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fevereiro 01, 2005
Listas de espera "foram uma bandeira perdida" do Governo
As listas de espera em cirurgia, "o mais visível e sensacionalista dos problemas de acesso à saúde do ponto de vista político", foi uma bandeira do actual Governo, mas a batalha foi perdida. A opinião é de Cipriano Justo, investigador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, que lança hoje o livro Acesso aos Cuidados de Saúde. Porque Esperamos? (...) Cipriano Justo defende que as listas de espera para cirurgia têm sido combatidas como se fossem uma doença aguda, sem que sejam feitas alterações de fundo nos serviços de saúde. Por isso, tornaram-se "um problema crónico". Desde que foi identificado, há dez anos, cinco programas já foram lançados, mas o problema está longe de ser resolvido, "e já devia ter sido" (...)
O Programa Especial de Combate às Listas de Espera (PECLEC), lançado em 2001, tinha como objectivo resolver os 123 mil casos inscritos naquele momento. "Nunca soubemos o que foi feito a 30 mil destes casos. O ministério diz que não conseguiu identificar 20 mil pessoas e nunca deu conta se os outros dez mil foram ou não intervencionados" (...) O médico lamenta ainda o facto de não ter havido nenhum relatório final sobre o programa (...) Para Cipriano Justo, há passos que devem ser dados. O primeiro passa por uma avaliação da capacidade instalada de cada hospital e do aproveitamento que a unidade faz desses recursos, "que nunca foi feita" (...) "é necessário um bom sistema de informação" que coordene os diferentes hospitais. Ou seja, perceber qual é a resposta que a unidade pode dar a determinadas operações e, no caso desta ser ultrapassada, o doente ser encaminhado para outro hospital da área, público, privado e social (...) "O SIGIC recupera a filosofia do Programa de Promoção do Acesso, através da emissão de vales-cirurgia, mas anda à deriva porque não há informação sobre a capacidade real de cada hospital nem sistema de contratualização explícito". Assim, pode tornar-se numa mera "transferência de grande parte dos inscritos para o sector privado". Além disso, "deixa cair a definição de tempos de espera garantidos, que é fundamental". "Os doentes deviam poder consultar, na Internet, em que fase está o seu processo, como acontece noutros países".
(Diário Notícias)
Publicado por agineotonico às fevereiro 1, 2005 03:52 PM
Comentários
Não sabia desse pormenor nem do livro editado.
Mas este governo, como o anterior, falhou em muitas coisas.
Tenho lido há já algum tempo aquilo que vais escrevendo.
E tenho gostado do que vi até aqui.
Para não me perder criei um link para encurtar caminho. Espero que não te importes...
Abraço.
Publicado por: Nilson às fevereiro 1, 2005 05:51 PM