabalho (ACT) para os Hospitais SA:
1-O contrato de comissão de serviço , que é um contrato precário, já que pode ser denunciado livremente pela entidade patronal, passaria a poder ser aplicado a todos os trabalhadores incluídos no grupo profissional da prestação de cuidados de saúde (Médicos, Enfermeiros, Técnicos Superiores de Saúde, Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica) e aos Especialistas de Serviço de suporte (Especialista e outras categorias de Informática ; Pessoal Técnico Superior e Pessoal Técnico);
2-A definição de local de trabalho seria consideravelmente alargada , pois passaria a incluir nomeadamente “todas as unidades de saúde de que seja titular ou se encontrem sob exploração do Hospital a que o trabalhador esteja vinculado. ” Isto significaria que o local de trabalho dos trabalhadores dos Centros Hospitalares, que englobam várias unidades de saúde, passaria a ser todas elas.
3- O horário de trabalho seria aumentado para 9 horas dia e 45 horas por semana para os trabalhadores das carreiras de Médicas e de Enfermagem, passando o dos outros a ser de 8 horas dia e 40 horas semanais. Para além disso, o tempo de trabalho deixaria de ser calculado diariamente e as horas feitas a mais não seriam assim pagas como trabalho extraordinário. Assim, se a Proposta fosse aprovada o cálculo de tempo de trabalho passaria a ser feito de 6 meses em seis meses, e só no caso do trabalhador ter feito mais horas que o estabelecido para os seis meses (40x4x6 ou 45x 40x6) é que seria pago trabalho extraordinário. O único limite que passaria a existir seria o de 12 ou 13 horas por dia e de 60 horas por semana.
4- Só seria considerado como trabalho nocturno aquele realizado entre as 24 horas e as 7 da manhã , passando a ser pago apenas com um acréscimo de 25%.
5- Os Hospitais SA passariam a poder ceder “ocasional e temporariamente, trabalhadores do seu quadro próprio a outras entidades ” (quaisquer entidades, pois não são estabelecidos quaisquer limites), e quando a cedência fosse de “trabalhadores integrados no grupo profissional de prestadores de cuidados de saúde e fosse feita a outra entidade de saúde situada no mesmo concelho ou em concelho limítrofe do local de trabalho habitual, por período não superior a 6 meses não admite oposição do trabalhador ”, o que contraria o próprio Código do Trabalho .
6- Seria criado um novo grupo profissional – Técnicos Auxiliares de Cuidados de Saúde com habilitações escolares mínimas de entrada correspondentes apenas ao 11º ano – com algumas funções pertencentes actualmente aos Enfermeiros , mas com remunerações correspondentes a menos de metade das pagas actualmente aos Enfermeiros .
7- A evolução na carreira de todos os grupos profissionais seria feita com base em Regulamentos Internos , que de acordo com o Código do Trabalho são da competência exclusiva da entidade patronal (puros actos de gestão), podendo ser ouvida a Comissão de Trabalhadores se existir, mas a decisão cabe sempre ao empregador.
8- O aumento do horário de trabalho associado às tabelas de remuneração constantes da Proposta governamental de ACT determinaria em média uma diminuição, mesmo em valores nominais porque em valores seria ainda maior, do valor hora paga actualmente aos profissionais de saúde, nos seguintes montantes: Médicos: -30%; Enfermeiros: -10%; Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica: - 8,5%; Especialistas de Informática: - 11,7%; Regime Geral, Administrativos:-11,3%; Regime Geral, Operários altamente qualificados: -9,7%; Serviços Gerais: -16,3% .
9- A aplicação da Proposta governamental de ACT determinaria, por um lado, uma redução da “Massa Salarial “ paga actualmente aos trabalhadores que seria certamente superior a 15% e, por outro lado, um agravamento da precariedade e das condições de trabalho com a consequente e inevitável degradação da qualidade dos serviços de saúde prestados à população.
(in Resistir)
Publicado por agineotonico às 01:49 PM | Comentários (1)
outubro 05, 2004
Active ou estabilize os seus níveis hormonais: vá ao cinema
Uma equipe de Psicologia da Universidade de Michigan, diz que o conteúdo dos filmes alteram os níveis hormonais dos espectadores.
Padrinho II - provoca 30% de aumento do nível de testerona na saliva dos homens, enquanto que nas mulheres desce;
Pontes de Madison Country - 10% de aumento do nível de progesterona;
Documentário da National Geographic sobre a selva amazónica - mantém os níveis hormonais inalterados.
Publicado por agineotonico às 12:26 PM | Comentários (1)
Poupar em saúde? (2)
Hepatite B
É sabido o pouco apoio dispensado aos imigrantes no nosso país. Apenas se fala deles quando a sua situação merece capa de jornal, não pela defesa dos seus direitos a uma vida digna, mas por motivos que os discriminam. As condições em que são obrigados a viver no nosso país, tradicionalmente um país de emigrantes, como não serem pagos pelo trabalho que realizam, apenas fazem notícia fugaz. Já o caso das mafias, das delinquências e, mais recentemente, dos problemas que comportam para a saúde pública, fazem notícia.
Basta ver os títulos dos jornais para se perceber a forma discriminatória como são tratados. Mais uma vez a comunicação social faz um mau trabalho.
Muitos dos imigrantes dos países de leste vivem em condições deploráveis. Dormem em Centros de Abrigo, onde se misturam toxicodepentes, portadores de HIV e das doenças que lhe estão associadas. Não dispõem de apoio específico de acesso à saúde.
Mas o título do jornal reza assim, "Imigração aumenta incidência do vírus da hepatite B em Portugal" e as opiniões que se expressam nesta notícia divergem quanto às medidas a tomar: "Miguel Raimundo, médico especialista e presidente da Associação de Apoio aos Doentes com Hepatites Virais (...) subscreve, alargando o âmbito do rastreio aos grupos de risco actualmente reconhecidos, como toxicodependentes, população prisional e indivíduos ligados à prostituição. Jorge Areias, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado, reconhece que esta é uma «ideia muito interessante», mas duvida que seja financeiramente possível levar este projecto adiante. As análises para detecção da infecção são caras e o investimento prioritário «deve ser feito na prevenção»".
"Um dos maiores problemas com esta infecção, quando evolui para doença crónica, é o facto de ser, na maioria das vezes, assintomática - sendo detectada apenas quando provoca cirrose. Miguel Raimundo assinala que existem muitos doentes «que têm de ser tratados e que ainda não o sabem». Nem todas as infecções, se contraídas por adultos, acabam em doença, mas, de qualquer forma, este especialista alerta que «o cancro do fígado está a aumentar em Portugal à custa das hepatites» ... Outro problema com as comunidades imigrantes é o facto de a transmissão ser feita de mãe para filho. E, quando isso acontece, a probabilidade de a infecção nessa criança evoluir para doença crónica é de 90 por cento. A ocorrência de cirroses hepáticas e de cancros do fígado poderão assim aumentar".
A saúde pública é um bem essencial e a ideia de que pode ser rentável quer a curto quer a longo prazo é um absurdo. De qualquer forma as decisões no âmbito da saúde não podem ser contabilizadas a curto prazo, gasta-se hoje para prevenir, para poupar amanhã. A prevenção destas doenças é fundamental, por isso, Patrick Marcellin, especialista francês em hepatites virais, está a promover um estudo epidemiológico e defende um rastreio da hepatite B aos imigrantes de países com altas taxas de incidência quando chegam à Europa ocidental.
E por cá?
CONTINUE A LER
Publicado por agineotonico às 11:52 AM | Comentários (1)
HIV/SIDA no Luxemburgo
Filomena Afonso, enfermeira portuguesa que trabalha numa associação de luta contra a sida no Luxemburgo, lamenta a falta de apoio do Consulado Português ao seu trabalho, que consiste no desenvolvimento de "acções de sensibilização junto dos emigrantes portugueses, nas escolas e nos bairros, bem como o apoio aos doentes que vão chegando ao serviço de infecto-contagiosas do Centro Hospitalar do Luxemburgo. A associação encontra-se também a realizar um inquérito, junto dos portugueses ".
Isto, quando o risco de infecção pelo vírus da sida entre a comunidade portuguesa é 3 a 5 vezes superior ao da restante população.
Publicado por agineotonico às 11:16 AM | Comentários (1)
Poupar em Saúde?
Como disse, e bem, Constantino Sakellarides, coordenador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, "a Constituição fala num Sistema de Saúde tendencialmente gratuito no acto de prestação dos cuidados, porque estes já foram pagos nos impostos. Mudar isso sEria atingir o cerne do contrato social que nos rege há 120 anos ... a saúde faz parte do contrato social do fim do século XIX, quando o proletariado encheu as cidades. Assentou-se, então, que a protecção social se pagava ao longo da vida, mas o benefício se recebia quando era preciso. É falso que Belmiro de Azevedo pague hoje o mesmo que um de nós, quando vai para o hospital. Se declarou devidamente os seus rendimentos, descontou mais nos impostos".
(in Visão 603)
Constantino Sakellarides enfatiza, como tem sido referido, um dos principais problemas do financiamento da saúde, a fuga aos impostos. A evasão fiscal não resolve todo o problema do financiamento da saúde. Mas tomamos consciência da injustiça social das medidas da governação, que se viram contra quem paga os seus impostos e não procura meter em marcha mecanismos de combate eficaz à evasão fiscal.
CONTINUE A LER
Publicado por agineotonico às 10:54 AM
outubro 04, 2004
Não estamos a privatizar estamos a apostar na iniciativa privada
"Também a Comissão de Utentes do Centro Hospitalar Cova da Beira se fez representar. Daniel Nicolau considera que "a empresarialização é o primeiro passo para mais tarde entregar a saúde pública a privados" e acrescenta que "serão os utentes a pagar mais pelos mesmos serviços". Nicolau salienta ainda o facto da maioria dos administradores dos hospitais empresa não ter formação na área da saúde.
Confrontado com as críticas, Luís Filipe Pereira refere que alguns sindicatos têm tentado passar uma mensagem que não é a verdadeira. "Não estamos a privatizar , estamos a modificar o funcionamento das instituições de saúde de forma a prestar um melhor serviço à população".
O ministro reafirma a intenção de continuar a apostar na iniciativa privada e também social como é o caso das Misericórdias e Instituições Particulares de Solidariedade Social, mas frisa que "os serviços de saúde continuarão a ser tendencialmente gratuitos".
Publicado por agineotonico às 04:47 PM | Comentários (4)
outubro 03, 2004
Suicídio de crianças e jovens (2)
Já referi aqui no blog problemas relacionados com a medicação utilizada em crianças e jovens.
Agora não é referente à dosagem utilizada mas sim aos poucos estudos específicos para estas faixas etárias.
Embora haja muita controvérsia sobre a relação entre a toma de anti-depressivos e suicídio, parece confirmar-se que eles aumentam o risco.
Um estudo com cerca de 2.800 crianças e adultos britânicos parece reforçar a ideia de que os pacientes tendem a ter impulsos suicidas quando tomam o primeiro antidepressivo.
Esta discussão processa-se no meio de acusações de que empresas de indústria farmacêutica que produzem anti-depressivos teriam escondido resultados que mostravam que eles eram ineficientes para pacientes com menos de 19 anos de idade e que os poderia levar ao suicídio.
Autoridades de saúde da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos aconselharam os médicos a não receitar remédios conhecidos como inibidores selectivos de reabsorção de serotonina (SSRI) para menores de idade.
(in The Lancet e Reuters)
Publicado por agineotonico às 06:06 PM
Suicídio de crianças e jovens
Foi publicado, no final de Setembro, os resultados de um estudo sobre a associação entre condições neonatais, obstétricas, e maternas adversas e um maior risco de suicídio em adolescentes e jovens adultos.
Este estudo teve como objecto 713.370 jovens adultos nascidos na Suécia entre 1973 e 1980, e que foram seguidos até 31 de dezembro de 1999.
Perto de 2.000 homens e mais de 4.700 mulheres que participaram neste estudo fizeram tentativas de suicídio. Perto de 400 homens e 166 mulheres foram bem sucedidos na tentativa.
Conclui-se que as condições sociais e económicas, o stress durante a gravidez e a saúde materna precária são factores que contribuem para um aumento do risco de suicídio.
As crianças de famílias grandes, as que têm mães com um baixo nível de educação e as filhas de adolescentes têm um risco maior de atentar contra a própria vida.
Segundo os investigadores que realizaram este estudo, está aberta uma nova linha de inquérito centrada na interacção entre as condições no útero e no nascimento e os factores adicionais como o histórico psiquiátrico e o estilo de vida dos pais.
(in The Lancet)
Publicado por agineotonico às 05:37 PM
outubro 01, 2004
40% de bebês prematuros têm dificuldades de aprendizagem
Um estudo realizado na Grã-Bretanha apontou que 40% dos bebês prematuros têm dificuldades de aprendizagem.
"Quando estavam com 5,5 a 7 anos de idade, as crianças passaram por testes de QI, questões de atenção, habilidades lingüísticas e habilidades para entender problemas.
Os resultados mostraram que 40% das crianças que nasceram prematuras tinham problemas, de moderados a sérios, em seus desenvolvimentos cognitivos, comparados com 2% daquelas que nasceram em uma gravidez normal.
Também foi observado que, entre os prematuros, meninos têm uma chance duas vezes maior do que as meninas de ter problemas cognitivos mais tarde.
O levantamento, elaborado pela Universidade de Nottingham e chamado EPICure, mostrou que 4.004 bebês nasceram na Grã-Bretanha, em 1995, entre 20 e 25 semanas – uma gravidez normal dura cerca de 40 semanas.
Dos prematuros, cerca de 1,2 mil nasceram vivos e apenas 314 sobreviveram.
Na primeira fase da pesquisa, quando essas crianças estavam com 2,5 anos de idade, foi constatado que 50% delas tinham alguma forma de deficiência.
Em 25% dos casos, foram identificados deficiências severas, como paralisia cerebral, cegueira e surdez."
Publicado por agineotonico às 12:24 AM | Comentários (1)
OMS lança campanha para reduzir mortes no parto
Pelo menos uma mulher morre por complicações decorrentes do parto a cada minuto nos países em desenvolvimento, alerta um documento da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a OMS, as parteiras precisam ser mais qualificadas.
As causas de morte incluem hemorragia, infecção e abortos realizados de forma insegura.
Mas o documento da OMS sustenta que sistemas de saúde precários ou inacessíveis são a principal razão da morte na hora do parto.
Publicado por agineotonico às 12:21 AM | Comentários (1)
setembro 28, 2004
Hepatite B
Um estudo da Universidade de Harvard, confirmou as suspeitas de que existe uma ligação estatística significativa entre a vacina da Hepatite B e a esclerose múltipla.
(in Visão 603)
Publicado por agineotonico às 11:13 PM
setembro 21, 2004
Efeito Mozart
Frances Rauscher (neurocientista) e Gordon Shaw (físico) divulgaram em 1993 o resultado de uma investigação sobre a influência da música na forma como os neurónios comunicam entre si. Apesar da contestação de que foram alvo, reafirmam que um primeiro estudo demonstrou haver uma grande semelhança entre a música barroca e o ritmo das ondas cerebrais e que há padrões de neurónios que são activados com a audição da Sonata para Dois Pianos em Ré Maior (K448) de Mozart: “há padrões de neurónios que disparam em sequência, e que parece haver locais pré-existentes no cérebro que respondem a frequências específicas” (Shaw)
Alguns cientistas levantaram a hipótese do chamado “efeito de Mozart” ser de origem emocional.
Foram realizadas experiências distintas por colegas de outras universidades que chegaram a resultados diferentes. Algumas não produziram nenhum “efeito Mozart”, enquanto outras confirmaram o trabalho de Shaw. Nasceu assim a polémica.
Mas esta contradição levou à realização de novas experiências e uma nova pesquisa realizada com ratos, vem revelar a base molecular do “efeito de Mozart” atribuindo-lhe origem neurológica.
Já este ano, Shaw, utilizou aparelhos de ressonância magnética para mapear as zonas do cérebro activadas pela música: “percebeu-se então que, além do córtex auditivo, onde o cérebro processa os sons, a música também activa partes associadas com a emoção. “Mas, com Mozart, o córtex inteiro se acende”, diz Mark Bodner, que auxiliou Shaw. E apenas Mozart activa áreas do cérebro envolvidas com a coordenação motora, visão e outros processos mais sofisticados do pensamento. Infelizmente, tal aparelho não explica a razão desse fenómeno. De todo modo, esse trabalho científico provou indubitavelmente que o ensino de música aumenta muito a capacidade mental das crianças. Se elas forem apresentadas a Mozart bem cedo, quando ainda estão desenvolvendo sua rede neural, o resultado positivo pode durar para toda a vida, alegam os especialistas.”
Por outro lado, Kenneth Steele e John Bruer alegam que não há nenhum melhoramento na inteligência ou benefício à saúde pela audição da referida música de Mozart e as suas colegas Karen Bass e Melissa Crook afirmam ter seguido os protocolos estabelecidos por Shaw e Rauscher em 125 alunos mas não conseguiram "encontrar nenhum tipo de efeito" e concluíram que "há pouca evidência para apoiar programas de intervenção baseados no Efeito Mozart" (esta pesquisa a aparece na edição de Julho de 1999 da Psychological Science).
"O Efeito Mozart é um exemplo de como a ciência e a mídia se misturam em nosso mundo. Uma sugestão de uns poucos parágrafos em um jornal científico se torna uma verdade universal em uma questão de meses, acaba sendo acreditada até por cientistas que inicialmente reconheceram como seu trabalho havia sido distorcido e exagerado pela mídia. Outros, farejando o dinheiro, se juntam à corrente, acrescentando à mistura seus próprios mitos, alegações questionáveis e distorções. Neste caso, vários defensores acríticos se alinham para defender a fé, porque o que está em jogo é o futuro de nossas crianças. Nós então temos livros, fitas, CDs, institutos, programas governamentais, etc. Em pouco tempo, milhões acreditam no mito como um fato científico. Neste caso, o processo encontrou pouca resistência crítica, afinal nos já sabemos que a música pode afectar sentimentos e o humor, por que então não afectaria a inteligência e a saúde? É apenas senso comum, certo? Sim, e mais uma razão para ser céptico."
Publicado por agineotonico às 04:59 PM | Comentários (3)
Vezo mercantilista chegou à saúde
António Arnaut está pouco satisfeito com o que o ministro da Saúde está a fazer ao Serviço Nacional de Saúde. O criador do SNS diz que há uma «contra-reforma em curso» contra uma das «reformas mais generosas» do século XX em Portugal.
O autor da lei que deu origem ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) acusou, este sábado, o actual ministro da Saúde de estar a tentar destruir a estrutura criada há 25 anos.
«Os tempos mudaram e o vezo mercantilista chegou à saúde através da contra-reforma em curso iniciada pelo ministro do anterior Governo, que infelizmente se manteve no actual», afirmou António Arnaut.
Numa sessão comemorativa do 25º aniversário do Serviço Nacional de Saúde, organizada pela CGTP, o ex-ministro do II Governo Constitucional pediu a «todos os democratas» que salvem o SNS, cabendo ao Presidente da República «a última palavra e a última responsabilidade».
O antigo ministro classificou ainda o SNS como uma das «reformas mais generosas e profundas do século XX e uma das mais importantes conquistas» do 25 de Abril.
«Apesar das naturais dificuldades, o SNS conseguiu impor-se e consolidar-se, alcandorando Portugal ao 12º lugar da lista mundial de qualidade dos serviços de saúde, organizada pela Organização Mundial de Saúde em 2000», acrescentou.
Arnaut reiterou ainda a sua oposição ao pagamento de taxas diferenciadas no acesso ao SNS e considerou que só é «constitucionalmente admissível» a entrada de privados na gestão de hospitais caso isso «fortaleça o sector público e melhore as prestações».
Publicado por agineotonico às 03:09 PM | Comentários (1)
setembro 19, 2004
Urgências - o fim de um mito
O Grupo Português de Triagem anunciou os seus mais recentes dados sobre a utilização das Urgências hospitalares em Portugal. Estes resultados foram obtidos a partir da aplicação do sistema de Manchester em 26 hospitais do País e confirmam números anteriores, mais restritos, que apontavam para uma taxa de 60% de utentes com razões mais do que suficientes para recorrer às Urgências.
É uma realidade que desmonta a tese de que os hospitais estão bloqueados por um número excessivo de utentes sem razão para recorrer aos serviços de Urgência. É isto que tem sido sucessivamente dito pelos mais altos responsáveis da tutela, que apontavam, especulativamente, para taxas que chegavam aos 80% de utilizadores indevidos nas nossas Urgências.
Os números, cientificamente obtidos — sublinhe-se —, destroem, agora, qualquer explicação, qualquer decisão ou qualquer desculpa baseadas nessa tese.
Acabou o mito. Ministros e outros responsáveis estavam definitivamente enganados.
Convém que se não volte a agitar consciências com números que não existem. E convém também que se trabalhe cada vez mais e melhor, como é exemplo este caso, para uma quantificação séria da Saúde em Portugal. Já agora convém também que, definitivamente, se dêem meios aos Cuidados de Saúde Primários para dar resposta ao número de utilizadores «indevidos» dos serviços de urgência hospitalares.
(in tempomedicina)
Publicado por agineotonico às 10:28 PM
Medicamentos para crianças: Entraves éticos
A juntar aos fracos benefícios comerciais, os ensaios clínicos em crianças são ainda objecto de outros entraves, nomeadamente de teor ético e prático. Como explicou o Dr. Sodré Borges, Ex-Director do Serviço de Pediatria do IPO do Porto, «em Oncologia Pediátrica a casuística é muito pequena, pelo que, se não nos integrarmos em grupos de estudo internacionais, será difícil decidirmos qual a melhor forma de tratar os nossos doentes». Este oncologista pediátrico diz que as comissões de ética e a obrigatoriedade de fazer um seguro têm impedido muitas vezes a participação em trabalhos internacionais sobre novos esquemas terapêuticos, algo deveras importante numa área em que muitos dos fármacos utilizados são «importados» da patologia oncológica do adulto. Mas, por outro lado, o médico considera que, neste campo, «é eticamente condenável realizar ensaios de fase I em crianças».
Publicado por agineotonico às 10:16 PM | Comentários (2)
Medicamentos para crianças: O reverso da medalha
Contudo, o esquema de incentivos pode não ter as consequências desejadas, a julgar pelo exemplo norte-americano, como explicou, na edição de 28 de Agosto da The Lancet, a Prof.ª Patrina Caldwell: «O Best Pharmaceuticals for Children Act, de 2002, oferecia uma extensão da exclusividade comercial por seis meses para todos os fármacos testados em crianças, fossem ou não apropriados para uso pediátrico. Como resultado desta alteração legal, foram feitos mais ensaios clínicos em crianças nos últimos cinco anos, nos Estados Unidos, do que nos 30 anos anteriores (...). Contudo, o preço deste avanço foi o aparecimento de muitos ensaios pediátricos de fármacos que não eram necessariamente os mais usados em Pediatria».
(in tempomedicina)
A este propósito dar uma olhada aqui
CONTINUE A LER
Publicado por agineotonico às 10:13 PM
Medicamentos para crianças (1)
Cerca de 50% dos fármacos utilizados em crianças nunca foram testados neste grupo etário, sendo que no subgrupo dos recém-nascidos esta percentagem ascende aos 65%. Segundo a CE, os médicos recorrem com frequência à adaptação das dosagens do adulto para a criança, mas os efeitos secundários desta forma de actuação são frequentes.
«A Europa está perigosamente atrasada, no que respeita ao desenvolvimento e adaptação de medicamentos para crianças», pode ler-se num documento que resume o teor da iniciativa da CE.
Os peritos da CE evidenciam ainda o «dilema dos médicos», pois as crianças não são pequenos adultos: «Uma dosagem inadequada ou erros de cálculo no ajuste da dose pode aumentar o risco de reacção alérgica ou de ineficácia do tratamento, pois, apesar de todas as precauções tidas no cálculo das doses, o metabolismo da criança é diferente do adulto». Além destas consequências, na prática, os médicos são ainda confrontados com outros pequenos problemas, como, por exemplo, a inadequação da fórmula terapêutica, muitas vezes em comprimidos demasiado grandes para que a criança os possa engolir ou com um sabor que dificulta a sua adesão à terapêutica.
Para a Presidente da Comissão Nacional da Saúde da Criança e do Adolescente, Prof.ª Maria do Céu Machado, «este documento é importantíssimo. Grande percentagem dos fármacos que usamos em Pediatria não estão validadas nesta área, nomeadamente para os grupos etários mais baixos e, em particular, para os recém-nascidos, que têm uma farmacocinética própria para quase todos os medicamentos ».
A proposta comunitária assenta na criação de mecanismos de incentivo para as empresas farmacêuticas, de modo a que estas se sintam mais atraídas a apostar num mercado relativamente pequeno e, portanto, pouco rendível. A Dr.ª Ana Maria Nogueira, Presidente da Associação Portuguesa dos Médicos da Indústria Farmacêutica (AMPIF), não concorda, contudo, com a explicação economicista desta realidade. Como sublinhou, «os fármacos são sempre testados primeiro em adultos porque, do ponto de vista ético, é a abordagem mais correcta». Na mesma linha de pensamento, a Dr.ª Maria João Queiroz, Directora Executiva da Eurotrials, acha que «esta legislação é pertinente, mas, no fundo, trata-se apenas de mais um passo num processo evolutivo contínuo, que já vem acontecendo».
(in tempomedicina)
Publicado por agineotonico às 10:10 PM | Comentários (1)
Hospitais SA fazem pressões ilícitas sobre médicos
Algumas administrações de Hospitais SA estão a pressionar os médicos daquelas unidades com ordens que violam a ética profissional, afirmou esta sexta-feira Miguel Leão, da Ordem dos Médicos do Norte à Rádio Renascença.
Segundo aquele responsável, existem «várias indicações de Hospitais SA onde estão a acontecer pressões verbais sobre médicos em dois sentidos: restringir a prescrição de meios auxiliares de diagnóstico e também pressionarem os médicos prescritores a escreverem uma carta aos médicos de família dos hospitais da área de influência dos Hospitais SA para que as receitas sejam prescritas nos centros de saúde e não no Hospital SA, para diminuir os custos desses hospitais». Miguel Leão reconheceu, no entanto, não ter provas destas práticas.
Publicado por agineotonico às 03:55 PM | Comentários (1)
E enquanto se trocam galhardetes ...
entre os prós e os contras ao barco que veio relançar a discussão sobre a interrupção voluntária da gravidez, um relatório de quem trabalha no terreno, apresenta um relatório onde consta que a gravidez mata por ano 70 mil menores. Para além destes números referentes às progenitoras, somam-se os números de mais de 1 milhão de crianças, filhos destes adolescentes, que morrem antes de atingir um ano de idade.
“Maria Jesús Mohedano explicou que «este problema existe especialmente nos países em desenvolvimento, onde acontecem 9 em cada dez nascimentos» nestas circunstâncias. A pobreza, a falta de planeamento familiar e de educação sexual, são as causas primeiras desta realidade que também afecta, no entanto os países industrializados.”
Cinismos para quê quando os números falam por si?
Publicado por agineotonico às 03:53 PM
setembro 15, 2004
Alerta da organização Médicos Sem Fronteiras
A organização internacional de ajuda humanitária, Médicos Sem Fronteiras, por meio da sua Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais, enviou esta semana uma carta a todos os Ministros de Comércio de quatro países andinos – Bolívia, Colômbia, Equador e Peru – que estão em Porto Rico negociando com os EUA um acordo de livre comércio. Nesta carta, MSF alerta os ministros que o acordo, como está proposto pelos Estados Unidos, pode afetar e muito o acesso a medicamentos na região.
Com base na proposta americana recentemente aberta ao público, MSF conclui que este acordo em negociação cria restrições à compra e à produção de medicamentos genéricos mais baratos, além das exigidas no âmbito da OMC – Organização Mundial de Comércio. “Estas disposições fazem parte de uma estratégia deliberada do governo dos EUA para levar os padrões de proteção intelectual para além das exigências da OMC, minando diretamente a Declaração de Doha, assegurando assim que os padrões de proteção de propriedade intelectual dos EUA tornem-se a norma global”, diz a carta
Publicado por agineotonico às 07:53 PM | Comentários (1)
setembro 13, 2004
Prejuízo grave da qualidade e da garantia de segurança dos cuidados de saúde prestados aos utentes
1. - A Ordem dos Enfermeiros (OE), tem vindo a identificar e denunciar, nos últimos dois anos, acções desenvolvidas pelas administrações de alguns hospitais do SNS, cujo objectivo é a substituição de Enfermeiros por Auxiliares de Acção Médica (AAM), na execução de tarefas cuja diferenciação técnica exige que sejam efectuadas por Pessoal de Enfermagem, com prejuízo grave da qualidade e da garantia de segurança dos cuidados de saúde prestados aos utentes.
Recentemente, a administração do Hospital Fernando da Fonseca promoveu uma formação onde foi exigido aos enfermeiros ensinar aos Auxiliares de Acção Médica do Bloco Operatório (BO), práticas das quais depende a segurança dos doentes.
Publicado por agineotonico às 11:55 PM
Política externa americana
Empresas que comercializam medicamentos com Cuba têm sido gravemente penalizadas e Bush sugere que se utilize a a destruição do Sistema de Saúde cubano e a proibição de auxílio alimentar como forma de provocar a queda do regime.
Publicado por agineotonico às 07:55 PM
Desigualdade no acesso à saúde nos EUA
Um estudo realizado nos Estados Unidos sobre os cuidados de saúde prestados a negros e brancos, conclui que os pacientes negros recebem cuidados de saúde de mais baixa qualidade e têm acesso a menos recursos, nomeadamente a especialistas, do que pacientes brancos.
Publicado por agineotonico às 07:34 PM | Comentários (2)
'Anticolesterol' ajuda a combater Aids
Um estudo publicado por cientistas espanhóis afirma que medicamentos à base de estatinas, substâncias utilizadas até aqui para controlar altos níveis de colesterol, podem combater o vírus HIV, que causa Aids.
Os pesquisadores do Conselho Espanhol para a Pesquisa Científica (CEPC) deram estatinas a seis portadores do vírus da Aids durante um mês, de acordo com os resultados publicados no Journal of Experimental Medicine. Eles descobriram que os níveis do vírus caíram enquanto os pacientes tomaram as drogas. Ao interromper o tratamento, os níveis voltaram a subir.
Segundo os espanhóis, a descoberta pode abrir caminho para o desenvolvimento de drogas relativamente baratas contra a Aids.
As estatinas são tomadas por milhares de pessoas no mundo como forma de reduzir altos níveis de colesterol e os riscos de doenças cardíacas.
Publicado por agineotonico às 08:04 AM
Agrotóxicos e leucemia
Pesticidas e outras substâncias que poluem o meio ambiente podem contribuir para causar leucemia em crianças, dizem cientistas britânicos.
Estudos em laboratório da Universidade de Bristol mostraram que os poluentes são capazes de viajar pela placenta até os bebês em gestação.
Publicado por agineotonico às 08:01 AM
setembro 11, 2004
MEDICINA RECEBE ALUNOS COM MENOS DE 18 VALORES
Pela primeira vez em oito anos há alunos que conseguiram entrar no curso de Medicina com menos de 18 valores. Segundo apurou o CM, em quatro universidades as últimas notas de entrada na 1.ª fase de candidatura nacional ao Ensino Superior foram as mais baixas desde 1996.
...
Este ano houve um acréscimo no número de vagas nos cursos de Medicina, com as instituições a receberem mais 169 alunos, aumentando para 1185 o número de vagas disponíveis. Esta é, aliás, a principal justificação encontrada pelo bastonário da Ordem dos Médicos para a diminuição da nota de entrada em Medicina. Germano de Sousa afirmou ao CM que “este é o reflexo do aumento da oferta”, sugerindo até que “os alunos a partir de 14 deviam realizar exames específicos e depois os melhores entravam, para não impedir a entrada no sistema de vocações reais”
Publicado por agineotonico às 05:31 PM
Ninguém investe na pobreza (2)
Resposta um comentário deixado no meu post “Ninguém investe na pobreza”.
Não me parece que a questão essencial das nomeações dos gestores hospitalares, resida nos cursos. A formação, como se sabe, deve ser contínua e mais ainda nos dias de hoje em que as transformações se processam de forma bastante rápida.
A questão reside, em primeiro lugar, nos critérios de nomeação e só depois nas necessidades de formação. Gerir um hospital é extremamente complexo, exige um bom conhecimento do meio e uma vasta cultura sobre as diferentes opções de gestão hospitalar.
As nomeações a que nos habituámos para gestão da “coisa pública” não resultam da competência comprovada, mas de pagamentos políticos e sucessiva redistribuição de lugares independentemente da avaliação do trabalho prestado. A “dança das cadeiras” não se resume aos lugares de governação.
Na gestão dos Hospitais, por ser área extremamente sensível, deveriam ser colocadas pessoas com provas dadas na área de gestão e de conhecimento do meio hospitalar. Mesmo sabendo que “a vida hospitalar” está impregnada de vícios adquiridos ao longo de anos, não deixa de ser assinalável os conflitos generalizados entre as recentes administrações e o pessoal hospitalar. Se até hoje os Hospitais, mesmo com todas as dificuldades de gestão, se têm mantido a funcionar e foram avaliados como sendo o 12º melhor sistema de saúde público do mundo, pergunto onde estão as pessoas com o seu Know how que tal conseguiram.
É que não discordo da necessidade de melhorar e optimizar o Sistema de Saúde, o que discordo é a forma aventureira e pouco cuidada como está a ser feita. Discordo da ideia de considerar que tudo estava errado, de desprezar o conhecimento adquirido e estragar o que estava feito, para impor uma mudança que tem dado maus resultados. Discordo acima de tudo da pouca/nenhuma clarificação dos objectivos que esta governação tem para a área da saúde e, em particular, para o Sistema de Saúde Público.
Quanto à formação, e tendo em conta o comentário que deu origem a este post “devo acrescentar agora que os tais "cursos" não o são: apenas reflexão sobre o que os responsáveis pelos principais departamentos do Hospital desejariam que ele fosse. Vistas as coisas assim, e se o processo é sério, parece até louvável e não merecedor de críticas negativas”, penso que é necessário que estes responsáveis façam uma reflexão permanente e, nessa perspectiva, não é de facto errado.
Agora resta saber se é isso que se considera “curso de formação em gestão hospitalar”, se é por aí que ficam as necessidades de formação desses profissionais.
Ainda em relação à formação em gestão hospitalar que está a ser disponibilizada aos administradores deixaria as perguntas:
Os objectivos definidos para esta formação são claros?
É que se não são claros os objectivos do governo relativamente às decisões postas em marcha no campo da saúde, como podem ser claros os objectivos da formação?
A formação nesta área é abrangente? É uma formação que disponibiliza conhecimento sobre diferentes tipos de gestão: privada, parcerias e pública? É uma formação que se restringe exclusivamente a questões técnicas ou abrange as questões das decisões em políticas de saúde?
Também aqui não têm sido claros os objectivos do governo. É que a restrição do discurso ao que os SA têm poupado, mostra a falta de clareza sobre para onde se quer levar o Sistema de Saúde. Sabe-se que um Sistema Nacional de Saúde Público é caro. Mas é esse “ser caro” que define a opção democrática de acesso igualitário à saúde. O governo tem optado por um discurso meramente técnico, em detrimento de um discurso sobre opções políticas em saúde e é isso que é assustador e põe em risco o nosso Sistema Nacional de saúde.
Penso ser aqui, aliás, que se centra este problema. Sem uma clarificação dos objectivos políticos que norteiam as alterações ao nosso Sistema Nacional de Saúde, não me parece possível pensar uma formação consistente para gestores de Hospitais SA e gestores de Hospitais Públicos. É que se pensam sempre os gestores públicos como tendo que fazer uma gestão para dar lucro. Assim, apresentam-se números sobre as despesas dos seus hospitais para justificar a necessidade de privatização. Mais uma vez, isto demonstra ausência de definição política dos objectivos dos hospitais públicos, ou, pior ainda, pura má fé.
Ainda sobre esta questão da ausência de clareza sobre os objectivos que norteiam as alterações ao Serviço Nacional de Saúde e, em particular, ao papel dos Hospitais Públicos, a preocupação não se limita à necessidade de bons gestores da coisa pública. O problema é muito mais grave. Esta indefinição virá a ter fortes repercussões nos quadros de pessoal, nomeadamente, nos especialistas que ficarão nos Hospitais Públicos. Mas esse será, talvez, tema para outro post.
Restam, ainda, perguntas relacionadas com os formadores.
O leque de formadores recorre a pessoas com experiência em gestão pública hospitalar? Recorre a formadores de países que têm sistemas de saúde públicos eficientes?
Recorre a pessoas que têm dado provas de preocupação e conhecimento profundo desta temática nos seus diversos âmbitos?
Publicado por agineotonico às 03:53 PM | Comentários (2)
setembro 01, 2004
Próximo filme de Michael Moore
Michael Moore, realizador do Fairenheit 9/11, diz que o seu próximo filme poderá versar sobre o Sistema de Saúde americano.
Como recentemente veio a público, a percentagem de americanos sem acesso ao sistema de saúde aumentou 15 por cento: "2003 foi também foi o terceiro ano consecutivo em que o número de americanos sem um seguro de saúde aumentou; como não há um sistema de saúde público a nível nacional nos EUA, não ter um seguro pode significar grandes dificuldades no acesso a cuidados médicos."
Publicado por agineotonico às 10:41 PM | Comentários (4)
«Barco do aborto»
"A tal de organização, muito corajosa, deveria percorrer mais umas centenas de milhas, até à costa mediterrânica, mas do lado africano, e tentar uma operação idêntica em Marrocos, Argélia, Líbia, Tunísia e países afins. Aí sim, seriam necessários"
(Luís Delgado)
"Não se pode deixar de questionar: porque vem um barco para Portugal e não para a Argélia ou para a Arábia Saudita? ou para vastas zonas do globo, onde as mulheres são casadas à força com quem nunca viram, como acontece ainda em muitos países islâmicos?"
(Zita Seabra)
"Faz todo o sentido a presença do barco em Portugal porque relança a discussão em torno da necessidade da legalização do aborto num país onde todos os anos morrem mulheres por recorrerem ao aborto clandestino e onde crianças são abandonadas. A sua presença nas águas territoriais portuguesas lembra-nos que nesta matéria estamos ao nível dos países como a Marrocos, Argélia, Líbia, Tunísia Arábia Saudita e países afins."
(GIN)
Publicado por agineotonico às 09:11 PM | Comentários (4)
agosto 30, 2004
Aqui ninguém recebe nem ninguém paga nada
Enquanto o Hospital do Barreiro, agora SA, tem vindo a deixar de prestar acompanhamento aos utentes, nomeadamente às crianças com necessidades educativas especiais que aí eram acompanhadas, um grupo de médicos dá o exemplo de solidariedade humana ...
Publicado por agineotonico às 06:52 PM | Comentários (1)
agosto 06, 2004
As crianças não são um mercado atraente
Embora existam mais de dois milhões de crianças com Aids em todo o mundo, há poucos remédios voltados exclusivamente para elas. De acordo com denúncia feita pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) durante a 15ª Conferência Internacional de Aids, em Bangcoc, na Tailândia, a indústria farmacêutica e os governos não se empenham no desenvolvimento e na produção de medicamentos para menores.
- A indústria farmacêutica não desenvolve formulações pediátricas para medicamentos de Aids porque as crianças não são um mercado atraente - denunciou David Wilson, coordenador dos programas da MSF na Tailândia.
Mais de 90% das crianças com Aids estão na África subsaariana - pouquíssimas vivem em países ricos - e metade delas morre antes de completar 2 anos.
Publicado por agineotonico às 03:02 PM | Comentários (1)
Patentes de medicamentos em evidência
"A luta de ONGs como MSF e de governos e especialistas para que as patentes de medicamentos deixassem de ter uma interpretação puramente econômica conseguiu fazer com que os países membros da Organização Mundial do Comércio aprovassem em 2001 a Declaração de Doha, que permite que os países suspendam as patentes legalmente quando estiver em jogo a saúde pública de sua população.
No entanto, a Declaração de Doha vem sendo alvo de ataques de países onde se concentra grande parte das indústrias farmacêuticas do mundo, como Estados Unidos, Suíça entre outros. Os executivos dessas indústrias e os representantes de governos que se beneficiam com as patentes tentam provar que a proteção por patente é necessária para que as indústrias possam investir em novas moléculas e conseqüentemente novos medicamentos. No entanto, uma prova de que a vida de milhares de pessoas parece valer muito menos do que os lucros obtidos pelas multinacionais é o fato de que doenças típicas de países pobres, tais como leishmaniose, malária, tuberculose e doença de Chagas continuam sem tratamento pelo simples fato de que não dão lucro suficiente para os seus criadores. Apenas 10% dos gastos com pesquisas em saúde são para doenças que representam 90% das enfermidades mundiais, a maioria delas doenças típicas de países pobres. Além disso, a África, por exemplo, representa apenas 1% do mercado mundial de medicamentos e, caso não houvesse proteção de patentes no continente africano, os lucros das grandes indústrias seriam minimamente afetados."
Publicado por agineotonico às 02:49 PM
agosto 05, 2004
Assim vai a saúde
Este Blog, que vale a pena visitar diariamente, dá-nos conta do processo de privatização da Saúde em curso.
"1. - O fundamental já se sabe: O ministro, Luís Filipe Pereira, foi renomeado dando continuidade ao seu Programa de Reforma da Saúde, cujo objectivo é promover a privatização da saúde, essencialmente, através de dois projectos fundamentais: os Hospitais SA e a construção e gestão de novos hospitais em regime de Parceria Público-Privado (PPP)."...
...
4. - As Companhias de Seguros, entretanto, esfregam as mãos de contentes perante a expectativa do grande negócio que se avizinha.
Quem não tiver dinheiro para comprar Seguros de Saúde está lixado (o melhor termo que encontro para caracterizar esta situação). Quanto muito, poderá ter acesso ao Pacote de Cuidados Mínimos (tal como acontece nos EUA, por exemplo) que o ministro da saúde (ou qualquer outro ex-funcionário da Mello Saúde que lhe suceda), deverá lançar com grande alarido dos média, como convém, lá para meados do ano de 2008.
Publicado por agineotonico às 11:16 AM
julho 30, 2004
Médicos e Tortura
Declaração de Hamburgo
Sobre o apoio aos médicos que recusam participar ou tolerar o uso de tortura ou outras formas de tratamento cruel desumano ou degradante
(Adotada pela 49ª Assembléia Geral da Associação Médica Mundial, em Hamburgo, Alemanha, outubro de 1997)
PREÂMBULO
1. Com base em várias declarações éticas internacionais e diretrizes subscritas pela profissão médica, são proibidos aos médicos, ao longo do mundo, presenciar, tolerar ou participar em práticas de tortura ou de outras formas de procedimentos cruéis, desumanos ou degradantes por qualquer razão.
There is increasing evidence that U.S. doctors, nurses, and medics have been complicit in torture and other illegal procedures in Iraq, Afghanistan, and Guantanamo Bay. Such medical complicity suggests still another disturbing dimension of this broadening scandal.
We know that medical personnel have failed to report to higher authorities wounds that were clearly caused by torture and that they have neglected to take steps to interrupt this torture. In addition, they have turned over prisoners' medical records to interrogators who could use them to exploit the prisoners' weaknesses or vulnerabilities. We have not yet learned the extent of medical involvement in delaying and possibly falsifying the death certificates of prisoners who have been killed by torturers.
...
The Nazis provided the most extreme example of doctors' becoming socialized to atrocity.4 In addition to cruel medical experiments, many Nazi doctors, as part of military units, were directly involved in killing. To reach that point, they underwent a sequence of socialization: first to the medical profession, always a self-protective guild; then to the military, where they adapted to the requirements of command; and finally to camps such as Auschwitz, where adaptation included assuming leadership roles in the existing death factory. The great majority of these doctors were ordinary people who had killed no one before joining murderous Nazi institutions. They were corruptible and certainly responsible for what they did, but they became murderers mainly in atrocity-producing settings.
...
Physicians have served as actual torturers in Chile and elsewhere; have surgically removed ears as punishment for desertion in Saddam Hussein's Iraq; have incarcerated political dissenters in mental hospitals, notably in the Soviet Union; have, as whites in South Africa, falsified medical reports on blacks who were tortured or killed; and have, as Americans associated with the Central Intelligence Agency, conducted harmful, sometimes fatal, experiments involving drugs and mind control.
With the possible exception of the altering of death certificates, the recent transgressions of U.S. military doctors have apparently not been of this order. But these examples help us to recognize what doctors are capable of when placed in atrocity-producing situations. A recent statement by the Physicians for Human Rights addresses this vulnerability in declaring that "torture can also compromise the integrity of health professionals."5
To understand the full scope of American torture and abuse at Abu Ghraib and other prisons, we need to look more closely at the behavior of doctors and other medical personnel, as well as at the pressures created by the war in Iraq that produced this behavior. It is possible that some doctors, nurses, or medics took steps, of which we are not yet aware, to oppose the torture. It is certain that many more did not. But all those involved could nonetheless reveal, in valuable medical detail, much of what actually took place. By speaking out, they would take an important step toward reclaiming their role as healers.
Publicado por agineotonico às 01:08 PM
julho 28, 2004
Médicos Sem Fronteiras vão deixar o Afeganistão
"Depois de 24 anos de ajuda independente ao povo do Afeganistão, os MSF retiram-se por causa dos assassinatos, ameaças e insegurança", anunciou a organização humanitária num comunicado de imprensa divulgado hoje.
...
"Esta decisão foi tomada depois de um ataque sem precedentes no qual morreram cinco funcionários dos MSF, no dia 2 de Junho último", explica o comunicado. Os MSF retiram-se do país depois de terem constatado que "o Governo afegão não está empenhado em levar a cabo uma investigação credível a este ataque".
...
A organização humanitária internacional retira-se também por causa das "falsidades de um porta-voz dos taliban [milícia fundamentalista no poder antes da invasão das tropas aliadas] e das ameaças contra os seus funcionários".
...
Com esta atitude, os MSF querem ainda protestar contra a "cooptação da assistência humanitária pelas forças da coligação por motivos políticos e militares".
Publicado por agineotonico às 03:53 PM
julho 25, 2004
Lutar pela vida (4)
Este apelo dos pais da Inês foi feito no início de 2003 e gerou uma onda de solidariedade.
O Centro de Histocompatibilidade do Sul (CHS), em Lisboa começou a receber entre 100 a 200 inquéritos por dia de pessoas dispostas a ajudar. Estes números traduziram-se de imediato num salto de quatro mil, em Abril, para os 8351 potenciais dadores e, neste momento, estão cerca de 10.500 potenciais dadores à espera de serem registados.
A verba atribuída pelo Estado e a disponibilização de técnicos (apenas foi colocado um) são insuficientes para registar todos os possíveis dadores.
Os pais de Inês voltaram ontem (24 de Julho) a fazer um apelo. Inês está de novo em Oncologia ... os dadores registados pelo seu pedido público em 2003, permitiu que 4 doentes (3 portugueses e um francês) encontrassem um dador compatível, mas Inês ainda não.
Este novo pedido foi dirigido directamente ao Estado, uma vez que se escontram em lista de espera potenciais dadores, sendo preciso neste momento disponibilizar mais técnicos que permitam proceder ao seu registo de forma mais rápida.
Diz a mãe da Inês: "naquela lista de espera pode estar a única hipótese de vida da nossa filha".
Por outro lado, Hélder Trindade, director do CHS, diz que alguns dos potenciais dadores contactados não compareceram nos serviços o que faz emperrar o processo. "A capacidade para realizar a "tipagem" - processo de análises para definir a futura compatibilidade do eventual dador e o doente - é de sessenta dadores por dia. Com as ausências, esse número não é preenchido. Até ao transplante, as etapas são várias - e requer-se disponibilidade do eventual dador. De resto, o processo é indolor, não custa nada e é respeitado o anonimato do dador."
Publicado por agineotonico às 12:21 PM | Comentários (2)
Lutar pela vida (3)
Queridos Amigos,
Todos vós, tal como eu, já receberam um dia mails a pedir ajuda para diversos fins ... encontrar alguém desaparecido, pedidos de informações sobre curas de doenças, etc ..., mas estava eu bem longe de um dia necessitar também de fazer um apelo desta natureza. A minha filha Inês de dez anos, necessita urgentemente de fazer um transplante de medula óssea, pelo que é necessário encontrar alguém que seja compatível com a Inês a nível de glóbulos brancos do sangue.
Tal compatibilidade, chamada milagre da compatibilidade, embora difícil de se conseguir não é de todo impossível. Eu, a minha mulher e o meu filho (o irmão é o que tem mais probabilidades de o ser), após a realização de testes não nos revelamos compatíveis. Significa que estamos dependentes de um dador não familiar, ou seja do BANCO MUNDIAL DE DADORES DE MEDÚLA. Neste, tinham sido encontrados dois potenciais dadores compatíveis (em oito milhões e meio de dadores registados no mundo inteiro ...) de nacionalidade italiana e norte americana, mas testes mais profundos indicaram que as suas características moleculares não se enquadravam com as da Inês. Estamos na estaca zero ...
Venho assim pedir ajuda a todos quantos possam, amigos, familiares ou conhecidos que se ofereçam para fazer os testes de compatibilidade, pois quem sabe o dador compatível com a minha filha pode estar aqui bem perto ... As probabilidades de uma pessoa ser compatível com outra são de 1 para 10.000, mas se não tentar pedir a ajuda de todos vós, então as probabilidades tornam-se zero.
O que é então necessário fazer? Basta preencher o formulário que junto em anexo e mandar para o meu mail: filipe.botelho@netcabo.pt, para depois eu canalizar os formulários para a SOCIEDADE LUSO TRASPLANTE, organismo oficial português que rege os transplantes de órgãos no nosso país. Lá médicos especialistas vão analisar os dados recolhidos e seleccionarão as pessoas para colher uma pequena amostra de sangue para análise.
É importante que se saiba, que todo este processo é estritamente confidencial, e tanto a identidade do dador como do doente são preservadas. Isto prende-se com questões de segurança por causa do negócio de órgãos humanos.
É importante que se saiba também, que qualquer pessoa que seja aceite como dadora, entra no BANCO MUNDIAL DE DADORES, sendo assim um potencial salvador de uma vida humana em qualquer parte do mundo. Penso que esta informação era necessário transmitir, mas não gostava que fosse dissuadora de me ajudarem. A recolha das células do dador para o doente, é feita como se de uma recolha de sangue se tratasse. OS DADORES NÃO SÃO INTERVENCIONADOS CIRÚRGICAMENTE.
A doença da minha filha, leucemia, pode AFECTAR ENTRE 3 e 4 em CADA 100.000 CRIANÇAS COM MENOS DE 15 ANOS, e em Portugal são muitas as crianças com esta doença e a precisarem de um transplante.
Um pequeno gesto vosso, pode SALVAR UMA CRIANÇA OU ADULTO.
Para todos vós que já perderam o vosso tempo a ler esta mensagem, não chegam todos os meus agradecimentos do mundo.
Para qualquer outra informação deixo o meu contacto: 919543377
Um Abraço
Filipe Botelho
CONTINUE A LER
Publicado por agineotonico às 11:46 AM | Comentários (6)
Lutar pela vida (2)
O Registo Português foi criado em 1995 pelo Despacho 22/95 e tem a designação abreviada de CEDACE (Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão).
Este registo teve desde o início a colaboração de alguns funcionários e apoio financeiro do Centro de Histocompatibilidade do Sul, para desenvolver as suas actividades de comunicação, inscrição em registos estrangeiros, informatização, pessoal e tipagens de dadores.
Os Centros de Histocompatibilidade do Norte, Centro e Sul, são os laboratórios responsáveis pelo estudo de tipagem e de virologia dos dadores que se inscrevem no registo. Cada Centro de Histocompatibilidade é responsável pelos dadores da sua área regional de influencia, comunicando depois ao registo os resultados para inscrição final do dador.
O CEDACE é um registo pequeno, mas não nos podemos esquecer que a sua actividade permite que sempre que um doente português necessite de um transplante de medula, se faça a pesquisa no registo mundial ...
É fácil qualquer um propor-se para dador. Em primeiro lugar deverá ser saudável e ter entre 18 e 50 anos. Depois basta que nos telefone para o CEDACE ou tão simples como ir ao nosso site: www.chsul.pt e fazer a inscrição ...
ser dador é apenas ficar no registo com as suas características genéticas e esperar que um dia possa haver um doente igual. Nessa altura será chamado. Claro que podem passar anos sem que isso aconteça, claro que pode nunca acontecer e o dador pode chegar aos 55 anos e ser retirado de lista sem nunca ter sido chamado. É talvez o mais provável. Mas o que é facto é que cumpriu um dever e esteve durante esse tempo disponível para salvar a vida de alguém ...
(Professor Hélder Trindade, Lusotransplante)
CONTINUE A LER
Publicado por agineotonico às 11:40 AM | Comentários (1)
Lutar pela vida
"Quando nós nos propusemos a fazer este apelo - com a ajuda imprescindível da estação televisiva da SIC - de angariar o maior número possivel de dadores de medúla óssea, foi com o objectivo e propósito bem claro de encontrar alguém compatível genéticamente com a nossa querida filha Inês, e assim incrementar as suas probabilidades de cura, mas também com a finalidade de informar correctamente o maior número de pessoas para uma forte e viva realidade e assim procurar estender a ajuda às muitas outras crianças e adultos que lutam contra esta terrível doença que é a leucemia."
(Pais da Inês)
Cada um de nós tem uma individualidade biológica característica e muito particular
"Com o nosso património genético herdamos algumas características que são marcadores dessa individualidade e entre elas temos os antigénios que se expressam à superfície dos nossos leucócitos conhecido como antigénios HLA ... traduzindo para português: "Antigénios Leucocitários Humanos" ou seja do glóbulos brancos do sangue ...
o seu papel funcional normal será o de contribuir para que cada um de nós possa responder aos agentes infecciosos ou rejeitar células infectadas por vírus ou que sofram transformação maligna ...
há pequenas diferenças para um mesmo antigénio, e são elas que os tornam realmente diferentes e levam a que, do ponto de vista da compatibilidade, as pessoas sejam diferentes ...
actualmente conhecemos mais de 1000 formas diferentes e só por isso podemos imaginar a dificuldade em encontrar duas pessoas iguais ...
em primeiro lugar pode procurar-se entre irmãos, a probabilidade de haver dois irmãos iguais é maior, pois têm 25% de probabilidades de terem herdado os mesmos conjuntos de antigénios HLA dos seus progenitores. O problema fica nos outros 75% que não têm irmãos idênticos ...
A resposta que se tentou encontrar passou pela tentativa de encontrar na população em geral alguém que seja igual. Para isso, há que ter um registo de um grande número de pessoas que aceitem ser dadoras para que as probabilidades de encontrar um par igual seja maior ... cada país contribuiu com o esforço de criar registos de dadores e a nível mundial uniram-se os registos de forma a que cada doente possa ter uma oportunidade de escolha alargada ..."
(Professor Hélder Trindade, Lusotransplante)
CONTINUE A LER
Publicado por agineotonico às 11:30 AM | Comentários (1)
Onda de calor
Quatro distritos do país estão em alerta laranja (o segundo numa escala de quatro) por causa da onda de calor que atinge o país e que sábado fez subir os termómetros a temperaturas superiores a 40 graus.
Estão em alerta laranja os distritos de Portalegre, Évora, Beja e Faro.
Lisboa, Bragança, Vila Real, Braga, Guarda, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém e Setúbal estão em alerta amarelo (o terceiro da escala), a que corresponde a "uma situação em que são previsíveis efeitos sobre a saúde, pelo que se recomenda à população cuidados acrescidos na exposição ao sol".
"Em virtude da situação climática registada nos últimos dias e das previsões para os próximos três, em que se esperam temperaturas elevadas e ventos fracos acompanhados de poeiras, considera-se que existe um risco acrescido de efeitos na saúde, nomeadamente problemas respiratórios, com maior incidência nos distritos do sul e interior do país", adverte a DGS.
Na Estação de Avanca, concelho de Estarreja, foi ultrapassado sábado o valor limiar de informação da população no que diz respeito à poluição atmosférica pelo ozono.
O valor limiar de informação à população é de 180 microgramas de ozono por metro cúbico de ar, e entre as 12:00 e as 13:00 de sábado foram registados 208 na Estação de Avanca.
A exposição a este poluente afecta, essencialmente, as mucosas oculares e respiratórias, podendo os seus efeitos manifestar-se através de sintomas como tosse, dores de cabeça, dores no peito, falta de ar e irritações oculares.
Os grupos mais sensíveis da população (crianças, idosos, asmáticos, alérgicos e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas) são os mais susceptíveis de sofrerem danos na saúde devido ao ozono.
A autoridade nacional de saúde pública chama também a atenção para a disponibilidade da linha de aconselhamento (808 211 311) durante este período, bem como para a informação que pode ser consultada no sítio www.dgsaude.pt, no qual existe um folheto informativo com as precauções face ao calor.
No Verão passado, vários dias seguidos de temperaturas elevadas provocaram 1.953 mortes adicionais, em relação ao que seria de se esperar para o período estival - segundo dados do Ministério da Saúde.
(Lusa)
Publicado por agineotonico às 11:04 AM
julho 24, 2004
FRANÇA APRESENTA MÉTODO DE ESTERILIZAÇÃO FEMININA SEM CIRURGIA
Uma técnica de esterilização feminina executada sem cirurgia ou anestesia foi apresentada em Marselha, sudeste da França.
Idealizada nos Estados Unidos, a técnica batizada de "Essure" já está a ser aplicada em 35 centros públicos franceses desde 2001.
"Trata-se de colocar um microimplante que obstrui as trompas e causa uma inflamação local. A intervenção dura meia hora e dispensa anestesia ou incisões, sem deixar cicatrizes", explicaram funcionários da assistência pública de Marselha.
Diversas francesas já se submeteram à esterilização, segundo Yves Guillemain d'Echon, presidente da Conceptus, empresa que comercializa o implante na Europa.
O método é revolucionário, mas a esterilização é definitiva, advertem os especialistas.
Entre os objetivos do método está a redução do número de abortos, que na França atinge um dos números mais altos da Europa, com 210 mil interrupções voluntárias da gravidez por ano.
Publicado por agineotonico às 03:44 PM
julho 20, 2004
Contratos individuais de trabalho dos médicos
Os médicos passam a estar obrigados a enviar para o Conselho Regional da Ordem dos Médicos da sua área, cópias dos contratos individais de trabalho que vierem a celebrar. Esta medida resulta da constatação de violações a várias disposições do Código Deontológico, nomeadamente os referentes à investigação e à proibição de denúncia de situações de violação da boa prática médica.
Miguel Leão, presidente do Conselho Regional do Norte (CRN) da Ordem dos Médicos (OM) diz esperar que "os responsáveis médicos das instituições (hospitais e centros de saúde) colaborem com a Ordem para que sejam cumpridas as regras da deontologia e ética profissionais".
Esta proposta foi aprovada (com uma abstenção) no plenário de conselhos regionais, no dia 30 de Março, e entra em vigor após publicação na revista da OM. A apresentação desta alteração tinha já sido feita pelo CRN em Setembro de 2003, aquando de um encontro entre a Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral, a Associação Portuguesa dos Médicos de Carreira Hospitalar, a Associação Portuguesa dos Médicos de Saúde Pública, a Federação Nacional dos Médicos, o Sindicato Independente dos Médicos e o CRN da OM.
Publicado por agineotonico às 09:16 PM
julho 12, 2004
Promoção da excelência cirúrgica
A secção portuguesa do Internacional College of Surgeons (ICS), organização internacional que reúne os mais prestigiados cirurgiões portugueses, acaba de eleger os seus novos dirigentes.
Com sede em Chicago, EUA, a ICS foi criada em 1935 e dedica-se à promoção da excelência cirúrgica, através da realização de conferências, lançamento de publicações, organização de equipas de cirurgiões – que visitam outros países – e oferta de bolsas de especialização e investigação.
A ICS conta ainda com vários projectos de cooperação com a Organização Mundial de Saúde e Nações Unidas, congregando, neste momento, oito mil cirurgiões gerais e especialistas oriundos de 112 países.
Publicado por agineotonico às 07:36 AM
julho 11, 2004
Ninguém investe na pobreza.
Ninguém investe na pobreza.
Caminhamos para Hospitais de ricos e Hospitais de pobres.
Os Hospitais de ricos terão investimento e os Hospitais de pobres ficarão com os mesmos meios que na década de 50 quando foram criados.
Camas nos corredores, casa de banho degradadas e mal cheirosas, comida péssima e, claro, falta de infraestruturas, nomeadamente, o que se verifica com a radioterapia, onde os resultados das nossas velhas máquinas são o caos quando comparados os resultados com os resultados de outros países.
Mas nascemos aqui ...
Os novos hospitais que vão surgir, como o de Loures, que vai ter 600 camas e que visa fechar os hospitais da grande lisboa, serão de parceria público/privado.
Dos Hospitais Públicos só ouviremos más notícias, como as que surgirão este fim de semana sobre Sta Maria. Foi nomeado um novo administrador, engenheiro de minas, que só tem feito asneiras. Chama colaboradores aos professores catedráticos e aos directores de serviço, quer fazer cursos de gestão aos fins de semana, à noite e em Agosto ... enfim, um fartote.
Comparado com o anterior administrador, também engenheiro, é uma sombra ... mas é curioso que esse anterior administrador, que tinha sido secretário de Cavaco Silva, esteve em Sta Maria a "fazer estágio" e foi ganhar cerca de 4000 contos, por convite, para o Grupo Saúde da CGD ... como se vê a dança continua.
(enviado para o Gintónico por e-mail)
Publicado por agineotonico às 02:56 PM | Comentários (7)
julho 07, 2004
BIOPROSTITUIÇÃO
Os estudos experimentais em seres humanos envolvem importantes questões de ordem ética. Por isso, os códigos de Ética Médica e as Normas de Pesquisa em Saúde fazem alusão ao consentimento informado como o reconhecimento da autonomia da pessoa, paciente ou sujeito de experimentação, e a insistência para que ele seja respeitado constitui mais uma contribuição para o aperfeiçoamento da prática médica baseada no princípio da justiça.
Pretende-se uma decisão voluntária, realizada por uma pessoa autónoma e capaz, ou por um seu representante no caso de incapacidade, tomada após um processo informativo e deliberativo, com vista à aceitação de um tratamento específico ou à participação numa pesquisa, sabendo da sua natureza, das suas consequências e dos seus riscos.
Pode dizer-se que o consentimento informado constitui a legitimação e o fundamento do acto médico.
Se isto é verdade de uma forma geral, no caso concreto da participação em pesquisas as coisas são mais complexas. Muita dessa complexidade vem da escolha da população alvo da pesquisa.
"Um simples anúncio em jornal recrutando "voluntários de pesquisa" que podem ganhar até US$ 1000, não levanta qualquer suspeita sobre o que se opera na realidade nesses laboratórios que realizam os chamados testes de "fase um".
Antes desses voluntários serem submetidos aos testes, são informados sobre os possíveis efeitos colaterais (que variam da tontura à disfunção sexual) quando só então podem dar sua autorização, assumindo todos os riscos que a bioprostituição oferece. No entanto, considerando-se os milhões de dólares movimentados por essa prática, e ainda, o nível cultural da maioria das pessoas que se submetem a esse tipo de teste, é duvidoso que essas informações sejam prestadas com total esclarecimento aos "voluntários".
Ademais, presas fáceis da futura extensão da bioprostituição aos países subdesenvolvidos, as cobaias do terceiro mundo, cidadãos famélicos e miseráveis, jamais terão a real noção dos riscos dessa prática.
Nos Estados Unidos, por exemplo, vários casos de "cobaias" já tiveram repercussões negativas, como o de Nicole Wan, uma universitária de 19 anos, que em 1997 faleceu de ataque cardíaco, após ter recebido por engano uma super dosagem de anestesia.
As leis norte-americanas tornam obrigatório o consentimento por escrito dos voluntários, após uma "cristalina" discussão sobre os perigos em potencial dos testes. As instituições responsáveis garantem tratamento gratuito somente em casos de sintomas persistentes, desvinculando-se totalmente nos casos de perda de qualidade de vida ou de incapacidade de trabalho dos voluntários. No caso de sequelas graves ou morte, resta a essas pessoas ou aos seus familiares, conformação ou muita persistência para lutar por uma indemnização justa."
Publicado por agineotonico às 06:19 PM
julho 05, 2004
Remédio Mortal
Na reunião de cúpula do G8, em junho de 2003, que teve lugar em França, as organizações da sociedade civil presentes foram unânimes em afirmar que os compromissos assumidos não passaram de mais uma estratégia das nações mais ricas para ampliar suas riquezas.
O Plano de Acção em Saúde, por exemplo, aprovado durante a reunião, sacrifica soluções para um maior acesso a medicamentos essenciais em nome de interesses políticos e comerciais. Trata-se muito mais de "um plano de inacção", já que a versão preparada pela França foi substituída para atender a interesses defendidos claramente por países como os Estados Unidos.
O plano francês que vinha sendo negociado com a sociedade civil era considerado um progresso nas negociações em saúde. Garantia incentivos para o acesso a medicamentos genéricos por meio da implementação do acordo de Doha, no qual as questões de saúde deveriam estar acima de interesses comerciais; estabelecia preços diferenciados de medicamentos para países em desenvolvimento; estimulava a produção local e a transferência de tecnologia; e criava financiamentos de longo prazo para o Fundo Global de Combate à Aids, Malária e Tuberculose.
Após a aprovação do Plano de (in)Acção em Saúde, a única secção que mostrava alguma determinação era a referente à Síndrome Respiratória Aguda Grave. As doenças típicas de países pobres e que trazem consequências mínimas para as grandes economias mundiais não receberam a mesma urgência.
Na prática, o G8 está oferecendo às nações em desenvolvimento um remédio amargo e difícil de engolir. Os financiamentos para saúde irão directamente para os bolsos das indústrias farmacêuticas do Ocidente, em vez de contribuírem, em longo prazo, para a oferta de mais medicamentos em um mercado competitivo e com preços acessíveis.
Publicado por agineotonico às 08:03 PM
Contaminação do ar na Europa
A Organização Mundial de Saúde diz que a contaminação do ar na Europa é responsável pela morte de 100 mil menores de 5 anos por ano.
Publicado por agineotonico às 07:38 PM
julho 02, 2004
CARTA AO BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS
"é afirmado que é indiscutível que é necessário haver um maior equilíbrio de sexos. É de facto indiscutível. Na medicina, mas também na enfermagem (onde a taxa de feminização é superior à da medicina), na magistratura, na diplomacia, na engenharia, nas forças armadas, na política... Em todos os domínios de intervenção humana é desejável haver equilíbrio entre os sexos. Equilíbrio que, no entanto, não tem existido, nem tem sido tão veementemente defendido como no caso presente. Para justificar a manutenção da (quase) exclusão das mulheres de muitas áreas de intervenção é muitas vezes referido que, dada a igualdade de oportunidades garantida pela Constituição da República Portuguesa, secundada por legislação específica, se não existem mais mulheres em determinados domínios é apenas porque elas não querem. Claramente, no caso da profissão médica, elas querem, e dão provas de que são capazes. Provas objectivas, tendo por base a maior aplicação ao estudo, que lhes garante melhores resultados, obtidos com base em critérios de selecção uniformes, aplicados desde há muito a mulheres e a homens, critérios esses que são claros e transparentes, o que não acontece noutros domínios onde as mulheres estão manifestamente subrepresentadas. "
Publicado por agineotonico às 05:47 PM
junho 26, 2004
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa
O Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, reza no seu estatuto, é uma unidade de referência ao serviço da comunidade, principalmente, dos mais pobres - "A Cruz Vermelha Portuguesa, abreviadamente por CVP, é uma instituição humanitária não governamental, de carácter voluntário, que desenvolve a sua actividade devidamente apoiada pelo Estado, reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública administrativa, sem fins lucrativos, com plena capacidade jurídica para a prossecução dos seus fins."
Mas vem agora a público que os 3 responsáveis deste hospital receberam entre 2001 e 2003 o triplo do estabelecido para os gestores dos hospitais SA. Isto é, mais ou menos 15.000 euros mensais.
Publicado por agineotonico às 03:47 PM | Comentários (5)
junho 15, 2004
Relatório de Primavera 2004
No Relatório de Primavera de 2003, o Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), na Parte III - O Cidadão - conclui, com base no resultado de diversos estudos, que "não é o mesmo obter a opinião dos cidadãos - o denominado público - com ou sem experiência concreta de utilização, ou interrogar utilizadores efectivos dos serviços de saúde. Enquanto a satisfação dos utentes é influenciada pela sua experiência mais recente, a do público é mais influenciada pelos media e, em Portugal, também por uma atitude demasiado negativa e crítica que têm das suas instituições de saúde.
...
Relativamente aos utentes, 77,8% referiram como positiva a avaliação da última consulta nos hospitais públicos e 67,2% referiram como boa a avaliação global dos cuidados recebidos. Os serviços de urgência foi onde se verificou um menor nível de satisfação e em relação aos quais 61,9% referiram ter ficado satisfeitos com o tratamento recebido.
Estes números contrastam de algum modo com a informação fornecida diariamente pelos mass média. De facto, segundo Villaverde Cabral, os títulos dos jornais «reflectem bem a forma predominantemente negativa da cobertura mediática dos problemas de saúde na sociedade portuguesa». O mesmo autor conclui que « representação negativa que a população, sobretudo aquela que não possui experiência pessoal dos serviços públicos de saúde, é levada a construir a partir dos mass media, pode ter efeitos desencontrados»"
Os dados aqui referidos são os apresentados no relatório de 2003 e, portanto, referem-se ao ano de 2002.
Na minha opinião, tem sido esta atitude dos media que se repercute na população, que tem servido de argumento para destruir o Sistema Nacional de Saúde.
Continue a ler - Relatório de Primavera 2004
Publicado por agineotonico às 10:03 PM
Depois do INE, o Observatório Português dos Sistemas de Saúde?
O governo não tem gostado do resultado dos estudos do INE e propôe-se acabar com ele.
Agora é a vez do Observatório Português dos Sistemas de Saúde apresentarem resultados contrários aos que o governo gostaria de ouvir.
Luís filipe Pereira já afirmou que discorda dos resultados deste estudo - Relatório de Primavera de 2004 - porque ele é tendencioso e parcial.
E agora? Vai também entregar a responsabilidade por este estudo a uma equipa que produza os resultados esperados?
Publicado por agineotonico às 09:39 PM
junho 14, 2004
O Amor é realmente cego
Cientistas britânicos conseguiram provar que o Amor é realmente cego. Os sentimentos amorosos podem levar à supressão da actividade nas áreas do cérebro que controlam o pensamento crítico, revelou um estudo publicado na última edição da revista NeuroImage.
Publicado por agineotonico às 06:20 PM
junho 13, 2004
Procuramos cura para as nossas doenças ou para a nossa vulnerabilidade humana?

O desenvolvimento da ciência e tecnologia médica tem vindo a testar os limites da medicina sem que paremos para reflectir se a evolução tecnológica é, muitas vezes, a solução mais adequada para cada caso. A ideia generalizada que a medicina domina todas as possibilidades, que as tecnologias mais modernas tudo podem resolver, aumenta a pressão sobre os médicos e leva-os a tratamentos invasivos dolorosos para o ser humano, mesmo quando não há esperança de recuperação, mesmo quando a vida tornada vegetativa não vale a pena ser vivida, mesmo quando o paciente é submetido a indignidade e a sua família a grande sofrimento. A esta pressão não é alheia a exigência do poder económico para quem tudo justifica a necessidade de consumo.
A capacidade tecnológica para salvar a vida de prematuros, por exemplo, é notável. Contudo, o que não é dito é que, em muitos casos, os riscos de danos cerebrais e outros são muito elevados, os riscos de fracasso altíssimos, a sobrevida muitas vezes curta e o sofrimento provocado à criança muito prolongado. Este é um dos casos em que a pressão sobre os médicos sobe exponencialmente e em que as famílias/pais depositam expectativas pouco reais sobre a medicina.
Sem dúvida que o aperfeiçoamento tecnológico tem vindo a permitir a utilização de técnicas médicas em situações que antes eram considerados como “casos perdidos”, mas isto tem o reverso da medalha se não pensarmos em termos de quais os limites.
As pessoas aumentaram as expectativas e quando falham as soluções tecnológicas ficam frustadas, acusam os médicos de erro e de negligência. Não entendem que o problema não é apenas tecnológico. Por outro lado, os médicos pressionados não se questionam sobre os limites da sua intervenção, sentem como fracasso a prova da nossa mortalidade e a sua impossibilidade de ascender à categoria de deuses.
A ausência de diálogo médico/paciente/família é mais que evidente.
A medicina não foge à visão consumista do mundo onde se pensa que tudo se compra e tudo se vende, mesmo a nossa dignidade e a dos outros. Não nos conformamos com a nossa natureza humana, aspiramos ser deuses com imagem de marca - a imortalidade.
A tecnologia, os dividendos de alguns que resultam deste apelo ao consumismo, empurra-nos para uma arrogância sem limites, para uma falsa autoridade que não vê limitações nesta procura de “progresso” sem qualquer humanidade.
Acreditar que a ciência tem ou virá a ter todas as respostas para as nossas debilidades, é fugir à realidade da nossa condição humana, de seres falíveis, é vender a ideia que a nossa condição resulta de ajustes tecnológicos e, por isso, tudo é possível.
E no entanto é curioso verificar que enquanto temos esta relação com a medicina e com o avanço das tecnologias vamos, por outro lado e também em nome do progresso, destruindo o ambiente e criando condições de vida que exigem um esforço tremendo de sobrevivência quer sob o ponto de vista económico, quer emocional que, como se sabe, reduz a qualidade e o tempo médio de esperança de vida.
Publicado por agineotonico às 01:01 PM
junho 11, 2004
Cientistas portugueses criam medicamento contra o cancro
"Investigadores da Universidade de Coimbra criaram um novo medicamento contra o cancro, mais eficaz que os actuais produtos. A terapia fotodinâmica poderá ser o principal método de tratamento de patologias cancerígenas.
Uma equipa de peritos do Departamento de Química da Universidade de Coimbra desenvolveram a molécula bacterioclorina ao longo de sete anos, com a colaboração de equipas da Polónia, França e Brasil.
O método baseia-se num laser que incide na zona do tumor, activando a bacterioclorina que gera depois moléculas de oxigénio com força suficiente para atacar os tumores cancerígenos. «A nova molécula permite activar o oxigénio e é esse o agente que vai degradar as células», explicou em declarações à rádio TSF a investigadora Mariete Pereira. Os investigadores garantem que este método tem menos efeitos secundários e será cerca de 500 vezes mais eficaz que as actuais terapias para o tratamento do cancro."
Publicado por agineotonico às 07:24 AM | Comentários (2)
junho 05, 2004
A humanização, ou a falta dela
A humanização, ou a falta dela, das relações nos Serviços de Saúde passa, de facto, também, pela questão do “mau estado das instalações e obsolescência de alguns equipamentos”. Também por aqui passa “uma das principais limitações à obtenção de uma boa «performance» de gestão.”
Não se pode pretender valorizar um aspecto único das diferentes necessidades de mudança no sector da saúde em detrimento das outras.
O que me parece que vale a pena referir e desmontar é o discurso do poder sobre que mudanças introduzir nos serviços de saúde e como, é clarificar de que mudanças estamos a falar.
Estamos a falar em mudanças reais que não afrontam o princípio da igualdade/equidade de acesso?
Nesse caso, as mudanças a introduzir passam, necessariamente, por um esforço de todas as partes e, por isso, falar em melhorar as instalações e cortar em materiais fundamentais para a execução das mais simples tarefas de atendimento dos doentes parece um contra-senso no que diz respeito à humanização das relações.
No que se refere à “boa performance de gestão” depende na perspectiva em que nos colocamos.
Recordo, por exemplo, que a demora na empresarialização do IPO se deveu ao facto de se ter tentado que este ficasse desobrigado de prestar serviços de radioterapia gratuita aos utentes, ou que há serviços de saúde em que são os doentes que têm de levar medicação ou materiais seguros de desinfecção, ou que os SA não fazem discriminação entre a necessidade de racionalização de recursos e a obrigatoriedade de os disponibilizar à generalidade dos utentes, etc.
Assistiremos cada vez mais à morte de doentes em nome da racionalização dos recursos como acontece nos EUA com quem não tem seguro de saúde de grande cobertura? Aí nesse país, é comum deixarem-se morrer as pessoas que não têm seguro de saúde.
Esta referência não é feita por um síndroma de anti americanismo primário. É para responder a quem defende que a implementação de um sistema de saúde como o que ali está implementado seria um bom caminho. A verdade é que ele tem consequências graves lá, mas terá consequências desastrosas nas actuais condições económicas em que vivemos aqui no nosso país.
Por isso considero que a “boa performance” pode ter uma leitura muito diversa. Basta ouvir os discursos do Ministro.
Acho que vale a pena “desdobrar” o conceito de humanização em saúde. Foi nesse sentido que coloquei os anteriores post sobre o assunto.
Uma relação humanizada engloba, sem qualquer dúvida, um conjunto de componentes que vão desde a acessibilidade, ao atendimento humano, às condições físicas dos espaços onde se aguarda e se é atendido, aos equipamentos, ao acesso a todos os meios disponíveis, etc.
Mas passa também pela criação de um “clima” facilitador dessas relações. Estou a referir-me concretamente à criação de boas condições de trabalho a todos os que dentro dos serviços de saúde exercem a sua actividade. Também aqui a situação não parece ser simples. Não basta melhorar os equipamentos, é necessário implementar uma nova política de conduta que combata os hábitos enraizados e que, em muitos casos, são os verdadeiros entraves às mudanças. Mas parece-me que isto terá ser feito de forma inclusiva e não hostil, terá que ser dinamizado por pessoas que reconhecidamente têm capacidade para o fazer. Não me parece de todo que isso esteja a ser conseguido, como se pode ver pelas consecutivas demissões.
Pode-se sempre atribuir as culpas ao espírito cooperativo da classe médica e à sua recusa em perder privilégios. Também é verdade que tem sido um dos entraves à mudança, mas pergunto: se somos o 12º melhor sistema nacional de saúde do mundo, a quem devemos isso?
Haverá sem dúvida muitos médicos com comportamento ético duvidoso, há gente assim em todas as profissões. Há também influências culturais, nomeadamente, a alteração de valores a que todos estamos sujeitos e às quais os médicos não são imunes. A valorização das aparências e dos bens materiais em detrimento de valores mais relacionados com as nossas necessidades básicas enquanto seres humanos atravessam toda a nossa sociedade, não é exclusividade da classe médica, e assume a sua principal expressão na privatização dos sistemas de solidariedade social, onde se inclui o Sistema Nacional de Saúde.
Publicado por agineotonico às 01:47 PM
junho 04, 2004
Saúde: a questão da boa imagem
"Boa apresentação reforça a imagem da SA:
Sabemos que os senhores administradores SA, têm alertado, repetidamente, o pessoal hospitalar para o zelo e os cuidados a ter, relativamente à sua apresentação. Está provado que, a apresentação cuidada do pessoal hospitalar, reforça a imagem de organização, ajuda a conquistar a confiança dos utentes, podendo constituir, assim, um poderoso dinamizador da realização de receitas de que, os hospitais SA, andam tão carenciados para competirem no "Ranking" criado pela Unidade de Missão."
Sem dúvida que uma das preocupações dos Hospitais SA se relacionam com a “imagem”.
Mas distinguiria aqui duas questões:
1) As relacionadas com o impacto que tem a forma como somos recebidos quando entramos num hospital como doentes ou como seus acompanhantes e
2) as relacionadas com a necessidade de mudar hábitos enraizados que se sabe hoje serem comportamentos de risco dentro das instituições de saúde.
Quanto à primeira questão – a do acolhimento – parece-me bastante visível que as coisas têm de mudar, desde a atitude dos porteiros, passando pelos administrativos e técnicos e chegando aos médicos.
Mas não é verdade que em todas as situações se fique melhor servido num SA com boa imagem ou num privado do que num hospital público, mas a ideia que passa pode ser essa simplesmente pela forma como se é recebido.
Entrar num hospital e ver um porteiro bem vestido, com ar limpo, que nos abre a porta e nos pergunta delicadamente se nos pode ajudar, é diferente de entrar num outro onde um porteiro de ar suado e alucinado nos atira aos gritos um “psst psst, eh eh onde raio pensa que vai?”. Também é diferente chegar a um guichet e ver uma funcionária na conversa mole ao telefone ou com a colega do lado enquanto a “bicha” cresce a olhos vistos e quando se digna a olhar para nós nos atira um “qu’é que quer,?”, ou nos olha em silêncio com um olhar reprovativo e acusador, do que chegar a um balcão aberto onde uma funcionária delicada nos diz “em que posso ajudar?”
E quando finalmente somos atendidos por um médico ao fim de 1, 2, 3 ... 7 horas de espera desconfortável e, muitas vezes, angustiada e nos atiram de lado e por entre dentes “então?”, “dispa-se” e olhamos para as 10 pessoas despidas e vestidas ao lado, com as portas a abrir e a fechar e com pessoas a passar, ou mesmo sem porta alguma, sentimo-nos humilhados, revoltados e tratados como gado, como se não fossemos nada. É diferente quando após uma espera somos recebidos num gabinete por um médico que se levanta nos estende a mão e nos diz “ desculpe este tempo de espera, mas isto hoje está mesmo complicado, diga-me o que se passa consigo?” ... todas as queixas que congeminámos enquanto esperávamos caem por terra e muita da insegurança se suaviza.
Mas mais uma vez reafirmo que isto não significa obrigatoriamente que o serviço médico prestado seja melhor no seu conjunto, significa que no aspecto particular do acolhimento, a forma como ele se processa, facilita muito o sentimento de segurança ou de maior insegurança de quem se vê na necessidade de recorrer aos hospitais.
Quanto à segunda questão – a dos hábitos enraizados e os comportamentos de risco – é verdade que os microbiologistas começaram a embirrar com as gravatas ...
"O problema é que, os microbiologistas, embirraram com as gravatas:
Pois bem. Chegou a altura de lançar um alerta, relativamente ao uso de gravatas. Um estudo recente, apresentado num congresso de microbiologia nos USA, demonstrou que, as gravatas dos médicos, são um poderoso agente potenciador do cruzamento da infecção hospitalar, pelo elevado número de bactérias de que são portadoras. Não sabemos se, o referido estudo, efectuou exames analíticos a outras peças de vestuário do pessoal hospitalar. Sabemos que, a maioria do pessoal hospitalar, não troca de farda todos os dias e que vai tomar as suas refeições ao refeitório ou à cafetaria sem trocar a bata com que atende os doentes.”(in SaudeSA)
Se é verdade que esta conduta tem de ser combatida porque põe em risco a saúde dos utentes e do próprio pessoal dos hospitais, também é verdade que este discurso e preocupações vindos das novas administrações dos SA soam a “tapar o sol com a peneira” porque sabemos que andam a poupar nas luvas cirúrgicas comprando as mais baratas que se rompem facilmente por exemplo, que cortaram na compra de desinfectantes fundamentais e eficientes e nos serviços e materiais de limpeza.
Sem dúvida que uma coisa não anula a outra, mas a autoridade de um discurso que apela a mudanças advém da concordância entre o discurso e a prática de quem faz esse apelo.
Assim, porque não poderei pensar que isto é apenas uma manobra para responsabilizar os médicos e outro pessoal de saúde pelos resultados dos cortes em áreas essenciais?
De certa forma, este é o mesmo tipo de questão que levantei em relação à “Operação conforto”.
Hoje em dia vivemos demasiado das aparências e pouco das pequenas verdades concretas. Isso pode ver-se, por exemplo, quando muda um quadro superior na função pública: a primeira coisa que faz é decorar o gabinete e perguntar pelo ano do carro que lhe vai ser atribuído.
Podemos e devemos melhorar e humanizar o acolhimento nos serviços de saúde sejam eles públicos, SA ou privados, mas acima de tudo não devemos servir-nos do aspecto exterior das coisas para prestar um mau serviço de saúde.
Também podemos e devemos exigir que se corrijam comportamentos de risco dentro das instituições de saúde, exigir que se mudem hábitos através da definição de regras de conduta objectivas e passíveis de serem avaliadas, de fazerem parte quer da avaliação individual, quer colectiva dos serviços mas, por outro lado, também devemos exigir que sejam dadas todas as condições para garantir um eficaz combate à infecção hospitalar, que sejam disponibilizados materiais de reconhecida qualidade e eficácia.
Parece-me evidente que esconder as poupanças dos SA, impondo uma visão de aparente controle “das batas limpas sem gravata”, não resolve o problema, apenas esconde e, como se sabe, “varrer a porcaria para baixo do tapete” não é promover uma conduta de verdadeira qualidade dos serviços.
Quanto aos privados a conversa é outra. A verdade é que ninguém controla o que se passa entre portas, não existem entidades independentes que procedam a uma avaliação rigorosa e isenta de todos os prestadores de saúde privados no nosso país.
Comentários: Saúde: a questão da boa imagem
2. - O nosso sistema de saúde é um dos melhores do mundo como tem referido(12.º).
Apesar de tudo, padece de algumas disfunções.
Uma das principais é a falta de humanização.
Para esta te^m contribuído de forma decisiva o mau estado das instalações e obsolescência de alguns equipamentos.
Resultado do eterno problema da falta de investimento.
3. - Trabalho nos hospitais há largos anos.
O estado degradado das instalações foi, desde sempre, uma das principais limitações à obtenção de uma boa "performance" de gestão.
O levantamento agora efectuado pelo Ministério da Saúde estava prometido há muitos anos.
O marketing do ministério apresenta-o como a mais recente descoberta da gestão hospitalar.
O importante, relativamente a este ponto, é haver verbas de investimento para a realização das obras e das reparações necessárias.
4. -O ponto que, o Gin, aborda no seu "post", diz respeito à humanização dos cuidados de saúde.
A humanização dos cuidados envolve muitos aspectos:
- Instalações adequados e em bom estado de conservação.
- Pessoal técnico habilitado, com preparação para lidar com os utentes, cidadãos que passam por uma fase difícil das suas vidas e que, por conseguinte, requerem uma abordagem muito técnica e especializada.
A apresentação do pessoal é uma componente do atendimento social dos utentes.
Pessoal devidamente fardado, identificado, com perfil e formação adequada para lidar com os utentes.
5. - Concluindo:
A boa prestação de cuidados avalia-se em função das várias componentes que a integram:
acessibilidade, equidade, qualidade e segurança.
No entanto, o cerne da prestação de cuidados de saúde está na efectuação de um correcto diagnóstico, indicação das terapêuticas adequadas e acompanhamento rigoroso da recuperação dos doentes.
Este trabalho é efectuado por equipas pluridisciplinares - administradores, médicos, técnicios, enfermeiros e auxiliares - que no SNS são dos melhores do mundo.
Não estou a exagerar.
Penso que, o sistema de saúde português é dos sectores de actividade melhor apetrechados do ponto de vista técnico e científico.
Tem faltado o resto: falta de investimento (instalações e equipamentos) e aperfeiçoamento do pessoal hospitalar na técnica de relações humanas.
6. -A actual reforma está a ser conduzida essencialmente com o objectivo de ~satisfazer os interesses dos operadores privados.
è uma reforma de cariz eminentemente político.
è a obsessão cega de privatizar, como dizia o professor Santana Castilho no seu brilhante artigo.
Cumprimentos.
Xavier
Publicado por agineotonico às 04:11 PM | Comentários (2)
junho 03, 2004
Operação Conforto
Depois da nomeação de muitos administradores hospitalares (admito a possibilidade de existência de excepções) sem qualquer capacidade de gestão nesta área e de incentivar os Hospitais SA a procederem a cortes aleatórios nas despesas, teve o Sr. Ministro que gastar dinheiro para encomendar um estudo que teria que concluir o óbvio e já denunciado por muitos pacientes e trabalhadores de saúde: problemas graves de falta de limpeza e segurança e necessidade de melhorar o conforto dos utentes.
“O Programa Conforto visa melhorar as infra-estruturas dos hospitais SA, aumentando os níveis de conforto, informação disponível, satisfação e segurança. Cada hospital deverá agora elaborar um plano de acção orientado para a remodelação e humanização de espaços, de forma a serem criadas as condições físicas para um aumento da qualidade do serviço prestado, da motivação dos profissionais e da satisfação e confiança dos utentes.”
De qualquer forma deixo duas ordens de perguntas no ar:
1º - Porque razão esta preocupação e disponibilização de verbas para os SA e se esquece as necessidades dos poucos hospitais públicos que restam? Será que os Hospitais Públicos são extremamente confortáveis e têm todas as condições, estão inseridos em belos espaços verdes com bem projectados parques de estacionamento, com salas de espera arejadas e serviço de bar? Ou será que nos encaminhamos para a conclusão que os privados serão a única possibilidade para resolver os problema destes hospitais SA? Ou ainda, que os privados só lhes pegam se primeiro o Estado os meter com condições mínimas?
2º - Está o governo apenas a recorrer a mais uma bandeira para o período de campanha eleitoral? A necessidade de financiamento prioritário destes hospitais é nestas áreas de forma a que se justifique um estudo e um financiamento a elas delimitado? Não têm estes hospitais outros problemas graves de funcionamento que requeriam ser analisados e financiados?
Na verdade, considero de extrema importância que se proceda a melhorias nas áreas abrangidas por este estudo, mas um post no SaudeSA sobre - Boa apresentação reforça a imagem da SA – fez-me ficar a matutar ...
CONTINUE A LER
Publicado por agineotonico às 11:41 PM | Comentários (3)
junho 02, 2004
Saúde e a questão da igualdade
A questão da igualdade tem a ver com o direito de todo o cidadão ter os seus interesses igualmente considerados no processo de tomada de decisão.
Colocada a questão nestes termos, parece claro que a igualdade política não remete linearmente para a igualdade normativa. Em períodos de crise económica, quando o dinheiro disponível não é suficiente para ceder gratuitamente a todos os cidadãos bens sociais de primeira necessidade, onde se enquadram os da saúde, é necessário discutir como suprir a falta de meios da forma mais justa possível, de forma a não aprofundar as desigualdades já existentes e a não gerar novas desigualdades.
Mas o que se vem a assistir, com as reformas introduzidas na saúde, é exactamente ao aprofundar e alastrar a um maior número de pessoas o tratamento desigual.
O incentivo aos Hospitais SA para privilegiarem os convencionados e os seguros e as parcerias público/privado, abrem caminho para os programas de saúde compensatórios (já referidos por vários ministros) que serão disponibilizados pelos hospitais públicos que sofrerão um forte desinvestimento.
Isto é uma alteração de fundo nos direitos de cidadania.
Na verdade, o modelo levado à prática por este governo, ao fazer prevalecer a relação entre benefícios sociais e responsabilidades cívicas (o utilizador/pagador, o cliente do hospital e não o utente), move o campo dos direitos para o da responsabilidade individual. Como se a sociedade no seu todo não fosse responsável pelas franjas de pobreza contínua. Assim, este modelo ao enfatizar a vínculação dos direitos sociais ao mercado, propagandeia o direito de autonomia dos cidadãos, apregoa a sua condição de consumidor com direito a escolher entre serviços diversos, o que na nossa realidade social não corresponde à realidade.
Mas o que é grave é que não se trata, como se pretende fazer crer, de direito a uma escolha real, mas sim a uma “escolha orientada” segundo a capacidade económica de cada um. Estão a criar-se “as escolhas” para sujeitos sociais com diferentes graus de posição no mercado.
Se é verdade que neste início do processo de diferenciação no acesso à saúde ainda não nos apercebemos bem para onde nos leva esta reforma, porque ainda se mantém uma camada intermédia que, mesmo já não tendo acesso aos bens mais dispendiosos, ainda consegue alguma resposta de qualidade dos serviços de saúde, é verdade também que esta mesma classe tende a perder privilégios pelas sucessivas penalizações nos convencionados e nos seguros. Por exemplo a ADSE deixou de comparticipar em alguns dos meios de diagnósticos mais dispendiosos, colocando desde logo a primeira clivagem – ou se tem dinheiro e se acede pelos próprios meios a esses bens, ou não se tem dinheiro e esses meios não estão disponíveis.
Por outro lado, o mercado começa a ser invadido pelas grandes companhias de seguros. Os seguros de saúde terão preços altíssimos e dividir-se-ão “em pacotes de acesso”, isto é, cada um comprará o pacote para o qual tiver capacidade financeira e esse pacote determina os meios a que poderá aceder. Por outro lado, as companhias de seguros, enquanto instituições privadas, podem cessar os acordos estabelecidos sempre que o desejarem, coisa que o serviço público não pode fazer.
Teremos então “as escolhas” que podemos fazer:
- os hospitais públicos sem investimento (estilo asilo como na sua origem) com uma política de programas compensatórios mínimos para as franjas tradicionais de pobreza e para as populações recentemente excluídas do mercado de trabalho que deixarão de ser considerados cidadãos/pessoas;
- os Hospitais SA e as PPP que visam uma população com capacidade económica média, os convencionados e os segurados de “pacote médio” e que terão acesso aos serviços e bens em função das suas capacidades de compra;
- os privados para as classes com grande capacidade económica e para os grandes seguros de saúde que terão acesso a todos os bens disponíveis.
Esta é a leitura do conceito de equidade do actual governo.
Publicado por agineotonico às 06:49 PM | Comentários (6)
Saúde e Gestão de dinheiro público
Como já referi num outro post, restringir a questão da justiça social e democratização (neste caso) da saúde a parâmetros meramente quantitativos – custo/efectividade, avaliação /perfil do gasto, etc – não é de todo inocente.
O abandono da discussão em torno da dimensão política das reformas na saúde, da articulação entre política, saúde e democracia, este privilegiar dos aspectos mais pragmáticos como o da implementação/regulamentação, planeamento/avaliação, em detrimento da dimensão da desigualdade no acesso à saúde e esta desigualdade como factor de agravamento da exclusão social, tão pouco é fruto da inocência dos governantes.
Sem querer referir, neste post, a ideologia subjacente a estas reformas e a forte influência globalizante que determina este trajecto de destruição dos sistemas de solidariedade social públicos, de entre estes, o Sistema Nacional de Saúde, gostaria de referir um aspecto que me parece importante e que se relaciona com a democracia.
Este governo está a introduzir profundas alterações no nosso SNS, está a tornar este sistema mais discriminatório e exclusivo utilizando dinheiros públicos.
A postura arrogante que o poder assume face à alocação de recursos parece esquecer que está a gerir dinheiro público, dinheiro que todos nós cidadãos disponibilizamos através dos impostos para garantir um acesso igualitário à saúde.
Nesta perspectiva, qualquer mudança que se insira nesta área e que tenha como consequência uma maior desigualdade entre os cidadãos, deveria ser alvo de uma ampla discussão política e de consensos sobre as opções da distribuição desses mesmos recursos públicos por parte do governo. Nesta discussão deveriam ser ouvidos todos os parceiros, por forma a garantir que todos os cidadãos estariam representados. Por outro lado, a dimensão política das opções nesta área deveria, obrigatoriamente, versar sobre a democracia, a contribuição solidária e a desigualdade.
Ao invés, o governo através do seu Ministério da Saúde, utiliza dinheiro público para financiar os privados enquanto aprofunda e aumenta o fosso das desigualdades sociais.
A premência de repensar como suprir as necessidades de financiamento do sistema de saúde público, ou a opção de criar parcerias que não gerem desigualdade, já que não é das fortunas pessoais dos governantes que saem estes meios, implica, como disse, discutir os conceitos democráticos da igualdade e da contribuição solidária.
Por isso, por muito que se tente explicar a introdução do termo equidade para substituir o conceito de igualdade, essa substituição não passa de pura falácia que visa esconder o verdadeiro objectivo que é a privatização da saúde.
Basta ver algumas medidas que têm sido tomadas para se perceber que o que neste momento se “oferece” aos privados é uma forma de financiamento escondido.
De facto, o ex-PECLEC (Programa especial de combate às listas de espera cirúrgicas) que faliu e mudou de nome para SIGIC (Sistema integrado de gestão de inscritos para cirurgia) foi aberto aos privados dizendo-se que seria fundamental para resolver o problema das listas de espera cirúrgicas. O que não foi dito claramente, é que as cirurgias que lhes foram atribuídas são as de menor custo e maior ganho, como por exemplo as varizes. Por outro lado, os contrato-programa com os hospitais, que definem o seu financiamento, estabelece a penalização para os hospitais que aumentem a sua produção em mais de 10%. Ora como os hospitais púbicos não fazem selecção adversa, fácil será de perceber que as cirurgias que realizam são as mais complexas e as de maior custo, que os SA tendem a fazer selecção adversa para mostrarem resultados positivos e privilegiam os convencionados e os seguros e, assim, os privados recebem no colo o brinde do governo que os representa.
Publicado por agineotonico às 05:41 PM | Comentários (1)
maio 31, 2004
Uma boa razão para fumar
O fumaça do cigarro, o fator mais assinalado em relação ao câncer pulmonar e a outros males vasculares periféricos, paradoxalmente ajuda a manter abertas as veias depois de uma intervenção para eliminar coágulos nas pernas.
De acordo com o estudo, os fumantes que persistiram no vício depois de uma angioplastia tiveram uma menor incidência de restenose, ou seja, de estreitamento arterial, que os não fumantes.
Publicado por agineotonico às 10:57 PM
Informação crítica
Críticas às políticas do Governo Bush, destacando-se entre elas a disposição de colocar as preocupações políticas acima da prática segura da saúde pública, aos níveis tanto nacional como internacional.
Uma página com relatos da interferência do Governo Bush na ciência e na pesquisa. Analisa uma ampla série de assuntos, inclusive a "educação baseada apenas na abstinência", uso de preservativos, saúde reprodutiva, HIV/AIDS, cancro da mama, pesquisa sobre as células-tronco (stem cells) e política de educação.
Publicado por agineotonico às 10:41 PM
maio 30, 2004
Correio do Leitor
O corporativismo é de facto um fenómeno difícil de combater, vide o que se passa em Lagos.
Penso que qualquer pessoa lúcida já percebeu que a responsável pelas mortes é a médica anestesista e que a Ordem só está a tentar explicar o inexplicável porque o Dr. Pedro Nunes quer votos para se candidatar a bastonário.
Diremos que estamos perante a Ordem a funcionar no seu melhor.
O problema em Portugal não é os médicos cometerem erros e os doentes morrerem ... ou terem complicações. Este fenómeno existe em todo o mundo, vide o que se passa nos USA. O problema em Portugal é ser considerado um assassino ... melhor, ser de imediato acusado de homicídio como se o médico tivesse feito tudo por querer.
Em Portugal, e já que se caminha para sistemas semelhantes aos USA, o que eu em certa medida concordo, desde que seja mantida a acessibilidade para todos mesmo para os mais desfavorecidos socialmente. Também era bom que se caminhasse para um sistema de seguro médico eficaz, ou seja se houver qualquer problema não seja um caso de jornal mas sim um caso resolvido como são resolvidos os problemas de seguros dos carros.
Concordo inteiramente que uma discussão alargada destes temas nos media podia ser bom mas vai ser inviabilizada pela Ordem.
A Ordem é um antro de corporativismo ... há lembrança de algum médico acusado??
Só isto basta ... (assumir) sempre as ... responsabilidades ... é isso que falta na classe médica. Gente que tenha tomates e deixe de olhar tanto para os seus.
Ahh outra coisa que muito se fala hoje - de infecção hospitalar ... mas atenção aquilo do IPO existe em todos ...
(enviado por e-mail)
Publicado por agineotonico às 02:30 PM
SA para lá/SA para cá
Se fosse doença de morte era mais um caso
Publicado por agineotonico às 10:08 AM
maio 29, 2004
Saúde: Necessidade de massa crítica
No que diz respeito à necessidade de massa crítica relativamente ao que se está a passar no Sistema de Saúde, salientaria duas questões:
1) O Sistema Nacional de Saúde está sob fogo das políticas neoliberais deste governo que, como tem sido feito com praticamente todo o património do Estado, pretende a sua privatização. Os órgãos de comunicação social, e em particular os jornalistas, abdicaram do seu papel de fazer jornalismo crítico e dedicam-se ao entretenimento. Mas se estivermos atentos, podemos ver que a ideia que tem passado para a opinião pública não é assim tão inocente. A ideia que tem sido veiculada é a de que tudo o que de mal acontece na saúde é culpa dos médicos. Ontem dia 28 de Maio, num noticiário da noite de uma das TV, deram 3 notícias seguidas:
a) Médico na Madeira acusado de abuso sexual;
b) Médica anestesista e Director Clínico do Hospital de Lagos considerados culpados da morte de dois doentes;
c) Médico em Évora explora colegas.
Não acho que qualquer destes casos deva ser escondido da opinião pública, mas questiono o tempo de antena dado às partes para exporem as suas opiniões, o permanente aparecimento de notícias sobre actos particulares de alguns médicos e, principalmente, questiono o facto destes três casos serem colocados de forma a parecer que podem ser analisados em pé de igualdade. Pedro Nunes, também candidato a bastonário da Ordem, realça que o relatório feito pelo presidente do Colégio da Especialidade de Anestesiologia da OM, Carlos Guinot, concluiu que não havia erro médico. "É com demasiada leviandade que se passa por cima de um parecer médico para contentamento da populaça".
Tudo somado, a saúde está cada vez pior e a culpa é dos médicos.
2) A massa crítica, na minha opinião, dinamiza-se de duas formas:
a) por um lado, com uma relação mais humanizada com os doentes e com o fim da impunidade para os médicos que violem as regras a que estão obrigados, de forma a que um não seja tomado por toda a classe. Já aqui defendi que a impunidade dos médicos resulta do silêncio dos pares e da passividade da Ordem dos Médicos e que, por isso, são estes os principais responsáveis pela visão que a população tem da classe médica e pelo aproveitamento que desse facto faz o governo.
b) por outro lado, é necessário que os médicos assumam uma posição mais crítica e mais pensada e que reconheçam a necessidade de ser mais activos na discussão do que se passa na saúde. Os médicos escrevem pouco e as suas opiniões ficam “fechadas” dentro e entre a classe. O colocar a discussão “na rua” põe em confronto as posições dos “de dentro” (médicos e outro pessoal de saúde) com as posições “dos de fora” (a generalidade da população). Estas posições são necessariamente diferentes, mas não inconciliáveis. Para lá do que parece incompreensível para cada um dos lados, porque se está a fazer a leitura das situações de perspectivas diferentes, no fundamental é possível encontrar plataformas de entendimento.
Porque não um “Jornal de Medicina OnLine” dinamizado pela Ordem, onde os cidadãos pudessem intervir com as suas opiniões?
Porque não utilizar a net como um dinamizador da discussão sobre o que se passa na saúde, direccionada, pelo menos, a uma camada da população que a ela tem acesso?
Porque não mostrar os exemplos que se conhecem do que se passa nos países que optaram pela via que segue este governo e o que se passa em países que mantêm a saúde como Serviço Público e que são pautados pela excelência?
GIN
Publicado por agineotonico às 11:44 PM
Saúde: questionando o conceito de Gestão Empresarial
Este blog aqui tem vindo a "postar" uma série de questões relacionadas com o Sistema de Saúde.
É um blog que vale a pena seguir ...
As minhas leituras por lá, levaram-me a uma série de reflexões que vou passar a postar aqui na esperança que a SaudeSA se decida a permitir colocar comentários.
Implementar um sistema de gestão empresarial nas instituições de prestação de saúde é uma ideia correcta, desde que se acrescente “lógica de gestão empresarial de saúde pública”. Ou seja, a rentabilização dos recursos e o controle do desperdício nos hospitais e outros serviços de saúde pública é uma exigência tão natural como em qualquer outro serviço seja ele público ou privado, e relaciona-se directamente com os critérios de qualidade.
O problema é quando com o argumento faccioso de que “tudo o que é público é mau” e “tudo o que é privado é bom” se visa a privatização da saúde.
Na verdade, chamo a atenção que o “nosso mau serviço nacional de saúde pública”, se expressa na obtenção do 12º lugar dos melhores “Serviço Nacional de Saúde” do mundo ... gostaria de saber que lugar vamos ocupar depois dos imensos estragos que este governo “neocon” tem vindo a fazer.
O problema da gestão pública hospitalar é o mesmo que enformam todos os serviços públicos: a direcção é entregue como forma de pagamento político e não como resultado de uma avaliação das capacidades e saberes reais de gestão na área específica para que se foi nomeado ... basta ver aquilo a que nos habituámos chamar como “a dança das cadeiras”, onde uma mesma pessoa passa como responsável por áreas completamente diferentes (polivalência dos políticos, mas não tanta, bolas). Também é simples verificar, nas notícias que têm vindo a público, onde os políticos/futuros Ministros, Secretários de Estado, Directores Gerais, Presidentes de Institutos, etc., “fazem escola” ... nas Jotas.
Ora nas jotas não se faz escola de gestão de empresas e, assim, a qualidade técnica necessária para executar esse trabalho de gestão é substituída pela capacidade de saber dizer o “sim acrítico” a quem o nomeou e por uma gestão da promoção pessoal nos corredores da politiqueirice.
Por muito que o Ministro da Saúde e o governo afirmem (viciando os dados) que há grandes melhorias na saúde com a introdução da empresarialização, a verdade é que o serviço de saúde está pior, mais exclusivo, com conflitos internos graves e indefinições que o colocam à beira da ruptura.
Na minha opinião, todos temos sido permeáveis a este conceito de “gestão empresarial” que, como disse, é correcto, mas na verdade o sentido dado pelo poder político não é o mesmo que eu lhe atribuo. A única coisa que o poder político “neocon” quis e está a conseguir é, à revelia da nossa Constituição da República, implementar reformas discriminatórias e exclusivas no acesso e usufruto dos bens disponíveis na saúde para todos os cidadãos. Era impensável colocar os hospitais públicos a dar preferência aos convencionados e aos privados, estão aí os SA para o fazer; era impensável os hospitais públicos fazerem selecção adversa, estão aí os SA para o fazer; era impensável negar o direito a medicação dispendiosa que tradicionalmente os hospitais públicos cediam, estão aí os SA para o fazer; era impensável tirar todos os direitos de carreira aos médicos e dividi-los como classe, estão aí os SA para o fazer; a lista é imensa ...
GIN
Publicado por agineotonico às 10:26 PM
maio 24, 2004
Doente Estatístico
Rui Nunes, Presidente da Entidade Reguladora da Saúde, parece ter ideias claras quanto ao papel deste organismo. Se, por um lado, avisa o governo que as reformas a introduzir na saúde só são possíveis com a colaboração dos profissionais da área, por outro, diz que os médicos têm de perceber o “conceito custo-oportunidade” e que espera que quando fizerem a revisão do seu código deontológico o alterem introduzindo o “conceito responsabilidade social”.
A necessidade desta alteração advém do facto, diz Rui Nunes, de “a ética e cultura médica tradicionais foram sempre no sentido de fazer o melhor possível pelos doentes em termos reais. Há esta confrontação de valores e temos que encontrar aqui um mecanismo de resolver o problema que não seja anárquico. Os médicos têm que se capacitar que a sua responsabilidade principal é o doente, mas também tem responsabilidades para com a sociedade, o colectivo, o doente estatístico.”
Publicado por agineotonico às 10:35 AM | Comentários (6)
maio 18, 2004
Africa, AIDS Groups Blast Bush Plan
Africa and AIDS activists are assailing the proposal not only as a new attempt to delay the delivery of desperately needed, low-cost generic drugs to needy AIDS victims in Africa and the Caribbean, but also as an effort to undermine the World Health Organisation's (WHO) own expedited approval process which has already authorized the use of generics by the World Bank, the UN Children's Fund (UNICEF, and the Global Fund to Fight AIDS, Tuberculosis and Malaria.
...
Critics also charged that the administration's new FDA program appeared designed to give U.S. and western pharmaceutical companies a leg up on their competitors in developing countries whose generic drugs generally cost far less than their brand-name equivalents manufactured by "Big Pharma."
At stake is hundreds of millions of dollars that are being allocated by the administration under its five-year, US$15-billion President's Emergency Plan for AIDS Relief (PEPFAR) to procure life-preserving anti-AIDS drugs for 14 African and Caribbean nations that are among the worst-affected by the global AIDS epidemic. AIDS is currently killing about three million people a year, or 8,000 - of whom about 6,000 are Africans - each day.
Public-health agencies and activists argue that the fastest, cheapest, and most efficient way to provide these drugs is buying fixed-dose combination (FDC) drugs, which combine drugs from multiple sources into single pills that are taken twice daily, produced by generic manufacturers in India, Brazil, and other developing countries, and which currently cost as little as $140 per person per year, or about one-fifth the cost of the same combination of drugs, which currently must be taken in the form of six pills a day, that is manufactured by brand-name companies.
Geneva-based WHO, which has its own review process to determine the safety and effectiveness of medicines, has already approved a number of FDCs produced by generic manufacturers, and activists say that assessment should be good enough for the U.S. government.
...
"Thompson says that the administration is expediting the approval process for generic and combination anti-retroviral drugs when in reality the U.S. government is telling African and Caribbean nations that they cannot use U.S. funds to buy cheaper and easier-to-use FDCs of anti-AIDS drugs that have already been approved by the WHO and accepted by governments throughout Africa and the Caribbean," Booker said.
...
But they also charged that Bush appears determined to protect Big Pharma from competition by the generic manufacturers and they pointed to announcements shortly after Thompson's by major U.S. and western drug companies that they intended to introduce FDCs as well as evidence that the administration is doing the companies' bidding
Activists said they believe the administration stalled the PEPFAR program so the brand-name pharmaceutical companies could play "catch up" to the generic manufacturers in developing their own FDCs. "The U.S., while appearing to finally find religion on this issue," said Health Global Access Project's (HealthGAP) Asia Russell, "continues to buy time to lock in countries and recipients into using only patented drugs. This decision will cost money, time, and lives," she added.
Publicado por agineotonico às 08:41 PM
maio 07, 2004
Neurónios dão música

"Um estudo da Universidade da Columbia, EUA, vem contrariar a visão tradicional de que o cérebro humano funciona de forma desorganizada. Segundo os investigadores, os neurónios trabalham organizadamente e criam melodias. Não emitem sons mas um padrão de descarga temporário que pode ser analisado como se fosse uma partítura"
(FOCUS 238)
Evidentemente que os referidos estudos não incidiram no cérebro de nenhum dos membros do governo português porque, estes, são muito respeitadores da visão tradicional e os padrões de descarga são contínuos.
GIN
Publicado por agineotonico às 12:03 AM
abril 29, 2004
Sempre disse que nunca pediria a demissão do ministro, mas há coisas inimagináveis
"Sempre disse que nunca pediria a demissão do ministro, mas há coisas inimagináveis que eu pensava impossíveis e em que a realidade é ultrapassada pela ficção", explicou Miguel Leão, justificando porque mudou de intenção.
"Não quero um doente com, por exemplo, um pé diabético tratado por alguém que não é médico. E este projecto permite-o. Tal como permite a esse alguém não médico pôr próteses, anestesiar pés, etc"
...
Porque está em causa a saúde dos doentes e não estando ainda definido o acto médico [que irá definir as competências exclusivas dos médicos e as que poderão ser praticadas por outros profissionais], a posição do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRN-OM) é a seguinte: ou o senhor ministro retira da sua agenda este projecto ou entendemos que só lhe resta demitir-se", afirma um comunicado.
"Até que o senhor ministro da Saúde demonstre formalmente que este projecto foi retirado da sua agenda ou se demita, o CRN-OM delibera suspender todas as suas relações com o Ministério da Saúde"
GIN
Publicado por agineotonico às 06:32 PM
Cientistas tentam ler o cérebro de eleitores norte-americanos

Muitos norte-americanos concordariam com a afirmação de que os cérebros de democratas e de republicanos funcionam de maneiras diferentes. Agora há dados científicos para sustentar essa ideia. Dois especialistas em neurologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) estão a usar equipamentos de ressonância magnética nuclear para estudar as reacções cerebrais de indivíduos a anúncios televisivos políticos.
Publicado por agineotonico às 12:37 PM
abril 26, 2004
"Espera Média"
Uma senhora deu entrada no Hospital do Montijo devido a uma queda que originou uma fractura grave do fémur. Depois de horas de espera foi transferida para a Unidade de Saúde do Barreiro para ser submetida a uma intervenção cirúrgica de urgência. Aí, nessa Unidade SA, foi-lhe dito que teria que esperar 8 dias pela intervenção porque tinha 14 doentes em lista de espera à sua frente. Senhora de sorte, com família que pediu a sua transferência para um Hospital privado, onde foi operada com urgência por cerca de 5000 euros.
Isto levou-me a pensar nos resultados apresentados pelo Ministro da Saúde sobre um ano de empresarialização dos hospitais e nas vozes críticas que acusam os SA de selecção adversa, isto é, de recusarem doentes de maior dificuldade e custo e de não ser muito clara a forma como conseguem apresentar resultados de redução “da espera média”.
Se já aqui (ACABOU-SE O APOIO) apresentei uma forma de apresentar um aumento no atendimento e redução na espera média das chamadas “sessões” (consultas), seria importante verificar o que se passa com as cirurgias.
É verdade que é difícil provar a acusação de selecção adversa, mas também é verdade que deveria ser criada uma Comissão Independente que permitisse esclarecer estas acusações de forma cabal.
Uma forma possível de verificar o que se passa seria, sem dúvida, uma análise das listas de espera. É que perante a apresentação de números que indiciam um decréscimo da “espera média” em relação às cirurgias, colocam-se algumas questões:
- houve de facto um aumento de eficiência e de produtividade através de uma gestão de recursos até agora sub aproveitados?
ou
- registou-se uma actividade de selecção de doentes tendo os casos mais graves sido desviados para outros hospitais?
ou
- estão a ser operados doentes da listas de espera que são menos graves e, por isso, não necessitam de tanto tempo de intervenção e de internamento, enquanto os casos mais graves estão a ficar em lista de espera?
Seria facilmente verificável se houve diminuição de entradas de doentes graves a necessitar de cirurgia nuns hospitais, relativamente ao que era esperado da análise de anos anteriores, porque isso teria que corresponder ou a um aumento de entrada desses doentes em outros hospitais, ou num aumento de óbitos. Permitiria, ainda, verificar se está a ser invertida a ordem das listas de espera, isto é, se se está a optar por operar primeiro doentes em situação menos grave do que outros, o que, como se sabe, não acontecia antes da empresarialização porque eram tratados primeiro os casos mais graves e urgentes, sendo deixados em lista de espera as situações menos graves ou que poderiam ser alvo de outro tipo de tratamento não cirúrgico.
Deveria esta Comissão Independente elaborar listas que comparassem, por complexidade decrescente, a “espera média” no número de doentes, no ano antes e os deste ano de empresarialização.
GIN
Publicado por agineotonico às 05:36 PM | Comentários (2)
abril 24, 2004
Dez euros por cada estagiário
O Instituto Superior de Saúde do Alto Ave, uma escola privada de ensino superior de enfermagem, sedeada na Póvoa de Lanhoso, informou que vai passar a efectuar os seus estágios curriculares em unidades hospitalares da Galiza, porque os hospitais SA portugueses começaram a cobrar à instituição uma taxa diária que ronda os dez euros por cada estagiário.
GIN
Publicado por agineotonico às 04:23 PM | Comentários (1)
abril 23, 2004
Professores e Médicos
"Professores e médicos com um nível de eficiência próximo do melhor, mas um desperdício elevado ao nível financeiro: este é o panorama encontrado em Portugal por dois economistas do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) quando analisaram os dados disponíveis para trinta países da OCDE.
...
em Portugal deveria ter sido possível, com 30% dos gastos efectuados em Educação, obter os mesmos níveis de sucesso escolar. Já na Saúde seria apenas necessário utilizar 63% dos recursos financeiros, para atingir os mesmos resultados em termos de esperança média de vida e taxa de mortalidade infantil.
...
afirma António Afonso, um dos autores, acrescentando que “é no entanto necessário rigor na interpretação dos resultados, uma vez que a eficiência de um país é medida contra um óptimo de eficiência que é teórico”
...
Considerando as horas de aulas e o número de professores por estudante, o nível de eficiência português (0,88) surge acima da média da UE alargada (0,84) e é ultrapassado apenas pela Finlândia, Suécia e Alemanha. Isto quer dizer que cada hora de aulas e cada professor ao serviço no sistema educativo português produz resultados próximos dos melhores da Europa. Na Saúde, o cenário é o mesmo. O parâmetro de eficiência para os recursos considerados “médicos, enfermeiros e camas de hospital” é de 0,84. Esta discrepância de resultados mostra que os países onde os recursos são mais caros (por exemplo o salário de um médico ou de um professor), são fortemente penalizados na análise de eficiência financeira."
GIN
Publicado por agineotonico às 05:40 PM | Comentários (1)
abril 17, 2004
Poluentes químicos podem estar a mudar o sexo dos peixes

A poluição nos rios pode estar a causar uma mudança de sexo nos peixes.
Um estudo realizado por investigadores franceses veio revelar que os poluentes químicos estão a agir como hormonas femininas, perturbando as funções endócrinas e conduzindo a uma feminização dos peixes.
Os cientistas chegaram à conclusão de que as substâncias químicas de determinados detergentes industriais, bem como hormonas e medicamentos que os peixes ingerem, estão a agir como hormonas femininas.
GIN
Publicado por agineotonico às 04:04 PM | Comentários (1)
abril 16, 2004
Governo fixa taxas moderadoras acima do limite legal
"Várias taxas moderadoras definidas recentemente em portaria do Ministério da Saúde são ilegais. São pelo menos 15 os casos irregulares e na sua maioria tratam-se de intervenções médicas prescritas com muita frequência. De facto, a partir de 13 de Setembro último, os preços cobrados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos utentes pela realização de exames tão comuns como análises ao colesterol, glucose (típico em diabéticos) ou ácido úrico (realizada na maioria das análises ao sangue e à urina) estão acima do valor permitido por lei. E estes não são os únicos exemplos ... Esta situação, que configura uma violação da lei, representa uma poupança de vários milhões de euros para o Ministério da Saúde, penalizando todos os utentes que, por opção ou impossibilidade financeira, recorram ao Serviço Nacional de Saúde."
GIN
Publicado por agineotonico às 10:59 PM
Urgência recusa grávida
O Hospital de Torres Novas, recusou assistência a uma grávida no Serviço de Urgências. A senhora foi dar à luz, à porta do Quartel dos Bombeiros Voluntários ... neste momento, mãe e bebé, estão no Hospital de Abrantes.
Não sei qual a justificação apresentada para esta recusa (se é que poderá haver alguma), mas a verdade é que vamos começar a assistir a esta situação nos Hospitais SA. É que os SA procedem à transferência de doentes que possam vir a exigir grandes cirurgias e/ou tempo prolongado de internamento para outros hospitais – assim, manda a política de redução de custos e quem paga as ambulâncias não são eles. Muitos doentes a necessitar de intervenção médica urgente vão morrer neste empurra.
Como não há fiscalização independente dos hospitais, os médicos vão servir de bode expiatório do governo, como já está a acontecer, e a população aplaude porque não entende o comportamento pouco ético de alguns médicos e vê neles os culpados de todas as situações.
GIN
Publicado por agineotonico às 08:01 PM
Um bom exemplo
"Como medida preventiva para travar o surto de pneumonia, a Direcção Geral de Saúde promoveu o afastamento do infantário, até à cura clínica, das crianças cujas análises deram resultado positivo, para tentar cortar a cadeia de transmissão da infecção ..."
E o Ministro da Segurança Social garante a reposição do ordenado que vai ser descontado, ao abrigo da nova lei, a estas famílias que se vêm na necessidade de recorrer à baixa de curta duração?
Este é apenas um bom exemplo de como esta nova lei pode vir a ter repercussões graves na saúde pública e, em particular, na das crianças pequenas. Muitas destas famílias têm escassos recursos e condições de trabalho complexas e, por isso, tenderão a ignorar o estado de saúde dos seus filhos, a medicá-los para baixar a febre e a ir colocá-los nos infantários.
GIN
Publicado por agineotonico às 07:46 PM
Desconheço o autor deste artigo
A discussão acerca do número de médicos e enfermeiros necessários para assegurar os cuidados adequados aos doentes tem sido alvo de longas e por vezes estéreis discussões. De um lado estão os que trabalham directamente com os doentes defendendo maior dotação para melhor tratamento e do outro os gestores argumentando com os custos elevados dessa filosofia. Ainda está por encontrar de forma definitiva e consensual os rácios certos. Numa época de grandes mudanças de filosofia de gestão hospitalar em Portugal e de repetidos apelos à contenção de custos na saúde, importa analisar 2 artigos saídos no final do ano transacto no JAMA. Ambos abordam o tema da dotação de pessoal, quer de médicos quer de enfermeiros, na prestação de cuidados em diferentes áreas hospitalares.
Estes 2 trabalhos levantam diversas questões pertinentes.
A realidade da estrutura operacional das UCIs dos EUA é muito diferente das europeias. Estima-se que apenas 10% das UCIs norte-americanas tenham médico intensivista disponível em permanência, ao passo que na Europa em geral, e em Portugal em particular, mais de 80% das UCIs têm médico residente. Os resultados deste estudo confirmam outros já anteriormente publicados em que se demonstra que a presença permanente de um intensivista numa UCI diminui de forma significativa a mortalidade assim como o tempo de internamento [3-5]. Por tudo isto, e parafraseando Malcom Fisher, as UCIs “abertas” devem ser rapidamente encerradas. Doutra forma estamos a prestar aos doentes uma medicina de 2ª qualidade, que deverá ser considerada má prática médica.
Outro aspecto pouco claro no artigo prende-se com o que os autores consideraram intensivistas assim como a sua diferenciação. Ao falarmos de intensivista temos de pensar em 3 vertentes: 1) a formação específica e organizada, 2) a carreira estruturada que defina diferentes níveis de diferenciação técnico-profissional e 3) o regime de trabalho (preferencialmente em dedicação exclusiva). A realidade europeia é muito diversa. Em Portugal estamos numa fase de mudança em direcção ao reconhecimento pela parte do Ministério da Saúde da existência de sub-especialistas em Medicina Intensiva. Mas ainda muito está por fazer.
O segundo artigo, apesar de não ter sido realizado em UCIs, levanta o eterno problema relação doente-enfermeiro. O que fica demonstrado é que à medida que o número de doentes atribuídos a um enfermeiro aumenta observa-se um aumento paralelo da mortalidade. Neste aspecto em Portugal estamos razoavelmente bem nas UCIs com rácios doente-enfermeiro entre 2:1 e 3:1. No entanto, nas enfermarias a situação é completamente diferente, sendo nalguns hospitais de quase ruptura. Não é raro encontrar serviços de Medicina e Cirurgia com 2 enfermeiros no turno da noite para 25 ou mais doentes. Estes números dispensam qualquer comentário.
Em conclusão, estes trabalhos servem para demonstrar que a organização e dotação em pessoal, quer de médicos quer de enfermeiros, influencia de forma significativa a mortalidade dos doentes não só de cuidados intensivos mas também de enfermaria. A saúde é cara e os recursos não são inesgotáveis pelo que devem ser usados racionalmente. Contudo a sociedade tem que saber que preço está disposta a pagar pela sua saúde e os gestores dos nossos hospitais devem estar avisados do impacto que certas medidas de contenção de custos podem acarretar em termos assistenciais.
Nota final – O Serviço Nacional de Saúde Português apesar dos recursos físicos limitados, de alguma desorganização e descoordenação, das listas de espera, da falta de recursos humanos, etc., está em 12º lugar do ranking mundial da OMS (health system performance)
(http://www.who.int/whr2001/2001/archives/2000/en/pdf/
StatisticalAnnex.pdf pág 12) que engloba mais de 190 países, colocando o nosso SNS entre os melhores do mundo.
GIN
Publicado por agineotonico às 02:59 PM | Comentários (1)
As jogadas dos números do Ministério da Saúde
"De acordo com dados do Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde, a que o JN teve acesso, as ARS de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte foram responsáveis por dois terços do total das despesas, calculado em 3256 milhões."
Esqueceram-se de informar os leitores que o ministro da saúde transferiu para as ARS as dívidas dos medicamentos do Hospitais SA.
Assim, é fácil de provar que as privatizações são menos dispendiosas, quando estudos em diversos países demonstram exactamente o contrário.
O presidente da Unidade de Missão dos Hospitais SA, José Mendes Ribeiro, afirmou esta segunda-feira que o facto de não ter incluído os custos dos medicamentos nas despesas daquelas unidades é «o modelo de comparticipação normal dos medicamentos». Mendes Ribeiro acrescentou ainda que «os hospitais não têm que suportar o custo dos medicamentos que são prescritos na consulta externa dos hospitais.
GIN
Publicado por agineotonico às 12:02 AM
abril 12, 2004
Infecção hospitalar
Os primeiros hospitais eram considerados insalubres e a sua população estava restringida a inválidos e excluídos, onde era prestada uma assistência mais humanitária que científica.
O desenvolvimento da microbiologia que permite comprovar a etiologia microbiana das doenças infecciosas e, principalmente, o desenvolvimento do controle de infecção hospitalar, estão na origem dos hospitais modernos, finalmente considerados seguros para o exercício profissional de clínicos, cirurgiões, enfermeiros entre outros, que podem congregar esforços para a recuperação da saúde humana.
Se anteriormente os microorganismos venciam em decorrência da precariedade do atendimento e dos escassos recursos, hoje proliferam, muitas vezes, em consequência da crescente sofisticação e com custos cada vez mais elevados.
A grande maioria das infecções hospitalares têm origem endógena (são processos infecciosos adquiridos no ambiente hospitalar), elas ocorrem fundamentalmente devido ao desequilíbrio entre flora microbiana normal de um doente e seus mecanismos de defesa (microbiota). Esse desequilíbrio é provocado por determinadas doenças responsáveis pela hospitalização, a que se juntam a utilização de procedimentos invasivos que constituem “portas de entrada” de microrganismos e a pressão selectiva a favor dos germes resistentes, exercida pelos antibióticos.
A infecção exógena é limitada pela pequena capacidade que estes microrganismos apresentam de sobrevivência no meio ambiente, na ausência de matéria orgânica que favoreça a sua proliferação, principalmente sangue, secreções e excreções eliminados pelos pacientes. A transmissão cruzada de infecções ocorre, essencialmente, pelas mãos da equipe ou por artigos recentemente contaminados pelo paciente. É fácil de concluir que muitas, embora não todas, das infecções hospitalares são evitáveis.
É por estas razões que todos os hospitais têm, obrigatoriamente, Comissões de Controle de Infecção Hospitalar. Só que, a maioria das vezes, os membros que constituem estas comissões aceitam que o seu nome faça parte da comissão, mas não exercem qualquer função nesse sentido. Pode dizer-se que são mais uma comissão administrativamente formalizada porque é obrigatória.
Embora a ocorrência de um episódio de infecção hospitalar não signifique automaticamente falta de qualidade dos serviços, a qualidade dos serviços de apoio constituem uma importante condição para a prevenção e controle de infecção hospitalar. Resumidamente, a equipe que coordena as acções do controle de infecção hospitalar deve ter entre as suas principais atribuições: actualizar-se teoricamente sobre o tema, servindo de apoio científico-legal de toda comunidade hospitalar; avaliar todos os cuidados prestados directa ou indirectamente ao paciente a fim de se identificar problemas e apontar soluções; medir o risco de aquisição de infecção hospitalar, avaliando prioridades para o seu controle, auxiliando toda comunidade hospitalar na aplicação de recursos técnicos financeiros; verificar a necessidade de programas educativos e colaborar na sua execução e servir de intermediário das relações do hospital com as autoridades sanitárias.
A todas estas questões, juntam-se outras que assumem hoje outra dimensão: por um lado, com o envelhecimento da população, a nossa sociedade torna-se progressivamente menos resistente às infecções resultando num maior número de pacientes graves, em extremos de idade, com necessidade de cuidados assistenciais de qualidade e, por outro lado, as recentes vagas de privatização dos serviços de saúde, entram em conflito com a necessidade de despender verbas consideráveis na prevenção das infecções hospitalares.
Ainda muita tinta há-de correr sobre este assunto nos tempos mais próximos ...
GIN
Publicado por agineotonico às 11:02 PM | Comentários (2)
Tuberculose e Constituição
A directora clínica dos Hospital de Torres Vedras mais 60 profissionais de saúde vão apresentar, na Assembleia de República, um pedido de alteração da Constituição que permita internar compulsivamente os portadores de tuberculose que não cumpram os tratamentos.
O Bastonário da Ordem dos médicos chama a atenção, e bem, que uma medida deste tipo levanta questões éticas importantes.
Estranha-se uma iniciativa deste tipo porque, como se sabe, a maioria dos doentes portadores de tuberculose são toxicodependentes. Estranha-se, também, que não se comece por pedir medidas de prevenção mais eficazes, como parece ser a do rastreamento dos sem abrigo e dos emigrantes que constituem o 2º grande grupo portador de tuberculose. Quanto a estes últimos, a subnutrição, a falta de condições sanitárias, o desemprego, a depressão e o stress de viver como clandestino, são um meio favorável para o aparecimento e alastramento da doença e não me parece que o internamento compulsivo seja uma solução. Para este grupo, só medidas concretas de apoio social permitirá resolver ou, pelo menos, minorar o problema rapidamente.
Em relação aos toxicodependentes, sabe-se como resistem a abandonar a dependência e como reincidem, sabe-se os comportamentos de risco, sabe-se que são uma população de doentes que dificilmente serão levados a cumprir um tratamento com regularidade. Também se sabe, que quando dão entrada nos hospitais, estão em situação de saúde extremamente precária e de lá saem, ao fim de poucos dias, com a mesma precaridade porque os hospitais não têm camas, nem condições que permita mantê-los mais tempo. Assim, são postos na rua com a indicação de ir tomar a medicação/tuberculostáticos ao sítio X, porque a tomada é, obrigatoriamente, presencial. Os poucos que têm sorte, conseguem dormir um ou dois dias num centro de abrigo, onde se misturam diferentes grupos de risco e todos eles potenciais portadores de tuberculose: imigrantes, sem abrigo e toxicodependentes. Durante o dia e as restantes noites, voltam às ruas.
Parece-me, mais uma vez, que a solução dificilmente passará pelo internamento compulsivo porque a duração mínima de tratamento é de seis meses, ou então teremos mesmo os referidos "campos de concentração" de que falava o bastonário da Ordem dos Médicos.
A solução passa pela criação de comunidades terapeuticas e centros de acolhimento que disponibilizem acompanhamento médico e psicológico a estes doentes, que controlem a tomada de medicação e que desenvolva actividades de ocupação e de formação adequadas no sentido de conseguir a sua frequência regular.
Vir com a exigência de internamento compulsivo quando se desinveste no pouco que foi feito (como os centros de metadona, os centros de abrigo, os centros de dia, por exemplo) parece-me um verdadeiro absurdo porque não só é mais dispendioso, como tenho fortes dúvidas que viesse a resolver o problema.
Que a tuberculose, que tem vindo a alastrar no nosso país, é um grave problema de saúde pública, ninguém tem dúvidas e, por isso mesmo, exige um planeamento sério que vise uma redução rápida da sua crescente incindência. É necessário proceder ao rastreamento das populações de risco, definindo claramente os alvos imediatos da intervenção e os meios adequados para o fazer. Este trabalho, pela complexidade da população em causa, exige uma melhor articulação entre os serviços de saúde, entre estes e as parcerias como as IPSS, as Ongs no terreno, etc., e a disponibilização dos meios humanos e técnicos necessários.
GIN
Publicado por agineotonico às 06:29 PM | Comentários (3)
abril 11, 2004
Comentários aos dados do Ministro da Saúde
Diz o Minstro da Saúde: "balanço positivo de um ano de actividade"
"Nos 31 hospitais SA realizaram-se, em 2003, mais 319.281 consultas externas que no ano anterior, quando não tinham uma gestão empresarial. Fizeram mais 33.363 cirurgias, mais 50.123 sessões de hospital de dia, mais 18.508 altas de internamento e mais 26.949 casos de urgência."
Comentários dos leitores:
É bom para o zé, segundo a opinião dos governantes. Mas eles não vão para lá, a ministra da Justiça foi para o Brasil. Mas se por qualquer azar tiverem de ir a um Hospital SA, serão bem tratados de certeza e não haverá falta de material nem que tenha de vir urgentemente de avião da terra do tio Sam.
Duas cirurgias, alta após 24 horas. Pré operatório, partiu-se torneira do cateter. Anestesia raquial, já não há agulhas diâmetro x! Ainda há três! Menos de 72 horas depois à espera de consulta, de pé (eu e outros). Para bom entendedor!
O Sr. ministro da Saúde tem razão. No hospital do Barreiro, tem-se poupado a todos os níveis. No internamento, na alimentação, no material cirúrgico, etc.. Aumentou: na morgue, na alimentação intragável (o doente que não tiver possibilidades de comer, morre de fome, se por lapso médico for internado, nem tempo tem para se vestir, já estão a chamar a família para ir morrer em casa). Aumentou nos ordenados da "administração".
Ao menos matam-se melhor os doentes. Agora morrem em boa saúde.
Não sei muito de matemática, mas se não mudaram as condições nem se introduziu mais pessoal, tendo aumentado o número de atendimentos por pessoa, isto só significa que o rácio entre atendedores e atendidos aumentou, mais doentes para o mesmo pessoal, logo, parece-me, decresceu em qualidade. Se nos queixamos dos rácios médico/doente, enfermeiro/doente, etc.,dos mais baixos da Europa, vimos agora apresentar como vitória uma alteração em que aumenta esse rácio? OK, os números dão para tudo...
É perfeitamente inacreditável como ainda se continua a fazer, sem punição, contabilidade martelada em Portugal...
Acredito, principalmente no Amadora-Sintra, em que entramos para morrer, sejamos novos ou velhos. Tenho duas mortes na família em circunstãncias duvidosas no Amadora-Sintra.
O Estado vai rico e os pobres vão ficar mortos, para não chatearem o Estado!
(in Correio da Manhã)
GIN
Publicado por agineotonico às 05:53 PM | Comentários (3)
Cada um fantasia o seu mérito como pode
O ministro da saúde apresentou o “Relatório de actividades do ano 2003” dos Hospitais SA. Baralha números, selecciona apenas os dados que lhe dão jeito, põe de lado os que não convêm, apresenta uma caldeirada estatística facciosa e, por último, apresenta o Hospital Pulido Valente como um exemplo do sucesso. O Hospital Pulido Valente teve um aumento, em apenas um ano, de 62% nas cirurgias.
“Esqueceu-se” o Ministro de esclarecer que esse aumento do número de cirurgias se deveu a obras iniciadas antes da empresarialização e que criou duas novas salas de cirurgia ... não foi obra de magia, nem mérito das novas políticas de saúde. Foi habilitar os profissionais de saúde do Pulido Valente com os meios necessários.
Cada um fantasia o seu mérito como pode ... mas que o faça com seriedade, bolas ....
GIN
Publicado por agineotonico às 01:05 PM
abril 08, 2004
SNS - uma conquista do 25 de Abril
Cidadãos portadores de deficiência acusam ...
A confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD) manifestou-se desiludida com o programa de saúde actual e acusa os Hospitais SA de desumanização e rejeição do atendimento a pessoas portadoras de deficiência.
Aproveitando o Dia Mundial da Saúde e a proximidade do 30º aniversário do 25 de Abril, acusa o governo de estar a destruir o Sistema Nacional de Saúde que foi uma das mais importantes conquistas da revolução.
Segundo a (CNOD) esta é a "ocasião propícia para fazer o contraste entre o programa de saúde implementado na sequência da revolução e o programa de saúde posto em prática na actualidade" ... lamenta que actualmente se encerrem centros de saúde, se reduza o pessoal médico e paramédico, bem como as comparticipações de medicamentos e os transportes para pacientes, e acusa o Governo de desumanizar o atendimento às pessoas com deficiência, rejeitando-os nos hospitais S.A., e de desactivar os serviços de saúde mental e de reabilitação ... recorda que após a revolução de 25 de Abril de 1974 se "generalizou a toda a população o direito à saúde", nomeadamente com a criação de centros de saúde, a extensão de cuidados primários, o alargamento dos cuidados diferenciados a pessoas com deficiência, o crescimento da medicamentação gratuita e o melhoramento da rede hospitalar ... considera que a "saúde é hoje relegada para um plano secundário", promovendo-se a privatização e afastando os sectores mais desfavorecidos do direito à saúde. Reprovando "activa e firmemente" a permanente violação do direito "fundamental" à saúde ... reclamou o "cumprimento em Portugal do objectivo 'saúde para todos no ano 2000' definido pela Organização Mundial de Saúde"
(in Público)
GIN
Publicado por agineotonico às 09:00 PM | Comentários (1)
O Sangue-frio
Mexicana faz cesariana em si própria
"Uma mulher mexicana deu à luz um saudável rapaz depois de ter feito, em si própria, uma cesariana com uma faca de cozinha. Este é o primeiro caso do género conhecido em que tanto a mãe como o bebé sobreviveram. Com 40 anos, a mãe, que vive numa zona rural sem electricidade, água canalizada e esgotos, a oito horas de distância de um hospital, decidiu fazer a operação depois de não conseguir ter um parto natural. Já tinha perdido um filho devido a complicações durante o parto. O médico do hospital de San Pablo, que divulgou a notícia na revista internacional de Ginecologia e Obstetrícia, contou que a mulher tomou três copos de um forte licor, pegou na faca de cozinha e cortou o seu abdomen após três tentativas. O bebé nasceu respirando normalmente e gritando a plenos pulmões. Antes de perder os sentidos, a mãe pediu a um outro filho que chamasse a enfermeira local, que a coseu com uma agulha normal e linha de algodão. Mãe e filho foram depois transferidos para o hospital, noticiou a Reuters."
GIN
Publicado por agineotonico às 07:47 PM | Comentários (1)
Um outro olhar sobre os médicos e o Sistema de Saúde (2)
Algumas das coisas já referidas neste blog sobre o Sistema de Saúde e os médicos
Segundo parece, a estas e outras colocadas nos posts anteriores, pode juntar-se a substituição de anestésicos utilizados nas cirurgias por genéricos já referenciados como potencialmente perigosos mas que “são mais baratos”.
"Em que critérios se baseia a opção de seleccionar a entrada em medicina pela nota de disciplinas gerais, que pouco ou nada têm a ver com as aptidões de cada um para um, para o exercício de uma profissão? Quais os critérios, no caso concreto da medicina em que para além do necessário saber científico e técnico, necessita de dedicação, de espirito de sacrifício e de uma constante actualização que apenas se pode obter possuindo espírito crítico e uma boa dose de criatividade?"
...
"Mas o que faz ser bom ou mau cirurgião ... Um dom natural, uma característica genética?
Na maioria dos casos a dedicação, o conhecimento resultante do esforço de manter uma informação actualizada, um bom senso adquirido e a calma, a calma que se adquire quer na tentativa de uma vida pessoal e interior equilibrada, quer a calma necessária para viver a vida profissional dentro de sistemas muitas vezes complexos e conflituosos."
...
"O Sindicato dos Enfermeiros denunciou hoje que alguns hospitais-empresa estão a transferir doentes, numa triagem motivada por valores economicistas, devido aos custos dos tratamentos."
...
"Dizem outros médicos: “os doentes mais complicados e com internamentos que se prevêem longos, tendem a ser transferidos dos SA para outras unidades”. “O IPO, foi o último Hospital a assinar o contrato porque teve muitas dificuldades em ver nele incluídos os tratamentos mais caros, com é o caso da radioterapia”.
É também importante que os hospitais definam claramente a responsabilidade partilhada: muitos erros, acidentes e complicações são cometidos por falta ou inadequação dos meios de diagnóstico ou de tratamento, por inexistência de equipamentos específicos, por deficientes condições de trabalho, por atendimento de um número excessivo de doentes que faz com que não possam dedicar um período mais longo de observação (caso das urgências), enfim, por um conjunto de situações que não podem ser imputadas exclusivamente aos médicos. Nestes casos a responsabilidade tem de ser compartilhada com as administrações dos hospitais e, ainda, em certos casos com outras entidades – todos nos lembramos do sangue que contaminou com HIV os hemofílicos, ou dos hemodialisados de Évora."
...
"Jorge Mineiro, médico ortopedista, na sua tese de doutoramento conclui que 61,2% das mortes de feridos graves que dão entrada nas urgências dos hospitais podiam ser evitadas. Algumas das razões apresentadas para esta elevada taxa de mortalidade são a transferência inter-hospitalar dos feridos, o tempo de espera no atendimento, a falta de formação na área de trauma e a demora na intervenção dos diferentes especialistas."
...
"Maria José vive na Covilhã e tem um problema de coluna há vários anos. O médico que a atende no Hospital da Covilhã SA, diz-lhe que ela poderia ter também duas hérnias, mas para ter a certeza seria necessário fazer uma TAC, contudo não lhe receitou o exame. Esta é apenas mais uma das queixas que se torna comum ouvir relativamente ao atendimento nos Hospitais SA ... em causa está, também, a falta de fiscalização e controle dos objectivos a que estes hospitais se propõem."
...
"A forma descontrolada, pouco clara e desonesta como os grandes grupos privados estão a entrar na gestão da Saúde, está a destruir o 12º melhor Sistema de Saúde do Mundo – o nosso (classificação atribuída pela OMS). Quem o diz, é o social-democrata e Prof. José Manuel Silva (Ass. Graduado de Medicina Interna dos HUC), que juntamente com Jorge Roque Cunha (C.N. do PSD) e Miguel Leão (Pr. do CRN da Ordem dos Médicos) ...
J.M. Silva considera que:
1º - “A gestão privada piora a qualidade dos serviços”. Estudos realizados no Canadá, demonstram que há maior mortalidade nos hospitais geridos com fins lucrativos; nos EUA, estudos comparativos sobre a mortalidade dos insuficientes renais nos serviços de diálise com ou sem fins lucrativos, mostram que a mortalidade nas instituições com fins lucrativos é bastante superior (mais de 1200 a 4000 mortos prematuros).
2º - “A gestão privada dificulta o acesso dos cidadãos a cuidados de saúde de qualidade” ... os que não têm seguro, têm dificuldade de acesso aos serviços de saúde essenciais, recebem menos cuidados, menos medidas de prevenção e têm menos saúde que os segurados."
GIN
continue a ler
Publicado por agineotonico às 07:15 PM | Comentários (1)
Um outro olhar sobre os médicos e o Sistema de Saúde
Há muito que defendo que o espírito corporativo da Ordem dos Médicos (OM)a impede de ter uma actuação exemplar na fiscalização, avaliação e punição dos seus associados que cometem erros grosseiros.
Esta conivência da OM ao invés de benéfica, quer para a maioria dos médicos, quer para a população que a eles recorre, tem resultado numa opinião pública extremamente negativa da classe.
Sempre que a comunicação social relata uma ocorrência num hospital que tenha tido como consequência danos permanentes ou a morte de doentes, são poucos os que, não sendo médicos, acreditam que a culpa poderá não estar no médico.
Não querendo fazer de advogada do diabo, chamo a atenção para o que já foi dito neste blog sobre diferentes questões relativas ao Sistema Nacional de Saúde.
Agora que o Tónico (autor da maioria desses posts) já não se encontra entre nós, tentarei ir fazendo o levantamento de um conjunto de factores que considero importantes ter em conta na análise destas notícias vindas a público sempre com uma visão estreita e simplista.
Se o vou conseguir fazer?
Não sei, sinceramente .....
GIN
continue a ler
Publicado por agineotonico às 05:57 PM
março 28, 2004
O abraço solidário a João Tilly
SNS: como se deixa morrer um homem por falta de assistência
Não posso deixar de colocar aqui o testemunho de uma aberração ...
GIN
Publicado por agineotonico às 11:44 PM
dezembro 19, 2003
ERRO MÉDICO
No http://medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com/ fala-se do erro médico.
Concordo em absoluto com o que se escreve.
Contudo interrogo-me para quando um seguro médico capaz?
Quando haverá alguém que denuncie que o seguro que todos os médicos têm é aquilo que se pode chamar uma grande treta ...
Passo a explicar:
O seguro médico só é válido se for provada negligência.
Negligência é sempre difícil de provar mas o doente sofre com complicações inerentes ao tratamento.
Um doente operado à face, ou a um tumor da glândula parótida, por exemplo, pode sofrer um corte de um nervo e ficar desfigurado. O acto pode não ser negligência ... as variantes anatómicas são muitas e existe o risco inerente à patologia.
Serve isto para dizer que, por vezes, há muitas complicações que podem surgir no pré, intra ou pós-operatório que o seguro não prevê, não paga e não cobre, colocando o médico na difícil situação de resolver o problema com o doente, ou mais grave ainda, coloca os médicos na situação de não arriscarem tentar salvar os doentes em determinadas situações limite.
É também importante que os hospitais definam claramente a responsabilidade partilhada: muitos erros, acidentes e complicações são cometidos por falta ou inadequação dos meios de diagnóstico ou de tratamento, por inexistência de equipamentos específicos, por deficientes condições de trabalho, por atendimento de um número excessivo de doentes que faz com que não possam dedicar um período mais longo de observação (caso das urgências), enfim, por um conjunto de situações que não podem ser imputadas exclusivamente aos médicos.
Nestes casos a responsabilidade tem de ser compartilhada com as administrações dos hospitais e, ainda, em certos casos com outras entidades – todos nos lembramos do sangue que contaminou com HIV os hemofílicos, ou dos hemodialisados de Évora.
Parece ser conveniente que se clarifique, também, as responsabilidades individuais e colectivas quando se trabalha em equipa, de forma a saber a quem compete o quê, quem tem que ser responsabilizado individualmente para além da culpa colectiva.
Penso que é fundamental caminhar para a criação de seguros, como existem noutros países, que cobrem quer os casos de negligência, quer os casos de complicações que surgem dos riscos inerentes à patologia ou a outras variantes.
Estes seguros, para além de serem dirigidos aos médicos que terão evidentemente de pagar mais dinheiro por eles, deveriam ser igualmente obrigatórios para os hospitais públicos no sentido de assumirem as suas responsabilidades partilhadas com os actos dos médicos e outro pessoal hospitalar, quer ainda para cobrir os problemas que a ele, enquanto entidade, podem ser imputados.
E só por curiosidade por acaso sabem que os Hospitais públicos não têm seguro?
O seguro é o Estado. Não sei como ficou em relação a esta nova modalidade dos SA, mas que alguém nos defenda quando tivermos um problema qualquer derivado dá má gestão ou das poupanças que aqui se tendem a fazer ....
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 04:33 PM
dezembro 18, 2003
INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ
No “http://medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com/” conta-se uma história que, infelizmente todos nós com mais de 25 anos de profissão, já vimos.
Com mais pormenor menos pormenor não há nenhum médico, sobretudo generalista, que não tenha uma história de uma doente que a ele recorre por causa de um aborto.
Muitos como nós que actuamos em bairros periféricos de uma grande cidade, já tivemos de emprestar dinheiro para a mulher ... nossa doente ... e já nossa amiga ... possa resolver a situação.
Já o fiz e disso não me envergonho.
Situações complexas para o médico e para a mulher que vem normalmente em desespero para tentar resolver a situação.
Será que um dia os nossos deputados poderão ter consciência desta situação?
Será que não têm família, ou não conhecem familiares, ou amigas que já fizeram abortos em situações complicadas.?
Será que nunca nenhum dos nossos deputados teve de ir com a mulher a alguém para uma interrupção voluntária da gravidez?
Não acredito que nenhum dos deputados não tenha já passado por esta situação, dizerem que não conhecem esta realidade é fazer filosofia barata.
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 04:11 PM | Comentários (7)
"TRAGÉDIA EM SEIS ACTOS"
A Direcção Regional de Lisboa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses fez um comunicado à população sobre os Hospitais SA.
Um ano de Sociedades Anónimas, e destinado a fornecer dados que permitam aos cidadãos a reflexão sobre as mudanças operadas por este Ministério, e claro as suas consequências.
Dela destaca-se o título uma “Tragédia em Seis Actos” (H. St Marta, IPO, Pulido Valente, Egas Moniz, S. Francisco Xavier, e Sta. Cruz) e os vários problemas detectados:
- Encerramento parcial de alguns serviços
- Aumento do horário de alguns enfermeiros
- Redução da retribuição
- Subcontratação de enfermeiros
- Aumento dos ritmos de trabalho
- Contratos a Termo – Instabilidade profissional
- Saída em larga escala de enfermeiros contratados
- Desmotivação progressiva e generalizada dos profissionais de enfermagem
- Maior dificuldade em garantir uma boa assistência aos doentes internados
- Maior instabilidade nos serviços
- Desenvolvimento de sentimentos de insegurança
- Falta de material
Como se vê, e apesar da propaganda do Ministro, os que mais sofrem são os doentes.
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 04:01 PM
dezembro 17, 2003
ACABOU-SE O APOIO
COM A PRIVATIZAÇÃO DO HOSPITAL DO BARREIRO
D. tem 5 anos e só este ano conseguiu vaga para entrar no pré-escolar da rede pública do Barreiro.
Vive com a avó e uns tios. Nunca conheceu o pai e a mãe é uma adolescente ex-toxicodependente.
Esta família nunca entendeu a necessidade de D. ingressar mais cedo na pré-escolar e não teria dinheiro para o colocar num privado, mesmo que solidariedade social.
Foi pedida uma avaliação de D. porque apresentava dificuldades acentuadas de linguagem.
A avaliação foi realizada pela equipa de apoios educativos da Drel, que reconheceu as dificuldades de D. e a necessidade de ser acompanhado para conseguir atingir um nível de linguagem que lhe permita ingressar no 1º Ciclo e prosseguir com a sua escolaridade com sucesso.
Foi encaminhado para o Hospital do Barreiro agora privatizado e recebeu como resposta que não há terapeuta, que a lista de espera é grande e que a dificuldade da criança não é grave e que, por isso, não tem direito a fazer terapia da fala.
Seria interessante, ou melhor, seria fundamental fazer uma avaliação das crianças que no hospital do Barreiro estão, agora que foi privatizado, a ter acesso à terapia da fala porque estão a ser recusadas crianças com necessidades efectivas mas de baixos recursos económicos.
A Segurança Social prevê um subsídio à família que paga parte destes apoios, mas quando ele é cedido, dilui-se em outras necessidades destas famílias muito carenciadas.
Quando se faz a privatização da Saúde, devem criar-se mecanismos que continuem a assegurar a prestação destes apoios que os serviços de saúde públicos prestavam às populações mais carenciadas.
Estes casos, e há muitos outros, são casos de crianças de famílias que não têm nem a capacidade de perceber essa necessidade das suas crianças, nem capacidades económicas para recorrer a serviços privados.
Os professores sentem que não têm preparação para dar resposta a estes casos de crianças que acumulam dificuldades, que estão a ser abandonados pelas medidas recentes na área da saúde e que vêm juntar-se aos já muitos casos problemáticos da sua escola.
O Ministério da Educação, pelo seu lado, faz de conta que não tem nada a ver com isso e não assume como suas, as responsabilidades que o seu colega da saúde deixou de assumir.
O Ministério da Educação deveria assegurar a constituição de equipas multidisciplinares nos agrupamentos escolares que assegurassem um conjunto de apoios fundamentais a estas crianças.
Mas não. A verdade é que ninguém aposta nestas crianças. São crianças que estão condenadas à partida a ser marginais.
GIN
Publicado por agineotonico às 08:14 PM
ACABOU-SE O APOIO
COM A PRIVATIZAÇÃO DOS HOSPITAIS
M. tem 5 anos, faz 6 anos em Setembro de 2004 pelo que entrará para o 1º ciclo no próximo ano lectivo. Frequenta um Jardim de Infância da rede pública no Barreiro.
Foi avaliado pela equipa dos Apoios Educativos da DREL e identificado como tendo necessidade de fazer terapia da fala.
É enviado para a Equipa do Hospital do Barreiro que confirma o diagnóstico e inicia as sessões de terapia da fala, duas vezes por semana.
As educadoras consideram que ele tem vindo a fazer bons progressos com aquele apoio.
M. é o mais novo de uma família problemática, com pai alcoólico e mãe desempregada, 5 irmãos todos com insucesso escolar.
O Hospital do Barreiro foi privatizado.
A terapeuta que o seguia neste hospital, diz que M. não pode continuar com a terapia da fala porque existem outras crianças em lista de espera com mais necessidades de acompanhamento.
Mas na verdade o que se passa é que, para a estatística do Hospital do Barreiro agora privatizado, o importante é a rotatividade, ou seja, poderem dizer que atenderam muitas crianças com necessidades de apoio e que acabaram com a lista de espera para a terapia da fala.
Fazem 5 sessões por criança e acabou o apoio. Não há acompanhamento real de crianças que virão engrossar as fileiras do insucesso escolar e que não têm capacidade económica para recorrerem à terapia privada.
Por muito que o Ministro fale da melhoria do Sistema de Saúde Pública, é no que se passa na prática, no concreto, que se vê para quem é que este sistema está a melhorar.
A desatenção sobre estes casos, sobre pessoas socialmente fragilizadas e sem capacidade de entender até que ponto estes apoios, neste caso, a falta deles, são importantes, é grave. É grave porque se está a desinvestir na saúde de crianças que mais tarde terão custos sociais muito mais elevados.
GIN
ACABOU-SE O APOIO
Publicado por agineotonico às 06:02 PM
dezembro 16, 2003
INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ
Quando o cinismo e a hipocrisia dão lugar à solidariedade
"Dados mais detalhados fornecidos ao PÚBLICO pelo Ministério da Saúde no ano passado (e relativos ao segundo semestre de 2001) permitiam ir mais longe:
em apenas seis meses, o número de situações de complicação pós-aborto clandestino chegadas aos hospitais representava mais do dobro das interrupções feitas ao abrigo da lei.
No segundo semestre de 2001, para 242 abortos legais, foram registados 578 internamentos devido a complicações na sequência de abortos clandestinos, 34 dos quais devido a infecção generalizada (sepsis) e cinco por perfurações do útero. O grosso das situações aparecia então referenciada como aborto "incompleto" ou "retido" (quando o feto morre mas o útero não esvazia). "
GIN
Publicado por agineotonico às 07:20 AM
dezembro 13, 2003
HAJA QUEM OS PÁRE!!
Em Portugal é assim:
- combate-se a evasão fiscal, penalizando os que pagam impostos e fazendo estranhos acordos com quem não paga e deixando prescrever outros;
- contem-se a despesa pública, de entre outras formas, despedindo funcionários e admitindo assessores com ordenados dignos de quadros superiores de multinacionais; aumenta-se a gasolina, gasóleo, transportes públicos e mantém-se uma frota de carros de alta cilindrada ao serviço dos ministérios, quer para serem utilizados em serviço, quer para usufruto pessoal;
- fazem-se alterações no Sistema Nacional de Saúde (leia-se contém-se a despesa pública e partilham-se benesses com amigos), privatizando a saúde e aumentando os seus já elevados custos para a maioria da população portuguesa, sem que esteja provado que há uma melhoria real da prestação de cuidados;
Poder-se-ia, infelizmente, apresentar uma lista interminável de atropelos, de corrupção e injustiças, como o que recentemente se passa com a “Lusíada”, com as cunhas, com as nomeações sem concurso público, com a venda a retalho dos bens públicos, etc.
Mas agora, Bagão Félix, a quem já aqui chamei de “Ministro Cinzento”, vem com mais uma “medida de ajuste de contas”:
“as novas regras que visam penalizar as baixas de curta duração”.
Que pessoas desinformadas considerem que se combate a fraude com medidas punitivas para todos, com o aumento de uma repressão injusta e generalizada, eu não aceito mas percebo.
Que o Ministro Cinzento utilize demagogia para poupar dinheiro e obrigar os trabalhadores a recorrerem aos seguros privados, acho inaceitável.
Se há baixas fraudulentas, criem-se mecanismos legais de fiscalização e punição dos infractores.
Quando Bagão Féliz diz que estas medidas visam “moralizar a atribuição de baixas de curta duração” e “prevenir situações abusivas”, sabe que está a mentir deliberadamente.
Se assim é, porque inclui nestas medidas, a retirada do regime de excepção das baixas por tuberculose, por exemplo?
Estas medidas vão resultar, essencialmente, numa redução da qualidade de saúde dos trabalhadores portugueses, vai acabar com a prevenção em saúde, vai penalizar as mulheres que têm filhos e os filhos a quem se evitará resguardar quando estão doentes para não faltar ao trabalho, vai penalizar os trabalhadores que têm filhos deficientes, vai penalizar os trabalhadores que padecem de doenças que precisam de acompanhamento regular .... vai penalizar todos os trabalhadores menos os que metem baixas fraudulentas, porque esses, continuarão a metê-las sabendo as regras do jogo.
GIN
Publicado por agineotonico às 12:32 PM | Comentários (1)
INCENTIVOS
O Ministro da saúde ainda não percebeu como se trabalha nos hospitais SA.
Parece, indiscutivelmente, que não há diálogo entre os vários colaboradores do Ministério e tudo anda sem “Rei nem Roque”.
Passo a explicar:
O Sr. Ministro veio dizer que a partir de 2004 vai haver incentivos para os médicos que trabalham nos Hospitais SA.
Mas incentivos para quê??
Para trabalhar para além dos 5% estipulados?
Ou o Sr. Ministro desconhece que a Unidade de Missão fez com que o aumento de produção de um hospital não possa ultrapassar os 5% sob risco de ser penalizado?
Se forem mais os doentes atendidos e tratados e, claro, doentes do Serviço Nacional de Saúde (a grande maioria), o hospital só recebe a 75% dos custos gastos e isso não interessa aos SA.
Portanto, para quê incentivos?
Para continuar a fazer a produção do costume?
É fácil dizer o que diz o Dr. Luís Filipe Pereira sem ter uma avaliação independente a apresentar os resultados. Tenho sérias dúvidas que algum hospital empresa tenha efectivamente aumentado a sua produção.
O que unicamente aconteceu, foi a apresentação de dados que dão conta de uma melhoria da rentabilidade. Mas estes dados resultam de uma análise mais cuidada da produção já existente e, claro, de uma alteração na análise estatística.
Por acaso já se perguntou serviço a serviço, se algum médico dos hospitais empresa, entre 2002 e 2003, mudou a sua prática assistencial (prestação de cuidados) de forma a adaptá-la às novas regras??
Posso estar enganado, mas na zona de Lisboa, que conheço melhor, a resposta será praticamente zero.
As únicas medidas que podemos dizer que aconteceram, foi uma tentativa desesperada de dar altas precoces e o aumento dos célebres PECLECs de recuperação das listas de espera, por parte de médicos que podem assim ganhar mais algum dinheiro.
E ainda a propósito disto, qual será o Hospital SA que de manhã um cirurgião opera todos os doentes com cálculos na vesícula por cirurgia laparoscópica (através de pequenos furos, que permitem uma recuperação excelente) e à tarde, no PECLEC, o mesmo cirurgião opera todos por via aberta (longa incisão de recuperação mais lenta) porque é mais fácil de fazer e, sobretudo, mais rápida?
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 10:55 AM | Comentários (2)
dezembro 12, 2003
UM HOSPITAL À SUA ESCOLHA
Sobre a notícia do Público 10/12/03 "Doentes vão passar a ser operados em hospital à sua escolha"
De acordo com o Ministro (atenção pode não ser o que pensam os colaboradores vide, por exemplo, o Dr. Paulo Ramalho em relação aos H. Universitários), os doentes que entraram em lista de espera depois de 30 de Junho de 2002 e cujo tempo para serem operados ultrapasse prazos clinicamente aceitáveis para o seu caso, podem ser operados em clínica privada.
Esta medida já existiu em anos anteriores mas sem qualquer consequência prática.
E porquê?
O problema é o clinicamente aceitável ...
Primeiro, quem define este parâmetro? O Ministério?
Como pode esta entidade, que tem uma lista de espera homogénea, ou seja, que não está organizada por critérios de prioridade, definir prazos clinicamente aceitáveis?
Será que uma hérnia gigante com episódios de dor, ou umas varizes com úlcera, ou umas cataratas num já quase invisual, terão a mesma prioridade que em doentes mais simples?
Actualmente, a lista de espera é homogénea, não tem definição de critérios, nem foi pedida à Ordem dos Médicos qualquer opinião sobre o assunto ...
Esta é mais uma medida para enganar o zé povinho e como não tem oposição informada que rebata consistentemente estes argumentos, lá vamos andando na mesma, ou para pior embalados nestas medidas aleatórias ....
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 05:01 PM
dezembro 08, 2003
QUEIXAS SA
Maria José vive na Covilhã e tem um problema de coluna há vários anos. O médico que a atende no Hospital da Covilhã SA, diz-lhe que ela poderia ter também duas hérnias, mas para ter a certeza seria necessário fazer uma TAC, contudo não lhe receitou o exame.
Esta é apenas mais uma das queixas que se torna comum ouvir relativamente ao atendimento nos Hospitais SA.
Não está aqui em causa a justeza ou não desta medida tomada pelo Governo relativamente aos Hospitais, o que está em causa é a falta de garantias de que estes hospitais não prestarão um mau trabalho de Saúde Pública.
Em causa está, também, a falta de fiscalização e controle dos objectivos a que estes hospitais se propõem.
Na FOCUS n.º 216 vem um quadro com as principais acusações feitas aos SA
- Os doentes com problemas mais complexos são transferidos para outros hospitais, porque trazem mais custos e não permitem uma grande rotatividade de camas.
- É dada preferência aos doentes que vêm dos subsistemas de saúde (como ADSE, por exemplo).
- Economia de custos na prescrição de alguns exames.
- Para mostrar grande rotatividade nas camas, transferem-se doentes já internados para outros hospitais para dar lugar a um paciente que acaba de chegar.
- Há altas precoces.
- os tratamentos prescritos depois de uma alta eram feitos no centro de saúde, agora são feitos nos hospitais, o que implica a marcação prévia de uma consulta. E assim se aumenta o volume de produção.
- Os médicos e os enfermeiros com contratos individuais de trabalho dizem que as horas extraordinárias passam a ter outros pagamentos que não em dinheiro, proibições no gozo de dias por morte de familiares, restrições nas licenças de parto.
- Dificuldade na contratação de pessoal, que agora entram em contrato individual de trabalho e não para o quadro, como acontecia até aqui.
- Grande parte dos hospitais SA ainda não tem Conselhos Consultivos, o órgão que faz a ligação entre o hospital e a comunidade.
- Nomearam administradores que não têm nenhuma experiência em Saúde.
GIN
Publicado por agineotonico às 08:35 PM
ARGUMENTOS DE MAU GOSTO
Um post no blog vozdodeserto diz que “sobre o aborto há sempre que domesticar”.
Mais à frente, estabelece comparação entre as mulheres que se vêm na circunstância de recorrer à interrupção voluntária da gravidez com “uma recém-viúva caniche portuguesa prenha”.
É, de facto, de muito mau gosto.
Gostaria de responder à questão que coloca: se essa “caniche recém-viúva” fosse espécie única, naturalmente defenderia o “fruto do ventre do canídeo”.
Mas como nem as mulheres são canídeos, nem gatas (que tão bem, o autor deste post, domestica com “palmadas no lombo e dedadas vigorosas na testa), nem existe apenas uma única mulher em Portugal, esta questão não coloca nestes termos.
Também não se coloca em termos da “livre iniciativa pecaminosa ... para que todos os vícios possam ser supridos desde que de mútuo acordo entre os viciosos”, porque a forma como cada um entende a sua sexualidade é uma opção individual.
A questão que se coloca, é que o aborto clandestino em Portugal (cerca de 40.000 por ano) é uma realidade e as mulheres que a ele recorrem, sujeitam-se a graves riscos e mesmo à morte.
Assim sendo, a questão do aborto tem que ser encarada como um problema de saúde pública.
Outra questão que se coloca, é que muitas mulheres, de meios com poucos recursos económicos, recorrem ao aborto clandestino realizado sem quaisquer condições de segurança.
Mas as mulheres com maior capacidade económica, de entre elas as que pertencem às famílias dos senhores deputados que clamam contra a legalização do aborto, recorrem a clínicas aqui em Portugal ou no estrangeiro, que lhes proporcionam boas condições de segurança física e psicológica.
Por isso, esta discussão está eivada da mais profunda hipocrisia.
GIN
Publicado por agineotonico às 03:07 PM
dezembro 04, 2003
EMERGÊNCIA MÉDICA
Jorge Mineiro, médico ortopedista, na sua tese de doutoramento conclui que 61,2% das mortes de feridos graves que dão entrada nas urgências dos hospitais podiam ser evitadas.
Algumas das razões apresentadas para esta elevada taxa de mortalidade são a transferência inter-hospitalar dos feridos, o tempo de espera no atendimento, a falta de formação na área de trauma e a demora na intervenção dos diferentes especialistas.
Em muitos países, o atendimento nas urgências dos Hospitais é considerado uma especialidade médica, mas em Portugal, apesar das promessas no Ministro, os hospitais que têm uma estrutura fixa (Unidade de Trauma) de acolhimento de feridos graves, deve-se à “carolice” de alguns médicos que se dedicam para além da exclusividade e das suas horas de serviço.
O pôr em marcha soluções é urgente e passa pela criação das “Unidades de Trauma” nos hospitais, constituídas por equipas multidisciplinares especializadas neste tipo de intervenção.
Apenas uma visão multidisciplinar pode fazer toda a diferença, pode impedir que uma lesão se torne irrecuperável ou impedir as mortes prematuras.
Diz Paulo Freitas, Director dos Cuidados Intensivos do Hospital Fernando Fonseca que “é preciso saber o que é que cada hospital tem capacidade para fazer e quais as suas necessidades, integrar e racionalizar recursos e fazer uma auditoria sistemática, para saber que as pessoas que morrem vítimas de trauma, são efectivamente aquelas que não poderíamos salvar”, porque actualmente “todas as unidades que assistem politraumatizados têm diferentes tutelas, sem a mínima ligação entre elas”.
GIN
Publicado por agineotonico às 10:14 PM | Comentários (1)
AS NOVAS INFECÇÕES COM HIV
O número de novas infecções por HIV em heterossexuais ultrapassou o registado nos toxicodependentes.
Enquanto que em 1999 a infecção de heterossexuais era de 29,95%, em 2000 subiu para 32,4%, em 2001 para 36,1%, em 2002 para 46,6% e no primeiro semestre de 2003 a transmissão homem/mulher representa mais de metade das novas infecções registadas.
Segundo este estudo, os homens com idade superior a 40 anos constituem o grupo em que aparecem mais casos.
GIN
Publicado por agineotonico às 04:49 PM
dezembro 01, 2003
O QUE INTERESSA SÃO OS RESULTADOS
Seja a que custo for ... operando doentes sabe-se lá onde, por quem e em que condições ... acabando com o Serviço Nacional de Saúde ... e, talvez, chegando aos resultados americanos onde quem não tem seguros, tem infelizmente de mendigar um tratamento ou não ter acesso a qualquer serviço de saúde de qualidade.
“O ministro da Saúde quer que os cerca de 100 mil doentes que entraram para a lista de espera desde que começou a funcionar o Programa de Recuperação de Cirurgias do Governo sejam operados antes de atingirem o tempo considerado clinicamente aceitável para o seu caso. Se tal não acontecer, poderão recorrer a uma clínica privada ou misericórdia com quem o Estado tenha acordos.”
Luís Filipe Pereira, diz que os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde passarão a ter metas e objectivos a cumprir e que a privatização dos Hospitais e Centros de Saúde são uma reforma ambiciosa e equilibrada, mesmo que passe para as mãos de construtores civis, porque o que interessa são os resultados ....
É pena não dizer que resultados espera desta reforma ... que a mim parece-me que será o fim da saúde pública em Portugal.
Colocado perante a questão das queixas sobre tratamento desigual de doentes nos SA devido a limitações orçamentais, Luís Filipe Menezes diz que não é preciso esperar pela conclusão das investigações ... mais uma vez o que deve interessar são os resultados (leia-se da poupança).
Sobre as queixas apresentadas pela Abraço em relação ao Hospital Egas Moniz que está a discriminar os doentes com SIDA, o Ministro a quem foi dirigida a queixa responde prontamente ... “desconheço isso” ... mais uma vez deve ser o problema dos resultados ...
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 05:40 PM
PRIVADOS ATRASAM LISTAS DE ESPERA
A EXECUÇÃO do programa de recuperação das listas de espera cirúrgicas (PECLEC) nas clínicas privadas está muito abaixo do previsto, não tendo sequer chegado aos 30% do total das operações que, até agora, já deveriam estar feitas.
A má execução do programa é generalizada às regiões onde o Ministério da Saúde abriu concursos públicos para que entidades privadas realizassem as operações em lista de espera ...
cerca de 40 mil cirurgias foram postas a concurso, estando prevista a realização de, pelo menos, 12 mil operações por mês. A média, até agora, é de 4,3 mil ...
As Administrações Regionais de Saúde (ARS) reuniram na semana passada com os operadores privados para fazer um ponto da situação e ouviram muitas queixas:
- cerca de 40% das listas que lhes foram atribuídas diziam respeito a doentes que já tinham sido operados, havendo ainda uma percentagem mínima, de 3 a 4%, de doentes que disseram que não queriam ser operados.
- Houve até doentes que se recusaram a ir a Espanha, às clínicas privadas com quem o Ministério contratou algumas destas listas de espera.
- a execução estará também a ser dificultada ... pelo facto de os hospitais públicos - a quem se foram buscar estas listas de espera - estarem agora a chamar estes doentes para os operar. O Hospital da Universidade de Coimbra (HUC), por exemplo, teve, segundo fonte oficial do Ministério, uma «execução excepcional do PECLEC no último mês», o que levou a um «esvaziamento da lista dos privados»
Em relação às dificuldades evidenciadas pelos próprios operadores privados - alguns não executaram sequer 5% da lista que receberam, as ARS não têm meio de exigir responsabilidades, uma vez que não está previsto nos respectivos contratos qualquer tipo de penalidade para o seu não-cumprimento.
(in Expresso)
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 04:45 PM
novembro 28, 2003
Está convencido mas não convence
Diz o Ministro da Saúde Luís Filipe Vieira : “Estou convencido que, no final do mandato, a Saúde estará melhor”.
Dizem 83 médicos do quadro de Santa Cruz em Lisboa: “há situações graves que podem comprometer o Hospital: risco de quebra grave na qualidade dos cuidados a prestar devido à falta de pessoal de enfermagem ... dificuldades/suspensão da actividade de colheita de órgãos para transplantação renal ... redução do número de cirurgias de patologias complexas e altamente especializadas ... sugestão gravíssima de um tecto assistencial para os doentes do Serviço Nacional de Saúde em benefício dos doentes privados e dos subsistemas”.
Dizem outros médicos: “os doentes mais complicados e com internamentos que se prevêem longos, tendem a ser transferidos dos SA para outras unidades”. “O IPO, foi o último Hospital a assinar o contrato porque teve muitas dificuldades em ver nele incluídos os tratamentos mais caros, com é o caso da radioterapia”.
Queixam-se os médicos: “O objectivo que os SA apresentavam de criação de prémios diferenciados para os médicos com base na sua avaliação de desempenho, nunca foi levada à prática. Pelo contrário, os contratos individuais de trabalho realizados com os médicos são penalizantes: as faltas de parto não são justificadas na avaliação de assiduidade, as horas extraordinárias e a actividade privada ficam dependentes dos Conselhos de Administração, os horários de trabalho não prevêem horas para formação profissional, os médicos estão proibidos de denunciar más práticas detectadas nos hospitais, estão também proibidos de divulgar dados científicos e há uma diluição das carreiras, numa única carreira. Os médicos têm abandonado os Hospitais SA de Santa Marta, IPO, São Francisco Xavier e Santa Cruz, deslocando-se para os que lhes garantem vínculo à função Pública.
Queixam-se os enfermeiros: “A passagem dos Hospitais a SA contribuiu para agravar a falta de enfermeiros que já se verificava. Nos SA, só se entra com contrato individual de trabalho e as condições de trabalho são muito más porque para reduzir os custos, reduzem o número de enfermeiros por turno. Assim, os enfermeiros deslocam-se para os hospitais que lhes garantem vínculo à função Pública, deixando os hospitais de Santa Marta, IPO, São Francisco Xavier e Santa Cruz que estão com graves problemas de falta de pessoal de enfermagem.
Queixas de alguns utentes dos hospitais: “O descontentamento dos doentes sobre o funcionamento do Amadora/Sintra - sobretudo na urgência, que não está dimensionada para o número de atendimentos - tem sido amplamente noticiado, já que este é o único hospital público de gestão privada do país. "Apesar de nos últimos tempos a comissão de utentes do hospital se encontrar praticamente inactiva, como doente posso afirmar que a situação das urgências, que nós denunciamos desde há sete anos, tem piorado nos últimos tempos", afirma António Nunes, que preside a associação.
TONICO
Publicado por agineotonico às 03:38 PM | Comentários (3)
novembro 26, 2003
COMO VENDER BARATO OS HOSPITAIS
O desinvestimento do Estado na Saúde Pública e a constituição dos Hospitais SA levou, recentemente, o Sindicato dos Médicos da zona sul, a alertar para a sua situação financeira: “é possível que os capitais sociais estejam esgotados nos próximos meses e, por esta via, se inicie o processo de venda das cotas a entidades privadas, com o argumento de que é necessário dinheiro fresco”.
Mendes Ribeiro, encarregado da Unidade de Missão doa Hospitais SA, diz que está legalmente prevista a possibilidade de entregar a gestão de alguns serviços a empresas privadas, que se sabe ambicionam os mais rentáveis como radiologia e patologia clínica, mas diz que isso para já não é uma prioridade.
A realidade do que se passa vem desmentir estas afirmações: o Centro Hospitalar do Alto Minho há mais de 3 semanas que pôs a concurso público, para ceder a empresas, a exploração do Serviço de Radiologia e, tanto quanto se sabe, o Egas Moniz em Lisboa prepara-se para fazer o mesmo.
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 02:12 PM | Comentários (1)
COMO OPERAR MUDANÇAS
Constantino Sakellarides, coordenador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, considera que o estatuto dos SA permite uma gestão mais ágil, mas comporta alguns riscos.
Na sua opinião, é fundamental garantir um bom nível de comunicação interna dentro dos hospitais mas o que se verifica é um afastamento cada vez maior entre os profissionais hospitalares e as respectivas Administrações, que se tem reflectido num aumento da desmotivação dos profissionais de Saúde.
As mudanças só são possíveis se as pessoas forem lavadas a participar e esta participação requer que os serviços ganhem autonomia e responsabilidades.
Mas o que se passa é que se criou uma “cadeia de comando” que vai do Ministério aos Serviços Clínicos, mais apertada do que antes e que se orienta unicamente para a contenção aleatória dos gastos.
Constantino Sakellarides considera fundamental clarificar os objectivos de gestão de cada Hospital SA em termos de:
- Produção – o que faz;
- Eficiência – como utiliza recursos disponíveis;
- Qualidade – que resultado em relação aos doentes;
- Satisfação dos doentes, dos profissionais e segurança – quanto a acidentes e erros.
Considera que esta base de dados deve ser pública, porque é a isso que se chama transparência.
O que se tem passado, é que se fala de grandes sucessos e poupanças, mas não há dados que provem estas afirmações, não há documentação que prove com rigor essas afirmações.
Não foram até agora publicados os objectivos e as estratégias de gestão dos hospitais. Os indicadores são poucos e apenas referentes à utilização de recursos, nada se diz sobre qualidade, satisfação e segurança.
- Não há qualquer documento onde estejam explicitadas as razões das escolhas ;
- os critérios de avaliação das estratégias estabelecidas;
- não existem entidades independentes do poder político que proceda a uma análise dos resultados apresentados para os validar.
E estes são os critérios mínimos de credibilidade.
Por isso se percebe um crescente desfasamento entre o que dizem os desmotivados profissionais de saúde e as declarações vitoriosas dos defensores dos Hospitais SA, para quem tudo está a correr bem e a obter sucesso atrás de sucesso.
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 01:57 PM
DESINCENTIVOS E PENALIZAÇÕES
Os contratos programa nos Hospitais SA, contêm uma clausula que prevê desincentivos e penalizações para os que apresentarem uma produção inferior à que foi acordada, mas também para os que excederem a produção.
Ou seja, se um SA aumentar a produção acima dos 5%, o hospital perderá dinheiro.
Se tivermos em conta outra clausula destes contratos, que se refere ao facto de os SA apenas receberem verbas pelos actos médicos (urgências, consultas ou internamentos)>, deixando assim de fora as despesas de investimento, formação profissional, meios de diagnóstico e outras despesas correntes de manutenção dos serviços, será fácil de perceber as queixas dos médicos dos Centros de Saúde que referem que estes hospitais lhes estão a mandar doentes para realizarem ali os exames.
Aliás, Álvaro de Carvalho, Presidente do Garcia da Horta SA, não esconde a situação e afirma “há que captar clientela”, mas esta clientela a que se refere são os doentes das seguradoras e dos subsistemas que são uma das grandes receitas dos hospitais e, acrescenta, que no caso das consultas pode “haver tendência de mandar fazer os exames fora” com credenciais para a medicina convencionada, porque será a ARS (Administração Regional de Saúde) e não o hospital SA a pagar.
Álvaro de Carvalho diz, ainda, que terá que fazer “ajustamentos de pessoal”. Para já reduziu em 22% nas despesas com trabalho complementar principalmente dos médicos e enfermeiros e cortou nas despesas com as empresas externas que se encarregam da limpeza, tratamento de roupa, restauração e segurança.
Diz ser “totalmente falso” a informação dada por um médico de que esteve suspenso o início do tratamento com Interferon R44, um medicamento caro destinado à esclerose múltipla.
A clausula dos desincentivos e penalizações, por si, não parece ter grande fundamento numa estrutura SA, mas a questão é de facto aparente. Porque o que vai acontecer são pelo menos 3 coisas:
1) Vai passar a haver duas listas de espera nos hospitais SA, a lista do Sistema Nacional de Saúde e a lista dos subsistemas;
2) O Estado vai financiar os SA “pela porta do cavalo”, pagando os exames que os doentes ali deveriam fazer e que são mandados fazer no serviço público;
3) mas o mais grave é que, quando os doentes precisarem de exames e medicação que os hospitais públicos têm, até hoje, disponibilizado, correm o risco de não terem acesso a eles porque são caros e os SA não os dispensam.
É desta forma que se pretende desenvolver a medicina em Portugal e se diz que se está a melhorar o Sistema de Saúde.
TÒNICO
Publicado por agineotonico às 07:05 AM | Comentários (1)
novembro 24, 2003
O menino azul
“O menino azul” é o tema de uma exposição de Helena Silva que decorre em Cascais até dia 7 de Dezembro.
Helena Silva é mãe de uma criança de 6 anos que nasceu com duas doenças quase desconhecidas e incuráveis e que resulta na má formação do coração, dos pulmões e do fígado.
Desde há dois anos que começou a pintar e a autarquia tem-lhe cedido espaço para expor.
Gasta, mensalmente, com o tratamento do filho 1000 Euros.
Reproduzo aqui as suas palavras que me enchem de raiva e de respeito.
Raiva por viver num País com um sistema de saúde que obriga uma mãe, com um filho nestas condições, a arranjar-se sozinha para manter o seu filho vivo.
Respeito incondicional por esta mulher que enfrenta todas as adversidades para manter um filho vivo.
“Não quero aceitar donativos. Se posso dar algo em troca de uma ajuda é muito mais fácil e, por isso, comecei a pintar por uma boa causa. É que se eu vender toda a exposição, mantenho o meu filho vivo por mais 5/6 meses”
GIN
Publicado por agineotonico às 10:46 PM
novembro 20, 2003
SALAS DE CHUTO NAS CADEIAS
"A instalação de salas de injecção assistida em Portugal foi novamente rejeitada. O actual Governo afastou liminarmente a ideia porque prefere "manter a linha de actuação", como explicou ontem o ministro da Saúde. O que não é verdade. A linha de actuação em vigor até 2004 está contemplada na Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga, aprovada pelo anterior executivo, e inclui, por exemplo, a adopção de políticas de redução de danos como a troca de seringas ou a instalação de salas de chuto.
As salas de injecção assistida são uma realidade em vários países da Europa. Suíça, Itália, Bélgica, Áustria, Grécia, Espanha e Alemanha adoptaram-nas com bons resultados. As estatísticas oficiais alemãs são esclarecedoras: o número de óbitos devido ao consumo de drogas injectáveis baixou 10 por cento no ano passado
O provedor de Justiça teve o condão de reavivar este tema no seu relatório sobre o estado das prisões. Para Nascimento Rodrigues, o aumento das doenças infecto-contagiosas, devido sobretudo ao consumo de drogas injectáveis e à ausência de trocas de seringas, é uma "urgente e mortífera prioridade", pelo que não há alternativa que não seja a adopção de medidas de redução de danos nas cadeias. A ministra da Justiça disse preconceituosamente que não, porque essas políticas atentam contra valores e princípios fundamentais".
Mas não é possível manter por muito mais tempo o preconceito ideológico e continuar a iludir o problema com juras de fé na prevenção quando, em 13.168 reclusos, 1884 estão infectados com o vírus da sida, 3950 com hepatite B e C e 326 com tuberculose"
GIN
Publicado por agineotonico às 07:38 PM | Comentários (2)
novembro 17, 2003
Prof. Linhares Furtado
22/08/03 Homenagem de despedida da Função Publica
“Se no plano teórico ninguém contesta que a competência é de extraordinária relevância, na pratica é relegada para outros planos”.
“Na vida Nacional transparece mais o uso de tráfego de influências do que a selecção natural por competência”
“Portugal está em inúmeros indicadores na cauda da Europa, mas não na Medicina, nem tão pouco na Saúde pelo que qualquer reforma deve pugnar pelo avanço da cultura da competência”
(NO COMENTS ...)
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 11:17 PM | Comentários (1)
novembro 14, 2003
INDÚSTRIA FARMACÊUTICA E MÉDICOS
Parece-me correcto que a indústria farmacêutica financie a participação de médicos em eventos formativos.
Com essa contribuição, a indústria farmacêutica consegue fazer promoção dos seus produtos para uma dada área de intervenção e direccionada a grupos de médicos de praticamente todo o mundo. Ganha, ainda, porque essas contribuições são deduzidas nos impostos.
No caso da classe médica, estas contribuições da índústria farmacêutica permitem ir fazendo uma formação contínua, contactar com experiências que estão a ser realizadas noutros locais e actualizar conhecimentos e relações, para as quais o Estado não contribui e que tem que ser custeada por eles próprios.
A ser este o compromisso, talvez se impusesse um maior rigor através da exigência de um relatório de participação.
Até aqui, parece ser incontestável estas trocas entre indústria farmacêutica e classe médica.
Agora, há situações que ultrapassam em muito esta relação e configuram uma inaceitável de corrupção e, essas, devem ser verificadas e tomadas medidas para lhes pôr cobro.
É que convém "separar o trigo do joio" porque se isso não se fizer, acabam os médicos, enquanto classe, a ser tomados por aquilo que não são.
"Os créditos tiveram, segundo o relatório uma de três utilizações: médicos que não utilizaram em termos imediatos a viagem que tinham recebido optando por acumular os créditos; outros optaram por não viajar mas levantaram a verba correspondente à viagem e utilizaram-na para outros fins que não o do congresso ou das acções de formação; Outra percentagem de médicos efectivamente viajou para receber formação. Estas são conclusões da própria IGS."
"... a IGS detectou a existência de uma relação clara entre os médicos patrocinados com viagens e os níveis de prescrição dos medicamentos da Bayer. Fica a saber-se também que os delegados de informação médica conseguiam saber exactamente quais os nomes dos clínicos que mais prescreviam e que medicamentos mais constavam das receitas que passavam. Segundo o relatório, a própria Bayer possuía uma lista de cerca de dez mil médicos em que os nomes estavam divididos em várias categorias em função do grau de prescrição." ... a Bayer mais procurava eram os que prescreviam medicamentos em quantidades comercialmente significativas e muitos deles não receitavam qualquer produto similar disponível no mercado, eventualmente de outra marca e seguramente mais barato."
TONICO
Publicado por agineotonico às 02:23 PM | Comentários (5)
novembro 13, 2003
EM PEDAÇOS E CACOS
Médicos do hospital de Gaia e do IPO avançam para a greve
O ministro Luís Filipe Pereira "tem vindo a destruir gradualmente" o Serviço Nacional de Saúde (SNS) em nome da "necessidade de reforma" e a desenvolver "uma política esquizóide" ...
... um protesto organizado contra a "deterioração progressiva da qualidade do serviço" prestado, a falta de negociação colectiva e de garantias de formação profissional. "A política do ministro da Saúde faz parte de uma estratégia global para que os serviços de saúde tenham um desempenho cada vez pior, de forma a facilitar a entrada dos grandes grupos privados" ...
... no final desta governação, "não haverá mais do que pedaços, cacos" do SNS.
... o ministro se arrisca a ficar para a história como "o coveiro do Serviço Nacional de Saúde", os sindicalistas criticaram duramente a sua "demagógica campanha de poupança" e aquilo que classificaram como "fantasias contabilísticas"."Espantosamente, vem gabar-se de que poupou 400 milhões de euros, esquecendo-se de dizer que não pagou a quem deve, nem aos fornecedores, nem aos médicos", censuram".
Publicado por agineotonico às 03:04 PM
novembro 12, 2003
BRINCAR ÀS ESTATÍSTICAS
Este Governo, diga-se em abono da verdade, tem ao seu serviço um excelente conjunto de especialistas em estatística.
Em todas as áreas, menos uma, da gestão os dados são positivos:
- fim das listas de espera e melhor atendimento na saúde - diz o M. da Saúde
Diz o utente:
São 11h45 quando entro na Urgência do Hospital de Santa Maria a acompanhar um familiar ... Mandam-nos para uma sala de espera e dizem-me que temos de esperar que nos chamem para ir à triagem. Um quadro branco afixado na parede tem escrito em cima "Tempo de espera"... pergunto como se explica a diferença entre o quadro e a realidade ... O tempo que se espera até à triagem não é contabilizado. É excelente para as estatísticas! ... Às 13h20 chamam o nome do meu familiar ... Às 14h00 é enviado para o Serviço de Observação, onde já não o posso acompanhar ... Às 17h30 vejo passar, numa maca, a pessoa que acompanho. Dizem-me que vai fazer uma ecografia e uma TAC. Posso acompanhá-la se quiser. Deixam-nos na sala de espera da Imagiologia. Um pouco depois das 19h00 faz a ecografia. Às 19h13 vai fazer a TAC. ... Estamos no hospital há sete horas e meia mas a tabela afixada na urgência diz que o nosso tempo de espera é zero minutos.
Nunca saberei quanto tempo demoraria todo o processo até ao diagnóstico porque a minha mãe morreu na mesa da TAC durante o exame.
GIN
Publicado por agineotonico às 11:05 PM | Comentários (1)
novembro 09, 2003
INDÚSTRIA FARMACEUTICA E MÉDICOS
A Inspecção Geral de Saúde e PGR vão investigar o caso Medinfar denunciado por ex delegado de propaganda médica ao Independente
(Independente 7/11/03)
Um ex delegado dos Laboratórios Medinfar denunciou a PGR e à IGS o facto de este laboratório aliciar profissionais de medicina para prescrever medicamentos.
O delegado é hoje o Dr. Ricardo Felgueiras, advogado com sucesso da zona de Almada, benfiquista, que se recusa a dar mais entrevistas ou esclarecimentos a não ser dizer encontrar-se totalmente disponível para colaborar com as autoridades dado preservar a sua vivência familiar.
O Laboratório emitiu um comentário a dizer que “jamais a Medinfar comparticipou viagens de médicos que não fossem destinadas a frequência de acções de formação ou participação de congressos nacionais ou internacionais”.
Será que há algum laboratório farmacêutico a trabalhar em Portugal que possa afirmar que nunca aliciou clínicos gerais para a prescrição de medicamentos a troco de benesses que nunca foram traduzidas em acções de formação?
É claro que esta maré passou por todos, mas houve médicos que aceitaram e médicos que não aceitaram.
São poucos os têm as mãos limpas, seja da Medinfar, seja da Bayer, seja de todos os outros que andam por aí.
Mas não será verdade que grande parte dos médicos aceitou prescrever medicamentos a troco de dinheiro?
Uma comunhão que talvez não convenha vir a lume dadas as relações que existem ...
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 09:36 PM
novembro 07, 2003
A COMPETÊNCIA DA ACUPUNCTURA
Menos de um ano depois de a Ordem dos Médicos ter reconhecido a competência da Acupunctura, o Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, no Porto, dá início ao primeiro Curso de Pós-graduação numa Instituição Pública.
Esta pós-graduação resulta de uma parceria entre aquela Instituição Universitária e a Sociedade Portuguesa de Acupunctura
GIN
Publicado por agineotonico às 10:51 PM | Comentários (3)
novembro 06, 2003
Triagem com motivos economicistas nos hospitais SA
Doentes transferidos em função dos custos dos tratamentos
Enfermeiros denunciam triagem com motivos economicistas nos hospitais SA
O Sindicato dos Enfermeiros denunciou hoje que alguns hospitais-empresa estão a transferir doentes, numa triagem motivada por valores economicistas, devido aos custos dos tratamentos.
Muitos enfermeiros estão também em movimento entre hospitais devido à instabilidade dos seus vínculos laborais.
De acordo com o sindicato, em declarações à Rádio Renascença, estes dois fenómenos acontecem em vários dos chamados "hospitais SA" e serão uma das consequências da empresarialização dos hospitais.
... os enfermeiros estão a abandonar estes hospitais porque as instituições "dificultam o trabalho" destes profissionais e não lhes dão garantias laborais.
... apesar de a lei prever que os hospitais-empresa façam contratos colectivos de trabalho, até hoje tal não se terá concretizado devido ao atraso das novas regras para a administração pública.
A abertura ao privado, o poder dado aos directores de serviço e a transformação dos hospitais em empresas públicas são os pontos mais polémicos.
... o Conselho de Administração de cada hospital possa entregar a exploração dos diferentes serviços da unidade a grupos de profissionais de saúde ou entidades públicas ou privadas, mediante um contrato de exploração ou em regime de sub-contratação.
Publicado por agineotonico às 06:17 PM
novembro 03, 2003
PÍLULA MASCULINA
Um novo contraceptivo masculino foi testado com sucesso ... de 3 em 3 meses, os homens receberam injecções com a hormona progressiva .. o que travou a produção de espermatozóides ... o método mostrou-se eficaz: nenhuma das mulheres engravidou e não se registaram quaisquer efeitos secundários nos homens.
(Focus - 15 de outubro)
Publicado por agineotonico às 01:31 PM | Comentários (4)
novembro 02, 2003
PALAVRAS PARA QUÊ? É uma empresarialização à Portuguesa
Injecção de dinheiro nos hospitais SA contorna Eurostat
(Mário Baptista)
O Ministério da Saúde está a tentar contornar as regras do Eurostat, injectando capital social nos hospitais SA sem que as verbas se reflictam no défice.
«O ministro não pode assumir que [as verbas] são para esse fim [pagar dívidas a fornecedores], sob pena de o Eurostat nos cair em cima», assegura uma fonte do gabinete do ministro ao Diário Económico. Ontem, no Parlamento, o ministro revelou que prevê que o SNS chegue ao fim deste ano com um défice de mil milhões de euros.
Luís Filipe Pereira garante não ter recebido qualquer pedido formal para assinar cartas de conforto à indústria, mas em Julho a Apifarma enviou-lhe uma missiva em que pedia «a emissão deste documento com a maior brevidade possível».
(Diário económico 2/11/03)
Demissões em bloco no hospital de Setúbal
OS 24 DIRECTORES de serviço do Hospital São Bernardo, em Setúbal, apresentaram a demissão em bloco, depois do director clínico do hospital ter renunciado ao cargo. Neste momento, o hospital S. Bernardo - que pertence ao grupo dos 34 hospitais empresarializados - pode ser, teoricamente, mandado encerrar por não ter direcção médica que garanta as condições clínicas de funcionamento e assuma as respectivas responsabilidades.
Os 25 médicos afirmam, na carta de demissão conjunta, «não haver condições para um desempenho adequado e responsável dos cargos», dada a «instabilidade institucional» vivida no hospital e a «ausência de instrumentos fundamentais para a gestão».
Estes são, no entanto, os últimos argumentos para justificar um conflito que se arrasta desde que, em Setembro, os novos gestores do hospital SA tomaram posse. Ontem, os directores demitidos reuniram-se com a Administração Regional de Saúde de Lisboa, que aceitou intermediar o conflito, ainda que não tenha conseguido promover qualquer acordo entre as partes.
(Expresso 1/11/03)
TONICO
Publicado por agineotonico às 11:21 AM
outubro 25, 2003
Que se saiba só morreram 5 crianças
Que se saiba só se comprovou a morte de 5 crianças, tal como o Ministro da Saúde, não percebo o porquê deste alarido à volta do que se passou no Hospital de Guimarães ...
O Ministro fez bem em Arquivar o Processo por "inexistência de matéria disciplinar", uma vez que os peritos concluíram que não houve negligência médica.
Mas esses mesmo peritos atribuíram as responsabilidades à Direcção-Geral de Saúde e à Direcção do Hospital e, isso, esqueceu este Ministro na sua lógica que é, no mínimo, repugnante.
O arquivamento deste processo e a desresponsabilização da Direcção Geral de Saúde e da Direcção do Hospital, alerta-nos para a coerência entre as reformas, que este ministro está a fazer no Serviço Nacional de Saúde, no sentido de o entregar ao desbarato aos grandes grupos privados, e a forma como vai começar a ser conduzida a investigação e punição dos responsáveis por estas mortes prematuras por incúria dos responsáveis da saúde ...
Desta forma, o Ministro da Saúde, mostra aos grandes grupos privados, que durante anos lhe pagaram o ordenado e voltarão a pagar quando deixar de ser ministro (é preciso gerir bem o futuro, claro) que podem entrar à vontade na Saúde que o caminho está livre de obstáculo para os ganhos, mesmo que isso custe algumas vidas de crianças ou outras. pois então, foram apenas, que se saiba, 5 crianças que moreram, para quê tanto alarido??
GIN
Publicado por agineotonico às 10:30 AM | Comentários (2)
outubro 23, 2003
Um escândalo meticulosamente preparado? (2)
(Prof. José Manuel Silva in “Tempo Medicina”)
José Manuel Silva analisa as consequências da gestão privada do Hospital Amadora-Sintra e considera que “os custos da experiência da gestão privada do Amadora-Sintra são extremamente controversos e muito mal esclarecidos ... o que se passou no tribunal arbitral para dirimir o conflito de mais de 20 milhões de contos entre o Estado e o Grupo Mello, constitui um terrível prenúncio para o futuro”.
As nomeações para a constituição deste tribunal, não ofereceram quaisquer garantias de independência: um juizes foi nomeado pelo Grupo Mello, o outro foi nomeado por um governo que tem como Ministro da Saúde um ex alto quadro do Grupo Mello e o terceiro juiz foi nomeado por estes dois.
A decisão deste tribunal teve os resultados que se sabe .... quem pagou a factura foram os contribuintes.
Ninguém se lembrou de questionar como foi possível:
1) que o Tribunal de Contas e a Inspecção Geral de Saúde não tivessem razão em nenhuma das questões por eles levantadas;
2) que o actual Presidente do Tribunal de Contas tenha dito que este tribunal deu o visto à assinatura do contrato de gestão do Hospital Amadora-Sintra sem que tivesse tido acesso a documentos importantes.
Esta afirmação do presidente, mostra claramente que o TC violou a suas próprias regras e isso devia bastar para que se abrisse um inquérito para averiguações.
José M. Silva considera que temos o direito a colocar dúvidas sobre o desvio de vários milhões de contos dos contribuintes para a resolução duvidosa deste processo e avança se “não temos o direito de pensar que, se o contrato do Amadora-Sintra for repetido nas chamadas Parcerias Público-Privado, o Estado poderá achar-se empobrecido em muitos milhões de contos?”.
Quanto à questão da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), José M. Silva chama-lhe “um monstro sem paralelo em qualquer outro país do mundo”, um monstro cujo presidente terá poder absoluto sobre a saúde em Portugal, que não terá que prestar contas a ninguém e tem mesmo direito de veto sobre as deliberações do próprio Conselho Executivo da ERS.
Mais preocupante é, quando o nome que circula como possível para assumir esse cargo, é uma pessoa que tem ligações profissionais com o Grupo Mello.
O grande escândalo estará para se concretizar se aceitarmos que seja o actual Ministro da Saúde, e ex empregado do Grupo Melo, a negociar os contratos de muitos milhões de euros, quando o Grupo Mello já fez saber que vai concorrer a todas as PPP.
Se o Ministro assistiu, impávido, ao desenrolar e desfecho duvidoso do Processo Amadora-Sintra, que garantias dá de conduzir com honestidade e transparência este processo?
É uma promiscuidade de interesses intolerável numa sociedade democrática, “não potencialmente corrupta”.
José M. Silva, considera que “não é por corporativismo ou resistência à mudança” que está contra o Ministro, é que para além do já referido, acresce o facto de as listas de espera estarem a aumentar e não a diminuir, os genéricos são alvo de muita demagogia, as mortes devido ao calor tiveram abordagens hipócritas, a retribuição por doente aos hospitais SA, “é de um primarismo económico impressionantemente atroz e contraproducente e, enquanto se asfixiam os Hospitais SA, pagam-se todas as contas do Amadora-Sintra ... o Ministro confunde números absolutos e relativos iludindo as pessoas sobre o Serviço Nacional de Saúde".
Por tudo isto a exigência é "O Ministro deve ser substituído ...."
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 12:51 AM
outubro 22, 2003
Um escândalo meticulosamente preparado?
(Pr. José Manuel Silva in “Tempo Medicina”)
A forma descontrolada, pouco clara e desonesta como os grandes grupos privados estão a entrar na gestão da Saúde, está a destruir o 12º melhor Sistema de Saúde do Mundo – o nosso (classificação atribuída pela OMS).
Quem o diz, é o social-democrata e Prof. José Manuel Silva (Ass. Graduado de Medicina Interna dos HUC), que juntamente com Jorge Roque Cunha (C.N. do PSD) e Miguel Leão (Pr. do CRN da Ordem dos Médicos), fizeram chegar a todos os Ministros e ao Primeiro Ministro um documento com as suas posições sobre as questões da Saúde.
J.M. Silva considera que:
1º - “A gestão privada piora a qualidade dos serviços”.
Estudos realizados no Canadá, demonstram que há maior mortalidade nos hospitais geridos com fins lucrativos; nos EUA, estudos comparativos sobre a mortalidade dos insuficientes renais nos serviços de diálise com ou sem fins lucrativos, mostram que a mortalidade nas instituições com fins lucrativos é bastante superior (mais de 1200 a 4000 mortos prematuros).
2º - “A gestão privada dificulta o acesso dos cidadãos a cuidados de saúde de qualidade”.
Nos EUA, com o sistema de saúde privado, tem vindo a aumentar o descontentamento e, os mais de 40 milhões de adultos que não têm seguro, têm dificuldade de acesso aos serviços de saúde essenciais, recebem menos cuidados, menos medidas de prevenção e têm menos saúde que os segurados.
Em Inglaterra, (de onde Portugal quer importar a experiência), Martin Blaiklock, no British Medical Journal, denuncia que as parcerias público/privado inglesas foram subestimadas, porque na realidade são mais caras do que as alternativas públicas.
3º - "A gestão privada tem-se associado a más experiências noutros campos”.
Com a entrega de exploração de áreas do Porto de Sines a privados, verificou-se o aumento dos custos portuários.
O “apagão de NY”, resultou da pouca eficiência e qualidade dos privados que gerem o sector da electricidade.
A experiência mostra que é importante “discutir a natureza das privatizações de áreas sensíveis para o interesse nacional”.
TÓNICO
Um escândalo meticulosamente preparado?b>
Publicado por agineotonico às 04:58 PM
outubro 21, 2003
PORTUGUÊS SUAVE

Não querendo transformar isto numa discussão cientifica, nos blogs, em torno dos malefícios do tabaco, não posso deixar de entrar na discussão do “Português Suave” colocado pelo Aviz e enaltecer a clareza do nosso médico de serviço, nas suas explicações sobre os malefícios deste pernicioso ... e gostoso como todos ... os vícios.
Só referir que , como vêem na figura, já no séc. XlX se proibia o tabaco.
E, depois, referir ainda que em 2003 já não é só o fumo do tabaco que nos mata ... é necessário ar limpo.
“The quest for clean air is hygienic-like avoiding water contaminated with feces was 150 yr ago” … como se pode ler em “Stop inhaling smoke: prevent coronary heart disease. Kilburn KH. Arch Environ Health. 2003 Feb;58(2):68-73.
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 08:25 AM | Comentários (3)
outubro 18, 2003
Cirurgião e juízes
Gostei da tua forma de colocar a questão, da comparação que estabeleces entre estas duas profissões, médicos e juízes.
O paralelismo conseguido parece-me perfeito, tratando-se de duas profissões cujas decisões podem afectar seres humanos naquilo que têm de mais sagrado: o direito à vida e o direito à justiça.
Mas discordo totalmente da tua conclusão sobre Rui Teixeira e do rótulo que lhe metes, sem conheceres todos os meandros do processo.
No fundo, o que acabaste por fazer foi acusar RT de ter cometido um erro de negligência, quando o erro cometido pode, talvez, ser imputado ao sistema (neste caso judicial).
Não conheço o suficiente deste processo para me atrever a tomar uma posição desse tipo ...
Não me atreveria a catalogar tão facilmente uma pessoa por actos que resultam de estratégias que desconheço ...
Uma coisa eu sei, independentemente da inocência ou culpabilidade dos que foram constituídos arguidos, 1) há crianças que foram severamente maltratadas e que importa saber quem são os culpados; 2) sabemos por experiência que no nosso país raramente uma figura pública é acusada seja do que for mesmo perante evidências; 3) que as redes de pedofilia servem pessoas de grande poder económico e político e que, como se passou noutros países, só são levados a tribunal a "arraia miúda" e 4) que a dificuldade deste processo, ao contrário do que se passa com o resultado da acção do cirurgião que fica com um cadáver para provar a história, é que aqui é complexo formar a prova porque ninguém foi apanhado emflagrante delito. Assim, tens a prova física do abuso, o corpo violado das crianças, mas não tens o resto.
Mas não quero avivar esta discussão, apenas dizer que RT o meto no limbo, lhe dou o benefício da dúvida ...
abraço
GIN
Publicado por agineotonico às 06:39 PM
O Juiz é um Cirurgião?

“Nunca comece nada sem ter pensado no resultado final do que for fazer.”
(O Rei, o Sufi e o Cirurgião)
Ser cirurgião é uma tarefa interessante e cheia de riscos.
Será? Dirá o comum dos mortais, “uns pedantes é o que é!”
Mas se for neurocirurgião ou cirurgião cardíaco aí o caso muda um pouco: um gesto intempestivo, uma atitude brusca e lá se foi o doente ... enfim, convêm que tenha bom senso e que decida bem ...
Ser juiz também é uma tarefa interessante e cheia de riscos?
Riscos? Dirá o comum dos mortais: onde está o risco? ... o risco é mandar para a cadeia durante seis meses, ou mesmo mandar uma vida para a cadeia, um indivíduo que não tem culpa.
Sim, a cadeia pode ser igual à morte, à morte psíquica de um indivíduo.
A morte psíquica é muito mais forte que a morte física.
E há o remorso. Não pensem que não existe, sim, há o remorso de fazer algo que, embora correcto, levou a um desastre: o cirurgião à morte ou à incapacidade do doente; o Juiz à morte psíquica.
E, assim, há bons e maus cirurgiões e há bons e maus juízes.
Os maus cirurgiões não são, muitas vezes, conhecidos do grande público, mas são dentro da classe e têm, por vezes, grande fama pública.
Os maus juízes também só são conhecidos dentro da classe.
Mas o que faz ser bom ou mau cirurgião e bom ou mau juiz? Um dom natural, uma característica genética?
Por vezes não. Na maioria dos casos a dedicação, o conhecimento resultante do esforço de manter uma informação actualizada, um bom senso adquirido e a calma, a calma que se adquire quer numa tentativa de vida pessoal e interior equilibrada, quer a calma necessária para viver a vida profissional dentro de sistemas muitas vezes complexos e conflituosos.
Por outro lado, a questão da necessidade de uma formação, actualização e troca de experiências constante. Muitos cirurgiões operam bem mas só sabem uma técnica, se o substrato muda, muda o resultado e este pode rondar o desastre.
Alguns juízes, a meu ver, não fundamentam bem as suas decisões, não vêem bem todas as problemáticas em presença e, de um momento para o outro, rondam o desastre.
Como dizia, há bons e maus médicos, há bons e maus juízes.
Há médicos que nunca passarão da mediania e continuam a estar em hospitais e há juízes que nunca passarão da mediania e continuam a estar em tribunais.
É assim que vejo Rui Teixeira ... muito voluntarioso mas na mediania..
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 02:44 PM
Da GIN para o TÓNICO
De todas as coisas que aqui disseste sobre o erro médico, vou apenas questionar o que se refere "ao erro negligente e não negligente" porque essa questão encerra todas as outras, acho eu.
É que a questão do erro está, exactamente, na definição do que é negligência e não negligência.
Quando se diz que "o erro médico é cometido maioritariamente por bons médicos", seria importante que se determinasse claramente a existência de negligência ou não neglicência.
Um bom médico, pode cometer erros por negligência por ter agido com excesso de confiança, por ter deficiente comunicação com o doente e a sua família, por ter pouco tempo disponível, etc;
mas um bom médico pode, também, ser acusado de ter cometido um erro, quando numa situação crítica e em desepero de causa, aplica procedimentos que visam salvar a vida de um doente "perdido" (como muitos consideram, param e não arriscam), pode ser acusado de erro quando as caracteristicas específicas de um doente concreto, leva a complicações depois do acto realizado e pode, ainda, ser acusado de erro quando a culpa é do próprio sistema (como referes).
Parece-me claro qual a importância de tornar clara as diferenças entre estas duas situações.
(já voltarei para continuar a falar deste assunto mas espero que respondas a estas)
GIN
Publicado por agineotonico às 12:57 PM
outubro 17, 2003
O ERRO MÉDICO
No dia 4 de Outubro, no IPO do Porto, realizou-se o 2º Colóquio do Jornal Electrónico " O p@pel do Médico".
Das diversas intervenções havidas, vou apenas referir as que se relacionam com "o Erro Médico".
O prof. Duarte Nuno Vieira (Instituto Nacional de Medicina Legal),
1) caracteriza o médico que é alvo de acusação de erro médico:
- tem mais de 10 anos de experiência profissional:
- possui múltiplas funções;
- cai na falsa segurança criada pela experiência;
- muitos deles, não valorizam a formação continuada e afastaram-se dela.
2) define as condições que facilitam o erro médico:
- deficiente comunicação médico/doente/famílas;
- falta de tempo e indisponibilidade pessoal;
- os pequenos procedimentos clínicos ou cirúrgicos;
- os deficientes, ou mesmo inexistentes, relatórios da acção e as prescrições verbais;
- a utilização de instalações inadequadas ou mal cuidadas.
O Prof. Guilherme Oliveira, da Faculdade de Direito do Porto, abordou o erro médico sob o ponto de vista jurídico e, considera que existe uma grande dificuldade em fazer a distinção entre "erro negligente e não negligente" porque, na confrontação com a prática clínica e em casos concretos, a actividade médica é de grande complexidade e incompreensível para um leigo.
Diz, ainda, que a maioria dos erros médicos são cometidos por bons médicos e que podem resultar do próprio sistema, sendo injusto penalizar o sujeito.
Por outro lado, considera que o Direito não está a cumprir os seus objectivos relativamente ao erro médico porque "nem a responsabilidade penal evita novos crimes, nem a responsabilidade civil indeminiza quem deve, nem a responsabilidade disciplinar chega a todos os médicos que cometem faltas".
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 10:00 PM | Comentários (2)
outubro 16, 2003
GANHOS OU PERCAS EIS A QUESTÃO!
O ministro da Saúde apresentou o Plano Nacional de Saúde, onde se definem as estratégias para o período 2004-2010.
Os objectivos definidos são, a saber, a obtenção de ganhos em saúde.
Esqueceu-se o Ministro de dizer, ganhos para quem?
Ganhos para os grandes investidores privados a quem tem vindo a oferecer, sem critérios, os serviços de saúde?
Ou ganhos para o Estado que se vê livre da sua obrigação de não alienar o serviço nacional de saúde?
Porque na perspectiva do cidadão comum, não tem havido ganhos, mas percas, e significativas.
Na perspectiva dos profissionais de saúde, não tem havido ganhos, mas percas, e significativas.
Ganhos ou percas eis a questão
Os hospitais já sentem, actualmente, limitações de toda a ordem a que se juntou a instabilidade provocada pelas medidas legislativas inconsistentes. Em 2004, o OE prevê um corte de mais de 20 por cento para promover os tais ganhos na saúde de que o ministro fala.
Acredito que dentro de poucos anos vão aparecer os ganhos, mas ganhos para o sector privado.
Os doentes, ou melhor, os clientes, como agora se passaram a chamar, serão os grandes perdedores deste Plano Nacional de saúde que tem como objectivo os tais ganhos de que o ministro fala mas não diz para quem.
"O resultado deste trabalho deve ajudar-nos a definir prioridades claras e intervenções para ganhos em saúde ao mesmo tempo que assegura a eficiência e o respeito por valores que defendemos", afirmou o ministro.
Pois, e que valores defende o Sr. Ministro?
O da privatização de todos os serviços de saúde menos honorosos?
O aumento do custo da saúde para os utentes dos serviços?
É que segundo estudos realizados, Portugal é dos países da Europa em que os serviços de saúde saem mais caros para os seus utentes ...
GIN
Publicado por agineotonico às 11:28 PM | Comentários (3)
A decadência de uma estratégia III
O Governo, através do seu Ministro da Saúde, poderia explicar porque razão ficam as farmácias de fora da tutela da Entidade Reguladora da Saúde. Esta é uma excepção inexplicável.
“Não duvidamos que esta entidade vai ser uma fonte de conflitos, de maior burocracia e de duplicação de estruturas, que funcionam até agora como reguladoras e fiscalizadoras das actividades dos vários agentes”.
Queixas de doentes e profissionais “vão ser facilmente contraditadas, com respostas a não chegarem em tempo útil de eventual reparação”.
Em alguns países da Europa, existem estruturas fiscalizadoras da acessibilidade e da garantia dos cuidados de saúde prestados, mas quer os seus poderes, quer o seu âmbito de actuação é muito reduzido e, mesmo assim, questiona-se a sua acção, a sua independência e utilidade.
Não é este o percurso que os profissionais de saúde querem, esta não é a sua escolha.
“É fundamental introduzir competitividades entre os prestadores, mas não é com o sacrifício do papel regulador do Estado (só possível por um sector público moderno e competitivo) que os patamares de excelência são alcançados.
Só com o empenho dos médicos e das equipas nos serviços, com a dinâmica gerada por uma forte motivação, seremos capazes de alcançar a qualidade desejável”.
(retirado de um artigo de Dr. Ant. Reis Marques, Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos médicos).
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 07:54 PM
A decadência de uma estratégia II
Ainda em relação às alterações que têm vindo sendo feitas pelo Ministério da Saúde, parece que alguns ganhos foram conseguidos com as correcções das disfunções que existiam em relação ao medicamento.
Tudo o resto, segundo o Dr. Ant.º. Reis Marques, "são cortes cegos nos orçamentos, demissão de administrações há pouco nomeadas, contratos-programa não assinados, ausência de uma política transparente de incentivos”.
Perspectiva-se o fim do Serviço Nacional de Saúde, “produto generoso e solidário de várias gerações, mal amado hoje, por não adequável aos ventos que sopram no nosso País”.
O Estado opta pela entrega do SNS aos privados, em vez de incentivar a iniciativa privada dos profissionais e das instituições de solidariedade. Esta situação é portadora de tensões e exclusão e os pagadores serão as populações mais vulneráveis.
Cria-se então, a ‘Entidade Reguladora da Saúde’, que supostamente deveria acautelar actuações de discriminação na prestação de cuidados de saúde. Mas esta estrutura “nasceu um monstro, capaz de abafar e perseguir quem não lhe obedeça”.
Esta entidade Reguladora é nomeada pelo governo e as pessoas que a compõem têm um estatuto inamovível durante 5 anos, não têm experiência profissional no campo da saúde, pelo que a sua independência é, no mínimo duvidosa.
Os poderes que lhe são conferidos “vão desde o perfil dos gestores, às normas de boas práticas e guidelines de actuação por patologias, verificação da qualidade de prestação, acompanhar o desempenho público e privado dos profissionais e das unidades, estabelecer e aplicar coimas a eventuais prevaricadores”.
Mas o que é grave é que “tudo é feito sem recurso a tribunais e sem controle democrático, em nome do interesse público e da salvaguarda das populações”.
(retirado de um artigo de Dr. Ant. Reis Marques, Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos médicos)
TÓNICO
"A decadência de uma estratégia"
Publicado por agineotonico às 07:13 PM
outubro 14, 2003
A decadência de uma estratégia
Há muitos anos que se tornou clara, a necessidade de mudanças no sector da saúde, de passar de um modelo caduco de gestão hospitalar clássico, para novas formas e métodos empresariais de administração.
A consensualidade em torno da introdução de mudanças de gestão que permitisse “a avaliação e qualidade do desempenho, introduzir formas de gratificar as diferenciações positivas no trabalho desenvolvido, alterar a política de medicamento, reforçar o papel dos serviços, racionalizar os meios disponíveis, etc.”, era suficientemente forte para que se tivesse posto em marcha uma estratégia coerente que criasse as condições de alteração, com sucesso, da Administração Hospitalar.
Mas as medidas legislativas levadas a cabo, resultaram na “devastação da organização, da cultura e da motivação dos operadores do sistema de saúde”.
O Estado tem vindo a abandonar, progressivamente, as suas obrigações sociais e a deixar nas mãos do poder económico e das leis do mercado, os cidadãos mais indefesos.
O abrir caminho para a entrada dos grandes grupos económicos nos hospitais, passou pela introdução dos contractos individuais de trabalho e pela passagem dos hospitais a Sociedades Anónimas (SA), de que resultou um clima de grande instabilidade dentro das unidades prestadoras de serviços de saúde.
“O resultado visível foi a nomeação partidária das administrações, a falência anunciada das SA, a falta de qualquer instrumento de gestão que impulsione a mudança, a desmotivação dos profissionais, a baixa de qualidade da medicina disponibilizada.
De substancial tudo vai para pior, apesar dos números virtuais que nos são referidos quanto ao desempenho de alguns hospitais”.
(retirado de um artigo de Dr. Ant. Reis Marques, Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos médicos)
TÓNICO
A decadência de uma estratégia
Publicado por agineotonico às 06:16 PM
Taxas Moderadoras + caras que exames
A Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde (FNS), alertou para o facto de estarem a ser cobradas aos cidadãos taxas moderadoras de valor superior, em alguns exames, à comparticipação que é paga pelo Estado ao sector convencionado. (Jornal Tempo de Medicina)
Segundo a FNS, isto permite ao Estado "arrecadar receitas", mesmo sabendo que incorre na ilegalidade, uma vez que a lei não permite que as taxas moderadoras excedam em um terço o custo dos exames, como se passa em alguns destes casos.
A nova tabela da taxas moderadoras, faz com que o utente do serviço nacional de saúde passe a pagar mais 35 a 40% por consulta, por urgência e por serviço domiciliário. Mais de duas centenas de actos clínicos até aqui gratuitos, passaram também a ser taxados.
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 07:30 AM
outubro 01, 2003
O BODE EXPIATÓRIO
A Ordem dos Enfermeiros (OE) cumpriu o seu papel de avaliação da prática das duas profissionais envolvidas no caso do jovem que morreu, por asfixia, no Hospital Egas Moniz.
Curiosamente, consideram não ter provas que elas pudessem ter evitado as complicações pós-operatórias e a morte do doente.
Parece que estas enfermeiras foram alvo de suspensão porque não avaliaram a causa da ansiedade do doente, que era da sua responsabilidade, porque “confiaram na informação que tinham que o doente era ansioso” fornecida pelos médicos.
Consta, ainda, que contactaram telefonicamente com o cirurgião e com a anestesista e ministraram a medicação que estes prescreveram.
Confesso que não sei que mais consta no tal relatório de avaliação da prática destas duas profissionais, mas o que transparece é que elas foram, com o apoio da OE, da Ordem dos Médicos e da Inspecção Geral de Saúde, o bode expiatório deste processo.
A OE, mesmo sem provas claras que as faltas cometidas tenham estado na base da morte do doente, suspende as enfermeiras.
A Ordem dos Médicos, enterra a cabeça na areia como a avestruz, não averigua a responsabilidade dos médicos.
A Inspecção Geral de Saúde, alegando falta de provas, iliba os médicos envolvidos.
E um jovem morre apenas porque duas enfermeiras confiaram na palavra dos médicos???
Mas acalmemos os nossos receios que as enfermeiras foram suspensas ....
O TÓNICO
Publicado por agineotonico às 09:45 PM
NO COMMENTS
ENFERMEIRAS SUSPENSAS
O não cumprimento do regulamento e a má prática do exercício das funções são algumas das razões que constam no relatório ... da Ordem dos Enfermeiros (OE) que concluiu pela suspensão das duas enfemeiras que estiveram envolvidas no caso do jovem que morreu, por asfixia, no Hospital Egas Moniz, Lisboa, há um ano.
A enfermeira Madalena S. está proibida de exercer durante um ano e a profissional espanhola, Mercedes R., responsável pelo doente, teve suspensão por dois anos.
... a Ordem cumpriu o papel de avaliar a prática das enfermeiras e concluiu que não temos provas que estas profissionais pudessem ter evitado o desenvolvimento das complicações pós-operatórias e a morte do jovem ... acrescenta, "as enfermeiras deveriam ter averiguado a causa da ansiedade manifestada pelo doente, porque compete à enfermeira avaliar essa causa, e não o fizeram, confiaram na informação que tinham que o doente era ansioso, o que revela um procedimento incorrecto".
... as enfermeiras estabeleceram contacto telefónico com o médico cirurgião e a médica anestesista, que, por telefone, prescreveu um medicamento, que lhe foi administrado, o que também "não é boa prática" profissional.
... a pena é devida, mas não deve servir de bode espiatório nem de cortina de fumo para ocultar responsabilidades do médico, pois qualquer analista sabe que o doente faleceu após a intervenção cirúrgica, obviamente mal feita". A IGS ilibou os médicos por falta de provas.
Publicado por agineotonico às 08:45 PM
setembro 29, 2003
ENFERMEIRAS ACUSADAS
Ordem dos enfermeiros suspende enfermeiras envolvidas no caso de morte por asfixia no Hospital Egas Moniz.
Se o que a TSF afirma é verdade, estamos uma vez mais perante uma atitude cooperativista da ordem dos médicos que em nada dignifica a classe.
Afinal quem é o responsável máximo pelo tratamento de um doente? O enfermeiro?? É apenas da competência dos enfermeiros avisar da situação clínica de um doente? Porque razão são só os enfermeiros acusados e penalizados??
Em relação aos médicos envolvidos, será que não era melhor vir a lume toda a verdade? Ou por ter pedido a reforma (dizem as más línguas) já não se assume as responsabilidades?
Dúvidas que, certamente, um correcto jornalismo de informação deveria ter a preocupação de investigar no sentido de informar e esclarecer os seus públicos.
Os próprios médicos deveriam ser os primeiros a exigir à sua Ordem que tivesse maior rigor no apuramento de responsabilidades dos seus membros para que a população ganhasse confiança numa classe que teme mas não confia e que cada vez mais é posta em causa. As consequências do encobrimento destes casos recai sobre toda a classe e começaremos a assistir a médicos a ser postos em causa e acusados por situações que nada têm a ver com negligência, como parece ter sido este caso, mas por ocorrências que estão descritas como possíveis.
Tónico
Publicado por agineotonico às 03:49 PM
setembro 27, 2003
Privatização da saúde
“Em ano e meio, o Governo criou todas as condições para diminuir as responsabilidades do Estado no sector da Saúde.
A VERDADE “NUA E CRUA” é que o governo está a “ VENDER” o Serviço Nacional de Saúde aos grupos económicos privados.”
(in comunicado do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses)
A vender, vender não digo ... mas a colocar uma boa parte do SNS no sector privado, disso não tenhamos dúvidas.
Mas como as listas de espera não vão acaba, até pode dar algum jeito.
Tónico
Publicado por agineotonico às 10:38 AM
setembro 24, 2003
O ano da verdade ... saúde cumpre!
Sampaio chama notáveis da saúde ...
O ano da verdade ... saúde cumpre!
“Expresso 20/09/03”
“Conseguimos uma redução dos custos à custa de uma maior racionalização de recursos” Nos hospitais empresarializados e, comparando o primeiro semestre deste ano com período igual de 2002, a massa salarial só aumentou 0,6%”.
A demagogia deste ministério é atroz ... a única coisa que estes senhores fizeram nos hospitais empresa foi:
1) Congelar qualquer entrada e facultar as saídas. Sim, em termos práticos não entrou ninguém e mesmo os médicos que acabavam uma especialidade de 5 ou 6 anos foram confrontados com uma de duas alternativas: a) ou com um contrato de 6 meses nos hospitais empresarializados ou b) com um contrato de 3 anos nos restantes hospitais públicos ligados à função publica ....... como optarias Gin? ...... claro, pelo público, mais estável porque já se conhecem as regras e que nestes “hospitais privados” se teima em não as redefinir em termos de gestão privada e onde trabalham milhares de funcionários públicos.
Mas atenção, se isto acontece não é culpa só deste governo. Durante anos a saúde foi mal administrada, mal gerida, mal distribuída. Os hospitais não foram actualizados, não se incentivou o deslocamento de profissionais para a periferia ... enfim, centenas de erros que se traduzem hoje nesta desgraça. Reparem que estes jovens especialistas não deveriam ficar noutro hospital da área de Lisboa ou do Porto, deveriam ser colocados fora, em zonas criticas, criando e desenvolvendo pólos que tornasse atractiva a ideia de fazerem a sua vida futura por lá. Vejam a vizinha Espanha e sigam o exemplo.
2) Alterar a estatística dos serviços para se adequar à leitura que lhes convém. Na maioria dos serviços a prática, a forma de actuar, o número de altas dadas, o número de cirurgias realizadas é o mesmo, mas houve uma melhoria significativa dos índices. Porquê?? Porque se alterou a estatística. Foi unicamente esse tipo de estratégia que os novos administradores, vindos sabe-se lá de onde, souberam fazer.
Como é possível que estes hospitais estejam bem administrados?
A gestão hospitalar é muito complexa, mais complexa que a maioria das empresas de outros ramos. Muitos, se não a maioria, dos administradores colocados nos hospitais não têm experiência de gestão hospitalar e, mais grave ainda, nem sequer parecem ter grandes capacidades de gestão já que nada fazem.
Os hospitais empresarializados estão com terríveis crises internas, a situação pouco clara e a ausência de directivas objectivas têm vindo a desgastar os serviços. Espero que os “notáveis” que vão ao Presidente tenham alguma ideia desta realidade.
3) Não pagar horas extraordinárias. Concordo que em alguns sítios elas eram muito exageradas, que era necessário rentabilizar os serviços, mas francamente não é cortar sem ter em conta o mínimo de actividade assistencial porque a quebra da actividade assistencial não pode nem deve ser nunca afectada ... e já é!
O que irá a acontecer a estes hospitais ?
Na maioria, não tenho dúvidas, estão a ser preparados para tratar sobretudo patologias pouco honorosas para depois serem vendidos a privados e assistiremos cada vez mais a administradores hospitalares irem a Madrid buscar os médicos que são recusados por lá.
Isto não passa de mais uma manobra financeira no sentido da privatização e da desresponsabilização do Estado no que diz respeito à saúde.
Muito mal vai esta medicina em Portugal ... onde está a qualidade ... o mérito ..o prestígio dos nossos antepassados do início do século XX? Na lama certamente...
Bem!!! das listas de espera falaremos depois ....
Lá vou tomar mais um gintónico para descomprimir ...
O Tónico
Publicado por agineotonico às 06:43 PM
setembro 23, 2003
Ingresso em Medicina
“Mais uma vez, Medicina conquistou as médias mais elevadas, com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto a registar a nota mais elevada do último aluno colocado: 185,8 pontos. A classificação mais baixa coube à Faculdade de Medicina da Universidade Técnica de Lisboa: 181,5 pontos.” (JN 23/09/03)
Porque continuamos nesta palhaçada de quem vai para medicina terem, forçosamente, de ser os indivíduos que têm melhores notas? Será que no próximo ano melhorará o nível dos candidatos seleccionados com o novo modelo de concurso de acesso?
Em que critérios se baseia a opção de seleccionar a entrada em medicina pela nota de disciplinas gerais, que pouco ou nada têm a ver com as aptidões de cada um para um, para o exercício de uma profissão? Quais os critérios, no caso concreto da medicina em que para além do necessário saber científico e técnico, necessita de dedicação, de espirito de sacrifício e de uma constante actualização que apenas se pode obter possuindo espírito crítico e uma boa dose de criatividade?
Nos dias de hoje, não basta deter os conhecimentos técnicos e científicos, é necessário que os jovens médicos tenham capacidades para produzir conhecimento e, isso, essa capacidade não se determina através de uma selecção que tem como referência as inflacionadas notas das disciplinas gerais.
E a propósito desta questão que coloco e como vai mal a nossa medicina em relação a estes princípios, pergunto: quantos médicos conhecem com uma verdadeira dedicação à profissão e com capacidades de produção de conhecimentos que lhes permita uma abordagem abrangente no tratamento dos doentes?
Poucos certamente. E com os ingressos no curso de medicina desta forma, suspeito que teremos formação de onde sairão investigadores para um lado e médicos para a clínica para o outro mas, de entre estes últimos, poucos que verdadeiramente nos tratem. Na verdade, basear a selecção nos critérios actuais, impede o ingresso nos cursos de medicina de candidatos de classes sociais diferenciadas, nomeadamente, daqueles cuja classe de origem é igual ou próxima da classe da maioria dos doentes. Todos temos consciência da subjectividade subjacente às notas dadas aos alunos e muitos jovens que, eventualmente, estejam verdadeiramente vocacionados para o exercício da prática médica vêm, à partida, as portas fechadas para uma profissão em que gostariam de investir.
Por isso, advogo o concurso por escola médica. Cada escola faz uma prova de acesso e o candidato é seleccionado por essa prova que deverá ter, para além de uma componente de avaliação de conhecimentos, em que poderá entrar a nota do secundário, terá forçosamente de ter uma entrevista e, eventualmente, outras provas de aptidão.
Vou beber mais um GinTónico para animar
Beijos Gin do Tónico
Publicado por agineotonico às 06:06 PM | Comentários (21)