fevereiro 01, 2005

A política é perfilada pelas elites, para as elites


Ela muda só quando políticas particular perdem o favor dos homens que estão abrigados aos pés do poder. É o que torna a insurgência de Baker-Scowcroft-Brzezinski notáveis. Eles indicam o número crescente de estudiosos da política, eminências pardas de corporações e pessoas políticas influentes que já não apoiam a ocupação do Iraque. A sua posição de influência e respeito entre os seus colegas parece torná-los a última esperança para os americanos anti-ocupação (...)
O abismo crescente entre as elites americanas não terá efeitos mensuráveis sobre a Casa Branca em pé de guerra. A administração já anunciou a sua intenção de manter pelo menos 120 mil soldados instalados no Iraque durante os próximos três anos, no mínimo. Isto é uma mensagem clara aos objectores de que os seus conselhos foram devidamente rejeitados. Como disse recentemente Donald Rumsfeld, "Não haverá críticas posteriores". O grande plano de ocupar o Iraque continuará e as vozes da razão serão silenciadas.

Ao marginalizar Baker, Scowcroft e Brzezinski a administração está a cortar os laços com os seus pais ideológicos. O projecto no Iraque agora está desligado da análise fundamentada de peritos políticos conservadores e é apoiada apenas pela ideologia de extrema direita de políticos extremistas. Na medida em que são cada vez mais eliminadas do terreno as pessoas que poderiam proporcionar algum auxílio racional à sangria, o projecto torna-se mais inoculado com a retórica incendiária da religiosidade e do nacionalismo. A cruzada no Iraque agora é apoiada apenas por frágeis escoras de arrogância e ilusão; os fundamentos da catástrofe.
(Resistir)

Publicado por agineotonico às 04:55 PM | Comentários (1)

janeiro 20, 2005

A guerra que se segue


Seymor Hersh (vencedor de um prémio Pulitzer e responsável pela denúncia de abusos contra prisioneiros iraquianos na prisão de Abu Ghraib) disse, na revista "New Yorker", que os Estados Unidos estão a preparar terreno para um ataque contra o Irão desde meados do ano passado. O Pentágono desmente e alega que o artigo em causa está "cheio de erros".
Esta notícia surge depois de ter sido denunciado que os Estados Unidos teriam desenvolvido acções de espionagem em 30 locais suspeitos de terem armas nucleares.
O governo irariano já respondeu dizendo que "as declarações de George W. Bush contribuem para "sabotar as discussões construtivas entre o Irão e a União Europeia sobre o tema do nuclear" (...) "a República Islâmica do Irão vai responder com determinação a qualquer acto irreflectido, tendo do seu lado um enorme apoio popular, a sua diplomacia e o seu potencial militar".
(Público)

Publicado por agineotonico às 07:23 AM

dezembro 13, 2004

As provas pedidas pelo embaixador


David T Johnson,
Embaixador em exercício,
Embaixada dos Estados Unidos
Londres

Caro Sr. Johnson, no dia 26 de Novembro, o seu conselheiro para a imprensa enviou uma carta ao Guardian protestando vigorosamente contra uma frase na minha coluna desse mesmo dia. A frase era a seguinte: “No Iraque, as forças norte-americanas e as dos seus anfitriões deixaram de se preocupar em ocultar os seus ataques a alvos civis e estão a eliminar abertamente todos aqueles – médicos, padres, jornalistas – que se atrevem a contar os cadáveres”. A sua maior preocupação dizia respeito à palavra “eliminar”.
A carta sugeria que a minha acusação era “desprovida de fundamentos” e pedia ao Guardian para a desmentir ou para apresentar “provas desta acusação extremamente grave”. É muito raro que funcionários da embaixada americana se envolvam abertamente com a imprensa livre de um país estrangeiro e, por isso, tomei esta carta muito a sério. Mas embora concorde em que a acusação é grave, não tenho a menor intenção de a desmentir. Ao invés disso, apresento aqui as provas que pediu.
(Naomi Klein)

Em Abril, as forças norte-americanas cercaram Faluja em retaliação pelas horríveis mortes de quatro empregados da Blackwater. A operação foi um fracasso, acabando as tropas americanas por deixar a cidade em poder das forças de resistência. A razão para a retirada foi que o cerco desencadeou revoltas por toda a região, despoletadas pelas notícias de que tinham sido mortos centenas de civis. Estas informações provieram de três fontes principais: 1) Médicos. O USA Today noticiava em 11 de Abril que “As estatísticas e os nomes dos mortos tinham sido recolhidas em quatro das principais clínicas nos arredores da cidade e no principal hospital de Faluja”. 2) Jornalistas da TV árabe. Se, por um lado, foram os médicos a informar o número de mortos, por outro, foram a al-Jazeera e a al-Arabiya que deram um rosto humano a essas estatísticas. Com equipas de operadores de câmaras independentes em Faluja, ambos os canais de televisão exibiram a todo o Iraque e a todo o mundo de língua árabe imagens de mulheres e crianças mutiladas. 3) Clérigos. Os relatos de um grande número de vítimas feitos pelos jornalistas e médicos foram repetidos por clérigos eminentes do Iraque. Muitos deles fizeram prédicas exaltadas, condenando o ataque, o que virou os membros das suas congregações contra as forças americanas e inflamou a revolta que forçou as tropas americanas a retirar.
As autoridades americanas negaram que tivessem sido mortos centenas de civis durante o cerco de Abril passado, e atacaram as fontes dessas notícias. Por exemplo, um “oficial superior americano” não identificado, falando ao New York Times no mês passado, rotulou o hospital de Falluja como “um centro de propaganda”. Mas as palavras mais violentas foram reservadas para os canais da TV árabe. Quando lhe pediram para se pronunciar sobre as notícias da al-Jazeera e da al-Arabiya de que tinham sido mortos centenas de civis em Faluja, Donald Rumsfeld, o secretário da Defesa americano, respondeu que “aquilo que a al-Jazeera anda a fazer é depravado, inexacto e imperdoável...” No mês passado, as tropas americanas voltaram a cercar Faluja – mas desta vez o ataque incluiu uma nova táctica: eliminar os médicos, os jornalistas e os clérigos que haviam atraído a atenção do público para as vítimas civis no ataque anterior.

ELIMINANDO MÉDICOS
A primeira operação importante feita pelos marines americanos e pelos soldados iraquianos foi atacar o hospital principal de Falluja, prender médicos e colocar as instalações sob controlo militar. The New York Times noticiou que “o hospital foi escolhido como um primeiro alvo porque os militares americanos consideravam que ele fora a fonte de rumores sobre o grande número de vítimas”, sublinhando que “desta vez, os militares americanos tencionam travar a sua batalha da informação, reagindo ou silenciando o que havia sido uma das mais potentes armas dos rebeldes”. The Los Angeles Times citou um médico a dizer que os soldados “roubaram os telemóveis” no hospital – impedindo os médicos de comunicar com o mundo exterior.
Mas este não foi o pior dos ataques aos trabalhadores da saúde. Dois dias antes, uma clínica de emergência crucial foi bombardeada até se transformar em entulho, bem como abastecimentos médicos no dispensário na porta ao lado. O dr. Sami al-Jumaili, que estava a trabalhar na clínica, afirma que as bombas ceifaram as vidas de 15 médicos, quatro enfermeiras e 35 pacientes. The Los Angeles Times relatou que o administrador do hospital geral de Faluja "havia contando a um general americano a localização do centro médico provisório no centro da cidade" antes de este ser alvejado.
Quer a clínica tenha sido alvejada expressamente, quer destruída acidentalmente, o efeito foi o mesmo: eliminar muitos médicos de Faluja da zona de guerra. Tal como disse o dr. Jumaili ao Independent no dia 14 de Novembro: “Não há um único cirurgião em Faluja”. Quando a luta avançou para Mosul, utilizou-se uma táctica idêntica: quando entraram na cidade, as forças americanas e iraquianas assumiram de imediato o controlo do hospital de al-Zaharawi.

ELIMINAÇÃO DE JORNALISTAS
As imagens do mês passado do cerco a Falluja provieram quase exclusivamente de repórteres contratados pelas tropas americanas. Isto porque os jornalistas árabes que haviam feito a cobertura do cerco de Abril numa perspectiva civil foram efectivamente eliminados. A al-Jazeera não tinha câmaras no terreno porque fora proibida indefinidamente de actuar no Iraque. A al-Arabiya teve de facto um repórter independente em Falluja, Abdel Kader Al-Saadi, mas a 11 de Novembro as forças americanas prenderam-no e mantiveram-no detido enquanto durou o cerco. A detenção de Al-Saadi foi condenada pelos Repórteres Sem Fronteiras e pela Federação Internacional dos Jornalistas. “Não podemos ignorar a possibilidade de ele estar a ser intimidado apenas por tentar fazer o seu trabalho,” declarou a FIJ.
Não é a primeira vez que jornalistas no Iraque enfrentam este tipo de intimidação. Quando as forças americanas invadiram Bagdad em Abril de 2003, o Comando Central americano incitou todos os jornalistas independentes a abandonarem a cidade. Alguns insistiram em ficar e pelo menos três deles pagaram com as suas vidas. No dia 8 de Abril, um avião americano bombardeou os escritórios da al-Jazeera em Bagdad, matando o repórter Tareq Ayyoub. A al-Jazeera tem documentação que prova ter ele fornecido às forças americanas as coordenadas da sua localização.
No mesmo dia, um tanque americano fez fogo sobre o Hotel Palestina, matando José Couso, do canal Telecinco da TV espanhola, e Taras Protsiuk, da Reuters. Três soldados americanos enfrentam agora um processo crime posto pela família de Couso, a qual alega que as forças americanas sabiam muito bem que os jornalistas se encontravam no Hotel Palestina e cometeram um crime de guerra.

ELIMINAÇÃO DE CLÉRIGOS
Tal como foram visados médicos e jornalistas, também o foram muitos dos clérigos que protestaram veementemente contra os assassinatos em Faluja. No dia 11 de Novembro, foi preso o Sheik Mahdi al-Sumaidaei, responsável pela Associação Suprema para Direcção e do partido Daawa (Supreme Association for Guidance and Daawa]. Segundo a Associated Press, “al-Sumaidaei incitou a minoria sunita a desencadear uma campanha de desobediência civil se o governo iraquiano não fizesse parar o ataque a Faluja”. No dia 19 de Novembro, a AP noticiou que as forças americanas e iraquianas assaltaram uma importante mesquita sunita, a Abu Hanifa, em Aadhamiya, matando três pessoas e prendendo outras 40, incluindo o clérigo principal – outro opositor do cerco a Falluja. No mesmo dia, a Fox News noticiou que “as tropas americanas também invadiram uma mesquita sunita em Qaim, perto da fronteira síria”. A notícia descrevia as prisões como sendo “uma retaliação pela oposição à ofensiva contra Falluja”. Também foram presos nas últimas semanas dois clérigos xiitas, relacionados com o dirigente Moqtada al-Sadr; segundo a AP, “ambos haviam protestado contra o ataque a Faluja”.
“Nós não contamos corpos”, disse o general Tommy Franks do Comando Central norte-americano. A pergunta é: o que é que acontece às pessoas que insistem em contar os corpos – os médicos que têm de declarar a morte dos seus doentes, os jornalistas que documentam essas perdas, os clérigos que as denunciam? No Iraque, acumulam-se as provas de que essas vozes estão a ser sistematicamente silenciadas por muitos e diversos meios, desde as prisões em massa, até à invasão de hospitais, boicote aos meios de comunicação e ataques físicos bem visíveis e sem explicação.

Sr. Embaixador, creio que o seu governo e os seus anfitriões iraquianos estão a travar duas guerras no Iraque. Uma é contra o povo iraquiano e já custou cerca de 100 000 vidas. A outra é uma guerra contra as testemunhas.

[*] Jornalista, escritora e activista antiglobalização, canadiana.
Pesquisa adicional de Aaron Maté

Publicado em The Guardian, 04/Dez/2004. Tradução de Margarida Ferreira.

O original encontra-se em
http://www.guardian.co.uk/Columnists/Column/0,5673,1366348,00.html
e em http://www.nologo.org

Publicado por agineotonico às 03:33 PM

dezembro 10, 2004

Violações


U.S. service members reported 273 cases of sexual assault in Iraq, Kuwait, Afghanistan and Bahrain between August 2002 and December 2004. The Miles Foundation reports the victims of assault are predominantly female service members. The alleged assailants are primarily American male active duty military, according to the foundation, a sexual assault victim's advocacy group.
Among the victims are 47 female reservists who were activated to serve in Iraq. The list of alleged assailants includes seven who have multiple victims, Miles said. Some of the alleged assaults were committed by Iraqi, Kuwait and Saudi Arabian nationals, and members of coalition military forces including Pakistan, Italy, Australia and Great Britain. There were 31 reported sexual assaults on U.S. military members in the United States prior to their deployment.

Publicado por agineotonico às 07:36 AM

Fallujah Pictures


"Two weeks ago someone was allowed into Fallujah by the military to help bury bodies. They were allowed to take photographs of 75 bodies, in order to show pictures to relatives so that they might be identified before they were buried".
(Dahr Jamail's Iraq Dispatches)

Publicado por agineotonico às 07:32 AM

dezembro 08, 2004

Soldados descartáveis

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"Marion Fulk, um cientista nuclear reformado, diz que as tropas americanas contaminadas com urãnio empobrecido nos campos de batalha do Iraque, são soldados descartáveis".

Publicado por agineotonico às 03:18 PM

novembro 23, 2004

Israel expande-se no Iraque

The killing of an Israeli officer in Fallujah exposed the existence of a large number officers, snipers, and paratroopers in Iraq (...) The Israeli plan became clear due to various headlines, most prominent of which is dispatching Mossad operatives to establish offices and networks in the north, south, eliminate the Iraqi scientists and intensify the real estate purchase of property and land in the north; specifically in Arbil, Kirkuk and Mosul. This comes as a completion of the previous project, launched ten years prior to the fall of Baghdad, through Jewish Turks.
)...) Israel encourages the Kurdish leaderships to decentralize from Baghdad in administering their regions but at the same time, it aims at having the Kurdish parties play a pivotal role in the post-war Iraq due to the historical relations that it had established with the Kurds. More likely, Israel has advanced in developing the plan announced previously by the minister of infrastructure Joseph Paritzky that aims at laying oil pipelines from Iraq to Israel passing through Jordan; since a Turkish security report recently published by Jumhuriyet confirmed Israel's attempts to activate the line towards Haifa as soon as possible.
(...) The vast and unexpected expansion of the Israeli role in various fields in Iraq, confirms that Israel is the major beneficiary in the continuity of the war, same as it is the first beneficiary from the American escalation with Iran regarding its nuclear file."
(Rashid Khashana, Al-Hayat)

Publicado por agineotonico às 07:03 PM

Occupier of a Prime Minister's Chair


"Most Iraqis had celebrated the overthrow of the regime of Saddam Hussein. But under what has developed into a brutal and bloody occupation people are turning against the interim prime minister as they turned against Saddam (...) In July Paul McGeogh of the Sydney Morning Herald reported that two eyewitnesses saw Allawi execute six people at the security centre in the al-Amadiyah district of Baghdad. The men had been detained for allegedly attacking U.S. forces two weeks before the handover of power (...) The appointed interim prime minister has instituted martial law, threatened to detain journalists, and banned the Arab channel al-Jazeera from reporting within Iraq. Allawi's minister of justice has brought back the death penalty and spoken of chopping off the hands and heads of those described as insurgents."
(Dahr Jamail)


BAGHDAD, Nov 23 (IPS) - The prime minister is following in the footsteps of the last president. The rule of Ayad Allawi, the U.S. appointed interim prime minister of Iraq, is now more in the style of the dictatorship of Saddam Hussein than a leader of a supposedly democratic state.

Most Iraqis had celebrated the overthrow of the regime of Saddam Hussein. But under what has developed into a brutal and bloody occupation people are turning against the interim prime minister as they turned against Saddam.

One of Allawi's earliest moves after his appointment was to form a new version of the feared secret police in Iraq. The Economist reported that Allawi's rivals accused him of ”recruiting former torturers to man a new apparatus of oppression.”

In July Paul McGeogh of the Sydney Morning Herald reported that two eyewitnesses saw Allawi execute six people at the security centre in the al-Amadiyah district of Baghdad. The men had been detained for allegedly attacking U.S. forces two weeks before the handover of power.

The appointed interim prime minister has instituted martial law, threatened to detain journalists, and banned the Arab channel al-Jazeera from reporting within Iraq. Allawi's minister of justice has brought back the death penalty and spoken of chopping off the hands and heads of those described as insurgents.

Now comes the siege of Fallujah. At a refugee camp in Baghdad filled with families from the besieged city, anger erupts at the mention of Allawi's name.

”Ayad Allawi says we are his family,” said Mohammad Ali, a 53-year-old refugee wounded by U.S. bombs in his home in Fallujah. ”Can you attack your family, Allawi? Do you attack your own family, Allawi?”

Allawi is a traitor to the people of Iraq, said Dr. Um Mohammed who works at a hospital in Baghdad. ”He is an American puppet who enjoys the killing of Iraqis.” A trader in central Baghdad Abdel Hakim Abdulla said Allawi has ”never made a decision that benefits Iraqis.”

Anger is building up against Allawi also over the role he played before he was appointed interim prime minister. He is the man many hold responsible for providing fraudulent intelligence that Saddam Hussein posed a threat to the United States.

His now discredited statements to U.S. intelligence that Saddam Hussein had links to the terrorist attacks of Sep. 11 were used to justify the invasion of Iraq. This had shaken his credibility amongst Iraqis from the beginning.

The right-wing Daily Telegraph of London published a ”newly discovered” document from Allawi Dec. 14 last year. Allawi, who was then a member of the Iraqi Governing Council stated that the mastermind of the Sep. 11 terrorist attacks Mohammad Atta had been trained in Iraq with support from Saddam Hussein.

This fraudulent information was cited by U.S. intelligence as compelling evidence that Saddam Hussein had contacts with al-Qaeda. It was cited as justification for the failing occupation of Iraq.

A second part of the memo also believed to have been provided by Allawi alleged shipment of uranium from Niger to Iraq. This is another claim that has been proved false.

Allawi was reported by the International Herald Tribune to have said that Saddam Hussein had stashed billions of dollars in banks around the world. No evidence of these billions has emerged.

Allawi again was said again to have provided the 'intelligence' in a British government dossier that Iraq had weapons of mass destruction which could be made operational in 45 minutes, according to a report in the New York Times May 29 this year. This 'intelligence' has been acknowledged to be false.

Allawi, a Shia Muslim, was ”unanimously nominated” to the post of interim prime minister May 28 by the U.S.-appointed former Iraqi Governing Council.

Adam Daifallah wrote in the New York Sun that Allawi heads a group comprising primarily former Baathist associates of deposed dictator Saddam Hussein and ”has received funding from the CIA (Central Intelligence Agency of the United States) and has unsuccessfully worked with American intelligence for years to oust Saddam through coup attempts.”

Born in Baghdad in 1946 into a well-known business family, Allawi became a member of the Baath party after it rose to power. He left Iraq in 1971 to go to university in London, and did not return to his home country until just after the U.S.-led invasion last year.


Publicado por agineotonico às 02:45 PM

novembro 19, 2004

Dahr Jamail

é um correspondente do The NewStandard que tem feito a cobertura da guerra no Iraque.
Mantém um blog e as suas reportagens podem ser lidas em muitas páginas da net.
Além do mais, pode comunicar-se com ele por mail que, penso que como acontece comigo, ele responde.

Publicado por agineotonico às 08:17 PM | Comentários (5)

Não há vítimas civis em Falluja


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Publicado por agineotonico às 07:52 PM

11 de Setembro

Standley Hilton, cientista político e advogado na Califórnia, é o representante de 400 familiares de vítimas do ataque ao World Trade Center que acusam Bush de planear e mandar executar os atentados de 11 de setembro.
Argumenta ele que tem testemunhas que comprovam que os sequestradores dos aviões eram “agentes duplos, pagos pelo FBI e pela CIA”, que há documentos que comprovam ter havido simulação dos ataques, que há testemunhas que comprovam ter havido exercícios militares para “afinar” a operação e que a razão porque não funcionou o sistema de defesa aero-espacial se deveu ao facto de os seus responsáveis pensarem que se tratava de mais uma simulação.
As razões, diz Standley Hilton, foi criar o pretexto para justificar a invasão do Iraque e limitar drasticamente as liberdades nos EUA”.
Segundo sondagens recentes, cerca de metade dos nova-iorquinos acredita que a administração de Bush está, de alguma forma, implicada no 11 de setembro.
(Visão 611)

Por seu lado, Noam Chomsky, diz “que o Iraque fica exactamente no coração dos recursos energéticos mundiais. Tem imensa energia intocada e barata. Quem controlar o Iraque terá uma alavanca poderosa para controlar o mundo. Além de todos os lucros que isso representa para as corporações americanas, quem controlar a energia fica com uma influência enorme sobre os principais rivais dos EUA, isto é, as economias da Ásia e da Europa (...) por isso não se importam se aumenta o terrorismo”.
(Visão 610)

Pode ler mais opiniões sobre este assunto aqui.

Publicado por agineotonico às 07:20 PM

novembro 12, 2004

Despedida

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Publicado por agineotonico às 04:29 PM | Comentários (2)

O impensável torna-se normal


Os média que se dizem "de referência" falam de Faluja como se fosse povoada apenas por "insurrectos" estrangeiros. De facto, mulheres e crianças estão a ser assassinadas em nosso nome.
(John Pilger)

Iraque: o impensável torna-se normal
por John Pilger [*]

Os medias que se dizem 'de referência' falam de Faluja como se fosse povoada apenas por "insurrectos" estrangeiros. De facto, mulheres e crianças estão a ser assassinadas em nosso nome.

O importante ensaio de Edward S. Herman, "A Banalidade do Mal", nunca pareceu mais adequado. "Fazer coisas terríveis de um modo organizado e sistemático repousa na 'normalização' ", escreveu Herman. "Há habitualmente uma divisão de trabalho no fazer e no racionalizar o impensável, com a brutalização e morte directa feita por um conjunto de indivíduos ... e outros a trabalharem para melhorar a tecnologia (um melhor crematório a gás, um napalm mais adesivo e com queima mais prolongada, bombas de fragmentação que penetram a carne em padrões difíceis de detectar). É função do peritos, e dos media de referência, normalizar o impensável para o público geral.
Hoje (6 de Novembro), na Radio 4, um repórter da BBC em Bagdad referiu-se ao ataque em preparação à cidade de Faluja como "perigoso" e "muito perigoso" para os americanos. Ao ser perguntado acerca dos civis ele disse, de modo tranquilizador, que os US marines estavam "a avançar com um alto-falante" dizendo às pessoas para saírem. Ele omitiu dizer que dezenas de milhares de pessoas ficariam na cidade. E mencionou de passagem o "mais intenso bombardeamento" da cidade sem qualquer sugestão do seu significado para as pessoas debaixo das bombas.
Tal como para os defensores, aqueles iraquianos que resistem numa cidade que desafiou heroicamente Saddam Hussein, eles eram meros "insurrectos enfiados na cidade", como se fossem um corpo aliado, uma forma menor de vida a ser "varrida" (The Guardian): um terreno adequado para "caçadores de ratos", que é a expressão, relatada por outro repórter da BBC, utilizadada pela Guarda Negra (Black Watch) britânica. Segundo um oficial superior britânico, os americanos vêm os iraquianos como sub-homens (Untermenschen), termo utilizado por Hitler no Mein Kampf para descrever judeus, romenos e eslavos. Foi assim que o exército nazi colocou cidades russas sob cerco, massacrando combatentes e não-combatentes de igual modo.
Normalizar crimes coloniais como o ataque a Faluja exige tal racismo, a unir a nossa imaginação ao "outro". O tema das reportagens é que os "insurrectos" são conduzidos por sinistros estrangeiros da espécie que decapita pessoas: por exemplo, Musab al-Zarqawi, um jordaniano que se diz ser o "top operative" da Al-Qaeda no Iraque. Isto é o que os americanos dizem, é também a mentira mais recente de Blair ao parlamento. Incontáveis vezes isto foi papagaiado diante de uma câmara, para nós ouvirmos. Nenhuma ironia é observada no facto de que os estrangeiros no Iraque são esmagadoramente americanos e, segundo todas as indicações, odiados. Estas indicações vem organizações aparentemente críveis de inquéritos, uma das quais estima que dos 2700 ataques mensais da resistência, seis podem ser creditados ao infame al-Zarqawi.
Numa carta enviada a 14 de Outubro a Kofi Annan, o Conselho Shura de Faluja, que administra a cidade, afirma: "Em Faluja, [os americanos] inventaram um novo alvo vago: al-Zarqawi. Quase um ano decorreu desde que eles criaram este novo pretexto e sempre que eles destroem casas, mesquitas, restaurantes e matam crianças e mulheres dizem: "Lançámos uma operação com êxito contra al-Zarqawi". O povo de Faluja assegura que esta pessoa, se ela existe, não está em Faluja ... e não temos ligações a quaisquer grupos que apoiem comportamento tão desumano. Apelamos a si e urgimos das Nações Unidas [a impedirem] o novo massacre que os americanos e o governo fantoche estão a planear começar em breve em Faluja, bem como em muitas partes do país".

Nem uma palavra acerca disto foi relatada nos media 'de referência' da Grã-Bretanha e dos EUA.
"O que será preciso para sacudi-los do seu silêncio embaraçoso?" perguntou em Abril o dramaturgo Ronan Bennett, depois de os US marines, num acto de vingança colectiva pela morte de quatro mercenários americanos, terem morto mais de 600 pessoas em Faluja, número esse que nunca foi desmentido. Então, tal como agora, eles utilizaram o feroz poder de fogo da artilharia dos AC-130 e dos caça-bombardeiros F-16 e das bombas de 500 libras (227 kg) contra tugúrios. Eles incineraram crianças; os seus franco atiradores (snipers) jactaram-se de matar qualquer um, tal como o fizeram os snipers em Sarajevo.
Bennett referia-se à legião de silenciosos deputados trabalhistas que se sentam no fundo do parlamento, com honrosas excepções, e os lobotomizados ministros júnior (lembram-se de Chris Mullin?). Ele poderia ter acrescentado aqueles jornalistas que se esforçam de toda a maneira para proteger o "nosso" lado, que normalizam o impensável ao não fazerem o mínimo gesto perante a imoralidade e a criminalidade demonstrável. Naturalmente, ficar chocado com o que "nós" fazemos é perigoso, porque isto pode levar a um entendimento mais vasto da razão porque "nós" estamos ali e do sofrimento que "nós" causamos não só aos iraquianos como também em muitas partes do mundo em que o terrorismo da al-Qaeda é diminuto em comparação com o nosso.
Não há nada ilícito neste encobrimento; ele acontece à luz do dia. O exemplo recente mais gritante seguiu-se ao anúncio, em 29 de Outubro, pela prestigiosa revista científica Lancet, de um estudo em que estimava que 100 mil iraquianos haviam morrido como resultado da invasão anglo-americana. Oitenta e quatro por cento das mortes foram causadas pelas acções dos americanos e dos britânicos, e 95 por cento destas foram mortas por ataques aéreos e fogo de artilharia, a maior parte das quais eram mulheres e crianças.
Os editores do excelente MediaLens observaram a pressa -- não, a debandada -- em adoçar esta notícia chocante com "cepticismo" e silêncio. Eles relatam que, em 2 de Novembro, o relato do Lancet fora ignorado pelo Observer, Telegraph, Sunday Telegraph, Financial Times, Star, Sun e muitos outros. A BBC estruturou o relato em termos de "dúvidas" do governo e o noticiário do Channel 4 apresentou um trabalho alinhavado com base em informações da Downing Street. Com uma excepção, a nenhum dos cientistas que compilou este relato rigorosamente revisto por outros cientistas foi pedido que comprovassem o seu trabalho. Até que dez dias depois o pró-guerra Observer publicou uma entrevista com o editor do Lancet, tergiversando tanto que parecia estar a "responder aos seus críticos". David Edwards, editor do MediaLens, pediu aos investigadores para responder à crítica dos media. A sua meticulosa demolição pode ser vista no alerta de 2 de Novembro [ http://www.medialens.org ]. Nada disto foi publicado no media 'de referência'. Assim, o facto impensável de que "nós" nos havíamos engajado em tal carnificina foi suprimido -- normalizado. Isto recorda a supressão da morte de mais de um milhão de iraquianos, incluindo meio milhão de crianças abaixo dos cinco anos, em resultado do embargo conduzido pelos anglo-americanos.
Em contraste, não há qualquer questionamento dos media quanto à metodologia do Tribuna Especial Iraquiano, o qual anunciou que sepulturas em massa contem 300 mil vítimas de Saddam Hussein. O Tribunal Especial, um produto do regime quisling de Bagdad, é dirigido pelos americanos; cientistas respeitados nada querem ter a ver com ele. Não há questionamento daquilo a que a BBC chama "primeiras eleições democráticas do Iraque". Não há relatos acerca de como os americanos assumiram o controle do processo eleitoral com dois decretos aprovados em Junho que permitem a uma "comissão eleitoral" que elimine partidos de que Washington não goste. A revista Time relata que a CIA esta a comprar os seus candidatos preferidos, o que é a maneira como a agência conserta eleições por todo o mundo. Quando ou se as eleições tiverem lugar, seremos submergidos por clichés acerca da nobreza do acto de votar, pois os fantoches da América são "democraticamente" escolhidos.
O modelo para isto foi a "cobertura" da eleição presidencial americana, um vendaval de platitudes a normalizarem o impensável: que o que se verificou a 2 de Novembro não foi a democracia em acção. Com apenas uma excepção, nenhum membro do rebanho de sábios vindos de Londres descreveu o circo de Bush e de Kerry como a maquinação de pouco mais do que 1 por cento da população, os ultra-ricos e poderosos que controlam e administram uma economia de guerra permanente. Que os perdedores não foram somente os democratas mas sim a vasta maioria dos americanos, sem importar em quem votaram, era algo imencionável.
Ninguém relatou que John Kerry, contrastando a "guerra ao terror" com o desastroso ataque de Bush ao Iraque, simplesmente explorou a desconfiança pública com a invasão a fim de construir apoio à dominação americana por todo o mundo. "Não estou a falar em abandonar [o Iraque]", disse Kerry. "Estou a falar em vencer!". Assim, tanto ele como Bush mudaram a agenda ainda mais para a direita, de modo que milhões de democratas anti-guerra pudessem ser persuadidos de que os EUA tinham "a responsabilidade de acabar a tarefa" para que não houvesse o "caos". A questão na campanha presidencial era nem Bush nem Kerry, mas uma economia de guerra destinada a conquistar o exterior e a efectuar divisão económica interna. O silêncio sobre isto foi completo, tanto na América como aqui.
Bush venceu apelando, com mais proficiência do que Kerry, ao medo de uma mal definida ameaça. Como foi ele capaz de normalizar esta paranóia? Vamos olhar para o passado recente. A seguir ao fim da guerra fria, a elite americana -- republicanos e democratas -- estavam a ter grande dificuldade em convencer o público de que os milhares de milhões de dólares gastos na economia de guerra não deveriam ser desviados para um "dividendo da paz". Uma maioria de americanos recusava-se a acreditar que ainda houvesse uma "ameaça" tão poderosa como a ameaça vermelha. Isto não impediu Bill Clinton de enviar ao Congresso o maior orçamento de "defesa" da história para apoiar uma estratégia do Pentágono denominado "dominância de pleno espectro" ("full-spectrum dominance"). Em 11 de Setembro de 2001 foi dado um nome a essa ameaça: Islão.
Ao viajar a Philadelphia recentemente deparei-me com o Relatório Kean do Congresso sobre o 11 de Setembro, da Comissão 11/Set, na prateleira das livraria. "Quanto você tem para vender?" perguntei. "Um ou dois", foi a resposta. "Isto vai desaparecer logo". Todavia, este modesto livro de capa azul é uma revelação. Tal como o relatório Butler no Reino Unido, que pormenoriza toda a evidência incriminatória do massageamento da inteligência feito por Blair antes da invasão do Iraque, e a seguir retirou os seus socos e concluiu que ninguém era responsável, da mesma forma o relatório Kean torna dolorosamente claro o que realmente aconteceu, e a seguir deixa de tirar as conclusões que o fitam na cara. É um supremo acto de normalizar o impensável. Isto não é surpreendente, pois as conclusões são vulcânicas.
A mais importante prova para a Comissão 11/Set veio do general Ralph Eberhart, comandante da North American Aerospace Defence Command (Norad). "Os caças a jacto da força aérea podiam ter interceptado aviões de carreira sequestrado a correrem em direcção ao World Trade Center e ao Pentagon", disse ele, "apenas se os controladores de tráfego aéreo houvessem pedido ajuda 13 minutos mais cedo ... Nós teríamos sido capazes de derrubar todos os três .. todos os quatro deles".

Por que isto não aconteceu?
O relatório Kean torna claro que "a defesa do espaço aéreo americano no 11/Set não foi conduzido de acordo com o treinamento pré-existente e com os protocolos ... Se um sequestro fosse confirmado, os procedimentos determinavam ao coordenador do sequestro o dever de contactar o National Military Command Center (NMCC) do Pentágono ... O NMCC pediria então a aprovação do gabinete do secretário da Defesa para proporcionar assistência militar ..."
Singularmente, isto não aconteceu. Foi dito à comissão, pelo vice-administrador da Federal Aviation Authority, que não havia razão para o procedimento não estar a operar naquela manhã. "De acordo com os meus 30 anos de experiência ..." disse Monte Belger, "o NMCC estava na rede e a ouvir tudo em tempo real ... Posso afirmar-lhe pois vivi dúzias de sequestros ... e eles estavam sempre a ouvir todos os outros".
Mas nesta ocasião, eles não estavam. O relatório Kean diz que o NMCC nunca foi informado. Por que? Mais uma vez, singularmente, todas as linhas de comunicação falharam, foi dito à comissão pelas altas patentes militares da América. Donald Rumsfeld, secretário da Defesa, não podia ser encontrado, e quando ele finalmente falou com Bush uma hora e meia mais tarde, isto, diz o relatório Kean, "uma chamada breve na qual o assunto da autoridade para derrubar não foi discutido". Em resultado disso, os comandantes do Norad foram "deixados no escuro acerca do que era a sua missão".
O relatório revela que a única parte de um sistema de comando anteriormente à prova de falhas que funcionou estava na Casa Branca onde o vice-presidente Cheney estava no controle efectivo daquele dia, e em contacto estreito com o NMCC. Por que ele não fez nada acerca dos primeiros dois aviões sequestrados? Por que o NMCC, a ligação vital, esteve silencioso pela primeira na sua existência? Kean ostentosamente recusa-se a falar disto. Naturalmente, podia ser devido à mais extraordinária combinação de coincidências. Ou não podia.
Em Julho de 2001, num documento de informação top secret preparado para Bush lia-se: "Nós [a CIA e o FBI] acreditamos que OBL [Osama Bin Laden] lançará um ataque terrorista significativo contra os interesses dos EUA e/ou de Israel nas próximas semanas. O ataque será espectacular e concebido para infligir baixas em massa contra instalações ou interesses americanos. Os preparativos do ataque foram efectuados. O ataque ocorrerá com pequena ou nenhuma advertência.
Na tarde do 11 de Setembro, Donald Rumfeld, tendo deixado de actuar contra aqueles que haviam acabado de atacar os Estados Unidos, disse aos seus ajudantes para porem em movimento um ataque ao Iraque -- quando a evidência era não-existente. Dezoito meses depois, a invasão do Iraque, não provocada e baseada em mentiras agora documentadas, teve lugar. Este crime épico é o maior escândalo político do nosso tempo, o último capítulo na longa história do século XX de conquistas ocidentais de outras terras e dos seus recursos. Se permitirmos que isto seja normalizado, se recusarmos questionar e investigar as agendas escondidas e o inexplicável poder secreto das estruturas no coração dos governos "democráticos" e se permitirmos que o povo de Faluja seja esmagado em nosso nome, nós renunciaremos tanto à democracia como à humanidade.

[*] John Pilger actualmente é professor visitante na Cornell University, New York. Seu último livro, Tell Me No Lies: investigative journalism and its triumphs, foi publicado pela Jonathan Cape.

O original deste artigo encontra-se no New Statesman .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info .

Publicado por agineotonico às 07:43 AM

TANQUES EM LOS ANGELES

Uma manifestação anti-guerra realizada dia 11 em Los Angeles foi reprimida pela polícia e com tanques dos US Marines.
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(Resistir e Centre for Research on Globalisation)

Publicado por agineotonico às 07:27 AM | Comentários (1)

Barghouthi não fará parte da direcção palestina

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Sylvan Shalom, diz que Barghouthi foi condenado a prisão perpétua e permanecerá encarcerado até ao fim dos seus dias.
Líder do Fatah para a Cisjordânia, Marwan Barghouthi tem sido apontado como um potencial sucessor de Yasser Arafat, líder histórico dos palestinos.
Marwan Barghouthi goza de grande popularidade entre os palestinos. Seria, talvez, o líder que mais condições teria para unificar os diferentes movimentos palestinos. Esta possibilidade de unificação constituiria um risco para Israel que está interessada que se gere uma luta pelo poder que desorganize a resistência.

Publicado por agineotonico às 06:59 AM

novembro 11, 2004

ONU prevê crise humana na Faixa de Gaza


A ONU lançou um alerta esta quinta-feira para uma crise humanitária iminente na Faixa de Gaza, com 72% dos palestinos a viver em condições de pobreza no final de 2006.
Este relatório diz ainda que as restrições de israel dificultam a entrega e a distribuição de artigos de emergência na região.
Desde o dia 28 de setembro, 82 palestinos e cinco israelitas foram mortos em Gaza, incluindo 26 crianças, segundo informações do relatório. Hoje, mais cinco palestinos foram mortos, incluindo dois meninos que estavam a caminho da escola.
Elaborado por 12 agências da ONU, o documento faz um apelo para Israel permitir o livre acesso da organização na Faixa de Gaza.
Segundo o documento, os moradores da região têm dificuldade em encontrar emprego, exportar bens, mudar para fora de Gaza e mandar as suas crianças à escola.
Actualmente, 66% dos palestinos em Gaza vivem com menos de 2 dólares americanos por dia (valor da linha de pobreza definido pela ONU), e a organização estima que cerca de 120 prédios são demolidos por mês pelo Exército israelita.

Publicado por agineotonico às 08:08 PM | Comentários (2)

Vitória em Faluja pode acabar em derrota, diz general britânico

A provável vitória dos EUA na batalha de Faluja pode "criar condições políticas em outras partes do Iraque que resultem na perda da guerra", advertiu nesta quinta-feira um general britânico.
Michael Rose critica o "uso indiscriminado" da força militar americana em áreas populosas porque "inevitavelmente causa destruição e morte", e acusa os miliares de tentarem "destruir tudo o que se movimenta". "Também não é certo", adverte, "que a destruição das bases insurgentes em Faluja vá acelerar o fim da crescente resistência iraquiana à ocupação" estrangeira.
"A realidade é que guerras contra a insurreição armada como esta não podem ser ganhas conquistando território ou mudando regimes, mas só mudando atitudes e isolando os rebeldes do restante da população", observa.
"Como conseqüência do assalto a Faluja, os clérigos sunitas do Iraque já estão fazendo apelos aos 'cidadãos honoráveis' para que boicotem eleições que serão realizadas sobre os corpos dos mortos e o sangue dos feridos em cidades como Faluja", diz Michael Rose.

Publicado por agineotonico às 07:34 PM

Armas químicas e gases venenosos na ofensiva contra Faluja

O governo americano infringe, assim, as convenções internacionais que proíbem explicitamente a utilização deste tipo de armas.
"The US occupation troops are gassing resistance fighters and confronting them with internationally-banned chemical weapons,” resistance sources told Al-Quds Press Wednesday, November 10.
The fatal weapons led to the deaths of tens of innocent civilians, whose bodies litter sidewalks and streets, they added.
“They use chemical weapons out of despair and helplessness in the face of the steadfast and fierce resistance put up by Fallujah people, who drove US troops out of several districts, hoisting proudly Iraqi flags on them. Resistance has also managed to destroy and set fire to a large number of US tanks and vehicles
".


Publicado por agineotonico às 07:53 AM | Comentários (1)

Morreu Yasser Arafat, símbolo da causa palestina

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O anúncio foi feito por volta das 6h da manhã em Ramallah, na Cisjordânia (2h, hora de Brasília) por Saeb Erekat, um ministro palestino. Também foi divulgada uma nota no hospital da capital francesa confirmando a morte.

Publicado por agineotonico às 07:25 AM

novembro 10, 2004

O novo secretário de Justiça

Alberto Gonzales, de 49 anos, foi escolhido por Bush, para substituir John Ashcroft, que renunciou ao cargo na terça-feira.
Gonzales foi uma figura central no debate dentro do governo sobre técnicas de interrogatório de pessoas presas na chamada guerra ao terrorismo.
Ele foi criticado por grupos de direitos humanos depois de ter escrito um memorando ao presidente americano no qual descreveu a Convenção de Genebra como "esquisita".
O memorando ficou conhecido publicamente depois do escândalo do abuso de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.
(in BBC)

As Bush prepares to send his nomination of Alberto Gonzales for Attorney General to the Senate for its "advice and consent," let’s recall who Mr. Gonzales is and what his enduring imprint on history may be. Gonzales authored the infamous August 2002 torture memo for the Bush administration that provided hair-brained arguments for discarding the Geneva Conventions. This appointment affirms Bush’s rejection of international oversight of human rights and signals a dramatic right wing shift.

The memo acknowledged that the human rights of prisoners had to be protected as long as the Bush administration accepted the Geneva Convention’s rules. The solution: claim that the Conventions did not cover prisoners caught in Afghanistan or Iraq during wartime operations. In fact, Gonzales would eventually conclude, the Geneva Convention is "obsolete." The memo quibbled over words like torture and "rough treatment." Fine distinctions over the words "extreme pain" and "severe pain" were introduced – the latter didn’t constitute torture in Gonzales’ view.

In the process Gonzales created a category of "rough treatment" that, if instances could be shown not to have been intended to inflict intense pain or permanent physical or mental harm, were not prosecutable. In effect, here is a list, Mr. President, Gonzales implied, of the violent or abusive acts you ought to be able to get away with.

The result: the Abu Ghraib abuse scandal – as well as dozens of other allegations, reports, witness accounts and admissions of murder, torture, rough treatment, humiliating acts and so on inflicted by US military and intelligence community people that counter the letter and spirit of the Geneva Conventions and other international agreements against torture by which the US has agreed to abide.

The same day that Bush announced his nomination of Gonzales, the British government released its delayed Human Rights Annual Report 2004. The Blair government insisted that the report, scheduled to be released in September, was delayed only to include a section on the Beslan tragedy which had occurred just as the report was going to press.

The delay probably had other foundations, however. This particular report includes a mild and brief criticism of the Bush administration’s torture policy. Delaying publication until a week after the election seems to have been the main motivation of the Blair government which has been caught between mounting domestic criticism of its close alliance with Bush (despite the unpopularity of the war and the disgust most British people feel toward Bush’s policy of torture) and the need to preserve a friendly relationship with Bush as the November election approached.

In a letter to British Foreign Secretary Jack Straw, whose office authored the report, Human Rights Watch (HRW) described the delay as "disastrous" as it seemed to suggest that some human rights tragedies are more important to the British government than others. HRW further indicated the Blair government’s hypocrisy in its repeated claims that the British government does not support a torture policy and stands by the Geneva Conventions. A British Court of Appeal in August ruled that evidence obtained under torture in third countries may be used in special terrorism cases, provided that the British government has "neither procured the torture nor connived at it." According to HRW, this ruling implicitly condones torture.

Though the Blair government promised to seek "diplomatic assurances" that torture would not be used, the back door acceptance of torture made by the court violates British law put in place by the Blair government. Torture is prohibited absolutely under article 3 of the European Convention on Human Rights, incorporated into British law by the Human Rights Act 1998. There are no exceptions allowed, even during times of war or public emergency. The adoption of a policy of indefinite detention of suspects and exemption from International Criminal Court prosecution for US soldiers accused of human rights abuses further undermines Blair’s claim to a strong stand on human rights.

The denunciation of torture in the government’s Human Rights Annual Report 2004 is made in a small offset five-paragraph box. It describes the Abu Ghraib scandal as "shocking" and that it "included physical beatings, sensory deprivation, severe threats and sexual assault and humiliation." British Foreign Secretary Jack Straw is quoted as calling the torture at Abu Ghraib "shameful, disgusting and disgraceful."

The report goes on to imply that Gonzales’ justifications and hair-splitting definitions of acts prohibited by international conventions are things the British military doesn’t tolerate. Fair treatment and "personal dignity" are imperative. "Physical or mental torture, corporal punishment, humiliating or degrading treatment, or the threat of such are prohibited." "Stress positions" are prohibited.

The British report’s mild criticism of the US policy of torture outlined by Gonzales is in its own way a bombshell for the Bush administration as the report places what the US military did at Abu Ghraib in the same context as the Darfur genocide, the murder of trade unionists in Colombia, and the Beslan tragedy. Unfortunately, the acknowledgment of US offenses does not seem likely to rupture the close alliance between Blair and Bush. Nor does it seem that this criticism will influence in any way the Bush administration’s views on human rights.

Bush’s appointment of Gonzales signals that he intends to sideline, silence or replace those whom some outside the administration consider to be more reasonable voices such as Colin Powell. According to the Center for Constitutional Rights (CCR), Secretary of State Colin Powell opposed the conclusions in Gonzales’ memo saying it would "reverse over a century of U.S. policy and practice in supporting the Geneva Conventions and undermine the protections of the law of war for our troops." Powell also said that adoption of Gonzales’ position would have a "high cost in terms of negative international reaction." Other countries, Powell pointed out, would refuse to cooperate with the U.S. in the war on terror.

In CCR’s view, "the Secretary of State’s dire predictions have been borne out, and the disregard for law has made the U.S. less safe." Bush appointment of Gonzales is an indication that he isn’t concerned with the extent to which other countries cooperate with his agenda.

Gonzales’ nomination should be opposed on human rights grounds. It should also be placed in the context of the danger that torture, unilateralism and blatant imperialism have put the people of the U.S. It is an affirmation of the administration’s rejection of human rights and scrapping of the international conventions that also serve to protect US military personnel from abuse.

The Attorney General is often referred to as the highest ranking law enforcement official in the country. If Gonzales holds this position with his apparent disregard for human rights and accepted legal standards, what can we expect under his watch?

--Joel Wendland is managing editor of Political Affairs (http://www.politicalaffairs.net> and can be reached at jwendland@politicalaffairs.net.

Publicado por agineotonico às 10:54 PM | Comentários (2)

Bush, vertigens e calafrios

(Ignacio Ramonet)
Má notícia. A reeleição de George W. Bush para a presidência dos Estados Unidos é uma péssima notícia para a democracia (...)
Obviamente não se trata de duvidar do carácter livre, legal e legítimo desta eleição acontecida na democracia mais antiga do planeta. Usando do seu direito incontestável, os eleitores actuaram como melhor lhes pareceu.
Mas dá vertigem e arrepios constatar que precisamente este dirigente, conhecido ademais pela sua credulidade religiosa, a sua mediocridade intelectual e a sua incultura, tenha resultado ser o mais votado da história eleitoral norte-americana (...)
Ninguém deve esquecer – sem que esta recordação sirva de comparação – que em 1933 o próprio Adolf Hitler acedeu ao poder de modo democrático. E que isso criou tal desconcerto e tal desgosto em várias capas sociais cultas, educadas e progressistas da Europa que muitos dos seus membros renegaram para sempre da democracia e não duvidaram em arrolar­‑se, por exemplo, no movimento comunista (então totalitário e estalinista) que denunciava com clareza a “democracia burguesa”.

Bush, vertigens e calafrios
Ignacio Ramonet

El Periódico de Catalunya; transcrito em Rodelú
Má notícia. A reeleição de George W. Bush para a presidência dos Estados Unidos é uma péssima notícia para a democracia. Resulta, efectivamente, chocante e em certa medida até escandaloso que os eleitores estadounidenses tenham elegido um dirigente que mentiu ao Congresso e a seu povo, que os enganou para obter a autorização de invadir o Iraque, que aceitou um uso desproporcionado da força, causando o massacre a mais de 100.000 iraquianos, que foi incapaz de deter Osama Bin Laden, que empanou as Forças Armadas do seu país no lodaçal iraquiano, que permitiu as torturas no cárcere de Abu Ghraib e em outras prisões, que autorizou a incrível excepção jurídica de Guantánamo e pisou as convenções de Genebra sobre os presioneiros de guerra, que favoreceu de maneira descarada as grandes empresas que o ajudaram a ser eleito, que tem empobrecido as classes médias, que não criou empregos e que acumulou um dos défices públicos mais gigantescos da história.
Obviamente não se trata de duvidar do carácter livre, legal e legítimo desta eleição acontecida na democracia mais antiga do planeta. Usando do seu direito incontestável, os eleitores actuaram como melhor lhes pareceu.
Mas dá vertigem e arrepios constatar que precisamente este dirigente, conhecido ademais pela sua credulidade religiosa, a sua mediocridade intelectual e a sua incultura, tenha resultado ser o mais votado da história eleitoral norte-americana. É um pouco como se o eleitorado, nestes tempos de ameaças terroristas, tivesse dito: preferimos um dirigente enganador para fazer uma guerra suja contra um inimigo vicioso (Osama Bin Laden).
Não seria nada estranho que o sistema democrático, hoje em dia tão fustigado já em muitos âmbitos pela sua incapacidade para limitar a acelerada expansão do poder económico, seja de novo objecto de ataques por parte de muitos sectores que o criticarão agora com mais sanha.
Ninguém deve esquecer – sem que esta recordação sirva de comparação – que em 1933 o próprio Adolf Hitler acedeu ao poder de modo democrático. E que isso criou tal desconcerto e tal desgosto em várias capas sociais cultas, educadas e progressistas da Europa que muitos dos seus membros renegaram para sempre da democracia e não duvidaram em arrolar­‑se, por exemplo, no movimento comunista (então totalitário e estalinista) que denunciava com clareza a “democracia burguesa”.
Talvez ainda não tenhamos atingido esse limite em que toda uma geração abjura das virtudes da democracia. Mas há na vitória eleitoral de George Bush e do seu vice­‑presidentíssimo Richard Cheney um carácter de fracasso moral de um sistema que nos deve alertar.
Tudo dependerá da interpretação que o reeleito presidente dê ao seu triunfo. Se, ocultando a si mesmo o que deve à impressionante maquinaria de propaganda mediática, considera a sua vitória como um plebiscito à sua política, estamos perdidos. Isso o levaria a contemplar o seu sucesso como uma espécie de patente de corso, ou de cheque em branco, para seguir, com os mesmos métodos (o secretismo, a ocultação e a mentira), uns idênticos objectivos: a hegemonia imperial e o unilateralismo.
Por outro lado, se se detém a reflexionar um instante (com a ajuda de sua eminência cinza Richard Cheney) talvez constate que, em política internacional e mais precisamente no Oriente Próximo, os Estados Unidos encontram­‑se num atoleiro. A guerra do Iraque está perdida, ou pelo menos não se pode ganhar senão enviando uns 300.000 novos efectivos (o dobro dos que já se encontram no campo de batalha), para o que teria que restabelecer o serviço militar obrigatório, coisa que, durante a campanha eleitoral, George Bush prometeu não fazer.
Também não pode atacar o Irão como era sua intenção (nem permitir que Israel o faça). Primeiro, porque não dispõe de forças para fazer simultaneamente uma segunda guerra de maior envergadura. E também porque nesse caso se sublevariam os shiitas do Iraque, que são a maioria da população, e então já nem meio milhão de soldados seriam suficientes para pacificar este país.
Consequência: para ter a garantia de não ser atacado, o Irão avança agora com toda a probabilidade para a fabricação da arma nuclear, que era precisamente o que Washington tratava de evitar desde há anos...
Daí que se esteja a especular neste momento sobre a possibilidade de o segundo George Bush ser diferente do primeiro. Teremos uma boa indicação disto quando comecemos a saber que personalidades ocuparão os cargos de secretário de Estado e de ministro da Defesa. Pois dá­‑se por certo que Collin Powell e Donald Rumsfeld abandonarão as suas funções.
Ainda que não agrade ao presidente George Bush, a solução nesta região passa primeiro por um envolvimento sério de Washington no conflito Israel-Palestina que conduza a uma paz aceitada pelas duas partes. O relevo actual do líder palestino Yasser Arafat – que ontem, na sua primeira conferência de imprensa pós­‑eleitoral o presidente Bush já deu por morto – oferece a melhor ocasião para corrigir a linha seguida até agora. É óbvio para todas as chancelarias que a Folha de rota fixada por Washington não funcionou e que o abandono da situação à única iniciativa israelita (a de Ariel Sharon) piorou as coisas. Só com o relançamento da dinâmica negociadora se poderá avançar com seriedade para uma conferência internacional para a paz no Iraque com a participação da ONU, dos países que criticaram a intervenção de Março do 2003, dos estados árabes e de todas as forças políticas iraquianas (incluídos os grupos insurgentes).
Há que aceitar o que toda a gente sabe, que as autoridades iraquianas actuais não são mais do que marionetas nomeadas pelo ocupante militar. Dessa maneira será concebível que países como o Egipto, a Argélia, Marrocos e até o Paquistão enviem forças suficientes para favorecer o acesso real do Iraque à soberania, à democracia e à prosperidade. Fazendo isto, o segundo George Bush nos dará uma grande surpresa e terminará sendo um grande presidente.

Publicado por agineotonico às 07:53 AM | Comentários (1)

Crimes de guerra


As recentes afirmações de que Falluja está praticamente nas mãos da coligação mas que infelizmente Al-Zarqawi terá fugido, parece confirmar as afirmações que têm vindo a ser feitas por dirigentes árabes de que não ele não está em Falluja, de que poderá ser uma figura mítica inventada pela CIA a fim de justificar a carnificina contra os resistentes de Falluja.
De facto, os últimos bombardeamentos intensivos a Falluja, tiveram como alvo a população civil e algumas infra estruturas básicas, como os hospitais, a electricidade e a água.
FALLUJAH, Iraq, Nov. 9 (Xinhuanet)strong> -- Dozens of Iraqi people,including at least 20 medics, were killed in a US air raid on a government clinic in the center of Iraq's western city of Fallujah overnight, witnesses said Tuesday.
"Over 20 medics were killed in the air raid and dozens others,including wounded people, were killed as a result of the US raid on the city early Tuesday," local residents told Xinhua.

Publicado por agineotonico às 07:40 AM | Comentários (1)

novembro 09, 2004

Nos EUA também há "contraditório"

"O presidente americano George W. Bush disse que vai procurar diologar com os aliados e os cépticos, durante o seu segundo mandato, para vencer a guerra contra o terrorismo".

"O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que o presidente George W. Bush recebeu um mandato do povo americano para prosseguir com o que chamou de uma política externa «agressiva». De acordo com o secretário de Estado, a política externa americana será conduzida de acordo com o interesse de amigos e alianças e terá "natureza multilateral". Mas Powell disse que o governo americano vai agir sozinho quando necessário".

Publicado por agineotonico às 09:32 PM

Massacre de população civil

Um importante partido sunita anunciou a sua retirada do governo interino iraquiano e entregou o ministério que ocupava, em protesto contra o assalto dos EUA a Falluja. Ao mesmo tempo, a Associação dos Académicos Islâmicos defendeu o boicote das eleições marcadas para janeiro.

Também o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, pediu o fim da ofensiva militar americana contra a cidade iraquiana de Falluja e disse ter mantido contacto com diversas autoridades iraquianas com o objetivo de "conter a situação". "Ninguém pode aceitar de maneira nenhuma a forma como os civis são atacados em Faluja, como está a acontecer agora", disse Moussa a jornalistas no Cairo. "Esperamos que o que está a acontecer em Faluja termine rapidamente", declarou o diplomata antes de uma visita à Espanha.
Ele qualificou a ofensiva como "muito grave". Ontem, depois de uma reunião com o chanceler interino do Iraque, Hoshyar Zebari, Moussa disse que "os acontecimentos lamentáveis" em Faluja foram temas de uma conversa com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.


Publicado por agineotonico às 08:49 PM

novembro 08, 2004

World Wide Petition against the Escalation in Iraq

An initiative of the BRussells tribunal endorsed by the World Tribunal on Iraq
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Prof. Jean Bricmont, a Belgian scientist, specialist in theoretical physics, and author on politics, who was member of the prosecution at the BRussells Tribunal, has written a short but strong statement "Stop the escalation".
We feel that we can't wait any longer to do something. We hope that you and/or your organisation will sign this letter, giving the call of prof Bricmont the resonance it deserves and he aimed at in writing it.
Now that we know, since the evening of 28th of October 2004, from an article in the Lancet, based on a survey by Johns Hopkins University that 100.000 Iraqi's died in the war, we feel this petition is urgent, so we send it out now.
We hope you join us in our outcry over the ongoing massacres by signing this petition against the escalation.
Yours in struggle for peace.

Publicado por agineotonico às 07:42 AM | Comentários (2)

Teorias Optimistas


Há uma teoria de que, agora que está reeleito, Bush pode estar mais à vontade para espremer Sharon um pouco mais e assim ganhar pontos no mundo árabe e suavizar um pouco a decepção de Blair.
É uma teoria muito otimista.
Na quarta-feira, ao analisar o triunfo conservador nas eleições americanas, o Aipac, um dos mais importantes lobbies pró-Israel em Washington, enfatizou que não vê a hora de trabalhar com o novo Congresso, "o mais pró-Israel da história americana".
(Folha Online)

Publicado por agineotonico às 07:26 AM

novembro 05, 2004

Americanos aconselham mulheres e crianças a abandonar Falluja


(Hospital de Falluja)

Há várias semanas que o comando norte-americano está a concentrar tropas nos arredores da cidade, tendo já admitido que prepara uma operação terrestre de grande envergadura contra a cidade, com o objectivo de pacificar a região antes das eleições legislativas, agendadas para o início do próximo ano.
Todas as estradas de acesso à cidade foram bloqueadas, tendo já ocorrido dezenas de escaramuças entre militares iraquianos e norte-americanos e resistentes nos subúrbios da cidade.
Até ao momento, a estratégia tem passado por bombardeamentos aéreos e de artilharia contra alvos no interior de Falluja. Centenas de pessoas terão morrido nos dois últimos meses na sequência destes ataques, que os EUA dizem visar alvos da guerrilha e edifícios onde suspeitam estarem refugiados os terroristas liderados pelo radical jordano Al-Zarqawi.
(Público)

Se assim é que se pacifica, como será fazer a guerra!!!

Publicado por agineotonico às 05:45 PM

novembro 04, 2004

A agência de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteira decidiu suspender as suas operações no Iraque.

No comunicado tornado público, acusa as diferentes facções envolvidas no conflito no Iraque de terem continuamente demonstrado "desrespeito pela independência das agências humanitárias".

Publicado por agineotonico às 03:34 PM

Haverá uma guerra contra o mundo após 2 de Novembro?

"Há algo surrealista em visitar os Estados Unidos nos últimos dias da campanha presidencial. Se George W. Bush ganhar, segundo um cientista com que me encontrei, o qual escapou da Europa dominada pelos nazis, os EUA entregarão muitos dos seus enfeites democráticos e sucumbirão aos seus impulsos totalitários. Se John Kerry vencer, segundo a maior parte dos eleitores democratas, o único mandato que terá é que ele não é Bush.
(...)
O New York Times, o porta-bandeira liberal do país, tendo-se recuperado de um suave ataque de contrição pela sua falha abjecta em desafiar as mentiras de Bush sobre o Iraque, tem estado a publicar polegadas de coluna sobre o-que-houve-de-errado na 'libertação' daquele país.
Ele culpa erros: equívocos tácticos, falhas de inteligência. Mas nem uma palavra sugere que a invasão foi uma conquista colonial, deliberada como qualquer outra, e que sessenta anos de direito internacional fazem disto 'o supremo crime de guerra', para citar os juizes de Nuremberg. Nem uma palavra sugere que a carnificina americana da população do Iraque foi e é uma atrocidade sistemática, na qual a tortura de prisioneiros em Abu Ghraib foi um simples reflexo
.
(John Pilger)

Haverá uma guerra contra o mundo após 2 de Novembro?
por John Pilger

Há algo surrealista em visitar os Estados Unidos nos últimos dias da campanha presidencial. Se George W. Bush ganhar, segundo um cientista com que me encontrei, o qual escapou da Europa dominada pelos nazis, os EUA entregarão muitos dos seus enfeites democráticos e sucumbirão aos seus impulsos totalitários. Se John Kerry vencer, segundo a maior parte dos eleitores democratas, o único mandato que terá é que ele não é Bush.

Nunca tantas mãos liberais foram tão forçadas sobre um candidato cujas únicas declarações memoráveis é de que aspira ser outro Bush. Veja-se o Irão. Uma das conselheiras de segurança nacional de Kerry, Susan Rice, acusou Bush de 'permanecer de lado enquanto o programa nuclear do Irão avançava'. Não há nem um fragmento de evidência de que o Irão esteja a desenvolver armas nucleares, mas Kerry está a juntar-se ao mesmo frenesim orquestrado que conduziu à invasão do Iraque. Tendo principiado a sua campanha a prometer mais 40 mil soldados para o Iraque, diz-se que ele tem um 'plano secreto para acabar a guerra' o qual prevê uma retirada em quatro anos. Isto é um eco de Richard Nixon, que na campanha presidencial de 1968 prometeu um 'plano secreto' para acabar com a guerra no Vietnam.

Uma vez no gabinete, ele acelerou a carnificina e a guerra arrastou-se por mais seis anos e meio. Para Kerry, tal como para Nixon, a mensagem é que não é um fraco. Nada na sua campanha ou na sua carreira sugere que ele não continuará, e mesmo intensificará, a 'guerra ao terror', a qual é agora santificada como uma cruzada de americanismo tal como aquela contra o comunismo. Nenhum presidente democrata esquivou-se a tal tarefa: John Kennedy na guerra fria, Lyndon Johnson no Vietnam.

Isto representa um grande perigo para todos nós, mas não se permite que nada disto interfira na campanha ou na 'cobertura' dos media. Numa sociedade supostamente livre e aberta, o grau de censura por omissão é estarrecedor. O New York Times, o porta-bandeira liberal do país, tendo-se recuperado de um suave ataque de contrição pela sua falha abjecta em desafiar as mentiras de Bush sobre o Iraque, tem estado a publicar polegadas de coluna sobre o-que-houve-de-errado na 'libertação' daquele país.

Ele culpa erros: equívocos tácticos, falhas de inteligência. Mas nem uma palavra sugere que a invasão foi uma conquista colonial, deliberada como qualquer outra, e que sessenta anos de direito internacional fazem disto 'o supremo crime de guerra', para citar os juizes de Nuremberg. Nem uma palavra sugere que a carnificina americana da população do Iraque foi e é uma atrocidade sistemática, na qual a tortura de prisioneiros em Abu Ghraib foi um simples reflexo.

A atrocidade em curso na cidade de Faluja, na qual tropas britânicas, contra a opinião do povo britânico, vão ser acessórias, é um bom exemplo. Para os políticos e jornalistas americanos -- há umas poucas excepções honrosas -- os US marines estão a preparar-se para mais uma das suas "batalhas". O seu últimos ataque contra Faluja, em Abril, proporcionou uma visão prévia. Tanques de quarenta toneladas e helicópteros armados foram utilizados contra bairros de casebres. Aviões despejaram bombas de 500 libras (226,5 kg), atiradores de elite (snipers) mataram pessoas idosas, mulheres e crianças, ambulâncias foram alvejadas. Os marines fecharam o único hospital numa cidade de 300 mil habitantes durante mais de duas semanas, de modo a que pudessem utilizá-lo como posição militar.

Quando se estimou que eles tivessem abatido 600 pessoas, não houve qualquer desmentido. Isto foi mais do que todas as vítimas das bombas suicidas no ano anterior. Nem tão pouco eles negaram que a sua barbaridade era uma vingança pela morte de quatro mercenários americanos na cidade; conduzidos por cowboys confessos, eles são especialistas em vingança. John Kerry nada disse; os media relataram a atrocidade como 'uma operação militar', contra 'militantes estrangeiros' e 'insurrectos', nunca contra civis e iraquianos a defenderem os seus lares e a sua pátria.

Além disso, o povo americano está quase totalmente inconsciente de que os marines foram expulsos de Faluja através de combate de rua heróicos. Os americanos permanecem inconscientes, também, da pirataria que decorre da aventura assassina do seu governo. Quem na vida pública pergunta o paradeiro dos 18,46 mil milhões de dólares que o Congresso americano aprovou para a reconstrução e a ajuda humanitária ao Iraque?

Como relata a Unicef, a maior parte dos hospitais estão privados até mesmo de analgésicos, e a desnutrição aguda entre crianças duplicou desde a 'libertação'. De facto, menos de 29 milhões de dólares foram atribuídos, a maior parte disto a firmas de segurança britânicas, com os seus criminosos ex-SAS e veteranos do apartheid da África do Sul. Onde está o resto deste dinheiro que deveria estar ajudando a salvar vidas? O não-fraco Kerry não ousa perguntar.

"O MUNDO PERDEU O PETRÓLEO IRAQUIANO"

Nem tão pouco ele ou qualquer pessoa com um perfil público perguntam porque o povo do Iraque foi forçado a pagar, desde a queda de Saddam, quase 80 milhões de dólares aos EUA e à Grã-Bretanha como 'reparações'. Mesmo Israel recebeu uma fortuna incontável em dinheiro do petróleo iraquiano como compensação pelas suas 'perdas de turismo' nas Colinas de Golan -- parte da Síria que ocupa ilegalmente. Quanto ao petróleo, tal palavra é imencionável na competição pelo mais poderoso emprego do mundo. A resistência, na sua campanha de sabotagem económica, tem tido tanto êxito que o oleoduto vital que transporta petróleo para o Mediterrâneo turco foi explodido 37 vezes. Os terminais no sul estão sob ataque constante, fechando efectivamente todas as exportações de petróleo bruto e ameaçando economias nacionais. O facto de que o mundo perdeu o petróleo iraquiano é envolto no mesmo silêncio que assegura aos americanos uma escassa ideia da natureza e da escala da permissividade para derramar sangue dada em seu nome.

O silêncio mais duradouro é o que protege o sistema produtor destes eventos catastróficos. Isto é americanismo, apesar de não ousar dizer o seu nome, o que é estranho pois o seu oposto, o anti-americanismo, tem há muito sido exibido com êxito como uma expressão pejorativa, uma resposta que dá para tudo em análises críticas do sistema imperial e dos seus mitos. O americanismo, a ideologia, tem significado democracia interna, para alguns, e uma guerra à democracia no exterior.

Da Guatemala ao Irão, do Chile à Nicarágua, à luta pela liberdade na África do Sul, nos dias presentes na Venezuela, o terrorismo de Estado americano, licenciado tanto pelas administrações republicanas como democratas, combateu democratas e patrocinou totalitários. A maior parte das sociedades atacadas ou subvertidas de outra forma pelo poder americano são fracas e sem defesa, e há uma lógica nisto. Se um pequeno país tivesse êxito em tornar-se livre e estabelecer o seu próprio caminho de desenvolvimento, então o seu bom exemplo para os outros tornar-se-ia uma ameaça para Washington.

E as graves intenções por trás disto? Madeleine Albright, a secretária de Estado de Bill Clinton, disse certa vez nas Nações Unidas que os EUA tinham direito ao 'uso unilateral do poder' para assegurar 'acesso não inibido a mercados chave, abastecimento de energia e recursos estratégicos'. Ou como Colin Powell, o risível Bushita promovido pelos media a liberal, colocou há mais de uma década: "Quero ser o valentão (bully) do bairro". Os imperialistas da Grã-Bretanha acreditavam exactamente nisso, e ainda acreditam, só que a linguagem é discreta.

É por isso que os povos de todo o mundo, cuja consciência sobre estes assuntos tem-se elevado agudamente nos últimos poucos anos, são 'anti-americanos'. Isto nada tem a ver com as pessoas comuns dos Estados Unidos, que agora observam um capitalismo darwinianos consumir as suas liberdades reais e lendárias e reduzir o 'mercado livre' a uma liquidação em saldos de activos públicos. É notável, se não inspirador, que tantos rejeitem a lavagem cerebral baseada na classe e na raça, principiada na infância, pois sistema baseado numa classe e raça é chamado 'o sonho americano'.

O que acontecerá se o pesadelo no Iraque prosseguir? Talvez aqueles milhões de americanos preocupados, que actualmente estão paralisados pelo desejo de se livrarem de Bush a qualquer preço, se desvencilhem da sua ambivalência, sem se importar com quem vence em 2 de Novembro. Será, então, que despertará um gigante, tal como aconteceu durante a campanha dos direitos civis e a guerra do Vietnam e o grande movimento pelo congelamento de armas nucleares? Devemos confiar em que sim; a alternativa é uma guerra ao mundo.

Publicado por agineotonico às 07:48 AM | Comentários (1)

outubro 28, 2004

ONU aprova resolução exigindo fim do embargo dos EUA a Cuba

Assembleia Geral da ONU adoptou esta quinta-feira uma resolução exigindo aos Estados Unidos que cessem imediatamente o embargo económico, comercial e financeiro imposto de forma unilateral a Cuba em 1960.
A resolução foi aprovada com 179 votos favoráveis, os votos contra de EUA, Israel, Ilhas Marshall e Palau e a abstenção da Micronésia.
A proposta de resolução foi apresentada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Felipe Pérez Roque, que apelou aos países para pressionarem os EUA a acabarem com sua política contra Cuba.
«Hoje, daremos um voto contra a aplicação extraterritorial das leis, um voto contra a arrogância e o desprezo aos direitos dos demais», referiu.
Este é o terceiro ano consecutivo em que a Assembleia Geral das Nações Unidas adopta uma resolução contra o embargo a Cuba.
(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 09:37 PM

Coerência na política internacional

O Tratado de Não-Proliferação Nuclear está baseado na distinção entre as cinco potências nucleares, que fabricaram ou accionaram uma arma nuclear antes de 1º de janeiro de 1967, e os países não-dotados de armas nucleares. Nos termos do tratado, as potências nucleares comprometem-se a não transferir armas nucleares para ninguém, nem ajudar qualquer país a adquiri-las. O tratado contém o compromisso recíproco dos Estados não possuidores de armas nucleares de não desenvolver ou comprar estas armas, e, em compensação, garante-lhes o acesso ao uso pacífico da energia atómica, condicionando isso ao controle da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica), com sede em Viena.

O Irão resiste a pressões e mantém programa nuclear
Na 2ª feira, 18 de outubro de 2004, três dias depois do encontro do chamado Grupo dos Oito (G-8) em Washington, que ratificou a ‘recomendação’ para que o Irão cesse de imediato as actividades de enriquecimento de urânio, em entrevista a agência de notícias oficial Irna, o secretário-geral do Conselho Nacional Supremo de Segurança do Irão, Hassan Rohani, informou que, embora esteja disposto a negociar com a Comunidade Europeia o processo de enriquecimento de urânio, não renunciará ao uso da energia nuclear com fins pacíficos. Sem papas na língua, Hassan Rohani avisou aos governos do Reino Unido, França e Alemanha – países que vêm funcionando como intermediários dos EUA – que, "se o tema for a renúncia do Irão a seus direitos, nossos representantes não têm permissão para manter conversações com ninguém". Os argumentos do iraniano são fortes. "Não aceitamos que ninguém diga que é correcto países da UE e os EUA gozarem da energia nuclear e petroquímica, mas o Irão não possa fazer o mesmo", afirmou Hassan Rohani.

Congress, with only a limited debate, has given the Bush administration a green light for the biggest revitalization of the country's nuclear weapons program since the end of the Cold War, leaving many Democrats and even some hawkish Republicans seething.
"This has been a good year," said Linton Brooks, the administrator of the National Nuclear Security Administration, which develops and manages the country's nuclear weapons arsenal. "I'm pretty happy we essentially got what we wanted."
Reversing a decade of restraint in nuclear weapons policy, Congress agreed to provide more than $6 billion for research, expansion and upgrades in the country's nuclear capabilities. While Congress approved large sums to maintain the existing nuclear arsenal even during the Clinton years, this year's increases will finance multiyear programs to design a new generation of warheads as well as more sophisticated missiles, bombers and re-entry vehicles to deliver them. "This is a fairly radical new way of thinking about things," Brooks said, adding that it amounted to "a more fundamental shift in the way we look at this than many people realize."

Os Estados Unidos pediram hoje que a Coreia do Norte pare de ostentar a sua capacidade nuclear e retorne à mesa de negociações, a fim de resolver a crise nuclear na península coreana.
A declaração de Choe é de uma explicitação sem precedentes. Pyongyang havia usado anteriormente termos vagos como "dissuasão nuclear" para se referir a sua capacidade nuclear. Em reacção, o porta-voz do Departamento de Estado Richard Boucher disse hoje que o facto "reforça a necessidade de se eliminar programas de armas nucleares na península coreana" através de negociações.
Os Estados Unidos estão envolvidos numa negociação com cinco países (Coreia do Norte, Japão, Coreia do Sul, Rússia e China) para pôr fim as investidas nucleares de Pyongyang. Depois de três encontros, a Coreia do Norte nega-se a comparecer ao quarto, que aconteceria este mês, devido à política "hostil" e às experiências nucleares secretas na Coreia do Sul.
A Coreia do Norte – ao reabrir o reactor de Yongbyon e ao não cumprir com suas promessas passadas – faz com que os Estados Unidos hesitem em voltar à mesa de negociações. Se a Coreia do Norte não cumpriu sua parte do acordo no passado, por que as coisas seriam diferentes dessa vez? O governo Bush fez uma série de ameaças, mas o ditador Kim Jong Il ignorou-as, sucessivamente.

EUA querem vender reactores nucleares para a China.
Na 4ª feira, 20 de outubro de 2004, ao tempo que, em Resende, o técnico norte-americano infiltrado na missão da AIEA procurava desvendar os mistérios da tecnologia revolucionária que o Brasil vai usar na produção de combustível nuclear, em Pequim, a agência oficial Xinhua noticiava que os EUA estão tentando vender reactores nucleares de terceira geração para as centrais de energia atómica da China. Em entrevista, o presidente da Comissão Nuclear Reguladora dos EUA, Nils Diaz, declarou que, nos próximos meses, a empresa norte-americana Westinghouse Electric, que em fevereiro pediu autorização para construir reactores de 1.100 megawatts nas províncias de Zhejiang, no leste, e de Cantão, no sul da China, vender um reactor AP-1000 de terceira geração à China. Para autorizar o negócio, o governo dos EUA está tentando obter garantias de que a China não venderá tecnologia de terceira geração a países como Irão e Coreia do Norte. Nos próximos 15 anos, a China vai construir mais 28 reactores nucleares, ampliando sua geração de energia atómica para 36.000 megawatts, cobrindo 4% de suas necessidades energéticas.

EUA quer ampliar cooperação nuclear com a Índia.
Na 5ª feira, 21 de outubro de 2004, dentro de uma ‘iniciativa para ampliar a cooperação bilateral nos campos das actividades nucleares civis, programas espaciais civis, comércio de alta tecnologia e diálogo sobre a defesa de mísseis’, a secretária-adjunta dos EUA para a Ásia, Christina Rocca esteve em Nova Dehli, onde manteve reuniões com altos funcionários do ministério das Relações Exteriores da Índia, inclusive com S. Jaishankar. Além da omnipresente ‘guerra contra o terror’, a norte-americana tratou sobre cooperação no campo nuclear e de tecnologia de ponta entre os dois países. Pelo que a embaixada dos EUA divulgou, nos próximos meses, um especialista em tecnologia norte-americano vai à Índia para coordenar o intercâmbio de tecnologia de ponta, inclusive a nuclear, tendo em suas atribuições o controle se a tecnologia exportada para a Índia será usada de acordo com a licença original.

Publicado por agineotonico às 08:16 PM

Unicef denuncia que EUA bombardearam 700 escolas no Iraque

Na 6ª feira, 15 de outubro de 2004, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) distribuiu um relatório apontando que, nos últimos anos, os EUA bombardearam cerca de 700 escolas no Iraque e que 2.700 colégios precisam de passar por um processo de reabilitação. O relatório informa que 1/3 das escolas bombardeadas está em Bagdad. Este é o sentido que as 4,3 milhões de crianças iraquianas dão às palavras ‘democracia’ e ‘liberdade’.

Publicado por agineotonico às 04:04 PM

Tony Blair cede Reino Unido para palco do projecto "guerra nas estrelas" dos EUA

No sábado, 16 de outubro de 2004, meio na surdina, como se fosse possível esconder a enormidade do crime que cometera, veio a público que, em maio, em reunião de autoridades do alto escalão da embaixada britânica com o departamento de Estado, governo do primeiro-ministro Tony Blair autorizou os EUA a instalarem mísseis do sistema escudo antimísseis já chamado ‘Filho da Guerra nas Estrelas’ (em referência ao programa ‘guerra nas estrelas’ lançado em 1983 por Ronald Reagan) em solo britânico. Segundo o jornal The Independent, o governo de Tony Blair cedeu ao ‘pedido’ dos EUA para instalar foguetes de interceptação em um centro de radar existente na base aérea de Fylingdales, em Yorkshire, no norte da Inglaterra. No dia seguinte, o ministério da Defesa da Grã-Bretanha negou que o governo tivesse autorizado a instalação de mísseis interceptadores norte-americanos em território britânico. Mesmo diante da negativa, ninguém duvida que Tony Blair tenha dado a autorização ‘pedida’ pelo EUA.
(in O SOL)

Publicado por agineotonico às 03:47 PM

outubro 27, 2004

Medidas anticubanas causam protestos em Miami

Centenas de pessoas protestarão , na cidade estadunidense de Miami, em frente à sede do Escritório do Tesouro, contra as medidas adotadas recentemente pelo governo dos Estados Unidos contra Cuba “dirigidas a destruir sua Revolução”, segundo informou a Associação de Mulheres Cristãs em Defesa da Família Cubana, responsável pela convocatória.
O grupo faz alusão a uma iniciativa de Washington que impõe maiores restrições aos cubano-estadunidenses que desejam viajar a seu país de origem que, agora, somente poderão fazê-lo uma vez a cada três anos.
Outra das medidas, postas em vigor em 30 de junho último, estabelece travas mais severas ao envio de remessas de dinheiro dos residentes nos Estados Unidos a seus familiares na Ilha, ao estabelecer, entre outras limitações, que somente têm direito a recebê-las pessoas com primeiro laço de consangüinidade.
Além disso, destina 77 milhões de dólares para subverter a ordem em Cuba, através de grupos contra-revolucionários e transmissões ilegais de rádio e televisão anticubanas desde os Estados Unidos. Miami já foi cenário de cinco protestos desde a entrada em vigor dessas leis.

Publicado por agineotonico às 08:04 AM

outubro 25, 2004

Carta do povo de Faluja a Kofi Annan

Sua Excelência Kofi Annan
Secretário-geral das Nações Unidas
Nova York

Faluja, 14 de Outubro de 2004

Excelência:

É mais que evidente que as forças estadunidenses estão a cometer diariamente crimes de genocídio no Iraque. Neste momento, enquanto lhe escrevemos, as forças estadunidenses estão a perpetrar esses crimes na cidade de Faluja. Os aviões de guerra dos EUA estão a lançar as mais potentes bombas contra a população civil da cidade, assassinando e ferindo centenas de pessoas inocentes. Ao mesmo tempo, os seus tanques atacam a cidade com artilharia pesada. Não foram desenvolvidas acções por parte da Resistência de Faluja nas últimas semanas porque as negociações entre os representantes da cidade e o governo [interino de Ilyad Allawi] avançavam. Nesse clima, os novos bombardeamentos por parte dos EUA verificaram-se enquanto o povo de Faluja se dispunha a preparar-se para o jejum do Ramadão. Agora muitos deles estão presos entre as ruínas das suas casas destruídas e ninguém os pode ajudar enquanto os combates continuam.

Na noite de 13 de Outubro um só bombardeamento estadunidense destruiu 50 casas com os seus residentes dentro. Será isto um crime de genocídio ou uma lição sobre a democracia estadunidense? É óbvio que os estadunidenses estão a executar actos de terror contra o povo de Faluja por uma só razão: a sua recusa em aceitar a ocupação.

Sua Excelência e o mundo inteiro sabem muito bem que os estadunidenses e seus aliados devastaram o nosso país sob o pretexto da ameaça de armas de destruição maciça. Agora, após toda a destruição e os assassinatos de milhares de civis, admitiram que as armas não foram encontradas. Mas nada disseram sobre os crimes que cometeram. Vão os EUA pagar alguma compensação como se obrigou o Iraque a fazer após a Guerra do Golfo de 1991?

Al-Zarqawi: um pretexto inventado pelos EUA

Sabemos que vivemos num mundo de critérios duplos. Em Faluja [os estadunidenses} criaram um novo e vago objectivo: "al-Zarqawi". Al-Zarqawi não é senão um novo pretexto para justificar os seus crimes, matando e bombardeando civis todos os dias. Passou-se quase um ano desde que criaram este novo pretexto e cada vez que destruem casas, mesquitas, restaurantes e matam crianças e mulheres dizem "lançámos uma operação com êxito contra al-Zarqawi". Nunca dirão que o mataram porque tal pessoa não existe. E isso significa que o assassínio de civis e o genocídio quotidiano prosseguirá.

O povo de Faluja assegura a V. Exa. que essa pessoa, se existir, não está em Faluja nem provavelmente em nenhum outro lugar do Iraque. O povo de Faluja pediu muitas vezes que qualquer pessoa que veja al-Zarqawi lhe dê a morte. Agora todo o mundo percebeu que este homem não senão um herói hipotético criado pelos estadunidenses. Ao mesmo tempo, o representante de Faluja, nosso dirigente tribal, denunciou em repetidas ocasiões as acções de sequestro e o assassínio de civis, nós não temos nenhuma relação com qualquer grupo que se comporte de maneira tão desumana.

Excelência: Apelamos a si e a todos os dirigentes do mundo para que exerçam a pressão mais forte possível junto à administração Bush para que ponha fim aos seus crimes em Faluja e para que retire o seu exército da cidade. Faluja gozava de tranquilidade e paz quando saíram. Não fomos testemunhos de nenhuma desordem na cidade. A administração civil funcionava bem apesar dos seus limitados recursos. Simplesmente não demos as boas vindas às forças de ocupação. Esse é o nosso direito de acordo com a carta das Nações Unidas, com o Direito Internacional e com as normas da humanidade. Se os estadunidenses acreditam ao contrário, deveriam abandonar antes as Nações Unidas e todas as suas agências antes de actuar de modo contrário à Carta que subscreveram.

É muito urgente que V. Exa., juntamente com os dirigentes mundiais, intervenha de maneira imediata para prevenir um novo massacre.

Tentámos contactar os vossos representantes no Iraque a fim de pedir-lhes que sejam mais activos a este respeito mas, como sabe V. Exa., estão a viver na "Zona Verde" [de máxima segurança em Bagdad], onde não podemos aceder. Queremos que as Nações Unidas tomem partido sobre a situação de Faluja bem como da de muitas partes do nosso país.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Kassim Abdullsattar al-Jumaily
Presidente do Centro de Estudos dos Direitos Humanos e da Democracia

Em nome do povo de Faluja e do:
Conselho da Shura de Al-Faluya
Associação de Sindicatos
Sindicato dos Professores
Conselho dos Dirigentes tribais
Casa da Fatwa e da Educação Religiosa

Publicado por agineotonico às 03:35 PM

Carta de Mia Couto

"CARTA AO PRESIDENTE BUSH"

Senhor Presidente:

Sou um escritor de uma nação pobre, um país que já esteve na vossa lista negra. Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tínhamos feito. Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderíamos constituir ? A nossa arma de destruição massiva estava, afinal, virada contra nós: era a fome e a miséria.

Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia. Por exemplo, o nosso vizinho - a África do Sul do apartheid - violava de forma flagrante os direitos humanos. Durante décadas fomos vítimas da agressão desse regime. Mas o apartheid mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado "envolvimento positivo". O ANC esteve também na lista negra como uma "organização terrorista!". Estranho critério que levaria a que, anos mais tarde, os taliban e o próprio Bin Laden fossem chamadas de "freedom fighters" por estrategas norte-americanos.

Pois eu, pobre escritor de um pobre país, tive um sonho. Como Martin Luther King certa vez sonhou que a América era uma nação de todos os americanos. Pois sonhei que eu era não um homem mas um país. Sim, um país que não conseguia dormir. Porque vivia sobressaltado por terríveis factos. E esse temor fez com que proclamasse uma exigência. Uma exigência que tinha a ver consigo, Caro Presidente. E eu exigia que os Estados Unidos da América procedessem à eliminação do seu armamento de destruição massiva. Por razão desses terríveis perigos eu exigia mais: que inspectores das Nações Unidas fossem enviados para o vosso país. Que terríveis perigos me alertavam? Que receios o vosso país me inspirava ? Não eram produtos de sonho, infelizmente. Eram factos que alimentavam a minha desconfiança. A lista é tão grande que escolherei apenas alguns:

- Os Estados Unidos foram a única nação do mundo que lançou bombas atómicas sobre outras nações

- O seu país foi a única nação a ser condenada por "uso ilegítimo da força" pelo Tribunal Internacional de Justiça

- Forças americanas treinaram e armaram fundamentalistas islâmicos mais extremistas (incluindo o terrorista Bin Laden) a pretexto de derrubarem os invasores russos no Afeganistão.

- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto praticava as piores atrocidades contra os iraquianos (incluindo o gaseamento dos curdos em 1988)

- Como tantos outros dirigentes legítimos, o africano Patrice Lumumba foi assassinado com ajuda da CIA. Depois de preso e torturado e baleado na cabeça o seu corpo foi dissolvido em ácido clorídico.

- Como tantos outros fantoches, Mobutu Sese Seko foi por vossos agentes conduzido ao poder e concedeu facilidades especiais à espionagem americana: o quartel-general da CIA no Zaire tornou-se o maior em África. A ditadura brutal deste zairense não mereceu nenhum reparo dos EUA até que ele deixou de ser conveniente, em 1992

- A invasão de Timor Leste pelos militares indonésios mereceu o apoio dos EUA. Quando as atrocidades foram conhecidas, a resposta da Administração Clinton foi "o assunto é da responsabilidade do governo indonésio e não queremos retirar-lhe essa responsabilidade".

- O vosso país albergou criminosos como Emmanuel Constant um dos líderes mais sanguinários do Taiti cujas forças para-militares massacraram milhares de inocentes. Constant foi julgado à revelia e as novas autoridades solicitaram a sua extradição. O governo americano recusou o pedido.

- Em Agosto de 1998, a força aérea dos EUA bombardeou no Sudão uma fábrica de medicamentos, designada Al-Shifa. Um engano? Não, tratava-se de uma retaliação dos atentados bombistas de Nairobi e Dar-es-Saalam.

- Em Dezembro de 1987, os Estados Unidos foi o único país (junto com Israel) a votar contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional. Mesmo assim a moção foi aprovada pelo voto de cento e cinquenta e três países.

- Em 1953, a CIA ajudou a preparar o golpe de Estado contra o Irão na sequência do qual milhares de comunistas do Tudeh foram massacrados. A lista de golpes preparados pela CIA é bem longa.

- Desde a Segunda Guerra Mundial os EUA bombardearam: a China (1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo (1964), o Peru (1965), o Laos (1961-1973), o Vietname (1961-1973), o Camboja (1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983), Líbano (1983-1984), a Líbia (1986), Salvador (1980), a Nicarágua (1980), o Irão (1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kuwait (1991), a Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão (1998), a Jugoslávia (1999)

- Acções de terrorismo biológico e químico foram postas em pratica pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suína naquele país.

- O Wall Street Journal publicou um relatório que anunciava que 500 000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra química das forças norte-americanas

Acordei do pesadelo do sono para o pesadelo da realidade. A guerra que o Senhor Presidente teimou em iniciar poderá libertar-nos de um ditador. Mas ficaremos todos mais pobres. Enfrentaremos maiores dificuldades nas nossas já precárias economias e teremos menos esperança num futuro governado pela razão e pela moral. Teremos menos fé na força reguladora das Nações Unidas e das convenções do direito internacional. Estaremos, enfim, mais sós e mais desamparados.

Senhor Presidente:

O Iraque não é Saddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos. Preocupamo-nos com os males do regime de Saddam Hussein que são reais. Mas esquece-se os horrores da primeira guerra do Golfo em que perderam a vida mais de 150 000 homens.

O que está destruindo massivamente os iraquianos não são armas de Saddam. São as sanções que conduziram a uma situação humanitária tão grave que dois coordenadores para ajuda das Nações Unidas (Dennis Halliday e Hans von Sponeck) pediram a demissão em protesto contra essas mesmas sanções. Explicando a razão da sua renúncia, Halliday escreveu: "Estamos destruindo toda uma sociedade. É tão simples e terrível como isso. E isso é ilegal e imoral". Esse sistema de sanções já levou à morte meio milhão de crianças iraquianas.

Mas a guerra contra o Iraque não está para começar. Já começou há muito tempo. Nas zonas de restrição áreea a Norte e Sul do Iraque acontecem continuamente bombardeamentos desde há 12 anos. Acredita-se que 500 iraquianos foram mortos desde 1999. O bombardeamento incluiu o uso massivo de urânio empobrecido (300 toneladas, ou seja 30 vezes mais do que o usado no Kosovo)

Livrar-nos-emos de Saddam. Mas continuaremos prisioneiros da lógica da guerra e da arrogância. Não quero que os meus filhos (nem os seus) vivam dominados pelo fantasma do medo. E que pensem que, para viverem tranquilos, precisam de construir uma fortaleza. E que só estarão seguros quando se tiver que gastar fortunas em armas. Como o seu país que despende 270 000 000 000 000 dólares (duzentos e setenta biliões de dólares). por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de seres.

O bispo americano Monsenhor Robert Bowan escreveu-lhe no final do ano passado uma carta intitulada "Porque é que o mundo odeia os EUA ?" O bispo da Igreja católica da Florida é um ex-combatente na guerra do Vietname. Ele sabe o que é a guerra e escreveu: "O senhor reclama que os EUA são alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Que absurdo, Sr. Presidente ! Somos alvos dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram lideres popularmente eleitos substituindo-os por ditadores militares, fantoches desejosos de vender o seu próprio povo às corporações norte-americanas multinacionais ? E o bispo conclui: O povo do Canadá desfruta de democracia, de liberdade e de direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia. Alguma vez o senhor ouviu falar de ataques a embaixadas canadianas, norueguesas ou suecas ? Nós somos odiados não porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos. Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas ao povos dos países do Terceiro Mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas multinacionais."

Senhor Presidente:

Sua Excelência parece não necessitar que uma instituição internacional legitime o seu direito de intervenção militar. Ao menos que possamos nós encontrar moral e verdade na sua argumentação. Eu e mais milhões de cidadãos não ficamos convencidos quando o vimos justificar a guerra. Nós preferíamos vê-lo assinar a Convenção de Kyoto para conter o efeito de estufa. Preferíamos tê-lo visto em Durban na Conferência Internacional contra o Racismo.

Não se preocupe, senhor Presidente. A nós, nações pequenas deste mundo, não nos passa pela cabeça exigir a vossa demissão por causa desse apoio que as vossas sucessivas administrações concederam apoio a não menos sucessivos ditadores. A maior ameaça que pesa sobre a América não são armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos. O maior perigo não é o regime de Saddam., nem nenhum outro regime. Mas o sentimento de superioridade que parece animar o seu governo. O seu inimigo principal não está fora. Está dentro dos EUA. Essa guerra só pode ser vencida pelos próprios americanos.

Eu gostaria de poder festejar o derrube de Saddam Hussein. E festejar com todos os americanos. Mas sem hipocrisia, sem argumentação para consumo de diminuídos mentais. Porque nós, caro Presidente Bush, nós, os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar.

Publicado por agineotonico às 07:29 AM

outubro 20, 2004

Refém sequestrado no Iraque é 'salvo' pelo Google

"Um jornalista australiano capturado por militantes rebeldes no Iraque foi libertado depois que seus seqüestradores confirmaram sua identidade no site de busca Google".


Publicado por agineotonico às 09:40 PM

outubro 07, 2004

Onde Estão os Terroristas, Afinal?

Um soldado israelita disparou sobre uma criança palestiniana que ia a caminho da escola, no sul de Gaza, atingindo-a 20 vezes na cabeça e no peito.
Testemunhas confirmaram que a criança de 12 anos, bem como outras duas que a acompanhavam, vestiam uniformes escolares quando as tropas israelitas abriram fogo sobre elas.
Um porta-voz do exército israelita afirmou que as crianças haviam entrado numa área de acesso proibido e, por isso, tinham de ser abatidas.
(in o uno e o múltiplo)

Publicado por agineotonico às 07:06 AM

outubro 06, 2004

Penitências

Da minha educação católica ficou-me a ideia que penitência era algo que teria de fazer para que me fossem perdoados os pecados, que é como quem diz, as ofensas a deus.
Hoje, sem perfilhar qualquer confissão religiosa, acredito na importãncia de assumir os erros, de pedir desculpa e, se for caso, de pagar prejuízos causados.

"A operação israelita mais sangrenta desde o início da Intifada (Setembro de 2000), denominada «Dias de Penitência», que decorre pelo sétimo dia consecutivo, já causou a morte de 83 palestinianos, entre os quais 24 crianças, segundo a agência da ONU que administra campos de refugiados na Cisjordânia e na Faixa de Gaza (UNRWA)."

"Os EUA impediram esta quarta-feira, pela 29ª vez, a adopção de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que pretendia travar a ofensiva militar de Israel em Gaza."

Publicado por agineotonico às 03:35 PM | Comentários (2)

Coerências

No primeiro dia de libertade, em vez de agradecerem ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi pela liberade, Simona Pari e Simona Torretta pediram ao governo que tirasse as tropas do país do Iraque ...
Desde o início, elas disseram que pretendiam continuar fazendo o trabalho de ajuda humanitária que faziam antes, e agradeceram aos países árabes, rebeldes que lutam pela liberdade do Iraque e ao mundo muçulmano por terem trabalhado pela sua liberdade ...
"A guerrilha é legítima, mas sou contra o sequestro de civis", disse ao jornal italiana Corriere della Sera Simona Torretta, que fala árabe e já estava vivendo no Iraque antes da queda de Saddam Hussein.
"É preciso diferenciar o terrorismo e a resistência. Eu disse isso antes e repito agora", disse ela, que descreveu o primeiro-ministro Iyada Allawi como "um fantoche nas mãos dos americanos" ...
Mas depois das críticas ao governo depois da libertação, as "florzinhas da paz" como haviam sido apelidadas pela imprensa italiana se tornaram objeto de duras críticas dos políticos e de parte da imprensa.
Elas passaram a ser descritas como frias, condescendentes e ingratas com o governo, e foram criticadas por não mencionarem outros sequestrados
."

Publicado por agineotonico às 07:55 AM

setembro 22, 2004

Bush e Annan fazem análises opostas sobre a situação no Iraque

O secretário-geral da ONU e o Presidente norte-americano subiram hoje à tribuna das Nações Unidas para apresentarem análises divergentes sobre a situação no Iraque: o primeiro destacou as consequências da guerra unilateral desencadeada pelos EUA e o segundo defendeu a intervenção liderada pela sua Administração.

Publicado por agineotonico às 07:43 AM

setembro 16, 2004

Armas de destruição maciça

Armas de destruição maciça foram descobertas no Iraque. Foram utilizadas pelos americanos na invasão militar do país contra os iraquianos e matou tropas dos Estados Unidos.
O urânio empobrecido utilizado em revestimento dos tanques e em bombas/mísseis, foram usadas na Jugoslávia, Afganistão e nas duas guerras do Golfo. Continuam a ser utilizadas em Falluga e Bagdad.
As partículas de DU têm um tempo de vida de 4,5 bilhões de anos.
O Dr Ali de Jenan, um médico iraquiano da Faculdade do hospital de Basra que tem estudado os efeitos da exposição ao urânio empobrecido, diz que se deu um aumento de 242% de aumento de leucemia e outras doenças em crianças da região, na década depois da primeira guerra de Golfo.
No Afeganistão e no Iraque um número assustador de crianças tem nascido com grandes malformações causadas pela utilização do urânio empobrecido.

Publicado por agineotonico às 08:16 AM

Kofi Annan

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse em uma entrevista à BBC que ele considera que a invasão do Iraque, liderada pelos Estados Unidos no ano passado, foi ilegal.
“Eu sou um daqueles que acredita que deveria ter havido uma segunda resolução, porque o Conselho de Segurança indicou que, se o Iraque não colaborasse, haveria consequências”, explicou.

Publicado por agineotonico às 07:47 AM

setembro 15, 2004

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

A Administração norte-americana diz estar preocupada com o reforço do poder central na Rússia, anunciado ontem pelo Presidente Vladimir Putin, como condição para intensificar a luta contra o terrorismo.
"Estas medidas suscitam algumas inquietações", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, garantindo que a diplomacia americana está já em contactos com Moscovo para discutir as iniciativas russas ... os EUA esperam que a Rússia encontre o "justo equilíbrio entre a luta contra o terrorismo e a necessidade de ir mais longe nas reformas democráticas".

Os Estados Unidos invadem militarmente outros países para depor os governos, e agora estão preocupados com Putin porque este "propõe que os responsáveis das entidades federadas (regiões ou repúblicas) deixem de ser eleitos por sufrágio universal, passando as candidaturas a ser propostas pelo Presidente e posteriormente ratificadas pelas assembleias regionais".

Publicado por agineotonico às 08:07 AM

setembro 14, 2004

Criação de um novo partido em Israel

Foi criado um novo partido em israel que, dizem os seus fundadores, tem como objectivo expulsar de Israel e dos territórios ocupados, um milhão de Muçulmanos e cristãos. Muitos destes elementos são líderes do Kach, milícia violenta composta de activistas Judeus que rejeitam a democracia e advogam a expulsão ou, se for necessário, aniquilação de árabes do que chamam Yisrael de Eretz (Terra de Israel), sendo que nesta se inclui a Palestina, Jordânia, Síria, Líbano, Chipre, e partes de Arábia Saudita, Iraque e Turquia.
Os terroristas do Kach dedicam-se ao assassínio de civis árabes, gabam-se disso e contam com a conivência das autoridades.

Publicado por agineotonico às 11:39 PM

setembro 08, 2004

Entrámos na 4ª guerra mundial

"O Mundo "entrou na 4ª guerra mundial", afirmou um alto responsável do Vaticano, o cardeal Renato Martino ...

Falamos sempre da 1ª e da 2ª Guerra Mundial, mas esquecemos que houve uma 3ª Guerra Mundial, a Guerra Fria. Agora, há uma 4ª que envolve também o mundo inteiro, porque não sabemos se nos vai acontecer alguma coisa quando estamos a sair de um hotel ou a andar de autocarro. A guerra está instalada ao lado de todos nós ...
Sublinhando que o Papa João Paulo II já afirmou várias vezes que o uso da força não é suficiente para erradicar o terrorismo, o cardeal acrescentou: "É preciso encontrar as motivações. A comunidade internacional deve pensar em soluções e nas situações que provocaram esta explosão".
Na mesma entrevista, publicada também no diário de esquerda "La Repubblica", o prelado insiste no papel que as Nações Unidas podem desempenhar. "

Publicado por agineotonico às 06:44 AM | Comentários (3)

setembro 05, 2004

Carnificina em Breslan (2)

É fácil acusar a esquerda trauliteira de transformar um acto bárbaro numa condenação ao governo de Aznar, assim como o é dizer que ela desvaloriza os actos bárbaros dos terroristas quando atribui a Putin a sua quota parte de responsabilidade pelos ataques terroristas que têm vitimado o povo russo e a forma como de corre o processo de tentativa de salvar o máximo de reféns de um acto terrorista.
Quem faz estas acusações são aqueles que pretendem fazer crer que os terroristas são fruto de uma qualquer malformação genética, são aqueles que desculpam ou tentam esconder a barbárie que lhes dá origem. Estas acusações têm sido a mensagem de Bush, de Putin, de Sharon e de outros terroristas semelhantes. Escolhem um alvo que se põe a jeito para esconder a realidade.
Há uma relação entre a agressão russa à Tcechenia, bem como entre o conflito que opõe a Geórgia à Rússia sobre a Ossétia do Sul e o atentado terrorista à escola de Beslan. Não se pode tentar circunscrever este bárbaro e inqualificável sequestro a uma maluqueira que passou pela cabeça de uns quaisquer doentes que gostam de fazer maldades porque nasceram mauzinhos.
Mais ainda neste caso, em que se tornou clara a internacionalização dos terroristas. Parece que se tornou óbvio que se não pode desligar a barbárie de Beslan da política russa na região e da política encabeçada pelos Estados Unidos no Médio Oriente.
Sendo assim, a questão parece centrar-se na relação entre povos: na ocupação do Iraque, na situação da Palestina, das Repúblicas resultantes da desagregação da URSS, de África, da América Latina, etc.
É que, sabe-se bem, mesmo que utilizando argumentos bacocos, a realidade por detrás da política internacional são as questões económicas e de estratégia militar.
Esta é a questão central, acho eu. Depois temos as outras questões igualmente importantes. Mas na verdade umas são causas e outras são consequências. E o terrorismo é uma consequência por muito que queiram apresentá-lo como causa para se continuar a subjugar outros povos e é necessário saber lidar com ele aceitando os pressupostos de que ele é, na realidade, uma consequência.
O sequestro de Beslan foi levado a cabo por um grupo terrorista equivalente aos bomba-suicídas. As reivindicações que fazem são tão impossíveis de ser satisfeitas que eles sabem que a possibilidade de sobrevivência é nula, o que torna qualquer negociação muito complexa. No caso concreto daquela zona, os ataques caracterizam-se pela escolha de alvos civis em grande número como no teatro, no hospital etc.. A barbárie destes actos atinge um nível inqualificável na escolha de uma escola como alvo e no disparar sobre crianças em fuga.
Sabia-se desde logo que a situação ia acabar com um elevado número de vítimas pelas razões que referi. Mas isto não impede que se critique a origem do problema e a forma abandalhada como decorreu a intervenção. Sabe-se que a intervenção teria de se dar para tentar salvar o maior número de reféns, mas ficam as perguntas que são necessárias: a desorganização, o caos, a impreparação das forças de intervenção não elevou o número de vítimas?
É fácil brincar aos culpados. É fácil atribuir culpas a uns e desculpar outros. É fácil esconder a cabeça na areia e fazer de conta.
(Comentário colocado por mim no Barnabé)

Publicado por agineotonico às 10:35 PM

setembro 03, 2004

O sequestro de Beslan

Um dos sequestrados libertados ontem em Beslan diz que dentro da escola se encontram mais de 1500 pessoas.

Tal como aconteceu no teatro em Moscovo, este tipo de acção caracteriza-se por ser um acto equivalente aos "bomba-suicidas" mas com um muito maior número de vítimas.
Que este tipo de terrorismo não se circunscreve a alvos específicos e se tem dirigido indiscriminadamente a alvos tanto civis como militares tem sido uma constante.
Estes rebeldes sabem que não têm qualquer probabilidade de saír vivos desta acção, pelo que torna a situação dramática para os sequestrados, para as suas famílas e para todos nós. Escolher crianças como alvo directo é absolutamente indefensável.
Por outro lado, o número de sequestrados apresentados oficialmente (cerca de 400) leva a temer o pior. O resultado da acção no Teatro de Moscovo, que resultou num elevado número de mortos, não nos deixa tranquilos quanto às decisões que poderão ser tomadas neste caso.

Publicado por agineotonico às 08:39 AM

agosto 03, 2004

Eleições: vale tudo, inclusivé tirar olhos

Reportagens de dois dos principais jornais dos Estados Unidos, o "Washington Post" e o "The New York Times", afirmam que algumas das informações de inteligência que levaram à elevação do nível de alerta no país têm no mínimo três anos.
O governo de George W. Bush disse que grande parte das informações que levaram ao alerta foram obtidas a partir de interrogatórios com um alto figurão da rede Al Qaeda [de Osama bin Laden], que teria sido preso na semana passada no Paquistão.

Publicado por agineotonico às 04:14 PM | Comentários (1)

julho 28, 2004

Nuns casos "pede-se" às autoridades, noutros invade-se o país ...

As consequências da trágica guerra no Sudão

Enquanto os olhos do mundo estão voltados para a guerra do Iraque e para as suas consequências traduzidas em actos terroristas, imagem dos Estados Unidos e homens-bomba em Bagdad, outra guerra sangrenta provoca a morte de milhares de inocentes no continente africano sem a ajuda da comunidade internacional para conter a carnificina.
...
diversos povoados e aldeias foram bombardeados por aviões e helicópteros de combate e ainda assim, soldados chegaram em carros, cavalos ou camelos, mataram homens, mulheres e crianças, estupraram várias adolescentes, roubaram e saquearam casas e lojas. Os poucos sobreviventes não têm direito a atendimento psicológico e têm de viver assolados pelo medo e pelos traumas. Além disso ainda sofrem com a falta de alimentos, água, assistência médica e a maioria das crianças está mal nutrida. O pior é que grupos não param de chegar e ainda são expulsos pela polícia com o pretexto de que estão se instalando ilegalmente em uma zona provada. O pessoal das Nações Unidas tenta impedir que as autoridades expulsem os desabrigados, mas o trabalho nem sempre apresenta os resultados esperados."

Publicado por agineotonico às 03:32 PM

julho 20, 2004

Massacres a civis pós-Holocausto

Sabia que haveria muitos mas não sabia que eram tantos.

Este blog faz uma listagem de mortos civis em alguns dos conflitos recentes.

Bolívia 1955-67 Conflito com a Guerrilha 200,000 mortos civis
Chile 1974 Execuções da Junta Militar 20,000 mortos civis
Colômbia 1949-62 Liberais vs. Conservadores 200,000 mortos civis
Colômbia 1970s-90s Governo vs. Guerrilha Comunista 120,000 mortos civis
Guatemala 1966-89 Governo vs. URNG 100,000 mortos civis
Nicarágua 1978-79 Guerra Civil 40,000 mortos civis
Peru 1981-89 Sendero Luminoso 20,000 mortos civis
Peru 19?? Comissão da Paz e Reconciliação 60,000 mortos civis
Egipto/Israel 1967-70 Guerra dos Seis Dias e pós-guerra 50,000 mortos civis
Síria 1981 Massacre pelo Governo da Irmandade islâmica de Hamah 10,000 mortos civis
Turquia 1984-89 Governo vs. Partido Trabalhista Curdo 10,000 mortos civis
Bangladesh 1971 Guerra civil, intervenção Indiana 1,000,000 mortos civis
Iraque 1960s-1980s Massacre dos Curdos 100,000 mortos civis
Iraque 1991 Guerra com EUA 100,000 mortos civis(?)
Iraque 2003/4 Guerra com EUA 10,000 mortos civis
Guerra Irão/Iraque 1980s 1,000,000 mortos civis
Índia 1946-48 Processo de Partição 800,000 mortos civis
Índia 1965 Índia vs. Paquistão 13,000 mortos civis
Afeganistão 1980s,90s Guerras continuas 1,000,000 mortos civis
Tadjiquistão 1992 Guerra Civil 60,000 mortos civis
Tchechénia 1990s Conflito com Rússia 30,0