janeiro 11, 2005

Afinal era mesmo aqui ao lado ...

que o blogue muitomentiroso era editado.

A Secção de Investigação de Criminalidade Informática e de Telecomunicações (SICIT) da Polícia Judiciária apurou que o blogue Muito Mentiroso (MM) terá sido alimentado a partir da rede da Press Livre, empresa do grupo Cofina proprietária do jornal "Correio da Manhã" e de outros títulos. O "Diário de Notícias" assegurava, ontem, que a Polícia Judiciária tinha determinado a origem daquele blogue que divulgava supostos documentos e dados sobre o processo. "O universo dos suspeitos está agora reduzido a quem tinha acesso, lícito ou ilícito, aos computadores da Press Livre, afirmou ao PÚBLICO fonte policial. A autoria da difusão de documentos no MM não estará apurada, mas o rol dos suspeitos diminuiu na sequência da busca ao sistema central da rede informática da PressLivre. A SICIT confirmou que um dos IP (protocolo de acesso à Internet) atribuídos a esta empresa seria o mesmo que foi usado para aceder ao servidor onde estava alojado o MM.
(in Público)

Publicado por agineotonico às 02:44 PM | Comentários (1)

dezembro 08, 2004

Somos um país de Drs. e Engenheiros


"Somos um país de doutores diz-se. É um equívoco: somos um país de drs. e engenheiros. E está tão vulgarizado que basta entrar num qualquer restaurante desconhecido para obtermos o título: «Sai um bacalhau à Braz para o doutor». Já tenho uns 20 doutoramentos honoris causa concedidos por diferentes restaurantes. Em Portugal, o serviço ao cliente vai ao extremo de nos licenciarem antes de começar a refeição! Mas este dr. não tem doutoramento e a nossa obsessão com títulos é tanta que logo se encontrou uma distinção: quem é doutor por extenso é Professor Doutor, seja ou não professor. E os professores que não são doutores, são apenas «sotores». Substituímos a sociedade de classes pela sociedade de títulos.
Somos «marcados» pelo título ..."
(Miguel Poiares Maduro)

O Doutor
Miguel Poiares Maduro

e-mail:miguel.maduro@curia.eu.int

Por favor, esta semana «escreve algo ligeiro», pediram-me. O problema é que, ultimamente, só me ocorrem ideias «pesadas». Deve ser o peso da responsabilidade, já que a consciência não a tenho pesada. Pensei em aligeirar algo sério mas temia que me chamassem pouco sério. O que se pretendia era algo ligeiro escrito sem ligeireza. Acho que acabei por escrever sobre algo pesado com grande ligeireza.
Durante muitos anos em Portugal, ministros só doutores. Um título abre muitas portas em Portugal. Por isso é que não deve parecer (parecer é tudo neste caso) nada fácil obtê-lo. O valor do «título» está no acesso que comporta a um círculo restrito (ser um dos poucos) e na autoridade que comporta («quem fala, fala a título de_»). E nada é mais exemplar a este respeito que o «título» de doutor e a forma como se lhe acede: com uma tese de doutoramento. Eu que sou doutor tenho de saber com certeza_
Em primeiro lugar, a tese de doutoramento deve comprovar a adesão do candidato ao grupo: a sua fidelidade à escola que lhe concede o título. Ao contrário do que afirmam alguns, a tese não tem de constituir uma contribuição original para a ciência. Deve sim consistir numa contribuição original sobre as ideias do orientador da tese (em particular se forem as minhas!). Na medida do possível, o candidato deve abster-se de tomar posição própria, pois tal é sinal de arrogância científica. Pode sim adoptar a posição anteriormente expressa pelo orientador da tese. Se o orientador da tese não tiver posição, o candidato pode adoptar uma posição sui generis. Esta deve congregar elementos de todas as teses anteriores, de tal forma que não possa ser associada a nenhuma nem criticada por se lhes opor. É desejável que o candidato apresente a sua tese (se quiser arriscar ter uma) no meio de 350 outras pretensas teses. Pode ser que, desta forma, a tese passe despercebida.
Em segundo lugar, a tese deve transpirar autoridade científica. Mas esta não resulta das ideias (essas são subjectivas e como tal contestáveis). A autoridade resulta da forma. Desde logo, como ouvi algumas vezes, uma tese deve ter aspecto de tese. Começa com o peso: uns bons cinco quilos são o mínimo aconselhável. Segue-se uma boa organização sistemática. Em Direito, p. e., aconselho a seguinte estrutura: 1) introdução; 2) introdução ao Direito (com referência a elementos de Filosofia, História, Economia e Ciência Política); 3) excurso sobre a importância da definição do objecto da tese; 4) definição do objecto da tese (remissão da sua análise para momento posterior); 5) excurso sobre a importância do instituto jurídico objecto de estudo; 6) introdução ao instituto jurídico estudado; 7) história do instituto jurídico; 8) distinção de todos os institutos jurídicos similares; 9) estudo desses outros institutos; 10) classificação do instituto; 11) categorias e tipos que o compõem; 12) distinção de categorias e tipos similares; 13) distinção entre categorias e tipos (tipos de categorias e categorias de tipos); 14) último capítulo: análise do instituto jurídico em causa (remissão para segundo volume a publicar logo que os nossos trabalhos científicos - leia-se preparação de pareceres - nos permitirem).
Segue-se a linguagem. Deve procurar-se ser o menos claro possível (a clareza é geralmente entendida como um sinal de pouca profundidade intelectual). Ex.: a afirmação «existe, neste caso, um conflito de direitos fundamentais» deve ser substituída por «as jurisdições dos espaços de liberdade normativamente concretizados nas posições jurídicas subjectivas constitucionalmente garantidas estão, neste caso, numa situação de concorrência normativa na prossecução dos objectivos constitucionalmente consagrados».
Particular atenção deve ser dada às notas de rodapé e bibliografia (é por aqui que muitos membros de júris de tese iniciam - e, em muitos casos, terminam - a sua leitura). O texto em notas de rodapé deve exceder o texto do corpo da tese (tal circunstância demonstra que a erudição do candidato excede em muito as fronteiras do tema estudado). Por fim, a bibliografia deve conter todas as obras consultadas (por consulta entende-se a consulta do título em qualquer base de dados existente) e incluir referências a obras nunca antes citadas (de preferência, mas não necessariamente, relacionadas com o tema da tese).
Pouco sério? Apenas uma ligeira provocação para recordar que nem sempre o facto das coisas serem tratadas de forma muito séria é sinal de grande seriedade. O importante não devia ser o título mas a tese. Isto vale para os doutores e outros títulos. Em vez de comparar títulos devemos é trocar ideias.

Publicado por agineotonico às 03:42 PM | Comentários (2)

novembro 23, 2004

Atropelamento e fuga


Nos primeiros 6 meses de 2004, 282 pessoas foram atropeladas por condutores que se puseram em fuga sem prestar auxílio às vítimas.

Publicado por agineotonico às 07:08 AM

novembro 05, 2004

PJ desfaz equipa de investigadores do processo Casa Pia

A Direcção Nacional da Polícia Judiciária (PJ) decidiu dissolver a equipa de investigadores que estava a tomar conta do processo Casa Pia.
Ainda segundo o CM, o Procurador-Geral da República (PGR), Souto Moura, tentou evitar o desmantelamento desta equipa, sugerindo ao director nacional da PJ, Santos Cabral, que os inspectores regressassem aos seus lugares.
(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 07:41 AM

novembro 04, 2004

Corrupção na administração fiscal: julgamento adiado

O julgamento da alegada rede de corrupção da administração fiscal em que o principal arguido é o ex-funcionário das Finanças Rui Manuel Canas foi hoje adiado no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa.
O principal arguido, o ex-funcionário das Finanças Rui Canas, que assume ter responsabilidades criminais no maior caso de fraude na máquina fiscal em Portugal, no qual é acusado de corrupção, disse à saída do Tribunal da Boa Hora sentir-se "injustiçado".
"Há demasiada corrupção na máquina fiscal, vou dizer toda a verdade, e denunciar outras pessoas que participavam neste processo", afirmou. "Os principais responsáveis não estão cá, ganhei muito dinheiro, mas dei muito a ganhar", frisou. Dos 106 arguidos ouvidos ao longo do inquérito, apenas 16 vão sentar-se no banco dos réus.
Neste processo o esquema clássico de corrupção passava por "um favor ali, outro acolá, um pagamento avultado e dinheiro a passar de mão em mão e as dívidas fiscais como por magia desapareciam", explicou.
(Público)

Ainda consigo ficar pasmada com a descontracção e a pouca vergonha destas declarações ...

Publicado por agineotonico às 06:48 PM | Comentários (1)

novembro 01, 2004

Demolição em Lisboa


Em Lisboa, a recuperação e reabilitação de edifícios vê canalizados apenas 5% do investimento da Câmara. Nas capitais europeias o investimento é de 35%.
Estas afirmações são feitas por António Mega Ferreira (Visão 604) num artigo sobre a aprovação, pela Câmara Municipal de Lisboa, da demolição da casa de Garrett.

Publicado por agineotonico às 09:31 PM

outubro 30, 2004

As Torres de Alcântara e a Cidade Democrática

1. Está aberto o debate sobre o empreendimento que o grupo Silveira pretende construir em Alcântara-Rio. Na apresentação da iniciativa, foi exposta uma maqueta assinada por Siza Vieira. Nela sobressaem três torres com 45 pisos, quatro vezes superiores à altura máxima fixada no plano director de Lisboa.
Até agora a discussão do empreendimento tem girado em torno da estética das torres. Só em segunda instância é levantada a seguinte dúvida: é legítimo invocar a arquitectura para pôr em causa os planos municipais? Dito de outra forma: a arquitectura vale mais do que o urbanismo?
A qualidade do futuro projecto não suscita polémica e, nesse sentido, é irrelevante para a animação do debate. Já o mesmo não direi da faceta urbanística do empreendimento que leva o nome de Nova Alcântara. Repare-se que as torres se apresentam ao público desamparadas de qualquer estudo urbanístico elaborado com a participação dos moradores e dos proprietários da zona. A omissão merece reparo, uma vez que o plano director determina que o licenciamento do empreendimento seja precedido de plano de urbanização ou de pormenor.

2. Não é segredo para ninguém que em 25 de Abril de 1974 deixámos para trás um regime autoritário, sendo-nos dada a oportunidade de construir uma cidade à luz de princípios democráticos. Ora, a construção da cidade democrática é dinamizada, não tanto pelo desejo de patentear a beleza da sua arquitectura ou o fino gosto dos seus políticos, mas antes pelo bom uso da liberdade de pensamento e de expressão, bem como pela vontade de promover a justiça nas relações estabelecidas entre cidadãos livres e responsáveis.
(Por Fernando Gonçalves, arquitecto «Público», 28 de Novembro de 2003)
(in Ofícios do Património e da reabilitação Urbana)

A questão da justiça está tão intimamente ligada à beleza da cidade que esta relação tende a passar desapercebida. Valha-nos a história, que não se cansa de repetir: onde à viva força se quer impor a beleza, definha a justiça; onde se cultiva a justiça, surge naturalmente a beleza.
Olhando ao nosso passado comum, a mnemónica da anterior lição é a cidade democrática de Atenas, perene fonte de inspiração das instituições europeias. Os atenienses distinguiram-se pelo modo como facilitaram o acesso dos cidadãos aos tribunais e às assembleias onde se votavam as leis. Por isso os deuses concederam a Atenas um lugar inigualável na história da arquitectura. E não foi necessário erigir sumptuosos palácios reais nem grandes mansões senhoriais, mas apenas um pequeno conjunto de sóbrios edifícios, todos eles destinados ao uso de todos os cidadãos.
A lógica subjacente às torres de Alcântara-Rio é manifestamente outra. Não me refiro ao móbil da especulação fundiária, que muitos hão-de considerar a razão de ser do projecto. Atenho-me apenas às declarações de responsáveis do grupo Silveira, quando insistem em proclamar o desígnio de deixar uma marca indelével na fisionomia da cidade. Ora, é aqui que os problemas começam a tomar forma.
Deixámo-nos inebriar com a beleza do anunciado projecto e corremos o risco de esquecer a justiça das opções urbanísticas que informam o desenho da Nova Alcântara.

3. Numa cidade democrática não há lugar para uma arquitectura erigida sobre os escombros dos direitos subjectivos dos vizinhos ou com menosprezo dos direitos difusos da própria cidade. Para assegurar a expressão desses direitos, a Constituição de 1976 prevê a participação dos interessados na elaboração dos instrumentos de planeamento urbanístico. Mas, como é óbvio, só existirá participação se o Estado não actuar por omissão.
A história do urbanismo em Portugal é uma longa sucessão de actos omissos. Nos cerca de 40 anos que medeiam entre 1934 e 1971, nem um único dos milhares de estudos apresentados pelos municípios mereceu a aprovação final do Governo. À margem do plano, a gestão municipal descambou na pura arbitrariedade, bem ilustrada por uma cultura administrativa mais imbricada na promoção imobiliária do que interessada na opinião dos moradores e na melhoria do seu quadro de vida.
Note-se que os antigos planos deviam ser apresentados a escalas próximas de 1/1000. Tratavam-se pois de verdadeiros planos de pormenor, empenhados na definição da forma urbana. Não se confundiam com instrumentos de zonamento, vocacionados para a distribuição, por grosso, dos índices de construção.
Nos 30 anos que nos separam de 1971, registaram-se progressos em matéria de aprovação de planos urbanísticos, mas apenas no âmbito dos planos de zonamento. A planta de ordenamento do plano director de Lisboa é apresentada à escala 1/10.000. Nessa planta, o Terreiro do Paço, com os seus 200 metros de largo, cabe num pequeno quadrado de dois centímetros de lado. Ou seja, o mega-empreendimento do grupo Silveira é inversamente proporcional à pequenez do plano municipal que o enquadra.

4. Para complicar um pouco mais a situação, os índices do plano director estoiram com a escala do tecido urbano existente, colocando a cércea dominante à altura de oito pisos. Assim, o respeito pelo plano director resultaria, no entender de Siza Vieira, em algo de "monstruoso", uma vez que os novos edifícios seriam uma "espécie de casernas".
De repente, esbarrarmos com a seguinte equação: 45 pisos é bom, oito pisos é mau.
Nenhum arquitecto, no pleno uso das suas faculdades, pode subscrever de ânimo leve tão singela afirmação. Muito menos se reformulada da seguinte forma: oito pisos desenhados por qualquer outro é mau, 45 pisos projectados por mim é bom.
Quero crer que não é esta a postura de Siza Vieira. Mas pergunto a mim próprio se não é essa a leitura que o grupo Silveira pretende sugerir junto do grande público.
Se enveredarmos por este caminho, estamos a propiciar a confusão entre licenciamento municipal e crítica da arquitectura. Perante o município, Siza Vieira não é mais, nem menos, do que qualquer outro arquitecto no pleno gozo dos seus direitos. Pensar de outro modo é pôr em causa o princípio da igualdade, fundamento da cidade democrática.

5. O método do reductio ad absurdum permite a Siza Vieira rejeitar os oito pisos do plano, para logo contrapor os seus 45. Só um mestre se arrisca a uma jogada deste gabarito. Simplesmente, o salto é tão grande que as torres caem fora do tabuleiro. De facto, o mega-aproveitamento proposto só será viável se previsto em plano de urbanização ou plano de pormenor. E esta exigência, formulada pelo plano director em 1994, encontra-se hoje reforçada, uma vez que a lei garante o direito dos proprietários à distribuição perequativa dos benefícios e encargos decorrentes dos instrumentos vinculativos dos particulares, distribuição essa que só pode ser correctamente calculada com base num plano de pormenor.
A perequação compensatória é uma matéria complexa e controversa. Contudo, assenta num princípio facilmente compreensível: ou há moralidade, ou comem todos. A Câmara Municipal de Lisboa não pode autorizar um empreendimento que fura a altura máxima fixada no plano director, que ignora a regra dos 45.º e que se apresenta ao público desenquadrado do obrigatório plano de pormenor, e esperar que os restantes proprietários da zona se contentem em contemplar, meditabundos, as torres de Siza, imaginando o que poderiam ter ganho se tivessem seguido o exemplo do grupo Silveira.
Se o empreendimento avançar, é muito provável que, por arrastamento, venhamos a ter umas Novas Amoreiras mesmo ao lado das torres de Alcântara-Rio. Entretanto, ombro a ombro com Siza Vieira já trabalham o inglês Norman Foster, celebrizado pelo arranha-céus do Banco Shanghai, em Hong Kong, e o francês Jean Nouvel, autor de um notório projecto para Paris, intitulado Tour Sans Fin... Assim, juntando várias peças soltas, tudo parece indicar que Alcântara-Rio está destinada a transformar-se na versão erudita e pós-urbanística da pequena Manhattan construída na Póvoa de Varzim. As torres alcantarenses serão apenas a aurora desse futuro radioso, em que a grande arquitectura triunfa sobre a lei dos filisteus, finalmente reduzidos ao silêncio.

6. Guião para um filme de ficção: 2010, Comemorações do Centenário da Instauração da República, Lisboa, Palácio das Necessidades. O Ministro dos Negócios Estrangeiros manda abrir as janelas do Palácio, para mostrar, aos embaixadores da União Europeia, não o estuário do Tejo, mas antes um panorama pontuado por torres, todas projectadas por afamados arquitectos europeus. Incrédulo, um dos embaixadores pergunta, sem grande diplomacia, quem esteve na origem daquele cenário de ferro, betão e vidro. A resposta surge cândida: o grupo Silveira, aquele que se destacou dos seus iguais, por ser mais igual do que os outros.

7. Em resumo: sem o aval de um plano de pormenor que o enquadre, ao empreendimento do grupo Silveira falta em ética o que lhe sobra em estética. Mas, bem vistas as coisas, não há que estranhar tal facto. Afinal de contas, a proeminência da estética condiz perfeitamente com o presente estádio do capitalismo, em que é inimaginável viver fora do mundo das imagens e da sociedade do espectáculo.
As torres de Siza têm pelo menos o mérito de nos confrontar com a elevação da estética ao mais alto dos céus. E o empreendimento do grupo Silveira será o monumento que, no futuro, irá celebrar, não tanto a vitória final da construção em altura, mas antes a entrada dos lisboetas num admirável mundo novo em que a vida abdica do rigor da lei para se deixar levar pela beleza da encenação e pela euforia do espectáculo. Já se ouvem as pancadas de Molière (ou serão as balas do Matrix?)... Boa comédia, meus senhores.

Publicado por agineotonico às 12:35 AM | Comentários (1)

outubro 18, 2004

Três empresas portuguesas lideram poluição da água na Europa

poluicao.JPG Três empresas portuguesas lideram a lista das indústrias europeias que mais contaminam a água com certas substâncias poluentes, de acordo com o Registo Europeu de Emissões Poluentes (EPER) da Comissão Europeia, divulgado hoje em Bruxelas.
Segundo o documento, os últimos dados existentes, referentes a 2001, indicam que a empresa de aço Lusosider, em Paio Pires, Seixal, é a que mais contribui na Europa para a descarga de compostos orgânicos na água, sendo responsável por 36,7 por cento da poluição entre as sete empresas que afirmaram emitir este poluente.
No que respeita aos hidrocarbonetos policíclicos, duas unidades portuguesas - a Lameirinho Indústria Têxtil, no Norte do país, e a CIPAN - Companhia Industrial Produtora de Antibióticos - são responsáveis por 35,7 por cento do total de emissões para a água do total de 62 unidades europeias que admitiram efectuar descargas daquela substância.
(in Público)

Publicado por agineotonico às 04:49 PM | Comentários (1)

outubro 11, 2004

"Estrelas decadentes"

Especialistas explicam as motivações das "celebridades" da quinta:
"Eles estão a correr atrás de mais fama, popularidade e visibilidade, e nem se importam de ter a vida pessoal totalmente exposta e as suas figuras ridicularizadas em directo".

"Eles sofrem de uma síndrome séria. Se não aparecerem na imprensa, não são ninguém" - João Teixeira Lopes, sociólogo.

"São pessoas de «popularidade oca», que não alcançaram a fama por feitos, conquistas ou trabalho árduo" - Vítor Cotovio, psiquiatra e psicoterapeuta.

"Estamos de volta ao circo, onde há palhaços e espectadores à procura de pão e animação (...) é prostituição barata, (...) é um mercado que serve apenas para encher os bolsos das estações e cativar audiências das classes sociais mais baixas. As pessoas estão a ser usadas, mas por dinheiro sujeitam-se a tudo" - Manuel Sommer, psicoterapeuta.
(in FOCUS 260)

Pessoalmente tenho maior respeito pelas "estrelas cadentes" dos anteriores BigBrothers. Eram ilustres desconhecidos e jovens que acabaram (um número significativo deles) por dar um rumo à vida aproveitando as vantagens da sua exposição pública.
Estas "estrelas decadentes" que estão na quinta não procuram uma oportunidade, procuram alimentar o circo que as sustenta. Os ganhos que dali advierem serão queimados na vacuidade que são as suas vidas.
Não há pachorra ...

Publicado por agineotonico às 07:59 AM

junho 12, 2004

Portugal veste fato domingueiro

Com a entrada de 10 novos países para a União Europeia, Portugal passa de 15º lugar para 25º na avaliação das áreas mais fundamentais do desenvolvimento.
Com o país em saldo, os direitos sociais em risco e com o alargamento da miséria, o país tudo aguenta sem tugir nem mugir.
Mas com o Euro 2004, chora-se perante as câmaras de televisão, políticos em bicos dos pés debitam discursos inflamados (promiscuidade entre política e futebol? ora essa!!), florescem bandeiras nacionais nos carros e janelas do país inteiro.

Portugal veste o fato domingueiro para assistir ao futebol ...
Embalaram-nos como bons pais e nós deixámo-nos adormecer como bons filhos ...

Publicado por agineotonico às 01:03 PM

maio 20, 2004

Os Bimbos portugueses

Chovem, nas embaixadas e na secção protocolar do MNE, pedidos de “bilhetes” para a tribuna de honra e para os lugares de convidados oficiais do Euro 2004. Também ao Palácio das Necessidades chega a lamechice dos pedidos de “estatuto VIP”.
Uns no BigBrother outros no Euro 2004 ... a bimbalhada portuguesa também é classista ... as Lilis, Bibás, Mayas, Cardinallis, Jimmies, Jocas, Mituxas, Jardim, Elgas, Gios, Tabordas, Monteiros, Poças, Romeiros e outras Cinhas, bem como os “aprendizes da politicagem” da nossa praça pública não se coíbem de nada para aparecer na comunicação social. Já não lhes basta as “revistas da especialidade” ...
Mas, diz uma investigadora, "hoje em dia, só dois grupos de pessoas querem aderir a esta lógica mediática". Um dos grupos é composto por pessoas que a todo o custo querem fama, independentemente da sua legitimidade social. Estas pessoas tratam-se a si próprias como produtos e não se importam de fazer parte dos circuitos de venda típicos das sociedades de consumo. O outro grupo de pessoas, a massa anónima daqueles que, por exemplo, participam no Big Brother, acha que a fama pode ajudá-los a encontrar um lugar ao sol. Geralmente, estes não gostam de ser tratados como mercadoria, revoltam-se e tornam-se responsáveis por críticas ferozes à sociedade do espectáculo.”
De facto, os concorrentes do BigBrother tão criticados por alguma opinião pública, parecem merecer maior respeito que os bimbos com aspiração mediática dos “novos ricos” e “velhos ricos pobres” do sector mais decadente da nossa sociedade ... os que vivem das aparências e sabe-se lá com o dinheiro de quê.
O mérito é algo que estes bimbos desconhecem. Infelizmente, muitas vezes, quem tem o poder de decisão sobre a quem atribuir estes bilhetes, desconhece também a importância do mérito e despreza a oportunidade de dar visibilidade a quem de direito merece essa distinção.
Em vez de vermos serem reconhecidos como as nossas figuras públicas, portugueses que de uma maneira ou de outra têm contribuído para o prestígio do nosso país e que têm, muitos deles, visibilidade no estrangeiro, “maravilham-nos” com o que de pior tem a sociedade portuguesa – os VIP (Valentíssimos Idiotas Portugueses).
E depois estranham que o país ande com baixa auto estima ...

Publicado por agineotonico às 09:35 PM

abril 08, 2004

Música Sacra fora da igreja já!!

O bispo da Diocese de Viana de Castelo proibiu a realização de concertos de música sacra em todas as igrejas do concelho. Diz o bispo, que a música sacra fora do serviço litúrgico é um evento cultural e, esses, têm locais próprios para serem realizados que não as igrejas. Diz ainda o bispo, que os fieis conscientes não aprovam a utilização das igrejas para a realização destes concertos.
Pois é ... há muitos infieis inconscientes neste país, é preciso a acabar com eles porque gostam de eventos culturais e a igreja não tem nada a ver com cultura, só mesmo com serviços litúrgicos.


GIN

Publicado por agineotonico às 11:44 PM | Comentários (2)

março 30, 2004

OBESIDADE MENTAL

Foi em 2001 que o prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro Mental Obesity. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna fast food intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma "alimentação intelectual" tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.»
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma "idade das trevas" ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.»

(PS: não conheço o autor, não li o livro. Apenas li isto que me mandaram e achei oportuno)

GIN

Publicado por agineotonico às 01:25 AM | Comentários (1)

novembro 28, 2003

Uma adiantada mental

Margarida Pinto Rebelo, através da personagem “Pam” leva-nos a perceber o mundo.

Tão fofa ... diz ela: "escrevi um romance universal, sem estereótipos geográficos ou sociais, dei o salto ... as pessoas lêem o livro e dizem: gostei muito da Pam ... porque é uma adiantada mental ... os leitores conseguem perceber o mundo através do olhar dela”.

Perceber o mundo através de uma “adiantada mental” deve ser fixe ... só não sei o que é e fazer um romance universal sem estereótipos sociais é deveras uma obra de gigante, percebo que tenha saltado.

É que neste livro (não li, apenas espreitei os dois primeiros) entrou num novo percurso, diz ela: ”nos outros romances havia um universo já muito definido e fechado e isso estava a limitar a minha capacidade criativa”. Acredito, a falta de criatividade era evidente ...

Deu o salto para fora dos estereótipos sociais, mas reconhece que a mulher, na sua incessante procura de amor, permanece neste seu romance porque para ela o amor é estabilidade e família e o homem português tem uma “herança genética” que o faz diferente dos homens dos outros povos não latinos, “é machão por natureza ... têm as mulheres entre o fogão o tanque e as fraldas ... aquelas coisas que acontecem nos países anglo-saxónicos, em que as mulheres são independentes e os homens vão aos infantários, só são possíveis na terra deles. É outro sangue ... “

Dá mesmo vontade de ir a correr ao continente comprar o livro, tanta é a minha necessidade de perceber o mundo através de uma Pam, jovem adiantada mental sem estereótipos sociais ...


GIN

Publicado por agineotonico às 07:03 PM | Comentários (2)

outubro 01, 2003

ASSASSINOS EM POTÊNCIA

As primeiras chuvas de Outuno provocaram o caos habitual nas estradas lisboetas. É sempre assim e não há volta a dar.

Não tem nada a ver com a chuva, tem a ver com a mentalidade de um povo, agravada pelo stress urbano, que não consegue raciocinar ao volante.

Algumas pessoas que admiro trasnsfiguram-se com o pé no acelerador. Tornam-se verdadeiros assassinos em potência com um carro nas mãos.

São capazes de não viajar nas férias por pavor ao "bicho" avião, mas fazem a A5, a mais de 180, colados ao carro da frente, num serpentear suicida e com uma justificação ridícula: está tudo sob controle.

Publicado por agineotonico às 10:46 PM