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novembro 12, 2004
O que é que tem o Barnabé?
Tendo andado por aí a visitar alguns blogues, parei para ler o elogio fúnebre de Arafat feito pelo pessoal do Barnabé. Pelos comentários pareceu-me estarem os rapazes a ser bastamente incompreendidos; eu sei, eu sei, eles não fundamentam nada do que dizem, mas porque não gosto de ver gente injustiçada decidi oferecer-lhes uma ajudinha.
Para isso, tentarei repor alguns factos históricos e contar um episódio em que a minha vida se cruzou com a causa palestiniana.
Vamos então à história. Como se sabe, Arafat nasceu terrorista e corrupto e passou toda a sua infância e juventude tentando encontrar o pretexto ideal para dar largas à sua natureza. Tendo estudado engenharia, engenhou numa das suas disciplinas curriculares um projecto chamado Estado de Israel, o qual começou a testar mesmo antes de acabar a licenciatura e que tinha como objectivo oferecer-lhe a cobertura ideal para dar largas à sua vontade de aterrorizar e corruptar.
O resto da história é conhecido: o terrorismo transformou-se no seu desporto favorito e foi aquilo que o manteve longe do aborrecimento dos salões de chá durante a maior parte da sua vida, durante a qual refinou algumas das sua técnicas preferidas, como viver sitiado entre ruínas.
Isto quanto às questões do terrorismo e da corrupção. Relativamente ao apodo de ditador, que muita perplexidade tem causada em algumas mentes mais ingénuas, deixem-me contar o seguinte:
Tendo eu saído de casa para ir à tasca do meu amigo Vicente comer uns carapaus fritos com arroz de tomate, quis o acaso que acabasse por partilhar a mesa com um refugiado palestiniano, o qual me contou algumas histórias da biografia de Arafat e das quais destaco:
O homem, como bom ditador, predicado do qual sempre procurou fazer-se acompanhar, dedicou uma parte da sua vida ao derrube do governo da Palestina democraticamente eleito em eleições livres e avalizadas pelos EEUU e Israel.
Não contente com a usurpação do poder, instalou a censura prévia, proibiu os partidos políticos e reprimiu, através de uma polícia bem armada e omnipresente toda e qualquer manifestação de dissidência.
Construiu uma série de palácios para férias na neve, férias na praia, férias no campo e férias na cidade (o chamado palácio governamental)
Aboliu o parlamento, dispersou a população e os seus representantes e construiu uma série de barreiras para evitar que pudessem encontrar-se, frequentar a escola ou, simplesmente, amar-se.
E se tudo isto não chega para definir a sua natureza ditatorial, disse-me o tal refugiado, deixando-me com um rabo de carapau atravessado na garganta, devo dizer-lhe que ainda esta manhã mandou dispersar uma manifestação com blindados e bala real. Aqui tem, disse-me ele, enquanto limpava calmamente a boca ao guardanapo.
Com este escrito espero ter contribuído para a reabilitação dos barnabés junto dos seus leitores habituais; afinal, nunca se sabe quando se irá precisar de alguém possuidor de uma daquelas bússolas que garantem a orientação nos corredores do poder.
(in O uno e o múltiplo)
Publicado por agineotonico às novembro 12, 2004 08:08 AM