janeiro 08, 2005
De volta ...
mais descansada e, por isso mesmo, mais pacificada.
Mas sempre irreverente "comme il faut"...
Publicado por agineotonico às 06:01 PM | Comentários (4)
dezembro 31, 2004
A caminho de 2005

Publicado por agineotonico às 04:05 PM | Comentários (5)
dezembro 24, 2004
Aqui vão os meus votos ...
Publicado por agineotonico às 09:48 AM | Comentários (5)
novembro 24, 2004
Código aberto e Software livre
"Entre a comunidade de software, ciente de que código aberto e software livre significam praticamente as mesmas recomendações, dizer um ou outro na verdade significa tomar partido de um determinado grupo e de uma certa inclinação política. Para quem acha que, além da eficiência e da estabilidade de certos programas, é preciso construir alternativas mais justas de distribuição da produção e do conhecimento, o termo software livre parece ser a melhor opção".
(Rafael Evangelista)
Livre acima de tudo
Por trás de uma aparente distinção técnica, os termos software livre e código aberto, criados por Richard Stallman e Eric Raymond, escondem diferenças políticas e ideológicas
Rafael Evangelista
Não foi à toa que George Orwell, ao imaginar um futuro tenebroso em 1984, descreveu como um dos pilares de seu Estado autoritário uma polícia da informação, responsável pela fiscalização e pelo emprego da novilíngua. As palavras não são figuras inertes, que servem só para descrever coisas. No sentido, inscrevem-se também história e ideologias.
Também não é à toa que, no mundo do software livre, exista uma constante disputa sobre os nomes e as palavras utilizadas. Essa discussão, às vezes, torna tudo muito mais confuso para quem não participa do debate, mas é um sinal de que a comunidade, mesmo quando só quer se preocupar em fazer software, se ocupa também de questões políticas, de poder. Dizer é se colocar no mundo, é assumir posição. Afinal, há alguma diferença entre falar Linux ou GNU/Linux? Ou entre se dizer um adepto do movimento pelo software livre ou do movimento de código aberto? Há sim, e muita.
Para além das respostas simplistas e pragmáticas, a solução pode ser encontrada na história do movimento. Ninguém nega que tudo saiu das mãos e da cabeça do guru Richard Stallman que, ainda na década de 1980, delineou os princípios éticos do movimento. Na época, Stallman, fundador da Free Software Foundation (FSF, Fundação do Software Livre, em inglês), estabeleceu as quatro liberdades que fundamentam o movimento: o software deve ser livre para ser modificado, executado, copiado e distribuído. Ambos, o código aberto e o software livre, respeitam esses parâmetros.
Sem dúvida, Stallman continua sendo o grande filósofo do movimento. No entanto, a partir de 1991, ele se vê obrigado a dividir o palco com uma jovem estrela da Finlândia, Linus Torvalds. Carismático, empreendedor e sabendo usar melhor a internet, ele conseguiu dar solução a um problema que a FSF se dedicava há anos, construir um kemel que suportasse um sistema operacional alternativo. O kernel é uma parte central do sistema, responsável pela configuração e gerenciamento dos dispositívos (teclado, mouse, monitor etc). A FSF já tinha todo o resto da estrutura do sistema pronta e trabalhava no desenvolvimento de seu kernel. Linus foi mais rápido e, mantendo a filosofia livre, adotou soluções tecnicamente mais eficientes, criando o Linux, essa parte essencial do sistema.
O método de desenvolvimento adotado por Linus está em A Catedral e o Bazar, livro escrito por Eric Raymond, em 1997. A obra é também uma alfinetada em Stallman, acusado de adotar uma postura centralizadora de desenvolvimento. Raymond descreve o desenvolvimento GNU como se fossem catedrais, monumentos sólidos, construídos a partir de um grande planejamento central. Já o desenvolvimento adotado por Linus seria como um bazar, com uma dinâmica altamente descentralizada. Diz Raymond: "Penso que a criação mais esperta e de maiores consequencias não foi a construção do kernel em si, mas a invenção do modo de desenvolvimento Linux".
Alma hippie
Mas há mais na fala de Raymond com relação ao modelo Linux do que o elogio da técnica - embora o sucesso desta seja inegável. Stallman sempre foi uma figura politicamente muito atuante, não apenas no campo da informática. Mais velho, tendo vivido toda a experiência da luta pelos direitos civis nos EUA, Stallman carrega em seu discurso uma ótica pouco amigável às empresas. Em seu site pessoal, por exemplo, ao lado de artigos em favor do software livre, encontram-se também ensaios políticos sobre temas como a invasão estadunidense ao Iraque e o muro de Israel na Palestina. Raymond, por sua vez, é um ardoroso defensor da liberalização do uso de armas, tema usualmente mais ligado às bandeiras da direita.
Linus, por sua vez, além de ser politicamente mais moderado e pragmático, consegue criar uma identidade maior com a nova geração de programadores abaixo dos 40 anos, da qual Raymond faz parte. Essa geração, segundo Sam Willians, autor do livro Free as in Freedom, é mais energética e ambiciosa.
Desde a ascensão do trabalho de Linus, boa parte do tempo de Stallman tem sido gasta em pedidos para que todos refiram-se ao conjunto do software como GNU/Linux e não apenas Linux. Quer somente que seu trabalho, e de toda FSF, seja reconhecido.
Lutas que incomodam
Se o discurso politizado e a integridade radical de Stallman nunca foram de fácil digestão para os programadores da nova geração, ambos são ainda mais indigestos para os empresários. Raymond teve um papel decisivo na criação da alternativa mais ao gosto do paladar corporativo.
Em A Catedral e o Bazar, ele descreveu um processo de produção inovador e descentralizado, em que as alterações no software são rapidamente entregues à comunidade. Esta, testando e avaliando o produto, estabelecem uma espécie de seleção natural em que as melhorias sobrevivem e as soluções falhas são logo identificadas. O descrição encantou os executivos da Netscape, dona de navegador de internet que havia sido destruído pela ofensiva agressiva - e anti-competitiva, segundo os próprios tribunais dos EUA - da Microsoft e seu Internet Explorer. Em 1998, Raymond foi a peça chave no processo de convencimento dos executivos da Netscape para que liberassem o código.
O prestígio adquirido por Raymond, somado ao do carismático Linus, foram essenciais para que o movimento de código aberto (open source, em inglês) pudesse se estabelecer. Frequentemente, Stallman procurava - e procura até hoje - deixar claro que o free de free software (do termo original em inglês), não significa grátis mas livre. A confusão entre livre e grátis tornou-se a justificativa perfeita para que surgisse o termo código aberto, neutralizando a reivindicação política do movimento.
Não há diferenças substanciais entre o que os termos software livre e código aberto pretendem definir. Ambos estabelecem praticamente os mesmos parâmetros que uma licença de software deve conter para ser considerada livre ou aberta. Ambas estabelecem, na prática, que o software deve respeitar aquelas quatro liberdades básicas que a FSF estabeleceu. Mas os defensores do termo código aberto afirmam que o termo fez com que os empresários percebessem que o software livre também pode ser comercializado. Teriam sido mudanças pragmáticas e não ideológicas.
O próprio Richard Stallman diz não ver o grupo do código aberto como inimigo. "Nós discordamos dos princípio básicos, mas meio que concordamos com as recomendações práticas. Então podemos trabalhar juntos em muitos projetos", diz.
O fato é que a Iniciativa do Código Aberto (Open Source Iniciative, em inglês), entidade cuja criação foi proposta por Eric Raymond, significou uma polarização de poder com a FSF de Stallman. Como ambas as entidades e o movimento como um todo só cresceram nos últimos anos, isso não significou um enfraquecimento para Stallman.
Confunde ou explica?
Em seu livro de ensaios, Free Software, Free Society, Stallman argumenta com razão que o termo código aberto na verdade confundiu mais do que esclareceu. "O sentido óbvio para a expressão código aberto é: 'você pode olhar o código'. Essa expressão é tão ambígua quanto o termo free software (software livre) em inglês", escreve. De fato, não basta que um usuário possa ler o código de um programa para que ele seja livre. A liberdade para olhar o código é apenas uma das quatro liberdades fundamentais.
Stallman continua, colocando o dedo na ferida e apontando a despolitização do termo. "O principal argumento para o termo código aberto é que software livre deixa as pessoas inquietas. É verdade: ele fala de liberdade, sobre ética, sobre responsabilidade tanto quanto sobre conveniências. Ele convida as pessoas a pensar sobre coisas que elas poderiam ignorar. Isso desperta desconforto e algumas pessoas podem rejeitar a idéia por isso. Mas isso não significa que a sociedade vai ficar melhor se pararmos de falar nesses assuntos".
Há exemplos de como o termo código aberto tem sido usado de maneira traiçoeira. Em resposta às crescentes acusações de que os clientes de seus produtos não tem acesso ao código fonte (as linhas de instruções que formam um software), a Microsoft tem respondido com o seu programa Shared Source (algo como código compartilhado). Por esse programa, a empresa mostra partes do código de seus produtos a clientes como universidades e governos. Na prática, ela torna parte de seu código aberto, o que não significa que ela se torne adepta dos softwares livres. Para isso, o código deveria ser aberto a todos - e não só à vistoria de seus clientes - e deveria ter sua execução, distribuição e modificação permitidas livremente.
Entre a comunidade de software, ciente de que código aberto e software livre significam praticamente as mesmas recomendações, dizer um ou outro na verdade significa tomar partido de um determinado grupo e de uma certa inclinação política. Para quem acha que, além da eficiência e da estabilidade de certos programas, é preciso construir alternativas mais justas de distribuição da produção e do conhecimento, o termo software livre parece ser a melhor opção
Publicado em www.planetaportoalegre.net: 22/11/2004
Publicado por agineotonico às 09:48 PM | Comentários (1)
novembro 23, 2004
Entre o virtual e a realidade
"no futuro (...) vamos entrar num mundo em que a informação que recebemos tornará muito difícil a distinção entre o virtual e a realidade".
(Pacheco Pereira)
Não é no futuro, é hoje. Basta ver as Rádios, Televisões e Jornais e ... deitar uma olhada à comparticipação do "Abrupto".
Publicado por agineotonico às 05:53 PM
novembro 12, 2004
Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé
"Na condição de Presidente da Direcção dos Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé venho, em representação de toda a Associação e ao abrigo da lei da imprensa, cujo cumprimento é tão rigorosamente observado como o do código da estrada, referir-me aos dados biográficos de Sexa o Senhor Secretário de Estado da Defesa e Antigos Combatentes.
(...)Como é de uso, solicito seja esta carta publicitada com o mesmo destaque em ambos os lados, em papel reciclado e com fotografia tipo passe, a três quartos e a cores e sem que se possa ver a eventual barba de três dias.
Os dados divulgados, por incompletos, apenas se devem a um de dois factores: o primeiro e o segundo (...) Tive a rara felicidade de conhecer Sexa no infantário do Alto Calhabé, ainda ambos de calções e de bibe de riscado aos quadradinhos, quando os dois frequentámos as suas salas. Não o acompanhei depois, Sexa era super dotado, super rápido, super despachado, atributos que ainda hoje não tenho reunidos, o que muito me tem lixado a vida, diga-se "off record".
Mas, por questão da mais elementar justiça, complete-se com mais rigor o excepcional currículo que apresenta Sexa, o senhor Secretário de Estado da Defesa e dos pensionistas dos 150 euros anuais:
- Chefe de sala dos 4 aos 7 anos no Infantário do Alto Calhabé
- Declamador do poema A Baratinha na festa de Natal do mesmo infantário
- Controlador das crianças até 10 anos na colónia de férias da praia da Figueira
- Conclusão do exame de instrução primária, com distinção e palmas. Ganhou um relógio de pulso.
- Chefe de turma no segundo ano do ciclo preparatório na escola preparatória de Que Aios
- Exame do ciclo preparatório com a média de 13 valores, por desfaçatez do júri
- Membro honorário da Associação dos Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé".
(in Cabo Raso)
Publicado por agineotonico às 05:16 PM
O que é que tem o Barnabé?
Tendo andado por aí a visitar alguns blogues, parei para ler o elogio fúnebre de Arafat feito pelo pessoal do Barnabé. Pelos comentários pareceu-me estarem os rapazes a ser bastamente incompreendidos; eu sei, eu sei, eles não fundamentam nada do que dizem, mas porque não gosto de ver gente injustiçada decidi oferecer-lhes uma ajudinha.
Para isso, tentarei repor alguns factos históricos e contar um episódio em que a minha vida se cruzou com a causa palestiniana.
Vamos então à história. Como se sabe, Arafat nasceu terrorista e corrupto e passou toda a sua infância e juventude tentando encontrar o pretexto ideal para dar largas à sua natureza. Tendo estudado engenharia, engenhou numa das suas disciplinas curriculares um projecto chamado Estado de Israel, o qual começou a testar mesmo antes de acabar a licenciatura e que tinha como objectivo oferecer-lhe a cobertura ideal para dar largas à sua vontade de aterrorizar e corruptar.
O resto da história é conhecido: o terrorismo transformou-se no seu desporto favorito e foi aquilo que o manteve longe do aborrecimento dos salões de chá durante a maior parte da sua vida, durante a qual refinou algumas das sua técnicas preferidas, como viver sitiado entre ruínas.
Isto quanto às questões do terrorismo e da corrupção. Relativamente ao apodo de ditador, que muita perplexidade tem causada em algumas mentes mais ingénuas, deixem-me contar o seguinte:
Tendo eu saído de casa para ir à tasca do meu amigo Vicente comer uns carapaus fritos com arroz de tomate, quis o acaso que acabasse por partilhar a mesa com um refugiado palestiniano, o qual me contou algumas histórias da biografia de Arafat e das quais destaco:
O homem, como bom ditador, predicado do qual sempre procurou fazer-se acompanhar, dedicou uma parte da sua vida ao derrube do governo da Palestina democraticamente eleito em eleições livres e avalizadas pelos EEUU e Israel.
Não contente com a usurpação do poder, instalou a censura prévia, proibiu os partidos políticos e reprimiu, através de uma polícia bem armada e omnipresente toda e qualquer manifestação de dissidência.
Construiu uma série de palácios para férias na neve, férias na praia, férias no campo e férias na cidade (o chamado palácio governamental)
Aboliu o parlamento, dispersou a população e os seus representantes e construiu uma série de barreiras para evitar que pudessem encontrar-se, frequentar a escola ou, simplesmente, amar-se.
E se tudo isto não chega para definir a sua natureza ditatorial, disse-me o tal refugiado, deixando-me com um rabo de carapau atravessado na garganta, devo dizer-lhe que ainda esta manhã mandou dispersar uma manifestação com blindados e bala real. Aqui tem, disse-me ele, enquanto limpava calmamente a boca ao guardanapo.
Com este escrito espero ter contribuído para a reabilitação dos barnabés junto dos seus leitores habituais; afinal, nunca se sabe quando se irá precisar de alguém possuidor de uma daquelas bússolas que garantem a orientação nos corredores do poder.
(in O uno e o múltiplo)
Publicado por agineotonico às 08:08 AM
outubro 29, 2004
Estaremos nós a cultivar apenas a má-língua de um modo perfeitamente inconsequente?
A "cabala" e o "microscópio" são ornamentos apenas. Mas é verdade que a Dra Luísa Henriques levantou uma questão pertinente que põe em cheque todo este movimento de blogues. Até que ponto não estaremos nós a cultivar apenas a má-língua de um modo perfeitamente inconsequente? Pior: até que ponto não estaremos com isto a promover um civismo apático? Ainda é cedo para avaliar este problema. Pessoalmente, não acredito que este blogue em particular possa vir a ser um instrumento de pressão. Mas acredito nos blogues como movimento colectivo. Já há alguns exemplos de notícias que começaram nos blogues. É lícito esperar que os blogues funcionem no futuro como observatórios independentes que divulguem o que muitas vezes só se ouve em surdina.
De momento vejo este espaço como uma antecâmara de discussão. Eventualmente, haverá questões merecedoras de um envolvimento mais persistente e empenhado, o que passaria pelo envio de cartas a jornais e às entidades com responsabilidades. O que começámos a fazer- de um modo espontâneo devo confessar (não combinámos nada e até pensei que o blogue iria ser mais de divulgação de ciência)- foi uma espécie de levantamento de apreensões. Em menos de uma semana já escrevemos sobre o aborto, a política de ciência, o papel das universidades, a cultura do publish or perish, a Bial, a ONU, as avaliações fantasma, a política de não-ciência de Bush, etc... É impossível não passar por leviano com um cardápio destes. Mas também não vale a pena equiparar um blogue a um jornal. Nós não somos jornalistas e levamos isto como uma brincadeira séria.
(in Conta Natura)
Publicado por agineotonico às 11:58 PM | Comentários (1)
outubro 20, 2004
Algumas noções de Direito para blogueiros
"Legislação ou noções de Direito não fazem parte do currículo escolar. Legislação, em si, não é para lamentar, pois pressupõe a simples memorização de leis. Se estas forem revogadas, a memorização foi inútil.
Mais importantes, e menos voláteis, são as noções de Direito. Elas se fundam em princípios, sejam jurídicos, sejam sociais, orientando na elaboração das leis.
Dessas noções é que trataremos neste artigo. Destinam-se principalmente aos autores de blogs, mas podem ser estendidas a todos os interessados em utilizar a internet como forma de comunicação. O objetivo é suprir o conhecimento básico do Direito que deveria ser ministrado na escola, e proporcionar melhor compreensão das condutas que, se adotadas, podem evitar ações judiciais".
(acedido através do Memória Virtual)
Anonimato
Um blog anônimo hospedado em servidor estrangeiro dificilmente será alvo de um processo no Brasil. Isto porque o procedimento exige que o juiz brasileiro requeira ao colega estrangeiro, por meio do serviço diplomático, a retirada da página hospedada em outro país.
Um blog anônimo hospedado no Brasil, porém, pode ser facilmente retirado da internet, por meio de ordem judicial dirigida diretamente ao servidor, neste caso sujeito à lei brasileira. Além disso, o juiz pode determinar ao servidor a quebra do sigilo contratual e a informação do nome e outros dados do titular do blog. Ele, posteriormente, poderá ser alvo de um processo de indenização por danos morais ou mesmo criminal.
É bom frisar que a Constituição Federal garante a livre manifestação do pensamento, mas veda expressamente o anonimato (art.5º, IV) que, em princípio, poderá ser interpretado como má-fé do autor.
O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome (art.19 do Código Civil). No caso de um processo, o juiz determinará ao servidor que forneça o nome e dados verdadeiros do autor do blog, tal como na hipótese do anonimato, mas o uso do pseudônimo, por si só, não poderá ser interpretado como má-fé.
Disclaimer
A interação dos leitores pelos comentários é uma característica marcante dos blogs. Deveria ser óbvio que, por serem opiniões de terceiros, não representam necessariamente a opinião do autor. Porém, nem todas as pessoas conhecem um blog ou entendem sua estrutura de imediato. A função do disclaimer é exatamente a de informar a quem chega que o espaço dos comentários pode ser utilizado, inclusive para discordar do ponto de vista do autor, mas que a pessoa será responsável por aquilo que escrever.
O disclaimer, porém, não isenta o autor do blog de uma eventual responsabilidade civil ou mesmo criminal. Como o blogueiro é, tradicionalmente, a pessoa que detém o poder de autorizar os comentários, editá-los ou apagá-los, dependendo do sistema utilizado, a página de comentários está também sob sua responsabilidade.
Adotar posturas que possibilitem maior controle dos comentários, como impedir que sejam feitos em posts antigos ou cadastrar previamente quem desejar comentar, também ajuda a reduzir o risco de processos por comentários ofensivos. No caso de dúvidas quanto à possibilidade de identificar o autor, ou do comentário ser injustamente ofensivo a terceiros, é recomendável apagá-lo, pois o autor do blog pode ser responsabilizado juntamente com o autor do comentário.
Os tipos de responsabilidade jurídica
Um comentário ofensivo pode gerar dois tipos diferentes de responsabilidade jurídica: a responsabilidade criminal e a responsabilidade civil.
A condenação criminal, em regra, resulta na prisão do culpado, mas em crimes leves – como nos casos de crimes contra a honra – a prisão pode ser substituída por prestação de serviços à comunidade e/ou multa.
A condenação civil é sempre patrimonial e consiste no pagamento de uma indenização à vítima pelos danos sofridos.
Os tribunais têm entendido, corretamente, que somente a pessoa física pode ser vítima de crimes contra a honra. As empresas, portanto, não podem ser vítimas de crimes contra a honra e somente poderão acionar o autor das ofensas no juízo cível.
Responsabilidade penal
Três são as modalidades de crimes contra a honra: calúnia, difamação e injúria.
** A calúnia (art. 138 do Código Penal) é a imputação falsa de fato criminoso a alguém. Para a sua caracterização é necessária a descrição do falso crime. Ex: uma postagem na qual o autor afirma que viu Tião Medonho furtando livros na biblioteca na noite anterior. O uso de expressões como "ladrão", "bandido", "corrupto" etc. caracteriza o delito de injúria, não o de calúnia.
** A difamação (art. 139 do Código Penal) é a imputação de fato ofensivo à reputação de alguém. Ao contrário da calúnia, aqui não há necessidade de que os fatos sejam falsos. Ex: uma postagem na qual o autor afirma que viu Patrícia Angélica se prostituindo na noite anterior. Mesmo que a informação seja verdadeira, caracteriza-se a difamação. É bom frisar que a simples postagem "Patrícia Angélica é uma prostituta" configura a injúria, pois na difamação deve haver a descrição do fato desonroso.
** A injúria (art. 140 do Código Penal) é qualquer ofensa à dignidade de alguém. Na injúria, ao contrário das hipóteses anteriores, não se imputa um fato, mas uma opinião. É caracterizada principalmente pelo uso de palavras fortes: ladrão, prostituta, idiota e, muitas vezes por expressões de baixo calão. Ressalte-se ainda que a injúria terá a pena aumentada se praticada com elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem.
Evidentemente, em todos os casos acima, para a caracterização dos crimes é necessário que as ofensas sejam proferidas contra uma vítima determinada. A afirmação vaga de que "há uma colega na minha sala que é prostituta", sem a possibilidade de determinar a quem o autor se refere, não configura o crime.
Responsabilidade civil
A ação de indenização por dano moral tem por fim uma reparação econômica pela desonra sofrida.
Inicialmente destinada às pessoas físicas, acabou sendo reconhecida também como instrumento de tutela dos direitos da pessoa jurídica (Súmula 227 do STJ).
Ao contrário da esfera criminal, na qual estão expressamente previstas as condutas proibidas, na esfera cível há tão-somente a determinação que:
Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. (art.186 do Código Civil)
Conclui-se, pois, que são necessários os seguintes pressupostos:
1. Ação ou omissão: tanto o autor dos escritos quanto o responsável pelo blog que permitiu a postagem de comentários ofensivos à honra de alguém podem ser responsabilizados pelo dano moral;
2. Dolo ou culpa: age com dolo o agente que agiu ou omitiu-se intencionalmente. Age com culpa quem não desejava o resultado, mas por negligência ou imprudência gerou o dano;
3. Dano: não há responsabilidade civil sem dano. O dano pode ser material (ex: a vítima deixar de fechar um contrato milionário em virtude dos escritos) ou moral (ex: a vítima ter sua respeitabilidade maculada pelos escritos);
4. Nexo de causalidade: é imprescindível comprovar que a ação ou omissão do agente foia causadora do dano material ou moral.
Nota-se que, por sua própria natureza, a responsabilidade civil é, ao contrário da esfera criminal, absolutamente indeterminada, sendo definida pelo juiz na análise de cada caso.
A sugestão de valor de indenização por danos morais feita por advogados não é, por si só, indicativa do valor da indenização ao fim do processo. Esse valor é decidido exclusivamente pelo juiz, após analisar todas as provas juntadas aos autos, inclusive as que comprovarem o prejuízo sofrido.
Alguns cuidados na redação de críticas
** A crítica deve ser objetiva. Isso significa que ela não deve ser feita à pessoa, mas a um fato, a algo que ela fez. Numa crítica literária, deve-se discutir a obra, não o autor. Numa crítica ao comportamento de alguém, deve-se criticar apenas a atitude desagradável.
** As críticas subjetivas, em regra, são possíveis tão-somente quando atacam uma opinião, e não uma pessoa. É lícito dizer que é estúpido o raciocínio simplista de que aumentando a pena diminui-se a criminalidade. Mas deve-se evitar dizer que a pessoa que emitiu esta opinião seja estúpida. Ainda que eventualmente os raciocínios estúpidos sejam provenientes de pessoas estúpidas, uma afirmação como essa não pode ser considerada uma ofensa, pois mesmo indivíduos brilhantes emitem opiniões infelizes.
** Deve-ser evitar criticar uma empresa sem ter algo contra ela. A reclamação pode ser feita, sim. Mas quem reclama deve fazê-lo com base em fatos, não em suposições, ou porque ouviu alguém reclamar. A crítica aos serviços das empresas pode ser considerada de utilidade pública, mas deve ser dirigida ao serviço prestado, não ao dono ou à empresa como um todo, a menos que quem critique realmente tenha algo contra eles, e possa provar isso.
** Se uma empresa reclamar por e-mail do que foi escrito sobre ela, é aconselhável que o autor do blog convide-a a integrar o debate e se manifestar no espaço de comentários, dando-lhe a oportunidade de emitir sua opinião e, porventura, alterar a opinião dos demais debatedores. Não há, em princípio, a obrigação de retratação ou de retirada de comentários, a menos que os termos usados tenham sido realmente desrespeitosos e ofensivos.
** Não se deve usar o nome de uma pessoa para expô-la ao desprezo público, como nas "páginas de ódio". Isso é vedado pelo art. 17 do Código Civil. Evitar expor o e-mail de um desafeto também é aconselhável para não se perder o controle do debate ao estendê-lo a terceiros, nem aumentar a possibilidade de ofensas ou prejudicar o funcionamento normal do e-mail da pessoa.
** O autor do blog tem o dever de cuidar da veracidade da informação que vai publicar, verificando sempre a origem da notícia que será divulgada. Por mais que o blogueiro tenha orgulho em ser pato do Cocadaboa, não deve divulgar boatos ou fatos não-confirmados.
** Não se pode esquecer que, mesmo usando pseudônimo, o conteúdo do blog pode facilitar a identificação de seu autor, seja por amigos ou colegas de trabalho. Assumir um pseudônimo exige cuidado redobrado nas informações disponibilizadas para não dar margem à interpretação de que o pseudônimo foi usado para fornecer informações que não seriam publicadas se fossem feitas com o próprio nome.
** A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) protege o direito do autor de ter seu nome associado a sua obra. Sempre que o responsável pelo blog mencionar algo que não é de sua autoria deve indicar o nome do autor e a fonte de onde o texto foi retirado. Se a pessoa não souber quem é o autor, deve explicar que o trabalho é de autoria desconhecida. Preferencialmente, o trabalho de outrem deve ser destacado do trabalho do autor do blog, seja por fonte diferente, recuo de margem, ou outro recurso que não deixe dúvidas quanto à autoria de cada um.
** Em hipótese alguma se pode alterar o texto de terceiros sem autorização expressa do autor, pois isso também constitui infração prevista na Lei de Direitos Autorais.
Em caso de processo
** Guardar as mensagens de advogados (sejam por e-mail ou por correio tradicional) requerendo a retirada de artigos ou comentários do blog em tom ameaçador e arbitrário é uma boa providência, pois as mensagens poderão ser incluídas na instrução de um eventual processo.
** Se uma pessoa receber notificação assinada por advogados, mas tiver dúvidas sobre a sua autoria, deve procurar informações na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Como princípio básico, advogados sempre acrescentam o número da OAB e a região de registro (MG, SP, RJ, PR etc.) à assinatura. Quem se apresentar como advogado sem ter habilitação legal para isso pode ser processado por falsidade ideológica.
** A notificação, apesar da formalidade, é um ato extra-judicial que não obriga o notificado a fazer nada. É realizada por um cartório de notas e se destina a comunicar um fato ou requerer uma ação de alguém. Não é necessário haver processo para ser feita a notificação. Seu descumprimento pode ser utilizado como prova em posterior processo judicial, mas não há qualquer obrigação legal de cumpri-la.
** Caso o autor do blog receba uma citação, deve procurar um advogado de confiança, pois já foi iniciado um processo judicial e, neste caso, é imprescindível a assistência jurídica.
** A liminar é uma decisão judicial concedida pelo juiz sem ouvir a parte contrária, com o fim de evitar um prejuízo maior à suposta vítima. Por mais arbitrária que ela possa parecer, deve ser cumprida, imediatamente, na íntegra. Posteriormente, com a assistência de um advogado, pode-se reverter essa decisão no julgamento definitivo da causa.
Uma última palavra
Não pretendemos esgotar o assunto com esse guia, mas apenas orientar os colegas blogueiros sobre os efeitos jurídicos de seus atos. Traçamos linhas gerais de conduta, e explicamos os problemas mais comuns, na esperança de ver minimizadas as ações judiciais contra textos publicados na internet.
As orientações aqui constantes são baseadas nos entendimentos majoritários dos Tribunais e não quer dizer que necessariamente concordemos com todas elas. Nem todos os casos estão previstos aqui, e nem sempre este guia será o bastante, o que torna essencial ter um advogado de confiança para consultar em caso de dúvida.
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=298ENO001
Publicado por agineotonico às 10:11 PM | Comentários (1)
outubro 07, 2004
Jack Stroke
Depois do relatório sobre a armas de destruição em massa concluir que o Iraque não tinha nem estava em vias de ter essas armas, Jack Straw afirma: "Saddam era pior do que se imaginava".
Perante estes resultados da Comissão, gostaria de saber se não seria possível um grupo de cidadãos levar ao Tribunal Internacional uma queixa contra os responsáveis dos países da coligação que procederam à invasão de um país soberano.
Seria um acto de cidadania maior do que assinar petições sobre "a libertação da Lúcia" e o "Luís Delgado para o Iraque já", que, tendo graça, não constituiu um exercício sério da mesma, não nos coloca numa posição de inegável desacordo com a política internacional da actual administração americana, nem faz de nós defensores sérios dos direitos humanos. O mesmo em relação ao conflito Israel/Palestino, que já não tem os contornos de conflito mas de genocídio puro.
A ineficácia dos nossos "discursos" (muitos deles medrosos) sobre a nova política expansionista e belicista da economia neoliberal não se traduz em nenhuma "acção" concreta. De certa forma é como estarmos calados e "quem cala consente".
Não sei como fazê-lo, porque os meus conhecimentos não mo permitem. Mas seria uma iniciativa que, não só considero necessária para dar visibilidade às vozes que se mantêm discordantes com as novas políticas hegemónicas, como mostraria que ainda sabemos ser cidadãos de voz activa.
Publicado por agineotonico às 07:47 AM | Comentários (2)
outubro 01, 2004
Retalhos do País dos Cedros
"Libano. Quase 11.000 Km2 de superfície, alguns roubados por Israel na parte sul do país. Quatro milhões de habitantes. Um autentico cadinho multi-racial e multi-religioso. Lado a lado, mesquitas e igrejas católicas, mulheres cobertas da cabeça aos pés, e meninas de mini saia, óculos escuros, sapatos de salto alto. Não as diferenciamos daquelas que vemos em pleno Champs Elysées de Paris. Apesar do anti americanismo vigente, podemos ver, atónitos, em plena capital, a grande Universidade Americana. Com professores americanos. Alunos libaneses. Há contudo um discernimento. "Da América, chega-nos muita coisa boa. A sua Politica é que é vergonhosa" - afirma qualquer libanês, ocidentalizado ou não. Islamico ou não."
Publicado por agineotonico às 10:59 AM | Comentários (2)
setembro 27, 2004
Constatação
Já no tempo de Salazar
Se dizia que a carreira de um político se dividia em 3 fases:
A pista, a pasta e a posta.
Passados todos estes anos, em democracia, o sistema vai-se reconstituindo.
Publicado por agineotonico às 04:17 PM | Comentários (4)
setembro 25, 2004
O nome dos objectos
O rapa-tachos há muitos anos que lhe foi dado nome
Salazar
Se forem a uma estabelecimento comercial de utilidades domésticas e pedirem 1 Salazar, lá terão o vosso rapa-tachos.
... e eis que, passados uns anos, ...
O tacho também já tem nome;
Celeste Cardona
Se forem a estabelecimento comercial de utilidades domésticas e pedirem 1 Celeste Cardona tamanho 40, lá terão um tacho tamanho 40.
(in Navego, logo existo)
Publicado por agineotonico às 12:44 PM | Comentários (2)
setembro 20, 2004
Sai um PPR-E para o Daniel (embora os PPH sejam melhores...)
Daniel Oliveira do Barnabé colocou este post : Heresia: por uma vez Bagão tem razão
jmf do "Terras do Nunca" responde assim:
"O Estado precisa de se financiar para pagar alguns serviços que nos presta (cada vez menos... veja-se o aumento dos passes, já no mês que vem) e uma data de mordomias a uma gajada da côr (veja-se o affair Mira Amaral...).
O Estado decide então pôr a chamada classe média - basicamente a malta que trabalha por conta de outrém, que produz riqueza, e não tem maneira de fugir aos impostos - a pagar a despesa. E vai daí saca-lhe nas taxas moderadoras, nos benefícios fiscais, nas portagens... Tudo junto, há famílias remediadas que irão à falência.
O Estado poderia ter optado por sacar o dobro da massa no off-shore da Madeira, nos bancos cá da terra, ou mesmo de duas ou três empresas de sucesso cotadas na Bolsa e tudo e que usam os esquemas mais manhosos para não pagarem um tusto.
Mas não, a classe média é a vítima perfeita. Porque só a classe média seria roubada desta maneira e ainda aplaudiria. Porque a classe média é, por definição, uma classe cheia de complexos - já foi pobre, subiu na vida, e olha para baixo com um misto de arrogância e comiseração. Ponham-lhe um ministro beato a anunciar justiça social (vejam bem, não é preciso que faça, basta anunciar...) e a classe média desfaz-se em lágrimas.
O Daniel Oliveira [Barnabé], já se percebeu, é da classe média.
[PS: os planos poupança não mordem, Daniel. São dóceis - qualquer banco lhe faz dois ou três em cinco minutos. Não se meta com advogados ou contabilistas... Nunca viu os milhares de contos que os bancos gastam em publicidade no fim do ano? Se calhar, o Daniel não conhece bem o país e há muito mais gente a usar esses bichos-de-sete-cabeças do que imagina - eles servem, por exemplo, para comprar casa ou ajudar a pagar a universidade. Luxos...]"
Esta é uma boa discussão.
Publicado por agineotonico às 07:45 PM
setembro 19, 2004
Citação
"Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa."
Eça de Queirós (1845-1900); escritor Português.
Fui buscar esta pérola aqui.
Publicado por agineotonico às 11:18 PM | Comentários (1)
setembro 16, 2004
Parabéns atrasados
Vão atrasados os parabéns mas mais vale tarde que nunca ...
Publicado por agineotonico às 12:11 AM
setembro 10, 2004
Parabéns

Confesso aqui que já me tenho irritado a ler o Barnabé, mais pelos comentários que ali são deixados que pelos seus post, mas também com alguns destes.
A verdade é que também ali me tenho rido a bom rir com o humor, tenho questionado as minhas ideias e tenho aprendido coisas.
Já aqui disse que considero este blog um dos melhores da blogosfera, mesmo que por vezes “politicamente correcto”. Tem sido, sem dúvida, um local de contestação ...
O Barnabé faz hoje um ano e eu quero deixar aqui os meus parabéns ...
Pode ver um álbum de fotos que encontrei e que deduzo é dos Barnabés e, ainda, a história do nascimento do blog (ver item 090) até aos nossos dias ...
Publicado por agineotonico às 09:02 PM
julho 28, 2004
Não sei como vim parar aqui
Depois das alterações no weblog.com.pt, que deu origem às célebres listas diferenciadas e, posteriormente, ao fechar desta lista a muitos outros blog, confesso que não faço a mínima ideia como comecei a aparecer aqui agora ...
Publicado por agineotonico às 04:29 PM | Comentários (1)
junho 13, 2004
ABSTENÇÃO E ABSTENCIONISTAS
Em relação ao post e comentário de João Tilly sobre a maioria absoluta dos abstencionistas gostaria de dizer o seguinte:
1) a abstenção não é um voto. Na situação actual, porque pode haver situações em que se justifique, o voto exprime uma posição. Seja ele em qualquer um dos partidos concorrentes, seja em branco, o voto expresso nas mesas eleitorais é a voz dos cidadãos participantes;
2) a abstenção, no actual estado das coisas, mistura uma série de posições mas é marcadamente "um não me interessa";
3) tentar "ler" a abstenção como um voto expresso e dar-lhe o nome de maioria absoluta é uma tentativa de aproveitamento quer dos que não se interessam, quer dos que se sabe "estarem a mais" nos cadernos eleitorais por deficiência de regularização dos mesmos.
Publicado por agineotonico às 01:41 PM | Comentários (3)
maio 25, 2004
Honestidade Intelectual de Pacheco Pereira
Pacheco Pereira no Abrupto num post de título “Formas de economia da indignação” faz referência à lista dos 10 piores lugares do mundo para o exercício do jornalismo elaborada pelo Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).
Como não poderia deixar de ser, JPP aproveita para fazer a defesa da política agressiva dos EUA e “desancar”, com a sua autoproclamada honestidade intelectual, aquilo a que insiste em chamar de desonestidade intelectual de todos os que não concordam com ele e com Bush.
Uma das acusações que faz continuamente, e este post não foge à regra, é a da parcialidade das críticas quando se trata do envolvimento dos EUA. Parcialidade esta, segundo a sua opinião, motivada por um anti-americanismo evidente.
Como vem sendo hábito também, empunha a bandeira das comparações como se todos os que estão contra a política externa da actual administração americana e, em particular com os acontecimentos no Iraque, sejam defensores dos “papões” de Cuba (país, pedra de arremesso privilegiada), do Zimbabwe, e de todos os outros países que cometem violações aos direitos humanos e, neste caso, violações a um dos principais garantes das democracias – a liberdade de imprensa.
A honestidade intelectual de JPP é evidente neste seu post quando omite que o CPJ, nesse mesmo relatório, refere que mais de 25 jornalistas morreram enquanto cobriam a guerra no Iraque e que, pelo menos, 7 foram mortos por tiros disparados pelos soldados americanos, enquanto outros jornalistas, na sua maioria árabes ou iraquianos, foram detidos e maltratados pelas tropas de ocupação. Omite ainda que pelo menos 6 jornalistas iraquianos foram assassinados e outros ameaçados sem referência a quem o teria feito, provavelmente por falta de provas.
O Iraque aparece em primeiro lugar nesta lista mas com uma forte contribuição dos Estados Unidos e JPP brilha como dono da honestidade intelectual do nosso país.
Terry Loyd, jornalista da TV britânica ITN, morreu ao ser baleado por disparos das tropas anglo-americanas nos arredores de Basra, no sul do país. Dois outros membros de sua equipe, um cinegrafista francês e um intérprete libanês, estão desaparecidos e não há esperança de serem encontrados com vida.
Um intérprete de um correspondente da BBC morreu durante o ataque de um avião norte-americano contra um comboio curdo-americano que causou a morte de 18 pessoas perto de Mossul, no norte do Iraque.
Mortes de um dos correspondentes da TV por satélite do Qatar, Al Jazeera, de um cinegrafista espanhol da Telecinco e de outro da agência Reuters na explosão de um disparo de tanque contra o Hotel Palestine, em que se hospedavam jornalistas em Bagdá. feriu três outros jornalistas daquela agência.
O jornalista da Al-Jazeera, Tarek Ayub, um jordaniano de origem palestina, morreu vítima de um bombardeamento ao escritório da rede, que feriu também um outro funcionário.
Publicado por agineotonico às 12:29 AM | Comentários (3)
maio 08, 2004
A net de JPP só dá acesso ao ABRUPTO
"A maioria dos jornalistas portugueses são simpatizantes da causa palestiniana e hostis a Israel. Dir-se-á que são hostis a Sharon e não a Israel (como se dirá que são hostis a Bush e não aos EUA), mas, na prática, é uma distinção pouco operativa e um pouco desculpatória ... Talvez por isso se perceba que nenhum jornal português traria na capa e com o mesmo destaque do "Daily Telegraph" as fotos da mãe grávida e das quatro meninas, entre os dois e onze anos, que foram mortas em Gaza, à queima-roupa, por dois terroristas palestinianos esta semana. São os mortos israelitas "melhores" do que os palestinianos? Obviamente que não: todos os civis inocentes mortos são exactamente iguais e as crianças palestinianas merecem a mesma repulsa e dor. Mas, a não ser numa amálgama já ideologicamente motivada, não se pode colocar estas mortes no mesmo prato político. Não resultaram de um engano, de um míssil com um alvo militar ou paramilitar, que apanhou inocentes, não foi um "dano colateral", foi um alvo deliberado e intencional. A assinatura dos assassinatos também é nova - os terroristas representam uma coligação que vai da Fatah ao Hamas."
Este discurso é de uma hiprocrisia detestável. Pacheco Pereira é uma pessoa "informada", pelo que esta conversa é uma vergonha. Assim, deixo aqui algumas páginas onde pode informar-se dos assassínios de crianças palestinas, leia-se assassínios acidentais ou assassínios colaterais para JPP.
As a result of the Israeli indiscriminate shelling, 5 Palestinian civilians, including 3 children, were killed
http://electronicintifada.net/cgi-bin/artman/exec/view.cgi/7/1258
Salem is being held under in administrative detention in Ketziot prison in the Negev. He was arrested at the start of 2003, aged 17, and taken to Qadumim prison where he served six month of administrative detention. On 21 June, the day he was due to be released, the Israeli General Security Services slapped a further six-month sentence on to his detention order. After an appeal, this was commuted to four months, but on 20 October 2003, the day he was due to be released, he was sentenced to another four months. The arbitrary extension of administrative detention orders is a common practice by Israel.
http://electronicintifada.net/v2/article2312.shtml
One of them is 15 year-old Mohammed Salem Al-Harbawi from Hebron, who was arrested last week on 20/07/03. He was taken to Atzion detention centre where he has been visited by a lawyer, but has been unable to see or communicate with his family. The unhygienic conditions in this centre mean that most inmates, including Mohammad, suffer from skin diseases, including boils. Mohammed was affected so badly that he was taken for hospital treatment on 28/07/03. After the doctor had examined him, Israeli border guards took him back to the prison. On the way, the guards stopped the jeep and started to attack him inside the vehicle. The five guards beat him to such an extent that he lost consciousness.
http://electronicintifada.net/v2/article1789.shtml
B'Tselem has found that in many cases IDF soldiers fire live ammunition at civilians who are outside their homes during curfew. Over the past four months, soldiers have killed fifteen Palestinian civilians in these circumstances. Twelve of the dead were under the age of sixteen. Testimonies presented in the report also describe the firing of tear-gas at civilians, both to notify the residents of imposition of curfew and to punish residents who were ostensibly violating curfew.
http://electronicintifada.net/cgi-bin/artman/exec/view.cgi/4/793
A month into the Palestinian school year, the UNICEF Special Representative in the Occupied Palestinian Territory, Pierre Poupard, today expressed serious concern over the number of Palestinian children being prevented from attending school by Israel-imposed restrictions. "Right now the Israeli military is preventing thousands of Palestinian children and teachers from attending school," Mr Poupard said. "A generation of Palestinian children is being denied their right to an education."
http://electronicintifada.net/cgi-bin/artman/exec/view.cgi/4/762
This attack left dead 11-year-old Tariq Majdi al-Sousi, who was killed while on his way to school, and injured 11 civilian bystanders, including 3 children. The condition of one of these children was described as critical. According to eyewitnesses, al-Sousi was thrown off his feet by the explosion and hit a nearby tree. He was evacuated to the hospital while in a very serious condition, soon after which he died. According to medical sources at Shifa Hospital, al-Shami is still in a serious condition
http://electronicintifada.net/v2/article2410.shtml
On March 16, Rachel Corrie, a 23-year-old American peace activist, was crushed to death by an Israeli army bulldozer. She was killed, trying to protect the home of a Palestinian doctor, his wife and three children. Less than one month later, Tom Hurndall, a young photographer, was shot in the head by the Israeli army in Rafah. He currently lies in a vegetative state at the Royal Hospital for Neurodisability in Putney after suffering severe brain damage from which he is not expected to recover. On May 2, James Miller, an award-winning British TV cameraman, who was making a documentary about Palestinian children in Rafah, was shot dead by the Israeli army.
http://electronicintifada.net/v2/article2319.shtml
In the latest attack on civilians, three Palestinians were shot dead by Israeli soldiers yesterday evening in central Gaza Strip. Contrary to claims made by the Israeli military, the three men, all from the same family, were unarmed and were shot as they drove a car to visit relatives for the Eid holiday.
http://electronicintifada.net/v2/article2210.shtml
Those killed in this Israeli attack are Iman Matar (27) and her children Ayman (18 months), Mohammad (4) and Diana (5); Mona al-Huwaiti (30) and her children Subhi (4) and Mohammad (6); Mohammad al-Shawa (40) and his son (5); Diana Raed Matar (two months); and Ala Matar (11).
http://electronicintifada.net/cgi-bin/artman/exec/view.cgi/4/265
GIN
Publicado por agineotonico às 04:58 PM | Comentários (1)
abril 26, 2004
Há dias gratificantes
Passeio-me por muitos blog ... já faz parte do meu dia-a-dia, do meu chegar a casa e descontrair de um dia de trabalho.
Mas há dias em que é muito gratificante este "passeio" porque nos deparamos com posturas que nos surpreendem, que mexem connosco, que nos fazem sentir que a solidariedade e a capacidade para olhar para os outros para além dos nossos preconceitos, ainda existe ... esta é uma homenagem e um obrigado ao Paulo Querido pelo seu texto "A heroína do 25 de Abril".
GIN
Publicado por agineotonico às 03:09 PM | Comentários (1)
abril 22, 2004
Não compro essa ...
Troca de comentários aqui do blog:
"Alguns dos vossos comentários são anti-semitas e anti-americanos, se é que percebem ainda o que isso representa!
Morreram milhões de judeus na II Guerra (com o apoio dos islâmicos), e também ao longo de várias perseguições centenares. Chega ou ainda não?
O alvo Sharon ou Bush é só um pretexto dos "pacifistas" de hoje, como o foi defender o não-intervencionismo quando a Alemanha de Hitler invadiu a Checoslováquia. Tal como hoje o que importa é distrair as atenções, esconder o essencial e falar apenas do acessório. A questão não está em gostar do Bush ou do Kerry, a questão está em querer ou não derrotar o fascismo islâmico!
Blog: Anti-Jihad Portugal
http://www.alternativa2000.org/Anti-Jihad_Portugal/Blogger.html
Website: Contra o Terror Islâmico
http://www.alternativa2000.org/Contraoterrorislamico.html
Afixado por Anti-Jihad Portugal em abril 22, 2004 04:55 PM
. .
Estou farta da conversa do que se passou na 2ª guerra mundial como argumento para justificar o que se passa na palestina. Também estou farta da conversa que, por não concordar com o genocídio do povo palestiniano e com a ocupação dos seus territórios por parte do governo de Sharon, a minha discordância seja chamada de anti-semitismo.
Não compro essa ... prezo, acima de tudo, a minha liberdade de expressão, de concordar ou não com o que vejo passar-se no mundo. Não sofro do complexo "anti-semita", porque não confundo o povo judeu com os seus dirigentes políticos.
GIN
Afixado por GIN em abril 22, 2004 05:52 PM
Publicado por agineotonico às 05:54 PM
abril 07, 2004
Voto em branco, abstenção e democracia
Diz aqui que “A abstenção é o voto fora do sistema ... mas é muitas vezes o voto da ignorância, da preguiça, ou do simples desinteresse”. Diz ainda que o voto em branco é mais merecedor de credibilidade que a abstenção porque “não sendo o “cartão amarelo à democracia”, é o cartão amarelo à democracia que temos, aos partidos que a compõe, é o "outro partido" que não existe ...”.
Eu diria que o voto em branco traduz, para além disso, a recusa ao discurso estafado do “voto (in)útil” esbracejado pela oposição, nos períodos que antecedem os actos eleitorais, tentando fazer-nos sentir culpados pela sua própria incompetência enquanto oposição.
A questão do voto em branco, não me parece que deva ser colocada em termos de “voto inteligente” (como é feito no referido post), mas sim enquanto resultado de um acto consciente de cidadania: eu vou votar porque considero que, como cidadã, tenho a obrigação de “dar a minha opinião” sobre a matéria colocada a plebiscito. O meu voto é a minha voz tornada pública, o meu voto em branco é o dizer, “alto e em bom som”, que não concordo, ou não dou credibilidade às alternativas apresentadas. Assim, o voto em branco, está a dizer que não está conivente com a democracia (este conceito está a tornar-se excessivamente elástico) que temos e com quem a leva à prática – o actual governo – nem com as alternativas a esta democracia que temos – as diferentes oposições (se é que as há).
O voto em branco tem peso na leitura que se faz dos resultados eleitorais, tem o peso dessa “leitura” que é razoavelmente homogénea – o cartão amarelo, conscientemente assumido.
Considero, salvo raras excepções, o apelo à abstenção um aproveitamento oportunista dos resultados eleitorais. A abstenção é um enorme saco onde cabem muitas e diferentes motivações/razões para a não participação neste mecanismo da democracia.
GIN
Publicado por agineotonico às 05:24 PM | Comentários (5)
dezembro 28, 2003
DO MUNDO SÓ VEMOS O QUE QUEREMOS
Parece que me vou pacificando com a blogosfera depois de ter lido um post do Rui, “Na pele do outro”, no Adufe.
A humanidade que o Rui expressa neste seu questionamento, fez-me pensar na sua antítese, no questionamento do tristemente opinioso e director do Público – José Manuel Fernandes – no editorial de sábado “Misérias Humanas”.
Rui reconhece que “por mais que queira não encontro paralelos no meu pequeno mundo que me permitam aproximar a tragédia, perceber o incompreensível, imaginar-me verdadeiramente na pele do outro. Desconfio, contudo, que esse é o nosso maior desafio e a nossa maior esperança ... “.
Refere-se este post do Rui a tragédias como o sismo no Irão, os crimes da Alemanha nazi e o ataque do 11 de Setembro.
São diferentes situações, mas são situações de tal envergadura que torna difícil o seu entendimento para quem as não viveu de perto, por isso, as palavras do Rui fazem todo o sentido e o seu significado é extremamente humano.
José Manuel Fernandes no seu editorial sobre as “Misérias Humanas”, engatilha as armas e dispara balas em todas as direcções menos para onde devia. Penso que isto se deve ao seu treino de apoio à política belicista desta administração americana, do seu apoio à invasão do Iraque e do seu apoio ao apoio do governo português àquela política.
Perdeu-se da realidade, vê terroristas e maus da fita em todo o lado e aponta um dedo acusador indiscriminadamente a pessoas de quem não conhece, nem quer conhecer, as circunstâncias de vida.
É o que acontece quando vivemos sem dificuldades, colados ao poder, nos fechamos num dado meio e nos mantemos numa deliberada incultura para podermos acusar pessoas individuais por actos que têm origem nas condições sociais em que são obrigadas a viver.
Diz J. M. Fernandes que muitas famílias depositam os velhos nos hospitais no verão e nestas alturas de natal porque “assim não incomodam nem atrapalham”.
É chocante sem dúvida esta situação.
Mas sabe JMF quanto custa um lar? quanto é o orçamento familiar dessas famílias? qual o apoio que têm da segurança social? em que condições económicas, sociais e culturais vivem essas famílias?
Não, isso não interessa ... estas famílias sofrem apenas de miséria moral, aponta a arma e vai tiro.
A leitura que faz destes factos é que não são “actos de desespero gerados pelas mais absolutas carências, mas gestos de egoísmo que quebram todos os laços de solidariedade, mesmo com os que nos estão mais próximos”.
Quando a isto só posso perguntar se está a falar por si próprio, se está a fazer algum exame de consciência. É que, tanto quanto se sabe, estes casos estão relacionados com dificuldades efectivas de muitas famílias portuguesas.
Apronta de novo a arma e volta a disparar desta vez sobre a nossa atitude hedonista que nos faz viver o prazer imediato, a não olhar os sentimentos alheios, a fazer gala de discursos que não integram a noção de partilha e privação, de nos termos desabituado quase por completo de ter e criar filhos por não querermos assumir privações.
Pensei que JMF estivesse a transcrever o discurso de um qualquer padre (sem ofensa para os católicos) inculto do Portugal mais profundo na missa do galo, mas não, era mesmo ele a ir atrás do choro de um discurso absurdo, demonstrativo da sua ignorância ou da sua opção política do mais à direita possível.
Diz ainda JMF que são “comportamentos de que está ausente a simples ideia de que um dia, um momento, se tem que fazer um sacrifício por alguém”.
Concordo inteiramente, peço ao Sr. José Manuel Fernandes que faça o sacrifício, de um dia, um momento, ser mais honesto naquilo que escreve informando-se sobre as origens dos comportamentos que critica, evitando assim insultar a nossa inteligência.
GIN
Publicado por agineotonico às 10:35 PM | Comentários (1)
dezembro 26, 2003
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA BLOGOSFERA
Depois de uns tempos afastada da blogueirice, vim hoje deitar um olhar por aqui.
Talvez que a distância criada me tenha feito olhar para o que aqui se passa com outros olhos, ou simplesmente me tenha levado a questionar o que andamos a fazer, qual a função deste espaço e do tempo que aqui “perdemos”.
Reparei que leio os mesmos comentários, das mesmas pessoas, nada muda, tudo se mantém inalterável ... e pensei:
“vale a pena isto?”; “temos aqui um espaço de discussão aberto ou um espaço estilo assembleia da república onde já sabemos qual a posição de cada um e esgrimimos os argumentos que todos conhecemos e que não vamos mudar?”; “há ainda algum espaço para discussão das coisas da vida sem que toda a gente tenha certezas absolutas sobre elas e que valha a pena colocar em comum?”.
Daí dar-me uma vontade imensa de começar a divagar sobre a “inteligência emocional” e sobre o que é “uma pessoa culta”. Acho que inteligência emocional ajuda a definir o que é uma “pessoa culta”, para além de ajudar a outras definições.
Temos por “pessoa culta”, aquela que tem “grande desenvolvimento intelectual”, ou “grande saber”.
Mas confesso que não estou inteiramente de acordo com a leitura que se faz disto. Falta aqui um aspecto que considero fundamental ter em conta – a sabedoria. Sabedoria no sentido de um conhecimento das coisas realmente adquirido.
Ler muitos livros e debitar conhecimentos, muitas vezes a despropósito, como vejo por aqui, não é cultura. É como um actor de teatro que decora um papel e representa um personagem que não é ele próprio. Não há lugar para a autenticidade do actor, apenas para a representação desse personagem e, na maioria das vezes, mal representado.
“Pessoa culta”, para mim, é aquela que consegue coerência entre aquilo que “debita” e os seus valores individuais, a forma como se relaciona com as coisas e com os outros, a forma como vive a sua vida.
Por isso me apetece tanto divagar sobre a “inteligência emocional”.
GIN
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA BLOGOSFERA
Publicado por agineotonico às 08:16 PM | Comentários (4)
novembro 14, 2003
PACHECO PEREIRA TEM UM LADO (3)
“O atentado de Nassíria torna ainda mais importante reforçar os contingentes militares no país e internacionalizá-los, mobilizar todos os esforços da comunidade internacional para ganhar o combate da estabilização do Iraque”(JPP)
De que estabilização fala JPP? Da estabilização que fala Bush?
É que não me parece que a estabilização que Bush pretende seja a mesma que o “centro” defende.
A estabilização do Iraque passaria, sem dúvida, pela tomada de posições claras face ao que se passa em todo o Médio Oriente, passaria por criticar a política belicista de Israel, por estabelecer com os países da região acordos de cooperação e de não agressão.
Mas o que se vê é o inverso: apoia-se a destruição do povo palestino e a ocupação dos seus territórios, ameaça-se a Síria e o Irão, etc., compreende-se que os iraquianos tenham dificuldade em dar crédito às declarações do Ocidente.
“O combate do Iraque não é contra qualquer “resistência” nacional, é contra os restos do regime do Baas e de Saddam, e contra grupos terroristas internacionais, gente que, se alguma vez voltasse ao poder, provocaria um banho de sangue entre os iraquianos. Os primeiros a saber disso são os próprios iraquianos.” (JPP)
Mais uma forma diferente de referir o que Bush chama de “eixo do mal”.
O combate no Iraque é entre a defesa dos interesses económicos e estratégicos dos EUA e outros países ocidentais e diferentes forças internas, de entre elas os fieis a Saddam e, tanto quando tem veiculado a comunicação social, alguns grupos do exterior.
Tentar fazer esquecer que existem forças dentro do Iraque que não pertencem nem a grupos terroristas, nem a fieis a Saddam, só pode ser por necessidade de defender que “ninguém cabe verdadeiramente em nenhum dos lados, mas é empurrado para um deles”, porque, na perspectiva que JPP quer fazer passar, só há dois – EUA e SADDAM.
“Ao fim de meses sem conta a ouvir falar da comunidade internacional e das Nações Unidas, como argumentos últimos de autoridade, convém não esquecer que hoje este esforço militar é também caucionado por essa comunidade e por essas mesmas Nações Unidas”. (JPP)
Pacheco Pereira, por lapso de memória, acho eu, esqueceu-se de diferenciar o tempo sem conta a ouvir falar da Comunidade Internacional e das Nações Unidas.
É que foi um falar pelo menos a três tempos:
- o primeiro quando se opôs à intervenção militar no Iraque e que não foi ouvida pelos chamados “países da coligação” que consumaram a destruição e ocupação militar do território iraquiano;
- o segundo, quando tentou ter maior poder de intervenção para não permitir que os EUA dispusessem a seu belo prazer da economia e do poder no Iraque
- e, num terceiro momento, não totalmente límpido, quando os EUA se vêm a braços com uma situação que não controlam, passa a caucionar um esforço militar no sentido de tentar pôr cobro à instabilidade criada pela invasão militar.
“É exactamente porque aconteceu o que aconteceu no Iraque que é fundamental que Portugal envie as suas tropas ... O atentado de Nassíria torna ainda mais importante reforçar os contingentes militares no país” (JPP)
Não concordo que sejam mandados quaisquer contingentes militares para o Iraque, sem que sejam asseguradas todas as garantias que impeçam que os EUA transformem aquele país num feudo de onde podem controlar económica, estratégica e militarmente aquele país e todo o Médio Oriente.
Foi claro na discussão da última resolução do Conselho de Segurança, que os EUA não irão abrir mão das suas pretensões.
Considero que é este o momento determinante para colocar os EUA “contra a parede” e apoiar de forma efectiva a reconstrução do Iraque dentro do respeito pela sua independência nacional e dentro do respeito pela sua cultura, ou culturas internas.
Isto não é estar do lado do “eixo do mal”, do lado de Saddam e dos terroristas que ali actuam, também não é estar do lado de Bush e dos terroristas que tem por conta, de JPP e dos países que reforçam militarmente o Iraque sem condições prévias aos EUA.
Isto é estar do lado do respeito pelo direito dos povos à sua integridade nacional, à sua cultura e à escolha do seu próprio percurso.
É estar contra os discursos fascizantes que só vêm dois lados:
- um como o “lado dos homens ... de uma precária mas identificada civilização ... que já mostrou o que vale e que não vive do terror, nem da violência, mas da procura da conciliação de interesses e modos de vida. Nenhuma outra civilização me dá as liberdades e a possibilidade de felicidade que esta me dá, a mim e, potencialmente, a todos os homens” (JPP)
- e o outro lado, que está implícito, é uma civilização sem identificação mesmo que precária, que vive no terror, na violência, que não procura conciliar interesses nem modos de vida, que não dá garantias de liberdade e de possibilidade de felicidade a potencialmente todos os homens.
Este discurso que tenta apagar a visão do “centro”, que só vê “os bons” e os “Maus” na perspectiva que aqui nos coloca JPP, é perigosa porque transforma a questão do Iraque numa guerra entre culturas, sendo que a “nossa” é a melhor mas que “ninguém me ouvirá dizer que este é o lado de Deus ... mas ouvir-me-ão dizer que este é um lado dos homens”.
De facto não me identifico com qualquer destes lados que JPP descreve.
Identifico-me com o centro, ou o outro lado, ou o que quiserem chamar ... identifico-me com os princípios dos direitos humanos, do direito à autodeterminação dos povos e às relações de inter-ajuda internacional.
GIN
Publicado por agineotonico às 07:10 AM
novembro 13, 2003
PACHECO PEREIRA TEM UM LADO (2)
"Eu tenho um lado ... este é um lado dos homens, do modo de vida que escolhi (escolhemos), de uma precária mas identificada civilização (a palavra é adequada) que já mostrou o que vale e que não vive do terror, nem da violência, mas da procura da conciliação de interesses e modos de vida."(JPP)
EUA violam Direitos Humanos
Relatório da Amnistia Internacional divulga segregação
A segregação racial nos Estados Unidos continua acentuada. Milhares de pessoas, especialmente as minorias raciais, sofrem com a violência policial. No sistema penitenciário norte-americano, os presos são submetidos a abusos físicos e sexuais. Os responsáveis por essas atrocidades raramente são punidos.
Os negros americanos representam 12% da população do país e metade da população carcerária.
Esses são os dados apresentados nas 158 páginas do relatório da Anistia Internacional sobre violações de direitos humanos nos Estados Unidos ...
... As pessoas que buscam asilo nos EUA, fugindo da perseguição sofrida em seus países de origem, podem permanecer detidas por tempo indefinido e em condições classificadas como desumanas e degradantes. As normas internacionais de proteção a refugiados, das quais o país é signatário, são constantemente desrespeitadas.
O relatório constata também o crescimento da aplicação da pena de morte no país - dentro do mesmo ordenamento dos preconceitos raciais e sociais. Os carentes de recursos econômicos, muitas vezes, não são defendidos adequadamente.
O país domina o mercado mundial de armas e equipamentos de segurança desde o fim da Guerra Fria, além de continuar fornecendo armamento e treinando governos e grupos armados que cometem torturas, homicídios políticos e outros abusos.
Entre 1989 e 1996, os Estados Unidos teriam arrecadado mais de US$ 117 bilhões com a venda de armas. O número representa cerca de 45% do total mundial.
Dentro das organizações internacionais, como a ONU, a resposta dos EUA às violações de direitos humanos cometidas por outros governos tem sido seletiva e parcial, de acordo com seus interesses.
As autoridades norte-americanas criticam os países que consideram hostis, mas são condescendentes quando os abusos são cometidos por países aliados ou "interessantes" econômica e politicamente.
Os Estados Unidos sofrem com um alto índice de criminalidade, além de extremas diferenças de renda, exclusão social e drogas. Estima-se, segundo o relatório, que circulam mais de 200 milhões de armas de grande potência pelo país.
"Nenhuma outra civilização me dá as liberdades e a possibilidade de felicidade que esta me dá, a mim e, potencialmente, a todos os homens".(JPP)
“More than 650 people from some 40 countries are being held without charge or trial in Guantánamo Bay.
Most of the detainees have been held for more than a year in conditions which may amount to cruel, inhuman or degrading treatment. They have not had access to any court, to legal counsel, or visits from relatives. They have been subject to repeated interrogations and confinement to small cells for up to 24 hours a day with minimal opportunity for exercise. Several have attempted suicide.
The conditions under which they have been held raise concerns about the type of evidence that may be introduced against them if brought before military commissions, the guidelines for which do not expressly exclude statements extracted under coercion, including a coercive detention regime”.
"Não estou certo de tudo, mas das duas frases anteriores estou inteiramente convicto" (JPP)
Cada um tem as convicções que tem ...
GIN
PACHECO PEREIRA TEM UM LADO
Publicado por agineotonico às 11:59 PM | Comentários (1)
PACHECO PEREIRA TEM UM LADO
Pacheco Pereira (JPP) diz que tem um lado porque, no que diz respeito ao Iraque, não há centro, há dois lados.
Bush também disse: “Quem não está connosco, está contra nós”. Também não viu a possibilidade da existência de um centro.
Eu não tenho lados, tenho um Centro.
Para mim, ao contrário de JPP e Bush, existe um centro que foi bem demonstrado nas inúmeras manifestações em todo o mundo.
Sempre existiu um centro: existiu antes de Bush invadir militarmente o Iraque e existe hoje em que os EUA ocupam aquele território.
Antecipando estas minhas palavras, que acredito são as de muitos, JPP diz que “ninguém cabe verdadeiramente em nenhum dos lados, mas é empurrado para um deles. Quando se fala, a favor ou contra, acrescenta-se legitimidade e força a um dos lados”.
Este é, tipicamente, um discurso fascisante e tendencioso onde JPP tenta limar as arestas da verdadeira questão, de forma a excluir uma posição equilibrada sobre a questão iraquiana e, de dedo em riste, repetir as palavras de Bush mas com um discurso mais armado ao intelectual.
E esta máxima “eu tenho um lado”, é uma imitação grosseira da frase de Luther King “Eu tenho um sonho”. Mas o sonho de Luther King, é um sonho que se perspectiva na existência de um centro na intervenção sobre os direitos humanos, sobre os direitos civis, sobre as relações inter raciais e culturais e sobre as relações internacionais.
GIN
PACHECO PEREIRA TEM UM LADO
Publicado por agineotonico às 10:54 PM
novembro 07, 2003
BLOGAR E O STRESS PÓS TRAUMÁTICO
Segundo James Pennebaker, Professor de Psicologia na Universidade do Texas, a escrita não é apenas uma actividade intelectual. Expressar por escrito as emoções, alivia uma série de factores relacionados com o stress psicológico.
Será que os autores do Weblog.com.pt nos vão começar a cobrar por esta actividade de descompressão pós traumática?
Ou será que lhes devemos cobrar por estarmos a ficar com o trauma dos blog, passando daqui para a frente a sofrer de stress pós-traumático?
GIN
Publicado por agineotonico às 11:08 PM | Comentários (1)
novembro 04, 2003
BLÁ BLÁ BLÁ ... Fóruns da net.
BLÁ BLÁ BLÁ ... os órfãos de Lenine dos fóruns da net ... BLÁ BLÁ BLÁ ... desde os brados de regozijo pelas baixas americanas, às loas aos regimes ditatoriais e sanguinolentos que foram derrubados, à explanação dos conceitos “civilizacionais” que justificam o terrorismo, ao apoio explícito ou envergonhado a esse mesmo terrorismo e à celebração de regimes onde certamente os celebrantes seriam executados se lá vivessem e se comportassem da forma como se portam na tolerante civilização ocidental que “desdenham”, tudo é arremessado numa orgia pletórica potenciada pelo ódio recalcado pela lamentável ocorrência do devir social ter feito desabar o mundo que as suas convicções tinham postulado ser o melhor dos mundos ... ufa ufa ufa ... blá blá blá ....
EU JÁ TINHA DITO ... BLÁ BLÁ BLÁ ... A partir de uma certa altura, Bush BLÁ BLÁ BLÁ ... já não tinha alternativa para a guerra, a menos que retirasse e deixasse Saddam a vangloriar-se que havia derrotado o Grande Satã ... BLÁ BLÁ BLÁ ... encontrar uma solução que tenha o apoio da comunidade internacional e convencer a Administração Bush :)) BLÁ BLÁ BLÁ ... A Europa deverá desempenhar, nesta questão, um papel chave. Mas resta saber se estará à altura desse papel ... BLÁ BLÁ BLÁ ... a Europa não pode esquecer que está ligada indissoluvelmente aos EUA. Os valores básicos que defendemos e que moldaram a nossa cultura são os mesmos.
A autora deste post explica que, já tinha avisado há muito, que Bush tinha ido tão longe que já não podia remar para Saddam se ficar a rir ... é um bom motivo para ir para a guerra e matar uma série de iraquianos e de soldados da denominada coligação ...
Mas esse não foi o motivo, pois não? Ou a ingenuidade é assim tanta?
Os motivos são económicos, estratégica militar e instalação de governo pró-americano no coração daquela zona que garanta a continuidade dos interesses americanos ... e Israel agradece.
Convencer a Administração Bush)? Quem? De quê?
Só mesmo sendo ceguinha e pensando que a questão se colocava em termos de não "perder a cara", e que se pode achar que Bush abrirá mão dos interesses económicos naquela região.
Não sofro de qualquer orfandade, nem procuro paternidade seja de Bush, seja de Saddam, porque as diferenças não são assim tantas, se virmos as coisas mais de perto, é só uma diferença na capacidade militar.
Não faço as coisas que descreve na sua redacção trágico bla´blá blá .... mas confesso que o acho arrogante e, ao mesmo tempo, de uma ingenuidade incrível.
GIN
Publicado por agineotonico às 09:54 PM | Comentários (3)
OS BLOG VALEM A PENA?
Aqui, com o nome "Os blogs valem a pena?", o autor diz "tentar dissertar um pouco sobre os blogs": a explosão que registam, as razões que animam os seus autores, o serem uma realidade que se não pode ignorar, a morte prematura de alguns, a falta de intenções definidas à partida, os post irregulares, os de mau gosto, os de interesse duvidoso, etc.
O Paulo Querido numa das suas sempre inovadoras actividades, abriu uma categoria de nome "curtas", que me remeteu para para algumas notícias sobre o "fenómeno dos blog" - é bom dar uma olhada para lá.
Mas, independentemente, do que é dito pelo 1º e para onde nos remete para o que é dito pelo 2º, acho que os blog continuam a ser um bom sítio para agitar as nossas próprias ideias ... questionamo-nos e aprendemos bastante (digo eu).
Nas minhas visitas, quase diárias, pelos blog, rio-me com gosto, irrito-me, zango-me, comovo-me, concordo, discordo .... mas acima de tudo, confronto as minhas ideias e a minha maneira de estar na vida com uma variedade de ideias e posturas diferentes.
E isso é bom, é disso que gosto mesmo ...
GIN
Publicado por agineotonico às 04:46 PM | Comentários (1)
outubro 31, 2003
ACABOU-SE O SILÊNCIO
Tinha assumido, há tempos atrás, que não voltaria a referir-me às mexeriquices em torno do Processo Casa Pia, mas este post fez-me quebrar o silêncio.
Aqui tantos a recitar coisas que outros tantos não entendem e aplaudem.
A recitar textos sobre a vida dos outros, sobre uma vida que não conhecem, que nunca viram, ou que viram mas nem sequer olharam de perto com olhos de ver.
Imagino-vos sentados em frente aos pcs.
Copos de whisky ao lado, duas pedrinhas de gelo a boiar.
Pés calçados de meiinhas confortáveis, ora às riscas, ora de um cinzento mais solene, quiçá, de vez em quando, um lenço ou um lacinho ao pescoço, restos do encontro de amigos que ali fica pela urgência de teclar as récitas confrangedoras, de uma inexplicabilidade moral sem nome.
«Não, não me misturem nesses “somos todos responsáveis” ... não quero saber das crianças da Casa Pia e em que em nome delas diz falar. Não tenho nada a ver com isso, isso é coisa de pedófilos, vão lá ter com eles e não me chateiem. O meu mundo e o dos meus amigos é limpo, não tem nada dessas merdas em que os querem envolver».
Depois, o vosso sorriso beligerante ... e o vosso murmúrio estupidificado “toma lá esta Catalina, já levaste!!”
.... eu cá, só mesmo dizer coisas importantes sobre o povo de Timor e a repressão da indonésia, porque é fino e fica bem; ou sobre o movimento anti-globalização, que é coisa de intelectuais; ou da prostituição infantil na fronteira checa que é bem longe daqui, que é uma imoralidade dos sacanas dos alemães que se aproveitam; ou andar na picardia com os de direita ou com os de esquerda, que cá eu demarco-me por causa das tosses ...»
Tanto teatro, tanto teatro de má qualidade!!!
Ah porra! que saudades tenho dos teatros de marionetes que via nas ruas de Campo de Ourique na minha infância. Era tudo tão simples aos nossos olhos arregalados de crianças!
Era tão simples. Havia os bons e havia os maus que, invariavelmente, levavam traulitadas na cabeça pondo fim às suas maldades e à história.
Mas agora, temos teatro sofisticado, temos teatro enredado em palavras organizadas em discursos bem escritos; jogamos com as palavras e juntamo-las em bons textos, muitos deles com um humor que nos prende mais à arte da escrita, do que ao conteúdo subjacente.
Pelo que me toca, e trabalho há mais de 26 anos com crianças com problemas, o que me movimenta, não são os jogos de palavras elaborados longe da realidade da vida (que não a vossa onde vocês se umbigam), longe da realidade “das vidas”, mas sim um ideal de Solidariedade (ver significado no dicionário), de Solidariedade Social e um sentido de dever.
O dever solidário de pôr o meu saber, o meu saber fazer, as minhas capacidades técnicas e humanas disponíveis para além do limite das minhas obrigações profissionais.
Este para além de ... refere-se tanto a actividades, como à procura de respostas o mais coerentes possíveis, em relação às coisas que se passam.
Não me venham com a treta da religiosidade deste discurso, ou tretas do estilo ... não perfilho qualquer religião, nem milito em qualquer partido ... milito, como disse, num ideal de solidariedade social.
No fundo, tento “não postar sentenças”, tento, também, não falar das coisas com a leveza do desconhecimento mas com uma intuição afectuosa e solidária.
É preciso agir ... mesmo que essa acção se resuma a fazer um esforço de compreensão, uma análise das situações com base em informação diversa, compreender as raízes históricas e culturais, humanas e técnicas de determinados fenómenos.
Quando os fenómenos são o Processo da Casa Pia, as coisas fiam mais fino ....
Percebo que os meninos que cresceram à sombra de ambientes estruturados, onde puderam crescer sentindo-se seguros, queiram fechar os olhos e ver apenas o seu mundo muito limpinho e isento de responsabilidades.
Mas qualquer pessoa que tenha consciência e espírito solidário, saberá ver que o mais importante nesta história são as crianças que foram violentadas.
Não são só as crianças da Casa Pia que aqui estão a ser defendidas, são todas as crianças deste país que de uma forma ou de outra são consideradas “deuses menores”.
Há mais de 400 mil crianças de rua em Portugal, isto não diz nada?
Há instituições onde crianças são agredidas sem ter quem as defenda, isto não diz nada?
As Catalinas, os Júdices, os opinantes de todos os quadrantes são bonecos de entreter ... a questão está em que:
ESTE É O PAÍS QUE TEMOS E NEM SEMPRE É AGRADÁVEL DE VER.
NEM SEMPRE CONSEGUIMOS ACEITAR QUE TEMOS A PORCARIA À PORTA DE CASA.
GIN
Publicado por agineotonico às 08:05 PM
outubro 29, 2003
A INÊS ESTÁ ZANGADA E TEM RAZÃO. Toca a participar
A Inês está a ficar zangada por ninguém promover o blog dela dos Provérbios e tem toda a razão.
TOCA A COLOCAR EM TODOS BLOG A REFERÊNCIA À PÁGINA DELA E A PARTICIPAR NO PASSATEMPO PROPOSTO .... QUEREMOS QUE A INÊS PUBLIQUE O LIVRO DOS PROVÉRBIOS DOS BLOG
GIN
Publicado por agineotonico às 04:50 PM | Comentários (1)
outubro 23, 2003
SER HOMEM DE PARTIDO
Ser "homem de partido", não me parece criticável, é uma opção pessoal.
O que me parece criticável é ter uma postura acrítica e seguidista face a todas as posições e/ou acontecimentos que se passam nesse partido.
A riqueza de qualquer organização, está na diversidade de ideias, de culturas, de "estares", etc.
No que diz respeito a um partido verdadeiramente democrático, o debate permanente e criativo das ideias tem de ser uma "imagem de marca".
Todas as alturas são boas para "um homem de partido" se distanciar e assumir posições autonomas em relação a questões essenciais que se passam com o seu partido e, parece-me, é o que faz Manuel Maria Carrinho no DN de hoje.
É verdade que o PS está debaixo de fogo, mas também é verdade que foram muitos, os seus dirigentes, que lá o meteram assumindo posições e comportamentos inadmissíveis e indefensáveis.
Parece-me importante que os "homens de partido" consigam tomar o pulso às consequências destes factos e não deixem que o seu partido resvale para fora do espaço que lhe compete, tanto mais que nos estamos a referir a um partido com um grande passado histórico.
Não sou do PS, não sou uma "mulher de partido", mas reconheço a importância do seu espaço político.
A posição assumida pelo autor do "Barnabé" é um passo dado no sentido da destruição desse espaço político do PS. Defender a actual direcção é destruir o Partido Socialista, pensar na ideia peregrina que a unidade e a ocupação do seu espaço político se faz mantendo a actual direcção e, em particular, Ferro Rodrigues, é um erro político grosseiro.
Quando Pedro Adão Silva, do Secretariado Nacional, diz que é nos momentos de dificuldades que se devem "cerrar as fileiras, e não abrir brechas", demonstra o seu desfasamento da realidade.
Cerrar fileiras, quem? A direcção do PS?
As brechas estão abertas. As brechas entre a actual direcção e parte significativa das suas bases de apoio e de eleitorado "oscilante".
O problema é que, quer os "homens de partido", quer a direcção do PS, deviam ter tido a sensibilidade política para perceber que Ferro Rodrigues " está queimado" e devia ter optado por sair.
Mas não, Ferro Rodrigues agarra-se à direcção e esta com o argumento de que é melhor a "união, porque quaisquer outros cenários seriam piores", afasta-se da possibilidade de recuperar o partido.
Neste momemto, o PS como partido de oposição não existe, perdeu-se nos corredores do Rato, em torno do umbigo de ferro Rodrigues.
A GIN E O TÒNICO
Publicado por agineotonico às 03:25 PM | Comentários (1)
outubro 21, 2003
A MINHA TOSSEIRA PÚBLICA
Quando vi que a partir de um post do "Aviz" sobre o "Português Suave" (que não referia qualquer juízo de valor sobre o fumar ou não), crescer uma gritaria desenfreada de bons costumes e boas maneiras que se traduziram em insultos como - sujo, doente, criminoso, suicida, cúmplice no lento assassinato, tentar inculcar um vício terceiro mundista, etc. - pensei cá com os meus botões:
- isto ainda vai tudo para tribunal, com presos preventivos, com jornalistas a acotovelarem-se, câmaras de tv a caírem ao chão, debates televisivos, fugas de informação, bandeirolas na assembleia da república e sei lá que mais ...
Estamos mesmo exaltados e com tendência para exacerbar qualquer coisa que seja dita ... e acabamos a discutir uma coisa diferente da que deu origem a esta batalha de cigarradas entre blogueiros.
Tanto quanto me apercebi, aquele post do "Aviz" (que é um chato e não deixa que lá se ponham comentários), quanto muito podia (e devia) levar à discussão das imposições hipócritas "dos merdosos de bruxelas" que se apegam a um "grau de pintelhice patológica" (palavras no klepsydra.blogspot.com/) como é a questão do nome de uma marca de cigarros.
Não há dúvida que é mesmo assim que se vai chegar à redução do consumo de tabaco ...
Independentemente da posição que se tem sobre a questão dos malefícios ou não do tabaco e do problema que pode ou não trazer aos fumadores passivos, aconselho a leitura daquele post, porque ele nos leva a pensar em quais devem ser os limites da interferência da comunidade europeia no espaço de cada um dos seus membros.
E não só ... também dá para pensar na hipocrisia dessas medidas que não passam de areia colorida para distribuir à borla, enquanto os diversos governos dos estados membros continuam a viver (também) à custa dos impostos sobre o tabaco.
E não só ... porque será que não publicam os dados sobre a poluição industrial, sobre a poluição rodoviária e sobre a poluição tabagista e apresentam um gráfico colorido com os respectivos dados. Ao lado, em baixo ou em cima, poderiam também acrescentar o resultado de estudo de impacto para a saúde pública destes três poluentes ...
GIN
Publicado por agineotonico às 04:41 PM
A AUSÊNCIA DE CINZENTOS
Que não há verdades absolutas, que a verdade é subjectiva, muitos de nós afirmamos.
Mas quando partimos para a discussão de situações concretas, ignoramos as nossas “máximas”, as nossas declarações de princípios, os nossos postulados filosóficos (ou seja lá o que for) e posicionamo-nos no “branco” ou no “preto”, esquecendo os “cinzentos” que correspondem às nossas subjectividades individuais e colectivas.
Isto para dizer, que nas minhas visitas diárias aos blog, verifico, cada vez mais, esse extremar de posições, essa incapacidade de descentração do “eu” para tentar ver o ponto de vista dos outros e que isso leva à falta de bom-senso das posições extremadas.
Quase todos os temas que suscitam polémica, dão origem a rótulos . direita/esquerda/católicos praticantes/não praticantes/agnósticos/etc/etc/etc e, chegam mesmo, aos insultos pessoais.
Eu acredito que há pessoas incapazes de sair do “branco” e do “preto” ...
Mas acredito, sobretudo, na possibilidade das pessoas, independentemente das suas opções políticas ou das suas crenças religiosas, conseguirem discutir muitas destas questões polémicas, encontrando consensos.
Se a discussão assentar em valores que estão subjacentes às declarações Universal dos Direitos Humanos, dos Direitos da Criança, dos Direitos dos Povos e, claro, no bom-senso essa rotulagem perde sentido.
As diferenças que restam para além do consenso possível, são legitimas e fundamentais porque são definidoras das nossas diferenças individuais e culturais, das nossas opções políticas e religiosas.
Mas são esses consensos possíveis, naquilo que é fundamental, que permitirão o aparecimento de um movimento de opinião pública crítico e activo.
A importância de abandonar o nosso “autismo” e de incentivar a construção de um movimento de opinião pública crítico e coerente “salta à vista”, numa altura em que o país parece ter caído na mais total ausência de valores éticos e morais básicos.
Haverá, por certo, os pretos” e os “brancos” mas, esses, serão, certamente, uma minoria.
GIN
Publicado por agineotonico às 01:38 AM
outubro 20, 2003
HÁ O DIREITO À NOSSA DIGNIDADE
"Há, naquela figura doente, gasta, frágil, a marca de uma humanidade difícil, o gesto desse derradeiro esforço em sobreviver. Não é agradável, essa imagem — é o retrato daqueles que escondemos longe da vista, em lares, hospitais, na sombra, na escuridão".
O que me perturba na imagem deste homem, é o doloroso esforço que parece fazer para cumprir as suas obrigações públicas. Não digo como no "Memória Inventada", que "as suas limitações físicas são incompatíveis com as exigências e responsabilidades do cargo que ocupa"
Isso seria aceitar que pessoas com deficiência física teriam o acesso vedado a determinados cargos porque essa deficiência as tornava incompatíveis.
O que me pergunto, muitas vezes, é se a sua aparição pública não corresponde a interesses que nada têm a ver com o "dar um rosto a todos aqueles que marginalizamos".
É verdade que o Papa, tanto quanto parece, está lúcido, a visão da sua condição física aceito-a com naturalidade, mas questiono se não chegou o momento de repousar em paz da vida atribulada que teve no desempenho das suas funções ... é que todos temos direito à nossa dignidade.
Sinceramente, considero que o post do "Aviz" é, por si só, uma homenagem a esses marginalizados da nossa sociedade, mesmo que servindo-se para isso da imagem do Papa para lhes dar visibilidade, e que sai reforçada a ideia pela extraordinária capacidade e beleza da sua escrita.
Esta, parece-se ser uma das formas possíveis e adequadas, de chamar a atenção para uma injustiça social.
E há outras .... que não necessariamente a imagem do Papa/Homem em sofrimento, porque imagens de idosos em sofrimento há muitas, e de sofrimento solitário, excluído, tornado invisível para "descanso" das nossas consciências.
GIN
Publicado por agineotonico às 09:39 PM
outubro 17, 2003
Um blog diferente

"Para os poetas árabes, o deserto, na sua presença ou ausência, é poder. Mas este poder pode tomar diversas formas... Em todos os casos, o deserto é um contexto, seja uma ameaça à vida ou a vida em si, e possui uma voz".
Post retirado do blog "Resistência Islâmica", na minha perspectiva, uma leitura a seguir ...
GIN
Publicado por agineotonico às 12:32 AM
outubro 08, 2003
SE NÃO SABES QUE DIZER, CALA-TE

(graffitti)
Esta é a resposta a isto - "... tudo gatafunhado com os tags dos diversos crews que se divertem emporcalhando a cidade. Que tristeza. E ainda há quem promova estes miúdos pintores de paredes alheias armados em artistas..." - que li num blog que me recuso a referenciar
Penso que não é necessário, porque aqui já foi esclarecido suficientemente, estabelecer a diferença entre graffiti e bombing.
Mas parece-me necessário fazer referência à forma como aborda esta questão. Escrever nas paredes, garatujar e emporcalhar a cidade, tem o seu correspondente no falar sem conhecimento, no insulto gratuito e na leviandade com que se abordam as questões.
Leia a maioria dos comentários que aqui estão e verá que a única coisa que provocou foi fomentar a agressividade para com "miúdos armados em artistas". Talvez fosse boa ideia procurar alguma informação sobre o assunto e, depois, dar uma opinião mais adequada.
Promovo "estes miúdos pintores de paredes alheias armados em artistas" sempre que vejo um trabalho deles que cobre um muro emporcalhado com o que considero ser uma obra de arte ... e já agora acrescento ... que me fez lembrar que ainda tenho mais umas fotos de graffiti e que vou colocá-las no meu blog juntamente com este texto de comentário que deixei no seu blog.
GIN
Publicado por agineotonico às 11:32 PM | Comentários (10)
O PACHECO PEREIRA IRRITA-ME ...
Por vezes o Pacheco Pereira irrita-me ...
Nem sempre sei as razões porque me irrita, outras vezes sei, claro.
Mas reconheço-lhe o mérito pela posição que assumiu de não integrar as listas para as próximas eleições europeias.
Poucos são os políticos do nosso País, capazes de ter esta coerência que lhe reconheço, capazes de ter uma voz autónoma dentro do seu partido, capazes de ter uma voz autónoma e discordante e, acima de tudo, assumir na prática essa discordância.
Pacheco Pereira discorda da formação de listas conjuntas PSD/PP para as próximas eleições europeias e, coerentemente, considera não ter condições para integrar essas listas. Esta sua discordância já eu tinha verificado em artigos anteriores seus como o "missão impossível" (no abrupto) ou um outro, que confesso não recordar onde o li, em que referia a importância de o PSD não se diluir e/ou descambar para a direita e assumir o espaço que lhe compete ...
Apesar da irritação que me provoca e de discordar de muitas, se não da maioria das suas posições políticas (o que não é o mesmo que dizer que discordo "de muitas das análises que faz"), considero esta sua postura de relevar no contexto da corrupção moral e ética (já não refiro as outras corrupções) em que vivemos.
Obrigado Pacheco Pereira
GIN e o TÓNICO
Publicado por agineotonico às 08:21 PM
Não acordar a pensar no meu Pipi
Ontem foi um dia para esquecer .... daqueles dias em que se morre devagarinho.
A noite foi curta, acordei cedo e decidi fazer como "o meu pipi":
decidi tocar no "adufe" a música do "barnabé", num ritmo "abrupto".
Ainda se via a "lua", que se assemelhava a uma grande "bomba inteligente", a rebentar de "silêncio".
De repente, olho o "blog-notas" e vejo que tenho "ene coisas" para fazer hoje.
A vontade é pouca ... olho através da "janela indiscreta", sinto o "vento lá fora" e, talvez fosse imaginação, mas vejo as "trutas" paradas junto ao parquímetro a sorrir trocista e maquiavelicamente ...
Caraças ... pensei ... o que me apetecia mesmo era verter Gin no Tónico e Tónico na Gin, num frenético Gintónico. Mas não dá para isso ....
Daí a concluir que o melhor é mesmo não acordar a pensar no "meu pipi" foi um pequeno pulo ....... e pulo para ir trabalhar.
GIN
Publicado por agineotonico às 07:44 AM | Comentários (3)
outubro 06, 2003
RI-ME A BOM RIR AQUI COM UM BLOG
Espreitei para o "Vento lá fora", como faço com frequência, e dei com a troca de conversa entre o paulo e uma das trutas.
Pelo que percebi, este blog armou por aqui confusão e ter-se-ão levantado vozes pedindo a sua expulsão .... fui ver, sou cusca nestas coisas da blogosfera ...
Confesso que ri a bom rir com alguns dos textos ali colocados, com outros quase que me enterneci e etc ... seria um terrível erro afastar este blog.
Se a visitarmos percebemos que aquela confusão toda se deveu ao espírito "maquiavélico", leia-se de "extremo humor", destas trutas sejam lá elas quem forem.
Aconselho todos os que se sentiram "apalpados" pelas trutas a darem uma vista de olhos, com olhos de ver, ao dito blog, que para além de humor tece críticas de forma bem inteligente. Tiro-lhes o chapéu ...
Mais não digo a não ser: ri-me a bom rir ...
GIN
Publicado por agineotonico às 11:40 PM | Comentários (1)
PALAVRA DE HONRA
PALAVRA DE HONRA
Pacheco Pereira diz que: “Um homem que dá a sua palavra de honra é um homem que jura”. Fica-lhe bem essa postura e acredito sinceramente que viva segundo esse lema.
Mas lá diz o velho ditado: “quem mais jura mais mente....” e muita gente assim o faz.
Estes são os dois extremos de uma realidade que é “o ser e saber ser”.
A vantagem que teria viver sob a máxima de JPP, seria a de poder dispensar os advogados (que são caríssimos) e de acabar com os anos e anos de demora nos processos judiciais. Era tudo muito simples. Uma pessoa era acusada de qualquer ilegalidade, era convocada perante o juiz e este perguntava: “ora conte lá a verdade ou dê a sua palavra de honra que não fez tal e tal ... “; o acusado lá diria da sua verdade ou daria a sua palavra de honra e era mandado embora em paz.
Concordo com JPP, porque gostaria que aquela fosse a realidade, mas temo dar maior crédito ao ditado popular (JPP vai dizer que lá estou eu com populismos, palavra que ele adora), porque a experiência me dita, lamentavelmente, para ter essa cautela.
Para um simples mortal como eu, que analisa os factos à luz da visão simplista de um pai que tem o seu filho a tentar entrar na universidade, será que não é natural que se interrogue sobre algumas coisas relativas a esta história que levou à demissão de um ministro e à continuação de outro no seu cargo?
1º- Sabia ou não o Dr. Martins da Cruz que a sua filha meteu um requerimento a solicitar a entrada para Medicina com base no regime de ingresso excepcional não estando nessa situação?
2º- Apoiou ou não o Dr. Martins da Cruz a iniciativa da filha de fazer o referido requerimento?
3º- Falou por acaso o Dr. Martins da Cruz do caso com o seu secretário pessoal?
4º- Se sabia que a filha tinha incorrido no que poderia ser uma ilegalidade, porque razão não parou o processo e não comunicou ao 1º ministro? Terá comunicado?
5º- Jurou ou deu a sua palavra de honra de que não falou com o Director Geral do Ensino Superior ou com qualquer outro elemento desse mesmo ministério?
Só entendo possível desculpar o Dr. Martins da Cruz e pensar que ele é um político com honra, com dignidade e digno do “cursus honorum”, se ele explicar que dada a sua vida profissional, não fala com a filha nem com a família, não sabendo por isso o que em sua casa se passa. Será este o caso?
É que só o facto de concordar que a sua filha colocasse um requerimento dentro da ilegalidade é, para a visão simplista da vida que tem a maioria das pessoas, uma falta enorme de transparência.
É essa transparência que, infelizmente, não existe na maioria dos nossos políticos (governo e oposição) que leva ao descrédito na possibilidade de mudança desta sociedade. Reconheço que é, também, por sermos constantemente postos perante esta triste situação de falta de transparência e de verticalidade dos nossos sucessivos governantes que hoje podemos estar a duvidar das palavras de honra.
Porque Dr. Martins da Cruz, lá diz o ditado “quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras ao ar” e, eu acrescentaria, nem aceitar determinados lugares. É que não basta parecer, é necessário ser.
Reflicta e diga sem pudor se não tenho razão?
A confiança é fundamental para que se dê crédito à prática de um ministro e a deste ficou bastante abalada pela incongruência da sua história. Penso que seria bom que o Primeiro Ministro pensasse na sua substituição a breve trecho ...
TÓNICO
Publicado por agineotonico às 07:33 AM
outubro 05, 2003
CRITICAR? SIM, SIM, SIM ...
Esta é a resposta a um artigo no Faccioso sobre a questão das propinas e em que se extrapola insensatamente para uma análise das nossas motivações, exigências e posturas em relação às medidas legislativas e à nossa forma de estar no mundo ...
Há muitas coisas de que não devemos prescindir mesmo tendo consciência que o dinheiro disponível é curto.
Entre melhorar o serviço de saúde, não pagar propinas ou fornecer gratuitamente os livros escolares e comprar submarinos, fazer 10 estádios de futebol, etc., penso que opção me parece óbvia. A questão pode estar, não tanto no dinheiro disponível, mas nas decisões quanto à sua aplicação.
Melhores serviços que devem ser gratuitos, como educação e saúde, sim. Pagar mais impostos, eu não, que pago um terço do ordenado em impostos, se não contar com as propinas do meu filho, com as taxas moderadoras do serviço de saúde (impostos escondidos, de entre outros). Em vez destas medidas, talvez começar a analisar a relação entre os sinais exteriores de riqueza e as declarações de impostos fosse mais razoável.
Modernizar a administração do Estado, sim, desde que isso não se traduza no despedimento sem critérios e na sua substituição por um exército de assessores, consultores e outros "ores", como mudar as cores ... dos gabinetes, dos quadros, do mobiliário e dos etc. dos outros "ores" ...
Criticar, sim. Além de ser uma actividade saudável que implica inteligência e criatividade, tem a vantagem de incomodar quem abusa do poder.
Fazer figura de rico faz quem quer e pode, mas neste caso cada um fala por si ...
Não se trata de pedir tudo, trata-se de saber se, quando nos pedem contenção, ela toma visibilidade no exemplo dado pelos que nos pedem isso e pelas suas "famílias".
A nossa incapacidade inata, não está na definição das prioridades, mas na incapacidade da "classe dominante" pôr de lado a matreirice do merceeiro que nos engana nos trocos e que só emprega mentecaptos a quem pode tratar como gato sapato, como acontece nas nomeações para cargos de chefia na administração pública, por exemplo. Aqui não há nomeações de mérito, há ocupação de tempos livres para todos os membros da família dominante nessa data, quer a cor da rifa comprada seja laranja, cor de rosa, amarela e azul e por aí fora.
Quem fala de administração pública, fala da maioria das empresas privadas que surgem como cogumelos em torno desta mesma administração. É uma forma de alargar a outras franjas da mesma família, a protecção inerente à compra da referida rifa colorida e que tem como resultado, quase, senão sempre, adjudicações de serviços que aumentam a despesa pública.
Por isso, criticar, sim, sim, sim ... é saudável
GIN
Publicado por agineotonico às 06:25 PM | Comentários (1)
outubro 01, 2003
O OCULTO DA BLOGOSFERA
Uma das coisas boas (de entre outras) da blogosfera, e que não é visível, é a interajuda entre os bloguistas na configuração dos blog.
Aqui fica o nosso agradecimento público a todos o que nos têm ajudado a ir construindo o nosso blog.
A GIN e o TÓNICO
Publicado por agineotonico às 07:29 PM
setembro 25, 2003
Os Blogs são uma feira de vaidades
Pedi ao meu filho de 17 anos que é um web navegador compulsivo:
- Dás-me uma ajuda na configuração do blog? sabes o que é não sabes?
- Sei, sim, são coisas de pessoas demasiado vaidosas para participarem nos chats e aguentarem-se a ser apenas um entre muitos. Estou farto de Blogs, desenrasca-te sozinha.
Isto deu-me que pensar. De facto, se dermos uma volta pelos chats e foruns que por aqui pululam, ficamos arrepiados com o nível das coisas (não me atrevo a chamar diálogos, ou troca de ideias) que por ali se lêem. E questionei-me ....
Publicado por agineotonico às 04:15 PM | Comentários (1)
setembro 21, 2003
Em Defesa de Uma Opinião Pública Activa
Em Defesa de Uma Opinião Pública Activa (EDUOPA)
Caro Tónico, descobrimos os dois muito recentemente este fenómeno dos Blogs. Como com tudo o que é novo, a nossa curiosidade levou-nos a “vasculhar” este mundo e, rapidamente, percebemos que estamos perante mais uma situação daquelas em que o nosso espírito crítico tem que se elevado ao rubro.
Lemos muito sobre esta questão, sobre se por aqui deve ser deixado espaço a uma boa quantidade de tolice, de provocação, de informação e desinformação, de opiniões pessoais sobre coisas das mais simples às mais complexas, de exposições de “eu”, etc.
Confessamos que muito do que lemos nos irritou, nos desconcertou, nos admirou, nos agradou, ... ou, ....ou, ... ou, mas uma coisa em que temos estado sempre de acordo (temos falado bastante sobre isso ) e que nos tem parecido muito interessante é saber se: “Poderá este fenómeno dos Blog contribuir para o aparecimento de Uma Opinião Pública Activa (UOPA)?
Este parece ser um bom desafio numa altura em que se questiona a isenção da informação veiculada pelos diferentes órgãos de comunicação social.
Concordo contigo em algumas das questões que levantas quanto ao que JPP diz sobre o MM no ABRUPTO, mas na verdade ele hoje reconhece que “A atitude correcta face ao Muito Mentiroso (MM) seria desde início não lhe ligar, deitá-lo ao lixo, como uma carta anónima. Eu fiz essa comparação logo de início, mas já não tem sentido. O MM está hoje publicado para milhões e é visto por muitos milhares. Seria aliás praticamente impossível que fosse doutra maneira, por razões que têm a ver com o tipo de populismo e demagogia que se vai tornando dominante em, todos os aspectos da vida pública. Por isso, mais vale discuti-lo que ignorá-lo”. Como vês, de certa forma, esta mudança de atitude vai de encontro ao que temos falado.
Como temos concordado, é verdade que se torna complicado para muitas pessoas discriminar a informação ou desinformação que por aqui paira, até porque sempre fomos ensinados a ser acríticos, mas mesmo assim continua a ser um bom desafio saber até que ponto os melhores bloguistas conseguem ganhar terreno às manifestações daquilo que temos de pior, ao tal gosto pelo populismo de que fala JPP.
Por outro lado, discordo o JPP, quando ele refere no ABRUPTO que “..., uma Internet em que este tipo de operações ficassem impunes – no meio de um processo com a delicadeza e os interesses em jogo do da pedofilia – tornar-se-ia um meio mais selvagem do que o mundo comunicacional clássico. Não podemos queixar-nos da falta de deontologia dos media e depois aceitar o vale tudo somente por que se passa na Internet”. Não concordo, de facto, com esta posição do JPP. O problema dos media, é que pouca gente tem acesso a eles no sentido de aí colocar as suas opiniões e, infelizmente, exige-se pouca independência e formação profissional e ética aos nossos “jornalistas”, “colunistas”, “comentadores”, etc. É por isso que temos andado curiosos em saber até que ponto este fenómeno dos blogs sustentará o aparecimento de UOPA, certo?
JPP, ao achar que é errado não haver controle sobre o que por aqui se escreve e deixar impune quem, em alguns blogs, acusa e faz insinuações como as que refere no seu artigo, torna-se perigoso porque, por um lado, apela a que se comece a censurar os blogs que consideramos como um espaço aberto de Opinião Pública e, por outro, impede que a comunidade bloguista faça um esforço por desmascarar os argumentos e afaste esses blogs. Claro que compreendo o ponto de vista dele, seria mais fácil, seria o mundo controladinho da informação ... mas depressa, como também já concordámos, desapareceria este espaço de opinião livre. Passaríamos a ter nos blogs o mesmo que temos nos media.
Mas enfim .... acho que está na altura de ir beber um GinTónico.
Beijo da GIN
Publicado por agineotonico às 10:20 PM