fevereiro 02, 2005

"Descobertas Matemáticas na Mundet"


mat.jpg

O Ecomuseu Municipal do Seixal prossegue com a iniciativa "Descobertas Matemáticas na Mundet". É um projecto que visa levar crianças e jovens a aplicar os conhecimentos matemáticos de forma prática e lúdica. Uma das propostas de exercício é a medição da copa de um sobreiro. Ligar a matemática à realidade concreta mostrando a sua funcionalidade é uma necessidade principalmente em idades precoces.

Publicado por agineotonico às 02:19 PM

dezembro 15, 2004

Disponibilizar na Internet as bibliotecas das universidades de Michigan e Stanford


O Google, o motor de busca mais utilizado, anunciou hoje que chegou a acordo para disponibilizar na Internet as bibliotecas das universidades de Michigan e Stanford, os arquivos de Harvard e de Oxford e a Biblioteca Pública de Nova Iorque, sem qualquer espécie de publicidade.
Os livros vão poder ser consultados na Internet através do Google, havendo a possibilidade de se obter o texto na íntegra ou excertos, para respeitar a legislação sobre direitos de autor.
"Mesmo antes de lançar o Google, queríamos tornar consultável na Internet a incrível quantidade de informação que os bibliotecários classificam com tanto cuidado", comentou Larry Page, co-fundador do Google. De acordo com Larry Page, "a missão do Google é organizar a informação mundial".
(Público)

Publicado por agineotonico às 07:31 AM | Comentários (2)

dezembro 14, 2004

Privatização de infantários da segurança social


Cerca de 50 trabalhadores, pais e encarregados de educação concentraram-se hoje em frente ao Ministério da Segurança Social, Família e Criança, em Lisboa, contra a privatização dos infantários da segurança social, por temerem o aumento da mensalidade (...) o objectivo da concentração e da moção é exigir ao ministro que "trave imediatamente" e "anule" o processo de entrega dos infantários da Segurança Social a entidades privadas (...) O sindicalista explicou que dos cerca de 50 infantários que pertenciam à segurança social, 30 foram privatizados ou entregues a Instituições Particulares de Segurança Sociais (IPSS) nos últimos anos.
Os pais receiam que não se mantenha a qualidade dos serviços dos infantários quando forem privatizados, bem como o aumento das mensalidades. Alcides Teles deu como exemplo o caso de um casal com dois filhos que paga uma mensalidade de cem euros, mas que num infantário privatizado passaria a pagar 600 euros.
Uma das funcionárias presentes na manifestação disse à Lusa que "há agregados familiares muito carenciados a pagar três euros" e que não vão ter condições para pagar mensalidades mais caras. "Num infantário das IPSS, a mensalidade mais baixa é de 125 euros" disse Maria de Fátima Saraiva, realçando que é necessário manter os infantários da Segurança Social para que não haja "exclusão social".
(Público)

Publicado por agineotonico às 07:38 AM

novembro 04, 2004

Educação: as armadilhas do neoliberalismo

A esfera educativa está diante de cinco grandes armadilhas, resultado das mudanças políticas, sociais e económicas dos últimos trinta anos, que viram o modo de vida ter como centro o hiper-consumo e a mercantilização generalizada de qualquer bem ou serviço, a explosão das tecnologias e a globalização liberal.

A primeira dessas armadilhas: a instrumentalização crescente da educação a serviço da formação de "recursos humanos".
A segunda armadilha: a passagem da educação do campo não mercantil ao mercantil.
Terceira armadilha: a educação é mostrada como instrumento indispensável à sobrevivência de cada indivíduo e, ao mesmo tempo, de cada país, na era da competitividade mundial.
Quarta armadilha: a subordinação da educação à tecnologia.
Quinta armadilha: o uso do sistema educacional como meio de legitimação das novas formas de divisão social.
(Riccardo Petrella)

A opção do Conselho Europeu, já traduzida em plano de acção, consiste em afirmar que a grande prioridade, nos próximos quinze anos, é a construção da "e-Europa" para que, em 2015, ela se torne a "e-economia" mais competitiva do mundo
Riccardo Petrella*
A esfera educativa está diante de cinco grandes armadilhas, resultado das mudanças políticas, sociais e económicas dos últimos trinta anos, que viram o modo de vida ter como centro o hiper-consumo e a mercantilização generalizada de qualquer bem ou serviço, a explosão das tecnologias e a globalização liberal.
A primeira dessas armadilhas é a instrumentalização crescente da educação a serviço da formação de "recursos humanos". Essa função toma o lugar da educação para e pela pessoa e origina-se na redução do trabalho a um "recurso" organizado, gerenciado, valorizado, rebaixado, reciclado e, eventualmente, abandonado em função de sua utilidade para a empresa. Como qualquer outro recurso material ou imaterial, o recurso humano é considerado como uma mercadoria económica que deve estar disponível em qualquer lugar. 1 Não tem direitos cívicos nem outros direitos quaisquer, sejam eles políticos, sociais ou culturais, e os únicos limites à sua exploração são de natureza financeira (os custos). Seu direito à existência e à renda depende de seu desempenho, de sua rentabilidade. Deve demonstrar que é empregável, de onde decorre a substituição do "direito ao trabalho" por uma nova obrigação: demonstrar sua "empregabilidade".
A educação como mercado
Isso é o que alguns dirigentes chamam de uma "política social activa do trabalho". Para eles, se a educação tem um papel maior, este, é, principalmente, em relação a essa obrigação de "empregabilidade". E por toda a vida, graças à formação contínua cuja função é manter os recursos humanos do país utilizáveis e rentáveis. Porém, desde então, o trabalho deixou de ser uma questão social.

A segunda armadilha é a passagem da educação do campo não mercantil ao mercantil. Desde que se lhe confere como tarefa principal formar os recursos humanos a serviço da empresa, não é surpreendente que a lógica mercantil e financeira do capital privado queira lhe impor a definição de suas finalidades e suas prioridades. A educação é cada vez mais tratada como um mercado. 2
As "universidades virtuais"
Na América do Norte, fala-se permanentemente de "mercado da educação", de "business da educação", de "mercado de produtos e de serviços pedagógicos", de "empreendimentos educativos", de "mercado de professores e alunos". Não é por acaso que se realizou, de 23 a 27 de maio de 2000, em Vancouver, no Canadá, o primeiro Mercado Mundial da Educação 3 (World Education Market). Para a grande maioria dos participantes, públicos e privados, 4 a mercantilização da educação é indiscutível, a questão principal é saber quem vai vender o quê num mercado mundial regulamentado por quais regras.
O "quem" já começa a delinear-se bem: são os editores de produtos multimédia, de criadores e fornecedores de serviços on line, ou de ensino à distância, operadores de telecomunicações, empresas informáticas, todos sectores nos quais as fusões, absorções e alianças sucederam-se em ritmo frenético nos últimos anos. Essas empresas já investiram muito no "quê": muitas têm, à mão um catálogo de programas-chave de formação on line -- pronto para ser oferecido. As "universidades virtuais" multiplicam-se como cogumelos através das fronteiras "nacionais". Segundo um estudo do banco de investimentos norte-americano Meryll Lynch, 5 o número de jovens que seguirão cursos superiores, em todo o mundo, aumentará para, aproximadamente, 160 milhões até 2025. Actualmente, são 84 milhões -- dos quais, 40 milhões cursam um ensino on line. É fácil imaginar o que poderá representar esse mercado em um quarto de século.
Liberalização e desregulamentação
A tendência em todos os países "desenvolvidos" dirige-se a um sistema de educação organizado sobre uma base individual, à distância (via Internet), variável no tempo, por toda a vida e à la carte. 6 Quanto às regras, o fracasso das negociações da Rodada do Milénio da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Seattle, em dezembro de 1999, impediu, provisoriamente, que os princípios do livre comércio sejam também aplicados à educação: eles estavam presentes nos itens do Acordo geral sobre o comércio de serviços (AGCS). Como as negociações sobre serviços foram retomadas na sede da OMC, em Genebra, nada garante que a liberalização e a desregulamentação do sector educativo não estejam novamente inscritas na ordem do dia.
Efectivamente, são cada vez mais numerosos os dirigentes políticos dos países desenvolvidos prontos a aceitar que o mercado decida as finalidades e organização da educação. As organizações sindicais (principalmente a Internacional da Educação), as organizações governamentais e o movimento de cidadãos deveriam redobrar seus esforços de oposição a esse roteiro. 7
Tecnologias e progresso
Terceira armadilha: a educação é mostrada como instrumento indispensável à sobrevivência de cada indivíduo e, ao mesmo tempo, de cada país, na era da competitividade mundial. Desse modo, a esfera educacional tende a transformar-se em um "lugar" onde se aprende uma cultura da guerra (cada um por si, conseguir mais do que os outros e o lugar deles) ao invés de ser uma cultura da vida (viver em conjunto com os outros, segundo o interesse geral). As universidades, os poderes públicos, os estudantes, os pais -- e até muitos sindicatos -- têm, de modo geral, aceitado tal cultura. O sistema, dessa forma, é levado a privilegiar a função de seleccionar os melhores -- apesar dos esforços de boa parte dos educadores -- muito mais do que cumprir sua função de valorizar as capacidades específicas de todos os alunos.
Quarta armadilha: a subordinação da educação à tecnologia. Os dirigentes, por acreditarem desde a década de 70 que a tecnologia é o principal motor das mudanças da sociedade, impuseram a tese de sua primazia e da urgência de adaptação a ela. Qualquer que seja seu campo de aplicação (a energia, a comunicação, a saúde, o trabalho), tendem a considerar como inevitável e irresistível qualquer mudança económica e social ligada às novas tecnologias, já que as inovações por elas provocadas são consideradas como contribuição ao progresso do homem e da sociedade.
Rumo à "era do conhecimento"
Para a grande maioria dos dirigentes, a globalização actual é filha do progresso tecnológico. Opor-se a isso é insensato. O principal papel da educação seria, então, dar às novas gerações a capacidade de compreender as mudanças em curso e as ferramentas de adaptação.
Quinta armadilha: o uso do sistema educacional como meio de legitimação das novas formas de divisão social. A acreditar-se no discurso dominante, as economias e as sociedades dos países desenvolvidos passariam da era industrial, fundamentada em recursos materiais e em capitais físicos (terra, energia, aço, cimento, trilhos) para a era do conhecimento, baseada, principalmente, em recursos e capitais não-materiais (os conhecimentos, a informatização, a comunicação, a logística).
O novo proletariado mundial
O conhecimento tornar-se-ia o recurso fundamental da "nova economia", nascida da revolução multimédia, das redes informatizadas, de seus derivados, como o e-comércio, o e-transporte, a e-educação, a e-empresa e o e-trabalhador. 8 Dentro dessa óptica, a empresa é vista como o sujeito e o principal lugar da promoção, da organização, da produção, da valorização e da difusão do "conhecimento que vale".
Promover a difusão do espírito empresarial e a criação de empresas no meio científico e nos estabelecimentos secundários e superior e redinamizar o sistema educacional para transformá-lo em terreno privilegiado da formação das gerações jovens na construção de uma "sociedade de conhecimento" constituem uma das principais receitas das políticas públicas de ensino e pesquisa. Ora, essa receita é posta em prática no momento em que, pelo mundo inteiro, uma nova divisão social instaura-se entre os "qualificados" (que têm acesso ao "conhecimento que vale") e os não-qualificados (que estão excluídos de tal acesso, ou não conseguem preservá-lo). Essa divisão vem agravar as já existentes, que se devem, entre outras razões, às desigualdades de acesso à alfabetização básica. O conhecimento torna-se o principal material de construção de um novo muro (o "muro do conhecimento") entre os recursos humanos nobres (organizados nas novas corporações profissionais planetárias) e os recursos humanos do povo, novo proletariado do capital mundial.
Prioridade é a informática
Certamente não será pela escolha feita pelos chefes de Estado e de governo dos 15 países da União Europeia por ocasião da reunião do Conselho Europeu em Lisboa, 9 em março de 2000, que os europeus se irão libertar dessas cinco armadilhas. A escolha, já traduzida em plano de acção pelo Conselho de Feira, em junho de 2000, consiste em afirmar que a grande prioridade dos próximos quinze anos é a construção da "e-Europa" para que, em 2015, ela se torne a "e-economia" mais competitiva do mundo.
O objectivo primordial dessa finalidade é dar a todos os europeus, desde a escola maternal e primária, o acesso à alfabetização informática para que se tornem uma quantidade de "recursos humanos" capazes de concorrer com os da América do Norte, que já teriam dezoito anos de vantagem. 10
Computador substitui laços afectivos
Neste campo, o consenso é muito grande entre os dirigentes europeus. Não teriam ainda compreendido, depois de vinte anos de políticas a serviço da competitividade, ao sabor do mercado, que nessa lógica há poucos ganhadores -- e isso em todos os campos, inclusive no da educação? Como podem eles ignorar que os Estados Unidos -- o país mais "desenvolvido" do mundo nas tecnologias de informação e da comunicação, de multimédia, Internet etc. -- têm um nível de instrução particularmente deplorável, segundo um estudo da Organização pela Cooperação de Desenvolvimento Económico (OCDE)? 11
Por que fecham os olhos diante do estado miserável da educação de base e às grandes desigualdades sociais que caracterizam actualmente o acesso ao ensino superior na Grã-Bretanha? Como podem ignorar os resultados de anos de pesquisas multidisciplinares sobre o desenvolvimento das crianças, mostrando que elas têm uma necessidade fundamental de laços pessoais profundos com os adultos, e que enfatizar o computador nas escolas, desde a mais tenra idade, pode privá-las desses laços essenciais? 12
A contribuição à vida em comum
Proposições pertinentes e realistas para uma outra política educativa não faltam: há, por exemplo, as anunciadas pela Oxfam Internacional e pela Internacional da Educação, em março de 1999, para "Uma educação pública de qualidade para todos". 13 Aprender a saber dizer bom-dia ao outro representa o ponto de partida decisivo para uma "outra" educação. Isso significa que o sistema educacional confere a si mesmo a função original de ensinar todo cidadão a reconhecer a existência do outro como base fundamental de sua própria existência da vida em conjunto.
Dialogar directamente, de pessoa a pessoa, é aprender que a alteridade é central na história das sociedades humanas, em meio a tensões criadoras e conflituosas, entre a unicidade e a multiplicidade, a universalidade e a especificidade, a globalidade e a localidade. É também aprender a democracia e a vida. É aprender a solidariedade, a capacidade de reconhecer o valor de toda contribuição -- ainda que seja pouco qualificada em relação aos critérios de produtividade e de rentabilidade -- de todo ser humano à vida em comum.
O direito à vida
Ao partir desse princípio geral, uma política da educação centralizada sobre o desenvolvimento, a preservação e a partilha dos "bens comuns" 14 que são os conhecimentos e os saberes, poderia contribuir para um desenvolvimento mundial solidário, no plano económico; eficaz, no plano social e democrático, no plano político. Aplicado à "e- Europa", priorizaria a formação de uma geração de cidadãos possuidores de competências e qualificações que requerem novas lógicas: as da economia social, da economia solidária, da economia local, da economia cooperativa.
Ela também conferiria importância primordial à cooperação com outras comunidades, regiões e povos do mundo para fazer recuar a tendência actual à apropriação privada dos conhecimentos e torná-los disponíveis à promoção de um Estado do bem-estar mundial garantindo a todos o direito à vida.

Publicado por agineotonico às 03:58 PM | Comentários (1)

outubro 25, 2004

Ensinar a Aprender

Uma nova escola de medicina.


A Universidade do Minho arrancou em 2001 com o primeiro ano lectivo do curso superior de ciências da saúde, há muito desejado. O lema da casa é o conhecido chavão Ensinar a Aprender e, na verdade, a aprendizagem nesta escola desenvolve-se de uma forma muito distinta da realidade habitual. Em vez das aulas teóricas, que quase invariavelmente se baseiam na debitação pública de um qualquer livro de autor normalmente estrangeiro (ou sebenta desenhada a partir destes), os alunos minhotos são presenteados com um ensino interactivo em que o professor se comporta principalmente como orientador de estudo. Este método é uma adaptação do sistema americano “Problem-based learning”. Os alunos, como diria o Fernando Pessoa “Primeiro estranham. Depois, entranham!”
Os resultados são visíveis no dia a dia. Elevadíssimos índices de motivação, especialmente nos alunos. Porque este método de ensino exige muito mais domínio teórico dos assuntos leccionados os professores desanimam menos, motivam-se mais, trabalham melhor. Apesar do ratio professor/aluno ser o que a lei manda (aproximadamente 1/8 durante os primeiros 3 anos básicos e 1/4 nos seguintes 3 anos clínicos), os alunos estão infinitamente mais acompanhados e aconselhados do que noutros estabelecimentos de ensino.
Uma das jóias da coroa é seguramente a tarefa Projectos de Opção, novidade introduzida desde o primeiro ano de licenciatura. Todos os anos, os alunos são “convidados” a apresentar uma ideia do que gostariam de fazer durante três semanas. Esta é a primeira grande oportunidade para muitos partirem a descoberta do mundo. Há o exemplo de uma aluna que estagiou numa escola médica em Sheffield para observar in situ as diferenças entre este método de ensino em Portugal e no Reino Unido. Outros partiram à descoberta das desigualdades sociais entre diferentes regiões do país: um foi ao Algarve seguir uma doente com cancro da mama, e outro seguiu os mesmos passos com uma doente de Coimbra. Há inúmeros projectos deliciosos dos quais destaco o aluno que reparou que os pais de bebés internados em unidades de cuidados intensivos neonatais recorrem com mais frequência à ajuda prestada por outros pais em situações semelhantes, do que ao médico de serviço; e a aluno que foi aprender como funciona a Saúde numa prisão do norte do país. Apesar da maior parte dos alunos optar por experimentar a realidade hospitalar (>50%), é curioso verificar que a percentagem de alunos que desenvolve interesse pela investigação científica (básica e clínica) aumenta ao longo do curso e atinge cerca de 20% no terceiro ano da licenciatura. Um número bastante elevado e que poderá vir a ser a força motriz para a investigação clínica, deserta neste país, com algumas excepções a confirmarem a regra.
(in Conta Natura)

Publicado por agineotonico às 08:01 AM

outubro 03, 2004

MÁ EDUCAÇÃO

"O Estado Novo nunca investiu na educação. As razões desta opção são claras. Por um lado a ignorância engendrava a submissão e a prevalência incontestada da ordem vigente. Por outro lado impedia qualquer veleidade de ascensão social e de eventual perturbação do status quo, perpetuando a exploração de uma mão-de-obra desqualificada e barata ...
Parece que o actual Estado neo-liberal segue o mesmo caminho, numa continuidade arrepiante. Hoje como ontem, Portugal tem a mais alta taxa de analfabetismo e de abandono escolar dos países da União Europeia, incluindo já os do último alargamento. Todos os esforços feitos a seguir ao 25 de Abril para contrariar esse estado de coisas e para nos distanciar definitivamente dos atavismos do passado foram rapidamente abandonados ou ostensivamente contrariados. Que razões podem, desta feita, justificar tal situação? Paradoxalmente os mesmos que antes encontrávamos. À presunção, que ainda hoje subsiste, das vantagens competitivas da exploração da mão-de-obra barata e servil, soma-se a ganância acrescida de “patrões” sem escrúpulos, envolvidos na selva especulativa da desregulação económica globalizada
".

Continue a ler aqui

Publicado por agineotonico às 10:33 PM

setembro 30, 2004

Acalmem-se as mães trabalhadoras

Estudos realizados sobre filhos de mães trabalhadoras concluem que não há evidências que apoiem um efeito fortemente negativo ou benéfico no desempenho académico das suas crianças.
Concluem, ainda, que as filhas de mães trabalhadoras não só tendem a ser mais assertivas, independentes e defensoras activas dos seus direitos, como tendem a escolher as suas mães como modelo a ser imitado e a considerarem-na como a pessoa que mais admiram. O papel feminino é visto, por estas crianças, não apenas como restringido ao papel de “dona de casa” e, com mais frequência, elas próprias se tornam mães trabalhadoras.
Muitas meninas com mães a tempo inteiro sofrem de handicaps devido à excessiva protecção. As mães não trabalhadoras e com estudos superiores ficam mais perturbadas quando os seus filhos vão assumindo cada vez maior independência.
Tanto filhos como filhas de mães trabalhadoras concordam que ambos os sexos têm igual capacidade e competência para a realização de qualquer tarefa, incluindo o trabalho doméstico.
Os filhos de mães trabalhadoras são mais capazes de adquirir habilidades (skills) que lhes conferem maior autonomia, i.e. cozinhar, tratar da roupa.
O grau de satisfação na realização das tarefas (em casa e no emprego) é que define os efeitos positivos ou negativos nas crianças. Se as tarefas são consideradas como satisfatórias, maior a possibilidade de boas relações pais/filhos.
As mães que se sentem culpadas por gostarem do seu trabalho, arranjam formas de sobre-compensação e tornam-se excessivamente permissivas com as suas crianças. Isto afecta a relação da criança com os seus pares e o seu desempenho académico (este é o único resultado negativo encontrado na pesquisa).
Os maridos de mães trabalhadoras compartilham mais responsabilidades de cuidados à criança, as crianças tendem a ser mais independentes e responsáveis e há um forte empenhamento em planificar coisas para a família fazer em conjunto.
Muitos factores contribuem para "delinquência juvenil". Mais do que a quantidade de tempo disponibilizado, é a qualidade dos cuidados prestados pela mãe durante infância que é verdadeiramente importante.

Publicado por agineotonico às 10:32 PM

setembro 25, 2004

Ataque cerrado à Escola Pública (3)

Já li este post duas ou três vezes mas tenho-me abstido de fazer comentários. É que, como dizia o "outro" estou farta de dar para este peditório e cansada de me ouvir em dissertações do género. Tenho dois filhos em idade escolar, já fui professora e conheço bem a natureza do nosso ensino e toda a sua evolução. É certo que toda a experiência pessoal é limitada mas não deixa de nos oferecer indicadores sintomáticos do estado geral das coisas e esses, garanto-te, são bem preocupantes.
Infelizmente, e era isto que te queria dizer, o que aqui muito bem denuncias como uma perversão dos pilares fundamentais de qualquer sistema educativo é hoje aplaudido por uma GRANDE parte de professores e, espantem-se, encarregados de educação.
As escolas caminham a uma velocidade assustadora para "centros de detenção" de "objectos humanos" onde a figura do professor autocrático e totalitarista se torna uma realidade cada vez mais evidente. Mais: torna-se uma exigência da própria comunidade e, portanto, uma realidade consentida e permitida pela esmagadora maioria dos encarregados de educação.
O pior é que a breve trecho também esses centros de detenção terão de se tornar rentáveis e o gestor escolar (porque a ideia das nomeações traz implícita a de um gestor escolar) terá como missão rentabilizar o espaço, transformando-o numa espécie de "mercado livre". Falo de publicidade, aluguer de espaços, patrocínios, claro.
Esta questão, naturalmente, é demasiado complexa para se esgotar aqui.
Contudo, seria bom pensarmos até que ponto esta ideologia "securitária" (esta visão do outro como inimigo,de um modo geral, ou do aluno, pai ou professor como inimigo, de um modo particular ) não nos afasta de uma avaliação justa do problema e não nos encerra em lógicas circulares que acabam, apenas, por nos sufocar no medo, na hostilidade e na total ausência de liberdade.

Este é um "discurso" que (porque pertenço a uma associação de pais) tenho "imposto" a vários professores, meus ex-colegas. Respondem-me com olhos de espanto. Defeito meu: gosto do mundo num ponto de vista holista.

abraço
o uno e o múltiplo

Publicado por agineotonico às 12:12 PM | Comentários (4)

setembro 22, 2004

Ataque cerrado à Escola Pública (2)

A par de outros ataques à “coisa pública”, também a educação não escapa. Estão aí, para nos mostrar isso, os discursos do poder e daqueles que por este são convidados, através da comunicação social, para dar as suas “sábias” opiniões nos debates televisivos.

Passámos a assistir a um ataque cerrado à Escola Pública e aos muitos professores que nela trabalham empenhadamente.
Ouvimos Fátima Bonifácio defender directores escolares nomeados, o fim das práticas pedagógicas utilizadas e o retorno à figura do professor autocrático. Secundando estas ideias, João Benárd da Costa no Público em “Antigamente, a escola ... II”, clarifica: “... nunca curso nenhum lhe correu tão bem ... como não conseguiria se se pusesse a trabalhar em “grupos”, a adular os néscios ou a fingir que eram eles quem deviam ensinar”.
Ficamos a saber que ensinar a trabalhar em grupo, valorizar as produções dos alunos, alicerçar a construção do saber sobre o respeito pelas diferenças individuais e o já adquirido e o estimular a autonomia dos alunos, são uma alarvice da modernidade, que os alunos devem, desde a mais tenra idade, ficar sentados, imobilizados e virados para o professor, que lhes dirá “eu sei tudo e vocês não passam de uns estúpidos que nada sabem e nada valem”. Talvez voltar à utilização dos castigos corporais também ajudasse.

Para maior espanto, ouvimos Fátima Bonifácio, que inúmeras vezes apareceu nas TVs a dizer sempre o mesmo, dizer que nas escolas privadas não se assiste a esta falta de organização, a esta dificuldade de integração dos alunos. Não sei em que planeta vive esta senhora ou em que condomínio fechado, mas o que sei é que ela não tem a mais leve ideia sobre o que é a Escola Pública, sobre as características da sua população escolar e os problemas que, hoje, enfrentam os professores.
Deram a palavra a uma pessoa que está mais distante deste problema que o comum dos mortais que tenha filhos numa escola pública.

Publicado por agineotonico às 04:44 PM | Comentários (1)

Ataque cerrado à Escola Pública

Habituámo-nos a ouvir os políticos que governam o país a falar de inquéritos para apurar responsabilidades “até às últimas consequências”, que se pretende “transparência”, que “a culpa não pode morrer solteira”. Mas assistimos à constituição de comissões de inquérito que se transformam em processos morosos e/ou sem consequências, assistimos à opacidade dos processos e à culpa a morrer sem culpados indiciados, ou seja, não a morrer solteira sequer, mas sim, a morrer divorciada.

A barafunda na colocação dos professores foi um acontecimento grave. Num país com índices de insucesso e abandono escolar tão elevados, esta demonstração de incompetência do Ministério da Educação é chocante porque mostra a real importância que a elite no poder atribui à educação em geral e à escola em particular.
É caso para dizer que, para fugir ao assumir das responsabilidades pelas asneiras irresponsáveis que têm vindo a cometer, os responsáveis do Ministério da Educação começaram por atribuir as culpas a “um grupo de funcionários” que estariam a boicotar o seu glorioso esforço de mudança e, indo mais longe, referiram o nome de dois funcionários colocados no tempo de Guterres. Apontam-se os bodes expiatórios ou já decorreu um inquérito que os incrimina??
E a partidarização do problema? Também foi provada?
Mais recentemente, torna-se público o nome da empresa responsável pelo concurso de colocação dos professores e as suas ligações ao poder político são tudo menos transparentes. Surgem dúvidas sobre a “transparência” da adjudicação deste processo a uma empresa com ligações pessoais ao poder político.
Vai esta empresa ser penalizada pelas graves consequências do seu mau serviço?
E os responsáveis do Ministério que não souberam gerir o problema desde o início, mais os que não souberam, atempadamente, tomar medidas para que se não chegasse a este ponto, vão ser responsabilizados?

Publicado por agineotonico às 04:31 PM | Comentários (3)

setembro 14, 2004

Professores portugueses entre os mais mal pagos da OCDE

Os professores portugueses estão entre os mais mal pagos dos países desenvolvidos, de acordo com um novo estudo internacional, que demonstra ainda a queda do investimento público no sector educativo em Portugal.
Os dados fazem parte do extenso estudo anual da OCDE sobre o «Panorama Educativo» em 2004, divulgado hoje e que refere que os professores primários portugueses estão em oitavo lugar entre os que menos recebem (15.873 euros por ano, enquanto a média da OCDE é de 18.702).
Uma posição que se mantém quando contabilizados os rendimentos após 15 anos de experiência (22.333 euros por ano), também longe da média de 25.604 euros dos restantes membros da OCDE.
A tendência mantém-se no nível secundário, com os professores a ganharem em média 17.066 euros (a média da OCDE é de 19.784 euros), um valor que cresce para 24.669 euros depois de 15 anos de experiência, ainda abaixo da média das 30 nações da organização (27.220 euros).
No que toca ao rácio professores-alunos, Portugal ocupa a 24ª posição com 60,6 docentes por cada mil alunos, enquanto a média da OCDE ronda os 72,9 por mil alunos.
O estudo confirma também uma queda significativa no investimento público na educação em Portugal, em termos do Produto Interno Bruto (PIB), no período entre 1996 e 2001.

Publicado por agineotonico às 05:15 PM

agosto 03, 2004

Bióloga portuguesa distinguida com prémio europeu

Uma parte significativa da energia dos investigadores portugueses radicados em Portugal perde-se na tentativa de angariar financiamento para os seus projectos.

A bióloga portuguesa Maria Manuel Mota foi distinguida com um prémio europeu - o European Young Investigators Awards (Euryi), no valor de 1.072.500 euros (mais de 214 mil contos).
...
"É fantástico", comentou. "Grande parte da nossa vida é andar a angariar financiamento para funcionar no laboratório. Os projectos financiados pela FCT dão no máximo 100 mil euros para três anos, o que significa que passamos a maior parte do tempo a escrever projectos a pedir financiamento. Nos próximos cinco anos, não vou ter de pedir mais financiamento, o que é excelente para mim."

Publicado por agineotonico às 05:04 PM | Comentários (1)

julho 08, 2004

Ando a ler um dicionário


"A bem dizer foi por causa das mulheres que eu me apaixonei pelos livros. Descobri que por detrás daquelas imagens, por detrás de cada mulher, mais ou menos despida, havia um enredo, e passei a interessar-me por essas histórias.
Nunca mais deixei de ler. Leio de tudo um pouco, romances, ensaios, poesia, e, é claro, continuo a interessar-me por enciclopédias e dicionários. Gosto particularmente de ler dicionários. A minha última paixão, em matéria de dicionários, chama-se Houaiss. Esperei por ele uns bons seis anos. Sempre que ia a uma bienal do livro, no Rio de Janeiro ou em São Paulo, perguntava pelo Houaiss. "Sai para o ano", respondiam-me imperturbáveis os responsáveis pelo projecto, e, para manterem aceso o meu interesse, agitavam factos e números: mais de 228 mil verbetes, extensos grupos de sinónimos e antónimos, levantamentos de homónimos, parónimos, colectivos, informações de gramática e uso, bem como da origem de cada palavra; é o primeiro dicionário a registar a data em que a palavra entrou na língua, etc. e tal. Finalmente, há alguns meses, o embaixador do Brasil em Berlim, Roberto Abdenur, ofereceu-me um exemplar (três quilos e seiscentos gramas em papel bíblia!), e pude assim confirmar a justeza da publicidade. Mais recentemente pedi a uma amiga que me enviasse, de São Paulo, a versão electrónica do Houaiss. Não me desiludiu."

(José Eduardo Agualusa)

Publicado por agineotonico às 07:34 AM

junho 12, 2004

Por este andar ...

O Ministério da Educação continua a mostrar a sua incompetência colocando-nos bem ao nível dos países mais atrasados.
A incapacidade para organizar a colocação dos professores tem sido de tal ordem que me começo a perguntar se isto não tem outras intenções.
Por este andar pode ser que o ano lectivo comece lá para Dezembro sem os professores todos colocados e sem que todos os alunos tenham aulas.

Publicado por agineotonico às 11:59 PM | Comentários (1)

junho 11, 2004

EDUCAÇÃO VERSUS INSTRUÇÃO

O Director do New York Times recebeu certa vez uma carta iniciada assim:
«Caro professor, sou um sobrevivente de um campo de concentração. Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos deveriam poder ver: câmaras de gás construídas por engenheiros doutorados; adolescentes envenenados por físicos eruditos; crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas; mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados. Por isso desconfio da educação.»

Depois disto não é difícil partilhar dessa desconfiança. Mas será efectivamente a educação que o autor da carta põe em causa? Por vezes acontece socorrermo-nos de palavras com um sentido original muito distinto do conceito que pretendemos evocar. Utilizamo-las tão somente porque foram consagradas pelo uso (incorrecto, é certo). Mas o pior acontece quando é o próprio conceito a ser confundido. Neste domínio está a educação versus instrução. Bastará estarmos atentos ao trânsito de uma qualquer rua para concluirmos com toda a naturalidade que “instrução” (a qual todos os condutores receberam) e “educação” são de facto coisas distintas, ainda que quotidianamente usadas num sentido único. Do mesmo modo a nossa sociedade tem confundido informação com formação e conhecimento com sabedoria. É inegável a crescente valorização de algo que se tem designado por “educação”. No entanto, o que na realidade se verifica é uma busca frenética do êxito académico com o intuito de assegurar uma futura estabilidade social e financeira, este sim, o objectivo supremo.

Educação = Instrução
Se bem que ferida por excessos, defeitos e desequilíbrios e ainda distorcida pela visão igualmente deturpada que durante muitos anos se teve da criança, a “educação” sempre objectivou mais do que simples instrução. Numa clara distinção dos dois conceitos João Coménio, o maior pedagogo seiscentista, defendeu a ideia que a escola deveria proporcionar instrução e educação. Por “instrução” Coménio entendia «o conhecimento pleno das coisas, das artes e das línguas» b); doutra forma, “educar” corresponderia à acção de «providenciar para que o espírito dos jovens seja preservado das corruptelas do mundo (...)»c).
De facto, essa distinção entre “instrução” e “educação” permanece teoricamente nos nossos dias. Nos dicionários pode ler-se como significados de “instrução” a «educação literária e científica» ou «conhecimentos adquiridos»; enquanto “educação” é definida como o «processo que visa o desenvolvimento harmonioso do homem nos seus aspectos intelectual, moral e físico e a sua inserção na sociedade.» No entanto a confusão tem existido na prática. Aqui os dois conceitos mesclaram-se e, salvo honrosas excepções, as escolas preocupam-se maioritariamente com a instrução (rotulada de “educação”). Potenciada por vários factores de ordem social, a crescente preocupação por uma formação intelectual tem originado uma inequívoca deformação moral. Fala-se hoje em “crise de valores” bem espelhada na cavalgada da delinquência ou no ressurgimento da xenofobia. Os pais, ocupados na absorvente vida profissional ou retidos nas demoradas filas de trânsito, revelam-se manietados para poderem acompanhar os seus filhos na tarefa da educação harmoniosa das suas diferentes facetas. Estes acabam por ficar entregues a si mesmos tendo como formadores a TV, os jogos individuais e, nalguns casos, os colegas. Para além de se socializarem sozinhos e de não desenvolverem competências relacionais, vão absorvendo os valores transmitidos pela TV ou por amigos da mesma idade. Tal como há século e meio as senhoras da alta sociedade transferiam para as amas a “tarefa” de amamentar os seus filhos, também hoje alguns pais pouco atentos e outros impedidos pelas contingências das suas vidas profissionais e sociais, transferem para a Escola a responsabilidade pela educação moral e cívica dos seus filhos. Numa primeira fase a Escola tenta corresponder ao que dela se espera integrando nos seus currículos a disciplina de “Educação Moral e Religiosa”, “Desenvolvimento Pessoal e Social” ou “Educação para a Cidadania” preconizada na eminente reforma curricular. Porém, tal revela-se insuficiente já que nunca a formação será somente obra da informação. Lembremo-nos que conhecer a obrigatoriedade de parar a um STOP não garante a sua observância. Há um trabalho mais amplo e concertado a realizar entre todos os agentes educativos. Daí que concorde na exigência da Escola relativamente ao envolvimento e co-responsabilidade dos Pais na tarefa de educar. Não se pode permitir que a criança continue a receber uma aprendizagem desconexa, ou seja, importa evitar que o papel formador da Escola, o do lar e, tanto quanto possível, o de outros agentes educativos (como a TV ou o círculo de amigos) tenham orientações diferentes e que em cada um as vivências sejam igualmente distintas.

Professores e Pais – dois agentes, um mesmo propósito
Um apelo é feito no duplo sentido.
Professores, recordem as palavras daquele sobrevivente do campo de concentração. Vão para lá da instrução. O referido autor terminava a sua carta escrevendo: «(...) ajudem os vossos alunos a serem humanos. Que os vossos esforços nunca possam produzir monstros instruídos, psicopatas competentes, Eichmanns educados. A leitura, a escrita, a aritmética só são importantes se tornarem as nossas crianças mais humanas».
Pais, invistam na vossa maior riqueza: os vossos próprios filhos. Brinquedo algum, por mais caro que seja, ou mesmo o mais conceituado e publicitado par de calças poderá de alguma forma compensar a vossa ausência. Melhores dividendos advirão no seu acompanhamento do que no sacrifício feito para corresponder às necessidades materiais que manifestam, as quais são, regra geral, criadas artificialmente pela publicidade. Passem tempo com eles garantindo a vivência de determinados valores. E não esperem que seja um mau comportamento deles a levar-vos à escola. Estejam lá antes disso. Falem com os professores, cooperem; o trabalho feito a dois será sem dúvida mais fácil e frutífero.
Pais e professores, não se conformem com a mediocridade. «As nossas ideias acerca da educação têm sido demasiadamente acanhadas e baixas. Há a necessidade de um escopo mais amplo, de um objectivo mais elevado. A verdadeira educação significa mais do que a prossecução de um certo curso de estudos, significa mais do que a preparação para a vida presente. Ela visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem».

(Jorge Branquinho Lopes)

CONTINUE A LER EDUCAÇÃO VERSUS INSTRUÇÃO

Publicado por agineotonico às 04:33 PM | Comentários (2)

junho 04, 2004

um etsduo da Uinvesriadde de Cmabgirde

Sguedno um etsduo da Uinvesriadde de Cmabgirde, a oderm das lertas nas pavralas não tem ipmortnacia qsuae nnhuema. O que ipmrtoa é que a prmiiera e a utlima lreta etsajem no lcoal cetro. De rseto, pdoe ler tduo sem gardnes
dfiilcuddaes ... Itso é prouqe o crebéro lê as pavralas cmoo um tdoo e não lreta por lerta ...

Publicado por agineotonico às 05:10 PM

junho 03, 2004

Desenrascanço

The neutrality and factual accuracy of this article are disputed.

Desenrascanço (loosely translatable as "disentanglement") is a Portuguese word used, in common language, to express an ability to solve a problem without having the knowledge or the adequate tools to do so, by use of imaginative resources or by applying knowledge to new situations. Achieved when resulting in a hypothetical good-enough solution. When that good solution doesn't occur we got a failure (enrascanço - entanglement). It is taught, more or less informally, in some Portuguese institutions, such as universities, navy or army. Portuguese people strongly believe it to be one of the their most valued virtues and a living part of their culture. Desenrascanço, in fact, is the opposite of planning: it's managing for the problem not becoming completely out of control and without solution.

However, some critics disagree with the association of the concept of desenrascanço with the mainstream Portuguese culture. They argue that desenrascanço is just a minor feature of some portuguese subcultures confined to some non-representative groups at the end of the 20th century. Critics point out that in the last 30 years the education and culture of the portuguese people improved considerably and that the importance of desenrascanço is declining. Sometimes, the concept is related by some to the discoveries period or to student activities in the 15th century. But sceptics doubt there is any substantial proof of that relation. Critics also argue that there are other sub-cultures in other countries with equivalent concepts and that desenrascanço is not an exclusive of the Portuguese culture.

Universities
Desenrascanço has a role in the academic juvenile sub-culture
in some educational institutions. In some universities and politechnical institutes, the older students known as doutores (Eng. doctors) teach Desenrascanço to freshmen (Port. Caloiros) in a ritual, well known as Freshman Reception in Portugal. It is alleged that this skill is taught (informally) in the Portuguese universities since the 14th or 15th century. The freshmen are ordered to do the most impossible things. They must comply or they will be punished. To solve the problems (desenrascar-se) they must be really inventive and/or have a very convincing reason when they cannot do it. Normally, if they cannot or if they are not smart enough and find a boring solution, punishment is done. The punishment is supposedly done under the Praxis rules (Port. Código de Praxe) and aleggedly no harm can be done to the student. But they can get dirty, do a lot of exercise, and do embarrassing things in public or end up doing nothing and standing still for an hour. Freshmen perform this ritual because they want to be part of academic groups to have fun in the continuous parties these groups organize and to generally have lots of helping friends. In the rituals, the doutores are dressed in black (in 19th century traditional clothes) and freshmen dressed in white (normally a shirt and blue jeans nowadays). This might be considered an initiatic ritual in most portuguese universities.... Normal academic activities are also seen as a way to teach desenrascanço. For example, when the teacher does not disclose any suggestions to solve a problem (sometimes because he himself is unaware of any), and the student must search himself. Siemens, a well known German company, has development and engineering offices in Portugal due to this Portuguese characteristic, employing hundreds of Portuguese staff. They say "when a german gives up when encountering a difficulty, a Portuguese will work until it is solved." They also argue that is "due to the quality of Portuguese state-run universities and institutes". Desenrascanço is the finding of a solution for a given problem.

Desenrascanço in the Discoveries Era
In the 16th and 17th centuries, it was very common for other exploring nations to bring a Portuguese national along during the voyages, for two reasons, 1) the Portuguese were skilled by previous knowledge and 2) and, alegedly, for handling emergencies well (what is also known among the Portuguese as "desenrascanço"). Of course, serious historians would disagree with the association between a 20th century idea and 17th century events.

Some groups from Portugal believe that they still have this characteristic, that, theoricaly speaking, make them the best people to handle emergencies, and the worst for situations where planning is needed. There's no impartial verification of those claims.....

Publicado por agineotonico às 04:39 PM

junho 01, 2004

Não ir e não poder ir à Escola


PRINCÍPIO 7º (Decl. dos Direitos da Criança)
A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário. Ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade.
Os melhores interesses da criança serão a directriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais.
A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.

A realidade
Milhões de alunos em todo o mundo não vão à escola, porque não lhes apetece. No mesmo planeta, em 2003, mais de 121 milhões de crianças não foram à escola porque não puderam: Ou porque trabalhavam, ou porque não existiam escolas onde residiam, ou porque foram discriminadas no acesso ao ensino. Os motivos são muitos. As meninas continuam a ser as mais descriminadas: 65 milhões em todo o mundo. Na mártir região da África subsariana em 1990 eram 20 milhões em 1990, mas em 2002 ultrapassavam os 24 milhões. A esta negra lista é encabeçada pelo sul e o leste da Ásia e Pacífico. Quatro em cada cinco meninas não escolarizadas vivem nestas regiões do planeta. Dados: Unicef, 2003

Publicado por agineotonico às 05:48 PM

maio 31, 2004

Informação crítica

Críticas às políticas do Governo Bush, destacando-se entre elas a disposição de colocar as preocupações políticas acima da prática segura da saúde pública, aos níveis tanto nacional como internacional.
Uma página com relatos da interferência do Governo Bush na ciência e na pesquisa. Analisa uma ampla série de assuntos, inclusive a "educação baseada apenas na abstinência", uso de preservativos, saúde reprodutiva, HIV/AIDS, cancro da mama, pesquisa sobre as células-tronco (stem cells) e política de educação.

Publicado por agineotonico às 10:41 PM

maio 17, 2004

Porque morreu Bruno Baião

A morte de um jovem e promissor jogador depois de um treino ou após um jogo de futebol é sempre um acontecimento trágico.

Este ano morreram já dois jogadores da mesma equipa. Se num deles os estudos que se realizaram nada provaram (Mikus Faher), no outro a situação muda completamente de figura e deverá ser encarada como um aviso a todos os pais que querem que os seus filhos sejam, a todo o custo, o que muitas vezes não têm condições para ser.

Rui Baião teve vários episódios de arritmia quando tinha 15/16 anos de idade e foi suspensa a sua actividade de jogador durante 7 meses.
Foi estudado exaustivamente num hospital de Lisboa e proibida a continuação da sua actividade desportiva.
Contudo, e como para ele e para a família o futebol era tudo, abandonou as consultas desse hospital e recorreu a outros médicos ... alguém que lhe passou atestados em que dizia que podia jogar futebol.
Os médicos e dirigentes do Benfica foram, durante esses 7 meses pressionados pela família no sentido de ele continuar a jogar.
Foi-lhe dada autorização para jogar com a condição de fazer exames de 6 em 6 meses. Será que fez?

Mais uma história triste deste Portugal onde a grande maioria dos jovens que fazem desporto continuam sem realizar exames físicos mínimos e em que se cede a pressões que lhes põe a vida em risco.

Publicado por agineotonico às 06:10 PM | Comentários (9)

maio 13, 2004

Quando clamamos que somos injustiçados e somos indecentemente injustos

Muitos autores têm vindo a defender que, para determinadas profissões como as do ensino, os candidatos sejam alvo de testes de personalidade. Dizem eles que é necessário ter um "perfil adequado".
Outros autores contestam, argumentando ser muito complexo conseguir uma definição de perfil "personalidade adequada" e referem que professores com personalidades muito diversas são igualmente bons professores. Assim, a questão não estaria na personalidade do professor mas na sua formação.
Contudo, muitos de nós somos levados a pensar que as profissões, principalmente aquelas que implicam relações humanas em áreas sensíveis, deveriam ser praticadas por pessoas que apresentem um dado perfil.
A título de exemplo, referiria um facto que me causa um verdadeiro assombro pela crueldade (ou apenas egoísmo e estreita visão do mundo?) que reflecte.
No Bairro da Bela Vista em Setúbal, bairro de realojamento, há crianças carenciadas que não almoçam.
Foi decidido, administrativamente, que os pais têm que pagar os almoços na Câmara. Ora, por um lado, a Câmara não têm um horário compatível com os horários de trabalho dos pais, pelo que estes ou enviam um cheque, ou faltam ao trabalho, ou arranjam quem o faça por eles, ou não pagam. Por outro lado, há famílias muito problemáticas e com condições de vida muito complexas neste bairro, para quem o cumprimento dessa obrigação não está nos seus horizontes mais próximos.
A Escola e o Jardim de infância, por seu lado, que não é algo de abstracto, é constituída por professores e educadores, acham que como há pais que não pagam os filhos não comem (ao que consta "para os pais aprenderem").
Assim, neste momento, há crianças que saem das suas salas e ficam na rua enquanto as outras crianças vão almoçar, e voltam depois sem nada terem comido.
Se isto se está a passar neste bairro, poder-se-á perguntar o que se passará a este respeito nos outros bairros.
Poder-se-á perguntar quantas crianças, que têm vidas já tão difíceis, estão a ser marginalizadas e penalizadas por uma escola que se pretende integradora e potenciadora de condições de igualdade de acesso à educação.
Poder-se-á também perguntar, como esperam os professores ter o apoio dos pais e da sociedade em geral, quando clamam que se tem vindo a tentar destruir a "escola pública", quando eles são os primeiros a destruí-la pelas suas práticas descriminatórias dos que mais cuidadosamente deveriam ser alvo dos seus cuidados.
Abandono escolar?
Porque será?


GIN

Publicado por agineotonico às 11:40 PM

maio 07, 2004

TOLKIEN e Física

As referências astronómicas da obra de JRR Tolkien estão a ser utilizadas, por uma professora de astrofísica da Universidade de Connecticut, para discutir planetas, estrelas e constelações. O sistema de calendário do filme "O regresso do rei" é utilizado para introduzir a relação entre dias, anos e estações do ano nos fenómenos celestes.
(FOCUS 238)

Aqui em Portugal também temos prática nesta estratégia de fazer recurso a obras de referência para ensinar matérias nucleares, veja-se utilização da Biblia para os alunos aprenderem a fazer cópias.

Publicado por agineotonico às 07:13 PM

maio 04, 2004

Educação em Portugal e alargamento da UE

Com a entrada dos 10 novos Estados-membros na UE, no passado sábado, Portugal desceu do 15º para o 25º lugar em termos de escolarização da população activa, continuando no fundo da lista. Este será um dos temas que estará na agenda do Presidente da República ao longo dos cinco dias da presidência aberta dedicada à Educação.
Apenas 9% dos portugueses terminaram o ensino superior, enquanto a percentagem de diplomados nos novos Estados-membros é, em média, de 13,9%.
Os países do alargamento batem também Portugal nas taxas de sucesso de ensino. Cerca de 45% dos jovens portugueses, dos 18 aos 24 anos, abandonam a escola. Um valor que tem vindo a crescer nos últimos anos. Em 1996, a taxa de abandono escolar situava-se nos 40%. Uma tendência inversa à registada nos países candidatos à adesão, em que as taxas de abandono têm vindo a diminuir, situando-se abaixo dos 20%.
(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 06:56 PM

abril 27, 2004

Os novos paradigmas da educação (4)

Um país sem uma visão educativa ambiciosa não pode deixar de ser um país do terceiro mundo. Ao longo da humanidade, a educação e o conhecimento sempre foram o apanágio de apenas alguns sortudos. Os nossos antepassados recentes mais esclarecidos compreenderam o valor da educação e a injustiça social que resulta de o conhecimento se manter nas mãos dos sortudos. Hoje, nenhum país pode considerar-se civilizado se não fornecer a todos os seus cidadãos uma educação de qualidade. E isto não é apenas por solidariedade, numa postura irónica e irresponsável como as advogadas por Rorty. É também porque é o mais racional a fazer — porque o conhecimento e a inteligência dos seus cidadãos é o que de mais valor um país tem, e o talento e o génio não escolhem classes sociais. Um sistema em que apenas as elites têm acesso à educação é um sistema pior porque nesse sistema pessoas muito mais inteligentes do que as que pertencem às elites não podem desenvolver todo o seu potencial, porque são à partida excluídas.

Hoje, as elites descobriram uma nova maneira de manter os seus privilégios e lixar todo o país: nivelam por baixo. Isto é fixe porque dá a sensação que estão a ser progressistas. Mas é evidente que quem tem a ganhar com um mau ensino generalizado, em que todos os estudantes passam, é quem tem privilégios. Que o filho de um professor universitário ou de um médico tenha uma educação miserável na escola é muito pouco importante porque a tem em casa; mas para o filho do pedreiro, é muito grave: se não a tem na escola, não a tem em lado nenhum. E isto é mau para o país. Porque acabamos por ficar com piores professores universitários e médicos e advogados e engenheiros, que o são só por serem filhos dos privilegiados, ao passo que os filhos dos que não pertencem às elites, mesmo que sejam mais inteligentes do que os outros, vão ficar sempre para trás. E é claro que do ponto de vista pós-modernaço está tudo bem assim, porque é tudo precisamente uma questão de luta irracional, sofística e simiesca pelo poder, não havendo quaisquer critérios de justiça social nem de racionalidade que nos valham.

Quem nos livra dos novos paradigmas da educação?
(Desidério Murcho)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:15 PM | Comentários (1)

Os novos paradigmas da educação (3)

Veja-se um exemplo das ideias erradas sobre a educação em Portugal: o programa de Filosofia do Ministério da Educação para o 10.° e o 11.° anos de escolaridade. Compare-se este programa "pós-moderno" com a proposta do Centro para o Ensino da Filosofia (CEF), da Sociedade Portuguesa de Filosofia. Qualquer pessoa, mesmo sem qualquer formação filosófica, compreende imediatamente que o programa do CEF é sério, tem conteúdos e apela à criatividade do estudante. Paradoxalmente, mesmo pessoas com uma boa formação em filosofia terão dificuldade em perceber o que se vai fazer com o programa do Ministério — a não ser deitá-lo para o lixo. Isto acontece quando não se tem uma visão do que é a educação, quando não se tem preparação técnica em filosofia e quando se conhecem as pessoas certas para fazer passar uma vergonha académica. É o pós-modernismo em acção: quaisquer critérios objectivos de qualidade e seriedade são postos de lado e tudo o que conta é quem tem o poder do seu lado.

O que há de irónico em tudo isto é que estas ideias nunca foram concebidas para serem colocadas em prática. As ideias dos grandes gurus pós-modernos e das "ciências" da educação podem e devem ser discutidas nas universidades, mas não devem servir para orientar políticas educativas. É uma grande confusão. Essas ideias servem para notas de rodapé eruditas e vazias, para teses de mestrado e doutoramento infinitas, e mais nada. Calculo que as pessoas que se vêem confrontadas com a aplicação destas ideias inaplicáveis se sintam um pouco angustiadas. Deve ter sido por isso que o Ministério levou anos a preparar um programa que não lembra ao diabo, ao passo que o CEF fez uma contra-proposta num mês. Quando se têm ideias claras e se trabalha com seriedade, as coisas são diferentes do que acontece quando temos fantasias vagas na cabeça que não batem certo em lado algum e temos de reinventar a pólvora seca debaixo de água para fazer passar a coisa.
(Desidério Murcho)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:11 PM

Os novos paradigmas da educação (2)


A educação de qualidade é um projecto para o futuro, para o desconhecido, para o que será o mundo que nós agora desconhecemos. Não podemos andar a reboque das últimas modas da pedagogia.

Precisamente porque não sabemos como será o mundo daqui a 20 anos, temos de transmitir o nuclear, para que os estudantes possam enfrentar com criatividade, seriedade e competência os desafios do futuro. E o que é o nuclear senão estar à-vontade com as ideias, saber discuti-las, saber argumentar, e ter um conhecimento sólido das disciplinas milenares centrais? Um estudante que tem um conhecimento sólido de física, de história, das línguas cultas mais significativas, de filosofia, geografia, matemática, etc., e que tem instrumentos críticos que lhe permitem avaliar criativamente ideias, será um cidadão bem equipado para enfrentar os desafios do futuro. Um estudante que sabe enfrentar problemas, avaliar e propor teorias e argumentos — que sabe, em suma, pensar por si — é um cidadão criativo e crítico, elementos sine qua non para uma sociedade próspera. Mas um estudante que sabe apenas repetir ideias que não compreende e que não discute, ideias que não passam de jogos de palavras e que não têm qualquer relação com seja o que for, é garantia de atraso. Se ainda por cima essas ideias já forem velhas quando ele as aprendeu, o atraso será grotesco. Não se percebe agora melhor o atraso nacional?

Um ensino voltado para as "necessidades concretas" dos estudantes e da sociedade é um mau ensino. Porque as "necessidades concretas" são mitos, configurações do que algumas pessoas pensam agora que é necessário, em função da maneira antiquada como vêem o mundo. É como decidir agora ensinar a todos os estudantes de forma dogmática e acrítica a usar o Windows 95. Daqui a 10 anos ninguém se vai lembrar do que é o Windows 95, e os estudantes vão ficar com uma aprendizagem que podem deitar para o lixo. O ensino de qualidade não pode estar todo voltado para o que agora está na moda, porque as modas passam. Ao invés, tem de estar voltado para o que nunca passará de moda: a capacidade para compreender problemas, teorias e argumentos, e a capacidade para reagir a eles de forma criativa e consequente.
(Desidério Murcho)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:00 PM

Os novos paradigmas da educação (1)

Alguns discursos de responsáveis e estudiosos da educação são muito inquietantes. Esses discursos têm vários ingredientes, um dos quais é precisamente o uso de expressões como "novos paradigmas", "modernidade", "pós-modernidade" e outros deste género. Nestas linhas vou procurar mostrar alguns dos problemas de que enfermam este tipo de discursos.

Em primeiro lugar, estão ultrapassados. Os chamados "novos paradigmas" são ideias que se baseiam em livros que têm quase 40 anos. Tomemos a ideia de que o projecto da modernidade "faliu" e que estamos a transitar para a "pós-modernidade". Estas ideias estão longe de ser novas ou aceitáveis. O escândalo Sokal devia fazer as pessoas das "ciências" da educação pensar duas vezes neste tipo de ideias. Só porque alguns intelectuais fizeram um dado diagnóstico cultural temos de o aceitar dogmaticamente, sem discussão? Por outro lado, olhe-se para a realidade: quais são as melhores universidades do mundo? São as que adoptaram as ideias pós-modernistas, ou as que continuam a apostar nos melhores padrões de seriedade académica, que colocam a objectividade e a procura da verdade acima dos interesses, do poder e da retórica?

Em segundo lugar, ainda que tais ideias não estivessem ultrapassadas e não fossem discutíveis, é sempre triste ver como as pessoas que falam da educação não têm a menor ideia do que é educar, não têm um conceito claro, não têm uma visão. Tudo o que fazem é repetir acriticamente certas ideias como se fossem a novidade triunfante da educação, da cultura, e da sociedade. Mas se há um axioma básico da educação é que não pode andar a reboque das últimas novidades fascinantes — e tantas vezes fascizantes no seu relativismo incoerente e no seu aplauso à retórica sofística. Porque as últimas novidades fascinantes serão velharias inúteis, ideias mortas e enterradas, dentro de 20 anos. E quando introduzimos mudanças na educação, elas fazem-se sentir dentro de 20 anos e não hoje. Orientar a nossa educação pelas ideias de hoje já é um disparate, mas orientar a educação por ideias que até hoje já estão enterradas é monstruoso.
(Desidério Murcho)


GIN

Publicado por agineotonico às 02:49 PM

abril 23, 2004

Professores e Médicos

"Professores e médicos com um nível de eficiência próximo do melhor, mas um desperdício elevado ao nível financeiro: este é o panorama encontrado em Portugal por dois economistas do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) quando analisaram os dados disponíveis para trinta países da OCDE.
...
em Portugal deveria ter sido possível, com 30% dos gastos efectuados em Educação, obter os mesmos níveis de sucesso escolar. Já na Saúde seria apenas necessário utilizar 63% dos recursos financeiros, para atingir os mesmos resultados em termos de esperança média de vida e taxa de mortalidade infantil.
...
afirma António Afonso, um dos autores, acrescentando que “é no entanto necessário rigor na interpretação dos resultados, uma vez que a eficiência de um país é medida contra um óptimo de eficiência que é teórico”
...
Considerando as horas de aulas e o número de professores por estudante, o nível de eficiência português (0,88) surge acima da média da UE alargada (0,84) e é ultrapassado apenas pela Finlândia, Suécia e Alemanha. Isto quer dizer que cada hora de aulas e cada professor ao serviço no sistema educativo português produz resultados próximos dos melhores da Europa. Na Saúde, o cenário é o mesmo. O parâmetro de eficiência para os recursos considerados “médicos, enfermeiros e camas de hospital” é de 0,84. Esta discrepância de resultados mostra que os países onde os recursos são mais caros (por exemplo o salário de um médico ou de um professor), são fortemente penalizados na análise de eficiência financeira."


GIN

Publicado por agineotonico às 05:40 PM | Comentários (1)

abril 21, 2004

Progredir é uma questão de perseverança

Marçal Grilo, ex-ministro da educação, diz in Pública:
"Os portugueses ainda pensam que isto de progredir é, sobretudo, uma questão de sorte. Não reconhecem que é uma questão de trabalho, de esforço, de perserverança."


GIN

Publicado por agineotonico às 10:11 PM

abril 20, 2004

Campanha pelos direitos educativos

"Crianças de todo o mundo uniram-se numa campanha pelos seus direitos educativos. Oriundas de 105 países, estas crianças participam na Global Campaign for Education, que denuncia que cem milhões de crianças em todo o mundo não vão à escola, pedindo aos seus líderes que façam mais por esses jovens."

Também
O programa de cooperação para o período de 2002 a 2006, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) optou por uma programação baseada no ciclo de vida. São três programas contemplando o Desenvolvimento Infantil (de 0 a 6 anos); a Educação para a Inclusão (de 7 a 14 anos); e a Cidadania dos Adolescentes ( de 12 a18 anos incompletos) e mais dois programas que atravessam todas as faixas etárias: Sistema de Garantias e Protecção; e Monitoramento e Comunicação pelos Direitos.


Estes programas propostos pela UNICEF, levantam a questão do alargamento do conceito de pré-escolar em Portugal, que apenas engloba as idades dos 3/6 anos, para os 0/6 anos, retirando-lhe o carácter filantrópico e assistencialista que caracteriza a intervenção, principalmente, dos 0/3 anos e atribuindo-lhe a perspectiva de Desenvolvimento.
Coloca a questão da "educação para a inclusão" nas idades dos 7/14 anos, porque é neste período que se decide o abandono escolar por razões relacionadas com o sentimento de rejeição e exclusão.
Define o programa de "Cidadania dos Adolescentes" para os jovens dos 12/18 anos, chamando a atenção para a necessidade de proceder, não apenas à inclusão escolar, mas já à inclusão na sociedade. Muitos dos jovens que enveredam por percursos marginais, estão nestas idades, são os que abandonaram as escolas, são os que abandonaram já a infância e estão na entrada da vida adulta e precisam de soluções que lhes permita integrarem-se na sociedade. Esta integração passa pela disponibilização de formação profissional e, em muitos casos, em colocação no mundo do trabalho .... já sei que sou uma poeta do caraças ...

Na verdade, tanto quanto me apercebo da situação destes jovens, esta fase de comportamentos a que chamamos de delinquentes ou marginais, parecem corresponder a uma fase de trânsição, a um processo de "integração social" com caracteristicas muitos específicas dessa população. A favor desta ideia está o facto de muitos destes jovens, quando arranjam trabalho ou constituem família, abandonarem esses comportamentos e terem uma posição francamente crítica face a eles. Poder-se-á dizer que, esses comportamentos que nós vemos como delinquentes, constituem-se mais como comportamentos de risco e de afirmação pessoal, do que propriamente comportamentos que eles entendam como de marginais. O problema é que, com a forte crise económica que se vive, estão cada vez mais reduzidas as alternativas para eles poderem proceder a essa integração. Assim, alguns conseguem, outros não.


GIN

Publicado por agineotonico às 02:39 PM

O Sonho de todos os Pais?

Publicado por agineotonico às 07:33 AM | Comentários (1)

Reino Unido vai pagar aos alunos para continuarem a estudar

Enquanto o Ministro da Educação falava aos jornalistas sobre as "escolas de referência" que vai criar para combater o abandono escolar, disse uma frase que me pareceu surpreendente. Disse ele que, os pais teriam que tomar consciência que investir dinheiro na educação dos filhos era uma aposta no futuro. Confesso que não pude deixar de sorrir perante esta estúpida afirmação. A maioria dos jovens que abandonam a escola, são jovens de famílias carenciadas que mal têm dinheiro para o dia-a-dia quanto mais para pagar a escola, mas não voltei a pensar nisso, ou antes, limitei-me a referir aqui num post a contradição entre a criação das escolas tecnológicas para combater o abandono escolar e o aumento brutal que o ministro tinha imposto às escolas profissionais, nomeadamente, à ETIC.

Lembrei-me dessa frase ao ler esta notícia:
"O projecto, baptizado de «ganha enquanto aprendes», visa combater o abandono escolar depois dos 16 anos de idade.
A medida tem estado a ser testada desde 1999 em 56 escolas, num total de 120 mil alunos, tendo-se verificado que o abandono escolar diminuiu consideravelmente: a participação dos rapazes com 16 anos aumentou 6,9% e nas raparigas 5,9%. Estima-se que cerca de 353 mil de um total de 666 mil alunos com 16 anos de idade venham a receber este incentivo já este ano e também em 2005."


GIN

Publicado por agineotonico às 12:35 AM

abril 19, 2004

Nasceu há oito anos na prisão


Tino é tão pequeno que não chega aos pedais, mas já roubou e várias vezes conduziu carros. "Puxo o banco todo para a frente", explica a rir. Teve acidentes, despistes graves. O Honda é a sua perdição. Tem dezenas de processos, por furto, roubo de viaturas com chave falsa ou arrombamento de canhão de fechadura.
...
Claudino fugiu várias vezes de casa. "O padrasto batia-me com o cinto e a trela do cão", conta muito baixinho. Uma noite foi encontrado a dormir no Mercado da Ribeira em Lisboa. Tem 12 anos e uma extensa lista de "ilícitos criminais" cometidos desde os 9 anos
...
Migas é dos miúdos mais temidos, um dos mais espertos, também. Nasceu há oito anos na prisão. A mãe foi condenada por tráfico. O pai desapareceu. Migas sai em passo acelerado da escola. Não tem nada para contar. "Quem os cria é o pessoal da rua", diz um rapaz mais velho. Os pais estão muitas vezes ausentes. Muitas crianças não têm o apoio dos pais, ou não têm pais.
...
Flávio conta os euros do espesso maço de notas que tira do bolso. "É preciso alimentar a vida, não é só para a fatiota." Tem os dois irmãos na cadeia, ídolos para os mais pequenos que se inspiram nas suas histórias de armas e perseguições. "A polícia nunca me vai apanhar" ... Tencionam manter a guerra à polícia. Um miúdo de 15 anos desabafa: "Um dia vou para o inferno. Mas antes de ir, vou matá-los. Eles são muito abusados." Dizem que os polícias entram armados, revistam as pessoas, em demonstração de força e de abuso de poder. "Eles não têm respeito pelas pessoas."
...
Algumas vivem na rua. Um dia participam num roubo, aprendem as regras do furto, entram no vício dos automóveis. Aos 9 anos, tornam-se indispensáveis, abandonam a escola ou são expulsos por faltas. Surpreendem-se ao volante de carros roubados, em aguerridas perseguições com a polícia. Vibram a contar essas histórias. Alguns ajudam os mais velhos a traficar.
"Já cheirei. Já roubei. Já matei."
...
Huco - Não se conforma com a condição humilde da família. "Tenho que orientar dinheiro." E os pais? A mãe não tem hora. O pai chega para lá da meia-noite. "Queria ter paz e dinheiro, fazer a minha vida feliz. Não queria ser pobre." Rouba para ter dinheiro, para comprar roupa, e outras coisas. Basta alguém dizer, "Vou buscar um carro. Alinhas?"
...
Culpam o Governo, a câmara, a polícia. Em poucas palavras dizem a sua revolta: "As pessoas não sabem ver as pessoas." Os pais - que muitas vezes os abandonaram - são os últimos em quem deixam de acreditar.

Têm saudades da vida que levavam na Pedreira dos Húngaros. "A polícia não entrava lá." Mas não é só por isso, explica um rapaz mais velho. "Aqui nós não temos voz." Queixam-se da falta de espaços verdes e de associações onde se organizavam convívios. "No meu bairro, tínhamos campo, tínhamos curso. Estamos aqui há cinco anos e não temos nada." Eram mais alegres. Um dia, deram-lhes uma chave. A mudança só tornou mais visível a ira da sua geração.
...
"Isto é uma podridão", desabafa Maria. Desde que se mudou para este bairro social, vive no medo que os seus dois filhos entrem nesse mundo oculto da delinquência e do tráfico que afinal se faz à vista de todos.
...
A delinquência não se restringe aos bairros sociais, onde há muitas famílias disfuncionais. Mas o realojamento em casas, depois das demolições de bairros de barracas como a Pedreira dos Húngaros, o 6 de Maio ou as Fontainhas, não acabou com os problemas. Pelo contrário. Poderá tê-los acentuado ou tornado mais visíveis.
...
Dave - O irmão ficou dois dias estendido no asfalto do casal Ventoso, em Lisboa. Dave foi encontrá-lo ao relento, de cabeça para baixo e braços abertos. As pessoas pensavam que dormia. Tinha morrido de overdose. "Nem chorei." ... Tem 21 anos, mas o corpo frágil de um adolescente. Podia ter completado os estudos, ter arranjado um trabalho. Aos 11 anos deixou a escola, desencaminhou para outra vida. "Se eu sou assim agora é porque já passei mal." Serve-se de mais um copo. "O meu pai já morreu, a minha irmã já morreu, a minha mãe já foi de cana e eu já passei fome." Naquele dia muita gente foi presa. A mãe também. Dave tinha cinco anos. Ela nunca vendeu nada a ninguém. "Mas guardava a 'cena' de outras pessoas num cofre grande." Com um gesto com os braços mostra o tamanho do cofre, que tinham na casa onde moravam na Pedreira dos Húngaros. Os vizinhos passaram a tomar conta. "De mim e da minha falecida irmã." A irmã morreu do vírus (da SIDA). O pai também."


GIN

Publicado por agineotonico às 11:56 PM

Escolas tecnológicas denunciam abandono do Governo

Tem sido claro que neste correr do “tacho para os amigos”, se tem vindo a disseminar as pequenas empresas de serviços nas margens da Função Pública e de outros Serviços Públicos; se têm criado lugares a que chamam “pessoal de gabinete”, “órgãos consultivos e de fiscalização”, "grupos de trabalho ou equipas de missão"; se tem procedido à nomeação de pessoas para quadros médios e superiores dos Serviços Públicos baseados em critérios de compadrio e não em critérios de capacidade e competência.
Chegou agora a vez de tentar perceber no que vão dar as propostas do Ministro da Educação sobre a criação das “15 a 20 escolas tecnológicas de referência” para combater o abandono escolar.

Rede nacional lamenta que proposta de criação de novas escolas não se articule com a já existente
Os responsáveis da rede nacional de 10 escolas tecnológicas (ET) tuteladas pelo Ministério da Economia estão descontentes com a forma como foi preparado o processo de criação, até 2006, de um conjunto de 15 a 20 novos estabelecimentos de ensino de referência ... este programa pretende reduzir para menos de metade, até 2010, a taxa de abandono precoce das escolas. Os responsáveis das ET lamentam que a experiência das actuais estruturas - criadas durante a década de 90 para responder às necessidades de quadros intermédios com formação técnica e tecnológica avançada e intimamente ligadas ao tecido empresarial - não tenha sido considerada no estudo e temem que a futura rede não tenha qualquer articulação com a que está no terreno.
É ingrato e um desperdício brutal de recursos humanos e 'know-how' que deveriam ser aproveitados", diz Eduardo Cardoso, coordenador da Escola de Tecnologia e Gestão Industrial, tutelada pela Associação para a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica. Esta ET é responsável pela formação anual de cerca de 200 quadros intermédios nas áreas da microbiologia, qualidade alimentar, qualidade ambiental e tecnologia alimentar.

Também Deolinda Portela, directora da Forino - Escola de Novas Tecnologias (que desenvolve a sua actividade de formação nas áreas de Organização Industrial, Telecomunicações e Redes e Energia e Automação) ... e que conta, entre os seus fundadores, com empresas dos grupos EDP e PT - sublinha o perigo de "nascerem cogumelos de cursos tecnológicos sem consistência, sem condições, sem um modelo definido", lembrando os efeitos nefastos da proliferação de licenciaturas no país."

É mesmo de perguntar quem vai estar à frente deste cogumelos que vão nascer ...


GIN

Publicado por agineotonico às 10:29 PM | Comentários (1)

abril 18, 2004

Educação e vulnerabilidade (2)

Não é somente a família, como disse, já fragilizada pelo seu estado de miséria, que deve ser responsabilizada pela situação irregular das suas crianças e adolescentes. É o Estado, este sim, que deve utilizar mais recursos num trabalho efectivo de implementação de políticas de apoio social, de educação e de saúde, que são obrigações desse mesmo Estado.
A procura de medidas efectivas para protecção dos direitos da criança e do adolescente em situação de risco, têm sido simplesmente deixadas de lado. A rua é para estes uma alternativa, um espaço de perturbação criativa que permite escapar aos modelos de homogeneização impostos pela sociedade disciplinar, mas pode tornar-se também um meio por onde se resvala sem retorno para caminhos de destruição e morte.
É na tentativa de evitar esse desvio que se deveria centrar um trabalho de intervenção quer na sua componente de prevenção, quer na sua componente de remediação. Não através da tentativa de homogeneizar os comportamentos, mas respeitando as singularidades e investindo na descoberta de novas formas de resistência que, na procura de um efectivo exercício de liberdade, os ajude a pactuar com a Vida!
No nosso país, cresceu o número de meninos de rua e aumentou a prostituição infantil e outras formas de delinquência. A maioria das famílias das crianças em idade escolar continua sem as condições mínimas necessárias para as manter na escola, muitas famílias não têm o controle dos filhos, principalmente se o pai está desempregado. Não podendo sustentar a casa, ele perde o respeito que lhe tinham. Ele próprio se sente diminuído, ferido na sua dignidade. Como consequência, assiste-se ao aumento da violência.
Lidamos com um novo tipo pobreza, uma pobreza estrutural globalizada, resultante de um sistema de acção deliberada do poder, esse também, globalizado.
O processo pelo qual se gera o desemprego e as condições e remuneração do emprego torna-se cada vez pior, ao mesmo tempo que o poder público limita as suas obrigações de protecção social. Pode dizer-se que a divisão do trabalho e a ausência deliberada do Estado na sua missão social de regulação estão a contribuir para a globalização da pobreza. Os pobres deixam agora de se considerar as franjas marginais da sociedade. Engrossaram largamente as suas fileiras e passaram a ser excluídos, excluídos de direitos básicos até hoje considerados de direitos de cidadania.
Da história real, das dificuldades destas crianças/jovens poucos querem saber – o absurdo é considerado natural. Chama-se delinquentes, marginais, criminosos, aos alvos da maior miséria, da fome, da destruição, das doenças endémicas que ceifam vidas, aos alvos do não acesso à educação e à saúde, da negação ou violação das diferentes culturas colectivas, das dificuldades de acesso à Justiça e à existência de uma cultura jurídica que limita os seus direitos.
Falamos de cidadania, mas a cidadania implica um processo onde, embora se preserve a individualidade, os direitos e interesses de cada um se circunscrevem à razão pública e aos interesses colectivos. Por isso, o exercício da cidadania obriga a um esforço de superação de estereótipos, que se têm vindo a criar para ajudar a manter privilégios e para inibir as pessoas na obtenção dos seus direitos fundamentais.

Já não sei quem é que propôs, e com justiça, que se alterasse a máxima “os direitos de cada pessoa terminam onde começam os do outro”, para “os direitos de cada um terminam onde terminam os direitos dos demais”.


GIN

Publicado por agineotonico às 10:40 PM

Educação e vulnerabilidade

Hoje, apetece-me falar da infância, em particular dos meninos e meninas das periferias das nossas cidades, dos nossos bairros de realojamento que vieram substituir os bairros de lata. Apetece-me falar dos que foram e são violados, aviltados, achincalhados de todos os direitos e que, só por mero acaso, não foram privados do direito à sobrevivência (que falar de direito à vida seria excessivo).
Quero falar dos sobreviventes, daqueles que não morreram nos primeiros anos de vida, daqueles que têm agora entre 8 e 16 anos.
Eles imitam esta sociedade, reproduzem a forma como sentem que são tratados e, por isso, eles utilizam, por exemplo, os assaltos aos comboios, às pessoas, aos bens dos outros, eles destroem as escolas e agridem os professores, eles abandonam as escolas.
Na realidade, eles não querem destruir as escolas, porque é lá que têm alguns amigos, é lá que arranjam namoradas/os, é lá que, mesmo que inconscientemente, sentem que alguma coisa poderia vir a ser diferente e é lá que, muitas vezes, encontram alguns adultos/professores que os tratam pelo nome próprio e lhes servem de referência. Quando praticam a destruição das escolas, eles estão apenas a querer questionar as relações autoritárias que ali dentro se desenvolvem, aquela metodologia que não os ajuda, aqueles conteúdos que não lhes servem para a vida.
Ao serem marginalizados pelo sítio onde vivem, pelas condições de vida que têm, pelas suas dificuldades, pela imagem que a sociedade lhes devolve, estes meninos/jovens formam de si mesmos uma imagem negativa que constitui uma das causas para a permanência do problema. Esta auto-imagem acaba por os condicionar a um círculo vicioso, onde as suas experiências não se projectam para o futuro, pois pouco contribuem para as suas vidas fora do contexto das ruas, do contexto dos seus próprios bairros marginalizados.
A pobreza extrema, a desintegração familiar, a falta de alternativas e de suporte social, são factores que levam estes meninos/jovens a escolher as ruas e a abandonar a escola e, muitas vezes, as suas próprias casas.
Em muitos países, a consciencialização pública sobre as causas e as possíveis soluções do problema não se reflectem em medidas práticas, não passam das declarações de princípios dos responsáveis do poder, ou de imagens distorcidas fornecidas pela comunicação social.
Inventam-se uns programas de carácter assistencial, que se resume a “uns favores” do Estado, sempre temporários, sempre levados à prática por mão de obra barata (estagiários de cursos da área das ciências sociais), sempre sem qualquer perspectiva séria de implementação de medidas sócio-educativas (essas limitam-se a ficar no papel), de medidas que visem mudar o curso de vida destes jovens que se sentem encurralados.
Agora inventa-se a punição e responsabilização das famílias pelos actos dos seus filhos. Esta atribuição de responsabilidade significa um aumento da violência sobre estas crianças e jovens e visa apenas satisfazer o incómodo que causa a subida dos números da criminalidade, a vergonha dos números do abandono escolar.
O Estado, que tem vindo a degradar as condições de vida da população, pela mão dos responsáveis das pastas da Segurança Social, da Educação, da Saúde, da Justiça, tenta desresponsabilizar-se pela situação que ele próprio tem vindo a criar e torna as famílias no bode expiatório da sua política. O Estatuto da Criança e do Adolescente atribui ao Estado responsabilidades específicas no que diz respeito ao direito à vida, à saúde, à educação, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
Este estatuto da criança e do adolescente, atribui, também, às famílias essas competências e o dever de assegurar esses direitos. Mas muitas delas estão em tal situação de miséria e fragilizadas que seria necessário direccionar estruturas de apoio para as ajudar a lidar com a situação irregular dos seus filhos e não medidas punitivas e de culpabilização por uma situação que sai fora das suas capacidades.


GIN

Continue a ler "Educação e vulnerabilidade"

Publicado por agineotonico às 09:35 PM

abril 17, 2004

Incentivo à "excelência" para atrair portugueses radicados no estrangeiro

Nem o neurocientista António Damásio, nem o físico João Magueijo, ambos portugueses radicados no estrangeiro, poderiam voltar ao país graças ao "complemento de estímulo à excelência" idealizado pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior (MCES) para contrariar a fuga de cérebros nacionais para países cientificamente apetecíveis. Porque nenhum deles tem cem (100) artigos publicados em revistas internacionais, critério de elegibilidade para se ser excelente e financiado por isso. Nem eles, nem Gary Backer, Prémio Nobel da Economia em 1992. Ou tão pouco um dos maiores cientistas políticos de sempre, Jurgen Habermas!
É com erros de apreciação como este que o novo "Modelo de Financiamento do Sistema Científico, Tecnológico e de Inovação" esta semana posto à discussão pública pela ministra e também cientista Maria da Graça Carvalho perde muito do carácter positivo que encerra."


GIN

Publicado por agineotonico às 04:32 PM

abril 16, 2004

Responsabilidade e Seguro Escolar


A menina de 7 anos que no ano passado foi baleada na cabeça, com um tiro desferido por um jovem que “brincava” com uma caçadeira, enquanto se encontrava no recreio da escola (Centro de Bem Estar Social do Pendão em Queluz), continua com a bala na cabeça. A criança começou a queixar-se que vê duas imagens, os pais foram informados que a bala poderia resvalar e cegá-la e os médicos consideram que ele deveria ser operada para retirar a bala. O pai tem 59 anos e é reformado, recebendo 208 euros, a mãe está desempregada e recebe 350 euros de subsídio de desemprego e o Hospital de Sta. Maria continua a enviar as contas.
Os pais não sabem que fazer – “às vezes atrasamos as consultas porque não temos dinheiro” – diz a mãe.
Existe Seguro escolar obrigatório mas não cobre estas situações: Exclusões – As ocorrências que resultem de actos danosos cuja responsabilidade, nos termos legais, seja atribuída a entidade extra-escolar;”


GIN

Publicado por agineotonico às 08:32 PM

Num país de irregularidades é difícil governar

Centenas de alunos continuam à espera de apoio educativo
A secretária de Estado da Segurança Social garantiu ontem que os serviços do ministério se limitaram a «aplicar a lei» que regulamenta os subsídios para as crianças com necessidades educativas especiais. Em causa estão «irregularidades» detectadas que levaram ao corte nas atribuição destas ajudas - mas contestadas pelos pais que, desde o início do ano lectivo, esperam por apoio para quase 800 crianças, só no distrito de Viana do Castelo.
" ... trata-se apenas de «distribuir melhor» a verba disponível, apoiando «mais quem mais precisa» - contrariamente ao «equívoco mantido durante muitos anos de que se devia apoiar toda a gente da mesma forma». A responsável reconhece que «houve cortes» nos subsídios, já que as entidades que concedem este apoio passaram a «assegurar o rigoroso cumprimento da lei», apoiando «os agregados que, de facto, têm carências efectivas e para os quais se justifica essa prestação»
A mudança deve-se «à existência de situações de abuso», já que «a lei não estava a ser aplicada no sentido de apoiar estritamente quem precisa». Mas a secretária de Estado assegura que estão «cobertos os casos mais carenciados e as situações mais prementes».
Abusámos, levámos com a lei das baixas. Abusamos das doenças, perdemos direitos no acesso à saúde. Abusamos da comida, aumentaram-nos o custo de vida. Abusamos do trabalho, perdemos os empregos ... assim com os portugueses todos a abusar é difícil de governar este país.


GIN

Publicado por agineotonico às 12:32 AM

abril 15, 2004

Educação de Infância

A creche constitui-se, hoje, como um equipamento importante de resposta às necessidades da população como consequência das transformações sócio-economicas, das alterações nos modos de relações entre os indivíduos e de mudanças no exercício das funções das mulheres. Estas passam, cada vez mais, a trabalhar fora de casa, motivadas pela necessidade de contribuir para economia familiar, ou pelo desejo de realização profissional. Associado a isso, a migração em larga escala de populações rurais para os centros urbanos industrializados, a diminuição no número de elementos da família, a quebra na rede de apoio familiar e de vizinhança e um distanciamento físico e psicológico entre os diferentes membros (irmãos, tios, avós etc.), levam à procura de soluções para os cuidados da criança fora do espaço familiar, complementares à mãe. Mesmo as mulheres que não trabalham fora de casa, têm procurado um espaço de socialização para as crianças uma vez que contam com poucos recursos no espaço doméstico. Essas formas têm sido encontradas a diferentes níveis mas, fundamentalmente, através de creches ou amas.
Nesse contexto, duas questões se mostram especialmente relevantes e em conflito: a função da maternidade e a educação de crianças, especialmente nos primeiros anos de vida, em ambientes colectivos.
A concepção que prevalece na nossa sociedade é a de que o único cuidado capaz de prover as condições adequadas ao desenvolvimento do bebé é o prestado pela mãe no contexto da família. Assume-se o modelo de criação na família nuclear, constituída por mãe, pai, filhos e parentes mais próximos, como "natural", isto é, requerido por características próprias do ser humano. Contextos de desenvolvimento diversos, como o cuidado colectivo de crianças pequenas em creche, são encarados como "mal necessário", por constituírem um risco ao desenvolvimento sadio da criança e aceitáveis apenas naqueles casos em que a mãe ou a família não tem condições de criar o filho em casa. Contudo, esta visão tem vindo a ser contestada especialmente a partir de estudos que procuram demonstrar de que maneira ela se encontra influenciada por práticas, concepções e valores sociais, constituídos historicamente. O exercício da maternidade nos moldes como conhecemos hoje é relativamente recente na história da humanidade. As mudanças estão intimamente associadas às transformações económicas e sociais que ocorreram através das épocas nas várias sociedades e, em particular, na família. Assim, a estrutura de certas sociedades ou grupos sociais promove um cuidado mais compartilhado das crianças pequenas, com crianças mais velhas, adolescentes e adultos, com ou sem grau de parentesco, colaborando nesta tarefa. Já na sociedade ocidental moderna predomina o modelo de família nuclear, com uma frequência cada vez maior de mães e/ou pais solteiros ou divorciados, famílias agregadas com filhos de diferentes casamentos, famílias com filhos adoptivos, famílias de homossexuais, etc. Há grandes diferenças também na forma como o Estado concebe a responsabilidade pela educação da criança. Por um lado, temos países como os Estados Unidos e a Inglaterra, que atribuem essa função exclusivamente à família e dão-lhe uma conotação de mal necessário, por outro temos países que propõem que essa responsabilidade seja compartilhada entre as famílias e o Estado.
Em Portugal, as importantes transformações sociais iniciadas com o 25 de Abril, deu origem a movimentos que exigiram ao Estado um auxílio de qualidade na educação dos seus filhos. Através dessas lutas, para além do aparecimento de inúmeras instituições de acolhimento de crianças (creches, jardins de infância e outras situações), conseguiu-se que fosse consagrada na lei a Educação Pré-Escolar como um direito da criança, um dever do Estado e uma opção da família, tirando-lhe assim a conotação meramente assistencial, típica dos momentos anteriores.
Aqui, como em muitos outros países, a creche desempenhou, através dos anos, actividades de carácter predominantemente assistencialistas e filantrópicas de apoio às mães integradas no mundo do trabalho, ou como forma de combate à pobreza e à mortalidade infantil, envolvendo situações de grande miséria e desestruturação familiar. Assim, a rotina de funcionamento da maioria das creches centrou mais a sua atenção na guarda e nos cuidados físicos da criança, do que na educação e na procura de um desenvolvimento global adequado.
Este percurso persiste na consciência da colectividade e leva à atribuição de funções á creche bastante desfasadas da realidade, não só porque as várias classes sociais passam a considerá-la como alternativa, como porque a psicologia da 1ª infância tem feito progressos notáveis no conhecimento desta fase da vida.
Por outro lado, esta visão colectiva das funções da creche faz com que o Estado se tenha desresponsabilizado totalmente por estes equipamentos. O Ministério da Educação apenas reconhece a existência de crianças a partir de 3 anos de idade, penaliza os educadores que trabalham em creches (o tempo de serviço aí prestado não conta para progressão na carreira, os ordenados são mais baixos) e atribui ao Ministério da Segurança Social e do Trabalho a competência de equacionar as necessidades sociais das crianças dos 0 aos 3 anos. Este Ministério, por sua vez, atribui aos privados a criação de respostas e não faz qualquer tipo de fiscalização.
Como a formação tende a organizar-se em resposta às necessidades do mercado de trabalho, as escolas de formação inicial de educadores de infância não dão qualquer preparação para o trabalho em creche que, sem qualquer dúvida, exige uma formação específica apurada e profissionais bem treinados porque vão lidar com crianças de idades extremamente vulneráveis.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:02 AM

abril 14, 2004

Reforma na Educação e Literacia

Os livros estão caros, os jovens não lêem nem vêm a importância disso, as obras de referência são grandes e chatas, apareceram muitas edições com resumos simplificados das leituras obrigatórias na escola. Como o abandono escolar é grande no nosso país, o resultado dos estudos sobre a literacia são escandalosos, a União Europeia aponta o dedo aos nossos resultados, o Ministro da Educação está preocupado, não em tomar medidas concretas, mas em apresentar estatísticas que dizem que as coisas estão melhores, proponho a edição de resumos de forma a que se possa referir, nas referidas estatísticas, o número de obras de referência que os nossos alunos lêem por ano.
Eis alguns exemplos:

1) Marcel Proust. À la recherche du temps perdu. Paris, Gallimard, 1922 (1ère edition) - À procura do tempo perdido. Livros do Brasil, Colecção Dois Mundos), 1965
Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de asma
porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo
termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos e pronto.

2) Leão Tolstoi, Guerra e Paz, (1800 páginas)
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade Moscovo. A rapariga casa-se com outro.
Fim.

3) Luís de Camões, Os Lusíadas (várias edições), versão portuguesa de João de Barros)
Resumo: Um poeta com insónias decide chatear o rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa porreiraça), têm o justo prémio numa ilha cheia de gajas boas.

4) Gustave Flaubert, Madame Bovary, (378 páginas)
Resumo: Uma dona de casa engana o marido com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do talho, o merceeiro, e um vizinho cheio de massa. Envenena-se e morre.

5) William Shakespeare, Hamlet, Londres, Oxford Press
Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre, assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.

6) Anónimo colectivo. Novo Testamento (4 versões)
Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de pescadores.
Por causa de um bufo, é preso e morre.


GIN

Publicado por agineotonico às 12:58 PM | Comentários (1)

abril 13, 2004

C.E. de 50 escolas com processos disciplinares

50 Conselhos Executivos de Escolas da Grande Lisboa, estão a ser alvo de processos disciplinares.
O governo prepara-se, sem dúvida, para criar a instabilidade necessária de forma a surgirem as Escolas SA, com gestores escolares nomeados à sua escolha, bem pagos e com a competência que se lhes reconhece ...


GIN

Publicado por agineotonico às 06:41 PM

abril 12, 2004

Começou a campanha eleitoral

Os ministros vêm a público desmultiplicando-se em promessas, enquanto na prática continuam com a destruição sistemática das instituições públicas.
No caso concreto da educação, o ministro diz-se profundamente preocupado com o abandono escolar - 44,8% dos jovens portugueses abandonam a escola antes do ensino secundário completo.
Assim, como se tivesse chegado ao ministério a semana passada, cria-se a comissão de estudos da praxe (mesmo sabendo que há estudos diagnóstico já realizados), promete-se a criação, nos próximos 2 anos, de "15 a 20 escolas tecnológicas de referência" (mas aumentou, este ano lectivo, as propinas da técnico-profissional ETIC para o dobro - de 130 para 260 euros=a 60 contos pela moeda antiga, por exemplo), inventa a figura do tutor, um "professor encarregado de identificar e acompanhar crianças e jovens em risco de abandono escolar (esquecendo que muitas escolas têm gabinetes de psicologia de orientação vocacional composto por equipas multidisciplinares) e avança-se com a proposta de lançamento do programa "Pais na Escola" (fazendo de conta que as escolas têm horários de atendimento compatíveis com os horários de trabalho dos pais).
É chocante nesta campanha eleitoral do governo que visa dar visibilidade a "intenções" e varrer para baixo do tapete a realidade, que, a ser verdade a vontade de implementar programas de combate ao abandono escolar, nenhuma estrutura das escolas tenha sido chamada a participar na elaboração destas propostas. Mais chocante ainda, é o descaramento com que o ministro demonstra o seu evidente desconhecimento da realidade das escolas, dos professores e outros trabalhadores que aí desempenham funções, dos alunos e das suas famílias.
Sem dúvida que estamos em pré campanha eleitoral ...

GIN

Publicado por agineotonico às 01:02 AM | Comentários (1)

A língua portuguesa na comunicação social

Eu sei que não escrevo lá muito bem. Falta de prática e de tempo ajudam a isso. Mas na comunicação social os pontapés na língua portuguesa são indesculpáveis. No Diário Digital, numa notícia sob o título "Bush admite que semana foi «dura» no Iraque", pode ler-se : presidente norte-americano, George W. Bush, admitiu este domingo que a semana que termina «foi dura» no Iraque, numa visita à base militar de Fort Hood (Texas, sudoeste do país). Bush passou o Domingo de Ressurreição em Fort Hood, uma das bases militares mais grandes dos Estados Unidos, que enviou muitas tropas ao Iraque

GIN

Publicado por agineotonico às 12:02 AM

abril 11, 2004

O Programa “Escolhas”

Um despacho conjunto dos Ministérios da Educação e da Segurança Social e do Trabalho, cria um grupo de trabalho com o objectivo de elaborar o Plano Nacional de Prevenção do Abandono Escolar. Este grupo tem como funções : “recolher toda a informação necessária a um bom diagnóstico do problema, quer na perspectiva da sua evolução, do seu enquadramento geográfico e social, bem como da análise comparada no quadro da União Europeia; identificar causas e contextos, natureza e factores que sustentam os fenómenos do abandono e do insucesso escolares; identificar as principais consequências de carácter económico, social e cultural daquele fenómeno; propor as estratégias, medidas e metas, visando a prossecução dos objectivos; elaborar o projecto do Plano e preparar e acompanhar a sua discussão pública.”

Talvez os Srs. Ministros pudessem explicar porque desapoiaram e acabaram com um Programa inovador que há 3 anos desenvolvia trabalho nos bairros de realojamento mais problemáticos de Lisboa, Porto e Setúbal em torno deste mesmo problema.
O Programa “Escolhas”, pela forma inovadora como desenvolveu a sua actividade nesses bairros e com a criação da figura do “mediador”, conseguiu alcançar uma população de jovens que mais nenhuma instituição até hoje foi capaz de trabalhar.
O “mediador” é, talvez, a mais original e bem conseguida inovação deste Programa. São jovens do próprio Bairro que receberam formação para trabalhar com jovens dos 8 aos 14/15 anos em risco de abandono escolar e com jovens dos 16 em diante que já abandonaram a escola e estão num percurso de delinquência.
O fim deste Programa, que vinha a ser esvaziado de apoio e de sentido desde há algum tempo pelos Ministérios acima referidos, não só desampara estes “mediadores” que, muitos deles, poderiam constituir-se como importantes quadros locais de combate ao abandono escolar e de encaminhamento de jovens problemáticos para cursos de formação profissional, como desperdiça todo o conhecimento recolhido ao longo destes 3 anos por uma equipa de técnicos que com eles tem trabalhado no terreno.
Dê uma olhada à página do ESCOLHAS


GIN

Publicado por agineotonico às 01:01 AM | Comentários (1)

dezembro 28, 2003

MULTICULTURALIDADE E XENOFOBIA (2)


Se a utilização do véu pode ser visto como um atentado à expressão individual, aqui estamos a discutir a exigência da comunidade muçulmana em países europeus e, em particular, a exigência das famílias sobre as suas raparigas, muitas delas menores, para ostentarem um símbolo que as diferencia.

É certo que esta exigência se liga ao fundamentalismo islâmico, mas também é certo que numa Europa multicultural a medida tomada por Chirac é resultado de posições xenófobas da extrema direita francesa em ascensão que se alia à desde sempre cultura etnocêntrica francesa.

O risco que se corre é que comecem a surgir as escolas privadas (como já existe pelo menos uma em França) ou que esta medida sirva para proibir que as raparigas frequentem as escolas públicas.

São estas as soluções que os fundamentalistas visavam e que aprovarão. O grave é que virão isolar ainda mais as mulheres muçulmanas, virão fazer regredir a sua luta pela emancipação.

Todos temos a perder com esta solução: perdem as comunidades muçulmanas que vivem na Europa e que vêm regredir a sua luta pela emancipação das mulheres ao mesmo tempo que garantindo o direito à sua identidade cultural, perdemos nós europeus que mantemos uma postura de colonização cultural e nos afastamos da exigência de convivência e respeito entre culturas, perde o mundo inteiro pelo nosso fracasso.

Ganham as posições extremadas, ganham os fundamentalistas religiosos sejam eles islâmicos, católicos ou judeus.

A expressão cultural é um direito e mesmo quando pode colidir com regras de comportamento colectivo devem encontrar-se plataformas de aproximação: por exemplo, se faz parte do sistema escolar francês as aulas de ginástica, as raparigas da comunidade muçulmana deverão fazê-la mesmo com véu, vestidas como quiserem.

Quando as regras dos grupos sociais não são compatíveis com as regras comuns, serão estes que devem arranjar alternativas: por exemplo, as escolas públicas não devem ter qualquer ensino religioso. Os pais devem ser apoiados para organizarem o ensino religioso da sua preferência nos tempos livres das suas crianças e jovens.

Nesta fase histórica do mundo é da mais completa falta de bom senso colocar o problema da proibição de véus às comunidades muçulmanas, é a xenofobia em ascensão, nada tem de inocente, é, como disse atrás, resultado da cultura etnocêntrica dos franceses a ser empurrada pelo ressurgir das forças da extrema direita.


GIN

Publicado por agineotonico às 05:36 PM | Comentários (2)

MULTICULTURALIDADE E XENOFOBIA (1)

A liberdade de expressão é um direito inalienável do sujeito desde que não fira os direitos humanos. Esta exclusão à liberdade de expressão que aqui refiro, faz sentido nas situações em que ela atenta os direitos humanos, nomeadamente os direitos humanos de menores, como no caso da excisão feminina e outras barbaridades semelhantes.

Agora, cada um tem direito a poder expressar-se como quiser, desde que isso não prejudique a convivência social e as regras de comportamento colectivo.

Vem isto a propósito da proibição de “sinais religiosos” nas escolas francesas.
Li comentários a esta questão no Público pela mão de Helena Matos, no Diário de Notícias pela mão de Miguel Portas e no Barnabé pela mão de Daniel Oliveira.

De Helena Matos, confesso que não entendi a sua posição. Diz ela que “só existe tolerância quando existe respeito pelo outro. E muitos dos líderes islâmicos não têm qualquer respeito pela cultura ocidental” e que “Em causa está a capacidade das democracias de zelarem pela aplicação das suas leis e de não brincarem ao faz de conta que somos livres ... há quem não só não queira ser livre como se obstine em que os outros não o sejam ... essa sua obstinação costuma eleger as mulheres como primeiras vítimas. Mas, como se sabe, têm planos para todos os outros”.

Não percebo se com isto ela concorda com esta proibição. Mas do seu artigo retiro uma informação que, essa sim, me preocupou. É que começaram a ser abertas escolas privadas muçulmanas em França.

De Miguel Portas, apreciei o seu trabalho de descodificação de como se faz o aproveitamento de certos símbolos de individualidade cultural e concordo plenamente quando diz que “a interdição estatal do véu só pode acabar mal e servir aos fundamentalistas. Pode, até, fazer pior - retirar das escolas públicas as filhas das famílias muçulmanas em regressão conservadora” e que “Melhor seria que Chirac desse direito de voto aos imigrantes, independentemente da reciprocidade da medida. Por aqui - e não pela interdição - se deve construir o moderno contrato para os países multiculturais do velho continente

De Daniel Oliveira, discordo totalmente do paralelismo que faz entre o uso de véu e a legalização do aborto :”as cedências que hoje se fizerem ao fundamentalismo islâmico (permitindo, por exemplo, que as alunas cubram o rosto e assim a sua individualidade), estão a ser feitas, ao mesmo tempo, ao seu congénere cristão. Não nos podemos bater pela legalização do aborto e permitir, no mesmo dia, a humilhação de cidadãs de religião islâmica”.

Enquanto num caso estamos na presença de um direito de liberdade de expressão relacionado com culturalidade que tem origem no seio de pequenas comunidades numa Europa que desde há muito é multicultural (neste caso em frança), no outro estamos na presença do direito à tomada de decisão individual a um nível diferente. Parece-me uma comparação infeliz.


GIN

MULTICULTURALIDADE E XENOFOBIA (1)

Publicado por agineotonico às 01:23 PM | Comentários (1)

dezembro 26, 2003

Mães adolescentes

No meu post sobre mães adolescentes "Akkenatton" postou este comentário:

"Qual estudo da UNICEF???
Da próxima vez que inventarem mentiras como esta pelo menos parem para pensar e fazer contas.

Por ano nascem +/- 115.000 crianças o que equivale a mais ao menos 75.000 mães dada a taxa de ocurrencia de gémeos.
temos então 75*20=1.400 mães adolescentes.
Uma vez que a adolescencia decorre entre os 14 e os 18 anos ,temos 4*1.400=
Ou seja, mesmo que alguma vez tivesse havido um estudo da Unicef a revelar 22 mães adolescentes em mil, nunca poderia haver mais de 5.600 mães adolescentes.

Não inventem ok?"

Deixo aqui referência a páginas que falam do assunto:

http://www.jovem.te.pt/servlets/Lazer?P=Sexualidade&ID=3676
http://primeirasedicoes.expresso.pt/ed1349/pu-primeira.asp
http://lusomed.sapo.pt/Xn323/373341.html

http://www.esec-mtorga-massama.rcts.pt/projec8d/Paginas/Gravidez.html este do instituto naciona de estatística diz :
Gravidez na Adolescência

Em relação ao número de mães adolescentes existentes em Portugal, dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística, relativos a 1998, apontam para um total de 7411 nascimentos, ocorridos em mães cujas idades vão dos 12 aos 19 anos. Se por um lado se tem verificado uma maior preocupação por parte dos órgãos competentes para formar os jovens nas áreas da sexualidade e da contracepção, também é verdade que o actual ritmo de vida leva a que muitos jovens passem muito do seu tempo sozinhos em casa, carentes de afecto, o que muitas vezes determina um início prematuro da vida sexual, nem sempre com resultados agradáveis, como o atestam os números que atrás referimos"


GIN

Publicado por agineotonico às 10:21 AM | Comentários (2)

dezembro 15, 2003

MÃES ADOLESCENTES


Um estudo da UNICEF refere que existem em Portugal 28 000 mães adolescentes.

Um relatório das Nações Unidas – “Situação da População Mundial” – revela que, em Portugal, 22 mães em cada mil são adolescentes.

É uma gravidez que decorre da falta de educação sexual na família e na escola, referem alguns médicos que lidam de perto com estas situações.

São gravidezes não planeadas, não desejadas, em que muitas vezes a criança que nasce é rejeitada por toda a família.

São gravidezes precoces de raparigas que vivem em situações limite.
Há situações em que a gravidez surge de abusos sexuais de homens mais velhos e, por vezes, familiares.

A maioria das adolescentes grávidas vivem em bairros sociais, no seio de famílias problemáticas e desintegradas socialmente.


GIN

Publicado por agineotonico às 06:34 PM | Comentários (2)

dezembro 08, 2003

MARIA FILOMENA MÓNICA

“Pela sua natureza, o LUX é uma instituição que deve ser frequentada pela aristocracia, que tem como vocação o bem vestir e que deve adoptar como critério a exigência. Não é isso que se passa em Portugal. Devido à irresponsabilidade dos governos, ao populismo dos parlamentares e à covardia dos donos, o LUX degradou-se para além do que é razoável.”

Quase que apetecia continuar a brincar não fosse ser tão sério o assunto.

Com esta posição de Filomena Mónica, eu, e muitas pessoas que conheço que são bons profissionais com cursos superiores em diversas áreas, que somos profissionalmente reconhecidos e que não tivemos a graça de nascer aristocratas, estaríamos condenados ao então curso comercial, ou, no meu caso, a um curso de corte e costura para não ferir a vocação universalista da aristocracia intelectual.

Diz esta, que deduzo provir da melhor aristocracia portuguesa, que:

“Pela sua natureza, a Universidade é uma instituição que deve ser frequentada pela aristocracia intelectual, que tem como vocação a universalidade e que deve adoptar como critério a exigência. Não é isso que se passa em Portugal. Devido à irresponsabilidade dos governos, ao populismo dos parlamentares e à covardia dos docentes, a Universidade degradou-se para além do que é razoável.”

No momento em que ... se aprovou, no Senado da Universidade de Lisboa, o Regulamento sobre o funcionamento das Faculdades, o qual garantia a presença de representantes do corpo estudantil no Conselho Directivo ... fui das pessoas - penso até que o fiz sózinha - a votar contra a proposta ... para mim, eram claras as razões por detrás das opções dos representantes estudantis, era-me incompreensível que colegas, muitos deles, como os catedráticos da Faculdade de Direito, situados politicamente à minha direita, se comportassem da forma como se comportaram. Já má, a situação piorou.”


GIN

Publicado por agineotonico às 09:57 PM | Comentários (3)

novembro 24, 2003

Linguagem Gestual nas Universidades

Vítor Hugo, dirigente estudantil, em relação aos resultados das sondagens sobre esta matéria, explica-se: “Não me surpreende o resultado. A opinião pública está contra o aumento das propinas. Quanto aos cadeados, há uma questão histórica que as pessoas desconhecem. É uma demonstração de força, mas é usada em todo o país e até no estrangeiro pelos professores”.

Seabra Santos, Reitor da Universidade de Coimbra,
diz que 70% dos estudantes de Coimbra são deslocados e “têm despesas de alojamento, a que se soma em média mais 500 euros”. Diz, ainda, que não concorda com o aumento das propinas e que “a manifestação é um direito constitucional que defendo. Contudo, não concordo com os cadeados nas portas. São atitudes violentas, medidas ilegais e ilegítimas. Defendo o diálogo”.

É caso para perguntar “diálogo com quem?”

O governo tem mostrado a mais profunda surdez perante qualquer ponto de vista ou proposta que vá contra as suas decisões arbitrárias.

Sendo assim, os estudantes continuam a fazer “monólogos”, ou recorrem à linguagem gestual (leia-se, neste caso, cadeado) para se fazerem perceber.

Cada vez que recorrem a esta linguagem, os estudantes são violentamente criticados por uma certa camada intelectual da nossa praça.

Todos nos lembramos da “linguagem gestual criativa” (leia-se, mostrar o rabo) que foi criticada por não respeitar os princípios universais da linguagem erudita (mesmo que gestual) que se exige a qualquer estudante universitário em Portugal e que levou a que toda a geração fosse apelidada de “geração rasca”.

Assim, os estudantes vão tentando encontrar “linguagens compreensivas” que possam sensibilizar os órgãos de decisão, mas sem resultado.

Esta será, talvez, conhecida pela “Geração encadeada e à rasca”.

Mas não estará orgulhosamente só.
Segundo as sondagens realizadas, a maioria dos portugueses considera que os estudantes têm razão.
Nós as mulheres estamos na frente de apoio (61.4% estão contra), o que não parece de estranhar, porque somos nós que fazemos a gestão do orçamento familiar e sabemos, na prática e não só na teoria, as dificuldades em que se encontram a maioria das famílias portuguesas.

Parece-me fundamental que se institua como obrigatório o ensino de Linguagem Gestual em todas as Universidades do País. Haverá muita escolha na nossa palonça classe intelectual e, se estes não quiserem aceitar esse cargo, haverá sempre uns Ministros, Secretários de Estado, Autarcas e dirigentes de partidos que apresentarão os seus familiares como candidatos.


GIN

Publicado por agineotonico às 11:37 PM | Comentários (2)

novembro 20, 2003

ISTO NÃO É DEMAGOGIA, É SENILIDADE PRECOCE

Pacheco Pereira (in Público)

“alguns estudantes de Coimbra vão fechar de novo a Universidade a cadeado e a "barricar" as faculdades. Mais uma vez, o Estado de direito em Portugal acaba às portas da Universidade de Coimbra.”

E em relação ao fecho fraudulento de empresas JPP, onde acaba o Estado de Direito?

“o governador civil ... também permanece indiferente a uma violação da ordem pública, anunciada publicamente, com "escândalo" público e reiterada. Dificilmente pode invocar o facto de as autoridades universitárias não lhe pedirem para actuar, porque as violações flagrantes da ordem pública atingem a cidade e milhares de pessoas, estudantes, professores, funcionários, fornecedores, empresas com contratos, etc., e o direito de liberdade de circulação garantida na lei.”

JPP está a candidatar-se a Ministro da Administração interna ... num instante punha a polícia de intervenção a resolver o escândalo e as violações flagrantes da ordem pública.

"Fui dirigente estudantil, participei e tive responsabilidade directa por greves e confrontos com a polícia, e tive a minha dose de desacatos e "ilegalidades", só que num Portugal em que não havia legalidade, nem liberdade, an