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janeiro 25, 2005

Aprender com a experiência dos outros


O Chile foi cenário de uma contra-revolução neoliberal precoce que conduziu a um neoliberalismo maduro, quer dizer, levou-se a cabo todo o programa de contra-reformas neoliberais, incluindo o retrocesso ideológico-cultural. A ditadura desenvolveu muito o modelo económico chamado "livre mercado"; criou uma ordem institucional excluindo a esquerda, com sistema eleitoral binominal e papel tutelar das Forças Armadas; criou as condições para a fusão posterior entre a direita e o sector hegemónico da Concertação, o qual legitimou complacentemente a herança da ditadura. Fez-nos transitar de uma estrutura de representação política para uma de baixa intensidade classista, sendo factor decisivo nesta transformação de "desafiliação" do Partido Socialista do seu ideal de esquerda. Gerou mudanças profundas nas ideias, valores e atitudes das pessoas como resultado do carácter invasivo do mercado, conjugado com um forte ressurgir do conservadorismo com a sua sequela de hipocrisia e discriminação social. Um exemplo é a influência de concepções integristas na Igreja Católica, que rejeita a educação sexual, o aborto, o divórcio.
(...)
É necessário imperativamente superar o retrocesso da consciência popular, especialmente no Chile, como condição para avançar na acumulação de forças.
Há quem condene o neoliberalismo mas considere impossível a sua transformação radical.
(...)
Não são os subversivos que instalam a questão do poder, é a profundidade da crise que o instala. Isso significa nesta fase construir um contrapoder a partir de baixo, capaz de enfrentar com êxito um poder dominante que se defende com todos os recursos repressivos, financeiros e mediáticos ao seu alcance. Isto é, acumular experiências de acções directas e de reforço da consciência para os futuros enfrentamentos.
(Óscar Azócar G)

Publicado por agineotonico às 08:01 AM | Comentários (3)

E eles a rir


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Publicado por agineotonico às 07:15 AM

janeiro 24, 2005

Que raio de campanha eleitoral!


Mais umas eleições em que se acentua a ausência de programas, de debates sérios sobre que caminho seguir. Deu-se lugar aos boatos, aos ataques pessoais, às insinuações sobre as opções sexuais dos candidatos, à mentira descarada e às promessas que se sabe não serão cumpridas. É a mais feroz ausência de ética e envergadura cívica.
Há apenas uma luta sem princípios pelo domínio do poder.
Isto não são umas eleições democráticas, são “as novas fronteiras” do assalto ao poder a todo o custo por parte de figuras que, quanto a opções políticas, nem apresentam assim tantas diferenças.
Assistimos à disputa, no “centrão” medíocre, sem que sejam apresentadas alternativas às políticas económicas que têm vindo a destruir a coisa pública em nome de um apregoado desenvolvimento económico que não aparece.
Encontrar alternativa às mudanças operadas pelo poder económico a nível mundial é, hoje, um desafio dos partidos e pessoas de esquerda. A luta contra a globalização dos mercados financeiros que se assumem como uma ditadura de tipo novo e arrasa todas as conquistas sociais que caracterizavam as democracias europeias, exigem coesão interna nos diferentes países e entre países.
O programa do PSD de Santana Lopes conhece-se através da irresponsável governação destes últimos meses.
Mas que programa apresenta o PS de Sócrates para além das declarações de intenção e generalidades? Em que se diferencia do PSD no que diz respeito à exigência de:
- acesso de todos os cidadãos à saúde e protecção na doença;
- combate ao desemprego e a todas as formas de pobreza;
- aposta numa educação pública de qualidade desde a 1ª infância;
- uma política inclusiva de habitação;
- uma consolidação das finanças públicas sem ser à custa da coesão social;
- combate à concentração dos média como garante de uma verdadeira liberdade de imprensa;
- não alinhamento com países que têm como política externa a agressão e ocupação militar unilateral de países soberanos sem motivos sérios.

Penso que é a estas questões que o PS precisa de responder tornando claras as diferenças relativamente ao PSD.
Mesmo dizendo que não parece haver muitas diferenças, claramente que votar PS não é mesma coisa que votar PSD. Os ataques feitos ao PS têm de facto tido alguns efeitos perversos, não pelas razões apresentadas por António Vitorino, mas porque dá uma imagem de um PS incapaz de governar. O receio que seja verdadeira esta incapacidade, leva a que muitas pessoas pensem que “do mal o menos”, o PSD mal ou bem pode fazê-lo. Esta tem sido a conversa que tenho ouvido frequentemente de votantes do próprio PS.
A razão porque digo não haver grandes diferenças, relaciona-se com questões de opção de política económica e social e não de capacidade ou incapacidade para governar. Mas também é verdade que o PS foi, durante muitos anos, o motor e suporte das políticas sociais. Parece ser este um risco que se corre ao não haver um esforço conjunto da esquerda em ter como alvo principal das críticas e da desmontagem do discurso, o PSD e as suas opções governativas. Não é por acaso que depois da desastrosa governação do PSD/CDS, estes ainda tenham nas sondagens tantas intenções de voto.
Tendo consciência que apenas estes dois partidos alternarão no governo, penso que compete aos militantes socialistas, aos seus apoiantes e votantes fazerem chegar a esta direcção do partido as suas críticas e expectativas.

Publicado por agineotonico às 07:10 PM

Votar em quem?


No jogo de alternância, levantam-se vozes que defendem alterações à lei eleitoral por forma a assegurar maiorias absolutas e, ao mesmo tempo, calar as vozes incomodativas e fechar as portas aos independentes de fora dos coutos partidários.
António Vitorino (estratega do programa do PS) disse no “Novas Fronteiras” que há convergência da direita e da esquerda nas críticas ao PS para impedir este de conseguir uma maioria absoluta. Estas afirmações não auguram nada de bom. Elas expressam o autismo do PS face às preocupações e propostas à sua esquerda e a intenção de jogar à direita, mas constituem também um indicador de que o PS apoiará a alteração à lei eleitoral eliminando a participação destes “críticos”.
As maiorias absolutas são perniciosas. Desresponsabilizam os governos de procurarem consensos com outras forças políticas. Vozes discordantes são uma necessidade democrática.
Os pequenos partidos são, talvez, a expressão da votação mais consciente ou pelo menos mais militante, a par do voto em branco e, somados, correspondem a um número muito significativo de eleitores. A voz dos pequenos partidos no Parlamento é um garante da diversidade democrática e fonte de um questionamento constante ao partido do governo.
A abstenção, por muitas declarações de voto e de princípios que se façam, será sempre colada à expressão daqueles que não estão para se dar ao trabalho de ter voz activa, ou que não têm condições para tal.
Nestas eleições, os partidos do “centrão”, não nos pedem um voto consciente e cívico, um voto no conteúdo de programas explícitos e com objectivos claros e concretos.
Pedem-nos um voto no “estilo” do candidato, ou um voto de confiança para uma governação que não sabemos o que será. Pedem-nos, ao votarmos neles, que lhes passemos um cheque em branco.
Como disse, a governação desastrosa do PSD já nós conhecemos. Resta-nos esperar que o PS nos próximos dias concretize e clarifique as suas propostas. Talvez os recentes blogues dos seus dirigentes constituam uma boa porta de entrada para se colocar a exigência de respostas e as expectativas dos seus apoiantes.

Publicado por agineotonico às 07:00 PM

janeiro 20, 2005

O grito dos inocentes

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(Photographer Chris Hondros)

An Iraqi girl screams after her parents were killed when U.S. soldiers fired on their car during a dusk patrol January 18, 2005 in Tal Afar, Iraq. The car held an Iraqi family of seven of which the mother and father were killed.

Publicado por agineotonico às 03:51 PM | Comentários (2)

Hospital Amadora-Sintra multado


A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo multa em 40.000 euros o Hospital Amadora-Sintra devido ao encerramento da maternidade sem aviso prévio.
É a primeira vez que a Administração Regional de Saúde decide aplicar uma multa ao hospital gerido pelo Grupo Mello, por incumprimento do contrato feito com o Estado.

Publicado por agineotonico às 03:00 PM

8º ciclo de debates do Fórum Gulbenkian de Saúde


Iniciou-se dia 19 de Janeiro o 8º ciclo de debates do Fórum Gulbenkian de Saúde, em colaboração com a escola Nacional de Saúde Pública e com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
Na 1ª sessão sob o tema “Questões e desafios éticos da investigação em células estaminais”, a investigadora portuguesa em células estaminais e Professora da Faculdade de Medicina de Lisboa, Leonor Parreira, defendeu que o maior problema ético relacionado com esta área de investigação reside na justiça da distribuição dos seus resultados. Diz Leonor Parreira: "é um problema ético da maior importância. Será que os 120 milhões de pessoas com doenças que poderão vir a ser curadas com células estaminais irão poder aceder aos tratamentos?" (...) "Sabemos que só as sociedades ricas poderão beneficiar deste tipo de tecnologia, cuja investigação é muito cara, apesar de, como médicos, termos um compromisso: o querer e o dever de oferecer ao doente que nos procura o melhor que há" (...) a futura terapia com células estaminais "não ajudará todos os que dela precisam, da mesma forma que a cirurgia cardiovascular ou os transplantes não o fazem".

William May, conselheiro para a bioética do Presidente norte-americano, George W. Bush, entre 2002 e 2004 e defensor de uma investigação em células estaminais devidamente regulamentada, preconizou, no mesmo encontro, uma "repartição justa dos benefícios desta pesquisa".
Este professor de Estudos Religiosos na Universidade de Virgínia, Estados Unidos, foi um dos sete conselheiros do Presidente norte-americano que defenderam a clonagem terapêutica e que foram vencidos por uma dezena de posições contrárias. O Presidente George W. Bush é um opositor da investigação na área da clonagem com recurso a embriões humanos. (...) Para este especialista, "a questão do acesso universal aos benefícios que possam resultar da investigação em células estaminais não deve ser ignorada". Nos Estados Unidos, lembrou, os opositores à investigação em células estaminais não se opõem, contudo, à investigação realizada com fundos privados.
(Público)

Publicado por agineotonico às 02:26 PM

Quando a anormalidade tem voz activa


João César das Neves disse na TSF: "Crise? Portugal tem é de começar a trabalhar e deixar-se de tretas."

Confesso que estou farta que me mandem trabalhar mais. A ideia repetida à exaustão de que a culpa do país estar neste estado deplorável é dos trabalhadores portugueses que são todos uns madraços já é excessiva e apenas serve para esconder a realidade.
O que faz uma empresa competitiva, ou um serviço público eficaz é a forma como são geridos. Queremos, pois, começar a ouvir que a culpa da falta de competitividade das empresas portuguesas tem a ver, na maioria dos casos, com as suas más escolhas de gestores, e que o estado da administração pública tem a ver com as más escolhas das suas chefias.
Parece evidente, que estas más escolhas se reflecte na qualidade da prestação de trabalho dos trabalhadores e, consequentemente, na capacidade de o nosso país se renovar e se tornar competitivo.

"Em 2002, 16,5% dos quadros superiores, 26% dos quadros médios, 73% do encarregados e contramestres, 43% dos Profissionais Altamente Qualificados, e 76,7% dos Profissionais Qualificados das empresas portuguesas tinham apenas o ensino básico ou menos". (...) "Os baixos níveis de qualificação profissional associados a baixos níveis de escolaridade quer de trabalhadores quer de patrões em Portugal, constitui um obstáculo à transformação de uma economia baseada principalmente em trabalho pouco qualificado e salários baixos, como é ainda a nossa, numa economia desenvolvida assente em trabalho qualificado e salários elevados. A persistência desta situação constitui também uma das causas estruturais (não a única, evidentemente) da grave crise que o país enfrenta neste momento. Ignorá-la, como tem sido feito, é prolongar essa crise, e tornar as suas consequências sociais ainda mais graves".
(Portugal: Qualificação do patronato também é baixa)

Publicado por agineotonico às 07:48 AM | Comentários (3)

A guerra que se segue


Seymor Hersh (vencedor de um prémio Pulitzer e responsável pela denúncia de abusos contra prisioneiros iraquianos na prisão de Abu Ghraib) disse, na revista "New Yorker", que os Estados Unidos estão a preparar terreno para um ataque contra o Irão desde meados do ano passado. O Pentágono desmente e alega que o artigo em causa está "cheio de erros".
Esta notícia surge depois de ter sido denunciado que os Estados Unidos teriam desenvolvido acções de espionagem em 30 locais suspeitos de terem armas nucleares.
O governo irariano já respondeu dizendo que "as declarações de George W. Bush contribuem para "sabotar as discussões construtivas entre o Irão e a União Europeia sobre o tema do nuclear" (...) "a República Islâmica do Irão vai responder com determinação a qualquer acto irreflectido, tendo do seu lado um enorme apoio popular, a sua diplomacia e o seu potencial militar".
(Público)

Publicado por agineotonico às 07:23 AM

janeiro 19, 2005

AMI - uma Ong portuguesa

Fernando Nobre, dirigente da AMI em entrevista à Focus.

O que é que o indigna?
Houve momentos em que me apeteceu berrar, insultar.A experiência como cirurgião ensinou-me que há situações em que não se pode perder o sangue frio. Mas há outras que me fazem gritar: ver crianças escondidas em esgotos e nas lixeiras para não serem mortas pelos esquadrões da morte em Bogotá, na Colômbia, faz-me berrar. No dia em que me deixar de sensibilizar e de protestar contra situações humanamente inacreditáveis é porque estou a morrer prematuramente.
Quando fechar os meus olhos, ao menos posso dizer: tentei.

Como é que vê o mundo?
Vejo-o com duas faces em confronto. De um lado, o vírus da ganância, de que fala Alan Greenspan, o egoísmo feroz, assassino - porque o único terrorista não é o que põe a bomba, é o que deixa morrer de fome. Acredito na faceta cultural, humanista da globalização. Parto em breve para o Fórum Social Mundial, onde vou encontrar a outra face: a dos altermundistas, que gostariam de ver outro mundo, onde os cidadãos são respeitados e a política e a economia têm razão de ser, porque lutam pela valorização do ser humano.
(FOCUS)

Fernando Nobre especializou-se em Cirurgia Geral e Urologia. Foi Administrador dos Médicos Sem Fronteiras e, em 1984, fundou em Portugal a AMI. Já esteve em mais de 60 países em missões de ajuda humanitária. A sua mais recente missão é no Sri Lanka. A AMI estará nesta zona por um período previsível de 3 a 5 anos. Para além da acção médica, a equipa irá desenvolver projectos noutras áreas como financiamento de orfanatos, construção de cisternas de água e reabilitação de estruturas sociais e de saúde.

Publicado por agineotonico às 08:54 PM | Comentários (1)

O Simpson gay


O criador da série The Simpsons revela este mês que personagem da série é gay. Matt Groening não diz quem é, mas há sites que promovem apostas sobre quem será. À cabeça das apostas está Selma, irmã de Marge.
(in Focus 275)

Publicado por agineotonico às 08:50 PM

Composição das listas

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"O ritual da constituição das listas eleitorais tem sido, desde sempre, o espelho mais revelador do funcionamento dos partidos políticos em Portugal. Mas talvez nunca, como hoje, ele reflectiu a tacanhez e o oportunismo serôdio que condicionam a selecção da grande maioria dos candidatos a deputados. (...) O próximo parlamento deverá ser, por isso, um dos mais pobres, cinzentos e desqualificados de todos os que conhecemos desde o 25 de Abril".
(Vicente Jorge Silva)

"São múltiplos os aspectos com que deve ser tecida essa estratégia. Projectos, programa, propostas, manifestos, ideias, discursos - sem dúvida; comícios, jantares, manifestações, acções de rua, cartazes, bandeiras - também. Mas não podem dispensar-se factos nem comportamentos, exemplos e sinais objectivos de renovação, de qualidade e de autenticidade".
(Rui Namorado)

"Os partidos estão fechados sobre si próprios, que as suas elites estão reduzidas a um núcleo duro profissionalizado, que existem barreiras à entrada ou ascensão de novos protagonistas, isso tem sido dito repetidamente e é verdade. Tal situação conduz a um anquilosamento das estruturas partidárias e da sua capacidade de renovação política, não obstante a dança das lideranças e dos seus séquitos. Mas supor que o problema se resolve com apelos cívicos é de uma enorme candura. Não basta pedir que os partidos se abram a políticos não profissionais, que tentem atrair mais independentes ou que, para o preenchimento de lugares ou candidaturas, alarguem o seu recrutamento para fora do núcleo duro. A grande questão é que as oligarquias instaladas (ou com esperanças de instalar-se) não estão interessadas nisso. A última coisa de que os políticos profissionais querem ouvir falar é de nova concorrência que venha disputar-lhes os lugares alcançados ou cobiçados. É por isso que os partidos não se abrem à sociedade civil, não se esforçam por recrutar novos valores, asfixiam até as tentativas de transformação interna. É também por isso que o debate político quase desapareceu do funcionamento partidário, sendo substituído por episódicas litanias de apoio à claque dirigente. A contestação interna é abafada sempre que possível e em regra considerada uma traição quando tornada pública. Os partidos são hoje hostes profissionais de assalto aos cargos públicos e o seu quadro permanente de oficiais já está preenchido. (...) É pois ilusório pensar que irão chover convites às pessoas competentes da sociedade civil ou que haverá a preocupação de as atrair. Na óptica dos dirigentes, gente que pensa pela sua cabeça é uma ameaça. (...) O que falta nos partidos políticos é mais democracia interna. (...) Estamos mal servidos de políticos, reconheça-se, porque também estamos mal servidos de democracia na esfera interna dos partidos".
(Rui Valada)

Publicado por agineotonico às 08:22 PM

janeiro 12, 2005

O Coveiro "Versus" o Assessor


"No "Diário da República" nº 285, de 6 de Dezembro 2004. No aviso nº 11 466/2004 (2ª Série), declara-se aberto concurso no Instituto Português da Juventude para um cargo de assessor, cujo vencimento anda à roda de 2500 euros. Na alínea 7 lê-se: "Método de selecção a utilizar é o concurso de prova pública que consiste na (...) apreciação e discussão do currículo profissional do candidato".

No aviso simples da pág. 26922, a Câmara Municipal de Lisboa lança um concurso externo de ingresso para coveiro, cujo vencimento anda à roda de 350 euros mensais. Método de selecção: prova de conhecimentos globais de natureza teórica e escrita com a duração de 90 minutos. A prova consiste no seguinte:
1. Direitos e Deveres da Função Pública e Deontologia Profissional;
2. Regime de Férias, Faltas e Licenças;
3. Estatuto Disciplinar dos Funcionários Públicos.
Depois vem a prova de conhecimentos técnicos: inumações, cremações, exumações, trasladações, ossários, jazigos, columbários ou cendrários. Por fim, o homem tem que perceber de transporte e remoção de restos mortais. Os cemitérios fornecem documentação para estudo. Para rematar: se o candidato tiver a escolaridade obrigatória somará mais 16 valores; o 11º ano de escolaridade somará mais 18 valores; e o 12º ano de escolaridade somará mais 20 valores. No final haverá um exame médico para aferimento das capacidades físicas e psíquicas do candidato.
Isto tudo para um vencimento de 350 euros mensais, enquanto o outro, com 2500 euros, só precisa de uma cunha.
(in Público)

Publicado por agineotonico às 01:55 PM | Comentários (4)

janeiro 11, 2005

Afinal era mesmo aqui ao lado ...

que o blogue muitomentiroso era editado.

A Secção de Investigação de Criminalidade Informática e de Telecomunicações (SICIT) da Polícia Judiciária apurou que o blogue Muito Mentiroso (MM) terá sido alimentado a partir da rede da Press Livre, empresa do grupo Cofina proprietária do jornal "Correio da Manhã" e de outros títulos. O "Diário de Notícias" assegurava, ontem, que a Polícia Judiciária tinha determinado a origem daquele blogue que divulgava supostos documentos e dados sobre o processo. "O universo dos suspeitos está agora reduzido a quem tinha acesso, lícito ou ilícito, aos computadores da Press Livre, afirmou ao PÚBLICO fonte policial. A autoria da difusão de documentos no MM não estará apurada, mas o rol dos suspeitos diminuiu na sequência da busca ao sistema central da rede informática da PressLivre. A SICIT confirmou que um dos IP (protocolo de acesso à Internet) atribuídos a esta empresa seria o mesmo que foi usado para aceder ao servidor onde estava alojado o MM.
(in Público)

Publicado por agineotonico às 02:44 PM | Comentários (1)

janeiro 10, 2005

NO COMMENTS

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(Matt Davies)

Publicado por agineotonico às 04:46 PM | Comentários (1)

Como a comunicação social direcciona o nosso olhar sobre o mundo (1)


O Tsunami (ou maremoto, como se diz em português) foi, sem dúvida, uma catástrofe natural de consequências terríveis. Os números falam por si ... mais de 200 mil mortos, milhares de desaparecidos, mais de 5 milhões de desalojados, dos quais a maioria são crianças.
Pode dizer-se que muitas vidas teriam sido poupadas se houvesse sistemas de detecção de maremotos naqueles países atingidos, ou se tivessem sido accionados sistemas de protecção civil depois dos avisos de formação de um maremoto (há notícias que indiciam que o governo tailandês foi avisado e nada fez).
O discurso de que “há males que vêm por bem” porque a reconstrução trará melhores condições de vida às populações atingidas pelo maremoto, é um discurso que assenta na lógica da materialidade. Há percas que não podem ser recompensadas. Quando falamos em vidas humanas, em dezenas de milhares de crianças mortas, em famílias e aldeias inteiras desaparecidas, não podemos dizer que alguma coisa de bom advém desta catástrofe. Há apenas perca que comporta um imensurável sofrimento.
O movimento de solidariedade em todo o mundo é digno de nota.
Seja porque um número significativo de ocidentais (uma poeira entre os números assustadores de vítimas) morreu nesta catástrofe, seja porque somos capazes de ser verdadeiramente solidários com o sofrimento alheio, seja porque se transfere para as forças da natureza as notícias das “mortes em massa”, a verdade é que se gerou um movimento de solidariedade sem precedentes.
Mas também é verdade que fomos/somos bombardeados com a repetição sistemática das mesmas imagens e notícias. Ultrapassou-se vergonhosamente o valor informativo da notícia e da imagem como fonte de informação e de apelo à solidariedade.

"De acordo com os dados do Telenews, da MediaMonitor, o tsunami motivou 988 notícias nos serviços informativos regulares da RTP1, 2:, SIC e TVI no período compreendido entre 26 de Dezembro de 2004 e 2 de Janeiro de 2005. Este valor representa 48.8% do total de peças emitidas nesse período. Estas notícias tiveram uma duração total superior a 33 horas e 28 minutos, o que corresponde a 55.4% da duração noticiosa total".

Publicado por agineotonico às 04:29 PM | Comentários (1)

Como a comunicação social direcciona o nosso olhar sobre o mundo (2)

(ou quem define os critérios de "solidariedade necessária")
A solidariedade é fundamental.
Apoiar as vítimas do maremoto a reconstruírem os seus países e as suas vidas é um acto de solidariedade necessário. Mostra que podemos (e devemos) encarar-nos como um “mundo global”. Esta é a verdadeira “globalização” que perfilho.

A solidariedade para com as vítimas de uma catástrofe natural é inócua. Não implica um julgamento moral e político. A “origem do mal”, por muito que o possam querer atribuir a um qualquer deus ou ao homem, é a própria natureza que não dominamos. A “origem do bem”, ou da solidariedade, é bem mais complexa.
Por isso, questiono o bombardeamento e multiplicação de imagens chocantes e notícias repetidas à exaustão. Como se não existissem “ondas de terror” a banhar tantos outros países que necessitam da nossa solidariedade.
Se não podemos fazer grande coisa para evitar os desastres naturais a não ser a nossa solidariedade à posteriori, o mesmo não se pode dizer da possibilidade de sermos solidários para pôr fim aos desastres humanitários causados pela consciente mão humana.
Porque não nos metralham com as notícias dos 70 mil mortos e 1,6 milhões de desalojados de Darfur?
Porque não nos metralham com os mais de 100 mil mortos e milhões de desalojados no Iraque?
Porque não nos metralham com os mortos e desalojados da Palestina?
Porque não nos metralham com as mais de 11 milhões de crianças mortas com menos de 5 anos devido a doenças que, hoje, são facilmente tratáveis, ou das 500 mil mulheres perderam a vida devido a complicações na gravidez ou no parto, só no ano 2000?
Porque não nos metralham com os milhões de crianças a morrer vítimas da Sida, enquanto a indústria farmacêutica não permite que tenham acesso à medicação necessária?
Porque não nos metralham com os milhões de pobres, mesmo nos países ocidentais?

A solidariedade para com as vítimas de uma catástrofe natural é inócua. Não implica um julgamento moral e político. A solidariedade para com as vítimas das catástrofes causadas pelo homem obrigam-nos a questionar o próprio conceito de solidariedade.

Publicado por agineotonico às 04:24 PM | Comentários (2)

janeiro 08, 2005

De volta ...

mais descansada e, por isso mesmo, mais pacificada.
Mas sempre irreverente "comme il faut"...

Publicado por agineotonico às 06:01 PM | Comentários (4)