janeiro 10, 2005

NO COMMENTS

maremoto.JPG
(Matt Davies)

Publicado por agineotonico às 04:46 PM | Comentários (1)

Como a comunicação social direcciona o nosso olhar sobre o mundo (1)


O Tsunami (ou maremoto, como se diz em português) foi, sem dúvida, uma catástrofe natural de consequências terríveis. Os números falam por si ... mais de 200 mil mortos, milhares de desaparecidos, mais de 5 milhões de desalojados, dos quais a maioria são crianças.
Pode dizer-se que muitas vidas teriam sido poupadas se houvesse sistemas de detecção de maremotos naqueles países atingidos, ou se tivessem sido accionados sistemas de protecção civil depois dos avisos de formação de um maremoto (há notícias que indiciam que o governo tailandês foi avisado e nada fez).
O discurso de que “há males que vêm por bem” porque a reconstrução trará melhores condições de vida às populações atingidas pelo maremoto, é um discurso que assenta na lógica da materialidade. Há percas que não podem ser recompensadas. Quando falamos em vidas humanas, em dezenas de milhares de crianças mortas, em famílias e aldeias inteiras desaparecidas, não podemos dizer que alguma coisa de bom advém desta catástrofe. Há apenas perca que comporta um imensurável sofrimento.
O movimento de solidariedade em todo o mundo é digno de nota.
Seja porque um número significativo de ocidentais (uma poeira entre os números assustadores de vítimas) morreu nesta catástrofe, seja porque somos capazes de ser verdadeiramente solidários com o sofrimento alheio, seja porque se transfere para as forças da natureza as notícias das “mortes em massa”, a verdade é que se gerou um movimento de solidariedade sem precedentes.
Mas também é verdade que fomos/somos bombardeados com a repetição sistemática das mesmas imagens e notícias. Ultrapassou-se vergonhosamente o valor informativo da notícia e da imagem como fonte de informação e de apelo à solidariedade.

"De acordo com os dados do Telenews, da MediaMonitor, o tsunami motivou 988 notícias nos serviços informativos regulares da RTP1, 2:, SIC e TVI no período compreendido entre 26 de Dezembro de 2004 e 2 de Janeiro de 2005. Este valor representa 48.8% do total de peças emitidas nesse período. Estas notícias tiveram uma duração total superior a 33 horas e 28 minutos, o que corresponde a 55.4% da duração noticiosa total".

Publicado por agineotonico às 04:29 PM | Comentários (1)

Como a comunicação social direcciona o nosso olhar sobre o mundo (2)

(ou quem define os critérios de "solidariedade necessária")
A solidariedade é fundamental.
Apoiar as vítimas do maremoto a reconstruírem os seus países e as suas vidas é um acto de solidariedade necessário. Mostra que podemos (e devemos) encarar-nos como um “mundo global”. Esta é a verdadeira “globalização” que perfilho.

A solidariedade para com as vítimas de uma catástrofe natural é inócua. Não implica um julgamento moral e político. A “origem do mal”, por muito que o possam querer atribuir a um qualquer deus ou ao homem, é a própria natureza que não dominamos. A “origem do bem”, ou da solidariedade, é bem mais complexa.
Por isso, questiono o bombardeamento e multiplicação de imagens chocantes e notícias repetidas à exaustão. Como se não existissem “ondas de terror” a banhar tantos outros países que necessitam da nossa solidariedade.
Se não podemos fazer grande coisa para evitar os desastres naturais a não ser a nossa solidariedade à posteriori, o mesmo não se pode dizer da possibilidade de sermos solidários para pôr fim aos desastres humanitários causados pela consciente mão humana.
Porque não nos metralham com as notícias dos 70 mil mortos e 1,6 milhões de desalojados de Darfur?
Porque não nos metralham com os mais de 100 mil mortos e milhões de desalojados no Iraque?
Porque não nos metralham com os mortos e desalojados da Palestina?
Porque não nos metralham com as mais de 11 milhões de crianças mortas com menos de 5 anos devido a doenças que, hoje, são facilmente tratáveis, ou das 500 mil mulheres perderam a vida devido a complicações na gravidez ou no parto, só no ano 2000?
Porque não nos metralham com os milhões de crianças a morrer vítimas da Sida, enquanto a indústria farmacêutica não permite que tenham acesso à medicação necessária?
Porque não nos metralham com os milhões de pobres, mesmo nos países ocidentais?

A solidariedade para com as vítimas de uma catástrofe natural é inócua. Não implica um julgamento moral e político. A solidariedade para com as vítimas das catástrofes causadas pelo homem obrigam-nos a questionar o próprio conceito de solidariedade.

Publicado por agineotonico às 04:24 PM | Comentários (2)

novembro 23, 2004

Al-Jazeera is a channel of terrorism

"Al-Jazeera is a channel of terrorism. That is clear and we say openly and without hesitation: Al-Jazeera is a channel of terrorism," he told the London-based Arabic newspaper Asharq Al-Awsat.
(...) "Let God curse all those who terrorise Iraqi citizens and children of Iraq, be them journalists or others. The day will come when we will take measures against Al-Jazeera other than by words," the minister warned".
(Ministro da Defesa Iraquiano)

Estas declarações de MD iraquiano levam a temer o pior quanto à liberdade de imprensa e à segurança dos jornalistas.

Publicado por agineotonico às 07:48 PM | Comentários (3)

novembro 22, 2004

Como nos tornamos coniventes

Por que Washington e os mass media recorrem descaradamente à mentira sistemática e aos eufemismos? Basicamente para reforçar o apoio de massas interno ao assassínio em massa no Iraque. Os mass media fabricam uma teia de mentiras para assegurar um verniz de legitimidade para métodos totalitários a fim de que as forças armadas americanas continuem a destruir cidades com impunidade. A técnica aperfeiçoada por Goebbels na Alemanha e praticada nos EUA é repetir mentiras e eufemismos até que se tornem 'verdades' aceites, e incorporadas na linguagem diária. Os mass media ao efectivamente tornarem rotina uma linguagem comum envolvem a sua audiência. As preocupações tácticas dos generais, dos comandantes a dirigirem a carnificina (pacificação) e dos soldados a assassinarem civis são explicadas (e consumidas pelos milhões que os ouvem e assistem) por autoridades sem contestação através de jornalistas submissos e dos famosos "âncoras" do noticiário. A unidade de objectivo entre os agentes da matança em massa e os público americano de todos os dias é estabelecida através de "relatos de notícias". Os soldados 'pintam os nomes' das suas esposas e namoradas sobre os tanques e veículos blindados os quais destroem famílias iraquianas e transformam Faluja em ruínas. Soldados que retornam do Iraque são "entrevistados" perguntando-se-lhes se querem retornar para 'estar com o seu pelotão' e 'exterminar os terroristas'. Nas forças de combate americanas nem todos experimentam as alegrias de disparar sobre civis. Estudos médicos relatam que um em cada cinco soldados que retorna sofre de severo trauma psicológico, sem dúvida por testemunhar ou participar no assassínio em massa de civis. A família de um soldado regressado, que recentemente cometeu o suicídio, relatou que ele referia-se constantemente às mortes de crianças desarmadas nas ruas do Iraque de que fora responsável — chamando-se a si próprio de "assassino". Além destas notáveis excepções, a propaganda dos mass media pratica várias técnicas, as quais aliviam a 'consciência' dos soldados americanos e dos civis. Uma técnica é a 'reversão de papéis' ao atribuir os crimes da força invasora às vítimas. Não são os soldados que causam destruição de cidades e matam, mas as famílias iraquianas que 'protegem os terroristas' e "trazem sobre si próprias o bombardeamento selvagem". A segunda técnica é relatar apenas baixas americanas provocadas pelas 'bombas terroristas' — omitir qualquer menção aos milhares de civis iraquianos mortos pelas bombas e artilharia americana. Tanto a propaganda nazi como a americana glorificam os 'heroísmo', o 'êxito' das suas forças de elite (as SS e os Marines) na matança de 'terroristas' ou 'insurrectos' — todo civil morto é contado como um 'suspeito de simpatizante do terrorismo.
(James Petras in resistir)

Publicado por agineotonico às 07:23 AM | Comentários (1)

novembro 21, 2004

Clara F. Alves: cá, como lá, a informação ao serviço do poder

No artigo de Clara Ferreira Alves no Diário Digital com o nome “A Cartilha – A Guerra do Terror”, pode ver-se a que ponto chegou o jornalismo no nosso país.
Diz ela que “em Fallujah, dos estrangeiros aprisionados, grande maioria são iranianos, numa proporção de dez para um, o que também diz muito sobre o envolvimento do Irão nesta guerra”. O que não diz é que até as tropas americanas tiveram de deixar cair esse argumento que serviu para massacrar a população de Fallujah.
"«Aquilo» não conhece meios nem fins. Matar a sangue frio uma mulher que só ajudou o Iraque”, diz CFA não fazendo o trabalho de casa que qualquer jornalista que mereça esse nome deveria fazer. Na verdade, a execução de Margaret Hassan, de Nick Berg e de alguns outros tem vindo a ser contestada por diversas organizações e pessoas, porque serve que nem uma luva às tradicionais acções dos serviços secretos ocidentais.
Acrescenta que “é uma acção típica de um terrorista estrangeiro, com Zarqawi ou sem Zarqawi”. Também aqui mostra claramente que fala sem qualquer preocupação em fazer jornalismo informado - "But not a single source, anywhere, claims to have actually seen Zarqawi since late 2001 in Afghanistan". De facto, não é preciso o Governo fazer pressão sobre os média, alguns jornalistas voluntariamente fazem um tendencioso e mau trabalho de informação.

Pode ler-se mais informação AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI

Publicado por agineotonico às 12:27 PM | Comentários (2)

novembro 06, 2004

A revolta das palavras: E depois do adeus

"Chegadas as coisas a este ponto compreendam os leitores que eu saia deste lugar. É patente o que está actualmente em causa na comunicação social portuguesa: o domínio dos media pelo grande capital, a entente cordiale entre esse grande capital e o actual Governo. Poucas serão as excepções.
A imprensa deixou de ser um problema de direito constitucional à liberdade de expressão, passou a ser um problema de direito comercial à distribuição de dividendos ...
Ao público em geral há duas coisas que já não escapam.
Primeiro, em Portugal está a instalar-se um clima de medo; não o medo antigo de se ser preso por um delito de opinião, mas um medo moderno, nascido na zona dos interesses, do que se ganha e do que se perde. A hipocrisia, em Portugal, passou a ser a forma de os fracos sobreviverem, a velhacaria um modo de os fortes dominarem.
Segundo, em Portugal a vida política vive na mentira e na desconfiança: ninguém diz totalmente a verdade, ninguém acredita minimamente no que se diz.
É evidente que é um problema de liberdade o que está em causa, um duplo problema de liberdade: é que sem liberdade de empresa, não há liberdade de imprensa.
Ora a concentração capitalista na comunicação social e a sua aliança com o poder político, num só golpe, geraram a miséria a que assistimos. Cada um que vai à quase moribunda Alta Autoridade para a Comunicação Social é mais um rol de ignomínias que vem ao de cima.
Começa a perceber-se o bastidor do espectáculo. Um destes dias os leitores, para estarem capazmente informados, talvez tenham, não de comprar um jornal, mas sim de comprarem o próprio jornal que o publica. Ser jornalista é hoje recolher notícias que outros embrulham no meio da publicidade e da propaganda. Honrados profissionais vivem hoje essa agonia".

(José António Barreiros (Blog))

Publicado por agineotonico às 02:31 PM | Comentários (2)

novembro 02, 2004

Prémio para quem rompe o "muro de silêncio"

A comunicação social norte-americana silencia os planos estratégicos da Casa Branca, para evitar que a opinião pública possa opinar sobre eles.
Um estudo recente da Universidade Estadual de Sonoma (Califórnia) parece confirmar esta teoria. É o novo relatório anual do Project Censored. Há 27 anos, dezenas de estudantes e professores da universidade (foram 200, este ano) dedicam-se a identificar os dez episódios mais importantes cuja informação foi negada à grande maioria dos norte-americanos. Além de apontar as omissões, a universidade premia os profissionais que romperam – quase sempre em jornais, revistas e espaços de internet independentes – o muro de silêncio.

Nos EUA não há, por enquanto, censura estatal à imprensa. O controle é feito pelos próprios monopólios que dominam a comunicação. A existência do projecto revela que ocultar fatos da opinião pública não é exactamente uma novidade no país de Bush. O que mais choca é o que está sendo censurado actualmente. A pesquisa revela que jornais e TVs sonegam aos cidadãos, agora, o direito de se informar (e, portanto, de opinar) sobre os projectos mais importantes executados pela Casa Branca. Para conferir, basta examinar a lista das “Top ten censored stories” – os dez fatos mais ocultados dos cidadãos.
1. Os planos dos neoconservadores para mudar a geopolítica do mundo:
O mandato de Bush foi marcado, desde o início, pela forte presença dos chamados “neoconservadores”, em postos-chaves dos departamentos de Defesa (Forças Armadas) e Estado (relações diplomáticas). Formada no pós-II Guerra, esta corrente crê na violência como “estado natural” da humanidade, e propõe abertamente que os EUA conquistem, por meios militares, o controle de grandes áreas do planeta (em especial o mundo árabe), e a submissão de possíveis adversários. Liderados por figuras como Paul Wolfowitz (subsecretário de Defesa), Richarde Perle e William Kristol, os “neocons” propunham guerras contra o Iraque e o Afeganistão muito antes do 11 de setembro de 2001. Uma das instituições criadas por eles – o Projecto para um novo Século Americano (PNAC, em inglês) falava, já em 2002, na “necessidade de um novo Pearl Harbour.
Após o atentado às torres gémeas, os “neocons” assumiram o controle quase completo sobre a política externa dos EUA. Sua ascensão foi relatada pela agência internacional independente IPS e por The Sunday Herald, Harpers’ Magazine, Mother Jones e Pilger.com, igualmente alternativos. No entanto, diz Peter Phillips, coordenador do Project Censored e professor da Universidade de Sonona: “A maior parte das pessoas neste país estão totalmente desinformadas da existências do PNAC”. Os grandes jornais e redes de TV preferem silenciar sobre eles e seus planos. Este silêncio é crucial para ocultar os verdadeiros objectivos da Casa Branca. Um documento do Project Censored lembra que “a mídia quase não examinou o papel do petróleo na política norte-americana sobre o Iraque e Golfo Pérsico, e a cobertura que houve tendeu a ridicularizar ou esconder a ideia de que a guerra tinha algo a ver com esta riqueza”.
2. As ameaças às liberdades civis:
O atentados do 11 de setembro permitiram também que a Casa Branca apresentasse ao Congresso leis claramente atentatórias aos direitos e liberdades individuais. No final de 2001, começou a tramitar o Patriot Act, complementado no início deste ano pelo Patriot Act II. Suas implicações são enormes. “Segundo a secção 501 [do Patriot Act], um cidadão norte-americano pode, ainda que não pratique actos ilegais, detido na rua ou em casa, e submetido a tribunal militar sem notificação a um advogado, à imprensa ou à família”, diz o relatório do Project Censored.
As leis propostas por Washington foram fartamente noticiadas pela imprensa -- mas os dispositivos que ameaçam as liberdades civis continuam ocultos. Mais uma vez, as excepções vieram quase apenas do universo da imprensa crítica: Global Outlook, Rense.com, PublicIntegrity.org. Entre a mídia comercial, houve alguma cobertura em Tampa Tribune e Baltimore Sun.
3. O sumiço de 8 mil páginas de um relatório iraquiano à ONU:
Apoiado em sua presença no Conselho de Segurança e em seu poder político, o governo norte-americano suprimiu a maior parte (8 mil páginas de um total de 11,8 mil) de um relatório submetido à ONU, no ano passado, pelo governo iraquiano. Os capítulos extirpados referiam-se ao período em que Washington colaborava com Saddam Hussein, na guerra do Iraque contra o Irão. Descreviam em detalhes como os EUA, naquele período, abasteceram Bagdad com armas químicas e biológicas, e construíram depósitos para elas. Além da própria Casa Branca, o relatório implicava grandes corporações, como Bechtel, Eastman Kodak e Dupont. Apenas duas pequenas (porém bravas) publicações cobriram o fato: Democracy Now e The Humanist and ArtVoice. O jornalismo comercial silenciou mais uma vez.
4. O plano de Donald Rumsfeld para provocar terroristas:
Em outubro de 2002, o repórter Chris Floyd contou, no sítio alternativo Counterpunch, a história dos destacamentos militares secretos que o Pentágono, sob direcção do secretário Donald Rumsfeld, estava espalhando pelo mundo. “Os grupos foram apelidados ‘Pee-Twos’ (‘Pro-active, Preemptive Operations Groups’), e encarregados de desempenhar missões secretas destinadas a ‘estimular reacções’ entre grupos terroristas, provocando-os a cometer actos violentos capazes de expô-los a ‘contra-ataques’ norte-americanos”, escreveu Floyd. Ele mesmo concluiu: se o plano der certo, “os Pee-Twos poderão ser usados sempre que o regime desejar acrescentar um território rico em petróleo, ou uma nova base militar ao portfólio do Império”. Apesar do apetite da mídia por tudo o que possa provocar medo em relação aos terroristas, a notícia não repercutiu nos “grandes” jornais. “É fácil entender o silêncio, quando se observa a ambiguidade moral da mídia – em especial no que se refere a possível cumplicidade dos EUA com crimes e assassinatos”, afirmou Floyd.
5. O ataque aos direitos dos trabalhadores e aos sindicatos:
Sempre na esteira da “segurança nacional”, e sempre em aliança com as grandes corporações, o governo Bush serviu-se de velhas leis para limitar a actividade sindical. Em outubro de 2002 deu-se o caso mais importantes. Uma longa e poderosa greve de estivadores da Costa Oeste foi interrompida por coerção judiciária, solicitada pela Casa Branca. Os ataques à acção sindical estão se multiplicando mas a mídia cala-se, relata o Project Censored. Como excepção, o estudo citou quatro reportagens que relataram, nos últimos doze meses, os ataques ao mundo do trabalho. Lee Sustar, autor de um dos textos citados, denuncia: “Há vinte anos, todo jornal tinha um repórter especializado em trabalho, atento a todos os fatos. Hoje, há apenas cobertura a partir do lado patronal”.
6. A tentativa de oligopolizar os serviços de internet:
Uma das principais características da internet – a multiplicidade de provedores de acesso, que praticamente impede o controle da rede – está sob ameaça, nos EUA e em outros países. Graças a seu poder económico, e a medidas desregulamentadoras adoptadas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC, em inglês), as grandes corporações telefónicas estão exercendo concorrência desleal sobre pequenos provedores e levando-os à falência. O repórter Arthur Stamoulis mostrou, no pequeno Dollars and Sense, que a formação deste oligopólio é uma ameaça ao jornalismo independente que floresceu nos últimos anos, em parte graças à net. Nenhum jornal ou TV comercial interessou-se por ele pelo tema. Ele permanece ignorado, num país em que dezenas de milhões de pessoas estão conectadas à rede.
7. A sabotagem, pelos EUA, de tratados e comissões internacionais:
Empenhados em construir uma ordem internacional em que nada possa se opor a seu próprio poder, os EUA estão trabalhando activamente para sabotar tratados internacionais (entre eles, o Protocolo de Quioto, o Tratado de Proibição das Minas Terrestres e o Tratado de Não-proliferação da Armas Nucleares). Além disso, sua diplomacia elefantina paralisou o trabalho de comissões da ONU, como a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), de onde foi defenestrado o brasileiro José Bustami. Apenas quatro publicações independentes trataram do assunto. A mídia comercial protegeu a Casa Branca.
8. O uso ininterrupto de armas de urânio empobrecido:
Os índices de incidência de câncer explodiram no Iraque, a partir da primeira Guerra do Golfo, em 1991. Forças norte-americanas e britânicas usaram naquele conflito munições com urânio empobrecido. Elas ajudam a derreter a blindagem dos tanques. Depois penetram no solo, contaminam as fontes de água e as lavouras, são ingeridas pelo homem e... matam outra vez! Os EUA têm usado costumeiramente tais armas: duas vezes no Iraque, mas também no Afeganistão, em Kosovo, na Bósnia. Apenas três publicações contaram a história: duas independentes (The Sunday Herald e Children of War) e a revista pornô Hustler. Os jornalões não tiveram a decência de seguir seu exemplo.
9. O naufrágio do Afeganistão:
Quatro jornais independentes (The Nation, Left Turn e Mother Jones), mais um do “mainstream” (Toronto Star) visitaram o Afeganistão recentemente. Constataram os resultados da invasão norte-americana: aumento da pobreza, manutenção do poder dos senhores da guerra, repressão contínua contra as mulheres. Excepto por estes casos isolados, contudo, relata o Project Censored, o país “saiu das telas de radar da imprensa norte-americana”. Reese Erlich, que esteve durante três meses em Kabul e outras cidades, conta: “os repórteres não vão ao Afeganistão. Procuram os funcionários do Departamento de Estado, para que tudo flua através de lentes cor-de-rosa e a opinião pública se tranquilize, imaginando que as coisas estão melhores. Mas elas não estão”...
10. A recolonização da África:
Em junho de 2002, os oito países mais ricos do planeta lançaram a chamada Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (Nepad, em inglês). Por trás do nome grandiloquente há uma surpresa (parceria com quem, se nenhuma nação africana foi convidada para ajudar a dirigir o esforço?) e uma suspeita. Após examinar as matérias publicadas por quatro publicações independente (Left Turn, Briarpatch e New Internationalist”), os responsáveis pelo Project Censored concluem: “O Nepad assemelha-se ao Plano Colômbia, em sua tentativa de empregar técnicas de desenvolvimento ocidentais para oferecer oportunidades de lucro a investidores internacionais”, diz. Também aqui, o jornalismo comercial passou em branco.

Publicado por agineotonico às 09:25 PM | Comentários (1)

Discutir a imprensa alternativa

A revista "In These Times" procura caminho para a consolidação de um jornalismo crítico, independente e confiável.
Studs Terkel considera que o papel da imprensa independente não é apenas "ser dissidente”, é ser capaz de promover uma reviravolta na opinião pública.
Por seu lado, Norman Solomon, que tem participado nos "Fórum Social Mundial", diz que para fortalecer a imprensa alternativa é preciso que fundações de orientação progressista apoiem financeiramente os novos projectos de jornais e revistas.
Susan Douglas, colunista de In These Times, desabafa que o que é mais frustrante é que apesar de haver colunistas, como Krugman no The New York Times, progressistas que têm algo a dizer sobre o Iraque, por exemplo, não conseguem espaço nos programas políticos de TV e rádio, porque todos eles são dominados pelo que chama de "neandertais racistas, homofóbicos, direitistas e sexistas".

Publicado por agineotonico às 03:42 PM

outubro 28, 2004

Assassinada em Bagdad locutora da TV iraquiana

Um grupo de homens armados assassinou quarta-feira à noite, em Bagdad, uma conhecida locutora da nova cadeia de televisão iraquiana Al Sharquiya.
Abdul Razzaq, de 30 anos, trabalhou até há um mês para a televisão fundada pelos Estados Unidos Al Iraquiya, e era um dos rostos mais conhecidos dos serviços noticiosos no Iraque.
Este é o segundo ataque cometido contra uma jornalista iraquiana em Bagdad em menos de um mês.
Zeina Mahmoudan, repórter da televisão curda Al-Hurriya, também foi baleada quando se deslocava de carro para o trabalho, na capital iraquiana.
(Diário Digital)

Segundo o Instituto Internacional para Segurança da Imprensa, nos últimos 18 meses mais de 50 jornalistas foram assassinados no Iraque.

Publicado por agineotonico às 09:59 PM

outubro 27, 2004

O problema não é o calo. Antes fosse ...

José António Saraiva, director do "Expresso", acusou o poder político de ter falta de "calo democrático". O problema não reside no "calo", porque este significaria "inexperiência". A questão reside na falta de postura democrática. A qualidade da comunicação social de um país, a sua pluralidade e a liberdade de expressão concedida aos jornalistas é um dos indicadores fundamentais dos Estados democráticos. É um indicador básico que os distingue dos Estados totalitáros.
Num país pequeno como o nosso, com poucos grupos económicos significativos e com as relações de promiscuidade entre poder político e económico, não me parece de todo descabido que o Estado seja accionista por forma a poder intervir em alguns órgãos de comunicação de impacto nacional.
Mas esta intervenção do Estado deveria ser no sentido de garantir a liberdade da comunicação social no nosso país para que se não dissesse como Paul Sethe (publicista alemão) que "a liberdade de imprensa é a liberdade para duzentas pessoas endinheiradas difundirem suas opiniões".
Mas o que aqui assistimos é ao Governo a intervir nos meios de comunicação social, que têm o Estado como accionista, não de forma ingénua por falta de calo, mas na continuidade da sua postura arrogante, de destruição sistemática dos direitos sociais, que não admite qualquer crítica.
José António Saraiva afirma ainda que "todas as tentativas do Estado têm-se revelado infrutíferas e com esta vai acontecer exactamente a mesma coisa. Quanto maiores forem as tentativas de intervenção do Governo, maior será a pressão dos média sobre o Governo. Isso já se verifica e está a envenenar o ambiente".
Veremos se isso é de facto verdade quando se tornar claro o que o Governo tem na manga para a comunicação social ...

Publicado por agineotonico às 05:43 PM

Paes do Amaral mentiu

Marcelo Rebelo de Sousa diz na Alta Autoridade para a Comunicação Social que sofreu pressões de Paes do Amaral para que mudasse o conteúdo das suas intervenções.
Embora recusando esclarecer que negócios (refere apenas o que se refere à RTL mas sem grandes pormenores) estão por detrás desta decisão de Paes do Amaral, o simples facto de dizer que sobre elas não fala é já um dado importante porque prova que o seu afastamento é uma condição subjacente a esses mesmos negócios. A isto se junta a afirmação que MRS imputa a Paes do Amaral de que "quem atribui as licenças de TV é o Estado".
Também não nega a possibilidade de ter havido articulação prévia entre as afirmações do Ministro dos Assuntos Parlamentares e Paes do Amaral, uma vez que a intervenção de Gomes da Silva se transformou na condição necessária para o resultado pretendido - o afastamento do comentador incómodo Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa afirma que foi alvo de pressões por parte de Paes do Amaral

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje, em declarações à Alta Autoridade para a Comunicação Social, que o presidente da TVI, Miguel Paes do Amaral, lhe impôs um prazo para que repensasse o teor das suas intervenções nas edições de domingo do Jornal da Noite, já que era "inaceitável que houvesse uma informação e uma opinião sistematicamente anti-governamental na TVI". Perante este ultimato, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu abandonar a estação.
Marcelo Rebelo de Sousa começou por explicar que não esperava que Miguel Paes do Amaral revelasse a conversa entre ambos, que precipitou a sua saída da TVI, e que foi pedida pelo presidente da Media Capital com "carácter de urgência". Paes do Amaral tinha-lhe mesmo pedido que considerasse a conversa como "privada", que a tratasse "com reserva" e que não divulgasse o seu teor, o que Rebelo de Sousa aceitou.
O comentador decidiu porém fazer declarações à Alta Autoridade visto que, nos últimos dias, o presidente da TVI disse em várias instâncias que a conversa com Marcelo Rebelo de Sousa tinha versado apenas sobre "estratégia negocial" e "questões jurídicas relacionadas com as opções estratégicas da estação televisiva" - o que não corresponde à verdade, segundo Rebelo de Sousa. Outro factor que levou o comentador a quebrar a confidencialidade pedida por Paes do Amaral terá sido o facto de este ter dado a entender, em algumas declarações, que a sua saída se deveria a razões de estratégia política pessoal - uma eventual futura candidatura à Presidência da República.
Hoje, depois de ter revelado a sua "perplexidade" pelo facto de Paes do Amaral ter tornado pública "uma parte da conversa", Rebelo de Sousa declarou que não tinha outra alternativa que não revelar a totalidade do teor da conversa.
Dividindo a sua declaração em seis pontos, Marcelo Rebelo de Sousa contou o que considerou ser a parte mais relevante da conversa.
Em primeiro lugar, o ex-comentador frisou que "nunca em quatro anos o presidente da TVI teve uma conversa como esta", que foi considerada por Paes do Amaral como "uma conversa desagradável para ter entre amigos".
Como segundo ponto, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a conversa não contou com a presença do director-geral de Informação, como seria normal, e que ocorreu mesmo sem que este tivesse sido dela previamente informado.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da TVI começou por lhe explicar "como via a televisão", vincando que este meio é diferente da imprensa como espaço de liberdade de informação e opinião, argumentando que "a televisão depende de uma licença pública para existir e, depois, depende de várias circunstâncias económicas e financeiras para viver", o que não pode deixar de ter "consequências na liberdade de informação e opinião".
O presidente da TVI terá de seguida considerado "inaceitável que houvesse uma informação e uma opinião sistematicamente anti-governamental na TVI". Segundo o relato de Rebelo de Sousa, Paes do Amaral terá considerado que isso era concebível num jornal mas não numa televisão.
Em consequência dessa visão, o presidente da TVI terá considerado "quase inevitável haver uma remodelação interna na TVI".
Foi então que, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Paes do Amaral "avançou três ideias, todas novas", que suscitaram a sua perplexidade. Em primeiro lugar, era necessário que ele, Marcelo Rebelo de Sousa, "repensasse a orientação geral das suas intervenções". Em segundo lugar, Paes do Amaral terá estabelecido um prazo para isso acontecer: "duas semanas, ou um pouco mais, até ao fim do mês". Finalmente, Paes do Amaral terá justificado essa necessidade com o facto de a RTL ter acabado de tomar posição no capital social da TVI "e de ele ter que levar a cabo determinadas iniciativas e diligências para cujo êxito precisava de contar com essa garantia da minha parte".
(Público)

Publicado por agineotonico às 05:14 PM | Comentários (1)

Jornalistas presos

O Governo do Irão prendeu cinco jornalistas que trabalhavam em jornais digitais. A repressão no país aumenta diariamente, motivo suficiente para a intervenção da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) exigir a libertação imediata dos redactores.
Os jornalistas são acusados de «propaganda contra o regime, ameaça à segurança nacional, incentivo à rebelião e insultos aos líderes do regime», informa a RSF, que revela ainda que os jornalistas não têm direito a um advogado de defesa.
(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 03:16 PM

Falta de independência dos media portugueses


"A Federação Europeia de Jornalistas, que apresentou uma moção à Comissão e ao Parlamento Europeu, alegou ter tido conhecimento de «declarações públicas que evidenciam uma forte tentação de pressão sobre o órgão independente de regulação dos média, de controlo dos órgãos de informação e de limitação da liberdade de expressão».
A FEA dá como exemplo as declarações do ministro da Presidência, Morais Sarmento, na qual defendeu que os operadores de serviço público de rádio e televisão deviam ter a sua «liberdade limitada
»".
(TSF)

Publicado por agineotonico às 07:12 AM

outubro 24, 2004

Newspapers and Magazines on the Internet

Uma forma confortável de consultar algumas das revistas e jornais mais significativos do mundo.

Publicado por agineotonico às 09:14 PM

outubro 18, 2004

Liberdade de Imprensa


Portugal em nono lugar na tabela do respeito pela liberdade de imprensa de acordo com o relatório sobre a competitividade mundial em 2004, divulgado pelo Fórum Económico Mundial ...
Mas no "ranking" elaborado pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em Outubro de 2003, Portugal aparecia na 28ª posição, num total de 166 países ...
De acordo com a organização não-governamental norte-americana Freedom House, que em Abril deste ano também publicou uma lista relativa à liberdade de imprensa, Portugal encontra-se no 18º posto, entre os 193 países monitorizados.
(Público)

Os resultados do relatório, que vai já na sua 25ª edição, têm por base uma sondagem a mais de 8700 líderes empresariais em 104 países. Mas no "ranking" elaborado pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em Outubro de 2003, Portugal aparecia na 28ª posição, num total de 166 países. A classificação dos RSF foi estabelecida com base num questionário a que responderam jornalistas, investigadores, juristas e militantes dos direitos do homem nos respectivos países. De acordo com a organização não-governamental norte-americana Freedom House, que em Abril deste ano também publicou uma lista relativa à liberdade de imprensa, Portugal encontra-se no 18º posto, entre os 193 países monitorizados.
Para Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Económico Mundial, "o relatório representa uma contribuição intelectual cada vez mais importante no tratamento de alguns dos problemas mais persistentes que enfrentamos".
O Fórum Económico Mundial, sedeado na cidade suíça de Genebra é uma organização sem fins lucrativos ou interesses políticos, com estatuto consultivo de ONG no Conselho Económico e Social das Nações Unidas.

http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1205794&idCanal=88

Publicado por agineotonico às 02:53 PM | Comentários (3)

outubro 07, 2004

Depois da TVI


O assessor do Ministro da Defesa, Pedro Guerra, reclamou na FOCUS, a propósito de um artigo com o nome "Fundo de pensões gera polémica".

"... Para além de ser extraordinário o facto de a FOCUS dar particular destaque à Associação Nacional dos Antigos Combatentes do Ultramar, uma associação que ... se tem revelado mal informada em relação a este assunto, não posso deixar de lamentar a parcialidade e falta de rigor de grande parte do vosso artigo. Toda a imprensa reconheceu ... que o Ministro Paulo Portas tinha cumprido uma das suas promessas eleitorais ao assinar, conjuntamente com os Ministros Bagão Félix e Fernando negrão, a portaria que regula o quadro legal e fixa as normas de funcionamento e gestão do fundo dos antigos Combatentes".
(in Focus 260)

Outra vez o problema do contraditório ...

Publicado por agineotonico às 06:49 PM | Comentários (3)

outubro 06, 2004

Os assessores


"Este Governo pode não ser o pior desde os tempos de Dona Maria, a Piedosa. Mas certamente que é um forte candidato a tornar-se o mais divertido desde Palma Carlos ...
Pois Santana Lopes é primeiro-ministro. Pois acaba de recrutar a relações públicas da revista Lux como assessora de imagem. Pois são os amigos Ricardo Sá Pinto e Joana Lemos que, neste momento, acompanham o chefe de Executivo ...
Já sei: amigos são amigos e ninguém tem nada a ver com isso. Mas, por muito menos, a The Economist trazia um pequeno artigo, ácido sulfúrico autêntico, do género «diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és», sobre Tony Blair.
Por cá segue esta «caravana da alegria», ainda por cima numerosa, a desfilar na modorra estival e perante a complacência geral, a começar pela nossa, dos jornalistas.
Aliás, a classe não se limita a assistir. Enquanto denuncia as incompatibilidades de advogados que passam a ministros, participa ela própria numa vil ciranda, em que se é num mês assessor de um gabinete ministerial para, sorrateiramente, regressar no mês seguinte à redacção e produzir uma prosa isentíssima sobre a política que acabou de servir.A promiscuidade não é de hoje. A falta de vergonha é. Sempre houve alguns cuidados, «períodos de nojo». Agora nem o nojo incomoda."

(in Jornal de Negócios)

Publicado por agineotonico às 02:50 PM

outubro 04, 2004

A Internet continuará sendo uma mídia subversiva

"Kurz - A Internet continuará sendo uma mídia subversiva. Quanto mais importante o papel tecnológico da rede, menores serão as possibilidades de controle pelo Estado, polícia ou conglomerados. Ninguém conseguirá pôr "ordem" durante muito tempo nesta mídia universal. As relações capitalistas de direito e propriedade também não podem mais ser impostas com rigor na Internet ...
Atualmente, a universalidade da rede serve menos à comunicação intelectual do que à proliferação de tagarelices pós-modernas sem sentido. A Internet ainda está longe daquilo que poderia ser como mídia de oposição. "

Publicado por agineotonico às 03:38 PM

setembro 29, 2004

Censura

Our mission is to educate people about the role of independent journalism in a democratic society and to tell The News That Didn't Make the News and why.
"Media criticism does exist in America. But by and large, it is not citizen-based criticism designed to make media a better source of information in a democracy. Instead, it is a cynical manipulation of the discourse designed to silence even the mildest dissent from the conservative, militantly pro-corporate dogma that has come to pass for news in an era when "reporters" brag about the size of their American-flag lapel pins."
- Robert McChesney
and John Nichols

Publicado por agineotonico às 03:39 PM | Comentários (1)

setembro 20, 2004

Não há prepotências estúpidas. Há é estúpidos que são prepotentes


Alberto João Jardim ameaçou, há dias, «expropriar» o Diário de Notícias da Madeira. O que parecia ser apenas mais uma boutade ganhou contornos mais sérios quando vozes do próprio Governo Regional começaram a comentar, à boca pequena, que Jardim prepara, para logo após as regionais, uma violenta retaliação contra aquele órgão, demasiado «independente» para o seu gosto.
(in VISÃO 602)

Publicado por agineotonico às 07:25 PM

setembro 13, 2004

Mais um jornalista morto no Iraque


A PALESTINIAN television journalist was killed today as he was giving a live report to camera on deadly clashes between US forces and insurgents in the heart of the Iraqi capital.
Mr Tomaisi, 28, was killed when a US helicopter fired missiles on a mob which had gathered round a US tank in Baghdad that had been set ablaze in a car bomb attack, one of a string of bombings across the capital today.
Mr Tomaisi, from the West Bank town of Idna, is the fourth Palestinian journalist killed in Iraq.
An Iraqi cameraman and an Iraqi photographer were also slightly wounded by flying shrapnel during the attack.
An Iraqi official later said a total of 13 people were killed, including two children, and 55 were wounded during the battle in Haifa Street, a suspected bastion of Saddam Hussein loyalists, where insurgents and US troops clash regularly.
The US military said four soldiers were also wounded.

Publicado por agineotonico às 01:31 AM

agosto 03, 2004

Independência do jornalismo

O escritor português José Saramago questionou ontem em Santander, Norte de Espanha, a independência do jornalismo.

Que direito "tem um senhor ou uma senhora de acreditar que por escrever uma coluna temos de acreditar que é verdade o que diz".
...
há que falar da "infelicidade dos profissionais" estarem conscientes que estão a ser utilizados. "Entre o chefe e o patrão, o jornalista gasta a melhor parte da sua vida em saber se está a dar a informação que quer o 'guia'". "É como um camaleão que tem de disfarçar o que pensa pela cor do meio onde trabalha. Na realidade gostaria de não ter opinião para que fosse menos doloroso mudar as suas ideias pelas dos outros"

Publicado por agineotonico às 05:23 PM | Comentários (2)

julho 28, 2004

Ser bom jornalista é um acto de coragem

Justiça iraniana diz que jornalista Zahra Kazemi poderá ter morrido "acidentalmente"

"Zahra Kazemi foi detida em 2003 quando tirava fotografias no exterior da prisão de Evine, em Teerão, para ilustrar um artigo sobre os opositores ao regime aí detidos.
A sua morte avivou as já frequentes críticas das organizações de defesa dos direitos humanos sobre as condições nas prisões iranianas. Ao mesmo tempo, suscitou mais um conflito entre a justiça conservadora e os reformadores que governam o país. Em Julho de 2003, logo a seguir à morte de Kazemi, o vice-presidente iraniano, Muhammad Ali Abtahi, declarou que a jornalista tinha morrido na sequência de uma hemorragia cerebral "depois de ter sido agredida". O próprio Presidente Muhammad Khatami acusou várias vezes a justiça de estar a realizar um inquérito parcial sobre o caso.
No entanto, a 24 de Julho passado, um tribunal de Teerão absolveu o agente dos serviços secretos iranianos acusado da morte quase intencional da jornalista. Muhammad Reza Aghdam Ahmadi foi absolvido."

Publicado por agineotonico às 04:00 PM | Comentários (1)

julho 19, 2004

Comunicação Social: quem diz o quê.

"O grande problema do jornalismo em Portugal são os jornalistas: têm baixa produtividade, são preguiçosos. As redacções são verdadeiros antros de jornalistas incompetentes, que ocupam os seus lugares graças a uma rede de contactos. Eles não têm vontade de fazer algo diferente há 20 anos. Os jornalistas chegam ao trabalho ao meio dia, escrevem três e-mails, saem para almoçar, voltam às quatro da tarde, fazem duas noticiazinhas baseadas em agências noticiosas e toca a andar. Não vejo uma crise económica a atrapalhar o jornalismo, mas sim uma crise de valores dos jornalistas ...
Outro problema é que toda a gente copia toda a gente. Os jornais assistem aos telejornais, os telejornais usam os jornais. Todos dependem uns dos outros. O telejornal de domingo à noite, na SIC, é a cópia de uma revista qualquer, como a Única ..."
(Mário são Vicente in FOCUS 248)

"O grande problema é o jornalista escrever para ele próprio, para mostrar aos colegas que é bom ...
O pior é ainda andarem a copiar-se sem assumir: os jornalistas copiam uma história e depois apresentam-na como se fosse algo inédito ... "
(Fredy Vinagre in FOCUS 248)

Publicado por agineotonico às 02:19 PM | Comentários (2)

julho 01, 2004

Eles não sabem do que falam ...

ELOGIO DE PORTUGAL, UN PAÍS CON UNA FEROZ LIBERTAD DE EXPRESIÓN, DEL QUE LOS ESPAÑOLES TENEMOS MUCHO QUE APRENDER

Publicado por agineotonico às 06:12 PM

junho 15, 2004

Com a classe política que temos, continuarão as infernais campanhas em lotas e feiras

Tal como os nossos políticos, também o nosso jornalismo televisivo é fraco e prefere o entretenimento à notícia.
A vergonha do silêncio da televisão portuguesa, nomeadamente do serviço público, perante as magníficas e profundamente significativas cerimónias dos 60 anos do desembarque na Normandia
...
Ser director de um canal de televisão com responsabilidades públicas também é saber escolher o que é importante para o país em termos políticos e culturais. A direcção de informação da RTP revela continuar a estabelecer todo o seu padrão informativo em função do que supõe ser o que garante mais audiência. José Rodrigues dos Santos e Judite de Sousa fazem na RTP o que fariam na SIC ou na TVI: o populismo atravessa hoje quase toda a informação televisiva portuguesa. Mas os nossos Rodrigues dos Santos e Judites de Sousas correspondem aos nossos Sampaios, Durões e Ferros. Com a classe política que temos, continuarão as infernais campanhas em lotas e feiras, continuará a política de estádio e continuarão as correspondentes emissões pimbas sem fim de cada vez que tremulam bandeiras e bandeirolas nos estádios e nas lotas."

Publicado por agineotonico às 01:56 PM | Comentários (1)

junho 03, 2004

Liberdade de imprensa


Photographs of the sadistic torture of Iraqi prisoners at the hands of US troops became front-page news around the world after their release last week. Only in two countries were they largely suppressed by the mediathe United States and Iraq itself.

Publicado por agineotonico às 06:49 PM | Comentários (1)

maio 20, 2004

"Who cares.. ..They've been warned."


The Pentagon has threatened to fire on the satellite uplink positions of independent journalists in Iraq, according to veteran BBC war correspondent, Kate Adie. In an interview with Irish radio, Ms. Adie said that questioned about the consequences of such potentially fatal actions, a senior Pentagon officer had said: "Who cares.. ..They've been warned."

Publicado por agineotonico às 11:13 PM

maio 17, 2004

Daily Mirror vai revelar identidade da fonte de fotos falsas


Os administradores do Daily Mirror vão revelar a identidade do soldado que vendeu ao jornal as fotos falsas de abusos a prisioneiros iraquianos, avança a imprensa britânica este domingo. A empresa Trinity Mirror, que detém o título já anunciou que pretende cooperar totalmente com o inquérito aberto pelo Governo britânico ao caso.
«Temos um compromisso com os jornalistas para proteger as nossas fontes, mas isso não inclui pessoas que agiram de forma fraudulenta para obter dinheiro», disse um elemento da administração citado pelo jornal The Telegraph.

Publicado por agineotonico às 07:38 AM

maio 05, 2004

Imprensa Árabe debaixo de fogo da Coligação

A Liberdade de Imprensa é uma das mais importantes conquistas das democracias. Poder-se-á mesmo dizer que uma democracia pode ser medida pela liberdade de imprensa que permite.
Quando o poder começa a culpar os órgãos de comunicação social pelos movimentos de descontentamento da população, sabemos bem que isso significa que pretendem continuar a cometer os excessos que levam a esse descontentamento e reduzir os direitos de livre expressão. Depois de rebentar o escândalo sobre assassinatos e torturas infligidas a prisioneiros iraquianos, por um lado, Bush anda numa correria a dar entrevistas e vai fazer hoje uma declaração pública na comunicação árabe, por outro lado, a sua filha preferida "coligação" vai acusando os média árabes de estarem a exceder-se ...

"Al-Jazeera and al-Arabiya have both been criticised by the coalition, accused of hostile, inflammatory and inaccurate coverage. In common with the rest of the Arab media, they say the photographs show they were right all along."


GIN

Publicado por agineotonico às 03:42 PM

maio 04, 2004

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Robert Mugabe, presidente do Zimbabwe, aproveitou para esclarecer qual o significado dessa liberdade no seu país. Depois da legislação que fechou todas as rádios independentes, do encerramento do "Daily News" em Setembro de 2003, agora é a vez do "Tribune" estar na mira de Mugabe - "mais um jornal independente para ser encerrado"

A Federação Internacional dos Jornalistas exige uma investigação independente às inexplicáveis mortes de jornalistas no Iraque e criou um Fundo de Solidariedade que recolhe donativos para financiar a defesa de jornalistas vítimas da violência e injustiça.

Jornalistas e órgãos de comunicação americanos reconhecem o mau serviço prestado no período que antecedeu a invasão do Iraque. "This has been the most shameful era of American media and for American Democracy" disse Robert Scheer do "Los Angeles Times".

O Sindicato dos Jornalistas em Portugal denuncia a concentração dos meios de informação nas mãos de 10 multinacionais na cena internacional e de 4 grandes grupos económicos em Portugal. Denuncia, ainda, a degradação das condições de trabalho dos jornalistas portugueses e o recuo dos direitos de liberdade de informação.


GIN

Publicado por agineotonico às 04:08 PM

abril 30, 2004

Jornalistas e Democracia


Liberdade de imprensa deteriorou-se no mundo em 2003

Publicado por agineotonico às 12:02 AM | Comentários (1)

abril 14, 2004

Que se está a tramar no Iraque?

Pode ser por desconfiança minha, mas acho que se está a preparar uma agressão massiva no Iraque.
1) O Hotel Palestina voltou a ser alvo de bombardeamento por parte de tropas americanos, tendo sido assassinados mais dois jornalistas.
2) O primeiro-ministro, Durão Barroso, aconselhou esta terça-feira os civis portugueses a abandonar o Iraque, lembrando a «situação extremamente grave» que se vive no país.
3) O governo francês recomendou «formalmente» esta terça-feira aos seus cidadãos que se encontram no Iraque a abandonar o país, segundo anunciou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. «Recomendamos formalmente aos franceses que ali se encontram que abandonem o Iraque e às pessoas que pretendam viajar para o país que adiem a sua viagem», declarou Hervé Ladsous em conferência de imprensa.
4) A sociedade russa Tekhnoprom, que emprega 370 pessoas no sector energético no Iraque, anunciou esta terça-feira que vai evacuar todo o pessoal. «Todos os empregados da nossa companhia, 370 pessoas, estão a ser evacuadas», anunciou o gabinete de imprensa da Tekhnoprom.
5) Alemanha pede aos seus cidadãos que abandonem o país, dando um sinal claro de que a coalizão perdeu o controle da segurança na região.
6)A Embaixada da Espanha no Iraque também emitiu um conselho aos cidadãos espanhóis no país para que tomem todos os cuidados necessários e que evitem passar por estradas.

Estas decisões tomadas pelos diferentes países, apontam no sentido de se correr de lá com todas as possíveis testemunhas.
As notícias de hoje dão conta que os EUA estão a concentrar forças em Najaf e, assim, as dúvidas passam a preocupação crescente.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:16 PM

abril 13, 2004

Problemas de visão ou perturbação mental?

O Governo de Madrid recomendou aos jornalistas espanhóis que cobrem a ofensiva militar em curso no Iraque para abandonarem o país, na sequência da morte do repórter de imagem da estação televisiva espanhola Tele 5. Ao mesmo tempo, pediu "explicações" aos EUA.

Dois jornalistas morreram hoje na sequência de um ataque, levado a cabo por um tanque norte-americano, contra o Hotel Palestina, em Bagdad, que alberga muitos dos jornalistas que se encontram a cobrir a guerra. Para além do espanhol José Couso, também o operador de televisão ucraniano Taras Protsyuk, que trabalhava para a Reuters, morreu no incidente.
...
Na sequência da morte dos dois jornalistas espanhóis, o Ministério da Defesa de Madrid entrou em contacto com os responsáveis dos órgãos de comunicação social do país e pediu-lhes para apelarem aos repórteres para saírem do Iraque, já que correm o risco de se transformarem em "alvos militares".
...
Segundo o Comando Central norte-americano (Centcom), que já lamentou a morte dos jornalistas, as forças norte-americanas responderam a "tiros inimigos significativos, provenientes do Hotel Palestina". Esta versão foi contrariada por um repórter do canal de televisão francês France 3, Hervé de Ploëg, que filmou a cena e garante não ter ouvido "nenhum tiro em direcção ao tanque", que disparou contra o hotel. Do ataque resultaram ainda três jornalistas feridos.

Nem só de Espanha vieram os protestos. As organizações profissionais de jornalistas condenaram o sucedido e pediram também explicações a Washington. A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) considerou mesmo o acto um "crimes de guerra". Por seu lado, os Repórteres Sem Fronteiras protestaram contra "o que parece ser um acto deliberado do Exército americano".


GIN

Publicado por agineotonico às 12:18 AM

dezembro 15, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê


“A nossa profissão mudou profundamente. Dantes, o jornalista era um especialista. A profissão contava com algumas grandes figuras e os efectivos eram limitados. Este tipo de jornalismo tem vindo a desaparecer progressivamente de há 20 anos para cá. O que era um pequeno grupo transformou-se numa classe. Ao leccionar cursos na Universidade de Madrid, verifiquei que, entre as redacções e as escolas se arrolavam, só nesta cidade, 35 000 jornalistas! Nos Estados Unidos, usa-se hoje o termo media workers para designar as pessoas que trabalham nos jornais. Isso ilustra o anonimato. Basta olhar para as assinaturas: nenhuma é conhecida. Mesmo na televisão, antes de chegar ao ecrã, uma notícia passa por dezenas de mãos, é cortada, fragmentada, para no final já não poder ser identificável com um autor. O autor desapareceu. É importante isto, porque, neste contexto, já ninguém é directamente responsável.”
(Ryszard Kapuscinsky, citado por Ramonet . I. in “A Tirania da Comunicação”)


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê

Publicado por agineotonico às 04:35 PM | Comentários (1)

dezembro 14, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê?

“Cepticismo. Desconfiança. Incredulidade. São estes, segundo os media, os sentimentos dominantes dos cidadãos. De uma forma confusa, toda a gente sente bem que alguma coisa não está bem no funcionamento do sistema da informação ...

Ninguém nega a função indispensável da comunicação de massas em democracia, pelo contrário. A informação continua a ser essencial para uma boa evolução da sociedade, e sabemos que não é possível existir democracia sem uma boa rede de comunicação e sem o máximo de informação livre. Toda a gente está absolutamente convencida de que é graças à informação que o ser humano vive como um ser livre. E, apesar disso, a suspeita pesa sobre os media.”

“Questionamo-nos sobre o futuro dos jornalistas. Eles estão em vias de extinção. O sistema já não os quer. Podia funcionar sem eles.

Ou, digamos antes, que aceita funcionar com eles, mas atribuindo-lhes um papel menos decisivo: o de operários numa produção em cadeia, como Charlot nos Tempos Modernos ... Dito de outra maneira, rebaixando-os para a categoria de retocadores de despachos de agência.

A qualidade o trabalho dos jornalistas está em vias de regressão e, com a precarização galopante da profissão, acontece o mesmo com o seu estatuto social ...

... Aos poucos , o sector dos media foi ganho, por sua vez, pelo neoliberalismo, e a informação tende a ser cada vez mais uma sub-empreitada entregue a jornalistas precários prontos para todos os fretes que trabalham as matérias que lhes são fornecidas e fabricam uma informação por encomenda.”
(in A Tirania da Comunicação – Ignacio Ramonet)


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê?

Publicado por agineotonico às 09:35 PM

dezembro 12, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(6)

No seu discurso de abertura da Cimeira sobre a Sociedade da Informação, o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, apelou à comunidade internacional para que ponha as tecnologias de informação ao serviço da democracia.

Kofi Annan defendeu que "a liberdade de opinião e de expressão é a pedra angular do desenvolvimento, da democracia e da paz".

Várias organizações não-governamentais, como a Repórteres Sem Fronteiras, acusam certos países de quererem utilizar a cimeira para legitimar o seu controlo sobre a Internet e reprimir os seus "ciber-dissidentes".

Na verdade, tudo está viciado à partida se atendermos às conclusões dos grupos de trabalho que antecederam esta Cimeira:

- "A questão do financiamento da expansão da Internet, de telemóveis, de computadores, de rádio e televisão, nos países pobres, ficou adiada";

- "No texto, as outras questões sensíveis - como a liberdade de expressão, o papel dos media, o controlo da Internet, e o respeito pela propriedade intelectual - também foram arrumadas em fórmulas de compromisso, deliberadamente vagas e ambíguas, e pela criação de grupos de trabalho";

- "O controlo mundial da Internet irá continuar, para já, a cargo de um organismo semi-privado norte-americano (o Icann - Internet Corporation Assigned Names and Numbers)";

- "A solução representa, em parte, uma vitória para os Estados Unidos que se opuseram à criação de uma nova instância reguladora da Internet, a funcionar na esfera das Nações Unidas";

- "O papel dos media acaba também por se resumir a uma declaração vaga, em que se reafirma "o respeito pelos princípios da liberdade de imprensa e de liberdade de informar", mas desafia os meios de comunicação social a "utilizar e a tratar a informação de maneira responsável".
(in Público)

GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê (6)

Publicado por agineotonico às 05:13 PM

dezembro 03, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(5)

Boaventura dos Santos no seu artigo de opinião “O país Porno” diz que:

“a informação internacional nos média globais dos países desenvolvidos obedece hoje a uma lei férrea.

Os países próximos e importantes são noticiados em função dos temas relevantes para o normal funcionamento da globalização neoliberal: o desempenho económico, as grandes reformas estruturais, as eleições, a luta contra o terrorismo.

Os países distantes e insignificantes são noticiados em função da sua extravagância ou anormalidade: catástrofes naturais, escândalos, corrupção, violência interna.

No primeiro caso, as notícias aprofundam a proximidade e a importância, enquanto no segundo sublinham a distância e a insignificância.”

Entre 1986 e 1998, Portugal foi internacionalmente referenciado segundo a lógica dos países próximos e importantes. Nos anos seguintes as coisas mudaram até passar a ser noticiado segundo a lógica dos distantes e insignificantes.

Nada disto seria muito importante, porque a “lógica dos media globais tem pouco a ver com a complexidade do que se passa nos diferentes países”, o que é grave, na sua opinião, é o impacto que tem sobre a auto estima dos portugueses que se assumem como país insignificante, que só vêm os seus escândalos e não se apercebem do que realmente é fundamental: “o escândalo do agravamento das desigualdades sociais e do retrocesso na integração europeia”.

Esta forma de difusão da informação global, não é por acaso.

Esta comunicação social “é controlada por grandes grupos económicos, servida por comentadores neoconservadores, interessada em que a realidade da injustiça social, do desinvestimento na educação e na ciência, da privatização da saúde e da segurança social e de uma política económica suicida não desestabilize um governo conservador do qual esperam algumas rendas de curto prazo.”


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(5)

Publicado por agineotonico às 07:36 AM

dezembro 02, 2003

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(4)

A Jornalista húngara Katalin Muharay há 10 anos correspondente em Portugal, escreve sobre a informação dos 3 canais de televisão generalistas portugueses: “demasiado longa, sem estrutura e, por vezes, afastada da realidade”.

Diz esta jornalista que o sentimento geral entre os correspondentes estrangeiros em Portugal é que “os noticiários deixaram de ser um instrumento de apoio ao nosso trabalho ... já não funcionam como fonte de informação, são entretenimento”.

Diz, ainda, que “colocar constantemente o microfone à frente da boca do «povo» ou explorar os sentimentos dos telespectadores é sensacionalismo e não informação."


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(4)

Publicado por agineotonico às 10:48 PM

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(3)

Paul Krugman, Professor de Economia na Universidade de Princeton e considerado pela revista “The Economist” como «o mais celebrado economista da sua geração», é um crítico da política da Administração Bush que considera como a mais perigosa dos últimos tempos.

Diz que as pessoas que estão no comando do país constituem uma coligação de radicais que acumula recursos há mais de 30 anos e que a política que seguem visa, se não forem parados, transformar por completo os EUA e os outros países ocidentais.

Na frente deste processo está a direita radical que controla o Congresso desde 1994 e, em particular, Tom DeLay que é um membro extremista da direita radical.

Na política internacional, estes radicais agem mostrando a sua força e utilizaram o 11 de Setembro para desenvolver uma política externa que nada tem a ver com o terrorismo, mas sim com a sua visão de mandarem no mundo.

O desaire no Iraque fá-los-á conter-se por algum tempo porque provavelmente teriam uma lista de 7 países para serem intervencionados.

Considera que Blair se tornou refém da Administração Bush e que a Europa tem, no seu conjunto, um poder igual ao dos EUA, mas que se mostra incapaz de se assumir como bloco porque está “mergulhada em diferenças internas sobre o euro, o pacto de estabilidade monetária e a política externa.

Dentro dos EUA sente-se um crítico isolado porque as pessoas têm problemas em criticar o Presidente depois dos acontecimentos do 11 de Setembro, e “muitos jornalistas hesitam em apontar o que está errado, porque seria uma forma de reconhecer que, antes, foram idiotas ... grande parte dos jornalistas hesitam em discutir (a política da administração), como se fosse extremismo discutir o que está diante do nariz”.


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(3)

Publicado por agineotonico às 09:02 PM

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.(2)

O General Loureiro dos Santos questiona o impacto das cada vez maiores capacidades de divulgação da informação dos conflitos em tempo real, nos sentimentos de adesão ou recusa aos “comportamentos e às justificações” que a opinião pública percepciona e em que medida é que isso inviabiliza o êxito das operações militares ofensivas (fora do território nacional).

Na sua opinião, a “mercenarização” das sociedades que “o que fazem é só por dinheiro”, tem tido reflexos nas forças armadas “o que parece pouco saudável, além de perigoso”.

Ele atribui à comunicação social um papel fundamental de controle sobre situações pouco claras ou abusivas, através da sua função informativa:

“o que surge como factor crucial é que não sejam travadas guerras sobre as quais não exista compreensão generalizada da justiça dos seus fundamentos e da indispensabilidade da sua realização, e que os valores por que se luta sejam suficientemente mobilizados e valham os sacrifícios que se exigem. E o que parece certo, e de aplaudir, é o poderoso travão que o ambiente mediático actual, constitui às guerras ofensivas insuficientemente fundamentadas, conduzidas pelas democracias”.
(“Democracia, media e guerra” in Visão)


GIN

COMUNICAÇÃO SOCIAL: quem diz o quê.

Publicado por agineotonico às 07:21 PM

O NOVO JORNALISMO FARDADO

Luís Maria Anson, jornalista de direita, em abril de 1985 publicou no jornal conservador ABC, uma proposta que visava pôr fim aos ideais independentistas do país Basco e onde se pode ler:

“dedicar, muitos milhares de milhões de pesetas anuais para financiar um plano que se estende das histórias aos quadradinhos às séries de televisão, das escolas à cátedra da universidade, dos empregados aos empresários, da divulgação popular à investigação científica, dos serviços de informação às mais subtis engrenagens das forças de segurança ... penetrar todos os tecidos do povo Basco de forma sistemática, estudada e bem financiada, com a grande verdade histórica de ser espanhol, para reconstruir o leito comum da pátria”.

Angel Rebalka, em co-autoria com Rui Pereira (jornalista free-lancer português), lançam o livro “Novo Jornalismo Fardado – El País e o nacionalismo Basco”.

O livro é, na opinião dos autores, um “combate pelo jornalismo, contra a criminalização da dissidência, do outro”.

Editado a partir da tese de doutoramento de Angel Rebalka que realizou uma pesquisa exaustiva do tratamento dado à informação sobre a realidade basca, feito pelo maior jornal diário espanhol, o livro denuncia as campanhas de grande mediatização de informação “devidamente tratada”, no sentido de criminalizar e discriminar os Bascos que têm ideias diferentes do poder de Estado Espanhol, com o falso pretexto de combate ao terrorismo.

Rui Pereira diz que “é um livro contra os crimes que o jornalismo está a cometer contra si próprio”.

Por seu lado, Angel Rebalka diz que “nesta e noutras coberturas mediáticas de conflitos é o risco de o jornalismo vestir a farda de serviço de «uma ancestral força que te faz ser o nome que te chamo porque detenho eu o poder de te nomear»”, atitude que, segundo os autores, o 11 de Setembro veio agudizar.
(in Visão nº 560)


GIN

A comunicação Social

Publicado por agineotonico às 06:12 PM

novembro 02, 2003

LE MONDE - tv americana para o Iraque

Washington lance une chaîne de télévision pour séduire le monde arabe
LE MONDE | 31.10.03 | 13h55
Comme Radio Sawa, qui couvre presque tout le Maghreb et le Proche-Orient, ce projet télévisuel ambitionne, à partir des Etats-Unis, de redorer l'image de l'Amérique.

Plus que jamais, en pleine occupation militaire en Irak, la Maison Blanche poursuit ses efforts pour redorer l'image de l'Amérique dans le monde arabo-musulman. Après avoir lancé, en mars 2002 à partir de Washington, Radio Sawa, qui couvre aujourd'hui presque tous les pays arabes, et après avoir mis en place le mensuel pour jeunes Hi dans les kiosques des grandes villes arabes au cours de l'été 2003, Middle East Television Network Arab (Metna), une chaîne de télévision américaine en langue arabe, est annoncée pour "la fin du Ramadan", c'est-à-dire en décembre. Avant de partir à l'assaut de ses concurrentes arabes Al-Jazira et Al-Arabiya, la future télévision américaine s'est donc déjà adaptée au calendrier musulman.


Comment l'opération est-elle perçue dans les pays arabes ? "Les Américains agissent sur le front médiatique comme sur le front militaire. Ils ont les moyens d'occuper le terrain, mais pas forcément de se faire entendre ou de se faire comprendre", résume, au Caire, un éditorialiste libéral peu suspect d'antiaméricanisme. Publiée par Al-Ahram Hebdo, l'opinion de l'universitaire Ahmed Loutfi est plus radicale : "L'administration américaine ne se trompe-t-elle pas en faisant l'amalgame entre ce qui a marché auparavant et ce qui pourrait se réaliser à présent ? Devenue une puissance agressive et conquérante, l'Amérique ne peut plus plaider de la même manière qu'elle le faisait du temps de l'URSS."

Dans le même journal, et sous le titre "Le plan Marshall des cerveaux", le journaliste Samar Al-Gamal ironise, lui, sur le contenu du magazine Hi, un "grand projet d'offensive del'administration Bush sur les coeurs des jeunes Arabes (...) pour diminuer le niveau de l'antiaméricanisme".

Dans les embouteillages du Caire, un chauffeur de taxi écoute Radio Sawa : "Elle programme de la bonne musique, mais pour les informations, je préfère regarder les chaînes satellitaires arabes", dit-il, prudent. Il explique en riant : "L'Egypte, qui a autorisé Radio Sawa à émettre chez nous, a été obligée d'autoriser aussi les radios privés égyptiennes." Ainsi, après l'arrivée de Sawa, s'est créée une autre radio, du même format, pour la concurrencer : Stars FM. "Tous les jeunes l'écoutent !", affirme le chauffeur.

A Washington, les promoteurs américains de Radio Sawa affichent leur satisfaction et des résultats exceptionnels. Selon un sondage commandé par Sawa, réalisé en juillet et août, en moins de deux ans, la station américaine aurait quadruplé son audience au Qatar chez les moins de 15 ans. Du Caire, ces chiffres sont pris avec prudence. Une source diplomatique française nuance : "Même si ces audiences sont gonflées, la réussite de Sawa est indéniable. Cette station s'est donné les moyens pour se faire entendre. Dans la majorité des pays de la région, mis à part le Liban, elle a réussi à supplanter des radios comme -la britannique- BBC ou -la française- RMC Moyen Orient". En plus du financement de ces nouveaux médias, le Congrès américain a débloqué un fond, estimé à 23 millions de dollars (19,8 millions d'euros), pour "aider" la presse arabe "à se restructurer".

"UNE CONCURRENCE ACHARNÉE"

Observateur attentif des médias de son pays, un éditorialiste du quotidien égyptien Al-Goumhouriya compare la politique des grands moyens de l'Amérique et ceux "dérisoires", selon lui, "des islamo-nationalistes". Pour appuyer ses propos, il évoque l'enlèvement, au mois d'août, d'un "courageux" chroniqueur égyptien d'Al-Ahram, Réda Al-Hilal. Un journaliste, écrit-il, qui "défendait le camp des libéraux, et fustigeait ceux qui dénonçaient l'intervention américaine en Irak sans critiquer la dictature de Saddam." L'éditorialiste poursuit : "Dans un de ses derniers articles, il s'en prenait à la dernière élection du (puissant) syndicat des journalistes en Egypte, dont 70 % des représentants élus sont soit islamistes soit nationalistes."
Enfin, dans Al-Ahram Hebdo, Samar Al-Gamal estime, lui, que "les Etats-Unis doivent s'attendre à une concurrence acharnée" car, "dans le monde arabe, ce sont les médias antiaméricains qui ont la plus forte audience."

Publicado por agineotonico às 11:00 AM | Comentários (1)

outubro 30, 2003

A ALTA AUTORIDADE PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL

A Alta Autoridade para a Comunicação Social propôs hoje que os tribunais libertem mais informação para os média e que permitam um maior acesso aos julgamentos, de forma a promover notícias mais rigorosas e isentas.
alertou ainda para a atitude que os meios de comunicação social devem ter perante a cobertura de um processo judicial. "A AACS considera de grande significado serem os órgãos de comunicação social a publicamente assumirem a especificidade e a dignidade da sua função"


A ALTA AUTORIDADE PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL deve andar distraída ... em vez desta proposta, deveria propor formação intensa e contínua para os "jornalistas" que tem acompanhado este processo.

Pela 1ª vez na vida, dou por mim a concordar que não permitam a entrada de jornalistas num julgamento deste tipo e, isto, porque não tem havido neste caso "notícias mais rigorosas e isentas" por parte da maioria dos jornalistas, nem os órgãos de comunicação social têm "publicamente" assumido "a especificidade e a dignidade da sua função"

GIN

Publicado por agineotonico às 07:45 AM | Comentários (1)

outubro 29, 2003

A COMUNICAÇÃO SOCIAL FOI AO CIRCO e falou com o leão que afinal não era

A Comunicação Social tem, nos últimos tempos, prestado um péssimo serviço ao país.
Sempre me habituei a encarar os órgãos de comunicação social como uma fonte de informação fidedigna, como um elemento importante da construção de uma cultura identitária colectiva.

Talvez isto se deva à minha idade, talvez que ter vivido até aos 18 anos num país de silêncio imposto, me tenha feito valorizar esta componente dos regimes democráticos - a informação livre.

Mas o que temos assistido passa para lá do admissível.

Os "jornalistas", meto a palavra entre aspas porque muitos não merecem este título, não têm qualquer sentido moral é ético, não fazem jornalismo, fazem cobertura dos acontecimentos de forma saloia e popularucha barata, não fazem jornalismo de investigação, fazem cobertura do pensar melodramático caracteristico dos incultos e desinformados.

Ontem foi um espectáculo mediático e peras ... deram a palavra ao psiquiatra de bibi, que no seu ar solene disse uma série de disparates, seguidos de perguntas ainda mais disparatadas ...

Manda a ética, que se tenha rigor e cuidado na recolha da informação.

Mas ontem, os "jornalistas" foram ao circo e entrevistaram o leão, o rei da selva, só que ele não era o leão, provou-se que era um simples animal ...

GIN

Publicado por agineotonico às 04:40 PM

outubro 26, 2003

JOSÉ ANT. SARAIVA: cegueira ou queda + à direita


José António Saraiva no "Expresso" de hoje mostra-nos o seu melhor.

Em portugal pede-se a cabeça das pessoas por tudo e por nada e, isso, está a arrastar o país para o caos, diz este senhor director do expresso.
Acrescenta, que os governantes, dirigentes políticos e altos funcionários cometem erros mas que a democracia prevê momentos para esses erros serem avaliados - as eleições.

Lista 16 exemplos de "pedidos de cabeças" ... foi pena não ter elaborado uma lista mais exaustiva onde constassem também os nomes de outros cargos eleitos como é o caso dos autarcas cujas cabeças foram afastadas dos lugares para que foram eleitos.

Fiquei a saber que há governantes, dirigentes políticos e altos funcionários que não cometem crimes, que apenas cometem erros.
Fugir aos impostos é erro, não é crime ...
Passar por cima da lei para favorecer amigos é erro, não é crime ...
Utilizar para proveito pessoal bens públicos é erro, não é crime ...

Fiquei a saber, também, que governantes, dirigentes políticos e altos funcionários que cometem "erros" ao longo do seu mandato, segundo JA Saraiva, deviam ser considerados inimputáveis como qualquer outro cidadão que se prove ter problemas graves do foro psicológico.

A democracia, vista pelos olhos de JA Saraiva, tem momentos para se julgar e avaliar os "erros" dos tais governantes, dirigentes políticos e altos funcionários, andar a criticar e a exigir cabeças por erros é criar um clima de instabilidade que torna impossível construir seja o que for, "cada membro do governo que se demite antes de tempo, cada dirigente da oposição que se demite fora de prazo, cada presidente de um organismo público que se demite ou é demitido a meio do mandato, não representa um passo em frente - representa um passo para trás na consolidação da democracia".

Para além de propor que se deixe o país a saque nas mãos de governantes, dirigentes políticos e altos funcionários que cometem "erros", que mais irá propor este estranhamente director do expresso? ...

Que os governantes, dirigentes políticos e altos funcionários passem a ter cargos vitalícios e que quem os critica leve na cabeça por criar instabilidade a quem governa?

Acabar com esta marmelada das eleições que só servem para gastar dinheiro e permitir que se critique em público tudo e todos?

Francamente ... isto é cegueira ou algo mais tenebroso????

GIN

Publicado por agineotonico às 12:53 AM

outubro 20, 2003

É URGENTE

Fiquei siderada com as notícias do "El País". Se a "Times" a falar sobre Bragança, não me pareceu relevante, esta que termina assim:
"os dez dias que se seguiram à prisão do apresentador Carlos Cruz, "a personagem mais popular da televisão", por suspeita de envolvimento no escândalo de pedofilia, a 31 de Janeiro, os telejornais passaram 574 peças informativas sobre o assunto, num total de 26 horas de emissão.
"Aqui autoflagelamo-nos no telejornal todas as noites", conclui um jornalista nacional não identificado pelo El Pais".
, faz-me pensar que é fundamental que se comece a pôr ordem na casa.

Quando digo pôr ordem na casa, não quero dizer que é necessário abafar o que se passa para que "os estrangeiros" não pensem mal de nós e não venham ao 2004, como já ouvi dizer.

Quero dizer que é necessário assumir com lisura o que se está a passar, que se comece a ter uma atitude decente perante as situações de corrupção acabando com a impunidade, que se dê mais instrumentos para que o Processo Casa Pia seja levado até às últimas consequências o mais rápido possível.

O que me parece estar em causa, neste momento, é a nossa incapacidade para nos vermos como pessoas responsáveis e capazes de nos unirmos em torno da exigência de apuramento das responsabilidades de todos os crimes e infracções que têm vindo a público.

Como é característica nacional, dividem-se opiniões, trocam-se galhardetes, a comunicação social demite-se do seu papel e deita foguetes, os casos são sucessivamente abafados ou prescrevem e, no final deste regabofe popularucho escondem-se as canas e ficará apenas na nossa memória colectiva .... uma colecção de anedotas que passaremos, já não de boca em boca que somos muito evoluídos, mas de mail em mail ou de blog em blog ...

É urgente dizer: basta de regafofe ....

GIN

Publicado por agineotonico às 07:53 AM | Comentários (1)

outubro 15, 2003

Se não nos pomos a pau ...

"O Governo decidiu suspender a publicidade ao Euro2004 na revista «Time», na sequência das notícias publicadas na edição europeia sobre a prostituição em Bragança."

Penso que o governo devia repensar a atitude que tomou.
Ela é, em primeiro lugar, uma tentativa de pressão sobre a imprensa quando a questão reside nos factos e não na notícia e, por outro lado, abre um precedente.
A continuar por este caminho, e tantas são as escandaleiras neste país, Portugal desaparecerá da imprensa mundial ....

Será interessante ver, quando do euro 2004, as pessoas irem dar a marrocos ou a outro sítio assim, pensando que portugal é uma parte desses países ....

Publicado por agineotonico às 07:28 AM

outubro 14, 2003

ADIVINHEM QUEM DISSE ESTA ...

«Ou deixamos a comunicação social ter um poder corporativo crescente que nos liquide, ou então temos o poder e a coragem de liquidar o poder corporativo da comunicação social»

1) BUSH
2) MAMÃ DALTON
3) ALBERTO JOÃO JARDIM
4) UM DOS VELHOTES DOS MARRETAS
5) ANA GOMES

7) CICCIOLINA

Publicado por agineotonico às 09:51 PM | Comentários (3)

outubro 09, 2003

TRISTE VER ESTE PAÍS ...

Há muito que deixei de ver televisão ... apenas, uma ou outra coisa quando me dizem que vai passar qualquer coisa de interessante.
Mas ontem foi de mais!!
Não se trata de saber se Paulo Pedroso é culpado ou inocente no Processo Casa Pia.
- É ver os órgãos de comunicação social assumir um papel ridículo e, mais grave ainda, desinformativo, acrítico, conivente com uma das partes no processo contra a outra. Na verdade, como criticar as pessoas comuns de criticar o julgar o caso fora dos tribunais quando os próprios jornalistas o fazem? quando os próprios jornalistas não informam, desinformam para manter o nível de audiências sem qualquer decência e ética profissional?

- Triste também é ver o PS a fazer de Paulo Pedroso um herói nacional, quando sobre ele pesam acusações graves (mesmo que esteja inocente) que ainda não foram a julgamento. Ver o Paulo Pedroso a preparar-se para voltar à Assembleia da República, com o apoio do PS, quando sobre ele pesam acusações desta gravidade. Quem apregoou que a "marcha branca" foi uma forma de fazer pressão sobre a justiça, que diz agora desta campanha de ontem que durante horas e horas inundou as televisões deste país??

- Triste ver ser posto em causa na praça pública, sem direito a defesa (devido ao segredo de justiça), quem trata da investigação deste processo. Que conhecimento têm os jornalistas, os políticos, alguns bloggers, para tecerem considerações sobre a inocência ou culpabilidade de qualquer um dos arguidos deste processo? Os advogados de defesa, entendo que o façam, faz parte do trabalho de defender os seus clientes, mas mais quem? Considerar que houve um erro processual que foi corrigido agora, é uma coisa, mas caluniar e insultar quem tem nas mãos um processo tão delicado como este é outra ...

- Mas mais triste ainda, é assistir a isto tudo sem que uma palavra seja dita sobre as crianças que foram sistematicamente violadas ao longo de anos e anos na Casa Pia de Lisboa ...

Algo de muito errado se está a passar neste país ...
Algo de muito errado se está a passar com os juízos valorativos dos cidadãos portugueses que têm obrigação de estar informados ...

GIN

Publicado por agineotonico às 08:29 PM | Comentários (6)

setembro 29, 2003

A IMPRENSA E A DEMOCRACIA

Que os órgãos de comunicação social têm andado , por vezes, a fazer um trabalho duvidoso e que muitos dos jornalistas têm um déficit de formação ética e profissional, já todos demos por isso.
A liberdade de expressão e a imprensa livre são um dos suportes fundamentais da democracia mas assiste-se hoje, com o apoio da maioria parlamentar, à concentração da imprensa nas mãos dos grandes grupos económicos.
"o que por aí existe já é suficiente para justificar o toque das campainhas de alarme para os democratas"

Publicado por agineotonico às 07:33 AM

setembro 27, 2003

NÃO VOU À MARCHA BRANCA PORQUE SÓ LÁ VÃO ESTAR ...

O autor do MATA-MOUROS apresenta as suas razões para não ir à marcha branca. Diz ele "Não vou à “Marcha Branca” porque muitos dos seus promotores não me merecem consideração.". Percebo que se sinta incompatibilizado com muitos dos participantes naquela iniciativa, até porque todos os partidos e "personalidades" estarão lá representados e seria difícil que tivessem as mesmas ideias e objectivos para aderirem a esta iniciativa. Mas a verdade é que a realização desta marcha não é da iniciativa das pessoas que o MATA-MOUROS refere. Sugiro, pois, que dê uma olhada para Marcha-Branca.

Publicado por agineotonico às 08:25 AM

setembro 21, 2003

a Calúnia começa por um vento muito ligeiro (brisa) e acaba ribombando como um canhão”

“Como tão bem se diz no Barbeiro de Sevilha: a Calúnia começa por um vento muito ligeiro (brisa) e acaba ribombando como um canhão”

Concordo, concordo com o Critico (http://criticomusical.blogspot.com/) e, em parte, com o Abrupto (http://abrupto.blogspot.com/) em relação ao MM. Mas será que não ler, apagar o link, é a melhor atitude?

Não me parece. Só o conhecimento faz com que as sociedades evoluam, mesmo que o processo de aquisição desse conhecimento se faça à custa de muita mentira, ou melhor, à custa da discriminação entre a verdade e a mentira (referimo-nos à verdade e à mentira não enquanto conceito, que sabemos subjectivo, mas enquanto tentativas de informação e desinformação conscientes, visando objectivos concretos).
É necessário investigar, é certo. A sociedade portuguesa para viver com alguma tranquilidade e com alguma confiança nos políticos tem de ser esclarecida.
Cabe às autoridades, também elas visadas pela necessidade de controle, investigar e esclarecer. Não é possível continuarmos no obscurantismo, que durante tantos anos nos foi imposto de forma clara, para continuarmos no obscurantismo camuflado pela ignorância e falta de informação. Nós os portugueses, homens e mulheres, que nunca ou quase nunca tínhamos ouvido falar de pedofilia temos o direito de ver esclarecido quem escreve sobre estas coisas e quais os seus propósitos ... e, por favor, não me venham dizer que este blog é feito na América ...
Concordo que o MM baralha, para voltar a dar e que, certamente, tem a ver com a defesa de alguns dos detidos preventivamente ... mas há factos, e estes têm que ser esclarecidos, sobretudo aqueles que são relacionados com figuras públicas e responsáveis políticos, porque são estes que mais têm beneficiado de impunidade e são estes que deviam ser mais penalizados por estarem em cargos que lhes impõe responsabilidade pública acrescida.
Não, não me digam que a história dos ministros, se os há implicados nesta história seja de que forma for, não tem de vir a público, isso é colaborar com a impunidade, é colaborar com uma rede de criminosos que durante anos actuou, e se não estivermos atentos continuará a actuar, no nosso país às custas de crianças desprotegidas para com as quais o Estado tinha obrigações de protecção e defesa ... e isso não queremos, queremos um processo de “Mãos Limpas”.

Tónico

Publicado por agineotonico às 05:02 PM