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janeiro 24, 2005

Que raio de campanha eleitoral!


Mais umas eleições em que se acentua a ausência de programas, de debates sérios sobre que caminho seguir. Deu-se lugar aos boatos, aos ataques pessoais, às insinuações sobre as opções sexuais dos candidatos, à mentira descarada e às promessas que se sabe não serão cumpridas. É a mais feroz ausência de ética e envergadura cívica.
Há apenas uma luta sem princípios pelo domínio do poder.
Isto não são umas eleições democráticas, são “as novas fronteiras” do assalto ao poder a todo o custo por parte de figuras que, quanto a opções políticas, nem apresentam assim tantas diferenças.
Assistimos à disputa, no “centrão” medíocre, sem que sejam apresentadas alternativas às políticas económicas que têm vindo a destruir a coisa pública em nome de um apregoado desenvolvimento económico que não aparece.
Encontrar alternativa às mudanças operadas pelo poder económico a nível mundial é, hoje, um desafio dos partidos e pessoas de esquerda. A luta contra a globalização dos mercados financeiros que se assumem como uma ditadura de tipo novo e arrasa todas as conquistas sociais que caracterizavam as democracias europeias, exigem coesão interna nos diferentes países e entre países.
O programa do PSD de Santana Lopes conhece-se através da irresponsável governação destes últimos meses.
Mas que programa apresenta o PS de Sócrates para além das declarações de intenção e generalidades? Em que se diferencia do PSD no que diz respeito à exigência de:
- acesso de todos os cidadãos à saúde e protecção na doença;
- combate ao desemprego e a todas as formas de pobreza;
- aposta numa educação pública de qualidade desde a 1ª infância;
- uma política inclusiva de habitação;
- uma consolidação das finanças públicas sem ser à custa da coesão social;
- combate à concentração dos média como garante de uma verdadeira liberdade de imprensa;
- não alinhamento com países que têm como política externa a agressão e ocupação militar unilateral de países soberanos sem motivos sérios.

Penso que é a estas questões que o PS precisa de responder tornando claras as diferenças relativamente ao PSD.
Mesmo dizendo que não parece haver muitas diferenças, claramente que votar PS não é mesma coisa que votar PSD. Os ataques feitos ao PS têm de facto tido alguns efeitos perversos, não pelas razões apresentadas por António Vitorino, mas porque dá uma imagem de um PS incapaz de governar. O receio que seja verdadeira esta incapacidade, leva a que muitas pessoas pensem que “do mal o menos”, o PSD mal ou bem pode fazê-lo. Esta tem sido a conversa que tenho ouvido frequentemente de votantes do próprio PS.
A razão porque digo não haver grandes diferenças, relaciona-se com questões de opção de política económica e social e não de capacidade ou incapacidade para governar. Mas também é verdade que o PS foi, durante muitos anos, o motor e suporte das políticas sociais. Parece ser este um risco que se corre ao não haver um esforço conjunto da esquerda em ter como alvo principal das críticas e da desmontagem do discurso, o PSD e as suas opções governativas. Não é por acaso que depois da desastrosa governação do PSD/CDS, estes ainda tenham nas sondagens tantas intenções de voto.
Tendo consciência que apenas estes dois partidos alternarão no governo, penso que compete aos militantes socialistas, aos seus apoiantes e votantes fazerem chegar a esta direcção do partido as suas críticas e expectativas.

Publicado por agineotonico às janeiro 24, 2005 07:10 PM