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novembro 03, 2004

QUE DEUS NOS AJUDE!!!

Foi a minha primeira reacção ao tornar-se evidente que Bush ganhara estas eleições.
Parando para reflectir, para além do apelo contido nesta expressão que a idade e a experiência de vida despejou de sentido, acabei por tirar algumas conclusões que voltam a dar algum sentido a esta desmoralização.
Hoje, passados 30 anos sobre o 25 de Abril e no rescaldo das eleições americanas, acredito que a direita soube reformar a sua actuação para conseguir os seus objectivos e que a esquerda não soube manter-se alerta e criar o seu espaço alternativo.
Caímos na esparrela de acreditar que a luta pelos direitos sociais e humanos se resumiria aos processos eleitorais.
Acreditámos ingenuamente que era suficiente delegar nas mãos dos parlamentares as decisões sobre a nossa vida.
Baixámos as guardas e, hoje, desmoralizamos quando não vemos as eleições decidir pelo que nos parece óbvio.
Por isso as eleições passaram a girar em torno de pessoas e não de projectos amplamente discutidos.
Por isso andamos a votar “no mal o menos”, no voto “útil”.
Na Europa assistimos à alternância de partidos no poder, mas não à alteração de fundo das políticas.
Nos Estados Unidos assistimos a uma viragem à direita numa eleições onde se jogava o jogo da alternância.

Publicado por agineotonico às novembro 3, 2004 09:56 PM

Comentários

Sejamos optimistas!
Nestes momentos há que manter a calma e pensar um pouco sobre os processos humanos. Tal como cada um de nós tem, inevitavelmente, um percurso feito de avanços e recuos, de ups and downs, também a sociedade, essa entidade que se compõe de todos nós, assim funciona. Estamos, claramente, num momento down, mas isso não significa que a história acabe aqui. Basta olhar para a história humana para perceber que sempre foi assim. Avançamos, regredimos, voltamos a avançar, voltamos a regredir. Tal como uma criança que tem crises de crescimento. Às vezes parece que regridem, voltam a fazer birras que já não faziam, a ter atitudes que lembram estágios anteriores de desenvolvimento. Mas depois, de repente, zás, dão um salto. É assim que nós somos. Não somos lineares. A deriva conservadora actual é apenas mais um estágio da nossa aprendizagem e, provavelmente, contém em si o germe de um novo avanço. Tenhamos paciência e não deixemos de lutar...

Publicado por: Mário Cunha às novembro 5, 2004 10:46 PM