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janeiro 19, 2005

Composição das listas

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"O ritual da constituição das listas eleitorais tem sido, desde sempre, o espelho mais revelador do funcionamento dos partidos políticos em Portugal. Mas talvez nunca, como hoje, ele reflectiu a tacanhez e o oportunismo serôdio que condicionam a selecção da grande maioria dos candidatos a deputados. (...) O próximo parlamento deverá ser, por isso, um dos mais pobres, cinzentos e desqualificados de todos os que conhecemos desde o 25 de Abril".
(Vicente Jorge Silva)

"São múltiplos os aspectos com que deve ser tecida essa estratégia. Projectos, programa, propostas, manifestos, ideias, discursos - sem dúvida; comícios, jantares, manifestações, acções de rua, cartazes, bandeiras - também. Mas não podem dispensar-se factos nem comportamentos, exemplos e sinais objectivos de renovação, de qualidade e de autenticidade".
(Rui Namorado)

"Os partidos estão fechados sobre si próprios, que as suas elites estão reduzidas a um núcleo duro profissionalizado, que existem barreiras à entrada ou ascensão de novos protagonistas, isso tem sido dito repetidamente e é verdade. Tal situação conduz a um anquilosamento das estruturas partidárias e da sua capacidade de renovação política, não obstante a dança das lideranças e dos seus séquitos. Mas supor que o problema se resolve com apelos cívicos é de uma enorme candura. Não basta pedir que os partidos se abram a políticos não profissionais, que tentem atrair mais independentes ou que, para o preenchimento de lugares ou candidaturas, alarguem o seu recrutamento para fora do núcleo duro. A grande questão é que as oligarquias instaladas (ou com esperanças de instalar-se) não estão interessadas nisso. A última coisa de que os políticos profissionais querem ouvir falar é de nova concorrência que venha disputar-lhes os lugares alcançados ou cobiçados. É por isso que os partidos não se abrem à sociedade civil, não se esforçam por recrutar novos valores, asfixiam até as tentativas de transformação interna. É também por isso que o debate político quase desapareceu do funcionamento partidário, sendo substituído por episódicas litanias de apoio à claque dirigente. A contestação interna é abafada sempre que possível e em regra considerada uma traição quando tornada pública. Os partidos são hoje hostes profissionais de assalto aos cargos públicos e o seu quadro permanente de oficiais já está preenchido. (...) É pois ilusório pensar que irão chover convites às pessoas competentes da sociedade civil ou que haverá a preocupação de as atrair. Na óptica dos dirigentes, gente que pensa pela sua cabeça é uma ameaça. (...) O que falta nos partidos políticos é mais democracia interna. (...) Estamos mal servidos de políticos, reconheça-se, porque também estamos mal servidos de democracia na esfera interna dos partidos".
(Rui Valada)

Publicado por agineotonico às janeiro 19, 2005 08:22 PM