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novembro 11, 2004
Erro médico
Os médicos não cometem mais erros do que outros profissionais de nível superior fora do âmbito da saúde, como em Direito, Arquitectura, Administração, etc. Com certeza, cometem bem menos. A diferença principal está na natureza do seu trabalho.
Embora para o médico a medicina seja um compromisso de meios, para o paciente e a sociedade ela é vista como uma cruel expectativa de resultados.
O doente vai ao médico à procura de resultados, e, quase sempre imediatos, mostra-se ansioso, com a sua vida em jogo e não transige na exigência de resultados substantivos e positivos.
Isso torna quase proibitivo o erro médico. Os resultados são quase sempre visíveis a olho nu e a curto prazo. A verdade é que o resultado adverso em medicina pode ser sinónimo de morte e, por isso, diferente de outros serviços prestados pela sociedade. Enquanto outros serviços malfeitos apenas representam percas financeiras ou materiais, os erros médicos podem gerar sofrimento imediato, perca de órgãos, ou de funções, ou a morte de entes queridos.
Esta circunstância coloca a actividade médica sob pressão constante.
Erro médico; negligência médica; crimes cometidos no exercício da actividade médica, sempre foram uma questão complexa, seja no plano da ética, seja na esfera da própria justiça civil ou criminal.
Sendo uma actividade essencial para a vida humana que está, nos dias de hoje, não só a ser afectada pelo rápido desenvolvimento das tecnologias, como pela exigência da sua rápida privatização que trará desigualdades de atendimento acrescidas, a exigência de apuramento de responsabilidades nos “erros médicos”, fará correr muita tinta.
Não defendendo de forma alguma a impunidade profissional dos médicos, parece que eles tendem e ser colocados na posição de “bode expiatório” das instituições que prestam cuidados de saúde. Transformados em simples prestadores de serviços, com relações distantes dos doentes e substituído o seu tradicional papel social por uma visão economicista de rentabilização de recursos, arcarão com toda a responsabilidade dos maus serviços prestados em saúde.
Mais do que nunca se torna necessária uma reflexão sobre questões verdadeiramente éticas suscitadas pela vida e que são os reais alicerces dos códigos morais e de conduta. Não esquecendo que a actividade médica é realizada por pessoas que carregam consigo as limitações próprias da condição humana e, por isso, com imperfeições, deficiências e contradições, não pactuar com os actos de má prática, nem com a negligência médica deve ser uma exigência da classe médica em particular e de todos os cidadãos.
Publicado por agineotonico às novembro 11, 2004 06:39 PM
Comentários
Apoio em absoluto a tua opinião!
Continua com o excelente blog!
Publicado por: JC às novembro 28, 2004 01:45 PM