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dezembro 04, 2004

Alternância


Nesta lógica de alternância a que nos habituaram, que se resume à máxima, “as eleições não se ganham, perdem-se”, teremos talvez um governo PS.
A alternância (cuja origem da palavra aqui aplicada parece provir de “alterne”), é uma forma de o poder económico manter o rumo das suas decisões: ora levanta a mão direita com o V da vitória e entrega o poder à direita (PSD/PP), ora levanta a mão esquerda com o V da vitória e entrega o poder à “esquerda moderada” (PS). As políticas económicas mantêm-se. Acalma-se a classe média contestatária com um discurso mais “aberto e democrático”, mas as políticas económicas neoliberais de destruição da “coisa pública” persistem.
Enquanto isso à esquerda não surge qualquer alternativa verdadeiramente inovadora e mobilizadora.
Nem a liberdade, nem a democracia são desejadas pelo poder económico. São apenas mais um recurso a que recorre enquanto isso lhe permitir manter esse poder.
Do ponto de vista dos cidadãos e dos verdadeiramente democratas, a liberdade e a democracia são um bem essencial conquistado na luta contínua e persistente, muitas das vezes com o sacrifício da própria vida. Quem não teve a experiência de viver num país fascista pode facilmente cair no erro de pensar que são bens adquiridos. Nesta perspectiva, manter a liberdade e a democracia exige que se esteja permanentemente alerta e activo na sua defesa quotidiana no sentido de manter os seus objectivos últimos. Quando se “baixam as guardas”, verifica-se com espanto que objectivos da democracia foram postos em causa. Temos aí os atentados à liberdade de imprensa, a destruição do Sistema Nacional de Saúde, a pobreza do Sistema de Ensino, os escândalos da Justiça, a situação dramática do desemprego, de entre outros.

Publicado por agineotonico às dezembro 4, 2004 05:06 PM