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novembro 26, 2004

Células estaminais no combate à leucemia


O New England Journal of Medicine publicou um estudo sobre a utilização de células estaminais, obtidas de cordão umbilical de bebés recém nascidos, para tratamento de doentes com leucemia. Segundo o estudo, estas células estaminais são uma opção viável e eficiente para muitos doentes que não conseguem dadores compatíveis.

Uma nova técnica, de transplante de células estaminais foi desenvolvida por médicos espanhóis para ser aplicada no tratamento de tumores.

Publicado por agineotonico às 04:12 PM | Comentários (3)

Clonagem: grande divisão na ONU

A Assembleia Geral das Nações Unidas votou, em 2003, a autorização para investigar células estaminais, depois deste assunto ter sido aprovado por uma curta margem no mês anterior - 80 votos a favor, 79 contra e 15 abstenções.
O Governo norte-americano fez pressão para que o assunto fosse de novo votado, na esperança de que a ONU impedisse a investigação a nível global. Enquanto a comunidade internacional está de acordo sobre a interdição da clonagem humana reprodutiva, a divisão em relação à clonagem terapêutica é muito acentuada.
Os Estados Unidos quiseram angariar apoio de cerca de uma centena de países para proibir as duas práticas, mas o que acabou por ficar decido foi que tinha de se chegar a um consenso para que a votação da ONU pudesse ser aplicada.

De novo este ano, no dia 19 de Novembro foi, felizmente, chumbada a proposta da Costa Rica que visava proibir toda e qualquer técnica de clonagem. Esta proposta foi subscrita por Portugal, Estados Unidos e vários países subdesenvolvidos. O Conselho dos Laboratórios Associados fez sair um comunicado chamando a atenção para a obrigatoriedade de consulta aos especialistas nacionais e a organismos internacionais independentes ... o que não aconteceu no nosso país.

Publicado por agineotonico às 03:44 PM | Comentários (1)

Erros de pessoal de enfermagem nos Hospitais


Um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia fez uma descrição detalhada sobre a natureza e prevalência dos erros cometidos pelo pessoal de enfermagem nos hospitais.

Study provides the first detailed description of errors by hospital staff nurses
Posted By: News-Medical in Medical Study News
Published: Saturday, 20-Nov-2004

A University of Pennsylvania School of Nursing study provides the first detailed description of the nature and prevalence of errors by hospital staff nurses.
During a 28-day period, 393 registered nurses kept a detailed journal of their errors and prevented errors, referred to as near-errors. Thirty percent of the nurses reported at least one error during the 28-day period, and 33 percent reported a near-error. Although the majority of errors and near-errors were medication-related, the nurses also reported a number of procedural, transcription and charting errors.

"Given the prevalence of other types of errors, an exclusive focus on medication administration errors, often a typical practice, may miss many important and potentially hazardous situations," said Ann E. Rogers, an associate professor in Penn's School of Nursing.

The findings are presented this month in the journal Applied Nursing Research and are derived from a previous study that examined staff nurse fatigue and patient safety.

"Although nurses pride themselves on being able to juggle multiple tasks at once, too many distractions from multiple sources make errors inevitable," Rogers said. "Other reports have shown that a nurse may be interrupted, on average, at least 19 times during a three-hour period by at least 13 different types of sources." Approximately 33 percent of actual medication errors were because of late administration of drugs to patients, which in some cases was due to inadequate numbers of nurses on duty. In one example, a nurse reported a 90-minute delay in giving medications to one patient and a 40-minute delay to another because she could not leave the bedside of a third unstable patient. As hospitalized patients become more ill, with complex care requirements, and the nursing shortage intensifies, such situations may become more common.

Other errors can be attributed to workplace distractions. According to the participants in the study, frequent interruptions from staff, students or even the telephone made administering medications and carrying out other patient-care activities challenging.

Procedural errors, such as omitting a routine task or making charting and transcription errors often arise from garbled communication within the immediate work area. While it might be impossible to avoid all distractions, the use of technology such as bar code medication administration systems and paperless charting systems have been shown to reduce errors. But such technologies are not widely used and are not user friendly.

The study itself demonstrates that nurses will report errors when they feel safe and when the reporting system is not burdensome. According to Rogers, it is important to acknowledge the vigilance and astuteness that led to the nurses catching many of their own errors before they reached the patient.

Michele C. Balas, a Penn Nursing doctoral student, and Linda D. Scott, an associate professor from Grand Valley State University, co-authored the study. Funding was provided by the Agency for Healthcare Research and Quality.

Publicado por agineotonico às 03:20 PM

novembro 25, 2004

Défice


Bagão Félix como bom pai de família, trata o orçamento de Estado como se trata um filho - "encaminhando-o".
"Temos tudo encaminhado para ter um défice de 2,9%», disse Bagão Félix, presente em Lisboa num debate promovido pela Associação Cristã de Empresários e Gestores".

Encaminhando-o através do reforço "positivo", sem penalizações e com compreensão para quem não paga os seus impostos: "A receita fiscal para 2005 foi estimada com muita prudência. Era fácil diminuir as receitas extraordinárias, empolando artificialmente a cobrança de impostos (...) Se houver mais cobrança fiscal do que a prevista no orçamento não será usada para financiar mais despesas", sossega Bagão Félix.

Bagão Félix acrescenta ainda que dos 4 critérios inicialmente previstos para aceder às contas bancárias, apenas dois serão levados a Parlamento para apreciação: "a existência e índices de pratica de crimes em matéria tributária e a existência de factos completamente identificados e indicadores da falta de veracidade do declarado". Os outros dois, acesso "às contas bancárias dos contribuintes com dívidas ao fisco e nos casos em que se revelasse impossível comprovar e quantificar a matéria tributável", serão excluídos como motivos.

Publicado por agineotonico às 07:18 AM | Comentários (1)

Santana promove remodelação governamental surpresa

Não é preciso assustarem-se ... trata-se apenas de mudá-los de cadeira. Eles são muito bons e versáteis.

"Não há saída de ministros, mas sim uma troca de ministérios. Morais Sarmento passa a ministro dos Assuntos Parlamentares (acumulando com a Presidência). Rui Gomes da Silva é o novo ministro-Adjunto do primeiro ministro. E Henrique Chaves é designado ministro da Juventude e Desporto".
(Diário Digital)

Santana Lopes adianta ainda que é apenas um ajuste de funções e que era necessário pôr um resguardo em Gomes da Silva.
(Diário Digital)

Parece que foi o Presidente que lhe sugeriu o resguardo para Gomes da Silva: "o chefe de Estado nunca pediu formalmente a demissão de Gomes da Silva nem o podia fazer, uma vez que, caso Santana Lopes recuasse, Sampaio teria de fazer uma avaliação sobre o regular funcionamento das instituições o que levaria, em última análise, à dissolução parlamentar".


Publicado por agineotonico às 07:08 AM

Tribunal autoriza reinício do túnel do Marquês


"O Supremo Tribunal Administrativo deu ontem razão ao recurso apresentado pela Câmara de Lisboa para que as obras do túnel do Marquês possam recomeçar".
(DN)

Publicado por agineotonico às 07:05 AM | Comentários (1)

novembro 24, 2004

Os mais vulneráveis

sofrimentocrianca.jpg
(Anja Niedringhaus)

Centenas de milhar de crianças iraquianas sofrem de diarreia e má nutrição. As crianças pequenas são as mais vulneráveis.

Publicado por agineotonico às 11:10 PM | Comentários (1)

Código aberto e Software livre


"Entre a comunidade de software, ciente de que código aberto e software livre significam praticamente as mesmas recomendações, dizer um ou outro na verdade significa tomar partido de um determinado grupo e de uma certa inclinação política. Para quem acha que, além da eficiência e da estabilidade de certos programas, é preciso construir alternativas mais justas de distribuição da produção e do conhecimento, o termo software livre parece ser a melhor opção".
(Rafael Evangelista)

Livre acima de tudo

Por trás de uma aparente distinção técnica, os termos software livre e código aberto, criados por Richard Stallman e Eric Raymond, escondem diferenças políticas e ideológicas

Rafael Evangelista
Não foi à toa que George Orwell, ao imaginar um futuro tenebroso em 1984, descreveu como um dos pilares de seu Estado autoritário uma polícia da informação, responsável pela fiscalização e pelo emprego da novilíngua. As palavras não são figuras inertes, que servem só para descrever coisas. No sentido, inscrevem-se também história e ideologias.

Também não é à toa que, no mundo do software livre, exista uma constante disputa sobre os nomes e as palavras utilizadas. Essa discussão, às vezes, torna tudo muito mais confuso para quem não participa do debate, mas é um sinal de que a comunidade, mesmo quando só quer se preocupar em fazer software, se ocupa também de questões políticas, de poder. Dizer é se colocar no mundo, é assumir posição. Afinal, há alguma diferença entre falar Linux ou GNU/Linux? Ou entre se dizer um adepto do movimento pelo software livre ou do movimento de código aberto? Há sim, e muita.

Para além das respostas simplistas e pragmáticas, a solução pode ser encontrada na história do movimento. Ninguém nega que tudo saiu das mãos e da cabeça do guru Richard Stallman que, ainda na década de 1980, delineou os princípios éticos do movimento. Na época, Stallman, fundador da Free Software Foundation (FSF, Fundação do Software Livre, em inglês), estabeleceu as quatro liberdades que fundamentam o movimento: o software deve ser livre para ser modificado, executado, copiado e distribuído. Ambos, o código aberto e o software livre, respeitam esses parâmetros.

Sem dúvida, Stallman continua sendo o grande filósofo do movimento. No entanto, a partir de 1991, ele se vê obrigado a dividir o palco com uma jovem estrela da Finlândia, Linus Torvalds. Carismático, empreendedor e sabendo usar melhor a internet, ele conseguiu dar solução a um problema que a FSF se dedicava há anos, construir um kemel que suportasse um sistema operacional alternativo. O kernel é uma parte central do sistema, responsável pela configuração e gerenciamento dos dispositívos (teclado, mouse, monitor etc). A FSF já tinha todo o resto da estrutura do sistema pronta e trabalhava no desenvolvimento de seu kernel. Linus foi mais rápido e, mantendo a filosofia livre, adotou soluções tecnicamente mais eficientes, criando o Linux, essa parte essencial do sistema.

O método de desenvolvimento adotado por Linus está em A Catedral e o Bazar, livro escrito por Eric Raymond, em 1997. A obra é também uma alfinetada em Stallman, acusado de adotar uma postura centralizadora de desenvolvimento. Raymond descreve o desenvolvimento GNU como se fossem catedrais, monumentos sólidos, construídos a partir de um grande planejamento central. Já o desenvolvimento adotado por Linus seria como um bazar, com uma dinâmica altamente descentralizada. Diz Raymond: "Penso que a criação mais esperta e de maiores consequencias não foi a construção do kernel em si, mas a invenção do modo de desenvolvimento Linux".


Alma hippie

Mas há mais na fala de Raymond com relação ao modelo Linux do que o elogio da técnica - embora o sucesso desta seja inegável. Stallman sempre foi uma figura politicamente muito atuante, não apenas no campo da informática. Mais velho, tendo vivido toda a experiência da luta pelos direitos civis nos EUA, Stallman carrega em seu discurso uma ótica pouco amigável às empresas. Em seu site pessoal, por exemplo, ao lado de artigos em favor do software livre, encontram-se também ensaios políticos sobre temas como a invasão estadunidense ao Iraque e o muro de Israel na Palestina. Raymond, por sua vez, é um ardoroso defensor da liberalização do uso de armas, tema usualmente mais ligado às bandeiras da direita.

Linus, por sua vez, além de ser politicamente mais moderado e pragmático, consegue criar uma identidade maior com a nova geração de programadores abaixo dos 40 anos, da qual Raymond faz parte. Essa geração, segundo Sam Willians, autor do livro Free as in Freedom, é mais energética e ambiciosa.

Desde a ascensão do trabalho de Linus, boa parte do tempo de Stallman tem sido gasta em pedidos para que todos refiram-se ao conjunto do software como GNU/Linux e não apenas Linux. Quer somente que seu trabalho, e de toda FSF, seja reconhecido.


Lutas que incomodam

Se o discurso politizado e a integridade radical de Stallman nunca foram de fácil digestão para os programadores da nova geração, ambos são ainda mais indigestos para os empresários. Raymond teve um papel decisivo na criação da alternativa mais ao gosto do paladar corporativo.

Em A Catedral e o Bazar, ele descreveu um processo de produção inovador e descentralizado, em que as alterações no software são rapidamente entregues à comunidade. Esta, testando e avaliando o produto, estabelecem uma espécie de seleção natural em que as melhorias sobrevivem e as soluções falhas são logo identificadas. O descrição encantou os executivos da Netscape, dona de navegador de internet que havia sido destruído pela ofensiva agressiva - e anti-competitiva, segundo os próprios tribunais dos EUA - da Microsoft e seu Internet Explorer. Em 1998, Raymond foi a peça chave no processo de convencimento dos executivos da Netscape para que liberassem o código.

O prestígio adquirido por Raymond, somado ao do carismático Linus, foram essenciais para que o movimento de código aberto (open source, em inglês) pudesse se estabelecer. Frequentemente, Stallman procurava - e procura até hoje - deixar claro que o free de free software (do termo original em inglês), não significa grátis mas livre. A confusão entre livre e grátis tornou-se a justificativa perfeita para que surgisse o termo código aberto, neutralizando a reivindicação política do movimento.

Não há diferenças substanciais entre o que os termos software livre e código aberto pretendem definir. Ambos estabelecem praticamente os mesmos parâmetros que uma licença de software deve conter para ser considerada livre ou aberta. Ambas estabelecem, na prática, que o software deve respeitar aquelas quatro liberdades básicas que a FSF estabeleceu. Mas os defensores do termo código aberto afirmam que o termo fez com que os empresários percebessem que o software livre também pode ser comercializado. Teriam sido mudanças pragmáticas e não ideológicas.

O próprio Richard Stallman diz não ver o grupo do código aberto como inimigo. "Nós discordamos dos princípio básicos, mas meio que concordamos com as recomendações práticas. Então podemos trabalhar juntos em muitos projetos", diz.

O fato é que a Iniciativa do Código Aberto (Open Source Iniciative, em inglês), entidade cuja criação foi proposta por Eric Raymond, significou uma polarização de poder com a FSF de Stallman. Como ambas as entidades e o movimento como um todo só cresceram nos últimos anos, isso não significou um enfraquecimento para Stallman.


Confunde ou explica?

Em seu livro de ensaios, Free Software, Free Society, Stallman argumenta com razão que o termo código aberto na verdade confundiu mais do que esclareceu. "O sentido óbvio para a expressão código aberto é: 'você pode olhar o código'. Essa expressão é tão ambígua quanto o termo free software (software livre) em inglês", escreve. De fato, não basta que um usuário possa ler o código de um programa para que ele seja livre. A liberdade para olhar o código é apenas uma das quatro liberdades fundamentais.

Stallman continua, colocando o dedo na ferida e apontando a despolitização do termo. "O principal argumento para o termo código aberto é que software livre deixa as pessoas inquietas. É verdade: ele fala de liberdade, sobre ética, sobre responsabilidade tanto quanto sobre conveniências. Ele convida as pessoas a pensar sobre coisas que elas poderiam ignorar. Isso desperta desconforto e algumas pessoas podem rejeitar a idéia por isso. Mas isso não significa que a sociedade vai ficar melhor se pararmos de falar nesses assuntos".

Há exemplos de como o termo código aberto tem sido usado de maneira traiçoeira. Em resposta às crescentes acusações de que os clientes de seus produtos não tem acesso ao código fonte (as linhas de instruções que formam um software), a Microsoft tem respondido com o seu programa Shared Source (algo como código compartilhado). Por esse programa, a empresa mostra partes do código de seus produtos a clientes como universidades e governos. Na prática, ela torna parte de seu código aberto, o que não significa que ela se torne adepta dos softwares livres. Para isso, o código deveria ser aberto a todos - e não só à vistoria de seus clientes - e deveria ter sua execução, distribuição e modificação permitidas livremente.

Entre a comunidade de software, ciente de que código aberto e software livre significam praticamente as mesmas recomendações, dizer um ou outro na verdade significa tomar partido de um determinado grupo e de uma certa inclinação política. Para quem acha que, além da eficiência e da estabilidade de certos programas, é preciso construir alternativas mais justas de distribuição da produção e do conhecimento, o termo software livre parece ser a melhor opção


Publicado em www.planetaportoalegre.net: 22/11/2004


Publicado por agineotonico às 09:48 PM | Comentários (1)

Piratear


"Estudo mostra que aqueles que baixam filmes e músicas na internet querem mais do que obter acesso gratuito à cultura, querem oferecer e colaborar".

Leia em inglês AQUI

O prazer de compartilhar

Rafael Evangelista
Eles não têm olho de vidro, perna-de-pau e nem andam com um papagaio no ombro. Mesmo assim a indústria da música e do cinema insiste em chamá-los de piratas e em afirmar que são os grandes vilões da internet. Mas um estudo publicado neste mês pela revista eletrônica First Monday mostra justamente o contrário. A motivação dos usuários de programas de compartilhamento de arquivos como o Kazaa e o SoulSeek - que permitem que você baixe os arquivos de música e vídeo de outros e ofereça os seus - não estaria só em pegar arquivos de graça mas também em "presentear", em compartilhar seu acervo com outras pessoas. Por isso, não basta que a indústria crie mecanismos tecnológicos para que as pessoas usufruam legalmente de bens culturais na Internet; será preciso também levar em conta o desejo que elas têm de ajudar e oferecer arquivos a outros.

A conclusão é de Kevin McGee e de Jorgen Skageby, pesquisadores da Universidade de Linkoping, na Suécia, e autores do artigo "Gifting Technologies". Por seis meses, ambos frequentaram e analisaram listas de discussão de usuários dos sistemas P2P - sigla para ponto-a-ponto, a tecnologia que permite a troca direta de arquivos na internet - e entrevistaram mais de 100 desses usuários. O objetivo era buscar entender o fenômeno da troca de arquivos na rede a partir da perspectiva da dádiva, ou seja, de trabalhos anteriores que falam da troca ou do ato de dar presentes como um fenômeno social. O que os autores descobriram é que não é possível reduzir a ocorrência da dádiva na internet - que acontece nos programas de P2P - nem a um "roubo", em que as vítimas são os detentores dos direitos autorais, nem meramente a uma troca interessada, em que os sujeitos só compartilham porque estão interessados também em baixar arquivos.


Indústria age com truculência

Nos últimos dois anos, a indústria do entretenimento tem promovido uma verdadeira cruzada contra os usuários dos programas de P2P. As ações vão desde multas até a prisão e os métodos incluem a espionagem eletrônica de usuários. A onda de processos movida pela indústria da música começou em setembro de 2003 e, até agora, pelos cálculos da EFF (Fundação da Fronteira Eletrônica, entidade que luta pela legalização do compartilhamento de arquivos) já são mais de 6 mil ações legais. No início deste mês, a indústria do cinema anunciou que deverá seguir os passos das gravadoras e também iniciará uma onda de processos. "Ações contra os usuários não significam o pagamento de direitos aos artistas. Nós precisamos de uma solução construtiva. Os compartilhadores são mais de 60 milhões, só nos EUA, um número maior de pessoas do que o que elegeu o atual presidente", diz a EFF.

Os efeitos dos processos movidos pela indústria puderam ser sentidos pelos pesquisadores suecos. Ao tipificar os diversos grupos de compartilhadores ele encontraram a figura do que chamaram de "presenteadores amedrontados". Esse grupo ofereceria seus arquivos de uma forma mais selecionada, escolhendo aqueles que podem receber ou quais arquivos serão compartilhados. "O mais surpreendente é que esse tipo de ação não seria motivado pelo medo de serem pessoalmente alvo de processo mas pelo medo de que os mecanismos de compartilhamento sejam ameaçados", dizem os pesquisadores. Eles encontraram casos de pessoas que deixaram de compartilhar arquivos sujeitos aos direitos autorais da indústria.


Muito mais do que uma troca interessada

As características dos diversos grupos de compartilhadores permitem dizer que a atividade vai muito além do "é dando que se recebe". Vários teriam motivações ideológicas, acreditando não só que a "informação tem que ser livre", mas em um certo "espírito do compartilhamento". Os pesquisadores afirmam também que muitos dos que aparentemente oferecem seus arquivos apenas para poderem conseguir músicas ou filmes de outros (a chamada pseudo-dádiva), na verdade são bastante benevolentes com aqueles que não compartilham nada. Ou seja, depois de bloquearem aqueles usuários que claramente não oferecem nada em troca - os chamados de sangue-sugas - os compartilhadores voltam a oferecer seus arquivos para a comunidade.

Foram encontrados, inclusive, alguns usuários que ajudam outros que tenham um gosto parecido com o do compartilhador ou que estão em dificuldades. Quando encontram alguém que tem uma conexão muito lenta e que vai levar muito tempo para conseguir um arquivo, eles deixam seus computadores ligados por horas, só para que a conexão do receptor não seja cortada. Ou ainda oferecem a quem está baixando uma música, por exemplo, outros arquivos de estilo semelhante ao que está sendo enviado.

"Quando você compartilha algo com alguém você o faz não porque espera algo em de volta... Quando você quer algo do outro isso é uma troca", declarou um dos entrevistados. Para os pesquisadores, há nos mecanismos de oferecimento de arquivos algo que vai além do que tem sido notado até hoje e que mistura altruísmo e ideologia. Mesmo que a indústria crie mecanismos poderosos e acessíveis para que bens digitais sejam adquiridos, essas iniciativas falharão se o espírito do compartilhamento não for levado em conta.

Publicado em www.planetaportoalegre.net: 16/11/2004


Publicado por agineotonico às 09:36 PM

novembro 23, 2004

Al-Jazeera is a channel of terrorism

"Al-Jazeera is a channel of terrorism. That is clear and we say openly and without hesitation: Al-Jazeera is a channel of terrorism," he told the London-based Arabic newspaper Asharq Al-Awsat.
(...) "Let God curse all those who terrorise Iraqi citizens and children of Iraq, be them journalists or others. The day will come when we will take measures against Al-Jazeera other than by words," the minister warned".
(Ministro da Defesa Iraquiano)

Estas declarações de MD iraquiano levam a temer o pior quanto à liberdade de imprensa e à segurança dos jornalistas.

Publicado por agineotonico às 07:48 PM | Comentários (3)

Israel expande-se no Iraque

The killing of an Israeli officer in Fallujah exposed the existence of a large number officers, snipers, and paratroopers in Iraq (...) The Israeli plan became clear due to various headlines, most prominent of which is dispatching Mossad operatives to establish offices and networks in the north, south, eliminate the Iraqi scientists and intensify the real estate purchase of property and land in the north; specifically in Arbil, Kirkuk and Mosul. This comes as a completion of the previous project, launched ten years prior to the fall of Baghdad, through Jewish Turks.
)...) Israel encourages the Kurdish leaderships to decentralize from Baghdad in administering their regions but at the same time, it aims at having the Kurdish parties play a pivotal role in the post-war Iraq due to the historical relations that it had established with the Kurds. More likely, Israel has advanced in developing the plan announced previously by the minister of infrastructure Joseph Paritzky that aims at laying oil pipelines from Iraq to Israel passing through Jordan; since a Turkish security report recently published by Jumhuriyet confirmed Israel's attempts to activate the line towards Haifa as soon as possible.
(...) The vast and unexpected expansion of the Israeli role in various fields in Iraq, confirms that Israel is the major beneficiary in the continuity of the war, same as it is the first beneficiary from the American escalation with Iran regarding its nuclear file."
(Rashid Khashana, Al-Hayat)

Publicado por agineotonico às 07:03 PM

Urso Ibérico

Urso pardo.jpg "Manhã de Outono nos Pirinéus franceses. Uma fina e fresca neblina brinda as primeiras horas do dia, também saudadas por um coro de pássaros chilreantes. Canela e sua filha iniciam a jorna em busca do pequeno-almoço, sem saber que não longe dali, um grupo de homens armados preparava o seu destino. Este grupo seguia determinado, acicatando os seus cães para que estes encontrassem um rasto, um sinal, uma presença recente e selvagem para abater. De repente, os cães sobressaltados desatam a correr e a ladrar, encurralando Canela, que por estar acompanhada pela cria não pôde fugir (...) Canela era o último urso-pardo fêmea originário dos Pirinéus franceses, último testemunho genético desta população. Resta agora uma cria órfã, com poucas possibilidades de sobreviver sozinha, e alguns adultos introduzidos oriundos de outras cordilheiras da Europa.
Há dias em que perco toda a paciência
".
(Rubisco)


Publicado por agineotonico às 06:14 PM

Entre o virtual e a realidade


"no futuro (...) vamos entrar num mundo em que a informação que recebemos tornará muito difícil a distinção entre o virtual e a realidade".
(Pacheco Pereira)

Não é no futuro, é hoje. Basta ver as Rádios, Televisões e Jornais e ... deitar uma olhada à comparticipação do "Abrupto".

Publicado por agineotonico às 05:53 PM

"Reestruturação económica" (2)


A administração Bush, usando a invasão e ocupação do Iraque, tem implementado alterações às leis económicas iraquianas (estes são os objectivos reais) que são ilegais na perspectiva do direito internacional e que se prevê terá um impacto mais negativo, em termos imediatos, do que 12 anos de embargo ao regime de Saddam.
A alteração de leis fundamentais de um país ocupado é proibida pelo direito internacional, nomeadamente, algumas regulamentações das Convenções de Haia e Genebra.
A Constituição do Iraque proíbe a privatização dos bens do Estado e não permite que estrangeiros, cidadãos de países não árabes, possuam propriedades ou façam investimentos em negócios iraquianos. Ambas estas foram alteradas.

As mudanças a estas leis seriam necessárias para "garantir uma estrutura reguladora legal apropriada para áreas importantes como gás, petróleo, água, e poder." O contrato inclui todos os sectores da economia iraquiana, desde serviços públicos, meios de comunicação, investimento bancário, impostos, agricultura e o sector do petróleo ‚ implementando o envolvimento de privados em sectores estratégicos, incluindo privatização, venda de activos, privilégios, arrendamentos e contratos de gestão, especialmente no petróleo e em indústrias de suporte."
(Antonia Juhasz)

Publicado por agineotonico às 05:00 PM

Reestruturação económica


Como parte da "reestruturação económica" do Iraque, a administração Bush impôs a proibição de os agricultores iraqianos utilizarem a suas próprias sementes desenvolvidas ao longo de dezenas de anos.
Agora são obrigados a comprar às grandes corporações transnacionais americanas, sementes por elas patenteadas.
Esta medida pôe em risco a biodiversidade e a segurança alimentar dos iraquianos.

Publicado por agineotonico às 03:12 PM | Comentários (1)

Occupier of a Prime Minister's Chair


"Most Iraqis had celebrated the overthrow of the regime of Saddam Hussein. But under what has developed into a brutal and bloody occupation people are turning against the interim prime minister as they turned against Saddam (...) In July Paul McGeogh of the Sydney Morning Herald reported that two eyewitnesses saw Allawi execute six people at the security centre in the al-Amadiyah district of Baghdad. The men had been detained for allegedly attacking U.S. forces two weeks before the handover of power (...) The appointed interim prime minister has instituted martial law, threatened to detain journalists, and banned the Arab channel al-Jazeera from reporting within Iraq. Allawi's minister of justice has brought back the death penalty and spoken of chopping off the hands and heads of those described as insurgents."
(Dahr Jamail)


BAGHDAD, Nov 23 (IPS) - The prime minister is following in the footsteps of the last president. The rule of Ayad Allawi, the U.S. appointed interim prime minister of Iraq, is now more in the style of the dictatorship of Saddam Hussein than a leader of a supposedly democratic state.

Most Iraqis had celebrated the overthrow of the regime of Saddam Hussein. But under what has developed into a brutal and bloody occupation people are turning against the interim prime minister as they turned against Saddam.

One of Allawi's earliest moves after his appointment was to form a new version of the feared secret police in Iraq. The Economist reported that Allawi's rivals accused him of ”recruiting former torturers to man a new apparatus of oppression.”

In July Paul McGeogh of the Sydney Morning Herald reported that two eyewitnesses saw Allawi execute six people at the security centre in the al-Amadiyah district of Baghdad. The men had been detained for allegedly attacking U.S. forces two weeks before the handover of power.

The appointed interim prime minister has instituted martial law, threatened to detain journalists, and banned the Arab channel al-Jazeera from reporting within Iraq. Allawi's minister of justice has brought back the death penalty and spoken of chopping off the hands and heads of those described as insurgents.

Now comes the siege of Fallujah. At a refugee camp in Baghdad filled with families from the besieged city, anger erupts at the mention of Allawi's name.

”Ayad Allawi says we are his family,” said Mohammad Ali, a 53-year-old refugee wounded by U.S. bombs in his home in Fallujah. ”Can you attack your family, Allawi? Do you attack your own family, Allawi?”

Allawi is a traitor to the people of Iraq, said Dr. Um Mohammed who works at a hospital in Baghdad. ”He is an American puppet who enjoys the killing of Iraqis.” A trader in central Baghdad Abdel Hakim Abdulla said Allawi has ”never made a decision that benefits Iraqis.”

Anger is building up against Allawi also over the role he played before he was appointed interim prime minister. He is the man many hold responsible for providing fraudulent intelligence that Saddam Hussein posed a threat to the United States.

His now discredited statements to U.S. intelligence that Saddam Hussein had links to the terrorist attacks of Sep. 11 were used to justify the invasion of Iraq. This had shaken his credibility amongst Iraqis from the beginning.

The right-wing Daily Telegraph of London published a ”newly discovered” document from Allawi Dec. 14 last year. Allawi, who was then a member of the Iraqi Governing Council stated that the mastermind of the Sep. 11 terrorist attacks Mohammad Atta had been trained in Iraq with support from Saddam Hussein.

This fraudulent information was cited by U.S. intelligence as compelling evidence that Saddam Hussein had contacts with al-Qaeda. It was cited as justification for the failing occupation of Iraq.

A second part of the memo also believed to have been provided by Allawi alleged shipment of uranium from Niger to Iraq. This is another claim that has been proved false.

Allawi was reported by the International Herald Tribune to have said that Saddam Hussein had stashed billions of dollars in banks around the world. No evidence of these billions has emerged.

Allawi again was said again to have provided the 'intelligence' in a British government dossier that Iraq had weapons of mass destruction which could be made operational in 45 minutes, according to a report in the New York Times May 29 this year. This 'intelligence' has been acknowledged to be false.

Allawi, a Shia Muslim, was ”unanimously nominated” to the post of interim prime minister May 28 by the U.S.-appointed former Iraqi Governing Council.

Adam Daifallah wrote in the New York Sun that Allawi heads a group comprising primarily former Baathist associates of deposed dictator Saddam Hussein and ”has received funding from the CIA (Central Intelligence Agency of the United States) and has unsuccessfully worked with American intelligence for years to oust Saddam through coup attempts.”

Born in Baghdad in 1946 into a well-known business family, Allawi became a member of the Baath party after it rose to power. He left Iraq in 1971 to go to university in London, and did not return to his home country until just after the U.S.-led invasion last year.


Publicado por agineotonico às 02:45 PM

Técnicas de clonagem


"Portugal é signatário de uma proposta que pretende banir todas as técnicas de clonagem, apresentada pela Costa Rica na ONU, e ninguém sabe como foi tomada tal decisão".
Como, tanto quanto se sabe, não houve nonosso país qualquer discussão ou consulta de especialistas sobre este assunto, deduz-se que coube ao MNE tomar aleatoriamente a decisão.
Paulo Pereira, investigador do Instituto de Biologia Molecular e Celular, defende: "na clonagem terapeutica a célula ovo que é produzida, não é implantada no útero, mas sim mantida em cultura, enquanto se trata ainda de uma esfera microcóspica, sem sistema nervoso. O que possibilita a obtenção de células que poderão constituir tratamentos eficazes para algumas doenças".
Rui Reis, presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapias Celulares diz que "se for proibida a clonagem terapeutica e a investigação em células estaminais, os portugueses ficam impedidos de participar em grandes projectos europeus".
Paula Martinho da Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, também diz que não foram ouvidos como "seria natural e desejável".
(Visão 609)

Publicado por agineotonico às 07:29 AM

Atropelamento e fuga


Nos primeiros 6 meses de 2004, 282 pessoas foram atropeladas por condutores que se puseram em fuga sem prestar auxílio às vítimas.

Publicado por agineotonico às 07:08 AM

Mortes sem razão


Segundo dados do Banco Mundial, em 2002 morreram mais de 11 milhões de crianças com menos de 5 anos devido a doenças que, hoje, são facilmente tratáveis. No mesmo período, 500 mil mulheres perderam a vida devido a complicações na gravidez ou no parto.

Publicado por agineotonico às 07:04 AM

novembro 22, 2004

António e Hanna Damásio

professores na Universidade de Iowa, receberam o Prémio Jean Louis Signoret para as neurociências cognitivas.

Publicado por agineotonico às 10:43 PM

Faltam 60 milhões de mulheres no mundo

"O mundo conta com menos 60 milhões de mulheres «do que devia», devido a abortos, homicídios e mortes por maus-tratos, refere um relatório da UNICEF apresentado segunda-feira em Berlim. A organização da ONU refere que muitas das mortes devem-se apenas às vítimas serem do sexo feminino".
(Diário Digital)

A situação é particularmente grave na Ásia, onde a UNICEF estima que anualmente morrem mais de um milhão de meninas antes de cumprir um ano de vida.
O documento refere ainda que, por exemplo, no Paquistão, 500 mulheres são assassinadas em nome da «honra da família» e, na Índia, uma mulher é queimada viva por motivos religiosos a cada seis horas. A estes casos, soma-se o Bangladesh, onde desde 2000 foram queimadas com ácido mais de 1.100 mulheres e meninas, muitas vezes por se recusarem a manter relações sexuais.

De acordo com as contas da UNICEF, na Índia faltam 40 milhões de mulheres, no Bangladesh cinco milhões e no Paquistão entre quatro e oito milhões. O relatório cita ainda o caso da China, onde, enquanto vigorou a política de um filho por casal, o número de bebés do sexo feminino assassinados logo após o nascimento e o número de abortos de fetos femininos assumiu proporções trágicas.

Publicado por agineotonico às 10:15 PM

Degradação das urgências ligada à inexperiência de médicos

Os utentes que recorrem às urgências têm vindo a ser penalizados com a degradação dos serviços, admitiu o presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Manuel Delgado.
A mesma ideia tinha sido já apontada pelo bastonário da Ordem dos Médicos, Germano de Sousa, no início dos trabalhos. De acordo com o clínico, espanhóis recém-formados exercem funções nas urgências dos hospitais nacionais, muitas vezes sem muita preparação.
Manuel Delgado partilha destas preocupações, e explicou ao congresso que a contratação de clínico espanhóis é uma solução de recurso, sendo uma segunda escolha. «São profissionais que são colocados nos hospitais sem qualquer ligação com o funcionamento dos hospitais, com a sua estrutura, com os outros colegas que ali trabalham. Não acompanham os doentes», avançou.
Delgado admite mesmo que, neste aspecto, «estamos a repetir um pouco o modelo brasileiro que já provou que não funciona e os doentes que vão às urgências são os mais penalizados com certeza». Como consequência, a qualidade do serviço tem vindo claramente a degradar-se.

(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 10:09 PM | Comentários (1)

Como nos tornamos coniventes

Por que Washington e os mass media recorrem descaradamente à mentira sistemática e aos eufemismos? Basicamente para reforçar o apoio de massas interno ao assassínio em massa no Iraque. Os mass media fabricam uma teia de mentiras para assegurar um verniz de legitimidade para métodos totalitários a fim de que as forças armadas americanas continuem a destruir cidades com impunidade. A técnica aperfeiçoada por Goebbels na Alemanha e praticada nos EUA é repetir mentiras e eufemismos até que se tornem 'verdades' aceites, e incorporadas na linguagem diária. Os mass media ao efectivamente tornarem rotina uma linguagem comum envolvem a sua audiência. As preocupações tácticas dos generais, dos comandantes a dirigirem a carnificina (pacificação) e dos soldados a assassinarem civis são explicadas (e consumidas pelos milhões que os ouvem e assistem) por autoridades sem contestação através de jornalistas submissos e dos famosos "âncoras" do noticiário. A unidade de objectivo entre os agentes da matança em massa e os público americano de todos os dias é estabelecida através de "relatos de notícias". Os soldados 'pintam os nomes' das suas esposas e namoradas sobre os tanques e veículos blindados os quais destroem famílias iraquianas e transformam Faluja em ruínas. Soldados que retornam do Iraque são "entrevistados" perguntando-se-lhes se querem retornar para 'estar com o seu pelotão' e 'exterminar os terroristas'. Nas forças de combate americanas nem todos experimentam as alegrias de disparar sobre civis. Estudos médicos relatam que um em cada cinco soldados que retorna sofre de severo trauma psicológico, sem dúvida por testemunhar ou participar no assassínio em massa de civis. A família de um soldado regressado, que recentemente cometeu o suicídio, relatou que ele referia-se constantemente às mortes de crianças desarmadas nas ruas do Iraque de que fora responsável — chamando-se a si próprio de "assassino". Além destas notáveis excepções, a propaganda dos mass media pratica várias técnicas, as quais aliviam a 'consciência' dos soldados americanos e dos civis. Uma técnica é a 'reversão de papéis' ao atribuir os crimes da força invasora às vítimas. Não são os soldados que causam destruição de cidades e matam, mas as famílias iraquianas que 'protegem os terroristas' e "trazem sobre si próprias o bombardeamento selvagem". A segunda técnica é relatar apenas baixas americanas provocadas pelas 'bombas terroristas' — omitir qualquer menção aos milhares de civis iraquianos mortos pelas bombas e artilharia americana. Tanto a propaganda nazi como a americana glorificam os 'heroísmo', o 'êxito' das suas forças de elite (as SS e os Marines) na matança de 'terroristas' ou 'insurrectos' — todo civil morto é contado como um 'suspeito de simpatizante do terrorismo.
(James Petras in resistir)

Publicado por agineotonico às 07:23 AM | Comentários (1)

novembro 21, 2004

I Have a Dream

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(Pablo Martinez Monsivais)

Publicado por agineotonico às 09:57 PM

Amnesty International - Take Action!

Apelo da Amnistia Internacional para a prevenção dos Crimes de Guerra no Iraque.
Take Action!

Publicado por agineotonico às 04:04 PM | Comentários (1)

Clara F. Alves: cá, como lá, a informação ao serviço do poder

No artigo de Clara Ferreira Alves no Diário Digital com o nome “A Cartilha – A Guerra do Terror”, pode ver-se a que ponto chegou o jornalismo no nosso país.
Diz ela que “em Fallujah, dos estrangeiros aprisionados, grande maioria são iranianos, numa proporção de dez para um, o que também diz muito sobre o envolvimento do Irão nesta guerra”. O que não diz é que até as tropas americanas tiveram de deixar cair esse argumento que serviu para massacrar a população de Fallujah.
"«Aquilo» não conhece meios nem fins. Matar a sangue frio uma mulher que só ajudou o Iraque”, diz CFA não fazendo o trabalho de casa que qualquer jornalista que mereça esse nome deveria fazer. Na verdade, a execução de Margaret Hassan, de Nick Berg e de alguns outros tem vindo a ser contestada por diversas organizações e pessoas, porque serve que nem uma luva às tradicionais acções dos serviços secretos ocidentais.
Acrescenta que “é uma acção típica de um terrorista estrangeiro, com Zarqawi ou sem Zarqawi”. Também aqui mostra claramente que fala sem qualquer preocupação em fazer jornalismo informado - "But not a single source, anywhere, claims to have actually seen Zarqawi since late 2001 in Afghanistan". De facto, não é preciso o Governo fazer pressão sobre os média, alguns jornalistas voluntariamente fazem um tendencioso e mau trabalho de informação.

Pode ler-se mais informação AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI

Publicado por agineotonico às 12:27 PM | Comentários (2)

novembro 19, 2004

Dahr Jamail

é um correspondente do The NewStandard que tem feito a cobertura da guerra no Iraque.
Mantém um blog e as suas reportagens podem ser lidas em muitas páginas da net.
Além do mais, pode comunicar-se com ele por mail que, penso que como acontece comigo, ele responde.

Publicado por agineotonico às 08:17 PM | Comentários (5)

Não há vítimas civis em Falluja


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Publicado por agineotonico às 07:52 PM

11 de Setembro

Standley Hilton, cientista político e advogado na Califórnia, é o representante de 400 familiares de vítimas do ataque ao World Trade Center que acusam Bush de planear e mandar executar os atentados de 11 de setembro.
Argumenta ele que tem testemunhas que comprovam que os sequestradores dos aviões eram “agentes duplos, pagos pelo FBI e pela CIA”, que há documentos que comprovam ter havido simulação dos ataques, que há testemunhas que comprovam ter havido exercícios militares para “afinar” a operação e que a razão porque não funcionou o sistema de defesa aero-espacial se deveu ao facto de os seus responsáveis pensarem que se tratava de mais uma simulação.
As razões, diz Standley Hilton, foi criar o pretexto para justificar a invasão do Iraque e limitar drasticamente as liberdades nos EUA”.
Segundo sondagens recentes, cerca de metade dos nova-iorquinos acredita que a administração de Bush está, de alguma forma, implicada no 11 de setembro.
(Visão 611)

Por seu lado, Noam Chomsky, diz “que o Iraque fica exactamente no coração dos recursos energéticos mundiais. Tem imensa energia intocada e barata. Quem controlar o Iraque terá uma alavanca poderosa para controlar o mundo. Além de todos os lucros que isso representa para as corporações americanas, quem controlar a energia fica com uma influência enorme sobre os principais rivais dos EUA, isto é, as economias da Ásia e da Europa (...) por isso não se importam se aumenta o terrorismo”.
(Visão 610)

Pode ler mais opiniões sobre este assunto aqui.

Publicado por agineotonico às 07:20 PM

novembro 15, 2004

Santana Lopes pede confiança no Governo

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"Confiem em nós. A confiança é fundamental para haver maior investimento, para os trabalhadores terem mais segurança", como demonstra o recente aumento de desempregados.
"Éramos incapazes de fazer fosse o que fosse para diminuir essa liberdade", assegurou o presidente do PSD, advertindo que "a liberdade acaba onde começa a liberdade do outro", disse Santana referindo-se à nova entidade reguladora da comunicação social, embora como se sabe a liberdade concedida a alguns seja maior que a concedida aos tais outros.

Publicado por agineotonico às 07:37 AM | Comentários (5)

Facing the Challenge to the Global Peace Movement


"The 2004 elections confirmed that the center of gravity of US politics lies not on the center-right but on the extreme right (...) While liberals and progressives have floundered, the Radical Right has united under an utterly simple vision the different components of its base: the South and Southwest, the majority of white males, the upper and middle classes that have benefited from the neoliberal economic revolution, Corporate America, and Christian fundamentalists. This vision is essentially a subliminal one, and it is that of a country weakened from within by an alliance of pro-big government liberals, promiscuous gays and lesbians, and illegal immigrants, and besieged from without by hateful Third World hordes and effete Europeans jealous of America’s prosperity and power."
(Walden Bello)

Publicado por agineotonico às 07:28 AM

Fomos levados a esquecer

"Through this, the state of Israel has been able to enlist the support of even secular, allegedly progressive Jews in probably the most successful and sustained propaganda campaign in history.
We forget (and have been made to forget) that the Holocaust consumed millions of Roma, Slavs, homosexuals, the physically and mentally disabled, trade unionists, communists and anti-fascists (including many tens of thousands of Germans who were also made to 'disappear' in the Western media lest we actually made a connection between the German people and ourselves). Indeed, the Israeli state has managed with the active collaboration of the West, to appropriate the slaughter of WWII as its own."

(William Bowles)

Publicado por agineotonico às 07:21 AM

US MARINE EXECUTES SHOT MAN

Responsáveis políticos do mundo inteiro apoiados pela comunicação social mantêm-se em silêncio sobre a violência dos ataques da coligação no Iraque. Enquanto isso, continuam a ser cometidos crimes de guerra.

"A US marine has sparked world-wide revulsion after being seen shooting an injured and helpless Iraqi.
The sickening scene was broadcast by Channel 4 News after a fire-fight in the rebel stronghold of Fallujah.
The trigger-happy soldier had been asked to get nearer to the injured man.
But instead of trying to capture him, the marine is seen leaning over a wall and cold-bloodedly shooting him.
He then turns to his colleagues and says: "He's gone". Coalition chiefs were last night under pressure to investigate the incident.
Labour left-winger Jeremy Corbyn said: "This execution will be remembered by the Iraqi people for generations.
"What does this say about the tactics being used by those who are supposed to be the forces of democracy? We want an immediate investigation."
Channel 4 News viewers flooded the station's web-site with complaints. One said: This was against all civilised norms and law."

Publicado por agineotonico às 07:11 AM

novembro 12, 2004

Nova política

A sociedade tem evoluído mais depressa do que os partidos e o sistema representativo.
(...) O próprio Estado, configurado para a política da inércia, mais do que da acção, tem vindo a perder poder efectivo. Limitando-se ao papel da defesa das instituições, à burocracia, à aplicação das leis e à distribuição de uma assistência social, desenhada sempre numa condição precária.
(...) o sistema democrático, baseado em listas partidárias e num parlamento com crescente dificuldade em representar a pluralidade social, deixa de fora os sectores mais dinâmicos, mas igualmente aqueles que não conseguem organizar-se politicamente e que vivem nas orlas da cidade e da sociedade.
(...) É por isso que repensar a democracia continua a ser tão determinante. Não tanto procurando salvar o modelo actual, em lenta mas agonizante decadência, mas precisamente na perspectiva da utopia possível. Isto é, regressando ao concreto e à política como pensamento para a acção.
(...) A acção política convencional, tanto a de esquerda como a de direita, parece estar exclusivamente vocacionada para a integração, reduzindo portanto o campo da pluralidade.
(...) É por isso que quando se fala hoje de renovação dos partidos ou reforma da política, não basta pensar nalgumas alterações de forma. A questão é de fundo. Até porque uma simples reforma do sistema não conseguirá evitar o processo de degradação do campo político e do modelo de representação que lhe está associado. A desregulação da sociedade e das vidas atingiu já o descrédito das instituições democráticas e muito em particular a própria figura da administração pública. O público tornou-se sinónimo de negativo e o privado é tido como coisa positiva. A gestão do domínio público é vista sob uma vasta capa de suspeições, enquanto a gestão do privado é associada à eficácia e sucesso.
Uma tal inversão de valores sociais e civilizacionais não é casual. É preciso ter consciência de que a destruição da política e de tudo o que lhe está associado, resulta de uma acção concertada e estratégica que visa erradicar o que resta de público na nossa sociedade, a começar pelo exercício dos próprios direitos políticos e democráticos.
(Leonel Moura)

Nova política


A sociedade tem evoluído mais depressa do que os partidos e o sistema representativo. As novas tecnologias, o neoliberalismo económico, a globalização e acima de tudo a alteração profunda nos modos e nos objectivos das existências singulares, criaram um mundo em acelerada e constante mudança que não encontra interlocutor numa estrutura política que, no essencial, ainda se rege por modelos herdados do século XIX.
O próprio Estado, configurado para a política da inércia, mais do que da acção, tem vindo a perder poder efectivo. Limitando-se ao papel da defesa das instituições, à burocracia, à aplicação das leis e à distribuição de uma assistência social, desenhada sempre numa condição precária. O Estado tem uma enorme dificuldade em se modernizar. Continua por isso, no seu essencial a ser um instrumento da direita, mesmo quando é gerido politicamente pela esquerda.
Por seu lado, o sistema democrático, baseado em listas partidárias e num parlamento com crescente dificuldade em representar a pluralidade social, deixa de fora os sectores mais dinâmicos, mas igualmente aqueles que não conseguem organizar-se politicamente e que vivem nas orlas da cidade e da sociedade. A crise da representação, o abstencionismo e em geral o desinteresse pelo próprio processo democrático, afectam não só os partidos e a classe política, mas põem, acima de tudo, em causa uma forma avançada de civilização.
Na esquerda reconhece-se portanto a necessidade de empreender significativas mudanças. Elas estão presentes em todos os discursos e análises. Mas tardam em chegar.
Essa lentidão na capacidade de realizar as reformas políticas necessárias, vem resultando numa perda de influência da política e num crescente domínio do económico sobre o vivido. Num processo imparável. O campo do económico cativa os mais capazes e submete todos os outros, muito em particular os que não possuem outra coisa senão a sua força de trabalho. Organizando-se de forma extremamente eficaz, veloz e estratégica, através de um bem-estar feito de consumos e uma ideologia construída de espectáculos, imagens e virtualidade.
As decisões do universo económico têm por isso muito mais influência nos destinos individuais, do que as decisões políticas. O que significa que a nossa sociedade evoluí com base em vontades não democráticas, sobrepondo-se a qualquer razão comum.
É por isso que repensar a democracia continua a ser tão determinante. Não tanto procurando salvar o modelo actual, em lenta mas agonizante decadência, mas precisamente na perspectiva da utopia possível. Isto é, regressando ao concreto e à política como pensamento para a acção.
A democracia é o campo ideal de actuação e renovação de uma política de esquerda. A única razão comum que resta após a derrocada das ideologias comunistas. Mas a democracia não é só um território do comum, é acima de tudo, um campo de confrontação, de antagonismo e portanto de pluralismo.
É assim que temos assistido à emergência de novas entidades políticas marginais à política convencional. Apesar da dispersão e por vezes da inconsequência dos actos e das ideias, é por aí que temos de encontrar as bases de uma política do futuro.
A acção política convencional, tanto a de esquerda como a de direita, parece estar exclusivamente vocacionada para a integração, reduzindo portanto o campo da pluralidade. Por isso abre-se caminho a muitos movimentos que lutam pela fragmentação e desintegração, configurando um verdadeiro movimentismo, de raiz e interesses muito variados, sexuais, étnicos, culturais, políticos, religiosos, éticos. A crise da política é por isso também, o sinal de um enorme desfazamento entre aparelhos integradores e vontades plurais.
Sendo certo que uma parte significativa destes movimentos exprimem visões extremamente reaccionárias, tomando a forma de terrorismos sem propósito, fundamentalismos, .nacionalismos e em geral muitos outros fenómenos de tipo identitário, o movimentismo, em si mesmo, constitui uma resposta à crise da política convencional que não se deve, nem pode, desprezar.
É por isso que quando se fala hoje de renovação dos partidos ou reforma da política, não basta pensar nalgumas alterações de forma. A questão é de fundo. Até porque uma simples reforma do sistema não conseguirá evitar o processo de degradação do campo político e do modelo de representação que lhe está associado. A desregulação da sociedade e das vidas atingiu já o descrédito das instituições democráticas e muito em particular a própria figura da administração pública. O público tornou-se sinónimo de negativo e o privado é tido como coisa positiva. A gestão do domínio público é vista sob uma vasta capa de suspeições, enquanto a gestão do privado é associada à eficácia e sucesso.
Uma tal inversão de valores sociais e civilizacionais não é casual. É preciso ter consciência de que a destruição da política e de tudo o que lhe está associado, resulta de uma acção concertada e estratégica que visa erradicar o que resta de público na nossa sociedade, a começar pelo exercício dos próprios direitos políticos e democráticos.
A generalização de um enorme criticismo contra a política, não deriva somente dos erros cometidos pelos próprios políticos e nem sequer das fragilidades de um sistema de representação integrador, envelhecido e pouco eficaz. A destruição da política tem origem numa verdadeira utopia capitalista, que imagina uma sociedade inteiramente governada pelas leis do mercado.
A partir dos anos 80 tornou-se aliás corrente a ideia de que a iniciativa privada estava mais capacitada do que a política para resolver os problemas sociais. A adesão à economia de mercado, rapidamente se transformou no discurso da privatização do mundo, com as consequências desastrosas que hoje se reconhecem em praticamente todas as áreas. A título de exemplo, basta pensar no sistema de transportes ferroviários ingleses, seguramente o melhor do mundo ao tempo da gestão pública e hoje deficientes e perigosos como tudo onde prevalece a lei do maior lucro. Mas a realidade mais brutal está patente no aumento global da miséria e na sequência macabra das várias catástrofes humanitárias, provocadas pelo excesso de exploração de recursos e pela ausência de políticas económicas dedicadas ao bem comum.
A desvalorização da política tem pois várias origens. Por um lado é obra da utopia capitalista, na sua vontade de minimizar a influência do interesse comum e alargar cada vez mais o seu próprio campo de acção e negócio. Resulta também da própria acção dos homens políticos e tantas vezes, precisamente, de uma escandalosa falta de acção. O egoísmo individualista que tão desgraçadamente ilustra a nossa época é outro factor significativo. E por fim, o verdadeiro deserto de convivência e de solidão social criado pelo fenómeno televisivo, não favorece o interesse pela política, como aliás por praticamente nada mais.
Não admira também que muitos intelectuais, gente da cultura, jornalistas e fazedores de opinião, venham conquistando uma parte essencial das suas carreiras e projecção mediática a dizer mal da política. Assim como certos políticos demagogos e populistas. Esse comportamento garante-lhes audiência e até uma certa imagem chic e de pretensa irreverência. Ninguém parece importar-se com a elevada dose de cinismo do processo. Já que são precisamente os mesmos que denunciam o desinteresse geral pela política e o aumento da abstenção, culpando mais uma vez os políticos.
O ataque cerrado e constante contra a política é aliás particularmente evidente na acção dos media. O jornalismo contemporâneo assumiu uma vocação de "killer" da política e dos políticos. Fazem-no por audiências e tiragens é certo, mas também na defesa dos interesses privados que objectivamente servem. A informação tornou-se residual. A deontologia esqueceu-se. Mas ninguém se atreve a criticar os media. Trata-se aliás de um poder praticamente sem contestação, pois não existem mecanismos públicos capazes de o questionar e confrontar. Nem democráticos, nem funcionais. Pois toda a realidade é hoje filtrada pelos próprios media.
Embora exista muito de zeitgeist nestas atitudes, não devem restar dúvidas de que esta desvalorização do político, tem um fundo ideológico objectivo. Ou seja, a desvalorização da política é obra política da direita. A tal ponto e com tais implicações e ramificações, quer ao nível do projecto visionário do capitalismo, quer na manutenção de enormes massas despolitizadas e pouco ou nada reivindicativas, que é legítimo defender uma tese. Na sociedade contemporânea, a defesa da política e da democracia são, em si mesmo, tarefas da esquerda.


Renovar a política

Defender a política não significa abdicar da sua crítica. Pelo contrário. Mas essa crítica para ser séria e em particular para ser de esquerda, não pode deixar de se constituir como exigência de mais política e mais democracia.
É neste contexto que devemos colocar a questão dos partidos.
Partindo do princípio de que os partidos não esgotam a vida democrática, convirá também não esquecer que a organização partidária continua a ser uma das mais significativas formas de manifestação e agenciamento da cidadania, contra os poderes não democráticos da sociedade contemporânea. Porque são precisamente eles quem representam a forma originária de exercício da cidadania activa, constituindo-se como uma poderosa barreira à vocação totalitária da sociedade de mercado e à tentativa de reduzir os destinos humanos à lógica exclusivista do lucro, ao perverso poder dos média e à vacuidade das existências.
Mas a verdade é que, hoje, os partidos, na sua versão convencional, estão a conhecer uma grave crise, que poderíamos caracterizar da seguinte maneira. Adaptaram-se rapidamente à nova civilização da imagem, ao novo espaço público televisivo, às exigências do marketing, às flutuações do centro, à mediatização do discurso político, à agenda dos média, mas não conseguiram fazer evoluir as suas estruturas políticas às novas exigências da mobilidade social, nem conseguiram reinventar novas afinidades colectivas capazes de cimentar outras dinâmicas e estratégias, causas emergentes e valores comuns. Produziu-se como que um hiato, uma cisão entre o corpo do partido e a sua inteligência, o seu discurso, a sua imagem. O organicismo informal de que ainda vão vivendo, contrasta com a força de uma comunicação cada vez mais expansiva, capaz de os fazer ganhar consensos conjunturais nas mais variadas áreas sociais. E este hiato produz irreparáveis resistências do corpo ao discurso, que, por isso mesmo, impedem que ele próprio se renove. Em palavras simples: dum lado, estão as exigências de auto-reprodução do aparelho; do outro, estão as exigências de expansão do discurso para além dos estritos confins do partido. A solução dos chamados «independentes» é, por isso, uma mera solução de justaposição, um simples acrescento que em nada altera esta lógica bipolar e algo antagónica. Assim, esta ampliação do discurso político para fins eleitorais só pode servir, do ponto de vista do partido, enquanto instrumental, isto é, enquanto serve para injectar, através do aparelho de Estado, novos recursos ao aparelho. Por outro lado, e porque não se verifica uma integração funcional dos chamados «independentes», também deste lado tende a desenvolver-se uma equivalente lógica de tipo instrumental. Tudo muda sem nada se alterar. Na substância.
As sociedades modernas, enquanto sociedades da comunicação, transversais, móveis, permitem um nível de participação política que ultrapassa o quadro da participação orgânica tradicional. Nelas é possível inscrever uma lógica de exercício da cidadania que se situe para além da pura militância orgânica. Nelas é possível inscrever a ideia de cidadania activa. Algo que se situa entre o simples acto de votar e o puro exercício da militância. Cidadão activo é aquele que não só vota como intervém em causas, pequenas ou grandes, locais ou universais, e que pauta o exercício da cidadania por valores, por sentimentos de afinidade colectiva e por razões que nascem e crescem em ambiente de autodeterminação individual. Este cidadão não é independente, mas comprometido, engagé. Não é cidadão de pensamento único ou de ideologia compacta. Exerce activamente os seus direitos e assume livremente os seus deveres. Conjuga a ética das convicções com a ética das responsabilidades.
É pois necessário encontrar mecanismos institucionais permanentes capazes de lhes dar voz, sem que para isso seja exigida uma filiação partidária. Mecanismos que não se confinem aos simples e transitórios shows mediáticos.
Mas embora os partidos tradicionais venham mostrando uma enorme dificuldade de adaptação às novas realidades sociais e económicas, a política em si mesma não tem parado de evoluir. No curto espaço de duas décadas, as organizações não-governamentais, os movimentos congregados em torno de causas e uma miríada de organismos e acções, do que podemos chamar uma micropolítica, têm vindo a criar novas maneiras de fazer política. Com um tal sucesso que são hoje estas pequenas e médias organizações que frequentemente marcam a agenda da sociedade, dos grandes partidos e dos governos.
Basta citar a agenda ambiental, hoje central em qualquer sociedade democrática, que foi inteiramente obra de pequenos núcleos de activistas, contra as empresas e as polícias, mas igualmente contra os partidos, mesmo os de esquerda. Ou o contributo fundamental da Amnistia Internacional na agenda dos direitos humanos e que hoje abre uma nova frente, exigindo também uma política de direitos humanos para as grandes empresas que exploram mão-de-obra praticamente escrava, negoceiam com regimes corruptos e dão cobertura a assassinatos, torturas e violações de toda a espécie.
Torna-se aliás evidente que estas organizações, tanto pela sua condição internacionalista e global, como pela sua operacionalidade micropolítica e local, representam as bases da política do futuro. É verdade que lhes falta ainda um princípio de universalidade, único que pode garantir a gestão do interesse comum, mas no essencial os fundamentos da nova política estão já à nossa disposição. Pluralidade, mobilidade, comunidade, afinidades colectivas.
Os grandes partidos nascidos da democracia burguesa e do sindicalismo, que têm como base a militância, uma acção política essencialmente legislativa e a conquista de um aparelho de Estado centralista, dificilmente conseguirão resistir a uma sociedade fragmentada e plural, complexa e interactiva, e em constante mutação - para o melhor e para o pior.
A reflexão sobre a renovação dos partidos não é portanto de natureza meramente académica. Trata-se de uma questão de sobrevivência. Não tanto dos partidos em si, dada a sempre implacável passagem do tempo histórico. Mas da capacidade de agir hoje politicamente em comum. Porque as causas por si só, fragmentárias e efémeras, não bastam para constituir uma mundividência. Os partidos, ou outro tipo de grandes organizações, generalistas e com universalidade de princípios, são ainda fundamentais.
Não sendo possível encontrar um novo modelo unificador que substitua o corpo ideológico do passado, o campo do comum só pode definir-se, com alguma consistência, mantendo o antagonismo social como princípio fundador do próprio pluralismo. Ou seja, ao contrário do que se vaticinava nos anos 80, as noções de esquerda e direita não desapareceram e são cada vez mais importantes para definir um campo de articulação e acção. Mais. A esquerda deve reivindicar o seu lugar, traduzindo-o numa prática e num projecto de sociedade. Deve portanto demarcar-se da direita e muito em particular dos territórios indefinidos. Começa aliás a ficar claro que a ideia de grande centro não é politicamente viável. Afinal o centro é a televisão. E está também claro que não se pode governar por muito tempo para a televisão.
A nova política far-se-à de novas combinações no interior de um mesmo espaço de pluralismo. A nova política far-se-à do encontro de várias esquerdas e de distintas formas de fazer política. Umas partidárias, outras movimentistas. Umas militantes, outras de cidadania activa.
Estas são aliás ideias que vão fazendo o seu caminho. A procura de novos modelos de organização política está na ordem do dia. Temos vários exemplos na Europa. Em Itália após a falência catastrófica dos partidos históricos, com a criação de novas reconfigurações políticas. Em França com o Governo da esquerda plural. E também em Portugal com a experiência politicamente inovadora do Bloco de Esquerda.
Com a abertura a um vasto conjunto de personalidades não filiadas, o PS, através dos Estados Gerais e da Nova Maioria, deu aliás um decisivo contributo para este processo, pondo em causa a tradicional concepção de fechamento social, político e cultural que caracteriza o partido de militantes. Entendeu-se então que a renovação do partido tem pouco a ver com questões estatutárias internas e tudo com a capacidade de criar novas configurações políticas viradas para o exterior.
Existem duas maneiras de mudar a sociedade. Através de rupturas, ou iniciando processos que provocam mudanças. Por vezes, à primeira chama-se revolução e à segunda reforma. Mas torna-se cada vez mais difícil fazer uma tão peremptória distinção. A quantidade também produz qualidade. Pense-se num copo a encher, gota a gota.

Regressar ao concreto

Embora com destinos e êxitos diversos, estas novas realidades políticas têm um traço comum. Representam um regresso ao concreto. Precisamente porque se alguma coisa parece faltar numa política contemporânea totalmente subjugada pelos media, pela imagem e pela virtualidade é o domínio do concreto. E o concreto é um território implacável. Veja-se o caso português. Num país que tem evoluído positiva e velozmente em muitos aspectos, o negativo torna-se ainda mais intolerável. A miséria, o atraso, a incompetência, não são toleráveis no tempo da Internet e do avanço científico, cultural e económico. Os bairros de lata são ainda mais chocantes quando colocados ao lado da Expo.
A política precisa de desenvolver uma racionalidade do concreto. Quebrar o abraço mortal com a política espectáculo, com a dependência mediática e o ilusionismo da imagem. Não para diminuir o campo do visível, mas para dar mais visibilidade ao real.
Todos reconhecem que nos falta uma cultura de exigência e inovação. O mesmo é dizer que em Portugal existem culturas enraizadas muito fortes e formas de expressão de grande reconhecimento mundial, como seja a literatura, mas temos um fraco domínio e conhecimento da própria cultura contemporânea. Em muito dos seus aspectos. Naqueles que se prendem com a comunicação e a circulação, e também com a capacidade de empreender rupturas. Isto é, verdadeira inovação.
Duas questões básicas não fazem ainda parte da nossa conduta. Por um lado, perceber que o saber é hoje um domínio do fazer. Por outro, que a inovação depende mais da capacidade de desconstruir normas do que cumprir procedimentos. Ou seja, o desenvolvimento das pessoas, portuguesas, só será possível através de uma sobrevalorização da criatividade, da irreverência e da visibilidade das ambições, individuais e colectivas. O que implica deitar abaixo preconceitos, corporativismos, formalismos estéreis. Há aliás, objectivamente, um excesso de formalismo na vida portuguesa. Talvez por condição do homem português, mais dado ao jogo das aparências do que ao ímpeto da realização. Leia-se o velho Eça. Mas também porque apesar da revolução de Abril, o novo país democrático continua assente num similar corporativismo e dependência do Estado que sustentaram meio século de ditadura. O servilismo é ainda uma doença da nossa democracia. A falta de exigência e inovação não resultam portanto de um simples problema educacional, como tantos pretendem. É algo de muito mais profundo. Trata-se de um verdadeiro problema cultural e civilizacional.
Por isso a qualificação do país não se realizará sem grandes mudanças ao nível do próprio exercício do poder e do funcionamento da democracia. Uma cultura de excelência para os cidadãos, tem que assentar numa cultura de excelência para a acção política. Um político que não tem cultura, não pode contribuir para a qualificação do país. Desde logo porque não sabe o que isso realmente significa. Uma cultura de inovação não pode ter lugar sem uma vasta democratização de tudo, do ensino, da administração, da gestão das cidades.
É preciso reconhecer que a fraca participação dos cidadãos assenta em boa medida, na ausência de espaços de participação.
Por outro lado, no campo cultural, embora se reconheça a valorização política da cultura com os Governos do PS, no essencial, continuamos a promover uma concepção absolutamente ultrapassada de cultura. Faz, por exemplo, cada menos sentido separar os Ministérios da Ciência e da Cultura, num tempo em que o encontro das artes e das ciências é determinante para qualquer desenvolvimento científico, artístico ou tecnológico. Faz igualmente pouco sentido separar cultura e novas tecnologias da informação, sejam elas a Internet, as comunicações ou a televisão.
Sem democracia activa e sem um entendimento do que é a cultura contemporânea, não existe lugar para a exigência e inovação. Também aí o desenvolvimento do país não pode ficar exclusivamente nas mãos das empresas e suas estratégias conjunturais. À política cabe a orientação e o suplemento qualitativo. Desde logo promovendo o encontro do que agora anda separado. Artes e ciências. Cultura e política. Partidos e causas.

Construir a cidade

As cidades constituem o terreno excelente de aplicação da nova política. Em dois domínios. Cultura e democracia.
A requalificação das nossas cidades não depende só de uma melhoria ao nível do urbanismo, da circulação automóvel ou da recuperação habitacional. É a própria vida urbana que tem de ser requalificada. Com mais cultura activa, mais espaço público e maior interacção cívica.
É aliás evidente a ausência de dinâmicas culturais nas nossas cidades. Tanto no domínio mais convencional, exposições, concertos e espectáculos, como na presença da criatividade contemporânea. A cultura ainda é vista entre nós como coisa marginal, economicamente pouco rentável e de interesse duvidoso. Não se percebeu o quanto a cultura é hoje fundamental na construção da cidade e da vida quotidiana. Como factor de desenvolvimento do humano, precisamente pelo apelo que faz à curiosidade intelectual e ao bem estar dos sentidos.
Cidades feias, degradadas e sem inovação não podem gerar confiança no futuro e vontade empreendedora. Aliás, a tristeza e falta de entusiasmo são o lugar comum do sentir português neste começo de milénio. O que não pode deixar de constituir uma forte preocupação política. Porque afinal estamos a falar do futuro do país.
O programa Polis é um contributo notável e muito positivo para a requalificação das nossas cidades. Representa a continuidade de um processo iniciado com a Expo que se espera venha a servir de modelo para autarcas, agentes económicos e população em geral. Mas a carência de inovação não se prende só com o urbanismo. A nova economia assenta toda ela na capacidade de produzir e concretizar ideias novas. O fraco entendimento que temos hoje do que significa a cultura contemporânea, terá repercussões nefastas no futuro.
Por isso também aqui se exigem acções concretas. Criação de centros de inovação, interacção de saberes, ligação das escolas aos agentes culturais, promoção de concursos de ideias para os mais variados objectos e objectivos, cedência de espaços públicos abandonados para criação de ateliers, centros de arte e tecnologia, centros de experimentação.
Basta dizer que muitas são as cidades portuguesas que têm festas, festivais e eventos culturais regulares. Mas praticamente nenhuma tem sido capaz de criar dinâmicas culturais fortes e autónomas. Das muitas recuperações urbanas realizadas nestes últimos anos em várias cidades do país, muitas reverteram para zonas de bares e comércio. Mas praticamente nenhuma para ateliers e centros de produção cultural. O que constitui um erro tremendo.
A construção da cidade contemporânea é um processo democrático e cultural. Democrático porque exige a participação activa dos cidadãos. Cultural porque representa uma singularidade. No contexto europeu essa singularidade é aliás determinante. Porque assistimos nestes últimos anos a uma evidente revalorização do papel das cidades, face ao enfraquecimento das nações. A Europa é cada vez mais uma Europa das cidades. É aliás aí que se joga o futuro da cidadania europeia.


Criar futuro

Fica claro que acima de tudo Portugal necessita de uma requalificação de âmbito cultural. Na democracia, nos partidos, na política, nas cidades. O que significa também que não se trata de uma questão técnica ou sectorial, mas sim do campo dos objectivos e da decisão política.
Sendo certo que a política vem sofrendo um ataque feroz por parte de vários sectores da sociedade, nomeadamente económicos e mediáticos, também não é menos verdade que lhe cabe ainda um papel importante na acção sobre o concreto e na criação de processos dinâmicos capazes de dar sentido ao destino colectivo. É aliás isso mesmo que todos esperamos.

Leonel Moura

Publicado por agineotonico às 08:32 PM | Comentários (1)

Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé

"Na condição de Presidente da Direcção dos Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé venho, em representação de toda a Associação e ao abrigo da lei da imprensa, cujo cumprimento é tão rigorosamente observado como o do código da estrada, referir-me aos dados biográficos de Sexa o Senhor Secretário de Estado da Defesa e Antigos Combatentes.
(...)Como é de uso, solicito seja esta carta publicitada com o mesmo destaque em ambos os lados, em papel reciclado e com fotografia tipo passe, a três quartos e a cores e sem que se possa ver a eventual barba de três dias.
Os dados divulgados, por incompletos, apenas se devem a um de dois factores: o primeiro e o segundo (...) Tive a rara felicidade de conhecer Sexa no infantário do Alto Calhabé, ainda ambos de calções e de bibe de riscado aos quadradinhos, quando os dois frequentámos as suas salas. Não o acompanhei depois, Sexa era super dotado, super rápido, super despachado, atributos que ainda hoje não tenho reunidos, o que muito me tem lixado a vida, diga-se "off record".
Mas, por questão da mais elementar justiça, complete-se com mais rigor o excepcional currículo que apresenta Sexa, o senhor Secretário de Estado da Defesa e dos pensionistas dos 150 euros anuais:

- Chefe de sala dos 4 aos 7 anos no Infantário do Alto Calhabé
- Declamador do poema A Baratinha na festa de Natal do mesmo infantário
- Controlador das crianças até 10 anos na colónia de férias da praia da Figueira
- Conclusão do exame de instrução primária, com distinção e palmas. Ganhou um relógio de pulso.
- Chefe de turma no segundo ano do ciclo preparatório na escola preparatória de Que Aios
- Exame do ciclo preparatório com a média de 13 valores, por desfaçatez do júri
- Membro honorário da Associação dos Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé".

(in Cabo Raso)

Publicado por agineotonico às 05:16 PM

Despedida

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Publicado por agineotonico às 04:29 PM | Comentários (2)

O que é que tem o Barnabé?


Tendo andado por aí a visitar alguns blogues, parei para ler o elogio fúnebre de Arafat feito pelo pessoal do Barnabé. Pelos comentários pareceu-me estarem os rapazes a ser bastamente incompreendidos; eu sei, eu sei, eles não fundamentam nada do que dizem, mas porque não gosto de ver gente injustiçada decidi oferecer-lhes uma ajudinha.
Para isso, tentarei repor alguns factos históricos e contar um episódio em que a minha vida se cruzou com a causa palestiniana.
Vamos então à história. Como se sabe, Arafat nasceu terrorista e corrupto e passou toda a sua infância e juventude tentando encontrar o pretexto ideal para dar largas à sua natureza. Tendo estudado engenharia, engenhou numa das suas disciplinas curriculares um projecto chamado Estado de Israel, o qual começou a testar mesmo antes de acabar a licenciatura e que tinha como objectivo oferecer-lhe a cobertura ideal para dar largas à sua vontade de aterrorizar e corruptar.
O resto da história é conhecido: o terrorismo transformou-se no seu desporto favorito e foi aquilo que o manteve longe do aborrecimento dos salões de chá durante a maior parte da sua vida, durante a qual refinou algumas das sua técnicas preferidas, como viver sitiado entre ruínas.
Isto quanto às questões do terrorismo e da corrupção. Relativamente ao apodo de ditador, que muita perplexidade tem causada em algumas mentes mais ingénuas, deixem-me contar o seguinte:
Tendo eu saído de casa para ir à tasca do meu amigo Vicente comer uns carapaus fritos com arroz de tomate, quis o acaso que acabasse por partilhar a mesa com um refugiado palestiniano, o qual me contou algumas histórias da biografia de Arafat e das quais destaco:
O homem, como bom ditador, predicado do qual sempre procurou fazer-se acompanhar, dedicou uma parte da sua vida ao derrube do governo da Palestina democraticamente eleito em eleições livres e avalizadas pelos EEUU e Israel.
Não contente com a usurpação do poder, instalou a censura prévia, proibiu os partidos políticos e reprimiu, através de uma polícia bem armada e omnipresente toda e qualquer manifestação de dissidência.
Construiu uma série de palácios para férias na neve, férias na praia, férias no campo e férias na cidade (o chamado palácio governamental)
Aboliu o parlamento, dispersou a população e os seus representantes e construiu uma série de barreiras para evitar que pudessem encontrar-se, frequentar a escola ou, simplesmente, amar-se.
E se tudo isto não chega para definir a sua natureza ditatorial, disse-me o tal refugiado, deixando-me com um rabo de carapau atravessado na garganta, devo dizer-lhe que ainda esta manhã mandou dispersar uma manifestação com blindados e bala real. Aqui tem, disse-me ele, enquanto limpava calmamente a boca ao guardanapo.
Com este escrito espero ter contribuído para a reabilitação dos barnabés junto dos seus leitores habituais; afinal, nunca se sabe quando se irá precisar de alguém possuidor de uma daquelas bússolas que garantem a orientação nos corredores do poder.
(in O uno e o múltiplo)

Publicado por agineotonico às 08:08 AM

O impensável torna-se normal


Os média que se dizem "de referência" falam de Faluja como se fosse povoada apenas por "insurrectos" estrangeiros. De facto, mulheres e crianças estão a ser assassinadas em nosso nome.
(John Pilger)

Iraque: o impensável torna-se normal
por John Pilger [*]

Os medias que se dizem 'de referência' falam de Faluja como se fosse povoada apenas por "insurrectos" estrangeiros. De facto, mulheres e crianças estão a ser assassinadas em nosso nome.

O importante ensaio de Edward S. Herman, "A Banalidade do Mal", nunca pareceu mais adequado. "Fazer coisas terríveis de um modo organizado e sistemático repousa na 'normalização' ", escreveu Herman. "Há habitualmente uma divisão de trabalho no fazer e no racionalizar o impensável, com a brutalização e morte directa feita por um conjunto de indivíduos ... e outros a trabalharem para melhorar a tecnologia (um melhor crematório a gás, um napalm mais adesivo e com queima mais prolongada, bombas de fragmentação que penetram a carne em padrões difíceis de detectar). É função do peritos, e dos media de referência, normalizar o impensável para o público geral.
Hoje (6 de Novembro), na Radio 4, um repórter da BBC em Bagdad referiu-se ao ataque em preparação à cidade de Faluja como "perigoso" e "muito perigoso" para os americanos. Ao ser perguntado acerca dos civis ele disse, de modo tranquilizador, que os US marines estavam "a avançar com um alto-falante" dizendo às pessoas para saírem. Ele omitiu dizer que dezenas de milhares de pessoas ficariam na cidade. E mencionou de passagem o "mais intenso bombardeamento" da cidade sem qualquer sugestão do seu significado para as pessoas debaixo das bombas.
Tal como para os defensores, aqueles iraquianos que resistem numa cidade que desafiou heroicamente Saddam Hussein, eles eram meros "insurrectos enfiados na cidade", como se fossem um corpo aliado, uma forma menor de vida a ser "varrida" (The Guardian): um terreno adequado para "caçadores de ratos", que é a expressão, relatada por outro repórter da BBC, utilizadada pela Guarda Negra (Black Watch) britânica. Segundo um oficial superior britânico, os americanos vêm os iraquianos como sub-homens (Untermenschen), termo utilizado por Hitler no Mein Kampf para descrever judeus, romenos e eslavos. Foi assim que o exército nazi colocou cidades russas sob cerco, massacrando combatentes e não-combatentes de igual modo.
Normalizar crimes coloniais como o ataque a Faluja exige tal racismo, a unir a nossa imaginação ao "outro". O tema das reportagens é que os "insurrectos" são conduzidos por sinistros estrangeiros da espécie que decapita pessoas: por exemplo, Musab al-Zarqawi, um jordaniano que se diz ser o "top operative" da Al-Qaeda no Iraque. Isto é o que os americanos dizem, é também a mentira mais recente de Blair ao parlamento. Incontáveis vezes isto foi papagaiado diante de uma câmara, para nós ouvirmos. Nenhuma ironia é observada no facto de que os estrangeiros no Iraque são esmagadoramente americanos e, segundo todas as indicações, odiados. Estas indicações vem organizações aparentemente críveis de inquéritos, uma das quais estima que dos 2700 ataques mensais da resistência, seis podem ser creditados ao infame al-Zarqawi.
Numa carta enviada a 14 de Outubro a Kofi Annan, o Conselho Shura de Faluja, que administra a cidade, afirma: "Em Faluja, [os americanos] inventaram um novo alvo vago: al-Zarqawi. Quase um ano decorreu desde que eles criaram este novo pretexto e sempre que eles destroem casas, mesquitas, restaurantes e matam crianças e mulheres dizem: "Lançámos uma operação com êxito contra al-Zarqawi". O povo de Faluja assegura que esta pessoa, se ela existe, não está em Faluja ... e não temos ligações a quaisquer grupos que apoiem comportamento tão desumano. Apelamos a si e urgimos das Nações Unidas [a impedirem] o novo massacre que os americanos e o governo fantoche estão a planear começar em breve em Faluja, bem como em muitas partes do país".

Nem uma palavra acerca disto foi relatada nos media 'de referência' da Grã-Bretanha e dos EUA.
"O que será preciso para sacudi-los do seu silêncio embaraçoso?" perguntou em Abril o dramaturgo Ronan Bennett, depois de os US marines, num acto de vingança colectiva pela morte de quatro mercenários americanos, terem morto mais de 600 pessoas em Faluja, número esse que nunca foi desmentido. Então, tal como agora, eles utilizaram o feroz poder de fogo da artilharia dos AC-130 e dos caça-bombardeiros F-16 e das bombas de 500 libras (227 kg) contra tugúrios. Eles incineraram crianças; os seus franco atiradores (snipers) jactaram-se de matar qualquer um, tal como o fizeram os snipers em Sarajevo.
Bennett referia-se à legião de silenciosos deputados trabalhistas que se sentam no fundo do parlamento, com honrosas excepções, e os lobotomizados ministros júnior (lembram-se de Chris Mullin?). Ele poderia ter acrescentado aqueles jornalistas que se esforçam de toda a maneira para proteger o "nosso" lado, que normalizam o impensável ao não fazerem o mínimo gesto perante a imoralidade e a criminalidade demonstrável. Naturalmente, ficar chocado com o que "nós" fazemos é perigoso, porque isto pode levar a um entendimento mais vasto da razão porque "nós" estamos ali e do sofrimento que "nós" causamos não só aos iraquianos como também em muitas partes do mundo em que o terrorismo da al-Qaeda é diminuto em comparação com o nosso.
Não há nada ilícito neste encobrimento; ele acontece à luz do dia. O exemplo recente mais gritante seguiu-se ao anúncio, em 29 de Outubro, pela prestigiosa revista científica Lancet, de um estudo em que estimava que 100 mil iraquianos haviam morrido como resultado da invasão anglo-americana. Oitenta e quatro por cento das mortes foram causadas pelas acções dos americanos e dos britânicos, e 95 por cento destas foram mortas por ataques aéreos e fogo de artilharia, a maior parte das quais eram mulheres e crianças.
Os editores do excelente MediaLens observaram a pressa -- não, a debandada -- em adoçar esta notícia chocante com "cepticismo" e silêncio. Eles relatam que, em 2 de Novembro, o relato do Lancet fora ignorado pelo Observer, Telegraph, Sunday Telegraph, Financial Times, Star, Sun e muitos outros. A BBC estruturou o relato em termos de "dúvidas" do governo e o noticiário do Channel 4 apresentou um trabalho alinhavado com base em informações da Downing Street. Com uma excepção, a nenhum dos cientistas que compilou este relato rigorosamente revisto por outros cientistas foi pedido que comprovassem o seu trabalho. Até que dez dias depois o pró-guerra Observer publicou uma entrevista com o editor do Lancet, tergiversando tanto que parecia estar a "responder aos seus críticos". David Edwards, editor do MediaLens, pediu aos investigadores para responder à crítica dos media. A sua meticulosa demolição pode ser vista no alerta de 2 de Novembro [ http://www.medialens.org ]. Nada disto foi publicado no media 'de referência'. Assim, o facto impensável de que "nós" nos havíamos engajado em tal carnificina foi suprimido -- normalizado. Isto recorda a supressão da morte de mais de um milhão de iraquianos, incluindo meio milhão de crianças abaixo dos cinco anos, em resultado do embargo conduzido pelos anglo-americanos.
Em contraste, não há qualquer questionamento dos media quanto à metodologia do Tribuna Especial Iraquiano, o qual anunciou que sepulturas em massa contem 300 mil vítimas de Saddam Hussein. O Tribunal Especial, um produto do regime quisling de Bagdad, é dirigido pelos americanos; cientistas respeitados nada querem ter a ver com ele. Não há questionamento daquilo a que a BBC chama "primeiras eleições democráticas do Iraque". Não há relatos acerca de como os americanos assumiram o controle do processo eleitoral com dois decretos aprovados em Junho que permitem a uma "comissão eleitoral" que elimine partidos de que Washington não goste. A revista Time relata que a CIA esta a comprar os seus candidatos preferidos, o que é a maneira como a agência conserta eleições por todo o mundo. Quando ou se as eleições tiverem lugar, seremos submergidos por clichés acerca da nobreza do acto de votar, pois os fantoches da América são "democraticamente" escolhidos.
O modelo para isto foi a "cobertura" da eleição presidencial americana, um vendaval de platitudes a normalizarem o impensável: que o que se verificou a 2 de Novembro não foi a democracia em acção. Com apenas uma excepção, nenhum membro do rebanho de sábios vindos de Londres descreveu o circo de Bush e de Kerry como a maquinação de pouco mais do que 1 por cento da população, os ultra-ricos e poderosos que controlam e administram uma economia de guerra permanente. Que os perdedores não foram somente os democratas mas sim a vasta maioria dos americanos, sem importar em quem votaram, era algo imencionável.
Ninguém relatou que John Kerry, contrastando a "guerra ao terror" com o desastroso ataque de Bush ao Iraque, simplesmente explorou a desconfiança pública com a invasão a fim de construir apoio à dominação americana por todo o mundo. "Não estou a falar em abandonar [o Iraque]", disse Kerry. "Estou a falar em vencer!". Assim, tanto ele como Bush mudaram a agenda ainda mais para a direita, de modo que milhões de democratas anti-guerra pudessem ser persuadidos de que os EUA tinham "a responsabilidade de acabar a tarefa" para que não houvesse o "caos". A questão na campanha presidencial era nem Bush nem Kerry, mas uma economia de guerra destinada a conquistar o exterior e a efectuar divisão económica interna. O silêncio sobre isto foi completo, tanto na América como aqui.
Bush venceu apelando, com mais proficiência do que Kerry, ao medo de uma mal definida ameaça. Como foi ele capaz de normalizar esta paranóia? Vamos olhar para o passado recente. A seguir ao fim da guerra fria, a elite americana -- republicanos e democratas -- estavam a ter grande dificuldade em convencer o público de que os milhares de milhões de dólares gastos na economia de guerra não deveriam ser desviados para um "dividendo da paz". Uma maioria de americanos recusava-se a acreditar que ainda houvesse uma "ameaça" tão poderosa como a ameaça vermelha. Isto não impediu Bill Clinton de enviar ao Congresso o maior orçamento de "defesa" da história para apoiar uma estratégia do Pentágono denominado "dominância de pleno espectro" ("full-spectrum dominance"). Em 11 de Setembro de 2001 foi dado um nome a essa ameaça: Islão.
Ao viajar a Philadelphia recentemente deparei-me com o Relatório Kean do Congresso sobre o 11 de Setembro, da Comissão 11/Set, na prateleira das livraria. "Quanto você tem para vender?" perguntei. "Um ou dois", foi a resposta. "Isto vai desaparecer logo". Todavia, este modesto livro de capa azul é uma revelação. Tal como o relatório Butler no Reino Unido, que pormenoriza toda a evidência incriminatória do massageamento da inteligência feito por Blair antes da invasão do Iraque, e a seguir retirou os seus socos e concluiu que ninguém era responsável, da mesma forma o relatório Kean torna dolorosamente claro o que realmente aconteceu, e a seguir deixa de tirar as conclusões que o fitam na cara. É um supremo acto de normalizar o impensável. Isto não é surpreendente, pois as conclusões são vulcânicas.
A mais importante prova para a Comissão 11/Set veio do general Ralph Eberhart, comandante da North American Aerospace Defence Command (Norad). "Os caças a jacto da força aérea podiam ter interceptado aviões de carreira sequestrado a correrem em direcção ao World Trade Center e ao Pentagon", disse ele, "apenas se os controladores de tráfego aéreo houvessem pedido ajuda 13 minutos mais cedo ... Nós teríamos sido capazes de derrubar todos os três .. todos os quatro deles".

Por que isto não aconteceu?
O relatório Kean torna claro que "a defesa do espaço aéreo americano no 11/Set não foi conduzido de acordo com o treinamento pré-existente e com os protocolos ... Se um sequestro fosse confirmado, os procedimentos determinavam ao coordenador do sequestro o dever de contactar o National Military Command Center (NMCC) do Pentágono ... O NMCC pediria então a aprovação do gabinete do secretário da Defesa para proporcionar assistência militar ..."
Singularmente, isto não aconteceu. Foi dito à comissão, pelo vice-administrador da Federal Aviation Authority, que não havia razão para o procedimento não estar a operar naquela manhã. "De acordo com os meus 30 anos de experiência ..." disse Monte Belger, "o NMCC estava na rede e a ouvir tudo em tempo real ... Posso afirmar-lhe pois vivi dúzias de sequestros ... e eles estavam sempre a ouvir todos os outros".
Mas nesta ocasião, eles não estavam. O relatório Kean diz que o NMCC nunca foi informado. Por que? Mais uma vez, singularmente, todas as linhas de comunicação falharam, foi dito à comissão pelas altas patentes militares da América. Donald Rumsfeld, secretário da Defesa, não podia ser encontrado, e quando ele finalmente falou com Bush uma hora e meia mais tarde, isto, diz o relatório Kean, "uma chamada breve na qual o assunto da autoridade para derrubar não foi discutido". Em resultado disso, os comandantes do Norad foram "deixados no escuro acerca do que era a sua missão".
O relatório revela que a única parte de um sistema de comando anteriormente à prova de falhas que funcionou estava na Casa Branca onde o vice-presidente Cheney estava no controle efectivo daquele dia, e em contacto estreito com o NMCC. Por que ele não fez nada acerca dos primeiros dois aviões sequestrados? Por que o NMCC, a ligação vital, esteve silencioso pela primeira na sua existência? Kean ostentosamente recusa-se a falar disto. Naturalmente, podia ser devido à mais extraordinária combinação de coincidências. Ou não podia.
Em Julho de 2001, num documento de informação top secret preparado para Bush lia-se: "Nós [a CIA e o FBI] acreditamos que OBL [Osama Bin Laden] lançará um ataque terrorista significativo contra os interesses dos EUA e/ou de Israel nas próximas semanas. O ataque será espectacular e concebido para infligir baixas em massa contra instalações ou interesses americanos. Os preparativos do ataque foram efectuados. O ataque ocorrerá com pequena ou nenhuma advertência.
Na tarde do 11 de Setembro, Donald Rumfeld, tendo deixado de actuar contra aqueles que haviam acabado de atacar os Estados Unidos, disse aos seus ajudantes para porem em movimento um ataque ao Iraque -- quando a evidência era não-existente. Dezoito meses depois, a invasão do Iraque, não provocada e baseada em mentiras agora documentadas, teve lugar. Este crime épico é o maior escândalo político do nosso tempo, o último capítulo na longa história do século XX de conquistas ocidentais de outras terras e dos seus recursos. Se permitirmos que isto seja normalizado, se recusarmos questionar e investigar as agendas escondidas e o inexplicável poder secreto das estruturas no coração dos governos "democráticos" e se permitirmos que o povo de Faluja seja esmagado em nosso nome, nós renunciaremos tanto à democracia como à humanidade.

[*] John Pilger actualmente é professor visitante na Cornell University, New York. Seu último livro, Tell Me No Lies: investigative journalism and its triumphs, foi publicado pela Jonathan Cape.

O original deste artigo encontra-se no New Statesman .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info .

Publicado por agineotonico às 07:43 AM

TANQUES EM LOS ANGELES

Uma manifestação anti-guerra realizada dia 11 em Los Angeles foi reprimida pela polícia e com tanques dos US Marines.
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(Resistir e Centre for Research on Globalisation)

Publicado por agineotonico às 07:27 AM | Comentários (1)

corrupção pode estar fora de controlo em Portugal

Maria José Morgado entende que o fenómeno da corrupção pode estar fora de controlo em Portugal, ao considerar que a «sociedade civil se tem deixado embalar e encantar com notícias de escândalos».
A antiga directora nacional adjunta da Polícia Judiciária entende com urgente a criação de um «programa de combate à corrupção» e pediu à sociedade civil que exija da «PJ, Ministério da Justiça e do Procurador-geral da República estatísticas, estudos, diagnósticos e resultados» sobre a questão.
«Volta e meia há um surto de investigações, mas depois não ficam sinais marcantes»
, terminando, muitas delas, em prescrições.
(TSF)

«Não há verdadeiro combate à corrupção»Maria José Morgado considera que o fenómeno da corrupção pode estar fora de controlo em Portugal e que pouco tem sido feito para o combater. A magistrada lembrou que a corrupção está a ter graves efeitos na adminstração pública e na economia.

Maria José Morgado entende que o fenómeno da corrupção pode estar fora de controlo em Portugal, ao considerar que a «sociedade civil se tem deixado embalar e encantar com notícias de escândalos».
A antiga directora nacional adjunta da Polícia Judiciária entende com urgente a criação de um «programa de combate à corrupção» e pediu à sociedade civil que exija da «PJ, Ministério da Justiça e do Procurador-geral da República estatísticas, estudos, diagnósticos e resultados» sobre a questão.
Num discurso no I Congresso sobre Democracia em Portugal, Maria José Morgado, que disse ter aceite o convite para estar presente nesta ocasião «por dívida aos capitães de Abril», insistiu que em Portugal «não há um verdadeiro combate à corrupção».
«Volta e meia há um surto de investigações, mas depois não ficam sinais marcantes», acrescentou a ex-responsável da PJ, que deu como exemplo da falta de investigação o caso do Fundo Social Europeu, «que terminou com meia dúzia de prescrições».
A magistrada lembrou ainda que a evasão fiscal representa qualquer coisa como cinco a sete por cento do PIB e que a corrupção está a ter graves efeitos na administração pública e na economia do país. «A prática de luvas tem custos acentuados para as empresas e distorce a concorrência», adiantou.
«Os números oficiais da corrupção não existem em Portugal. Portugal, enquanto país pobre, fica ainda mais pobre com a corrupção», concluiu Maria José Morgado, que afirmou que as «condenações e acusações existentes [226 casos detectados de 1995 a 2000, todos de pequena corrupção] não correspondem à percepção do fenómeno da corrupção».
Logo a seguir, o socialista Manuel Alegre falou em «promiscuidade entre interesses económicos e decisores políticos», acrescentando mesmo que a «democracia representativa atravessa uma profunda crise».
«Esta traduz-se numa crescente abstenção, na existência de uma alternância sem que haja alternativas e num crescente individualismo, acrescentou o parlamentar do PS, que defendeu ainda uma «refundação da esquerda em Portugal, na Europa e no mundo».
«A democracia tem de romper o cerco, a começar pelo cerco que começa em certas pessoas de esquerda, a quem a direita lhes dita o que deve ou não ser feito», concluiu.

Publicado por agineotonico às 07:16 AM

Barghouthi não fará parte da direcção palestina

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Sylvan Shalom, diz que Barghouthi foi condenado a prisão perpétua e permanecerá encarcerado até ao fim dos seus dias.
Líder do Fatah para a Cisjordânia, Marwan Barghouthi tem sido apontado como um potencial sucessor de Yasser Arafat, líder histórico dos palestinos.
Marwan Barghouthi goza de grande popularidade entre os palestinos. Seria, talvez, o líder que mais condições teria para unificar os diferentes movimentos palestinos. Esta possibilidade de unificação constituiria um risco para Israel que está interessada que se gere uma luta pelo poder que desorganize a resistência.

Publicado por agineotonico às 06:59 AM

novembro 11, 2004

ONU prevê crise humana na Faixa de Gaza


A ONU lançou um alerta esta quinta-feira para uma crise humanitária iminente na Faixa de Gaza, com 72% dos palestinos a viver em condições de pobreza no final de 2006.
Este relatório diz ainda que as restrições de israel dificultam a entrega e a distribuição de artigos de emergência na região.
Desde o dia 28 de setembro, 82 palestinos e cinco israelitas foram mortos em Gaza, incluindo 26 crianças, segundo informações do relatório. Hoje, mais cinco palestinos foram mortos, incluindo dois meninos que estavam a caminho da escola.
Elaborado por 12 agências da ONU, o documento faz um apelo para Israel permitir o livre acesso da organização na Faixa de Gaza.
Segundo o documento, os moradores da região têm dificuldade em encontrar emprego, exportar bens, mudar para fora de Gaza e mandar as suas crianças à escola.
Actualmente, 66% dos palestinos em Gaza vivem com menos de 2 dólares americanos por dia (valor da linha de pobreza definido pela ONU), e a organização estima que cerca de 120 prédios são demolidos por mês pelo Exército israelita.

Publicado por agineotonico às 08:08 PM | Comentários (2)

Vitória em Faluja pode acabar em derrota, diz general britânico

A provável vitória dos EUA na batalha de Faluja pode "criar condições políticas em outras partes do Iraque que resultem na perda da guerra", advertiu nesta quinta-feira um general britânico.
Michael Rose critica o "uso indiscriminado" da força militar americana em áreas populosas porque "inevitavelmente causa destruição e morte", e acusa os miliares de tentarem "destruir tudo o que se movimenta". "Também não é certo", adverte, "que a destruição das bases insurgentes em Faluja vá acelerar o fim da crescente resistência iraquiana à ocupação" estrangeira.
"A realidade é que guerras contra a insurreição armada como esta não podem ser ganhas conquistando território ou mudando regimes, mas só mudando atitudes e isolando os rebeldes do restante da população", observa.
"Como conseqüência do assalto a Faluja, os clérigos sunitas do Iraque já estão fazendo apelos aos 'cidadãos honoráveis' para que boicotem eleições que serão realizadas sobre os corpos dos mortos e o sangue dos feridos em cidades como Faluja", diz Michael Rose.

Publicado por agineotonico às 07:34 PM

Porquê o ranking dos hospitais

Enquanto a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e o Sindicato Independente dos Médicos consideram que o ranking do Ministério da Saúde só serve para descredibilizar os profissionais porque compara realidades completamente diferentes e privilegia uma análise quantitativa na avaliação dos hospitais, Luís Filipe Pereira dá conta das suas motivações:
"os resultados vão ser tidos em conta na decisão de transformar, pelo menos, dez destes hospitais SPA em Sociedades Anónimas (SA)";
"o «ranking» é um dos critérios da escolha. Posteriormente, existem outros factores a ter em conta, como a localização das unidades hospitalares".
"o Hospital de Oliveira de Azeméis, que lidera este ranking, trata-se de uma hipótese que reúne cada vez mais consistência para passar a SA".

Publicado por agineotonico às 07:09 PM | Comentários (1)

Desemprego atinge o valor mais elevado desde 1998


Segundo dados do INE, divulgados esta quinta-feira, a taxa de desemprego fixou-se nos 6,8% no terceiro trimestre deste ano. Um aumento de 12,1% do número de desempregados face ao terceiro trimestre de 2003 e 8,2% em relação ao trimestre anterior.

Publicado por agineotonico às 07:01 PM

Erro médico

Os médicos não cometem mais erros do que outros profissionais de nível superior fora do âmbito da saúde, como em Direito, Arquitectura, Administração, etc. Com certeza, cometem bem menos. A diferença principal está na natureza do seu trabalho.
Embora para o médico a medicina seja um compromisso de meios, para o paciente e a sociedade ela é vista como uma cruel expectativa de resultados.
O doente vai ao médico à procura de resultados, e, quase sempre imediatos, mostra-se ansioso, com a sua vida em jogo e não transige na exigência de resultados substantivos e positivos.
Isso torna quase proibitivo o erro médico. Os resultados são quase sempre visíveis a olho nu e a curto prazo. A verdade é que o resultado adverso em medicina pode ser sinónimo de morte e, por isso, diferente de outros serviços prestados pela sociedade. Enquanto outros serviços malfeitos apenas representam percas financeiras ou materiais, os erros médicos podem gerar sofrimento imediato, perca de órgãos, ou de funções, ou a morte de entes queridos.
Esta circunstância coloca a actividade médica sob pressão constante.
Erro médico; negligência médica; crimes cometidos no exercício da actividade médica, sempre foram uma questão complexa, seja no plano da ética, seja na esfera da própria justiça civil ou criminal.
Sendo uma actividade essencial para a vida humana que está, nos dias de hoje, não só a ser afectada pelo rápido desenvolvimento das tecnologias, como pela exigência da sua rápida privatização que trará desigualdades de atendimento acrescidas, a exigência de apuramento de responsabilidades nos “erros médicos”, fará correr muita tinta.
Não defendendo de forma alguma a impunidade profissional dos médicos, parece que eles tendem e ser colocados na posição de “bode expiatório” das instituições que prestam cuidados de saúde. Transformados em simples prestadores de serviços, com relações distantes dos doentes e substituído o seu tradicional papel social por uma visão economicista de rentabilização de recursos, arcarão com toda a responsabilidade dos maus serviços prestados em saúde.
Mais do que nunca se torna necessária uma reflexão sobre questões verdadeiramente éticas suscitadas pela vida e que são os reais alicerces dos códigos morais e de conduta. Não esquecendo que a actividade médica é realizada por pessoas que carregam consigo as limitações próprias da condição humana e, por isso, com imperfeições, deficiências e contradições, não pactuar com os actos de má prática, nem com a negligência médica deve ser uma exigência da classe médica em particular e de todos os cidadãos.

Publicado por agineotonico às 06:39 PM | Comentários (1)

Sobre a discussão entre João Tilly e Alfredo Vieira

A forma como a comunicação social publicitou o livro sobre “erro médico” de Luís Martins (Prof no ISCTE) e José Fragata (Médico), tem dado origem a grandes discussões.
Aos títulos sensacionalistas “todos os anos morrem nos hospitais portugueses três mil pessoas devido a erros cometidos pelos profissionais de saúde”, fica como de somenos importância os factos de ser «esta estimativa parte de estudos conduzidos nos EUA» adaptados à realidade nacional e de não ser esclarecido a diferença entre conceitos como “erro médico”, negligência”, “imperícia”, “dolo”, etc.
Nos comentários do Blog de João Tilly, podem ler-se verdadeiros insultos à classe médica que têm origem no desconhecimento, na falta de informação e na mítica ideia que os médicos são todos multimilionários que agem sempre de má fé com os doentes.
Esquece-se, em primeiro lugar, que o livro que relança esta importante discussão no nosso país é feito por um membro dessa classe médica que se ataca.
Já diversas vezes referi aqui no blog que a conivência com actos de negligência médica, que o espírito corporativo da Ordem dos Médicos e da classe no seu conjunto, são os grandes culpados da desconfiança dos cidadãos.
Sem dúvida que este é um debate importante. Importante também é que seja feito com seriedade e que faça parte de um conjunto de medidas como, por exemplo, a avaliação independente dos sistemas de saúde (público, SA e Privado), o controle efectivo dos cuidados prestados e o estabelecimento de seguros hospitalares que cubram os erros médicos (e não apenas a negligência).

(Leia alguns dos argumentos de Alfredo Vieira)

Alguns argumentos de Alfredo Vieira
"Só um pateta acha que os médicos são "multi-milionários".
Só um pateta vê as consequências de um sistema que expõe os médicos em condições inacreditáveis de trabalho, e depois lhes atribui a culpa de não se conseguirem duplicar, de não conseguirem ser deuses que acorrem a tudo e a todos em tempo útil.
Só um pateta atribui ao esforço e ao estudo árduo de uma vida inteira o epíteto de grunhice.
Só um pateta chama criminosos, insinua falta de respeito pela vida de outrem, por parte de quem só procura fazer o bem ...
Quando os médicos erram, às vezes, os doentes morrem. Outras demoram mais tempo a curar-se. Invariavelmente sofrem mais do que deviam. E a não ser que erre de propósito, ou que tenha a sorte de voltar atrás e corrigir a tempo, ou de alguém o fazer por ele, o erro passa-lhe despercebido. É assim com aqueles que lidam com a doença, e a morte que a todos toca.
Nas urgências temos, de forma criminosamente legislada, médicos de serviço durante um mínimo de 24 horas seguidas por semana, 47 semanas por ano(...) Nesta situação está a esmagadora maioria. Esperam concentração para o vosso caso em particular, entre 50 mais ou menos graves que ele teve/terá que ver? Depois de 12 horas de serviço? Depois de 18? Esperam que ele não erre? Esperam simpatia? (...) (sem) nunca terem na vida estado tão perto do lado mais carente, mais decadente, menos educado, menos compreensivo e mais agressivo da sociedade que ignoram.
Há erro médico? Cruzes credo, que a terra tremeu! Esses cabrões ainda por cima enganam-se! Não só se divertem a atender-nos mal, a deixar-nos secar com as nossas mazelas, (...) como ainda ... erram. Esses incompetentes, que têm o privilégio de terem sido os melhores entre os melhores nas suas turminhas, nas suas escolinhas, enganam-se? Que tiveram o privilégio de estudar 6 anos de curso em regime de reclusão, que têm o privilégio de terem que trabalhar depois do curso entre 5 a 8 anos para finalmente terem o estatuto (obrigatório) de especialistas, para finalmente não terem emprego certo (ao contrário do que suas excelências sabedoras julgam). E ainda têm a lata de se enganar ... A sociedade a dar todas as benesses deste mundo e do outro, entre cuspidelas e insultos gratuitos, entre indignações egoístas e hipócritas, e eles enganam-se. Sim, porque ninguém mais se engana (...)
Modelos de financiamento? Nem pensar, antes os modelos de não financiarmos todos por igual. Melhor gestão? Não, então e o partidozito que ganha deixaria de poder ocupar centenas de tachos!? (...) Melhor política do medicamento? Então e o nosso ministro deixava de poder relacionar-se com os grandes laboratórios internacionais, a troco só ele sabe do quê, e iria afrontar essa filantropa associação que é a ANF? Melhor controlo da produtividade, com critérios de qualidade (e nunca de quantidade)? Balelas. Fizeram um estudo (foram médicos que o fizeram, os únicos não-sacanas e que nunca se enganam, provavelmente, pensa o Zé povinho) para detectar erros, corrigir procedimentos e exigir reformas? Qual quê! Importante, importante é saber que os cabrões enganam-se! E nem perguntem porquê, que nos dá logo uma dor de cabeça que nos distrai do objectivo fundamental e construtivo (à maneira portuguesa), que é a de insultar uma classe de gente, maioritariamente ímpar no panorama merdoso da intelectualidade nacional. “Os cagões”, pensam 99% dos leitores, “a acharem-se superiores”. Ninguém pede que o reconheçam. Apenas que não chateiem com as futilidades com que gostam de os brindar gratuitamente
".

Publicado por agineotonico às 04:36 PM | Comentários (2)

Armas químicas e gases venenosos na ofensiva contra Faluja

O governo americano infringe, assim, as convenções internacionais que proíbem explicitamente a utilização deste tipo de armas.
"The US occupation troops are gassing resistance fighters and confronting them with internationally-banned chemical weapons,” resistance sources told Al-Quds Press Wednesday, November 10.
The fatal weapons led to the deaths of tens of innocent civilians, whose bodies litter sidewalks and streets, they added.
“They use chemical weapons out of despair and helplessness in the face of the steadfast and fierce resistance put up by Fallujah people, who drove US troops out of several districts, hoisting proudly Iraqi flags on them. Resistance has also managed to destroy and set fire to a large number of US tanks and vehicles
".


Publicado por agineotonico às 07:53 AM | Comentários (1)

Cientistas dizem ter criado nova técnica 'que poderia curar qualquer doença'

A técnica chama-se "interferência do RNA" e consiste na anulação do efeito dos genes que dão origem às doenças. O princípio da anulação das doenças logo nos genes, pelo menos em teoria, pode levar à cura de qualquer tipo de doença, de acordo com especialistas em genética.
Esta técnica poderia ser particularmente importante, diz o geneticista Andrew Hamilton da Universidade de Glasgow, para combater infecções virais como a Aids e a hepatite C, o cancro e doenças genéticas.
(Nature)

Publicado por agineotonico às 07:27 AM | Comentários (1)

Morreu Yasser Arafat, símbolo da causa palestina

morreuarafat.jpg

O anúncio foi feito por volta das 6h da manhã em Ramallah, na Cisjordânia (2h, hora de Brasília) por Saeb Erekat, um ministro palestino. Também foi divulgada uma nota no hospital da capital francesa confirmando a morte.

Publicado por agineotonico às 07:25 AM

novembro 10, 2004

O novo secretário de Justiça

Alberto Gonzales, de 49 anos, foi escolhido por Bush, para substituir John Ashcroft, que renunciou ao cargo na terça-feira.
Gonzales foi uma figura central no debate dentro do governo sobre técnicas de interrogatório de pessoas presas na chamada guerra ao terrorismo.
Ele foi criticado por grupos de direitos humanos depois de ter escrito um memorando ao presidente americano no qual descreveu a Convenção de Genebra como "esquisita".
O memorando ficou conhecido publicamente depois do escândalo do abuso de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.
(in BBC)

As Bush prepares to send his nomination of Alberto Gonzales for Attorney General to the Senate for its "advice and consent," let’s recall who Mr. Gonzales is and what his enduring imprint on history may be. Gonzales authored the infamous August 2002 torture memo for the Bush administration that provided hair-brained arguments for discarding the Geneva Conventions. This appointment affirms Bush’s rejection of international oversight of human rights and signals a dramatic right wing shift.

The memo acknowledged that the human rights of prisoners had to be protected as long as the Bush administration accepted the Geneva Convention’s rules. The solution: claim that the Conventions did not cover prisoners caught in Afghanistan or Iraq during wartime operations. In fact, Gonzales would eventually conclude, the Geneva Convention is "obsolete." The memo quibbled over words like torture and "rough treatment." Fine distinctions over the words "extreme pain" and "severe pain" were introduced – the latter didn’t constitute torture in Gonzales’ view.

In the process Gonzales created a category of "rough treatment" that, if instances could be shown not to have been intended to inflict intense pain or permanent physical or mental harm, were not prosecutable. In effect, here is a list, Mr. President, Gonzales implied, of the violent or abusive acts you ought to be able to get away with.

The result: the Abu Ghraib abuse scandal – as well as dozens of other allegations, reports, witness accounts and admissions of murder, torture, rough treatment, humiliating acts and so on inflicted by US military and intelligence community people that counter the letter and spirit of the Geneva Conventions and other international agreements against torture by which the US has agreed to abide.

The same day that Bush announced his nomination of Gonzales, the British government released its delayed Human Rights Annual Report 2004. The Blair government insisted that the report, scheduled to be released in September, was delayed only to include a section on the Beslan tragedy which had occurred just as the report was going to press.

The delay probably had other foundations, however. This particular report includes a mild and brief criticism of the Bush administration’s torture policy. Delaying publication until a week after the election seems to have been the main motivation of the Blair government which has been caught between mounting domestic criticism of its close alliance with Bush (despite the unpopularity of the war and the disgust most British people feel toward Bush’s policy of torture) and the need to preserve a friendly relationship with Bush as the November election approached.

In a letter to British Foreign Secretary Jack Straw, whose office authored the report, Human Rights Watch (HRW) described the delay as "disastrous" as it seemed to suggest that some human rights tragedies are more important to the British government than others. HRW further indicated the Blair government’s hypocrisy in its repeated claims that the British government does not support a torture policy and stands by the Geneva Conventions. A British Court of Appeal in August ruled that evidence obtained under torture in third countries may be used in special terrorism cases, provided that the British government has "neither procured the torture nor connived at it." According to HRW, this ruling implicitly condones torture.

Though the Blair government promised to seek "diplomatic assurances" that torture would not be used, the back door acceptance of torture made by the court violates British law put in place by the Blair government. Torture is prohibited absolutely under article 3 of the European Convention on Human Rights, incorporated into British law by the Human Rights Act 1998. There are no exceptions allowed, even during times of war or public emergency. The adoption of a policy of indefinite detention of suspects and exemption from International Criminal Court prosecution for US soldiers accused of human rights abuses further undermines Blair’s claim to a strong stand on human rights.

The denunciation of torture in the government’s Human Rights Annual Report 2004 is made in a small offset five-paragraph box. It describes the Abu Ghraib scandal as "shocking" and that it "included physical beatings, sensory deprivation, severe threats and sexual assault and humiliation." British Foreign Secretary Jack Straw is quoted as calling the torture at Abu Ghraib "shameful, disgusting and disgraceful."

The report goes on to imply that Gonzales’ justifications and hair-splitting definitions of acts prohibited by international conventions are things the British military doesn’t tolerate. Fair treatment and "personal dignity" are imperative. "Physical or mental torture, corporal punishment, humiliating or degrading treatment, or the threat of such are prohibited." "Stress positions" are prohibited.

The British report’s mild criticism of the US policy of torture outlined by Gonzales is in its own way a bombshell for the Bush administration as the report places what the US military did at Abu Ghraib in the same context as the Darfur genocide, the murder of trade unionists in Colombia, and the Beslan tragedy. Unfortunately, the acknowledgment of US offenses does not seem likely to rupture the close alliance between Blair and Bush. Nor does it seem that this criticism will influence in any way the Bush administration’s views on human rights.

Bush’s appointment of Gonzales signals that he intends to sideline, silence or replace those whom some outside the administration consider to be more reasonable voices such as Colin Powell. According to the Center for Constitutional Rights (CCR), Secretary of State Colin Powell opposed the conclusions in Gonzales’ memo saying it would "reverse over a century of U.S. policy and practice in supporting the Geneva Conventions and undermine the protections of the law of war for our troops." Powell also said that adoption of Gonzales’ position would have a "high cost in terms of negative international reaction." Other countries, Powell pointed out, would refuse to cooperate with the U.S. in the war on terror.

In CCR’s view, "the Secretary of State’s dire predictions have been borne out, and the disregard for law has made the U.S. less safe." Bush appointment of Gonzales is an indication that he isn’t concerned with the extent to which other countries cooperate with his agenda.

Gonzales’ nomination should be opposed on human rights grounds. It should also be placed in the context of the danger that torture, unilateralism and blatant imperialism have put the people of the U.S. It is an affirmation of the administration’s rejection of human rights and scrapping of the international conventions that also serve to protect US military personnel from abuse.

The Attorney General is often referred to as the highest ranking law enforcement official in the country. If Gonzales holds this position with his apparent disregard for human rights and accepted legal standards, what can we expect under his watch?

--Joel Wendland is managing editor of Political Affairs (http://www.politicalaffairs.net> and can be reached at jwendland@politicalaffairs.net.

Publicado por agineotonico às 10:54 PM | Comentários (2)

A essência do neoliberalismo

O mundo económico é realmente, como pretende o discurso dominante, uma ordem pura e perfeita, desenvolvendo implacavelmente a lógica das suas consequências previsíveis, e disposto a reprimir todas as transgressões com as sanções que inflige, seja de forma automática, seja – mais excepcionalmente – por mediação dos seus braços armados, o FMI ou a OCDE, e das políticas que estes impõem: redução do custo da mão­‑de­‑obra, restrição das despesas públicas e flexibilização do mercado de trabalho? E se não fosse, na realidade, mais do que a posta em prática de uma utopia, o neoliberalismo, desse modo convertida em programa político, mas uma utopia que, com a ajuda da teoria económica de que se reclama, chega a pensar­­‑se como a descrição científica do real?
Esta teoria tutelar é uma pura ficção matemática, baseada, desde a sua origem, numa formidável abstracção: a que, em nome duma concepção tão estreita como estrita da racionalidade, identificada com a racionalidade individual, consiste em pôr entre parênteses as condições económicas e sociais das orientações racionais e das estruturas económicas e sociais que são a condição do seu exercício.
Para perceber a dimensão destes aspectos omitidos, basta pensar no sistema de ensino, que nunca é tido em conta enquanto tal num momento em que desempenha um papel determinante na produção de bens e serviços, assim como na produção dos produtores.
(Pierre Bourdieu)

[Leia em francês AQUI]

Desta espécie de pecado original, inscrito no mito walrasiano [1] da “teoria pura”, derivam todas as carências e todas as ausências da disciplina económica, e a obstinação fatal com que se apega à oposição arbitrária a que dá lugar, pela sua mera existência, entre a lógica propriamente económica, baseada na concorrência e portadora de eficácia, e a lógica social, submetida à regra da equidade.
Dito isto, esta “teoria” originariamente dessocializada e deshistorizada tem, hoje mais do que nunca, os meios de se converter em verdade, empiricamente verificável. Com efeito, o discurso neoliberal não é um discurso como os outros. À maneira do discurso psiquiátrico no asilo, segundo Erving Goffman [2], é um “discurso forte”, que só é tão forte e tão difícil de combater porque dispõe de todas as forças de um mundo de relações de força que ele contribui a formar tal como é, sobretudo orientando as opções económicas daqueles que dominam as relações económicas e somando assim a sua própria força, propriamente simbólica, a essas relações de força. Em nome desse programa científico de conhecimento, convertido em programa político de acção, leva­‑se a cabo um imenso trabalho político (negado já que, em aparência, puramente negativo) que trata de criar as condições de realização e de funcionamento da “teoría”; um programa de destruição metódica dos colectivos.

O movimento, tornado possível pela política de desregulamentação financeira, no sentido da utopia neoliberal dum mercado puro e perfeito, realiza­‑se através da acção transformadora e, há que dizê­‑lo, destruidora de todas as medidas políticas (cuja mais recente é o AMI, Acordo Multilateral de Investimentos, destinado a proteger as empresas estrangeiras e os seus investimentos contra os Estados nacionais), visando pôr em questão todas as estruturas colectivas capazes de colocar obstáculos à lógica do mercado puro: a nação, cuja margem de manobra não cessa de diminuir; os grupos de trabalho, com, por exemplo, a individualização dos salários e das carreiras em função das competências individuais e a atomização dos trabalhadores que daí resulta; os colectivos de defesa dos direitos dos trabalhadores, sindicatos, associações, cooperativas; a própria família, que, através da constituição de mercados por classes de idade, perde uma parte do seu controlo sobre o consumo.

O programa neoliberal, que extrai a sua força social da força político-económica daqueles cujos interesses expressa – accionistas, operadores financeiros, industriais, políticos conservadores ou social­‑democratas convertidos à deriva cómoda do laisser­‑faire, altos executivos das finanças, tanto mais encarniçados em impor uma política que prega o seu próprio ocaso quanto, à diferença dos técnicos superiores das empresas, não correm o perigo de pagar, eventualmente, as suas consequências –, tende a favorecer globalmente a ruptura entre a economia e as realidades sociais, e a construir deste modo, dentro da realidade, um sistema económico ajustado à descrição teórica, quer dizer, uma espécie de máquina lógica, que se apresenta como uma cadeia de restrições que arrastam os agentes económicos.

A mundialização dos mercados financeiros, em conjunto com o progresso das técnicas de informação, garante uma mobilidade de capitais sem precedentes e proporciona aos investidores, preocupados com a rentabilidade a curto prazo dos seus investimentos, a possibilidade de comparar de maneira permanente a rentabilidade das maiores empresas e de sancionar em consequência os fracassos relativos. As próprias empresas, colocadas sob uma tal ameaça permanente, devem ajustar­‑se de forma mais ou menos rápida às exigências dos mercados; isso sob pena, como alguém disse, de «perder a confiança dos mercados», e, ao mesmo tempo, o apoio dos accionistas que, ansiosos por uma rentabilidade a curto prazo, são cada vez mais capazes de impor a sua vontade aos managers, de lhes fixar normas, através das direcções financeiras, e de orientar as suas políticas em matéria de contratação, de emprego e de salários.
Deste modo instaura­‑se o reino absoluto da flexibilidade, com os recrutamentos sob contratos temporários ou os substitutos temporários ou os “planos sociais” reiterados, e, no próprio seio da empresa, a concorrência entre filiais autónomas, entre equipas constrangidas à polivalência e, finalmente, entre indivíduos, através da individualização da relação salarial: fixação de objectivos individuais; entrevistas individuais de avaliação; avaliação permanente; subidas individualizadas de salários ou concessão de prémios em função da competência e do mérito individuais; carreiras individualizadas; estratégias de “responsabilização” tendentes a assegurar a autoexploração de certos técnicos superiores que, meros assalariados sob forte dependência hierárquica, são ao mesmo tempo considerados responsáveis das suas vendas, dos seus produtos, da sua sucursal, do seu armazém, etc., como se fossem “independentes”; exigência de “autocontrolo” que estende a “implicação” dos assalariados, segundo as técnicas da “gestão participativa”, muito mais além dos empregos de técnicos superiores. Técnicas todas elas de dominação racional que, em tudo impondo o superinvestimento no trabalho, concorre a debilitar ou a abolir as referências e as solidariedades colectivas [3].
A instituição prática de um mundo darwinista de luta de todos contra todos, em todos os níveis da hierarquia, que encontra as dinâmicas da adesão à tarefa e à empresa na insegurança, no sofrimento e no stress, não poderia triunfar tão completamente, sem dúvida, se não contasse com a cumplicidade das disposições precarizadas que produzem a insegurança e a existência, em todos os níveis da hierarquia, e mesmo nos níveis mais elevados, especialmente entre os técnicos superiores, de um exército de reserva de mão­‑de­‑obra docilizada pela precarização e pela ameaça permanente do desemprego. O fundamento último de toda esta ordem económica colocada sob o signo da liberdade é, com efeito, a violência estrutural do desemprego, da precariedade e da ameaça de despedimento que ela implica: a condição do funcionamento “harmonioso” do modelo micro-económico individualista é um fenómeno de massas, a existência do exército de reserva dos desempregados.
Esta violência estrutural pesa também sobre o que chamamos o contrato de trabalho (sabiamente racionalizado e desrealizado pela “teoria dos contratos”). O discurso de empresa nunca falou tanto de confiança, de cooperação, de lealdade e de cultura de empresa como numa época em que se obtém a adesão de cada instante fazendo desaparecer todas as garantias temporais (três quartas partes dos contratos são temporais, a parte dos empregos precários não cessa de aumentar, o despedimento individual tende a não estar mais submetido a nenhuma restrição).
Vemos assim como a utopia neoliberal tende a encarnar­‑se na realidade de uma espécie de máquina infernal, cuja necessidade se impõe aos próprios dominadores. Como o marxismo noutros tempos, com o qual, neste aspecto, tem muitos pontos em comum, esta utopia suscita uma formidável crença, a free trade faith (a fé no livre comércio), não só entre os que vivem dela materialmente, como os financeiros, os patrões das grandes empresas, etc., mas também entre os que extraem dela a sua razão de existir, como os altos executivos e os políticos, que sacralizam o poder dos mercados em nome da eficácia económica, que exige o levantamento das barreiras administrativas ou políticas susceptíveis de importunar os detentores de capitais na busca puramente individual da maximização do benefício individual, instituída em modelo de racionalidade, que querem bancos centrais independentes, que pregam a subordinação dos Estados nacionais às exigências da liberdade económica para os amos da economia, com a supressão de todas as regulamentações em todos os mercados, a começar pelo mercado de trabalho, a interdição dos défices e da inflação, a privatização generalizada dos serviços públicos e a redução das despesas públicas e sociais.
Sem partilhar necessariamente os interesses económicos e sociais dos verdadeiros crentes, os economistas têm suficientes interesses específicos no campo da ciência económica para trazer uma contribuição decisiva, quaisquer que sejam os seus estados de alma a respeito dos efeitos económicos e sociais da utopia que eles vestem de razão matemática, à produção e à reprodução da crença na utopia neoliberal. Separados por toda a sua existência e, sobretudo, por toda a sua formação intelectual, quase sempre puramente abstracta, livresca e teoricista, do mundo económico e social tal como ele é, eles são particularmente inclinados a confundir as coisas da lógica com a lógica das coisas.
Confiando em modelos que praticamente nunca tiveram a oportunidade de submeter à prova da verificação experimental, propensos a olhar de cima os logros das outras ciências históricas, nas quais não reconhecem a pureza e a transparência cristalina dos seus jogos matemáticos, e das quais eles são quase sempre incapazes de compreender a verdadeira necessidade e a profunda complexidade, participam e colaboram numa formidável transformação económica e social que, mesmo se algumas das suas consequências lhes causam horror (podem contribuir para o Partido socialista e dar conselhos avisados aos seus representantes nas instâncias de poder), não lhes pode desagradar pois que, sob o risco de alguns falhanços, imputáveis nomeadamente ao que eles chamam por vezes “bolhas especulativas”, tendem a dar realidade à utopia ultraconsequente (como certas formas de loucura) à qual consagram a sua vida.
E contudo o mundo está aí, com os efeitos imediatamente visíveis da posta em prática da grande utopia neoliberal: não apenas a miséria de uma fracção cada vez maior das sociedades mais avançadas economicamente, o crescimento extraordinário das diferenças entre os rendimentos, o desaparecimento progressivo dos universos autónomos de produção cultural, cinema, edição, etc., pela imposição intrusiva dos valores comerciais, mas também e sobretudo a destruição de todas as instâncias colectivas capazes de contrabalançar os efeitos da máquina infernal, à cabeça das quais o Estado, depositário de todos os valores universais associados à ideia de público, e a imposição, generalizada, nas altas esferas da economia e do Estado, ou no seio das empresas, desta espécie de darwinismo moral que, com o culto do winner, formado nas matemáticas superiores e no salto elástico, instaura como normas de todas as práticas a luta de todos contra todos e o cinismo.
Podemos esperar que a massa extraordinária de sofrimento que produz semelhante regime político-económico esteja um dia na origem de um movimento capaz de parar a corrida para o abismo? De facto, estamos aqui perante um extraordinário paradoxo: enquanto os obstáculos encontrados no caminho da realização da nova ordem – a do indivíduo só, mas livre – são hoje considerados como imputáveis a rigidezes e a arcaísmos, e enquanto qualquer intervenção directa e consciente, pelo menos quando vem do Estado, sob que aspecto for, é desacreditada de antemão, logo destinada a desaparecer em benefício de um mecanismo puro e anónimo, o mercado (do qual se esquece com frequência que é também o lugar do exercício de interesses), é na realidade a permanência ou a sobrevivência das instituições e dos agentes da antiga ordem em vias de desmantelamento, e todo o trabalho de todos as categorias de trabalhadores sociais, e também todas as solidariedades sociais, familiares ou outras, que fazem com que a ordem social não se afunde no caos, malgrado o volume crescente da população precarizada.
A passagem ao “liberalismo” realiza­‑se de maneira insensível, logo imperceptível, como a deriva dos continentes, ocultando assim aos olhares os seus efeitos, os mais terríveis a longo prazo. Efeitos que se encontram também, paradoxalmente, dissimulados pelas resistências que suscita, desde logo, da parte dos que defendem a ordem antiga bebendo nas fontes que encerrava, nas antigas solidariedades, nas reservas de capital social que protegem toda uma parte da ordem social presente da queda na anomia. (Capital que, se não é renovado, reproduzido, está votado ao deperecimento, mas cujo esgotamento não é para amanhã).
Mas essas mesmas forças de “conservação”, que são fáceis de tratar como forças conservadoras, são também, sob outro nexo, forças de resistência contra a instauração da nova ordem, que podem terminar sendo forças subversivas. E se podemos consequentemente conservar alguma esperança razoável, é porque existem ainda, nas instituições estatais e também nas disposições dos agentes (em especial, os mais vinculados a essas instituições, como a pequena aristocracia funcionarial), tais forças que, sob a aparência de defender simplesmente – como serão imediatamente acusados – uma ordem desaparecida e os “privilégios” correspondentes, devem de facto, para resistir à prova, trabalhar para inventar e construir uma ordem social que não tenha por única lei a busca do interesse egoísta e a paixão individual do lucro, e que prepare o caminho a colectivos orientados no sentido da busca racional de fins colectivamente elaborados e aprovados.
Entre estes colectivos, associações, sindicatos, partidos, como não atribuir um lugar especial ao Estado, Estado nacional ou, melhor ainda, supranacional, quer dizer, europeu (etapa para um Estado mundial), capaz de controlar e de tributar eficazmente os lucros obtidos nos mercados financeiros e, sobretudo, de contrabalançar a acção destruidora que estes últimos exercem sobre o mercado de trabalho, organizando, com a ajuda dos sindicatos, a elaboração e a defesa do interesse público que, quer se queira quer não, não sairá nunca, nem sequer ao preço de algumas falsidades de escrita matemática, da visão do contabilista (noutra época diríamos do “merceeiro”) que a nova crença apresenta como a forma suprema da realização humana.
___________
[1] NDLR: em referência a Auguste Walras (1800-1866), economista francês, autor de De la nature de la richesse et de l'origine de la valeur (1848); foi um dos primeiros que tentou aplicar a matemática ao estudo económico.
[2] Erving Goffman, Asiles. Etudes sur la condition sociale des malades mentaux, Editions de Minuit, Paris, 1968.
[3] Podemos remeter­­‑nos, sobre tudo isto, aos dois números das Actes de la recherche en sciences sociales dedicadas às "Nouvelles formes de domination dans le travail" (1 e 2), n.° 114, Setembro de 1996, e n.° 115, Dezembro de 1996, e mais especialmente à introdução de Gabrielle Balazs e Michel Piatoux, "Crise du travail et crise du politique", n.° 114, p. 3­‑4.

Publicado por agineotonico às 05:44 PM

Bush, vertigens e calafrios

(Ignacio Ramonet)
Má notícia. A reeleição de George W. Bush para a presidência dos Estados Unidos é uma péssima notícia para a democracia (...)
Obviamente não se trata de duvidar do carácter livre, legal e legítimo desta eleição acontecida na democracia mais antiga do planeta. Usando do seu direito incontestável, os eleitores actuaram como melhor lhes pareceu.
Mas dá vertigem e arrepios constatar que precisamente este dirigente, conhecido ademais pela sua credulidade religiosa, a sua mediocridade intelectual e a sua incultura, tenha resultado ser o mais votado da história eleitoral norte-americana (...)
Ninguém deve esquecer – sem que esta recordação sirva de comparação – que em 1933 o próprio Adolf Hitler acedeu ao poder de modo democrático. E que isso criou tal desconcerto e tal desgosto em várias capas sociais cultas, educadas e progressistas da Europa que muitos dos seus membros renegaram para sempre da democracia e não duvidaram em arrolar­‑se, por exemplo, no movimento comunista (então totalitário e estalinista) que denunciava com clareza a “democracia burguesa”.

Bush, vertigens e calafrios
Ignacio Ramonet

El Periódico de Catalunya; transcrito em Rodelú
Má notícia. A reeleição de George W. Bush para a presidência dos Estados Unidos é uma péssima notícia para a democracia. Resulta, efectivamente, chocante e em certa medida até escandaloso que os eleitores estadounidenses tenham elegido um dirigente que mentiu ao Congresso e a seu povo, que os enganou para obter a autorização de invadir o Iraque, que aceitou um uso desproporcionado da força, causando o massacre a mais de 100.000 iraquianos, que foi incapaz de deter Osama Bin Laden, que empanou as Forças Armadas do seu país no lodaçal iraquiano, que permitiu as torturas no cárcere de Abu Ghraib e em outras prisões, que autorizou a incrível excepção jurídica de Guantánamo e pisou as convenções de Genebra sobre os presioneiros de guerra, que favoreceu de maneira descarada as grandes empresas que o ajudaram a ser eleito, que tem empobrecido as classes médias, que não criou empregos e que acumulou um dos défices públicos mais gigantescos da história.
Obviamente não se trata de duvidar do carácter livre, legal e legítimo desta eleição acontecida na democracia mais antiga do planeta. Usando do seu direito incontestável, os eleitores actuaram como melhor lhes pareceu.
Mas dá vertigem e arrepios constatar que precisamente este dirigente, conhecido ademais pela sua credulidade religiosa, a sua mediocridade intelectual e a sua incultura, tenha resultado ser o mais votado da história eleitoral norte-americana. É um pouco como se o eleitorado, nestes tempos de ameaças terroristas, tivesse dito: preferimos um dirigente enganador para fazer uma guerra suja contra um inimigo vicioso (Osama Bin Laden).
Não seria nada estranho que o sistema democrático, hoje em dia tão fustigado já em muitos âmbitos pela sua incapacidade para limitar a acelerada expansão do poder económico, seja de novo objecto de ataques por parte de muitos sectores que o criticarão agora com mais sanha.
Ninguém deve esquecer – sem que esta recordação sirva de comparação – que em 1933 o próprio Adolf Hitler acedeu ao poder de modo democrático. E que isso criou tal desconcerto e tal desgosto em várias capas sociais cultas, educadas e progressistas da Europa que muitos dos seus membros renegaram para sempre da democracia e não duvidaram em arrolar­‑se, por exemplo, no movimento comunista (então totalitário e estalinista) que denunciava com clareza a “democracia burguesa”.
Talvez ainda não tenhamos atingido esse limite em que toda uma geração abjura das virtudes da democracia. Mas há na vitória eleitoral de George Bush e do seu vice­‑presidentíssimo Richard Cheney um carácter de fracasso moral de um sistema que nos deve alertar.
Tudo dependerá da interpretação que o reeleito presidente dê ao seu triunfo. Se, ocultando a si mesmo o que deve à impressionante maquinaria de propaganda mediática, considera a sua vitória como um plebiscito à sua política, estamos perdidos. Isso o levaria a contemplar o seu sucesso como uma espécie de patente de corso, ou de cheque em branco, para seguir, com os mesmos métodos (o secretismo, a ocultação e a mentira), uns idênticos objectivos: a hegemonia imperial e o unilateralismo.
Por outro lado, se se detém a reflexionar um instante (com a ajuda de sua eminência cinza Richard Cheney) talvez constate que, em política internacional e mais precisamente no Oriente Próximo, os Estados Unidos encontram­‑se num atoleiro. A guerra do Iraque está perdida, ou pelo menos não se pode ganhar senão enviando uns 300.000 novos efectivos (o dobro dos que já se encontram no campo de batalha), para o que teria que restabelecer o serviço militar obrigatório, coisa que, durante a campanha eleitoral, George Bush prometeu não fazer.
Também não pode atacar o Irão como era sua intenção (nem permitir que Israel o faça). Primeiro, porque não dispõe de forças para fazer simultaneamente uma segunda guerra de maior envergadura. E também porque nesse caso se sublevariam os shiitas do Iraque, que são a maioria da população, e então já nem meio milhão de soldados seriam suficientes para pacificar este país.
Consequência: para ter a garantia de não ser atacado, o Irão avança agora com toda a probabilidade para a fabricação da arma nuclear, que era precisamente o que Washington tratava de evitar desde há anos...
Daí que se esteja a especular neste momento sobre a possibilidade de o segundo George Bush ser diferente do primeiro. Teremos uma boa indicação disto quando comecemos a saber que personalidades ocuparão os cargos de secretário de Estado e de ministro da Defesa. Pois dá­‑se por certo que Collin Powell e Donald Rumsfeld abandonarão as suas funções.
Ainda que não agrade ao presidente George Bush, a solução nesta região passa primeiro por um envolvimento sério de Washington no conflito Israel-Palestina que conduza a uma paz aceitada pelas duas partes. O relevo actual do líder palestino Yasser Arafat – que ontem, na sua primeira conferência de imprensa pós­‑eleitoral o presidente Bush já deu por morto – oferece a melhor ocasião para corrigir a linha seguida até agora. É óbvio para todas as chancelarias que a Folha de rota fixada por Washington não funcionou e que o abandono da situação à única iniciativa israelita (a de Ariel Sharon) piorou as coisas. Só com o relançamento da dinâmica negociadora se poderá avançar com seriedade para uma conferência internacional para a paz no Iraque com a participação da ONU, dos países que criticaram a intervenção de Março do 2003, dos estados árabes e de todas as forças políticas iraquianas (incluídos os grupos insurgentes).
Há que aceitar o que toda a gente sabe, que as autoridades iraquianas actuais não são mais do que marionetas nomeadas pelo ocupante militar. Dessa maneira será concebível que países como o Egipto, a Argélia, Marrocos e até o Paquistão enviem forças suficientes para favorecer o acesso real do Iraque à soberania, à democracia e à prosperidade. Fazendo isto, o segundo George Bush nos dará uma grande surpresa e terminará sendo um grande presidente.

Publicado por agineotonico às 07:53 AM | Comentários (1)

Crimes de guerra


As recentes afirmações de que Falluja está praticamente nas mãos da coligação mas que infelizmente Al-Zarqawi terá fugido, parece confirmar as afirmações que têm vindo a ser feitas por dirigentes árabes de que não ele não está em Falluja, de que poderá ser uma figura mítica inventada pela CIA a fim de justificar a carnificina contra os resistentes de Falluja.
De facto, os últimos bombardeamentos intensivos a Falluja, tiveram como alvo a população civil e algumas infra estruturas básicas, como os hospitais, a electricidade e a água.
FALLUJAH, Iraq, Nov. 9 (Xinhuanet)strong> -- Dozens of Iraqi people,including at least 20 medics, were killed in a US air raid on a government clinic in the center of Iraq's western city of Fallujah overnight, witnesses said Tuesday.
"Over 20 medics were killed in the air raid and dozens others,including wounded people, were killed as a result of the US raid on the city early Tuesday," local residents told Xinhua.

Publicado por agineotonico às 07:40 AM | Comentários (1)

QUE FUTURO?

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(Foto MSF)

Publicado por agineotonico às 07:37 AM | Comentários (1)

novembro 09, 2004

Firefox 1.0


Novo browser ameaça hegemonia da Microsoft (pode ir buscá-lo aqui que vale a pena).
Desde fevereiro, quando começaram a circular versões do Firefox, o browser começou a roubar clientes da Microsoft, principalmente por causa dos problemas de segurança que afectam o Explorer.
De acordo com a empresa de monitoramento da internet WebSideStory, o crescente número de usuários do Firefox está pouco a pouco rompendo a hegemonia do Explorer. Até julho de 2004, o Explorer era usado por cerca de 95% dos internautas. Ao final de outubro, essa cifra, que havia permanecido a mesma durante anos, caiu para cerca de 92,9%.
Rivais do Explorer receberam um "empurrãozinho" em junho deste ano quando duas firmas de segurança americanas deixaram de recomendar o uso do programa da Microsoft alegando que ele teria várias brechas de segurança.

Vantagens
Entre as possíveis vantagens do Firefox está o fato de que ele permite que diferentes páginas da internet sejam organizadas como atalhos, facilitando a navegação.
Ele também bloqueia pop-ups, tem uma maneira prática de encontrar textos na página e permite que o usuário faça uma busca nas páginas em que já navegou.
O Firefox foi criado pela Mozilla Foundation, empresa desenvolvida em 1998 pelos mesmos fundadores do Netscape.
A empresa é uma organização de código aberto, o que significa que os criadores do browser permitem que usuários manipulem o código do programa.
Isso fez com que o browser adquirisse inúmeras funções adicionais, como uma barra de ferramentas semelhante à do Google e um indicador do Departamento de Segurança Interno americano que avisa usuários do aumento no nível de alerta no país.
(BBC Brasil)

Publicado por agineotonico às 10:52 PM

Santana e a «responsabilidade, orgulho e esperança»

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O primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, colocou-se ao lado de Durão Barroso na procura de uma solução para a aprovação da sua equipa de comissários europeus, criticando a possibilidade de outros governos europeus não fazerem o mesmo.
«Eu acho que ele não precisa de ajuda mas tem o Governo ao dispor para tudo o que precisar», referiu. Santana Lopes afirmou ter sentido uma grande «responsabilidade, orgulho e esperança» na cerimónia de assinatura da primeira Constituição Europeia.

Publicado por agineotonico às 09:43 PM | Comentários (4)

Nos EUA também há "contraditório"

"O presidente americano George W. Bush disse que vai procurar diologar com os aliados e os cépticos, durante o seu segundo mandato, para vencer a guerra contra o terrorismo".

"O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que o presidente George W. Bush recebeu um mandato do povo americano para prosseguir com o que chamou de uma política externa «agressiva». De acordo com o secretário de Estado, a política externa americana será conduzida de acordo com o interesse de amigos e alianças e terá "natureza multilateral". Mas Powell disse que o governo americano vai agir sozinho quando necessário".

Publicado por agineotonico às 09:32 PM

Massacre de população civil

Um importante partido sunita anunciou a sua retirada do governo interino iraquiano e entregou o ministério que ocupava, em protesto contra o assalto dos EUA a Falluja. Ao mesmo tempo, a Associação dos Académicos Islâmicos defendeu o boicote das eleições marcadas para janeiro.

Também o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, pediu o fim da ofensiva militar americana contra a cidade iraquiana de Falluja e disse ter mantido contacto com diversas autoridades iraquianas com o objetivo de "conter a situação". "Ninguém pode aceitar de maneira nenhuma a forma como os civis são atacados em Faluja, como está a acontecer agora", disse Moussa a jornalistas no Cairo. "Esperamos que o que está a acontecer em Faluja termine rapidamente", declarou o diplomata antes de uma visita à Espanha.
Ele qualificou a ofensiva como "muito grave". Ontem, depois de uma reunião com o chanceler interino do Iraque, Hoshyar Zebari, Moussa disse que "os acontecimentos lamentáveis" em Faluja foram temas de uma conversa com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.


Publicado por agineotonico às 08:49 PM

Kim Peek

Cientistas da NASA submeteram a uma série de exames, nomeadamente tomografia computarizada e imagiologia por ressonância magnética, o cérebro de Kim Peek, esperando que as tecnologias utilizadas para estudar os efeitos das viagens espaciais sobre o cérebro, ajudem a explicar as suas potencialidades mentais.
Kim Peek, é um autista que serviu de inspiração à personagem interpretada por Dustin Hoffman no filme «Rain Man». É considerado um “mega-sábio” porque é um génio em aproximadamente 15 assuntos diferentes, como história e literatura, geografia, números, desporto, música e datas.
Apesar destas capacidades excepcionais, Kim Peek não é um ser humano autónomo, necessitando de apoio para coisas simples como vestir-se sozinho.
Hoje com 53 anos de idade, e contrariamente ao que seria de esperar com o processo de envelhecimento, Kim Peek parece continuar a melhorar as habilidades nas áreas em que é especialista.
O seu cérebro e capacidades são únicos. Tendo-lhe sido diagnosticada à nascença uma bolha de água no cérebro, num quadro muito semelhante à hidrocefalia, testes posteriores mostraram que os seus hemisférios cerebrais não estão separados, apresentando uma “grande área de armazenamento de dados”.
Este estudo pretende “medir o que acontece no cérebro de Kim quando expressa coisas e quando pensa sobre elas” e verificar se o cérebro tem sofrido quaisquer alterações.

Publicado por agineotonico às 05:31 PM

UE e imigração

"Há actualmente uma ideia na Europa hostil à imigração, muito por culpa do que se tem feito, enfatizando a necessidade de se fecharem as portas. E não se podem integrar pessoas dando este de tipo de sinais à opinião pública. Outro problema é que muitos imigrantes não são cidadãos com direito de voto nos respectivos países de acolhimento. Por isso, é muito fácil para os partidos da extrema-direita usar argumentos contra os imigrantes, só porque eles não votam. Os políticos tem um objectivo a curto prazo: serem reeleitos. Muitos deles sabem que a Europa tem de adoptar uma nova política de imigração, que o que se está a passar é absurdo. Mas isso é o que dizem nos corredores. Na praça pública têm uma atitude muito diferente."
(Roxane Silberman in Visão)

'Não há política de imigração na Europa'

Fechar fronteiras e criar campos de trânsito no Norte de África para imigrantes vai provocar mais problemas do que resolvê-los, defende a investigadora francesa
HENRIOUE BOTEOUILHA

Há quatro anos, a ONU revelou um estudo que apontava para a necessidade de os países da União Europeia (UE) deixarem entrar 35 milhões de imigrantes, como forma de manter os seus níveis de crescimento económico e viabilizar os seus próprios sistemas de protecção social em sociedades que tendem a envelhecer.
A UE cresceu entretanto em Estados-membros, com a Turquia à espreita, e em território. Mas a questão da imigração continua a ser vítima de desconfianças, receios e uma alavanca para movimentos xenófobos.
Com o desemprego em alta, a integração de imigrantes por fazer e uma pressão constante nas fronteiras europeias, os líderes da UE tardam em dar respostas coerentes a este problema nuclear. Há anos que a socióloga francesa Roxane Silberman estuda as questões da imigração. A investigadora visitou Portugal na passada semana, a convite da Fundação Gulbenkian, para o seu ciclo de conferências As Novas Fronteiras da Europa, e conversou com a VISÃO sobre os riscos da ausência de políticas abrangentes a longo prazo sobre imigração. «Tudo o que existe na Europa», avisa, «é uma política de segurança nas fronteiras.»

VISÃO: Pode a Europa encontrar um equilíbrio entre os seus valores de solidariedade e a pressão da imigração junto das suas portas?
ROXANE SILBERMAN: Não estou tão segura de haver uma relação entre as duas coisas. A imigração não se limita a tirar algo, ela contribui com alguma coisa: tem um importante impacte no desenvolvimento dos países, porque se trata de uma população jovem em idade activa. Os elevados níveis de imigração nos EUA têm muito a ver com o crescimento do país.

A Alemanha é o terceiro maior país europeu de imigração e aprovou recentemente legislação muito restritiva sobre este assunto. A Espanha, hoje o maior, legalizou, por seu lado, 500 mil imigrantes ilegais. Nestas duas medidas opostas, há uma certa e uma errada?
Ambas não estão propriamente correctas, porque se limitam a reagir a uma situação. O principal problema da Alemanha, da Espanha e talvez de todos os países europeus é que não existe uma abordagem mais generalizada a longo prazo sobre política de imigração. Quem quiser emigrar para os EUA, para o Canadá e para a Austrália tem de pedir uma autorização e só depois é que vai. Na Europa, persiste uma política mais relacionada com um contexto imediato do mercado de trabalho: se precisamos imigração, abrimos a porta, se o mercado não está bem, fechamo-la. Os fluxos de emigração não obedecem a este tipo de comportamento.

Obedecem a quê?
A política alemã adoptou medidas restritivas, mas isso não significa que as pessoas não deixem de lá estar. Apenas não terão papéis. A Espanha, por seu lado, está a fornecê-los às que já lá se encontram. O que uma política de imigração faz, no entanto, é conceder um estatuto: pede-se uma autorização e ela é dada no momento ou mais tarde (provavelmente algumas pessoas terão de esperar, outras ficarão sem papéis durante um tempo, o que acontece em todo o mundo), são fornecidos documentos e é estabelecido o direito de se trabalhar num determinado local por certo tempo e definidos outros aspectos, como se a família pode ou não acompanhar o imigrante.

No passado dia 25, ministros europeus do Interior acordaram criar condições para se estabelecer uma data limite até 2010 para a aprovação de legislação comum sobre imigração. Isto, apesar de Alemanha, Reino Unido, Dinamarca e outros países pretenderem que esse prazo seja alargado. É algo que possa esperar tanto?
Na Europa, tudo o que existe é uma política de segurança nas fronteiras. Propostas como os campos [campos de trânsito para imigrantes no Norte de África, sugeridos pelo ministro alemão do Interior] não vão resolver de certeza nenhum problema, mas tornar-se num problema suplementar. São um mau sinal do que a Europa está a fazer sobre este assunto - uma política contra a imigração - e também um mau sinal para os muitos imigrantes que vivem na Europa há bastante tempo.

2010 é um prazo muito largo?
A questão não é ser tarde, mas se seremos. Capazes de construir uma nova política. Há actualmente uma ideia na Europa hostil à imigração, muito por culpa do que se tem feito, enfatizando a necessidade de se fecharem as portas. E não se podem integrar pessoas dando este de tipo de sinais à opinião pública. Outro problema é que muitos imigrantes não são cidadãos com direito de voto nos respectivos países de acolhimento. Por isso, é muito fácil para os partidos da extrema-direita usar argumentos contra os imigrantes, só porque eles não votam. Os políticos tem um objectivo a curto prazo: serem reeleitos. Muitos deles sabem que a Europa tem de adoptar uma nova política de imigração, que o que se está a passar é absurdo. Mas isso é o que dizem nos corredores. Na praça pública têm uma atitude muito diferente.

A xenofobia associada à imigração está a aumentar na Europa?
Julgo que sim. Se analisarmos os estudos de opinião sociais, há um elevado nível de hostilidade contra a imigração e uma percepção de discriminação por parte dos imigrantes. Não prova nada. Mas temos bastantes inquéritos, sobretudo com segundas gerações na Europa vindas do Mâgrebe e de países que não estão na UE, que apontam para uma penalização étnica.

Pode dar um exemplo?
Acabei agora um estudo Sobre a segunda geração de imigrantes no mercado de trabalho francês, em que se verifica um. elevado nível de democratização nas, escolas, mas não no mercado do trabalho: 40% dos magrebinos jovens dizem-se discriminados na hora de procurar emprego. Julgo que a Europa não dá atenção suficiente a esta questão. Se continuarmos com esta política contra a imigração, se metermos pessoas em campos, os efeitos sobre esta população jovem será relevante. Mesmo que tenham nascido cá, serão sempre identificados como imigrantes e não como população local.

Corremos o risco de um problema interno de integração?
Não podemos ter uma política de integração sem política de imigração. Que abra as portas às pessoas para virem com a ideia de ficarem - e não de virem e voltarem.

A abolição do véu islâmico nas escolas francesas é uma medida de integração ou de isolamento?
Os muçulmanos estão em toda a Europa, mas a França é o único país onde esta questão foi levantada como um enorme problema. E o modo como se está a lidar com ele não é muito positivo. Se é uma questão de um atentado à liberdade das mulheres ou das raparigas (porque há quem diga que elas são obrigadas a usar o véu), temos aqui uma contradição. Vão colocar sobre elas toda a pressão, quando a ideia era precisamente a de protegê-las. Talvez o melhor fosse deixá-las ir, porque as escolas acabariam por assimilá-las. Por outro lado, mais uma vez, estamos a falhar o verdadeiro problema. Há aqui uma desproporção enorme quando se fala de uma medida que vai afectar meia-dúzia de raparigas, enquanto as questões do mercado de trabalho e a sua relação com a população magrebina passam ao lado. A ordem de prioridades está trocada.

A questão da imigração é, antes de tudo, política, económica, social ou de direitos humanos?
Primeiro que tudo, de direitos humanos. Está reconhecido internacionalmente o direito de circulação. É, porém, curioso que exista o direito de se deixar um país, mas não de entrar noutro país.

Acha que, em geral, os políticos e empresários europeus olham para o os imigrantes como uma necessidade absoluta para a viabilidade dos seus próprios países, ou como mera mão-de-obra barata?
Aquilo que se diz abertamente não é o mesmo que se faz. Os empresários, sobretudo, podem mostrar-se muito contra a imigração, extremistas até, e, no entanto verificamos que têm imigrantes ilegais nas suas companhias. Se calhar preferem tê-los porque pagam menos e podem mantê-los em condições inadequadas. Daí também a necessidade de uma política de longo prazo mais abrangente. Se calhar, mesmo que tenha de haver uma selecção de entradas, é preferível fazer dos imigrantes cidadãos de um país do que limitá-los a um mercado de trabalho. Até porque eles acabariam sempre por ficar.

Espanha e Itália, tradicionalmente países de emigrantes, são agora receptores de imigrantes e estão no top dos destinos. Porque é que os fluxos migratórios tendem actualmente preferir os países do Sul?
Os imigrantes vão para onde há trabalho. Se ele faltar, não creio que fiquem muito tempo. Podem vir, ver o que se passa, mas se não tiverem dinheiro também não têm ninguém para os apoiar. Se há imigração nos países do Sul, isso significa que há trabalho. E para que estes se desenvolvam e cresçam precisam de trabalhadores.

Julga que vai acontecer o mesmo nos novos países membros dá UE?
Julgo que sim, mas não imediatamente.

A Espanha absorve uma quantidade enorme de imigrantes do Norte de África, mas em Portugal o seu número é reduzido. Por outro lado, Portugal registou um acolhimento, de uma vaga de imigrantes de Leste que não parou na Alemanha, França, nem em Espanha. Porque será?
É uma história complicada. No passado das migrações há ligações históricas, económicas e políticas. As pessoas não vão para todo o lado ao mesmo tempo. Os turcos foram sobretudo para a Alemanha, os magrebinos para França, estes por causa das antigas relações coloniais. Além das ligações históricas, há também as condições que as pessoas podem ver em certos lugares num determinado momento - postos de trabalho. E, quando existe uma primeira imigração, há dinâmicas que se criam, estabelecem-se redes que chamam outras pessoas para virem. Tudo funciona numa mistura de relações históricas e conjunturais.

No caso dos imigrantes de Leste, não há relações históricas ...
Num momento em que é necessária imigração, em que se regista desenvolvimento em Portugal, há também um fluxo a sair do Leste. E ele vem para aqui.

Existe uma relação entre imigração e terrorismo internacional?
Não há qualquer ligação. Sempre houve migrações, não é uma história nova. Agora temos terrorismo. Claro que este atravessa fronteiras mas não da mesma forma que os imigrantes.

Embora o discurso político argumente frequentemente com o terrorismo para impor restrições à imigração ...
Na Europa, em 1974, após grandes vagas de imigração, alguns países corno a Alemanha, Bélgica ou França decidiram pará-las. E isso não teve nada a ver com o terrorismo. Claro que os políticos podem utilizar esse argumento, mas são questões completamente diferentes.

A entrada da Turquia na UE traria uma nova realidade no movimento migratório na Europa?
A migração turca é uma velha história na Europa. Há um número enorme de turcos na Alemanha, em França, claro, e em muitos outros países. De momento, estamos apenas a apresentar um convite, não sabemos quando, nem como. Acho que se devia pensar mais sobre corno integrar os turcos que já estão na Europa.

Por que se interessou por este tema?
É muito interessante estudar pessoas que se mudam, porque a mudança é uma decisão muito difícil. Nas minhas aulas, peço sempre aos alunos para pensarem se iriam com a sua bagagem para outro país, onde não conhecem ninguém e onde se fala uma língua diferente. Estamos a falar de pessoas aventureiras, que querem mudar-se rapidamente, querem fazer coisas, querem fazê-lo pelos seus filhos. A mudança é mais interessante no estudo das sociedades do que algo que não se move.

Portugal tem uma história muito recente de imigração. Há uma forma de preparar as sociedades para uma nova realidade como esta?
Não se podem preparar pessoas para a imigração, é simplesmente algo com que temos de lidar. Se a imigração está numa determinada sociedade, é porque há condições para que isso aconteça.

E pode mudar uma sociedade?
A sociedade não é estática, o que é bom. Os portugueses têm uma tradição de emigração e levaram grandes coisas a outras sociedades. A cultura é sempre uma mistura de diferentes influências.
Nada de novo.

Publicado por agineotonico às 04:01 PM

novembro 08, 2004

A comunidade internacional não está a cumprir a promessa de fazer baixar a mortalidade infantil

98 países começaram mal para atingir uma redução dois terços até 2015;
a SIDA e os conflitos levam estão a provocar retrocessos em alguns países.
Nova York, 7 de Outubro 2004 - Novos dados apresentados hoje pela UNICEF mostram que os progressos conseguidos quanto à diminuição da mortalidade infantil são de uma lentidão alarmante, apesar da existência de intervenções de eficácia comprovada e de custos reduzidos. A UNICEF diz que há 90 países no bom caminho para atingir o objectivo de uma redução de dois terços da mortalidade infantil até 2015, enquanto outros 98 estão muito longe desse objectivo, e que, de um modo geral, os avanços são demasiado lentos.
“O direito de uma criança à sobrevivência é o primeiro critério de igualdade, de possibilidade de futuro e de liberdade”, afirmou a Directora Executiva da UNICEF, Carol Bellamy por ocasião do lançamento do relatório Progresso para as Crianças, que teve lugar em Nova Iorque. “Numa época em que a tecnologia e a medicina têm conseguido autênticas maravilhas, é inconcebível que a sobrevivência das crianças, sobretudo das que são pobres e marginalizadas, seja tão frágil e em tantos lugares. É possível fazer muito mais e melhor.”
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Publicado por agineotonico às 07:57 AM | Comentários (1)

World Wide Petition against the Escalation in Iraq

An initiative of the BRussells tribunal endorsed by the World Tribunal on Iraq
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Prof. Jean Bricmont, a Belgian scientist, specialist in theoretical physics, and author on politics, who was member of the prosecution at the BRussells Tribunal, has written a short but strong statement "Stop the escalation".
We feel that we can't wait any longer to do something. We hope that you and/or your organisation will sign this letter, giving the call of prof Bricmont the resonance it deserves and he aimed at in writing it.
Now that we know, since the evening of 28th of October 2004, from an article in the Lancet, based on a survey by Johns Hopkins University that 100.000 Iraqi's died in the war, we feel this petition is urgent, so we send it out now.
We hope you join us in our outcry over the ongoing massacres by signing this petition against the escalation.
Yours in struggle for peace.

Publicado por agineotonico às 07:42 AM | Comentários (2)

Teorias Optimistas


Há uma teoria de que, agora que está reeleito, Bush pode estar mais à vontade para espremer Sharon um pouco mais e assim ganhar pontos no mundo árabe e suavizar um pouco a decepção de Blair.
É uma teoria muito otimista.
Na quarta-feira, ao analisar o triunfo conservador nas eleições americanas, o Aipac, um dos mais importantes lobbies pró-Israel em Washington, enfatizou que não vê a hora de trabalhar com o novo Congresso, "o mais pró-Israel da história americana".
(Folha Online)

Publicado por agineotonico às 07:26 AM

Tabaco


Pesquisadores da Califórnia descobriram uma molécula responsável pelo vício do tabagismo, informa a revista "Science".
As pessoas tornam-se dependentes da nicotina quando ela se instala nos receptores de neurónios específicos da acetilcolina. É quando a nicotina ocupa esse espaço que se liberta dopamina. Assim, sendo conhecido o local onde se aloja a nicotina, será possível, segundo os investigadores, criar uma substância que possa ocupar esse lugar. Daniel McGehee, neurobiólogo da Universidade de Chicago que estudou outro género de receptores sensíveis à nicotina, disse que o estudo era "fantástico", mas alertou para possíveis inconvenientes de um medicamento desse tipo. Interferir no modo como o organismo sente as recompensas da nicotina pode retirar gosto a experiências tão simples como comer alimentos ou beber água, advertiu. "[Mexer nisso] pode interferir com a nossa capacidade de sentir prazer e alegria em coisas banais, saudáveis", alerta McGehee.

Publicado por agineotonico às 07:14 AM

Após eleição, americanos querem emigrar


Pedidos de informação de americanos que desejam mudar-se à Nova Zelândia dispararam após a reeleição de George W. Bush para a Presidência dos EUA, de acordo com o serviço de imigração da Nova Zelândia.
O site da imigração neozelandês foi consultado 10.300 vezes desde o dia seguinte às eleições americanas, contra uma média diária de 2.500. Milhares de americanos emigraram para a Nova Zelândia nos últimos anos, atraídos pela população pouco numerosa, o ambiente verde e limpo das montanhas e o distanciamento deste país dos pontos críticos do mundo. Os telefones da imigração neozelandesa em Los Angeles, San Francisco e Portland tocam incessantemente depois que foram conhecidos os resultados da urnas, segundo o jornal "Dominio Post". "Foi uma explosão e isso começou a partir das 23h, no dia da eleição", afirmou um funcionário do jornal. O jornal "San Francisco Cronicle" informou que alguns americanos, depois da eleições, também mostraram interesse pela Austrália e pelo Canadá.
(France Presse, em Wellington, Nova Zelândia)

Publicado por agineotonico às 07:04 AM

novembro 06, 2004

A revolta das palavras: E depois do adeus

"Chegadas as coisas a este ponto compreendam os leitores que eu saia deste lugar. É patente o que está actualmente em causa na comunicação social portuguesa: o domínio dos media pelo grande capital, a entente cordiale entre esse grande capital e o actual Governo. Poucas serão as excepções.
A imprensa deixou de ser um problema de direito constitucional à liberdade de expressão, passou a ser um problema de direito comercial à distribuição de dividendos ...
Ao público em geral há duas coisas que já não escapam.
Primeiro, em Portugal está a instalar-se um clima de medo; não o medo antigo de se ser preso por um delito de opinião, mas um medo moderno, nascido na zona dos interesses, do que se ganha e do que se perde. A hipocrisia, em Portugal, passou a ser a forma de os fracos sobreviverem, a velhacaria um modo de os fortes dominarem.
Segundo, em Portugal a vida política vive na mentira e na desconfiança: ninguém diz totalmente a verdade, ninguém acredita minimamente no que se diz.
É evidente que é um problema de liberdade o que está em causa, um duplo problema de liberdade: é que sem liberdade de empresa, não há liberdade de imprensa.
Ora a concentração capitalista na comunicação social e a sua aliança com o poder político, num só golpe, geraram a miséria a que assistimos. Cada um que vai à quase moribunda Alta Autoridade para a Comunicação Social é mais um rol de ignomínias que vem ao de cima.
Começa a perceber-se o bastidor do espectáculo. Um destes dias os leitores, para estarem capazmente informados, talvez tenham, não de comprar um jornal, mas sim de comprarem o próprio jornal que o publica. Ser jornalista é hoje recolher notícias que outros embrulham no meio da publicidade e da propaganda. Honrados profissionais vivem hoje essa agonia".

(José António Barreiros (Blog))

Publicado por agineotonico às 02:31 PM | Comentários (2)

Bolívia luta contra o saque dos seus recursos naturais


Cerca de quatro anos depois de rebelar-se contra corporações multinacionais na chamada “Guerra da Água”, de Cochabamba, o povo boliviano toma novamente a história em suas mãos. Desta vez para garantir que o gás natural – uma riqueza estimada em cerca de 70 bilhões de dólares – não figure apenas nos gordos balanços de multinacionais, em uma luta que começou um ano atrás.
O recado mais duro veio do norte. Charles Shapiro, ex-embaixador dos EUA na Venezuela, foi pessoalmente à Bolívia e encontrou-se com o presidente Carlos Mesa. Ao final da reunião, disse à imprensa que é preciso “medir as conseqüências e o impacto da lei”. Shapiro disse ainda em um tom pouco amistoso, mas sem detalhar, que caso a lei seja aprovada, pode “haver complicações” já que os EUA têm “obrigação de proteger seus investimentos”.
Uma ameaça bem mais concreta veio da Inglaterra. Segundo a versão eletrônica do jornal britânico The Times, o governo inglês teria deixado claro que a promessa de perdão da dívida externa da Bolívia ficaria comprometida caso a nova lei seja aprovada.
(Bolívia inflamável, Wilson Sobrinho)

Publicado por agineotonico às 12:14 PM

Contra a constituição Europeia: Catedrático da Fac. Direito da Univ. Do Porto

Desígnio Europeu
36. É tempo de afirmar um europeísmo democrático contra a euroburocracia. De lutar pelo europluralismo contra o euroestatismo. Pelo sempre actual sonho da Europa Unida das Nações, recusando o pesadelo da Eurolândia, o Estado leviatão europeu.
(Paulo Ferreira da Cunha)

Veja AQUI mais contestação à Constituição Europeia

Publicado por agineotonico às 11:42 AM

novembro 05, 2004

Em defesa da igualdade

Ao contrário do que dizem os liberais, ela pode abrir a cada indivíduo múltiplas possibilidades de acção e de existência, e permitir a afirmação das singularidades.
A defesa das desigualdades no interior da sociedade foi construída por diferentes correntes ideológicas, cada uma delas contribuindo à sua maneira. Articula-se em torno de três temas principais. A igualdade, em primeiro lugar, seria sinónimo de uniformidade. A desigualdade passa então a ser defendida em nome do direito à diferença, implicando numa dupla confusão: entre igualdade e identidade, por um lado, e entre igualdade e diferença, por outro.
Além disso, a igualdade seria sinónimo de ineficiência. Ao garantir a cada cidadão uma mesma condição social, o Estado desmotivaria os indivíduos e arruinaria as bases da mobilidade social e da concorrência. A igualdade seria, portanto, contra-produtiva, tanto para o indivíduo quanto para a colectividade. As desigualdades, por seu lado, seriam distribuídas entre todos, "vencedores" e "perdedores".
E, em terceiro lugar, chegamos ao argumento principal do discurso defensor das desigualdades: a igualdade seria sinónimo de constrangimento, de alienação da liberdade, representando uma ameaça principalmente ao "livre funcionamento do mercado". Ela conduziria inevitavelmente à via dos piores infernos totalitários.
(Alain Bihr e Roland Pfefferkorn)

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Em defesa da igualdade
Ao contrário do que dizem os liberais, ela pode abrir a cada indivíduo múltiplas possibilidades de acção e de existência, e permitir a afirmação das singularidades
Alain Bihr e Roland Pfefferkorn*

Desde a Revolução Francesa, em 1789, o tríptico "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" passou a ocupar a fachada das escolas francesas. O segundo termo desta trindade republicana foi submetido a uma ofensiva generalizada ao longo das décadas de 80 e 90, sob o disfarce de crítica do igualitarismo. À medida que as desigualdades sociais prosperavam, que os novos pobres e os yuppies faziam sua aparição no cenário social, e que a igualdade entre homens e mulheres demorava em se concretizar, 1 a ideia cara a Jean-Jacques Rousseau era questionada.
Houve quem tentasse, em vão, substituí-la pela noção mais vaga de equidade. Na França, por exemplo, o ensaísta Alain Minc, revezando-se em inúmeras revistas e programas audiovisuais, buscou, com a ajuda de outros intelectuais, desembaraçar-se daquilo que chama "velha resposta igualitária tradicional". Esse autor chegou ao ponto de afirmar, num relatório oficial, que os trabalhadores franceses que recebem o salário mínimo (Smic) teriam visto seus rendimentos crescerem de modo "muito rápido" entre 1974 e 1994. 2 No entanto, nesse período, seu nível de vida progrediu menos rapidamente do que o da média dos assalariados (respectivamente 40% e 60%), sem falar da progressão dos rendimentos dos detentores de capital. Essa ofensiva veio acompanhada por uma valorização dos "vencedores".
Desigualdade como um direito
A defesa das desigualdades no interior da sociedade foi construída por diferentes correntes ideológicas, cada uma delas contribuindo à sua maneira. Articula-se em torno de três temas principais. A igualdade, em primeiro lugar, seria sinónimo de uniformidade. A desigualdade passa então a ser defendida em nome do direito à diferença, implicando numa dupla confusão: entre igualdade e identidade, por um lado, e entre igualdade e diferença, por outro.
Além disso, a igualdade seria sinónimo de ineficiência. Ao garantir a cada cidadão uma mesma condição social, o Estado desmotivaria os indivíduos e arruinaria as bases da mobilidade social e da concorrência. A igualdade seria, portanto, contra-produtiva, tanto para o indivíduo quanto para a colectividade. As desigualdades, por seu lado, seriam distribuídas entre todos, "vencedores" e "perdedores". Esta é, por exemplo, a posição de Friedrich Hayek e de seus epígonos. De maneira análoga, a Teoria da Justiça, de John Rawls, permite justificar toda desigualdade a partir do momento em que ela é considerada como capaz de melhorar a sorte dos mais desfavorecidos.
A fragilidade do argumento liberal
E, em terceiro lugar, chegamos ao argumento principal do discurso defensor das desigualdades: a igualdade seria sinónimo de constrangimento, de alienação da liberdade, representando uma ameaça principalmente ao "livre funcionamento do mercado". Ela conduziria inevitavelmente à via dos piores infernos totalitários.
Esta argumentação, porém, é bem frágil. Contrariamente ao que afirmam estes críticos, a igualdade não implica na identidade (ou a uniformidade), assim como a desigualdade não garante a diferença. Muito pelo contrário. Por exemplo: as desigualdades de rendimentos produzem as camadas sociais, no interior das quais os indivíduos são prisioneiros de um modo de vida, o qual são mais ou menos forçados a seguir para estar (e permanecer) em seu devido lugar. Inversamente, a igualdade de condições sociais pode abrir a cada indivíduo múltiplas possibilidades de acção e de existência, que seriam mais favoráveis à afirmação das singularidades.
A "liberdade" do desemprego
Além disso, a eficiência capitalista tem um preço, e cada vez mais pesado - do desperdício dos recursos naturais ao das riquezas sociais. As desigualdades produzidas pelo mercado envolvem, na verdade, uma inacreditável confusão. Podemos medir esta formidável dilapidação da riqueza social, caracterizada pelo desemprego e pela precariedade da vida de grandes massas populacionais? A eficiência económica da sociedade não seria maior se fosse utilizada a força de trabalho de milhões de pessoas afectadas pelo desemprego e subemprego?
E finalmente, a desigualdade oprime. Qual é a liberdade do trabalhador que fica desempregado durante um longo período, da trabalhadora de tempo parcial, de quem recebe salário mínimo, do sem tecto ou do analfabeto, de quem morre aos 30 ou 40 anos num acidente de trabalho ou cuja vida é abreviada pela exploração no trabalho?
Complacência dos sociólogos
A única liberdade garantida pela desigualdade é a faculdade de uma minoria se arrogar privilégios materiais, institucionais e simbólicos, em detrimento da maioria. Na França, mais de cinco anos após a campanha eleitoral do candidato Jacques Chirac, centrada sobre a fractura social e a necessidade de sua redução, e graças ao movimento social de novembro-dezembro de 1995 e à mudança da atmosfera ideológica que o tornou possível, os ataques contra a igualdade passaram a ser menos grosseiros. Passaram a ser utilizados caminhos rebuscados, acrescentando sistematicamente à palavra igualdade um qualificativo que atenua ou altera seu significado.
A expressão de inspiração liberal "igualdade de oportunidades" tende, dessa forma, a substituir a palavra "igualdade". É evidente que essa expressão já era utilizada na década de 60, mas permanecia restrita aos debates que atravessavam a sociologia da educação, através da questão: a escola contribui para tornar iguais as oportunidades de acesso a uma carreira correspondente ao talento ou à vocação de cada um, para manter ou reforçar as desigualdades? Se os sociólogos se opunham vigorosamente aos mecanismos geradores destas desigualdades e a certas interpretações teóricas, eles estavam de acordo quanto aos fatos. Ou seja: que a escola não diminuía globalmente as desigualdades de oportunidade de acesso a tal ou tal caminho, e que a reprodução social superava largamente a sua mobilidade.
O discurso da Terceira Via
Esta noção de "igualdade de oportunidades" não equivale, porém, nem à de igualdade de resultados nem à igualdade de condição. Mas para muita gente ela designa implicitamente a igualdade pura e simples, sem qualificativos. Seu uso sistemático pelos dirigentes políticos, de variadas colorações ideológicas, ou pela imprensa -- inclusive a de esquerda, e mesmo da esquerda radical -- produz um efeito insidioso. 3 A "igualdade de oportunidades", inicialmente, permite justificar a desigualdade de resultados. Na escola, onde assume um carácter de mito ou mistificação, ela permite justificar desigualdades bem reais.
O primeiro-ministro britânico, Anthony Blair, não hesita em dar este passo, quando avaliza a ideia de que os mais desfavorecidos, em última análise, seriam responsáveis por sua própria situação e, portanto, por seu infortúnio. O mesmo vale para o chanceler alemão, Gerhard Schröder, quando proclama: "Eu não acho que seja desejável uma sociedade sem desigualdades...Quando os social-democratas falam de igualdade, deveriam pensar em igualdade de oportunidades, e não em igualdade de resultados."
A igualdade como loteria?
Essa guinada contribui para um verdadeiro deslocamento semântico. O procedimento não é novo. Em sua mensagem ao povo francês, em 11 de outubro de 1940, após ter fustigado "as fraquezas e vícios do antigo regime político", o marechal Philippe Pétain preconizava já a substituição dos princípios igualitários inspirados por Jean-Jacques Rousseau pela ideia de igualdade de oportunidades: "O novo regime será uma hierarquia social. Ele não se apoiará na falsa ideia da igualdade natural dos homens, mas na ideia, necessária, da igualdade de oportunidades, dadas a todos os franceses, de provar sua aptidão a servir... Dessa forma, renascerão as verdadeiras elites que o regime anterior se dedicou a destruir nos últimos anos e que constituirão os quadros necessários ao desenvolvimento do bem-estar e da dignidade de todos". 4 Para Pétain, tratava-se então de renovar as elites e de romper com certos aspectos da Terceira República, prolongando as discriminações republicanas.
Nos dias de hoje, a expressão "igualdade de oportunidades" nos remete mais banalmente à concepção liberal anti-igualitária ou à sua variante dita "social-liberal". Não resta dúvida, que ela permite diluir e desnaturalizar a ideia de igualdade, ao mesmo tempo como realidade e como horizonte. Pois onde há igualdade, por definição, não há necessidade de oportunidade; e onde há oportunidade não há igualdade, e sim o acaso, a sorte grande ou um prémio de consolação. A palavra "oportunidade" não nos remete ao mundo da loteria, a um mundo onde basicamente se fazem apostas? Um mundo onde alguns poucos ganham e a maioria perde?


Traduzido por Marco Aurélio Weissheimer.

* Respectivamente conferencista na Universidade da Alsácia e professor adjunto de ciências sociais na Universidade Marc-Bloch, de Estrasburgo. [voltar]
1 Sobre estes temas, ver as obras de Alain Bihr e Roland Pfefferkorn, Déchiffrer les inegalités, ed. Syros, 1999, e Hommes-femmes, l' introuvable égalité, ed. L' Atelier, Paris, 1996. [voltar]
2 La France de l'an 2000, Editions Odile Jacob, Paris, 1994. Os números citados nesta obra, com relação à progressão do nível de vida dos trabalhadores que recebem o salário mínimo francês, eram inexactos. [voltar]
3 A título de exemplo, ler o dossiê publicado pelo semanário Rouge, de 4 de maio de 2000, cujo título é "Lutter pour l'égalité des chances" (Lutar pela igualdade de oportunidades). [voltar]
4 Citado por René La Borderie, 60 années d'égalite des chances, 60 années d'inégalité des résultats, "L'Ecole Emancipée", Paris, nº 6, janeiro de 2000

Publicado por agineotonico às 06:42 PM | Comentários (2)

Americanos aconselham mulheres e crianças a abandonar Falluja


(Hospital de Falluja)

Há várias semanas que o comando norte-americano está a concentrar tropas nos arredores da cidade, tendo já admitido que prepara uma operação terrestre de grande envergadura contra a cidade, com o objectivo de pacificar a região antes das eleições legislativas, agendadas para o início do próximo ano.
Todas as estradas de acesso à cidade foram bloqueadas, tendo já ocorrido dezenas de escaramuças entre militares iraquianos e norte-americanos e resistentes nos subúrbios da cidade.
Até ao momento, a estratégia tem passado por bombardeamentos aéreos e de artilharia contra alvos no interior de Falluja. Centenas de pessoas terão morrido nos dois últimos meses na sequência destes ataques, que os EUA dizem visar alvos da guerrilha e edifícios onde suspeitam estarem refugiados os terroristas liderados pelo radical jordano Al-Zarqawi.
(Público)

Se assim é que se pacifica, como será fazer a guerra!!!

Publicado por agineotonico às 05:45 PM

José Saramago recebe hoje doutoramento "honoris causa" em Lille


Saramago recebe o título atribuído pela universidade francesa em conjunto com o poeta espanhol Luis Antonio de Villena e os professores Wolfgang Mackiewicz (Alemanha), James Marrow, John Staddon e Gregory Nagy, todos dos EUA.
José Saramago já foi homenageado com o título de doutor "honoris causa" pelas universidades de Évora, Turim (Itália), Sevilha, Toledo e Castilha-La Mancha (Espanha), Manchester (Reino Unido) e Brasília (Brasil).
(in Público)

Publicado por agineotonico às 05:31 PM

Ser pai no ...

no Afeganistão

(foto Médicos Sem Fronteiras)

Publicado por agineotonico às 07:52 AM | Comentários (2)

PJ desfaz equipa de investigadores do processo Casa Pia

A Direcção Nacional da Polícia Judiciária (PJ) decidiu dissolver a equipa de investigadores que estava a tomar conta do processo Casa Pia.
Ainda segundo o CM, o Procurador-Geral da República (PGR), Souto Moura, tentou evitar o desmantelamento desta equipa, sugerindo ao director nacional da PJ, Santos Cabral, que os inspectores regressassem aos seus lugares.
(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 07:41 AM

Diziam «volta para o Iraque»

Um cidadão luso-descendente foi agredido na noite de quarta-feira em San Diego, na Califórnia, por um grupo de jovens que o confundiu com um iraquiano.
A vítima foi atacada por cinco jovens na casa dos 20 anos quando estacionava o seu carro perto da cidade universitária, cerca das 23:00 horas locais, indicaram as autoridades policiais.
O grupo de cinco indivíduos atirou uma garrafa de cerveja contra o veículo, partindo uma janela, e agrediram com socos e pontapés o luso-descendente, enquanto o insultavam e diziam «volta para o Iraque».
Os agressores roubaram-lhe os sapatos e prometeram regressar para o matar, acrescentou a polícia de San Diego. As autoridades policiais já interrogaram três suspeitos
.
(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 07:38 AM

Autarquias vão poder implementar taxa de entrada nas zonas urbanas

«A taxa de entrada nos perímetros urbanos é uma medida que está incluída no programa. Mas é uma medida que nunca poderá ser implementada à revelia das autarquias», afirmou o secretário geral.
(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 07:34 AM

novembro 04, 2004

O Mundo transformou-se nestes últimos anos numa ditadura

"Essa situação deve-se essencialmente a factores que condicionam os povos do mundo e que resultam da incapacidade da Europa e dos outros continentes fazerem valer nas instituições internacionais o direito e imporem o seu cumprimento. Resultam de governos fracos e submissos onde muitos dos seus cidadãos, que agora choram os resultados de eleições que não lhes dizem respeito, nem sequer exercerem o seu direito de voto.
Neste momento confrontamo-nos com o reforço da liderança mundial encabeçada pela dupla Bush/Putin que, longe de prometer um mundo melhor, faz prever uma vaga de crescendo bélico, em nome do combate ao terrorismo (que não consegue exterminar), sobre países e povos que considerem "non gratos
".
(in Tugir)

Publicado por agineotonico às 10:42 PM

Corrupção na administração fiscal: julgamento adiado

O julgamento da alegada rede de corrupção da administração fiscal em que o principal arguido é o ex-funcionário das Finanças Rui Manuel Canas foi hoje adiado no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa.
O principal arguido, o ex-funcionário das Finanças Rui Canas, que assume ter responsabilidades criminais no maior caso de fraude na máquina fiscal em Portugal, no qual é acusado de corrupção, disse à saída do Tribunal da Boa Hora sentir-se "injustiçado".
"Há demasiada corrupção na máquina fiscal, vou dizer toda a verdade, e denunciar outras pessoas que participavam neste processo", afirmou. "Os principais responsáveis não estão cá, ganhei muito dinheiro, mas dei muito a ganhar", frisou. Dos 106 arguidos ouvidos ao longo do inquérito, apenas 16 vão sentar-se no banco dos réus.
Neste processo o esquema clássico de corrupção passava por "um favor ali, outro acolá, um pagamento avultado e dinheiro a passar de mão em mão e as dívidas fiscais como por magia desapareciam", explicou.
(Público)

Ainda consigo ficar pasmada com a descontracção e a pouca vergonha destas declarações ...

Publicado por agineotonico às 06:48 PM | Comentários (1)

Arafat em estado crítico

Fonte oficial hospitalar diz numa conferência de imprensa, em resposta às notícias que davam Arafat como morto, que o presidente da Autoridade Nacional da Palestina (ANP), Yasser Arafat, se encontra vivo embora em estado crítico.

Publicado por agineotonico às 06:31 PM

Israel anuncia morte de Arafat

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(foto BBC)

Publicado por agineotonico às 04:40 PM | Comentários (2)

Educação: as armadilhas do neoliberalismo

A esfera educativa está diante de cinco grandes armadilhas, resultado das mudanças políticas, sociais e económicas dos últimos trinta anos, que viram o modo de vida ter como centro o hiper-consumo e a mercantilização generalizada de qualquer bem ou serviço, a explosão das tecnologias e a globalização liberal.

A primeira dessas armadilhas: a instrumentalização crescente da educação a serviço da formação de "recursos humanos".
A segunda armadilha: a passagem da educação do campo não mercantil ao mercantil.
Terceira armadilha: a educação é mostrada como instrumento indispensável à sobrevivência de cada indivíduo e, ao mesmo tempo, de cada país, na era da competitividade mundial.
Quarta armadilha: a subordinação da educação à tecnologia.
Quinta armadilha: o uso do sistema educacional como meio de legitimação das novas formas de divisão social.
(Riccardo Petrella)

A opção do Conselho Europeu, já traduzida em plano de acção, consiste em afirmar que a grande prioridade, nos próximos quinze anos, é a construção da "e-Europa" para que, em 2015, ela se torne a "e-economia" mais competitiva do mundo
Riccardo Petrella*
A esfera educativa está diante de cinco grandes armadilhas, resultado das mudanças políticas, sociais e económicas dos últimos trinta anos, que viram o modo de vida ter como centro o hiper-consumo e a mercantilização generalizada de qualquer bem ou serviço, a explosão das tecnologias e a globalização liberal.
A primeira dessas armadilhas é a instrumentalização crescente da educação a serviço da formação de "recursos humanos". Essa função toma o lugar da educação para e pela pessoa e origina-se na redução do trabalho a um "recurso" organizado, gerenciado, valorizado, rebaixado, reciclado e, eventualmente, abandonado em função de sua utilidade para a empresa. Como qualquer outro recurso material ou imaterial, o recurso humano é considerado como uma mercadoria económica que deve estar disponível em qualquer lugar. 1 Não tem direitos cívicos nem outros direitos quaisquer, sejam eles políticos, sociais ou culturais, e os únicos limites à sua exploração são de natureza financeira (os custos). Seu direito à existência e à renda depende de seu desempenho, de sua rentabilidade. Deve demonstrar que é empregável, de onde decorre a substituição do "direito ao trabalho" por uma nova obrigação: demonstrar sua "empregabilidade".
A educação como mercado
Isso é o que alguns dirigentes chamam de uma "política social activa do trabalho". Para eles, se a educação tem um papel maior, este, é, principalmente, em relação a essa obrigação de "empregabilidade". E por toda a vida, graças à formação contínua cuja função é manter os recursos humanos do país utilizáveis e rentáveis. Porém, desde então, o trabalho deixou de ser uma questão social.

A segunda armadilha é a passagem da educação do campo não mercantil ao mercantil. Desde que se lhe confere como tarefa principal formar os recursos humanos a serviço da empresa, não é surpreendente que a lógica mercantil e financeira do capital privado queira lhe impor a definição de suas finalidades e suas prioridades. A educação é cada vez mais tratada como um mercado. 2
As "universidades virtuais"
Na América do Norte, fala-se permanentemente de "mercado da educação", de "business da educação", de "mercado de produtos e de serviços pedagógicos", de "empreendimentos educativos", de "mercado de professores e alunos". Não é por acaso que se realizou, de 23 a 27 de maio de 2000, em Vancouver, no Canadá, o primeiro Mercado Mundial da Educação 3 (World Education Market). Para a grande maioria dos participantes, públicos e privados, 4 a mercantilização da educação é indiscutível, a questão principal é saber quem vai vender o quê num mercado mundial regulamentado por quais regras.
O "quem" já começa a delinear-se bem: são os editores de produtos multimédia, de criadores e fornecedores de serviços on line, ou de ensino à distância, operadores de telecomunicações, empresas informáticas, todos sectores nos quais as fusões, absorções e alianças sucederam-se em ritmo frenético nos últimos anos. Essas empresas já investiram muito no "quê": muitas têm, à mão um catálogo de programas-chave de formação on line -- pronto para ser oferecido. As "universidades virtuais" multiplicam-se como cogumelos através das fronteiras "nacionais". Segundo um estudo do banco de investimentos norte-americano Meryll Lynch, 5 o número de jovens que seguirão cursos superiores, em todo o mundo, aumentará para, aproximadamente, 160 milhões até 2025. Actualmente, são 84 milhões -- dos quais, 40 milhões cursam um ensino on line. É fácil imaginar o que poderá representar esse mercado em um quarto de século.
Liberalização e desregulamentação
A tendência em todos os países "desenvolvidos" dirige-se a um sistema de educação organizado sobre uma base individual, à distância (via Internet), variável no tempo, por toda a vida e à la carte. 6 Quanto às regras, o fracasso das negociações da Rodada do Milénio da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Seattle, em dezembro de 1999, impediu, provisoriamente, que os princípios do livre comércio sejam também aplicados à educação: eles estavam presentes nos itens do Acordo geral sobre o comércio de serviços (AGCS). Como as negociações sobre serviços foram retomadas na sede da OMC, em Genebra, nada garante que a liberalização e a desregulamentação do sector educativo não estejam novamente inscritas na ordem do dia.
Efectivamente, são cada vez mais numerosos os dirigentes políticos dos países desenvolvidos prontos a aceitar que o mercado decida as finalidades e organização da educação. As organizações sindicais (principalmente a Internacional da Educação), as organizações governamentais e o movimento de cidadãos deveriam redobrar seus esforços de oposição a esse roteiro. 7
Tecnologias e progresso
Terceira armadilha: a educação é mostrada como instrumento indispensável à sobrevivência de cada indivíduo e, ao mesmo tempo, de cada país, na era da competitividade mundial. Desse modo, a esfera educacional tende a transformar-se em um "lugar" onde se aprende uma cultura da guerra (cada um por si, conseguir mais do que os outros e o lugar deles) ao invés de ser uma cultura da vida (viver em conjunto com os outros, segundo o interesse geral). As universidades, os poderes públicos, os estudantes, os pais -- e até muitos sindicatos -- têm, de modo geral, aceitado tal cultura. O sistema, dessa forma, é levado a privilegiar a função de seleccionar os melhores -- apesar dos esforços de boa parte dos educadores -- muito mais do que cumprir sua função de valorizar as capacidades específicas de todos os alunos.
Quarta armadilha: a subordinação da educação à tecnologia. Os dirigentes, por acreditarem desde a década de 70 que a tecnologia é o principal motor das mudanças da sociedade, impuseram a tese de sua primazia e da urgência de adaptação a ela. Qualquer que seja seu campo de aplicação (a energia, a comunicação, a saúde, o trabalho), tendem a considerar como inevitável e irresistível qualquer mudança económica e social ligada às novas tecnologias, já que as inovações por elas provocadas são consideradas como contribuição ao progresso do homem e da sociedade.
Rumo à "era do conhecimento"
Para a grande maioria dos dirigentes, a globalização actual é filha do progresso tecnológico. Opor-se a isso é insensato. O principal papel da educação seria, então, dar às novas gerações a capacidade de compreender as mudanças em curso e as ferramentas de adaptação.
Quinta armadilha: o uso do sistema educacional como meio de legitimação das novas formas de divisão social. A acreditar-se no discurso dominante, as economias e as sociedades dos países desenvolvidos passariam da era industrial, fundamentada em recursos materiais e em capitais físicos (terra, energia, aço, cimento, trilhos) para a era do conhecimento, baseada, principalmente, em recursos e capitais não-materiais (os conhecimentos, a informatização, a comunicação, a logística).
O novo proletariado mundial
O conhecimento tornar-se-ia o recurso fundamental da "nova economia", nascida da revolução multimédia, das redes informatizadas, de seus derivados, como o e-comércio, o e-transporte, a e-educação, a e-empresa e o e-trabalhador. 8 Dentro dessa óptica, a empresa é vista como o sujeito e o principal lugar da promoção, da organização, da produção, da valorização e da difusão do "conhecimento que vale".
Promover a difusão do espírito empresarial e a criação de empresas no meio científico e nos estabelecimentos secundários e superior e redinamizar o sistema educacional para transformá-lo em terreno privilegiado da formação das gerações jovens na construção de uma "sociedade de conhecimento" constituem uma das principais receitas das políticas públicas de ensino e pesquisa. Ora, essa receita é posta em prática no momento em que, pelo mundo inteiro, uma nova divisão social instaura-se entre os "qualificados" (que têm acesso ao "conhecimento que vale") e os não-qualificados (que estão excluídos de tal acesso, ou não conseguem preservá-lo). Essa divisão vem agravar as já existentes, que se devem, entre outras razões, às desigualdades de acesso à alfabetização básica. O conhecimento torna-se o principal material de construção de um novo muro (o "muro do conhecimento") entre os recursos humanos nobres (organizados nas novas corporações profissionais planetárias) e os recursos humanos do povo, novo proletariado do capital mundial.
Prioridade é a informática
Certamente não será pela escolha feita pelos chefes de Estado e de governo dos 15 países da União Europeia por ocasião da reunião do Conselho Europeu em Lisboa, 9 em março de 2000, que os europeus se irão libertar dessas cinco armadilhas. A escolha, já traduzida em plano de acção pelo Conselho de Feira, em junho de 2000, consiste em afirmar que a grande prioridade dos próximos quinze anos é a construção da "e-Europa" para que, em 2015, ela se torne a "e-economia" mais competitiva do mundo.
O objectivo primordial dessa finalidade é dar a todos os europeus, desde a escola maternal e primária, o acesso à alfabetização informática para que se tornem uma quantidade de "recursos humanos" capazes de concorrer com os da América do Norte, que já teriam dezoito anos de vantagem. 10
Computador substitui laços afectivos
Neste campo, o consenso é muito grande entre os dirigentes europeus. Não teriam ainda compreendido, depois de vinte anos de políticas a serviço da competitividade, ao sabor do mercado, que nessa lógica há poucos ganhadores -- e isso em todos os campos, inclusive no da educação? Como podem eles ignorar que os Estados Unidos -- o país mais "desenvolvido" do mundo nas tecnologias de informação e da comunicação, de multimédia, Internet etc. -- têm um nível de instrução particularmente deplorável, segundo um estudo da Organização pela Cooperação de Desenvolvimento Económico (OCDE)? 11
Por que fecham os olhos diante do estado miserável da educação de base e às grandes desigualdades sociais que caracterizam actualmente o acesso ao ensino superior na Grã-Bretanha? Como podem ignorar os resultados de anos de pesquisas multidisciplinares sobre o desenvolvimento das crianças, mostrando que elas têm uma necessidade fundamental de laços pessoais profundos com os adultos, e que enfatizar o computador nas escolas, desde a mais tenra idade, pode privá-las desses laços essenciais? 12
A contribuição à vida em comum
Proposições pertinentes e realistas para uma outra política educativa não faltam: há, por exemplo, as anunciadas pela Oxfam Internacional e pela Internacional da Educação, em março de 1999, para "Uma educação pública de qualidade para todos". 13 Aprender a saber dizer bom-dia ao outro representa o ponto de partida decisivo para uma "outra" educação. Isso significa que o sistema educacional confere a si mesmo a função original de ensinar todo cidadão a reconhecer a existência do outro como base fundamental de sua própria existência da vida em conjunto.
Dialogar directamente, de pessoa a pessoa, é aprender que a alteridade é central na história das sociedades humanas, em meio a tensões criadoras e conflituosas, entre a unicidade e a multiplicidade, a universalidade e a especificidade, a globalidade e a localidade. É também aprender a democracia e a vida. É aprender a solidariedade, a capacidade de reconhecer o valor de toda contribuição -- ainda que seja pouco qualificada em relação aos critérios de produtividade e de rentabilidade -- de todo ser humano à vida em comum.
O direito à vida
Ao partir desse princípio geral, uma política da educação centralizada sobre o desenvolvimento, a preservação e a partilha dos "bens comuns" 14 que são os conhecimentos e os saberes, poderia contribuir para um desenvolvimento mundial solidário, no plano económico; eficaz, no plano social e democrático, no plano político. Aplicado à "e- Europa", priorizaria a formação de uma geração de cidadãos possuidores de competências e qualificações que requerem novas lógicas: as da economia social, da economia solidária, da economia local, da economia cooperativa.
Ela também conferiria importância primordial à cooperação com outras comunidades, regiões e povos do mundo para fazer recuar a tendência actual à apropriação privada dos conhecimentos e torná-los disponíveis à promoção de um Estado do bem-estar mundial garantindo a todos o direito à vida.

Publicado por agineotonico às 03:58 PM | Comentários (1)

A agência de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteira decidiu suspender as suas operações no Iraque.

No comunicado tornado público, acusa as diferentes facções envolvidas no conflito no Iraque de terem continuamente demonstrado "desrespeito pela independência das agências humanitárias".

Publicado por agineotonico às 03:34 PM

Haverá uma guerra contra o mundo após 2 de Novembro?

"Há algo surrealista em visitar os Estados Unidos nos últimos dias da campanha presidencial. Se George W. Bush ganhar, segundo um cientista com que me encontrei, o qual escapou da Europa dominada pelos nazis, os EUA entregarão muitos dos seus enfeites democráticos e sucumbirão aos seus impulsos totalitários. Se John Kerry vencer, segundo a maior parte dos eleitores democratas, o único mandato que terá é que ele não é Bush.
(...)
O New York Times, o porta-bandeira liberal do país, tendo-se recuperado de um suave ataque de contrição pela sua falha abjecta em desafiar as mentiras de Bush sobre o Iraque, tem estado a publicar polegadas de coluna sobre o-que-houve-de-errado na 'libertação' daquele país.
Ele culpa erros: equívocos tácticos, falhas de inteligência. Mas nem uma palavra sugere que a invasão foi uma conquista colonial, deliberada como qualquer outra, e que sessenta anos de direito internacional fazem disto 'o supremo crime de guerra', para citar os juizes de Nuremberg. Nem uma palavra sugere que a carnificina americana da população do Iraque foi e é uma atrocidade sistemática, na qual a tortura de prisioneiros em Abu Ghraib foi um simples reflexo
.
(John Pilger)

Haverá uma guerra contra o mundo após 2 de Novembro?
por John Pilger

Há algo surrealista em visitar os Estados Unidos nos últimos dias da campanha presidencial. Se George W. Bush ganhar, segundo um cientista com que me encontrei, o qual escapou da Europa dominada pelos nazis, os EUA entregarão muitos dos seus enfeites democráticos e sucumbirão aos seus impulsos totalitários. Se John Kerry vencer, segundo a maior parte dos eleitores democratas, o único mandato que terá é que ele não é Bush.

Nunca tantas mãos liberais foram tão forçadas sobre um candidato cujas únicas declarações memoráveis é de que aspira ser outro Bush. Veja-se o Irão. Uma das conselheiras de segurança nacional de Kerry, Susan Rice, acusou Bush de 'permanecer de lado enquanto o programa nuclear do Irão avançava'. Não há nem um fragmento de evidência de que o Irão esteja a desenvolver armas nucleares, mas Kerry está a juntar-se ao mesmo frenesim orquestrado que conduziu à invasão do Iraque. Tendo principiado a sua campanha a prometer mais 40 mil soldados para o Iraque, diz-se que ele tem um 'plano secreto para acabar a guerra' o qual prevê uma retirada em quatro anos. Isto é um eco de Richard Nixon, que na campanha presidencial de 1968 prometeu um 'plano secreto' para acabar com a guerra no Vietnam.

Uma vez no gabinete, ele acelerou a carnificina e a guerra arrastou-se por mais seis anos e meio. Para Kerry, tal como para Nixon, a mensagem é que não é um fraco. Nada na sua campanha ou na sua carreira sugere que ele não continuará, e mesmo intensificará, a 'guerra ao terror', a qual é agora santificada como uma cruzada de americanismo tal como aquela contra o comunismo. Nenhum presidente democrata esquivou-se a tal tarefa: John Kennedy na guerra fria, Lyndon Johnson no Vietnam.

Isto representa um grande perigo para todos nós, mas não se permite que nada disto interfira na campanha ou na 'cobertura' dos media. Numa sociedade supostamente livre e aberta, o grau de censura por omissão é estarrecedor. O New York Times, o porta-bandeira liberal do país, tendo-se recuperado de um suave ataque de contrição pela sua falha abjecta em desafiar as mentiras de Bush sobre o Iraque, tem estado a publicar polegadas de coluna sobre o-que-houve-de-errado na 'libertação' daquele país.

Ele culpa erros: equívocos tácticos, falhas de inteligência. Mas nem uma palavra sugere que a invasão foi uma conquista colonial, deliberada como qualquer outra, e que sessenta anos de direito internacional fazem disto 'o supremo crime de guerra', para citar os juizes de Nuremberg. Nem uma palavra sugere que a carnificina americana da população do Iraque foi e é uma atrocidade sistemática, na qual a tortura de prisioneiros em Abu Ghraib foi um simples reflexo.

A atrocidade em curso na cidade de Faluja, na qual tropas britânicas, contra a opinião do povo britânico, vão ser acessórias, é um bom exemplo. Para os políticos e jornalistas americanos -- há umas poucas excepções honrosas -- os US marines estão a preparar-se para mais uma das suas "batalhas". O seu últimos ataque contra Faluja, em Abril, proporcionou uma visão prévia. Tanques de quarenta toneladas e helicópteros armados foram utilizados contra bairros de casebres. Aviões despejaram bombas de 500 libras (226,5 kg), atiradores de elite (snipers) mataram pessoas idosas, mulheres e crianças, ambulâncias foram alvejadas. Os marines fecharam o único hospital numa cidade de 300 mil habitantes durante mais de duas semanas, de modo a que pudessem utilizá-lo como posição militar.

Quando se estimou que eles tivessem abatido 600 pessoas, não houve qualquer desmentido. Isto foi mais do que todas as vítimas das bombas suicidas no ano anterior. Nem tão pouco eles negaram que a sua barbaridade era uma vingança pela morte de quatro mercenários americanos na cidade; conduzidos por cowboys confessos, eles são especialistas em vingança. John Kerry nada disse; os media relataram a atrocidade como 'uma operação militar', contra 'militantes estrangeiros' e 'insurrectos', nunca contra civis e iraquianos a defenderem os seus lares e a sua pátria.

Além disso, o povo americano está quase totalmente inconsciente de que os marines foram expulsos de Faluja através de combate de rua heróicos. Os americanos permanecem inconscientes, também, da pirataria que decorre da aventura assassina do seu governo. Quem na vida pública pergunta o paradeiro dos 18,46 mil milhões de dólares que o Congresso americano aprovou para a reconstrução e a ajuda humanitária ao Iraque?

Como relata a Unicef, a maior parte dos hospitais estão privados até mesmo de analgésicos, e a desnutrição aguda entre crianças duplicou desde a 'libertação'. De facto, menos de 29 milhões de dólares foram atribuídos, a maior parte disto a firmas de segurança britânicas, com os seus criminosos ex-SAS e veteranos do apartheid da África do Sul. Onde está o resto deste dinheiro que deveria estar ajudando a salvar vidas? O não-fraco Kerry não ousa perguntar.

"O MUNDO PERDEU O PETRÓLEO IRAQUIANO"

Nem tão pouco ele ou qualquer pessoa com um perfil público perguntam porque o povo do Iraque foi forçado a pagar, desde a queda de Saddam, quase 80 milhões de dólares aos EUA e à Grã-Bretanha como 'reparações'. Mesmo Israel recebeu uma fortuna incontável em dinheiro do petróleo iraquiano como compensação pelas suas 'perdas de turismo' nas Colinas de Golan -- parte da Síria que ocupa ilegalmente. Quanto ao petróleo, tal palavra é imencionável na competição pelo mais poderoso emprego do mundo. A resistência, na sua campanha de sabotagem económica, tem tido tanto êxito que o oleoduto vital que transporta petróleo para o Mediterrâneo turco foi explodido 37 vezes. Os terminais no sul estão sob ataque constante, fechando efectivamente todas as exportações de petróleo bruto e ameaçando economias nacionais. O facto de que o mundo perdeu o petróleo iraquiano é envolto no mesmo silêncio que assegura aos americanos uma escassa ideia da natureza e da escala da permissividade para derramar sangue dada em seu nome.

O silêncio mais duradouro é o que protege o sistema produtor destes eventos catastróficos. Isto é americanismo, apesar de não ousar dizer o seu nome, o que é estranho pois o seu oposto, o anti-americanismo, tem há muito sido exibido com êxito como uma expressão pejorativa, uma resposta que dá para tudo em análises críticas do sistema imperial e dos seus mitos. O americanismo, a ideologia, tem significado democracia interna, para alguns, e uma guerra à democracia no exterior.

Da Guatemala ao Irão, do Chile à Nicarágua, à luta pela liberdade na África do Sul, nos dias presentes na Venezuela, o terrorismo de Estado americano, licenciado tanto pelas administrações republicanas como democratas, combateu democratas e patrocinou totalitários. A maior parte das sociedades atacadas ou subvertidas de outra forma pelo poder americano são fracas e sem defesa, e há uma lógica nisto. Se um pequeno país tivesse êxito em tornar-se livre e estabelecer o seu próprio caminho de desenvolvimento, então o seu bom exemplo para os outros tornar-se-ia uma ameaça para Washington.

E as graves intenções por trás disto? Madeleine Albright, a secretária de Estado de Bill Clinton, disse certa vez nas Nações Unidas que os EUA tinham direito ao 'uso unilateral do poder' para assegurar 'acesso não inibido a mercados chave, abastecimento de energia e recursos estratégicos'. Ou como Colin Powell, o risível Bushita promovido pelos media a liberal, colocou há mais de uma década: "Quero ser o valentão (bully) do bairro". Os imperialistas da Grã-Bretanha acreditavam exactamente nisso, e ainda acreditam, só que a linguagem é discreta.

É por isso que os povos de todo o mundo, cuja consciência sobre estes assuntos tem-se elevado agudamente nos últimos poucos anos, são 'anti-americanos'. Isto nada tem a ver com as pessoas comuns dos Estados Unidos, que agora observam um capitalismo darwinianos consumir as suas liberdades reais e lendárias e reduzir o 'mercado livre' a uma liquidação em saldos de activos públicos. É notável, se não inspirador, que tantos rejeitem a lavagem cerebral baseada na classe e na raça, principiada na infância, pois sistema baseado numa classe e raça é chamado 'o sonho americano'.

O que acontecerá se o pesadelo no Iraque prosseguir? Talvez aqueles milhões de americanos preocupados, que actualmente estão paralisados pelo desejo de se livrarem de Bush a qualquer preço, se desvencilhem da sua ambivalência, sem se importar com quem vence em 2 de Novembro. Será, então, que despertará um gigante, tal como aconteceu durante a campanha dos direitos civis e a guerra do Vietnam e o grande movimento pelo congelamento de armas nucleares? Devemos confiar em que sim; a alternativa é uma guerra ao mundo.

Publicado por agineotonico às 07:48 AM | Comentários (1)

As alterações no IRS penalizam 24% dos contribuintes

Desmentindo Bagão Félix, que afirmou que as alterações que introduziu no IRS prejudicariam apenas 10% dos portugueses mais ricos e benefíciaria 90%, a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais considera que as alterações no IRS inscritas no Orçamento de Estado vão prejudicar pelo menos 24 por cento dos contribuintes.
Diz ainda este documento que esta previsão de 24% dos contribuintes penalizados é uma previsão optimista, porque a simulação realizada não teve em conta uma série de outras alterações no cálculo do IRS.

Fica a pergunta se Bagão Félix mente conscientemente ou se é um péssimo economista.
Em ambos os casos impor-se-ia a sua demissão do governo.

Publicado por agineotonico às 07:26 AM

Críticos de Santana ausentes do Congresso

Já são quatro as figuras destacadas do PSD que vão faltar ao congresso de Barcelos.
Leonor Beleza anunciou que não vai estar presente, juntando-se assim a Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes e Cavaco Silva.

Publicado por agineotonico às 06:56 AM

novembro 03, 2004

A crise da Europa

"O europeísmo, que na prática reduziu, ao longo destes últimos 20 anos, a tradicional oposição entre a cultura política de direita e de esquerda, está a agonizar. Este europeísmo tinha historicamente um fim positivo: tirar a Europa do atoleiro do nacionalismo pusilânime e convertê-la numa autêntica potência mundial. Actualmente, os cidadãos europeus têm a impressão de que a Europa é uma conjunção desgarrada de interesses contraditórios e um anão político. De facto, as opiniões públicas não perdoam às suas elites que não tenham construído uma Europa unida, mas um complicado patchwork institucional, afastado da sua vida quotidiana. Não se identificam com uma Constituição abstracta, formada por hábeis equilíbrios institucionais potencialmente explosivos. E, sobretudo, não percebem que este texto represente uma garantia para a melhoria da sua vida presente e futura. Este é o verdadeiro problema.
(Sami Naïr)

Por mais que os partidários da Constituição expliquem que com a sua aprovação as coisas irão melhor, os cidadãos cépticos mostram-se frios como o mármore. Esta crise de confiança é o que captou Laurent Fabius, que apesar de tudo é um declarado partidário do social-liberalismo, ou em qualquer caso não é suspeito de manter uma postura hostil para com a Europa. E em consequência, propõe as suas condições, aliás todas elas centradas na questão do emprego e da manutenção de um alto nível de prestações sociais. A verdade é que aí reside a grande debilidade da Europa liberal. É extremamente difícil que um assalariado francês admita que deve renunciar à excepcional qualidade dos seus serviços públicos em benefício dos serviços de interesse geral à americana que a Europa está a instaurar; é inconcebível que um cidadão alemão compreenda que a reforma por baixo do modelo social alemão é inelutável para modernizar a economia do país, etc., etc. A Europa, é necessário repeti-lo a todo o momento, não é um assunto do coração, mas de interesses compartilhados. Deve representar uma melhoria e não uma regressão social para os cidadãos.
Ora bem, as últimas eleições europeias demonstram a gravidade da situação: mais de 60% do eleitorado europeu absteve-se. A subida dos partidos ultranacionalistas é hoje em dia geral em toda a Europa. Isso sim é uma reacção nacionalista provocada pelo temor gerado pelas políticas económicas de Bruxelas. O pacto de estabilidade, cujo preço foi pago com milhões de desempregados nestes últimos anos, aparece hoje como uma arma destruidora entre as mãos das elites financeiras europeias. Nem a França nem a Alemanha podem adaptar as suas normas sem destruir sectores inteiros das suas políticas públicas.
Isto ocorre num contexto em que a Europa não faz nada para assegurar o futuro: não há investimento numa política industrial comum, não há verdadeira estratégia a longo prazo nos sectores da investigação e desenvolvimento, inclusive não há nada para assegurar a identidade militar da União Europeia (entregada à NATO). A política do Banco Central Europeu está estritamente baseada na defesa do euro forte, o que impede competir com o dólar e, sobretudo, cria obstáculos a uma verdadeira política de criação de emprego.
O que é grave é que o projecto de Constituição constitucionaliza esta situação. Por isso é que há crise e rejeição. Seria um terrível erro perceber esta crise de confiança como um retorno ao nacionalismo, uma oposição a outros povos.
Trata se de outra coisa: uma parte cada vez mais importante dos cidadãos europeus tem simplesmente a impressão de que nesta empresa perde mais do que ganha. Pois a governabilidade, a adesão política e o consenso democrático não estão, nas grandes democracias modernas, vinculados a um idealismo do sacrifício, mas à manutenção do nível de vida e das conquistas sociais.
Nada, e sobretudo não o belo ideal europeu, deve justificar o aumento da precariedade, o desemprego estrutural, a privatização dos serviços públicos (educação, previdência, investigação) e a impotência política. A Europa precisa de defensores lúcidos, que compreendam que também deve servir os interesses dos mais débeis, dos mais pobres, e não só apostar pelas finanças. Não integrar a dimensão social na construção europeia, fazer do liberalismo integral o único ideal possível do futuro de Europa, é eleger o possível fracasso da União Europeia. A Constituição europeia corre o risco de ser a sua primeira manifestação.

Publicado por agineotonico às 10:12 PM

Necessidade de respostas alternativas

Mas seria interessante perceber porque se assiste a uma viragem à esquerda nos países da América do Sul.
De facto, enquanto em países Europeus estiveram no poder regimes fascistas, a esquerda tinha um projecto natural que unia esforços na luta pela liberdade.
Assim que as democracias se instalaram, esgotada que estava a ditadura e correspondendo a uma necessidade do poder económico, vendeu-se a ideia de que agora não seria necessário envolvermo-nos em movimentos associativos de cidadãos porque os nossos representantes democraticamente eleitos velariam pelos nossos interesses.
No que a Portugal se refere o abandono foi total.
As gerações que experienciaram a guerra colonial, a repressão, a ausência de liberdade de expressão e de associação, o atraso cultural e científico, depositaram a arma mais importante da democracia: a participação cidadã na defesa dos direitos sociais e humanos. Os mesmos direitos que agora vão sendo destruídos por imposição do poder económico que manda no poder político. As gerações pós 25 de Abril acreditam, talvez, não ser possível voltar a viver-se sem direito à palavra. Acreditam que o caminho é apenas o parlamentar sem que seja necessário envolver-se para além do voto.
A Constituição Europeia, que a direita e o PS de Sócrates apelam ao voto no “sim”, é a confirmação da destruição das democracias europeias que se caracterizavam pelo apoio ao desenvolvimento de políticas sociais igualitárias.
A Europa vota a sua Constituição neoliberal com o apoio dos partidos da alternância.
Bush ganha as eleições nos EUA, mas não é apenas lá que as consequências vão ser demolidoras.
As democracias neoliberais são falsas democracias, são autistas para com os direitos sociais e humanos e tenderão a muscular-se, a tornar-se mais violentas, quando a generalização das desigualdades levantar grande contestação.
Assim como se esgotou, em dado momento, a capacidade para manter regimes fascistas e ditatoriais e se fez recurso à democracia, o poder económico pode considerar que se esgotou o modelo democrático e pode fazer recurso a novos (velhos) modelos repressivos.
São já visíveis alguns passos nesse sentido. A discussão em torno da liberdade de imprensa, da sua concentração nas mãos do poder económico, é um dado a ter em conta.
A privatização de sistemas e bens até hoje públicos, a cultura de massas das televisões e o desinvestimento na educação pública são outros exemplos.
O discurso de que o caminho para onde caminhamos é irreversível e que obriga a que se reequacionem as políticas sociais (leia-se: se acabe com elas), que o desemprego é uma circunstância normal e que normal é também a sua generalização, que os terroristas são, para além dos óbvios, todos os que discordam da posição que se pretende unânime, tem de encontrar respostas alternativas.

Publicado por agineotonico às 10:03 PM | Comentários (1)

QUE DEUS NOS AJUDE!!!

Foi a minha primeira reacção ao tornar-se evidente que Bush ganhara estas eleições.
Parando para reflectir, para além do apelo contido nesta expressão que a idade e a experiência de vida despejou de sentido, acabei por tirar algumas conclusões que voltam a dar algum sentido a esta desmoralização.
Hoje, passados 30 anos sobre o 25 de Abril e no rescaldo das eleições americanas, acredito que a direita soube reformar a sua actuação para conseguir os seus objectivos e que a esquerda não soube manter-se alerta e criar o seu espaço alternativo.
Caímos na esparrela de acreditar que a luta pelos direitos sociais e humanos se resumiria aos processos eleitorais.
Acreditámos ingenuamente que era suficiente delegar nas mãos dos parlamentares as decisões sobre a nossa vida.
Baixámos as guardas e, hoje, desmoralizamos quando não vemos as eleições decidir pelo que nos parece óbvio.
Por isso as eleições passaram a girar em torno de pessoas e não de projectos amplamente discutidos.
Por isso andamos a votar “no mal o menos”, no voto “útil”.
Na Europa assistimos à alternância de partidos no poder, mas não à alteração de fundo das políticas.
Nos Estados Unidos assistimos a uma viragem à direita numa eleições onde se jogava o jogo da alternância.

Publicado por agineotonico às 09:56 PM | Comentários (1)

novembro 02, 2004

O Estado da Florida voltou hoje a dominar as atenções dos norte-americanos devido à denúncia de novas irregularidades eleitorais.

Em West Palm Beach, eleitores dos bairros negros, que tradicionalmente votam no Partido Democrata, queixaram-se de ter recebido telefonemas que os encaminhavam para assembleias de voto inexistentes, ou mesmo a dizer-lhes que não estavam inscritos nas listas eleitorais.
"As nossas linhas telefónicas estão cheias de denúncias" de eleitores, disse a principal responsável eleitoral do condado de Palm Beach, Theresa LePore.
Na semana passada milhares de eleitores norte-americanos que pediram para votar por correspondência afirmaram não ter recebido o material eleitoral necessário.
As autoridades do condado reconheceram que 58.000 boletins de voto dos 127.320 enviados há um mês não chegaram aos destinatários.
Para reduzir os riscos de irregularidades, milhares de observadores e advogados foram colocados na Florida pelos Partidos Democrata e Republicano, por organizações dos direitos cívicos, mas também pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que enviou observadores internacionais.
A presença de observadores não impediu, no entanto, as acusações de fraude, nomeadamente em Riviera Beach, uma periferia pobre de maioria negra a norte de Palm Beach, onde durante as eleições de 2000, 16 por cento dos boletins de voto foram invalidados.

Publicado por agineotonico às 11:37 PM

Observadores da OSCE impedidos entrar nas assembleias de voto


Observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foram impedidos de entrar nas assembleias de voto nos Estados Unidos, indicou hoje um dos três observadores enviados para este país para seguir a eleição presidencial.
"Nós não fomos autorizados a entrar nas assembleias de voto" e a seguir a contagem dos boletins, declarou à agência dinamarquesa Ritzau o deputado Soendergaard da Lista da Unidade (extrema-esquerda) em frente de uma assembleia de voto em Columbus no Estado do Ohio.
"É um problema, pois, embora tenhamos sido convidados oficialmente para seguir estas eleições, não fizeram passar essa mensagem às assembleias de voto", sublinhou, precisando que foi pessoalmente mandado para trás em três das quatro assembleias de voto que quis visitar em Columbus.
"É estranho a arrogância com que nos impedem de seguir o desenrolar do escrutínio", comentou.
Um outro observador dinamarquês, a senhora Carina Christensen (partido conservador), relatou, por seu lado, irregularidades de menor monta em Jacksonville no Estado da Florida.

Publicado por agineotonico às 11:31 PM

Prémio para quem rompe o "muro de silêncio"

A comunicação social norte-americana silencia os planos estratégicos da Casa Branca, para evitar que a opinião pública possa opinar sobre eles.
Um estudo recente da Universidade Estadual de Sonoma (Califórnia) parece confirmar esta teoria. É o novo relatório anual do Project Censored. Há 27 anos, dezenas de estudantes e professores da universidade (foram 200, este ano) dedicam-se a identificar os dez episódios mais importantes cuja informação foi negada à grande maioria dos norte-americanos. Além de apontar as omissões, a universidade premia os profissionais que romperam – quase sempre em jornais, revistas e espaços de internet independentes – o muro de silêncio.

Nos EUA não há, por enquanto, censura estatal à imprensa. O controle é feito pelos próprios monopólios que dominam a comunicação. A existência do projecto revela que ocultar fatos da opinião pública não é exactamente uma novidade no país de Bush. O que mais choca é o que está sendo censurado actualmente. A pesquisa revela que jornais e TVs sonegam aos cidadãos, agora, o direito de se informar (e, portanto, de opinar) sobre os projectos mais importantes executados pela Casa Branca. Para conferir, basta examinar a lista das “Top ten censored stories” – os dez fatos mais ocultados dos cidadãos.
1. Os planos dos neoconservadores para mudar a geopolítica do mundo:
O mandato de Bush foi marcado, desde o início, pela forte presença dos chamados “neoconservadores”, em postos-chaves dos departamentos de Defesa (Forças Armadas) e Estado (relações diplomáticas). Formada no pós-II Guerra, esta corrente crê na violência como “estado natural” da humanidade, e propõe abertamente que os EUA conquistem, por meios militares, o controle de grandes áreas do planeta (em especial o mundo árabe), e a submissão de possíveis adversários. Liderados por figuras como Paul Wolfowitz (subsecretário de Defesa), Richarde Perle e William Kristol, os “neocons” propunham guerras contra o Iraque e o Afeganistão muito antes do 11 de setembro de 2001. Uma das instituições criadas por eles – o Projecto para um novo Século Americano (PNAC, em inglês) falava, já em 2002, na “necessidade de um novo Pearl Harbour.
Após o atentado às torres gémeas, os “neocons” assumiram o controle quase completo sobre a política externa dos EUA. Sua ascensão foi relatada pela agência internacional independente IPS e por The Sunday Herald, Harpers’ Magazine, Mother Jones e Pilger.com, igualmente alternativos. No entanto, diz Peter Phillips, coordenador do Project Censored e professor da Universidade de Sonona: “A maior parte das pessoas neste país estão totalmente desinformadas da existências do PNAC”. Os grandes jornais e redes de TV preferem silenciar sobre eles e seus planos. Este silêncio é crucial para ocultar os verdadeiros objectivos da Casa Branca. Um documento do Project Censored lembra que “a mídia quase não examinou o papel do petróleo na política norte-americana sobre o Iraque e Golfo Pérsico, e a cobertura que houve tendeu a ridicularizar ou esconder a ideia de que a guerra tinha algo a ver com esta riqueza”.
2. As ameaças às liberdades civis:
O atentados do 11 de setembro permitiram também que a Casa Branca apresentasse ao Congresso leis claramente atentatórias aos direitos e liberdades individuais. No final de 2001, começou a tramitar o Patriot Act, complementado no início deste ano pelo Patriot Act II. Suas implicações são enormes. “Segundo a secção 501 [do Patriot Act], um cidadão norte-americano pode, ainda que não pratique actos ilegais, detido na rua ou em casa, e submetido a tribunal militar sem notificação a um advogado, à imprensa ou à família”, diz o relatório do Project Censored.
As leis propostas por Washington foram fartamente noticiadas pela imprensa -- mas os dispositivos que ameaçam as liberdades civis continuam ocultos. Mais uma vez, as excepções vieram quase apenas do universo da imprensa crítica: Global Outlook, Rense.com, PublicIntegrity.org. Entre a mídia comercial, houve alguma cobertura em Tampa Tribune e Baltimore Sun.
3. O sumiço de 8 mil páginas de um relatório iraquiano à ONU:
Apoiado em sua presença no Conselho de Segurança e em seu poder político, o governo norte-americano suprimiu a maior parte (8 mil páginas de um total de 11,8 mil) de um relatório submetido à ONU, no ano passado, pelo governo iraquiano. Os capítulos extirpados referiam-se ao período em que Washington colaborava com Saddam Hussein, na guerra do Iraque contra o Irão. Descreviam em detalhes como os EUA, naquele período, abasteceram Bagdad com armas químicas e biológicas, e construíram depósitos para elas. Além da própria Casa Branca, o relatório implicava grandes corporações, como Bechtel, Eastman Kodak e Dupont. Apenas duas pequenas (porém bravas) publicações cobriram o fato: Democracy Now e The Humanist and ArtVoice. O jornalismo comercial silenciou mais uma vez.
4. O plano de Donald Rumsfeld para provocar terroristas:
Em outubro de 2002, o repórter Chris Floyd contou, no sítio alternativo Counterpunch, a história dos destacamentos militares secretos que o Pentágono, sob direcção do secretário Donald Rumsfeld, estava espalhando pelo mundo. “Os grupos foram apelidados ‘Pee-Twos’ (‘Pro-active, Preemptive Operations Groups’), e encarregados de desempenhar missões secretas destinadas a ‘estimular reacções’ entre grupos terroristas, provocando-os a cometer actos violentos capazes de expô-los a ‘contra-ataques’ norte-americanos”, escreveu Floyd. Ele mesmo concluiu: se o plano der certo, “os Pee-Twos poderão ser usados sempre que o regime desejar acrescentar um território rico em petróleo, ou uma nova base militar ao portfólio do Império”. Apesar do apetite da mídia por tudo o que possa provocar medo em relação aos terroristas, a notícia não repercutiu nos “grandes” jornais. “É fácil entender o silêncio, quando se observa a ambiguidade moral da mídia – em especial no que se refere a possível cumplicidade dos EUA com crimes e assassinatos”, afirmou Floyd.
5. O ataque aos direitos dos trabalhadores e aos sindicatos:
Sempre na esteira da “segurança nacional”, e sempre em aliança com as grandes corporações, o governo Bush serviu-se de velhas leis para limitar a actividade sindical. Em outubro de 2002 deu-se o caso mais importantes. Uma longa e poderosa greve de estivadores da Costa Oeste foi interrompida por coerção judiciária, solicitada pela Casa Branca. Os ataques à acção sindical estão se multiplicando mas a mídia cala-se, relata o Project Censored. Como excepção, o estudo citou quatro reportagens que relataram, nos últimos doze meses, os ataques ao mundo do trabalho. Lee Sustar, autor de um dos textos citados, denuncia: “Há vinte anos, todo jornal tinha um repórter especializado em trabalho, atento a todos os fatos. Hoje, há apenas cobertura a partir do lado patronal”.
6. A tentativa de oligopolizar os serviços de internet:
Uma das principais características da internet – a multiplicidade de provedores de acesso, que praticamente impede o controle da rede – está sob ameaça, nos EUA e em outros países. Graças a seu poder económico, e a medidas desregulamentadoras adoptadas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC, em inglês), as grandes corporações telefónicas estão exercendo concorrência desleal sobre pequenos provedores e levando-os à falência. O repórter Arthur Stamoulis mostrou, no pequeno Dollars and Sense, que a formação deste oligopólio é uma ameaça ao jornalismo independente que floresceu nos últimos anos, em parte graças à net. Nenhum jornal ou TV comercial interessou-se por ele pelo tema. Ele permanece ignorado, num país em que dezenas de milhões de pessoas estão conectadas à rede.
7. A sabotagem, pelos EUA, de tratados e comissões internacionais:
Empenhados em construir uma ordem internacional em que nada possa se opor a seu próprio poder, os EUA estão trabalhando activamente para sabotar tratados internacionais (entre eles, o Protocolo de Quioto, o Tratado de Proibição das Minas Terrestres e o Tratado de Não-proliferação da Armas Nucleares). Além disso, sua diplomacia elefantina paralisou o trabalho de comissões da ONU, como a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), de onde foi defenestrado o brasileiro José Bustami. Apenas quatro publicações independentes trataram do assunto. A mídia comercial protegeu a Casa Branca.
8. O uso ininterrupto de armas de urânio empobrecido:
Os índices de incidência de câncer explodiram no Iraque, a partir da primeira Guerra do Golfo, em 1991. Forças norte-americanas e britânicas usaram naquele conflito munições com urânio empobrecido. Elas ajudam a derreter a blindagem dos tanques. Depois penetram no solo, contaminam as fontes de água e as lavouras, são ingeridas pelo homem e... matam outra vez! Os EUA têm usado costumeiramente tais armas: duas vezes no Iraque, mas também no Afeganistão, em Kosovo, na Bósnia. Apenas três publicações contaram a história: duas independentes (The Sunday Herald e Children of War) e a revista pornô Hustler. Os jornalões não tiveram a decência de seguir seu exemplo.
9. O naufrágio do Afeganistão:
Quatro jornais independentes (The Nation, Left Turn e Mother Jones), mais um do “mainstream” (Toronto Star) visitaram o Afeganistão recentemente. Constataram os resultados da invasão norte-americana: aumento da pobreza, manutenção do poder dos senhores da guerra, repressão contínua contra as mulheres. Excepto por estes casos isolados, contudo, relata o Project Censored, o país “saiu das telas de radar da imprensa norte-americana”. Reese Erlich, que esteve durante três meses em Kabul e outras cidades, conta: “os repórteres não vão ao Afeganistão. Procuram os funcionários do Departamento de Estado, para que tudo flua através de lentes cor-de-rosa e a opinião pública se tranquilize, imaginando que as coisas estão melhores. Mas elas não estão”...
10. A recolonização da África:
Em junho de 2002, os oito países mais ricos do planeta lançaram a chamada Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (Nepad, em inglês). Por trás do nome grandiloquente há uma surpresa (parceria com quem, se nenhuma nação africana foi convidada para ajudar a dirigir o esforço?) e uma suspeita. Após examinar as matérias publicadas por quatro publicações independente (Left Turn, Briarpatch e New Internationalist”), os responsáveis pelo Project Censored concluem: “O Nepad assemelha-se ao Plano Colômbia, em sua tentativa de empregar técnicas de desenvolvimento ocidentais para oferecer oportunidades de lucro a investidores internacionais”, diz. Também aqui, o jornalismo comercial passou em branco.

Publicado por agineotonico às 09:25 PM | Comentários (1)

Discutir a imprensa alternativa

A revista "In These Times" procura caminho para a consolidação de um jornalismo crítico, independente e confiável.
Studs Terkel considera que o papel da imprensa independente não é apenas "ser dissidente”, é ser capaz de promover uma reviravolta na opinião pública.
Por seu lado, Norman Solomon, que tem participado nos "Fórum Social Mundial", diz que para fortalecer a imprensa alternativa é preciso que fundações de orientação progressista apoiem financeiramente os novos projectos de jornais e revistas.
Susan Douglas, colunista de In These Times, desabafa que o que é mais frustrante é que apesar de haver colunistas, como Krugman no The New York Times, progressistas que têm algo a dizer sobre o Iraque, por exemplo, não conseguem espaço nos programas políticos de TV e rádio, porque todos eles são dominados pelo que chama de "neandertais racistas, homofóbicos, direitistas e sexistas".

Publicado por agineotonico às 03:42 PM

Pós - Neoliberalismo

"Estamos, de facto, diante de grandes desafios e possibilidades em termos de radicalização da democracia como alternativa ao neoliberalismo. Para isto, precisamos aprofundar o debate sobre as oportunidades que tendem a surgir em todo mundo, com a ampliação das mobilizações sociais e o desgaste acelerado das políticas que se baseiam na desigualdade, na subordinação das sociedades aos mercados, no esvaziamento da democracia e na guerra. O processo do Fórum Social Mundial já nos deu uma base rica e inovadora: a ideia da transformação social e a valorização da ampla diversidade do que somos como seres humanos, depositários de direitos iguais de cidadania, e como sujeitos históricos capazes de construir outro mundo".

Pós - Neoliberalismo

Alternativas estratégicas para o desenvolvimento humano democrático e sustentável

Ciclo de Seminários Internacionais
1. Justificativa

O contexto mundial é, sem dúvida, de crise e exacerbação das contradições da globalização econômico-financeira impulsionada pelas políticas do Consenso de Washington e legitimada pelo neoliberalismo. Nele avança o unilateralismo do Governo dos EUA, usando todo o seu poder imperial para montar uma ordem mundial que preserve a posição de domínio dos interesses das grandes corporações, mesmo ao custo de alimentar uma lógica destrutiva de terror e guerra. Mas o contexto é, também, de esperança e sonho de liberdade e dignidade humanas, de paz, de todos os direitos humanos para todos os seres humanos, num poderoso movimento de cidadania de dimensões planetárias, que se expande com novo vigor. As iniciativas e mobilizações da sociedade civil se multiplicam pelo mundo e encontraram no espaço do Fórum Social Mundial uma forma de convergir e exprimir sua vontade de mudar a situação, acreditando que outro mundo é possível. Tal despertar da cidadania e, sobretudo, a força de sua diversidade num internacionalismo de novo tipo, já pode comemorar uma vitória moral e ética sobre o neoliberalismo. Esta é uma fundamental condição para conquistar corações e mentes e tornar-se poderoso movimento de transformação social.

Estamos, de fato, diante de grandes desafios e possibilidades em termos de radicalização da democracia como alternativa ao neoliberalismo. Para isto, precisamos aprofundar o debate sobre as oportunidades que tendem a surgir em todo mundo, com a ampliação das mobilizações sociais e o desgaste acelerado das políticas que se baseiam na desigualdade, na subordinação das sociedades aos mercados, no esvaziamento da democracia e na guerra. O processo do Fórum Social Mundial já nos deu uma base rica e inovadora: a idéia da transformação social e a valorização da ampla diversidade do que somos como seres humanos, depositários de direitos iguais de cidadania, e como sujeitos históricos capazes de construir outro mundo.

O Fórum Social Mundial, dado o seu potencial, criou um enorme desafio para a cidadania. Como espaço de pensar a ação e para a ação transformadora, o método gestado pelo Fórum Social Mundial aponta para o desafio de ir além do encontro, da descoberta da diversidade. Ele precisa tornar-se a base de um processo virtuoso de construção coletiva de pensamento estratégico. Trata-se de um mergulhar nas questões suscitadas pela prática dos movimentos sociais, organizações civis, redes e campanhas, extraindo delas as alternativas estratégicas portadoras de futuro, em diversidade de soluções. Assim, pela análise sistemática, pelo debate, pela difusão, breve, pela teorização e ressignificação política, num processo sucessivo e cumulativo, elaboram-se convergências e divergências que alimentam a luta e a busca de modelos de desenvolvimento democrático possíveis e desejáveis em termos históricos. O desafio é fortalecer a própria cidadania ativa em termos planetários com a criação de momentos e espaços de uma mais sistemática produção coletiva de pensamento alternativo.

A presente iniciativa de organizar um “ciclo de seminários internacionais” é uma resposta ao desafio apontado. Visa criar as bases de um processo de reflexão coletiva continuado e sistemático, no interior e no espírito do Fórum Social Mundial, sobre as alternativas estratégicas de desenvolvimento econômico, político e cultural, que atenda aos imperativos éticos da universalização da cidadania e da sustentabilidade na relação com a natureza. Para isto, uma condição metodológica se impõe desde o princípio. No dizer de Boaventura Souza Santos, é fundamental que tal iniciativa pratique a tradução entre a diversidade de sujeitos sociais envolvidos. Em termos diretos e simples, trata-se de traduzir os modos de ver, analisar, as práticas de luta e as propostas que animam os diferentes, tanto entre movimentos sociais, organizações e redes de um mesmo segmento social, como entre segmentos diversos. A prática da tradução pode permitir a elaboração de um novo pensamento estratégico sobre o desenvolvimento e da democracia como sua base. Nisto, ganha o próprio Fórum Social Mundial, que pode tornar-se referência para a superação de um déficit analítico e propositivo legado pelo desmonte de utopias e teorias, praticado pelo neoliberalismo.

2. Objetivos

A partir do reconhecimento da diversidade de sujeitos e situações, criar condições teóricas, políticas, metodológicas e operacionais para a produção coletiva, sistemática e cumulativa de pensamento estratégico sobre modelos de desenvolvimento humano democrático e sustentável.

Fortalecer a capacidade propositiva e de incidência dos diferentes sujeitos sociais que se engajam, a nível mundial, na busca de alternativas à globalização neoliberal.

Contribuir para consolidar o processo do próprio Fórum Social Mundial com espaço em que a diversidade de sujeitos sociais se confronta, elaborando convergências e divergências e forjando uma cidadania de dimensões planetárias, portadora de utopias e de transformação social.

3. Estrutura Básica

A proposta do ciclo de seminários sobre alternativas estratégicas no pós-neoliberalismo parte do reconhecimento de que o desenvolvimento a ser buscado necessariamente deve ser de promoção de todos os direitos humanos a todos os seres humanos, na diversidade de suas situações e culturas. Devem ser modelos assentados na participação cidadã, tendo a democracia como referência e proposta e a sustentabilidade como condição necessária.

Com base em tal referência, propõe-se que o processo de análise e reflexão visando a produção de alternativas estratégicas contemple três dimensões articuladas da problemática, que se diferenciam prática e teoricamente, mas se condensam em uma síntese onde uma não existe sem a outra, formando um todo coerente e definidor de modelos de desenvolvimento possíveis e desejáveis:

A participação cidadã e a regulação política estatal como fundamento e modo de fazer o desenvolvimento humano democrático e sustentável. O desenvolvimento não depende só do mercado, da lei do mais forte, mais eficiente, mais produtivo em termos econômicos. O desenvolvimento é, antes de tudo, um projeto. Trata-se de definir o que queremos para nós e nossos filhos e filhas, pactuar entre nós mesmos, concertar o tipo de sociedade, economia e Estado que queremos. Estamos diante de uma verdadeira revolução de prioridades no fazer ao aceitar que o fundamento do desenvolvimento só pode ser a cidadania. Aí cabe pensar o tipo de Estado, em sua institucionalidade democrática, concepções e políticas, como agente regulador do desenvolvimento, que importa para a cidadania ativa. Cabe, também, pensar os “invisíveis”, os excluídos, os sem poder de cidadania, buscando formas de sua inclusão, tornando-os sujeitos ativos da mudança da lógica que os exclui.

Um modo de produção e consumo com acesso democrático aos bens coletivos e aos recursos e riquezas produtivas. Precisamos de uma definição de prioridades de investimento, de democratização no acesso a recursos produtivos, de desenvolvimento e difusão tecnológica, de políticas distributivas, que funcionem como verdadeiros indutores do desenvolvimento virtuoso com inclusão e distribuição de renda. A economia não pode mais crescer contra a população das sociedades concretas, saqueando as suas próprias riquezas naturais. Trata-se de negar as prioridades econômicas definidas em si mesmas, incorporando parâmetros éticos e de solidariedade ao lado da eficiência e produtividade como bases de uma economia democrática e sustentável. Novamente, a participação política, contando com o empoderamento dos até aqui excluídos, é condição para pensar um novo modo de produção e distribuição das riquezas, como elemento fundamental de uma agenda para o pós-neoliberalismo no mundo.

Uma inserção soberana nas relações internacionais. Outro vetor na elaboração de alternativas estratégicas para a radicalização da democracia é redefinir o modo de inclusão das diferentes sociedades no mundo. Aqui devemos ser radicais na busca de formas de libertar as economias, os Estados, as sociedades, enfim, da ditadura dos mercados mundiais, especialmente do fluxo de capitais em busca exclusiva de sua própria valorização, destruindo e dominando a tudo e a todos. A inclusão econômica an ordem mundial deve obedecer a uma lógica política, regulada, concertada, de respeitos aos diferentes povos e suas culturas. Não se trata de hegemonias, mas de relações históricas, possibilidades e expectativas, com base no ascendente movimento de cidadania planetária, forjador de diversidade e multipolaridade em termos de ordem mundial. Isto implica em pensar, sim, em formas de governança mundial, em interdependências, em afirmação de soberania dos diferentes povos com condicionalidades concertadas, em um sistema multilateral democrático e sustentável. Mais além do que o acesso aos mercados, trata-se de priorizar a garantia de um sistema mundial em que todos os direitos humanos alcancem todos os seres humanos. A agenda humana mundial, acima da agenda econômica e dos mercados para as grandes corporações.

Procedimentos Metodológicos
A concepção básica é de seminários na forma de debates, precedidos de elaboração prévia e seguidos de divulgação ampla e nova elaboração, com inclusão de novos elementos e novas perspectivas. Tudo conduzido no sentido de um aprofundamento e sistematização de temáticas a partir do processo do Fórum Social Mundial e, ao mesmo tempo, como uma forma de fortalecimento da capacidade de diálogo interno entre os diversos sujeitos e de sua incidência no debate público. Cada ciclo é concebido em função das possibilidades do próprio processo do Fórum, seus eventos regionais, locais, temáticos e o próprio evento mundial, sendo o próximo em Mumbai, na Índia, de 16 a 21 de janeiro de 2004.
Em termos metodológicos o procedimento é o seguinte: cada ciclo produzirá seus documentos básicos ainda na fase de sua preparação que, uma vez debatidos e reformulados na realização do seminário propriamente dito, servirão de subsídios ao seguinte, ao qual se soma nova elaboração, para novo debate e assim sucessivamente, acumulando e socializando um pensamento que ganha em densidade e qualidade na media em que o processo dos seminários avança. Cada seminário não se esgota em si mesmo, mas lança pontes para o seguinte. Cada novo encontro não começa da estaca zero. Ao mesmo tempo, num mesmo ciclo, as três dimensões em que se estruturam os seminários serão trabalhadas de forma convergente, impondo-se mutuamente a necessidade de construção articulada de visões e alternativas. Além disto, acompanhando o processo do Fórum, o ciclo se deslocará para diferentes situações, implicando na incorporação ao diálogo e debate de novos e diferentes atores, requalificando, complexificando e diversificando a própria elaboração de alternativas estratégicas de desenvolvimento humano democrático e sustentável.
Uma tal produção supõe uma animação permanente, sendo indispensável contar com um responsável por cada uma das dimensões em que se estrutura o ciclo. Para cada seminário, serão identificadas dimensões específicas a elaborar e debater. Pessoas qualificadas ligadas aos movimentos e organizações da sociedade civil serão convidadas a elaborar os documentos, que serão distribuídos previamente. As sessões de debate serão centradas em tais documentos. A cada novo seminário, novos documentos serão produzidos e novas pessoas agregadas, criando um núcleo estruturado de reflexão e troca sistemática da dimensão na medida em que o ciclo avança. Os seminários serão abertos a quem estiver interessado, visando a imediata socialização da produção, no processo mesmo em que se realiza.
A essência da proposta é um conjunto de seminários articulados entre si, dedicados ao debate de alguns temas muito centrais para a proposição de um mundo novo, mas que incorporam sabores locais e regionais, de onde se realizam, permitindo que a eles se juntem todas e todos, movimentos e organizações, redes e campanhas, interessados e que estão concretamente trabalhando em torno à problemática. O trabalho prévio de mobilização e de reflexão é indispensável. Para isto é fundamental a ampla divulgação de documentos. A proposta é que o portal Porto Alegre 2003 seja o veículo de referência. Documentos sistematizados podem eventualmente ser publicados e vir a servir de subsídios de formação.
Todo o procedimento aqui proposto visa dar concretude à opção metodológica de produzir “traduzindo” o pensamento estratégico entre os diferentes sujeitos envolvidos. A viabilidade depende de um grupo de referência que atravessa todo o ciclo de seminários, funcionando como animação e coordenação ao mesmo tempo.

Equipe Responsável pela Animação

Coordenação geral: Cândido Grzybowski – Ibase – Rio de Janeiro

Coordenação executiva: Moema Miranda(Ibase) e Antônio Martins (ATTAC e Portal Porto Alegre 2003.)

Animadores de seminários: (a definir)

Conselho Político: Ibase, Portal, ATTAC, Rosa Luxemburgo, Boaventura Souza Santos, Del Royo, Hutard ........

Apoio de secretaria: ( a definir)

Produção dos Seminários
Para cada seminário, serão convidadas duas pessoas por dimensão em que se estrutura o ciclo para produzir os documentos básicos. A escolha se fará levando em conta a necessidade de uma elaboração e diálogo a partir da especificidade local e regional em que se realiza cada ciclo e da necessária internacionalização do processo. Portanto, sempre se combinará o local com o mundial. Além disto, vai ser buscada a expressão da diversidade. Isto poderá ser melhor garantido pela identificação de debatedores e debatedoras a quem se pedirá uma preparação prévia de questões, facilitando o debate. Cabe aos animadores a mediação de todo o processo, bem como a sistematização e memória.

Iª Etapa: - do Ciclo de Seminários (com Base no Processo do Fórum Social Mundial) (6 meses) 01.08.03 a 30.01.03

1º Ciclo: Fórum Social Brasileiro, Belo Horizonte, novembro de 2003

2º Ciclo: IV Fórum Social Mundial, Mumbai/Índia, janeiro de 2004

Publicado por agineotonico às 03:30 PM

A estratégia dos chacais

Como os governos e as transnacionais britânicas estão “ajudando” a privatizar a água na África do Sul, e a torná-la inacessível aos pobres.
Alguns países africanos têm tão pouco dinheiro que é quase impossível disponibilizar água tratada para todos seus habitantes. Mas não a África do Sul. Quando o assunto é poder de compra, o país figura como a 21a maior economia do mundo. É também uma das mais desiguais. Se estivesse disposta a cutucar os ricos e subsidiar os pobres, a África do Sul poderia disponibilizar água o bastante para sua toda população. Mas essa é uma “política de não-mercado”, e, portanto, fora de discussão.
O problema para qualquer governo que tente tocar seus serviços a partir dos princípios do livre mercado é que algumas pessoas não têm como pagar. Isso significa que, para que o serviço seja cortado, você deve enviar homens às suas casas. Na áfrica do Sul, onde as pessoas estão cientes de seus direitos, isso significa confrontos e tumultos.
Isso acabou levando o Conselho da Cidade de Johanesburgo (que estabeleceu uma parceria público-privada com a empresa britânica Northumbriam Water e sua matriz, a francesa Suez) a encontrar uma maneira mais fácil de tratar do assunto: Em vez de desligar os serviços das pessoas, você as força a desligá-los elas mesmas. Ao longo do último ano, o conselho instalou hidrômetros pré-pagos em dois dos distritos mais pobres de Johanesburgo: Orange Farm e Phiri. Foram escolhidos pelo motivo óbvio de contarem com a maior proporção de gente sem meios para pagar
.
Isso é feito com o total conhecimento de suas conseqüências. Hidrômetros pré-pagos foram instalados pela primeira vez em Madlebe, em Kwazulu Natal, em 2000. Aqueles que não tinham dinheiro foram forçados a captar sua água a partir dos rios. A inevitável epidemia de cólera infectou mais de 100.000 pessoas, matando 260. O esquema do hidrômetro foi deixado de lado.

Publicado por agineotonico às 03:18 PM

Autor de filme é morto

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Theo Van Gogh, director de cinema holandês que fez um filme sobre a violência contra as mulheres nas sociedades islâmicas, foi morto a tiro em Amsterdão.
Van Gogh recebeu numerosas ameaças de morte depois do filme, chamado Submission, ter sido transmitido pela TV holandesa no início do ano.
Van Gogh, de 47 anos, era parente do famoso pintor holandês Vincent Van Gogh.

Publicado por agineotonico às 02:29 PM | Comentários (1)

Nobel da Paz processa Estados Unidos


A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, a iraniana Shirin Ebadi, está a processar os Estados Unidos por ter impedido a publicação do seu último livro no país.

Publicado por agineotonico às 02:16 PM

Extracção dentária compromete a memória


Um estudo sueco que será apresentado em Estocolmo diz que quando um dentista nos extrai um dente, pode estar "arrancando" também parte da nossa memória.
Jan Bergdahl, um dos autores do estudo, afirma que os dentes parecem ter uma relação importante com a memória.

Publicado por agineotonico às 01:58 PM

novembro 01, 2004

auá-guajá

Os auás-guajás são uns dos últimos povos nómadas do Brasil e correm risco de entrar em extinção.

aua-guaja.jpg
(auá-guajá com o filho no colo)

Publicado por agineotonico às 10:00 PM

Vacina não comparticipada

Apesar de ser considerada uma doença benigna, em 10% dos casos a varicela pode ter complicações graves, quer nas crianças quer nos adultos. Na verdade continuam a ocorrer mortes devido a esta doença que tem um impacto significativo na comunidade e custos sociais e económicos expressivos.
Enquanto os especialistas estão empenhados em definir estratégias de prevenção da doença, a vacina não é comparticipada pelo Estado e o seu preço ronda os 50 euros.

Os cortes do governo no orçamento da saúde levou-nos ao desfasamento entre o mercado privado e o sector público nesta área da prevenção da saúde pública.

Publicado por agineotonico às 09:40 PM

Demolição em Lisboa


Em Lisboa, a recuperação e reabilitação de edifícios vê canalizados apenas 5% do investimento da Câmara. Nas capitais europeias o investimento é de 35%.
Estas afirmações são feitas por António Mega Ferreira (Visão 604) num artigo sobre a aprovação, pela Câmara Municipal de Lisboa, da demolição da casa de Garrett.

Publicado por agineotonico às 09:31 PM