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janeiro 20, 2005
8º ciclo de debates do Fórum Gulbenkian de Saúde
Iniciou-se dia 19 de Janeiro o 8º ciclo de debates do Fórum Gulbenkian de Saúde, em colaboração com a escola Nacional de Saúde Pública e com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
Na 1ª sessão sob o tema “Questões e desafios éticos da investigação em células estaminais”, a investigadora portuguesa em células estaminais e Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa, Leonor Parreira, defendeu que o maior problema ético relacionado com esta área de investigação reside na justiça da distribuição dos seus resultados. Diz Leonor Parreira: "é um problema ético da maior importância. Será que os 120 milhões de pessoas com doenças que poderão vir a ser curadas com células estaminais irão poder aceder aos tratamentos?" (...) "Sabemos que só as sociedades ricas poderão beneficiar deste tipo de tecnologia, cuja investigação é muito cara, apesar de, como médicos, termos um compromisso: o querer e o dever de oferecer ao doente que nos procura o melhor que há" (...) a futura terapia com células estaminais "não ajudará todos os que dela precisam, da mesma forma que a cirurgia cardiovascular ou os transplantes não o fazem".
William May, conselheiro para a bioética do Presidente norte-americano, George W. Bush, entre 2002 e 2004 e defensor de uma investigação em células estaminais devidamente regulamentada, preconizou, no mesmo encontro, uma "repartição justa dos benefícios desta pesquisa".
Este professor de Estudos Religiosos na Universidade de Virgínia, Estados Unidos, foi um dos sete conselheiros do Presidente norte-americano que defenderam a clonagem terapêutica e que foram vencidos por uma dezena de posições contrárias. O Presidente George W. Bush é um opositor da investigação na área da clonagem com recurso a embriões humanos. (...) Para este especialista, "a questão do acesso universal aos benefícios que possam resultar da investigação em células estaminais não deve ser ignorada". Nos Estados Unidos, lembrou, os opositores à investigação em células estaminais não se opõem, contudo, à investigação realizada com fundos privados.
(Público)
Publicado por agineotonico às janeiro 20, 2005 02:26 PM