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novembro 26, 2004

Células estaminais no combate à leucemia


O New England Journal of Medicine publicou um estudo sobre a utilização de células estaminais, obtidas de cordão umbilical de bebés recém nascidos, para tratamento de doentes com leucemia. Segundo o estudo, estas células estaminais são uma opção viável e eficiente para muitos doentes que não conseguem dadores compatíveis.

Uma nova técnica, de transplante de células estaminais foi desenvolvida por médicos espanhóis para ser aplicada no tratamento de tumores.

Publicado por agineotonico às 04:12 PM | Comentários (3)

Clonagem: grande divisão na ONU

A Assembleia Geral das Nações Unidas votou, em 2003, a autorização para investigar células estaminais, depois deste assunto ter sido aprovado por uma curta margem no mês anterior - 80 votos a favor, 79 contra e 15 abstenções.
O Governo norte-americano fez pressão para que o assunto fosse de novo votado, na esperança de que a ONU impedisse a investigação a nível global. Enquanto a comunidade internacional está de acordo sobre a interdição da clonagem humana reprodutiva, a divisão em relação à clonagem terapêutica é muito acentuada.
Os Estados Unidos quiseram angariar apoio de cerca de uma centena de países para proibir as duas práticas, mas o que acabou por ficar decido foi que tinha de se chegar a um consenso para que a votação da ONU pudesse ser aplicada.

De novo este ano, no dia 19 de Novembro foi, felizmente, chumbada a proposta da Costa Rica que visava proibir toda e qualquer técnica de clonagem. Esta proposta foi subscrita por Portugal, Estados Unidos e vários países subdesenvolvidos. O Conselho dos Laboratórios Associados fez sair um comunicado chamando a atenção para a obrigatoriedade de consulta aos especialistas nacionais e a organismos internacionais independentes ... o que não aconteceu no nosso país.

Publicado por agineotonico às 03:44 PM | Comentários (1)

Erros de pessoal de enfermagem nos Hospitais


Um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia fez uma descrição detalhada sobre a natureza e prevalência dos erros cometidos pelo pessoal de enfermagem nos hospitais.

Study provides the first detailed description of errors by hospital staff nurses
Posted By: News-Medical in Medical Study News
Published: Saturday, 20-Nov-2004

A University of Pennsylvania School of Nursing study provides the first detailed description of the nature and prevalence of errors by hospital staff nurses.
During a 28-day period, 393 registered nurses kept a detailed journal of their errors and prevented errors, referred to as near-errors. Thirty percent of the nurses reported at least one error during the 28-day period, and 33 percent reported a near-error. Although the majority of errors and near-errors were medication-related, the nurses also reported a number of procedural, transcription and charting errors.

"Given the prevalence of other types of errors, an exclusive focus on medication administration errors, often a typical practice, may miss many important and potentially hazardous situations," said Ann E. Rogers, an associate professor in Penn's School of Nursing.

The findings are presented this month in the journal Applied Nursing Research and are derived from a previous study that examined staff nurse fatigue and patient safety.

"Although nurses pride themselves on being able to juggle multiple tasks at once, too many distractions from multiple sources make errors inevitable," Rogers said. "Other reports have shown that a nurse may be interrupted, on average, at least 19 times during a three-hour period by at least 13 different types of sources." Approximately 33 percent of actual medication errors were because of late administration of drugs to patients, which in some cases was due to inadequate numbers of nurses on duty. In one example, a nurse reported a 90-minute delay in giving medications to one patient and a 40-minute delay to another because she could not leave the bedside of a third unstable patient. As hospitalized patients become more ill, with complex care requirements, and the nursing shortage intensifies, such situations may become more common.

Other errors can be attributed to workplace distractions. According to the participants in the study, frequent interruptions from staff, students or even the telephone made administering medications and carrying out other patient-care activities challenging.

Procedural errors, such as omitting a routine task or making charting and transcription errors often arise from garbled communication within the immediate work area. While it might be impossible to avoid all distractions, the use of technology such as bar code medication administration systems and paperless charting systems have been shown to reduce errors. But such technologies are not widely used and are not user friendly.

The study itself demonstrates that nurses will report errors when they feel safe and when the reporting system is not burdensome. According to Rogers, it is important to acknowledge the vigilance and astuteness that led to the nurses catching many of their own errors before they reached the patient.

Michele C. Balas, a Penn Nursing doctoral student, and Linda D. Scott, an associate professor from Grand Valley State University, co-authored the study. Funding was provided by the Agency for Healthcare Research and Quality.

Publicado por agineotonico às 03:20 PM

novembro 25, 2004

Défice


Bagão Félix como bom pai de família, trata o orçamento de Estado como se trata um filho - "encaminhando-o".
"Temos tudo encaminhado para ter um défice de 2,9%», disse Bagão Félix, presente em Lisboa num debate promovido pela Associação Cristã de Empresários e Gestores".

Encaminhando-o através do reforço "positivo", sem penalizações e com compreensão para quem não paga os seus impostos: "A receita fiscal para 2005 foi estimada com muita prudência. Era fácil diminuir as receitas extraordinárias, empolando artificialmente a cobrança de impostos (...) Se houver mais cobrança fiscal do que a prevista no orçamento não será usada para financiar mais despesas", sossega Bagão Félix.

Bagão Félix acrescenta ainda que dos 4 critérios inicialmente previstos para aceder às contas bancárias, apenas dois serão levados a Parlamento para apreciação: "a existência e índices de pratica de crimes em matéria tributária e a existência de factos completamente identificados e indicadores da falta de veracidade do declarado". Os outros dois, acesso "às contas bancárias dos contribuintes com dívidas ao fisco e nos casos em que se revelasse impossível comprovar e quantificar a matéria tributável", serão excluídos como motivos.

Publicado por agineotonico às 07:18 AM | Comentários (1)

Santana promove remodelação governamental surpresa

Não é preciso assustarem-se ... trata-se apenas de mudá-los de cadeira. Eles são muito bons e versáteis.

"Não há saída de ministros, mas sim uma troca de ministérios. Morais Sarmento passa a ministro dos Assuntos Parlamentares (acumulando com a Presidência). Rui Gomes da Silva é o novo ministro-Adjunto do primeiro ministro. E Henrique Chaves é designado ministro da Juventude e Desporto".
(Diário Digital)

Santana Lopes adianta ainda que é apenas um ajuste de funções e que era necessário pôr um resguardo em Gomes da Silva.
(Diário Digital)

Parece que foi o Presidente que lhe sugeriu o resguardo para Gomes da Silva: "o chefe de Estado nunca pediu formalmente a demissão de Gomes da Silva nem o podia fazer, uma vez que, caso Santana Lopes recuasse, Sampaio teria de fazer uma avaliação sobre o regular funcionamento das instituições o que levaria, em última análise, à dissolução parlamentar".


Publicado por agineotonico às 07:08 AM

Tribunal autoriza reinício do túnel do Marquês


"O Supremo Tribunal Administrativo deu ontem razão ao recurso apresentado pela Câmara de Lisboa para que as obras do túnel do Marquês possam recomeçar".
(DN)

Publicado por agineotonico às 07:05 AM | Comentários (1)

novembro 24, 2004

Os mais vulneráveis

sofrimentocrianca.jpg
(Anja Niedringhaus)

Centenas de milhar de crianças iraquianas sofrem de diarreia e má nutrição. As crianças pequenas são as mais vulneráveis.

Publicado por agineotonico às 11:10 PM | Comentários (1)

Código aberto e Software livre


"Entre a comunidade de software, ciente de que código aberto e software livre significam praticamente as mesmas recomendações, dizer um ou outro na verdade significa tomar partido de um determinado grupo e de uma certa inclinação política. Para quem acha que, além da eficiência e da estabilidade de certos programas, é preciso construir alternativas mais justas de distribuição da produção e do conhecimento, o termo software livre parece ser a melhor opção".
(Rafael Evangelista)

Livre acima de tudo

Por trás de uma aparente distinção técnica, os termos software livre e código aberto, criados por Richard Stallman e Eric Raymond, escondem diferenças políticas e ideológicas

Rafael Evangelista
Não foi à toa que George Orwell, ao imaginar um futuro tenebroso em 1984, descreveu como um dos pilares de seu Estado autoritário uma polícia da informação, responsável pela fiscalização e pelo emprego da novilíngua. As palavras não são figuras inertes, que servem só para descrever coisas. No sentido, inscrevem-se também história e ideologias.

Também não é à toa que, no mundo do software livre, exista uma constante disputa sobre os nomes e as palavras utilizadas. Essa discussão, às vezes, torna tudo muito mais confuso para quem não participa do debate, mas é um sinal de que a comunidade, mesmo quando só quer se preocupar em fazer software, se ocupa também de questões políticas, de poder. Dizer é se colocar no mundo, é assumir posição. Afinal, há alguma diferença entre falar Linux ou GNU/Linux? Ou entre se dizer um adepto do movimento pelo software livre ou do movimento de código aberto? Há sim, e muita.

Para além das respostas simplistas e pragmáticas, a solução pode ser encontrada na história do movimento. Ninguém nega que tudo saiu das mãos e da cabeça do guru Richard Stallman que, ainda na década de 1980, delineou os princípios éticos do movimento. Na época, Stallman, fundador da Free Software Foundation (FSF, Fundação do Software Livre, em inglês), estabeleceu as quatro liberdades que fundamentam o movimento: o software deve ser livre para ser modificado, executado, copiado e distribuído. Ambos, o código aberto e o software livre, respeitam esses parâmetros.

Sem dúvida, Stallman continua sendo o grande filósofo do movimento. No entanto, a partir de 1991, ele se vê obrigado a dividir o palco com uma jovem estrela da Finlândia, Linus Torvalds. Carismático, empreendedor e sabendo usar melhor a internet, ele conseguiu dar solução a um problema que a FSF se dedicava há anos, construir um kemel que suportasse um sistema operacional alternativo. O kernel é uma parte central do sistema, responsável pela configuração e gerenciamento dos dispositívos (teclado, mouse, monitor etc). A FSF já tinha todo o resto da estrutura do sistema pronta e trabalhava no desenvolvimento de seu kernel. Linus foi mais rápido e, mantendo a filosofia livre, adotou soluções tecnicamente mais eficientes, criando o Linux, essa parte essencial do sistema.

O método de desenvolvimento adotado por Linus está em A Catedral e o Bazar, livro escrito por Eric Raymond, em 1997. A obra é também uma alfinetada em Stallman, acusado de adotar uma postura centralizadora de desenvolvimento. Raymond descreve o desenvolvimento GNU como se fossem catedrais, monumentos sólidos, construídos a partir de um grande planejamento central. Já o desenvolvimento adotado por Linus seria como um bazar, com uma dinâmica altamente descentralizada. Diz Raymond: "Penso que a criação mais esperta e de maiores consequencias não foi a construção do kernel em si, mas a invenção do modo de desenvolvimento Linux".


Alma hippie

Mas há mais na fala de Raymond com relação ao modelo Linux do que o elogio da técnica - embora o sucesso desta seja inegável. Stallman sempre foi uma figura politicamente muito atuante, não apenas no campo da informática. Mais velho, tendo vivido toda a experiência da luta pelos direitos civis nos EUA, Stallman carrega em seu discurso uma ótica pouco amigável às empresas. Em seu site pessoal, por exemplo, ao lado de artigos em favor do software livre, encontram-se também ensaios políticos sobre temas como a invasão estadunidense ao Iraque e o muro de Israel na Palestina. Raymond, por sua vez, é um ardoroso defensor da liberalização do uso de armas, tema usualmente mais ligado às bandeiras da direita.

Linus, por sua vez, além de ser politicamente mais moderado e pragmático, consegue criar uma identidade maior com a nova geração de programadores abaixo dos 40 anos, da qual Raymond faz parte. Essa geração, segundo Sam Willians, autor do livro Free as in Freedom, é mais energética e ambiciosa.

Desde a ascensão do trabalho de Linus, boa parte do tempo de Stallman tem sido gasta em pedidos para que todos refiram-se ao conjunto do software como GNU/Linux e não apenas Linux. Quer somente que seu trabalho, e de toda FSF, seja reconhecido.


Lutas que incomodam

Se o discurso politizado e a integridade radical de Stallman nunca foram de fácil digestão para os programadores da nova geração, ambos são ainda mais indigestos para os empresários. Raymond teve um papel decisivo na criação da alternativa mais ao gosto do paladar corporativo.

Em A Catedral e o Bazar, ele descreveu um processo de produção inovador e descentralizado, em que as alterações no software são rapidamente entregues à comunidade. Esta, testando e avaliando o produto, estabelecem uma espécie de seleção natural em que as melhorias sobrevivem e as soluções falhas são logo identificadas. O descrição encantou os executivos da Netscape, dona de navegador de internet que havia sido destruído pela ofensiva agressiva - e anti-competitiva, segundo os próprios tribunais dos EUA - da Microsoft e seu Internet Explorer. Em 1998, Raymond foi a peça chave no processo de convencimento dos executivos da Netscape para que liberassem o código.

O prestígio adquirido por Raymond, somado ao do carismático Linus, foram essenciais para que o movimento de código aberto (open source, em inglês) pudesse se estabelecer. Frequentemente, Stallman procurava - e procura até hoje - deixar claro que o free de free software (do termo original em inglês), não significa grátis mas livre. A confusão entre livre e grátis tornou-se a justificativa perfeita para que surgisse o termo código aberto, neutralizando a reivindicação política do movimento.

Não há diferenças substanciais entre o que os termos software livre e código aberto pretendem definir. Ambos estabelecem praticamente os mesmos parâmetros que uma licença de software deve conter para ser considerada livre ou aberta. Ambas estabelecem, na prática, que o software deve respeitar aquelas quatro liberdades básicas que a FSF estabeleceu. Mas os defensores do termo código aberto afirmam que o termo fez com que os empresários percebessem que o software livre também pode ser comercializado. Teriam sido mudanças pragmáticas e não ideológicas.

O próprio Richard Stallman diz não ver o grupo do código aberto como inimigo. "Nós discordamos dos princípio básicos, mas meio que concordamos com as recomendações práticas. Então podemos trabalhar juntos em muitos projetos", diz.

O fato é que a Iniciativa do Código Aberto (Open Source Iniciative, em inglês), entidade cuja criação foi proposta por Eric Raymond, significou uma polarização de poder com a FSF de Stallman. Como ambas as entidades e o movimento como um todo só cresceram nos últimos anos, isso não significou um enfraquecimento para Stallman.


Confunde ou explica?

Em seu livro de ensaios, Free Software, Free Society, Stallman argumenta com razão que o termo código aberto na verdade confundiu mais do que esclareceu. "O sentido óbvio para a expressão código aberto é: 'você pode olhar o código'. Essa expressão é tão ambígua quanto o termo free software (software livre) em inglês", escreve. De fato, não basta que um usuário possa ler o código de um programa para que ele seja livre. A liberdade para olhar o código é apenas uma das quatro liberdades fundamentais.

Stallman continua, colocando o dedo na ferida e apontando a despolitização do termo. "O principal argumento para o termo código aberto é que software livre deixa as pessoas inquietas. É verdade: ele fala de liberdade, sobre ética, sobre responsabilidade tanto quanto sobre conveniências. Ele convida as pessoas a pensar sobre coisas que elas poderiam ignorar. Isso desperta desconforto e algumas pessoas podem rejeitar a idéia por isso. Mas isso não significa que a sociedade vai ficar melhor se pararmos de falar nesses assuntos".

Há exemplos de como o termo código aberto tem sido usado de maneira traiçoeira. Em resposta às crescentes acusações de que os clientes de seus produtos não tem acesso ao código fonte (as linhas de instruções que formam um software), a Microsoft tem respondido com o seu programa Shared Source (algo como código compartilhado). Por esse programa, a empresa mostra partes do código de seus produtos a clientes como universidades e governos. Na prática, ela torna parte de seu código aberto, o que não significa que ela se torne adepta dos softwares livres. Para isso, o código deveria ser aberto a todos - e não só à vistoria de seus clientes - e deveria ter sua execução, distribuição e modificação permitidas livremente.

Entre a comunidade de software, ciente de que código aberto e software livre significam praticamente as mesmas recomendações, dizer um ou outro na verdade significa tomar partido de um determinado grupo e de uma certa inclinação política. Para quem acha que, além da eficiência e da estabilidade de certos programas, é preciso construir alternativas mais justas de distribuição da produção e do conhecimento, o termo software livre parece ser a melhor opção


Publicado em www.planetaportoalegre.net: 22/11/2004


Publicado por agineotonico às 09:48 PM | Comentários (1)

Piratear


"Estudo mostra que aqueles que baixam filmes e músicas na internet querem mais do que obter acesso gratuito à cultura, querem oferecer e colaborar".

Leia em inglês AQUI

O prazer de compartilhar

Rafael Evangelista
Eles não têm olho de vidro, perna-de-pau e nem andam com um papagaio no ombro. Mesmo assim a indústria da música e do cinema insiste em chamá-los de piratas e em afirmar que são os grandes vilões da internet. Mas um estudo publicado neste mês pela revista eletrônica First Monday mostra justamente o contrário. A motivação dos usuários de programas de compartilhamento de arquivos como o Kazaa e o SoulSeek - que permitem que você baixe os arquivos de música e vídeo de outros e ofereça os seus - não estaria só em pegar arquivos de graça mas também em "presentear", em compartilhar seu acervo com outras pessoas. Por isso, não basta que a indústria crie mecanismos tecnológicos para que as pessoas usufruam legalmente de bens culturais na Internet; será preciso também levar em conta o desejo que elas têm de ajudar e oferecer arquivos a outros.

A conclusão é de Kevin McGee e de Jorgen Skageby, pesquisadores da Universidade de Linkoping, na Suécia, e autores do artigo "Gifting Technologies". Por seis meses, ambos frequentaram e analisaram listas de discussão de usuários dos sistemas P2P - sigla para ponto-a-ponto, a tecnologia que permite a troca direta de arquivos na internet - e entrevistaram mais de 100 desses usuários. O objetivo era buscar entender o fenômeno da troca de arquivos na rede a partir da perspectiva da dádiva, ou seja, de trabalhos anteriores que falam da troca ou do ato de dar presentes como um fenômeno social. O que os autores descobriram é que não é possível reduzir a ocorrência da dádiva na internet - que acontece nos programas de P2P - nem a um "roubo", em que as vítimas são os detentores dos direitos autorais, nem meramente a uma troca interessada, em que os sujeitos só compartilham porque estão interessados também em baixar arquivos.


Indústria age com truculência

Nos últimos dois anos, a indústria do entretenimento tem promovido uma verdadeira cruzada contra os usuários dos programas de P2P. As ações vão desde multas até a prisão e os métodos incluem a espionagem eletrônica de usuários. A onda de processos movida pela indústria da música começou em setembro de 2003 e, até agora, pelos cálculos da EFF (Fundação da Fronteira Eletrônica, entidade que luta pela legalização do compartilhamento de arquivos) já são mais de 6 mil ações legais. No início deste mês, a indústria do cinema anunciou que deverá seguir os passos das gravadoras e também iniciará uma onda de processos. "Ações contra os usuários não significam o pagamento de direitos aos artistas. Nós precisamos de uma solução construtiva. Os compartilhadores são mais de 60 milhões, só nos EUA, um número maior de pessoas do que o que elegeu o atual presidente", diz a EFF.

Os efeitos dos processos movidos pela indústria puderam ser sentidos pelos pesquisadores suecos. Ao tipificar os diversos grupos de compartilhadores ele encontraram a figura do que chamaram de "presenteadores amedrontados". Esse grupo ofereceria seus arquivos de uma forma mais selecionada, escolhendo aqueles que podem receber ou quais arquivos serão compartilhados. "O mais surpreendente é que esse tipo de ação não seria motivado pelo medo de serem pessoalmente alvo de processo mas pelo medo de que os mecanismos de compartilhamento sejam ameaçados", dizem os pesquisadores. Eles encontraram casos de pessoas que deixaram de compartilhar arquivos sujeitos aos direitos autorais da indústria.


Muito mais do que uma troca interessada

As características dos diversos grupos de compartilhadores permitem dizer que a atividade vai muito além do "é dando que se recebe". Vários teriam motivações ideológicas, acreditando não só que a "informação tem que ser livre", mas em um certo "espírito do compartilhamento". Os pesquisadores afirmam também que muitos dos que aparentemente oferecem seus arquivos apenas para poderem conseguir músicas ou filmes de outros (a chamada pseudo-dádiva), na verdade são bastante benevolentes com aqueles que não compartilham nada. Ou seja, depois de bloquearem aqueles usuários que claramente não oferecem nada em troca - os chamados de sangue-sugas - os compartilhadores voltam a oferecer seus arquivos para a comunidade.

Foram encontrados, inclusive, alguns usuários que ajudam outros que tenham um gosto parecido com o do compartilhador ou que estão em dificuldades. Quando encontram alguém que tem uma conexão muito lenta e que vai levar muito tempo para conseguir um arquivo, eles deixam seus computadores ligados por horas, só para que a conexão do receptor não seja cortada. Ou ainda oferecem a quem está baixando uma música, por exemplo, outros arquivos de estilo semelhante ao que está sendo enviado.

"Quando você compartilha algo com alguém você o faz não porque espera algo em de volta... Quando você quer algo do outro isso é uma troca", declarou um dos entrevistados. Para os pesquisadores, há nos mecanismos de oferecimento de arquivos algo que vai além do que tem sido notado até hoje e que mistura altruísmo e ideologia. Mesmo que a indústria crie mecanismos poderosos e acessíveis para que bens digitais sejam adquiridos, essas iniciativas falharão se o espírito do compartilhamento não for levado em conta.

Publicado em www.planetaportoalegre.net: 16/11/2004


Publicado por agineotonico às 09:36 PM

novembro 23, 2004

Al-Jazeera is a channel of terrorism

"Al-Jazeera is a channel of terrorism. That is clear and we say openly and without hesitation: Al-Jazeera is a channel of terrorism," he told the London-based Arabic newspaper Asharq Al-Awsat.
(...) "Let God curse all those who terrorise Iraqi citizens and children of Iraq, be them journalists or others. The day will come when we will take measures against Al-Jazeera other than by words," the minister warned".
(Ministro da Defesa Iraquiano)

Estas declarações de MD iraquiano levam a temer o pior quanto à liberdade de imprensa e à segurança dos jornalistas.

Publicado por agineotonico às 07:48 PM | Comentários (3)

Israel expande-se no Iraque

The killing of an Israeli officer in Fallujah exposed the existence of a large number officers, snipers, and paratroopers in Iraq (...) The Israeli plan became clear due to various headlines, most prominent of which is dispatching Mossad operatives to establish offices and networks in the north, south, eliminate the Iraqi scientists and intensify the real estate purchase of property and land in the north; specifically in Arbil, Kirkuk and Mosul. This comes as a completion of the previous project, launched ten years prior to the fall of Baghdad, through Jewish Turks.
)...) Israel encourages the Kurdish leaderships to decentralize from Baghdad in administering their regions but at the same time, it aims at having the Kurdish parties play a pivotal role in the post-war Iraq due to the historical relations that it had established with the Kurds. More likely, Israel has advanced in developing the plan announced previously by the minister of infrastructure Joseph Paritzky that aims at laying oil pipelines from Iraq to Israel passing through Jordan; since a Turkish security report recently published by Jumhuriyet confirmed Israel's attempts to activate the line towards Haifa as soon as possible.
(...) The vast and unexpected expansion of the Israeli role in various fields in Iraq, confirms that Israel is the major beneficiary in the continuity of the war, same as it is the first beneficiary from the American escalation with Iran regarding its nuclear file."
(Rashid Khashana, Al-Hayat)

Publicado por agineotonico às 07:03 PM

Urso Ibérico

Urso pardo.jpg "Manhã de Outono nos Pirinéus franceses. Uma fina e fresca neblina brinda as primeiras horas do dia, também saudadas por um coro de pássaros chilreantes. Canela e sua filha iniciam a jorna em busca do pequeno-almoço, sem saber que não longe dali, um grupo de homens armados preparava o seu destino. Este grupo seguia determinado, acicatando os seus cães para que estes encontrassem um rasto, um sinal, uma presença recente e selvagem para abater. De repente, os cães sobressaltados desatam a correr e a ladrar, encurralando Canela, que por estar acompanhada pela cria não pôde fugir (...) Canela era o último urso-pardo fêmea originário dos Pirinéus franceses, último testemunho genético desta população. Resta agora uma cria órfã, com poucas possibilidades de sobreviver sozinha, e alguns adultos introduzidos oriundos de outras cordilheiras da Europa.
Há dias em que perco toda a paciência
".
(Rubisco)


Publicado por agineotonico às 06:14 PM

Entre o virtual e a realidade


"no futuro (...) vamos entrar num mundo em que a informação que recebemos tornará muito difícil a distinção entre o virtual e a realidade".
(Pacheco Pereira)

Não é no futuro, é hoje. Basta ver as Rádios, Televisões e Jornais e ... deitar uma olhada à comparticipação do "Abrupto".

Publicado por agineotonico às 05:53 PM

"Reestruturação económica" (2)


A administração Bush, usando a invasão e ocupação do Iraque, tem implementado alterações às leis económicas iraquianas (estes são os objectivos reais) que são ilegais na perspectiva do direito internacional e que se prevê terá um impacto mais negativo, em termos imediatos, do que 12 anos de embargo ao regime de Saddam.
A alteração de leis fundamentais de um país ocupado é proibida pelo direito internacional, nomeadamente, algumas regulamentações das Convenções de Haia e Genebra.
A Constituição do Iraque proíbe a privatização dos bens do Estado e não permite que estrangeiros, cidadãos de países não árabes, possuam propriedades ou façam investimentos em negócios iraquianos. Ambas estas foram alteradas.

As mudanças a estas leis seriam necessárias para "garantir uma estrutura reguladora legal apropriada para áreas importantes como gás, petróleo, água, e poder." O contrato inclui todos os sectores da economia iraquiana, desde serviços públicos, meios de comunicação, investimento bancário, impostos, agricultura e o sector do petróleo ‚ implementando o envolvimento de privados em sectores estratégicos, incluindo privatização, venda de activos, privilégios, arrendamentos e contratos de gestão, especialmente no petróleo e em indústrias de suporte."
(Antonia Juhasz)

Publicado por agineotonico às 05:00 PM

Reestruturação económica


Como parte da "reestruturação económica" do Iraque, a administração Bush impôs a proibição de os agricultores iraqianos utilizarem a suas próprias sementes desenvolvidas ao longo de dezenas de anos.
Agora são obrigados a comprar às grandes corporações transnacionais americanas, sementes por elas patenteadas.
Esta medida pôe em risco a biodiversidade e a segurança alimentar dos iraquianos.

Publicado por agineotonico às 03:12 PM | Comentários (1)

Occupier of a Prime Minister's Chair


"Most Iraqis had celebrated the overthrow of the regime of Saddam Hussein. But under what has developed into a brutal and bloody occupation people are turning against the interim prime minister as they turned against Saddam (...) In July Paul McGeogh of the Sydney Morning Herald reported that two eyewitnesses saw Allawi execute six people at the security centre in the al-Amadiyah district of Baghdad. The men had been detained for allegedly attacking U.S. forces two weeks before the handover of power (...) The appointed interim prime minister has instituted martial law, threatened to detain journalists, and banned the Arab channel al-Jazeera from reporting within Iraq. Allawi's minister of justice has brought back the death penalty and spoken of chopping off the hands and heads of those described as insurgents."
(Dahr Jamail)


BAGHDAD, Nov 23 (IPS) - The prime minister is following in the footsteps of the last president. The rule of Ayad Allawi, the U.S. appointed interim prime minister of Iraq, is now more in the style of the dictatorship of Saddam Hussein than a leader of a supposedly democratic state.

Most Iraqis had celebrated the overthrow of the regime of Saddam Hussein. But under what has developed into a brutal and bloody occupation people are turning against the interim prime minister as they turned against Saddam.

One of Allawi's earliest moves after his appointment was to form a new version of the feared secret police in Iraq. The Economist reported that Allawi's rivals accused him of ”recruiting former torturers to man a new apparatus of oppression.”

In July Paul McGeogh of the Sydney Morning Herald reported that two eyewitnesses saw Allawi execute six people at the security centre in the al-Amadiyah district of Baghdad. The men had been detained for allegedly attacking U.S. forces two weeks before the handover of power.

The appointed interim prime minister has instituted martial law, threatened to detain journalists, and banned the Arab channel al-Jazeera from reporting within Iraq. Allawi's minister of justice has brought back the death penalty and spoken of chopping off the hands and heads of those described as insurgents.

Now comes the siege of Fallujah. At a refugee camp in Baghdad filled with families from the besieged city, anger erupts at the mention of Allawi's name.

”Ayad Allawi says we are his family,” said Mohammad Ali, a 53-year-old refugee wounded by U.S. bombs in his home in Fallujah. ”Can you attack your family, Allawi? Do you attack your own family, Allawi?”

Allawi is a traitor to the people of Iraq, said Dr. Um Mohammed who works at a hospital in Baghdad. ”He is an American puppet who enjoys the killing of Iraqis.” A trader in central Baghdad Abdel Hakim Abdulla said Allawi has ”never made a decision that benefits Iraqis.”

Anger is building up against Allawi also over the role he played before he was appointed interim prime minister. He is the man many hold responsible for providing fraudulent intelligence that Saddam Hussein posed a threat to the United States.

His now discredited statements to U.S. intelligence that Saddam Hussein had links to the terrorist attacks of Sep. 11 were used to justify the invasion of Iraq. This had shaken his credibility amongst Iraqis from the beginning.

The right-wing Daily Telegraph of London published a ”newly discovered” document from Allawi Dec. 14 last year. Allawi, who was then a member of the Iraqi Governing Council stated that the mastermind of the Sep. 11 terrorist attacks Mohammad Atta had been trained in Iraq with support from Saddam Hussein.

This fraudulent information was cited by U.S. intelligence as compelling evidence that Saddam Hussein had contacts with al-Qaeda. It was cited as justification for the failing occupation of Iraq.

A second part of the memo also believed to have been provided by Allawi alleged shipment of uranium from Niger to Iraq. This is another claim that has been proved false.

Allawi was reported by the International Herald Tribune to have said that Saddam Hussein had stashed billions of dollars in banks around the world. No evidence of these billions has emerged.

Allawi again was said again to have provided the 'intelligence' in a British government dossier that Iraq had weapons of mass destruction which could be made operational in 45 minutes, according to a report in the New York Times May 29 this year. This 'intelligence' has been acknowledged to be false.

Allawi, a Shia Muslim, was ”unanimously nominated” to the post of interim prime minister May 28 by the U.S.-appointed former Iraqi Governing Council.

Adam Daifallah wrote in the New York Sun that Allawi heads a group comprising primarily former Baathist associates of deposed dictator Saddam Hussein and ”has received funding from the CIA (Central Intelligence Agency of the United States) and has unsuccessfully worked with American intelligence for years to oust Saddam through coup attempts.”

Born in Baghdad in 1946 into a well-known business family, Allawi became a member of the Baath party after it rose to power. He left Iraq in 1971 to go to university in London, and did not return to his home country until just after the U.S.-led invasion last year.


Publicado por agineotonico às 02:45 PM

Técnicas de clonagem


"Portugal é signatário de uma proposta que pretende banir todas as técnicas de clonagem, apresentada pela Costa Rica na ONU, e ninguém sabe como foi tomada tal decisão".
Como, tanto quanto se sabe, não houve nonosso país qualquer discussão ou consulta de especialistas sobre este assunto, deduz-se que coube ao MNE tomar aleatoriamente a decisão.
Paulo Pereira, investigador do Instituto de Biologia Molecular e Celular, defende: "na clonagem terapeutica a célula ovo que é produzida, não é implantada no útero, mas sim mantida em cultura, enquanto se trata ainda de uma esfera microcóspica, sem sistema nervoso. O que possibilita a obtenção de células que poderão constituir tratamentos eficazes para algumas doenças".
Rui Reis, presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapias Celulares diz que "se for proibida a clonagem terapeutica e a investigação em células estaminais, os portugueses ficam impedidos de participar em grandes projectos europeus".
Paula Martinho da Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, também diz que não foram ouvidos como "seria natural e desejável".
(Visão 609)

Publicado por agineotonico às 07:29 AM

Atropelamento e fuga


Nos primeiros 6 meses de 2004, 282 pessoas foram atropeladas por condutores que se puseram em fuga sem prestar auxílio às vítimas.

Publicado por agineotonico às 07:08 AM

Mortes sem razão


Segundo dados do Banco Mundial, em 2002 morreram mais de 11 milhões de crianças com menos de 5 anos devido a doenças que, hoje, são facilmente tratáveis. No mesmo período, 500 mil mulheres perderam a vida devido a complicações na gravidez ou no parto.

Publicado por agineotonico às 07:04 AM

novembro 22, 2004

António e Hanna Damásio

professores na Universidade de Iowa, receberam o Prémio Jean Louis Signoret para as neurociências cognitivas.

Publicado por agineotonico às 10:43 PM

Faltam 60 milhões de mulheres no mundo

"O mundo conta com menos 60 milhões de mulheres «do que devia», devido a abortos, homicídios e mortes por maus-tratos, refere um relatório da UNICEF apresentado segunda-feira em Berlim. A organização da ONU refere que muitas das mortes devem-se apenas às vítimas serem do sexo feminino".
(Diário Digital)

A situação é particularmente grave na Ásia, onde a UNICEF estima que anualmente morrem mais de um milhão de meninas antes de cumprir um ano de vida.
O documento refere ainda que, por exemplo, no Paquistão, 500 mulheres são assassinadas em nome da «honra da família» e, na Índia, uma mulher é queimada viva por motivos religiosos a cada seis horas. A estes casos, soma-se o Bangladesh, onde desde 2000 foram queimadas com ácido mais de 1.100 mulheres e meninas, muitas vezes por se recusarem a manter relações sexuais.

De acordo com as contas da UNICEF, na Índia faltam 40 milhões de mulheres, no Bangladesh cinco milhões e no Paquistão entre quatro e oito milhões. O relatório cita ainda o caso da China, onde, enquanto vigorou a política de um filho por casal, o número de bebés do sexo feminino assassinados logo após o nascimento e o número de abortos de fetos femininos assumiu proporções trágicas.

Publicado por agineotonico às 10:15 PM

Degradação das urgências ligada à inexperiência de médicos

Os utentes que recorrem às urgências têm vindo a ser penalizados com a degradação dos serviços, admitiu o presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Manuel Delgado.
A mesma ideia tinha sido já apontada pelo bastonário da Ordem dos Médicos, Germano de Sousa, no início dos trabalhos. De acordo com o clínico, espanhóis recém-formados exercem funções nas urgências dos hospitais nacionais, muitas vezes sem muita preparação.
Manuel Delgado partilha destas preocupações, e explicou ao congresso que a contratação de clínico espanhóis é uma solução de recurso, sendo uma segunda escolha. «São profissionais que são colocados nos hospitais sem qualquer ligação com o funcionamento dos hospitais, com a sua estrutura, com os outros colegas que ali trabalham. Não acompanham os doentes», avançou.
Delgado admite mesmo que, neste aspecto, «estamos a repetir um pouco o modelo brasileiro que já provou que não funciona e os doentes que vão às urgências são os mais penalizados com certeza». Como consequência, a qualidade do serviço tem vindo claramente a degradar-se.

(Diário Digital)

Publicado por agineotonico às 10:09 PM | Comentários (1)

Como nos tornamos coniventes

Por que Washington e os mass media recorrem descaradamente à mentira sistemática e aos eufemismos? Basicamente para reforçar o apoio de massas interno ao assassínio em massa no Iraque. Os mass media fabricam uma teia de mentiras para assegurar um verniz de legitimidade para métodos totalitários a fim de que as forças armadas americanas continuem a destruir cidades com impunidade. A técnica aperfeiçoada por Goebbels na Alemanha e praticada nos EUA é repetir mentiras e eufemismos até que se tornem 'verdades' aceites, e incorporadas na linguagem diária. Os mass media ao efectivamente tornarem rotina uma linguagem comum envolvem a sua audiência. As preocupações tácticas dos generais, dos comandantes a dirigirem a carnificina (pacificação) e dos soldados a assassinarem civis são explicadas (e consumidas pelos milhões que os ouvem e assistem) por autoridades sem contestação através de jornalistas submissos e dos famosos "âncoras" do noticiário. A unidade de objectivo entre os agentes da matança em massa e os público americano de todos os dias é estabelecida através de "relatos de notícias". Os soldados 'pintam os nomes' das suas esposas e namoradas sobre os tanques e veículos blindados os quais destroem famílias iraquianas e transformam Faluja em ruínas. Soldados que retornam do Iraque são "entrevistados" perguntando-se-lhes se querem retornar para 'estar com o seu pelotão' e 'exterminar os terroristas'. Nas forças de combate americanas nem todos experimentam as alegrias de disparar sobre civis. Estudos médicos relatam que um em cada cinco soldados que retorna sofre de severo trauma psicológico, sem dúvida por testemunhar ou participar no assassínio em massa de civis. A família de um soldado regressado, que recentemente cometeu o suicídio, relatou que ele referia-se constantemente às mortes de crianças desarmadas nas ruas do Iraque de que fora responsável — chamando-se a si próprio de "assassino". Além destas notáveis excepções, a propaganda dos mass media pratica várias técnicas, as quais aliviam a 'consciência' dos soldados americanos e dos civis. Uma técnica é a 'reversão de papéis' ao atribuir os crimes da força invasora às vítimas. Não são os soldados que causam destruição de cidades e matam, mas as famílias iraquianas que 'protegem os terroristas' e "trazem sobre si próprias o bombardeamento selvagem". A segunda técnica é relatar apenas baixas americanas provocadas pelas 'bombas terroristas' — omitir qualquer menção aos milhares de civis iraquianos mortos pelas bombas e artilharia americana. Tanto a propaganda nazi como a americana glorificam os 'heroísmo', o 'êxito' das suas forças de elite (as SS e os Marines) na matança de 'terroristas' ou 'insurrectos' — todo civil morto é contado como um 'suspeito de simpatizante do terrorismo.
(James Petras in resistir)

Publicado por agineotonico às 07:23 AM | Comentários (1)

novembro 21, 2004

I Have a Dream

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(Pablo Martinez Monsivais)

Publicado por agineotonico às 09:57 PM

Amnesty International - Take Action!

Apelo da Amnistia Internacional para a prevenção dos Crimes de Guerra no Iraque.
Take Action!

Publicado por agineotonico às 04:04 PM | Comentários (1)

Clara F. Alves: cá, como lá, a informação ao serviço do poder

No artigo de Clara Ferreira Alves no Diário Digital com o nome “A Cartilha – A Guerra do Terror”, pode ver-se a que ponto chegou o jornalismo no nosso país.
Diz ela que “em Fallujah, dos estrangeiros aprisionados, grande maioria são iranianos, numa proporção de dez para um, o que também diz muito sobre o envolvimento do Irão nesta guerra”. O que não diz é que até as tropas americanas tiveram de deixar cair esse argumento que serviu para massacrar a população de Fallujah.
"«Aquilo» não conhece meios nem fins. Matar a sangue frio uma mulher que só ajudou o Iraque”, diz CFA não fazendo o trabalho de casa que qualquer jornalista que mereça esse nome deveria fazer. Na verdade, a execução de Margaret Hassan, de Nick Berg e de alguns outros tem vindo a ser contestada por diversas organizações e pessoas, porque serve que nem uma luva às tradicionais acções dos serviços secretos ocidentais.
Acrescenta que “é uma acção típica de um terrorista estrangeiro, com Zarqawi ou sem Zarqawi”. Também aqui mostra claramente que fala sem qualquer preocupação em fazer jornalismo informado - "But not a single source, anywhere, claims to have actually seen Zarqawi since late 2001 in Afghanistan". De facto, não é preciso o Governo fazer pressão sobre os média, alguns jornalistas voluntariamente fazem um tendencioso e mau trabalho de informação.

Pode ler-se mais informação AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI

Publicado por agineotonico às 12:27 PM | Comentários (2)

novembro 19, 2004

Dahr Jamail

é um correspondente do The NewStandard que tem feito a cobertura da guerra no Iraque.
Mantém um blog e as suas reportagens podem ser lidas em muitas páginas da net.
Além do mais, pode comunicar-se com ele por mail que, penso que como acontece comigo, ele responde.

Publicado por agineotonico às 08:17 PM | Comentários (5)

Não há vítimas civis em Falluja


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Publicado por agineotonico às 07:52 PM

11 de Setembro

Standley Hilton, cientista político e advogado na Califórnia, é o representante de 400 familiares de vítimas do ataque ao World Trade Center que acusam Bush de planear e mandar executar os atentados de 11 de setembro.
Argumenta ele que tem testemunhas que comprovam que os sequestradores dos aviões eram “agentes duplos, pagos pelo FBI e pela CIA”, que há documentos que comprovam ter havido simulação dos ataques, que há testemunhas que comprovam ter havido exercícios militares para “afinar” a operação e que a razão porque não funcionou o sistema de defesa aero-espacial se deveu ao facto de os seus responsáveis pensarem que se tratava de mais uma simulação.
As razões, diz Standley Hilton, foi criar o pretexto para justificar a invasão do Iraque e limitar drasticamente as liberdades nos EUA”.
Segundo sondagens recentes, cerca de metade dos nova-iorquinos acredita que a administração de Bush está, de alguma forma, implicada no 11 de setembro.
(Visão 611)

Por seu lado, Noam Chomsky, diz “que o Iraque fica exactamente no coração dos recursos energéticos mundiais. Tem imensa energia intocada e barata. Quem controlar o Iraque terá uma alavanca poderosa para controlar o mundo. Além de todos os lucros que isso representa para as corporações americanas, quem controlar a energia fica com uma influência enorme sobre os principais rivais dos EUA, isto é, as economias da Ásia e da Europa (...) por isso não se importam se aumenta o terrorismo”.
(Visão 610)

Pode ler mais opiniões sobre este assunto aqui.

Publicado por agineotonico às 07:20 PM

novembro 15, 2004

Santana Lopes pede confiança no Governo

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"Confiem em nós. A confiança é fundamental para haver maior investimento, para os trabalhadores terem mais segurança", como demonstra o recente aumento de desempregados.
"Éramos incapazes de fazer fosse o que fosse para diminuir essa liberdade", assegurou o presidente do PSD, advertindo que "a liberdade acaba onde começa a liberdade do outro", disse Santana referindo-se à nova entidade reguladora da comunicação social, embora como se sabe a liberdade concedida a alguns seja maior que a concedida aos tais outros.

Publicado por agineotonico às 07:37 AM | Comentários (5)

Facing the Challenge to the Global Peace Movement


"The 2004 elections confirmed that the center of gravity of US politics lies not on the center-right but on the extreme right (...) While liberals and progressives have floundered, the Radical Right has united under an utterly simple vision the different components of its base: the South and Southwest, the majority of white males, the upper and middle classes that have benefited from the neoliberal economic revolution, Corporate America, and Christian fundamentalists. This vision is essentially a subliminal one, and it is that of a country weakened from within by an alliance of pro-big government liberals, promiscuous gays and lesbians, and illegal immigrants, and besieged from without by hateful Third World hordes and effete Europeans jealous of America’s prosperity and power."
(Walden Bello)

Publicado por agineotonico às 07:28 AM

Fomos levados a esquecer

"Through this, the state of Israel has been able to enlist the support of even secular, allegedly progressive Jews in probably the most successful and sustained propaganda campaign in history.
We forget (and have been made to forget) that the Holocaust consumed millions of Roma, Slavs, homosexuals, the physically and mentally disabled, trade unionists, communists and anti-fascists (including many tens of thousands of Germans who were also made to 'disappear' in the Western media lest we actually made a connection between the German people and ourselves). Indeed, the Israeli state has managed with the active collaboration of the West, to appropriate the slaughter of WWII as its own."

(William Bowles)

Publicado por agineotonico às 07:21 AM

US MARINE EXECUTES SHOT MAN

Responsáveis políticos do mundo inteiro apoiados pela comunicação social mantêm-se em silêncio sobre a violência dos ataques da coligação no Iraque. Enquanto isso, continuam a ser cometidos crimes de guerra.

"A US marine has sparked world-wide revulsion after being seen shooting an injured and helpless Iraqi.
The sickening scene was broadcast by Channel 4 News after a fire-fight in the rebel stronghold of Fallujah.
The trigger-happy soldier had been asked to get nearer to the injured man.
But instead of trying to capture him, the marine is seen leaning over a wall and cold-bloodedly shooting him.
He then turns to his colleagues and says: "He's gone". Coalition chiefs were last night under pressure to investigate the incident.
Labour left-winger Jeremy Corbyn said: "This execution will be remembered by the Iraqi people for generations.
"What does this say about the tactics being used by those who are supposed to be the forces of democracy? We want an immediate investigation."
Channel 4 News viewers flooded the station's web-site with complaints. One said: This was against all civilised norms and law."

Publicado por agineotonico às 07:11 AM

novembro 12, 2004

Nova política

A sociedade tem evoluído mais depressa do que os partidos e o sistema representativo.
(...) O próprio Estado, configurado para a política da inércia, mais do que da acção, tem vindo a perder poder efectivo. Limitando-se ao papel da defesa das instituições, à burocracia, à aplicação das leis e à distribuição de uma assistência social, desenhada sempre numa condição precária.
(...) o sistema democrático, baseado em listas partidárias e num parlamento com crescente dificuldade em representar a pluralidade social, deixa de fora os sectores mais dinâmicos, mas igualmente aqueles que não conseguem organizar-se politicamente e que vivem nas orlas da cidade e da sociedade.
(...) É por isso que repensar a democracia continua a ser tão determinante. Não tanto procurando salvar o modelo actual, em lenta mas agonizante decadência, mas precisamente na perspectiva da utopia possível. Isto é, regressando ao concreto e à política como pensamento para a acção.
(...) A acção política convencional, tanto a de esquerda como a de direita, parece estar exclusivamente vocacionada para a integração, reduzindo portanto o campo da pluralidade.
(...) É por isso que quando se fala hoje de renovação dos partidos ou reforma da política, não basta pensar nalgumas alterações de forma. A questão é de fundo. Até porque uma simples reforma do sistema não conseguirá evitar o processo de degradação do campo político e do modelo de representação que lhe está associado. A desregulação da sociedade e das vidas atingiu já o descrédito das instituições democráticas e muito em particular a própria figura da administração pública. O público tornou-se sinónimo de negativo e o privado é tido como coisa positiva. A gestão do domínio público é vista sob uma vasta capa de suspeições, enquanto a gestão do privado é associada à eficácia e sucesso.
Uma tal inversão de valores sociais e civilizacionais não é casual. É preciso ter consciência de que a destruição da política e de tudo o que lhe está associado, resulta de uma acção concertada e estratégica que visa erradicar o que resta de público na nossa sociedade, a começar pelo exercício dos próprios direitos políticos e democráticos.
(Leonel Moura)

Nova política


A sociedade tem evoluído mais depressa do que os partidos e o sistema representativo. As novas tecnologias, o neoliberalismo económico, a globalização e acima de tudo a alteração profunda nos modos e nos objectivos das existências singulares, criaram um mundo em acelerada e constante mudança que não encontra interlocutor numa estrutura política que, no essencial, ainda se rege por modelos herdados do século XIX.
O próprio Estado, configurado para a política da inércia, mais do que da acção, tem vindo a perder poder efectivo. Limitando-se ao papel da defesa das instituições, à burocracia, à aplicação das leis e à distribuição de uma assistência social, desenhada sempre numa condição precária. O Estado tem uma enorme dificuldade em se modernizar. Continua por isso, no seu essencial a ser um instrumento da direita, mesmo quando é gerido politicamente pela esquerda.
Por seu lado, o sistema democrático, baseado em listas partidárias e num parlamento com crescente dificuldade em representar a pluralidade social, deixa de fora os sectores mais dinâmicos, mas igualmente aqueles que não conseguem organizar-se politicamente e que vivem nas orlas da cidade e da sociedade. A crise da representação, o abstencionismo e em geral o desinteresse pelo próprio processo democrático, afectam não só os partidos e a classe política, mas põem, acima de tudo, em causa uma forma avançada de civilização.
Na esquerda reconhece-se portanto a necessidade de empreender significativas mudanças. Elas estão presentes em todos os discursos e análises. Mas tardam em chegar.
Essa lentidão na capacidade de realizar as reformas políticas necessárias, vem resultando numa perda de influência da política e num crescente domínio do económico sobre o vivido. Num processo imparável. O campo do económico cativa os mais capazes e submete todos os outros, muito em particular os que não possuem outra coisa senão a sua força de trabalho. Organizando-se de forma extremamente eficaz, veloz e estratégica, através de um bem-estar feito de consumos e uma ideologia construída de espectáculos, imagens e virtualidade.
As decisões do universo económico têm por isso muito mais influência nos destinos individuais, do que as decisões políticas. O que significa que a nossa sociedade evoluí com base em vontades não democráticas, sobrepondo-se a qualquer razão comum.
É por isso que repensar a democracia continua a ser tão determinante. Não tanto procurando salvar o modelo actual, em lenta mas agonizante decadência, mas precisamente na perspectiva da utopia possível. Isto é, regressando ao concreto e à política como pensamento para a acção.
A democracia é o campo ideal de actuação e renovação de uma política de esquerda. A única razão comum que resta após a derrocada das ideologias comunistas. Mas a democracia não é só um território do comum, é acima de tudo, um campo de confrontação, de antagonismo e portanto de pluralismo.
É assim que temos assistido à emergência de novas entidades políticas marginais à política convencional. Apesar da dispersão e por vezes da inconsequência dos actos e das ideias, é por aí que temos de encontrar as bases de uma política do futuro.
A acção política convencional, tanto a de esquerda como a de direita, parece estar exclusivamente vocacionada para a integração, reduzindo portanto o campo da pluralidade. Por isso abre-se caminho a muitos movimentos que lutam pela fragmentação e desintegração, configurando um verdadeiro movimentismo, de raiz e interesses muito variados, sexuais, étnicos, culturais, políticos, religiosos, éticos. A crise da política é por isso também, o sinal de um enorme desfazamento entre aparelhos integradores e vontades plurais.
Sendo certo que uma parte significativa destes movimentos exprimem visões extremamente reaccionárias, tomando a forma de terrorismos sem propósito, fundamentalismos, .nacionalismos e em geral muitos outros fenómenos de tipo identitário, o movimentismo, em si mesmo, constitui uma resposta à crise da política convencional que não se deve, nem pode, desprezar.
É por isso que quando se fala hoje de renovação dos partidos ou reforma da política, não basta pensar nalgumas alterações de forma. A questão é de fundo. Até porque uma simples reforma do sistema não conseguirá evitar o processo de degradação do campo político e do modelo de representação que lhe está associado. A desregulação da sociedade e das vidas atingiu já o descrédito das instituições democráticas e muito em particular a própria figura da administração pública. O público tornou-se sinónimo de negativo e o privado é tido como coisa positiva. A gestão do domínio público é vista sob uma vasta capa de suspeições, enquanto a gestão do privado é associada à eficácia e sucesso.
Uma tal inversão de valores sociais e civilizacionais não é casual. É preciso ter consciência de que a destruição da política e de tudo o que lhe está associado, resulta de uma acção concertada e estratégica que visa erradicar o que resta de público na nossa sociedade, a começar pelo exercício dos próprios direitos políticos e democráticos.
A generalização de um enorme criticismo contra a política, não deriva somente dos erros cometidos pelos próprios políticos e nem sequer das fragilidades de um sistema de representação integrador, envelhecido e pouco eficaz. A destruição da política tem origem numa verdadeira utopia capitalista, que imagina uma sociedade inteiramente governada pelas leis do mercado.
A partir dos anos 80 tornou-se aliás corrente a ideia de que a iniciativa privada estava mais capacitada do que a política para resolver os problemas sociais. A adesão à economia de mercado, rapidamente se transformou no discurso da privatização do mundo, com as consequências desastrosas que hoje se reconhecem em praticamente todas as áreas. A título de exemplo, basta pensar no sistema de transportes ferroviários ingleses, seguramente o melhor do mundo ao tempo da gestão pública e hoje deficientes e perigosos como tudo onde prevalece a lei do maior lucro. Mas a realidade mais brutal está patente no aumento global da miséria e na sequência macabra das várias catástrofes humanitárias, provocadas pelo excesso de exploração de recursos e pela ausência de políticas económicas dedicadas ao bem comum.
A desvalorização da política tem pois várias origens. Por um lado é obra da utopia capitalista, na sua vontade de minimizar a influência do interesse comum e alargar cada vez mais o seu próprio campo de acção e negócio. Resulta também da própria acção dos homens políticos e tantas vezes, precisamente, de uma escandalosa falta de acção. O egoísmo individualista que tão desgraçadamente ilustra a nossa época é outro factor significativo. E por fim, o verdadeiro deserto de convivência e de solidão social criado pelo fenómeno televisivo, não favorece o interesse pela política, como aliás por praticamente nada mais.
Não admira também que muitos intelectuais, gente da cultura, jornalistas e fazedores de opinião, venham conquistando uma parte essencial das suas carreiras e projecção mediática a dizer mal da política. Assim como certos políticos demagogos e populistas. Esse comportamento garante-lhes audiência e até uma certa imagem chic e de pretensa irreverência. Ninguém parece importar-se com a elevada dose de cinismo do processo. Já que são precisamente os mesmos que denunciam o desinteresse geral pela política e o aumento da abstenção, culpando mais uma vez os políticos.
O ataque cerrado e constante contra a política é aliás particularmente evidente na acção dos media. O jornalismo contemporâneo assumiu uma vocação de "killer" da política e dos políticos. Fazem-no por audiências e tiragens é certo, mas também na defesa dos interesses privados que objectivamente servem. A informação tornou-se residual. A deontologia esqueceu-se. Mas ninguém se atreve a criticar os media. Trata-se aliás de um poder praticamente sem contestação, pois não existem mecanismos públicos capazes de o questionar e confrontar. Nem democráticos, nem funcionais. Pois toda a realidade é hoje filtrada pelos próprios media.
Embora exista muito de zeitgeist nestas atitudes, não devem restar dúvidas de que esta desvalorização do político, tem um fundo ideológico objectivo. Ou seja, a desvalorização da política é obra política da direita. A tal ponto e com tais implicações e ramificações, quer ao nível do projecto visionário do capitalismo, quer na manutenção de enormes massas despolitizadas e pouco ou nada reivindicativas, que é legítimo defender uma tese. Na sociedade contemporânea, a defesa da política e da democracia são, em si mesmo, tarefas da esquerda.


Renovar a política

Defender a política não significa abdicar da sua crítica. Pelo contrário. Mas essa crítica para ser séria e em particular para ser de esquerda, não pode deixar de se constituir como exigência de mais política e mais democracia.
É neste contexto que devemos colocar a questão dos partidos.
Partindo do princípio de que os partidos não esgotam a vida democrática, convirá também não esquecer que a organização partidária continua a ser uma das mais significativas formas de manifestação e agenciamento da cidadania, contra os poderes não democráticos da sociedade contemporânea. Porque são precisamente eles quem representam a forma originária de exercício da cidadania activa, constituindo-se como uma poderosa barreira à vocação totalitária da sociedade de mercado e à tentativa de reduzir os destinos humanos à lógica exclusivista do lucro, ao perverso poder dos média e à vacuidade das existências.
Mas a verdade é que, hoje, os partidos, na sua versão convencional, estão a conhecer uma grave crise, que poderíamos caracterizar da seguinte maneira. Adaptaram-se rapidamente à nova civilização da imagem, ao novo espaço público televisivo, às exigências do marketing, às flutuações do centro, à mediatização do discurso político, à agenda dos média, mas não conseguiram fazer evoluir as suas estruturas políticas às novas exigências da mobilidade social, nem conseguiram reinventar novas afinidades colectivas capazes de cimentar outras dinâmicas e estratégias, causas emergentes e valores comuns. Produziu-se como que um hiato, uma cisão entre o corpo do partido e a sua inteligência, o seu discurso, a sua imagem. O organicismo informal de que ainda vão vivendo, contrasta com a força de uma comunicação cada vez mais expansiva, capaz de os fazer ganhar consensos conjunturais nas mais variadas áreas sociais. E este hiato produz irreparáveis resistências do corpo ao discurso, que, por isso mesmo, impedem que ele próprio se renove. Em palavras simples: dum lado, estão as exigências de auto-reprodução do aparelho; do outro, estão as exigências de expansão do discurso para além dos estritos confins do partido. A solução dos chamados «independentes» é, por isso, uma mera solução de justaposição, um simples acrescento que em nada altera esta lógica bipolar e algo antagónica. Assim, esta ampliação do discurso político para fins eleitorais só pode servir, do ponto de vista do partido, enquanto instrumental, isto é, enquanto serve para injectar, através do aparelho de Estado, novos recursos ao aparelho. Por outro lado, e porque não se verifica uma integração funcional dos chamados «independentes», também deste lado tende a desenvolver-se uma equivalente lógica de tipo instrumental. Tudo muda sem nada se alterar. Na substância.
As sociedades modernas, enquanto sociedades da comunicação, transversais, móveis, permitem um nível de participação política que ultrapassa o quadro da participação orgânica tradicional. Nelas é possível inscrever uma lógica de exercício da cidadania que se situe para além da pura militância orgânica. Nelas é possível inscrever a ideia de cidadania activa. Algo que se situa entre o simples acto de votar e o puro exercício da militância. Cidadão activo é aquele que não só vota como intervém em causas, pequenas ou grandes, locais ou universais, e que pauta o exercício da cidadania por valores, por sentimentos de afinidade colectiva e por razões que nascem e crescem em ambiente de autodeterminação individual. Este cidadão não é independente, mas comprometido, engagé. Não é cidadão de pensamento único ou de ideologia compacta. Exerce activamente os seus direitos e assume livremente os seus deveres. Conjuga a ética das convicções com a ética das responsabilidades.
É pois necessário encontrar mecanismos institucionais permanentes capazes de lhes dar voz, sem que para isso seja exigida uma filiação partidária. Mecanismos que não se confinem aos simples e transitórios shows mediáticos.
Mas embora os partidos tradicionais venham mostrando uma enorme dificuldade de adaptação às novas realidades sociais e económicas, a política em si mesma não tem parado de evoluir. No curto espaço de duas décadas, as organizações não-governamentais, os movimentos congregados em torno de causas e uma miríada de organismos e acções, do que podemos chamar uma micropolítica, têm vindo a criar novas maneiras de fazer política. Com um tal sucesso que são hoje estas pequenas e médias organizações que frequentemente marcam a agenda da sociedade, dos grandes partidos e dos governos.
Basta citar a agenda ambiental, hoje central em qualquer sociedade democrática, que foi inteiramente obra de pequenos núcleos de activistas, contra as empresas e as polícias, mas igualmente contra os partidos, mesmo os de esquerda. Ou o contributo fundamental da Amnistia Internacional na agenda dos direitos humanos e que hoje abre uma nova frente, exigindo também uma política de direitos humanos para as grandes empresas que exploram mão-de-obra praticamente escrava, negoceiam com regimes corruptos e dão cobertura a assassinatos, torturas e violações de toda a espécie.
Torna-se aliás evidente que estas organizações, tanto pela sua condição internacionalista e global, como pela sua operacionalidade micropolítica e local, representam as bases da política do futuro. É verdade que lhes falta ainda um princípio de universalidade, único que pode garantir a gestão do interesse comum, mas no essencial os fundamentos da nova política estão já à nossa disposição. Pluralidade, mobilidade, comunidade, afinidades colectivas.
Os grandes partidos nascidos da democracia burguesa e do sindicalismo, que têm como base a militância, uma acção política essencialmente legislativa e a conquista de um aparelho de Estado centralista, dificilmente conseguirão resistir a uma sociedade fragmentada e plural, complexa e interactiva, e em constante mutação - para o melhor e para o pior.
A reflexão sobre a renovação dos partidos não é portanto de natureza meramente académica. Trata-se de uma questão de sobrevivência. Não tanto dos partidos em si, dada a sempre implacável passagem do tempo histórico. Mas da capacidade de agir hoje politicamente em comum. Porque as causas por si só, fragmentárias e efémeras, não bastam para constituir uma mundividência. Os partidos, ou outro tipo de grandes organizações, generalistas e com universalidade de princípios, são ainda fundamentais.
Não sendo possível encontrar um novo modelo unificador que substitua o corpo ideológico do passado, o campo do comum só pode definir-se, com alguma consistência, mantendo o antagonismo social como princípio fundador do próprio pluralismo. Ou seja, ao contrário do que se vaticinava nos anos 80, as noções de esquerda e direita não desapareceram e são cada vez mais importantes para definir um campo de articulação e acção. Mais. A esquerda deve reivindicar o seu lugar, traduzindo-o numa prática e num projecto de sociedade. Deve portanto demarcar-se da direita e muito em particular dos territórios indefinidos. Começa aliás a ficar claro que a ideia de grande centro não é politicamente viável. Afinal o centro é a televisão. E está também claro que não se pode governar por muito tempo para a televisão.
A nova política far-se-à de novas combinações no interior de um mesmo espaço de pluralismo. A nova política far-se-à do encontro de várias esquerdas e de distintas formas de fazer política. Umas partidárias, outras movimentistas. Umas militantes, outras de cidadania activa.
Estas são aliás ideias que vão fazendo o seu caminho. A procura de novos modelos de organização política está na ordem do dia. Temos vários exemplos na Europa. Em Itália após a falência catastrófica dos partidos históricos, com a criação de novas reconfigurações políticas. Em França com o Governo da esquerda plural. E também em Portugal com a experiência politicamente inovadora do Bloco de Esquerda.
Com a abertura a um vasto conjunto de personalidades não filiadas, o PS, através dos Estados Gerais e da Nova Maioria, deu aliás um decisivo contributo para este processo, pondo em causa a tradicional concepção de fechamento social, político e cultural que caracteriza o partido de militantes. Entendeu-se então que a renovação do partido tem pouco a ver com questões estatutárias internas e tudo com a capacidade de criar novas configurações políticas viradas para o exterior.
Existem duas maneiras de mudar a sociedade. Através de rupturas, ou iniciando processos que provocam mudanças. Por vezes, à primeira chama-se revolução e à segunda reforma. Mas torna-se cada vez mais difícil fazer uma tão peremptória distinção. A quantidade também produz qualidade. Pense-se num copo a encher, gota a gota.

Regressar ao concreto

Embora com destinos e êxitos diversos, estas novas realidades políticas têm um traço comum. Representam um regresso ao concreto. Precisamente porque se alguma coisa parece faltar numa política contemporânea totalmente subjugada pelos media, pela imagem e pela virtualidade é o domínio do concreto. E o concreto é um território implacável. Veja-se o caso português. Num país que tem evoluído positiva e velozmente em muitos aspectos, o negativo torna-se ainda mais intolerável. A miséria, o atraso, a incompetência, não são toleráveis no tempo da Internet e do avanço científico, cultural e económico. Os bairros de lata são ainda mais chocantes quando colocados ao lado da Expo.
A política precisa de desenvolver uma racionalidade do concreto. Quebrar o abraço mortal com a política espectáculo, com a dependência mediática e o ilusionismo da imagem. Não para diminuir o campo do visível, mas para dar mais visibilidade ao real.
Todos reconhecem que nos falta uma cultura de exigência e inovação. O mesmo é dizer que em Portugal existem culturas enraizadas muito fortes e formas de expressão de grande reconhecimento mundial, como seja a literatura, mas temos um fraco domínio e conhecimento da própria cultura contemporânea. Em muito dos seus aspectos. Naqueles que se prendem com a comunicação e a circulação, e também com a capacidade de empreender rupturas. Isto é, verdadeira inovação.
Duas questões básicas não fazem ainda parte da nossa conduta. Por um lado, perceber que o saber é hoje um domínio do fazer. Por outro, que a inovação depende mais da capacidade de desconstruir normas do que cumprir procedimentos. Ou seja, o desenvolvimento das pessoas, portuguesas, só será possível através de uma sobrevalorização da criatividade, da irreverência e da visibilidade das ambições, individuais e colectivas. O que implica deitar abaixo preconceitos, corporativismos, formalismos estéreis. Há aliás, objectivamente, um excesso de formalismo na vida portuguesa. Talvez por condição do homem português, mais dado ao jogo das aparências do que ao ímpeto da realização. Leia-se o velho Eça. Mas também porque apesar da revolução de Abril, o novo país democrático continua assente num similar corporativismo e dependência do Estado que sustentaram meio século de ditadura. O servilismo é ainda uma doença da nossa democracia. A falta de exigência e inovação não resultam portanto de um simples problema educacional, como tantos pretendem. É algo de muito mais profundo. Trata-se de um verdadeiro problema cultural e civilizacional.
Por isso a qualificação do país não se realizará sem grandes mudanças ao nível do próprio exercício do poder e do funcionamento da democracia. Uma cultura de excelência para os cidadãos, tem que assentar numa cultura de excelência para a acção política. Um político que não tem cultura, não pode contribuir para a qualificação do país. Desde logo porque não sabe o que isso realmente significa. Uma cultura de inovação não pode ter lugar sem uma vasta democratização de tudo, do ensino, da administração, da gestão das cidades.
É preciso reconhecer que a fraca participação dos cidadãos assenta em boa medida, na ausência de espaços de participação.
Por outro lado, no campo cultural, embora se reconheça a valorização política da cultura com os Governos do PS, no essencial, continuamos a promover uma concepção absolutamente ultrapassada de cultura. Faz, por exemplo, cada menos sentido separar os Ministérios da Ciência e da Cultura, num tempo em que o encontro das artes e das ciências é determinante para qualquer desenvolvimento científico, artístico ou tecnológico. Faz igualmente pouco sentido separar cultura e novas tecnologias da informação, sejam elas a Internet, as comunicações ou a televisão.
Sem democracia activa e sem um entendimento do que é a cultura contemporânea, não existe lugar para a exigência e inovação. Também aí o desenvolvimento do país não pode ficar exclusivamente nas mãos das empresas e suas estratégias conjunturais. À política cabe a orientação e o suplemento qualitativo. Desde logo promovendo o encontro do que agora anda separado. Artes e ciências. Cultura e política. Partidos e causas.

Construir a cidade

As cidades constituem o terreno excelente de aplicação da nova política. Em dois domínios. Cultura e democracia.
A requalificação das nossas cidades não depende só de uma melhoria ao nível do urbanismo, da circulação automóvel ou da recuperação habitacional. É a própria vida urbana que tem de ser requalificada. Com mais cultura activa, mais espaço público e maior interacção cívica.
É aliás evidente a ausência de dinâmicas culturais nas nossas cidades. Tanto no domínio mais convencional, exposições, concertos e espectáculos, como na presença da criatividade contemporânea. A cultura ainda é vista entre nós como coisa marginal, economicamente pouco rentável e de interesse duvidoso. Não se percebeu o quanto a cultura é hoje fundamental na construção da cidade e da vida quotidiana. Como factor de desenvolvimento do humano, precisamente pelo apelo que faz à curiosidade intelectual e ao bem estar dos sentidos.
Cidades feias, degradadas e sem inovação não podem gerar confiança no futuro e vontade empreendedora. Aliás, a tristeza e falta de entusiasmo são o lugar comum do sentir português neste começo de milénio. O que não pode deixar de constituir uma forte preocupação política. Porque afinal estamos a falar do futuro do país.
O programa Polis é um contributo notável e muito positivo para a requalificação das nossas cidades. Representa a continuidade de um processo iniciado com a Expo que se espera venha a servir de modelo para autarcas, agentes económicos e população em geral. Mas a carência de inovação não se prende só com o urbanismo. A nova economia assenta toda ela na capacidade de produzir e concretizar ideias novas. O fraco entendimento que temos hoje do que significa a cultura contemporânea, terá repercussões nefastas no futuro.
Por isso também aqui se exigem acções concretas. Criação de centros de inovação, interacção de saberes, ligação das escolas aos agentes culturais, promoção de concursos de ideias para os mais variados objectos e objectivos, cedência de espaços públicos abandonados para criação de ateliers, centros de arte e tecnologia, centros de experimentação.
Basta dizer que muitas são as cidades portuguesas que têm festas, festivais e eventos culturais regulares. Mas praticamente nenhuma tem sido capaz de criar dinâmicas culturais fortes e autónomas. Das muitas recuperações urbanas realizadas nestes últimos anos em várias cidades do país, muitas reverteram para zonas de bares e comércio. Mas praticamente nenhuma para ateliers e centros de produção cultural. O que constitui um erro tremendo.
A construção da cidade contemporânea é um processo democrático e cultural. Democrático porque exige a participação activa dos cidadãos. Cultural porque representa uma singularidade. No contexto europeu essa singularidade é aliás determinante. Porque assistimos nestes últimos anos a uma evidente revalorização do papel das cidades, face ao enfraquecimento das nações. A Europa é cada vez mais uma Europa das cidades. É aliás aí que se joga o futuro da cidadania europeia.


Criar futuro

Fica claro que acima de tudo Portugal necessita de uma requalificação de âmbito cultural. Na democracia, nos partidos, na política, nas cidades. O que significa também que não se trata de uma questão técnica ou sectorial, mas sim do campo dos objectivos e da decisão política.
Sendo certo que a política vem sofrendo um ataque feroz por parte de vários sectores da sociedade, nomeadamente económicos e mediáticos, também não é menos verdade que lhe cabe ainda um papel importante na acção sobre o concreto e na criação de processos dinâmicos capazes de dar sentido ao destino colectivo. É aliás isso mesmo que todos esperamos.

Leonel Moura

Publicado por agineotonico às 08:32 PM | Comentários (1)

Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé

"Na condição de Presidente da Direcção dos Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé venho, em representação de toda a Associação e ao abrigo da lei da imprensa, cujo cumprimento é tão rigorosamente observado como o do código da estrada, referir-me aos dados biográficos de Sexa o Senhor Secretário de Estado da Defesa e Antigos Combatentes.
(...)Como é de uso, solicito seja esta carta publicitada com o mesmo destaque em ambos os lados, em papel reciclado e com fotografia tipo passe, a três quartos e a cores e sem que se possa ver a eventual barba de três dias.
Os dados divulgados, por incompletos, apenas se devem a um de dois factores: o primeiro e o segundo (...) Tive a rara felicidade de conhecer Sexa no infantário do Alto Calhabé, ainda ambos de calções e de bibe de riscado aos quadradinhos, quando os dois frequentámos as suas salas. Não o acompanhei depois, Sexa era super dotado, super rápido, super despachado, atributos que ainda hoje não tenho reunidos, o que muito me tem lixado a vida, diga-se "off record".
Mas, por questão da mais elementar justiça, complete-se com mais rigor o excepcional currículo que apresenta Sexa, o senhor Secretário de Estado da Defesa e dos pensionistas dos 150 euros anuais:

- Chefe de sala dos 4 aos 7 anos no Infantário do Alto Calhabé
- Declamador do poema A Baratinha na festa de Natal do mesmo infantário
- Controlador das crianças até 10 anos na colónia de férias da praia da Figueira
- Conclusão do exame de instrução primária, com distinção e palmas. Ganhou um relógio de pulso.
- Chefe de turma no segundo ano do ciclo preparatório na escola preparatória de Que Aios
- Exame do ciclo preparatório com a média de 13 valores, por desfaçatez do júri
- Membro honorário da Associação dos Antigos Chavalitos do Infantário do Alto Calhabé".

(in Cabo Raso)

Publicado por agineotonico às 05:16 PM

Despedida

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Publicado por agineotonico às 04:29 PM | Comentários (2)

O que é que tem o Barnabé?


Tendo andado por aí a visitar alguns blogues, parei para ler o elogio fúnebre de Arafat feito pelo pessoal do Barnabé. Pelos comentários pareceu-me estarem os rapazes a ser bastamente incompreendidos; eu sei, eu sei, eles não fundamentam nada do que dizem, mas porque não gosto de ver gente injustiçada decidi oferecer-lhes uma ajudinha.
Para isso, tentarei repor alguns factos históricos e contar um episódio em que a minha vida se cruzou com a causa palestiniana.
Vamos então à história. Como se sabe, Arafat nasceu terrorista e corrupto e passou toda a sua infância e juventude tentando encontrar o pretexto ideal para dar largas à sua natureza. Tendo estudado engenharia, engenhou numa das suas disciplinas curriculares um projecto chamado Estado de Israel, o qual começou a testar mesmo antes de acabar a licenciatura e que tinha como objectivo oferecer-lhe a cobertura ideal para dar largas à sua vontade de aterrorizar e corruptar.
O resto da história é conhecido: o terrorismo transformou-se no seu desporto favorito e foi aquilo que o manteve longe do aborrecimento dos salões de chá durante a maior parte da sua vida, durante a qual refinou algumas das sua técnicas preferidas, como viver sitiado entre ruínas.
Isto quanto às questões do terrorismo e da corrupção. Relativamente ao apodo de ditador, que muita perplexidade tem causada em algumas mentes mais ingénuas, deixem-me contar o seguinte:
Tendo eu saído de casa para ir à tasca do meu amigo Vicente comer uns carapaus fritos com arroz de tomate, quis o acaso que acabasse por partilhar a mesa com um refugiado palestiniano, o qual me contou algumas histórias da biografia de Arafat e das quais destaco:
O homem, como bom ditador, predicado do qual sempre procurou fazer-se acompanhar, dedicou uma parte da sua vida ao derrube do governo da Palestina democraticamente eleito em eleições livres e avalizadas pelos EEUU e Israel.
Não contente com a usurpação do poder, instalou a censura prévia, proibiu os partidos políticos e reprimiu, através de uma polícia bem armada e omnipresente toda e qualquer manifestação de dissidência.
Construiu uma série de palácios para férias na neve, férias na praia, férias no campo e férias na cidade (o chamado palácio governamental)
Aboliu o parlamento, dispersou a população e os seus representantes e construiu uma série de barreiras para evitar que pudessem encontrar-se, frequentar a escola ou, simplesmente, amar-se.
E se tudo isto não chega para definir a sua natureza ditatorial, disse-me o tal refugiado, deixando-me com um rabo de carapau atravessado na garganta, devo dizer-lhe que ainda esta manhã mandou dispersar uma manifestação com blindados e bala real. Aqui tem, disse-me ele, enquanto limpava calmamente a boca ao guardanapo.
Com este escrito espero ter contribuído para a reabilitação dos barnabés junto dos seus leitores habituais; afinal, nunca se sabe quando se irá precisar de alguém possuidor de uma daquelas bússolas que garantem a orientação nos corredores do poder.
(in O uno e o múltiplo)

Publicado por agineotonico às 08:08 AM

O impensável torna-se normal


Os média que se dizem "de referência" falam de Faluja como se fosse povoada apenas por "insurrectos" estrangeiros. De facto, mulheres e crianças estão a ser assassinadas em nosso nome.
(John Pilger)

Iraque: o impensável torna-se normal
por John Pilger [*]

Os medias que se dizem 'de referência' falam de Faluja como se fosse povoada apenas por "insurrectos" estrangeiros. De facto, mulheres e crianças estão a ser assassinadas em nosso nome.

O importante ensaio de Edward S. Herman, "A Banalidade do Mal", nunca pareceu mais adequado. "Fazer coisas terríveis de um modo organizado e sistemático repousa na 'normalização' ", escreveu Herman. "Há habitualmente uma divisão de trabalho no fazer e no racionalizar o impensável, com a brutalização e morte directa feita por um conjunto de indivíduos ... e outros a trabalharem para melhorar a tecnologia (um melhor crematório a gás, um napalm mais adesivo e com queima mais prolongada, bombas de fragmentação que penetram a carne em padrões difíceis de detectar). É função do peritos, e dos media de referência, normalizar o impensável para o público geral.
Hoje (6 de Novembro), na Radio 4, um repórter da BBC em Bagdad referiu-se ao ataque em preparação à cidade de Faluja como "perigoso" e "muito perigoso" para os americanos. Ao ser perguntado acerca dos civis ele disse, de modo tranquilizador, que os US marines estavam "a avançar com um alto-falante" dizendo às pessoas para saírem. Ele omitiu dizer que dezenas de milhares de pessoas ficariam na cidade. E mencionou de passagem o "mais intenso bombardeamento" da cidade sem qualquer sugestão do seu significado para as pessoas debaixo das bombas.
Tal como para os defensores, aqueles iraquianos que resistem numa cidade que desafiou heroicamente Saddam Hussein, eles eram meros "insurrectos enfiados na cidade", como se fossem um corpo aliado, uma forma menor de vida a ser "varrida" (The Guardian): um terreno adequado para "caçadores de ratos", que é a expressão, relatada por outro repórter da BBC, utilizadada pela Guarda Negra (Black Watch) britânica. Segundo um oficial superior britânico, os americanos vêm os iraquianos como sub-homens (Untermenschen), termo utilizado por Hitler no Mein Kampf para descrever judeus, romenos e eslavos. Foi assim que o exército nazi colocou cidades russas sob cerco, massacrando combatentes e não-combatentes de igual modo.
Normalizar crimes coloniais como o ataque a Faluja exige tal racismo, a unir a nossa imaginação ao "outro". O tema das reportagens é que os "insurrectos" são conduzidos por sinistros estrangeiros da espécie que decapita pessoas: por exemplo, Musab al-Zarqawi, um jordaniano que se diz ser o "top operative" da Al-Qaeda no Iraque. Isto é o que os americanos dizem, é também a mentira mais recente de Blair ao parlamento. Incontáveis vezes isto foi papagaiado diante de uma câmara, para nós ouvirmos. Nenhuma ironia é observada no facto de que os estrangeiros no Iraque são esmagadoramente americanos e, segundo todas as indicações, odiados. Estas indicações vem organizações aparentemente críveis de inquéritos, uma das quais estima que dos 2700 ataques mensais da resistência, seis podem ser creditados ao infame al-Zarqawi.
Numa carta enviada a 14 de Outubro a Kofi Annan, o Conselho Shura de Faluja, que administra a cidade, afirma: "Em Faluja, [os americanos] inventaram um novo alvo vago: al-Zarqawi. Quase um ano decorreu desde que eles criaram este novo pretexto e sempre que eles destroem casas, mesquitas, restaurantes e matam crianças e mulheres dizem: "Lançámos uma operação com êxito contra al-Zarqawi". O povo de Faluja assegura que esta pessoa, se ela existe, não está em Faluja ... e não temos ligações a quaisquer grupos que apoiem comportamento tão desumano. Apelamos a si e urgimos das Nações Unidas [a impedirem] o novo massacre que os americanos e o governo fantoche estão a planear começar em breve em Faluja, bem como em muitas partes do país".

Nem uma palavra acerca disto foi relatada nos media 'de referência' da Grã-Bretanha e dos EUA.
"O que será preciso para sacudi-los do seu silêncio embaraçoso?" perguntou em Abril o dramaturgo Ronan Bennett, depois de os US marines, num acto de vingança colectiva pela morte de quatro mercenários americanos, terem morto mais de 600 pessoas em Faluja, número esse que nunca foi desmentido. Então, tal como agora, eles utilizaram o feroz poder de fogo da artilharia dos AC-130 e dos caça-bombardeiros F-16 e das bombas de 500 libras (227 kg) contra tugúrios. Eles incineraram crianças; os seus franco atiradores (snipers) jactaram-se de matar qualquer um, tal como o fizeram os snipers em Sarajevo.
Bennett referia-se à legião de silenciosos deputados trabalhistas que se sentam no fundo do parlamento, com honrosas excepções, e os lobotomizados ministros júnior (lembram-se de Chris Mullin?). Ele poderia ter acrescentado aqueles jornalistas que se esforçam de toda a maneira para proteger o "nosso" lado, que normalizam o impensável ao não fazerem o mínimo gesto perante a imoralidade e a criminalidade demonstrável. Naturalmente, ficar chocado com o que "nós" fazemos é perigoso, porque isto pode levar a um entendimento mais vasto da razão porque "nós" estamos ali e do sofrimento que "nós" causamos não só aos iraquianos como também em muitas partes do mundo em que o terrorismo da al-Qaeda é diminuto em comparação com o nosso.
Não há nada ilícito neste encobrimento; ele acontece à luz do dia. O exemplo recente mais gritante seguiu-se ao anúncio, em 29 de Outubro, pela prestigiosa revista científica Lancet, de um estudo em que estimava que 100 mil iraquianos haviam morrido como resultado da invasão anglo-americana. Oitenta e quatro por cento das mortes foram causadas pelas acções dos americanos e dos britânicos, e 95 por cento destas foram mortas por ataques aéreos e fogo de artilharia, a maior parte das quais eram mulheres e crianças.
Os editores do excelente MediaLens observaram a pressa -- não, a debandada -- em adoçar esta notícia chocante com "cepticismo" e silêncio. Eles relatam que, em 2 de Novembro, o relato do Lancet fora ignorado pelo Observer, Telegraph, Sunday Telegraph, Financial Times, Star, Sun e muitos outros. A BBC estruturou o relato em termos de "dúvidas" do governo e o noticiário do Channel 4 apresentou um trabalho alinhavado com base em informações da Downing Street. Com uma excepção, a nenhum dos cientistas que compilou este relato rigorosamente revisto por outros cientistas foi pedido que comprovassem o seu trabalho. Até que dez dias depois o pró-guerra Observer publicou uma entrevista com o editor do Lancet, tergiversando tanto que parecia estar a "responder aos seus críticos". David Edwards, editor do MediaLens, pediu aos investigadores para responder à crítica dos media. A sua meticulosa demolição pode ser vista no alerta de 2 de Novembro [ http://www.medialens.org ]. Nada disto foi publicado no media 'de referência'. Assim, o facto impensável de que "nós" nos havíamos engajado em tal carnificina foi suprimido -- normalizado. Isto recorda a supressão da morte de mais de um milhão de iraquianos, incluindo meio milhão de crianças abaixo dos cinco anos, em resultado do embargo conduzido pelos anglo-americanos.
Em contraste, não há qualquer questionamento dos media quanto à metodologia do Tribuna Especial Iraquiano, o qual anunciou que sepulturas em massa contem 300 mil vítimas de Saddam Hussein. O Tribunal Especial, um produto do regime quisling de Bagdad, é dirigido pelos americanos; cientistas respeitados nada querem ter a ver com ele. Não há questionamento daquilo a que a BBC chama "primeiras eleições democráticas do Iraque". Não há relatos acerca de como os americanos assumiram o controle do processo eleitoral com dois decretos aprovados em Junho que permitem a uma "comissão eleitoral" que elimine partidos de que Washington não goste. A revista Time relata que a CIA esta a comprar os seus candidatos preferidos, o que é a maneira como a agência conserta eleições por todo o mundo. Quando ou se as eleições tiverem lugar, seremos submergidos por clichés acerca da nobreza do acto de votar, pois os fantoches da América são "democraticamente" escolhidos.
O modelo para isto foi a "cobertura" da eleição presidencial americana, um vendaval de platitudes a normalizarem o impensável: que o que se verificou a 2 de Novembro não foi a democracia em acção. Com apenas uma excepção, nenhum membro do rebanho de sábios vindos de Londres descreveu o circo de Bush e de Kerry como a maquinação de pouco mais do que 1 por cento da população, os ultra-ricos e poderosos que controlam e administram uma economia de guerra permanente. Que os perdedores não foram somente os democratas mas sim a vasta maioria dos americanos, sem importar em quem votaram, era algo imencionável.
Ninguém relatou que John Kerry, contrastando a "guerra ao terror" com o desastroso ataque de Bush ao Iraque, simplesmente explorou a desconfiança pública com a invasão a fim de construir apoio à dominação americana por todo o mundo. "Não estou a falar em abandonar [o Iraque]", disse Kerry. "Estou a falar em vencer!". Assim, tanto ele como Bush mudaram a agenda ainda mais para a direita, de modo que milhões de democratas anti-guerra pudessem ser persuadidos de que os EUA tinham "a responsabilidade de acabar a tarefa" para que não houvesse o "caos". A questão na campanha presidencial era nem Bush nem Kerry, mas uma economia de guerra destinada a conquistar o exterior e a efectuar divisão económica interna. O silêncio sobre isto foi completo, tanto na América como aqui.
Bush venceu apelando, com mais proficiência do que Kerry, ao medo de uma mal definida ameaça. Como foi ele capaz de normalizar esta paranóia? Vamos olhar para o passado recente. A seguir ao fim da guerra fria, a elite americana -- republicanos e democratas -- estavam a ter grande dificuldade em convencer o público de que os milhares de milhões de dólares gastos na economia de guerra não deveriam ser desviados para um "dividendo da paz". Uma maioria de americanos recusava-se a acreditar que ainda houvesse uma "ameaça" tão poderosa como a ameaça vermelha. Isto não impediu Bill Clinton de enviar ao Congresso o maior orçamento de "defesa" da história para apoiar uma estratégia do Pentágono denominado "dominância de pleno espectro" ("full-spectrum dominance"). Em 11 de Setembro de 2001 foi dado um nome a essa ameaça: Islão.
Ao viajar a Philadelphia recentemente deparei-me com o Relatório Kean do Congresso sobre o 11 de Setembro, da Comissão 11/Set, na prateleira das livraria. "Quanto você tem para vender?" perguntei. "Um ou dois", foi a resposta. "Isto vai desaparecer logo". Todavia, este modesto livro de capa azul é uma revelação. Tal como o relatório Butler no Reino Unido, que pormenoriza toda a evidência incriminatória do massageamento da inteligência feito por Blair antes da invasão do Iraque, e a seguir retirou os seus socos e concluiu que ninguém era responsável, da mesma forma o relatório Kean torna dolorosamente claro o que realmente aconteceu, e a seguir deixa de tirar as conclusões que o fitam na cara. É um supremo acto de normalizar o impensável. Isto não é surpreendente, pois as conclusões são vulcânicas.
A mais importante prova para a Comissão 11/Set veio do general Ralph Eberhart, comandante da North American Aerospace Defence Command (Norad). "Os caças a jacto da força aérea podiam ter interceptado aviões de carreira sequestrado a correrem em direcção ao World Trade Center e ao Pentagon", disse ele, "apenas se os controladores de tráfego aéreo houvessem pedido ajuda 13 minutos mais cedo ... Nós teríamos sido capazes de derrubar todos os três .. todos os quatro deles".

Por que isto não aconteceu?
O relatório Kean torna claro que "a defesa do espaço aéreo americano no 11/Set não foi conduzido de acordo com o treinamento pré-existente e com os protocolos ... Se um sequestro fosse confirmado, os procedimentos determinavam ao coordenador do sequestro o dever de contactar o National Military Command Center (NMCC) do Pentágono ... O NMCC pediria então a aprovação do gabinete do secretário da Defesa para proporcionar assistência militar ..."
Singularmente, isto não aconteceu. Foi dito à comissão, pelo vice-administrador da Federal Aviation Authority, que não havia razão para o procedimento não estar a operar naquela manhã. "De acordo com os meus 30 anos de experiência ..." disse Monte Belger, "o NMCC estava na rede e a ouvir tudo em tempo real ... Posso afirmar-lhe pois vivi dúzias de sequestros ... e eles estavam sempre a ouvir todos os outros".
Mas nesta ocasião, eles não estavam. O relatório Kean diz que o NMCC nunca foi informado. Por que? Mais uma vez, singularmente, todas as linhas de comunicação falharam, foi dito à comissão pelas altas patentes militares da América. Donald Rumsfeld, secretário da Defesa, não podia ser encontrado, e quando ele finalmente falou com Bush uma hora e meia mais tarde, isto, diz o relatório Kean, "uma chamada breve na qual o assunto da autoridade para derrubar não foi discutido". Em resultado disso, os comandantes do Norad foram "deixados no escuro acerca do que era a sua missão".
O relatório revela que a única parte de um sistema de comando anteriormente à prova de falhas que funcionou estava na Casa Branca onde o vice-presidente Cheney estava no controle efectivo daquele dia, e em contacto estreito com o NMCC. Por que ele não fez nada acerca dos primeiros dois aviões sequestrados? Por que o NMCC, a ligação vital, esteve silencioso pela primeira na sua existência? Kean ostentosamente recusa-se a falar disto. Naturalmente, podia ser devido à mais extraordinária combinação de coincidências. Ou não podia.
Em Julho de 2001, num documento de informação top secret preparado para Bush lia-se: "Nós [a CIA e o FBI] acreditamos que OBL [Osama Bin Laden] lançará um ataque terrorista significativo contra os interesses dos EUA e/ou de Israel nas próximas semanas. O ataque será espectacular e concebido para infligir baixas em massa contra instalações ou interesses americanos. Os preparativos do ataque foram efectuados. O ataque ocorrerá com pequena ou nenhuma advertência.
Na tarde do 11 de Setembro, Donald Rumfeld, tendo deixado de actuar contra aqueles que haviam acabado de atacar os Estados Unidos, disse aos seus ajudantes para porem em movimento um ataque ao Iraque -- quando a evidência era não-existente. Dezoito meses depois, a invasão do Iraque, não provocada e baseada em mentiras agora documentadas, teve lugar. Este crime épico é o maior escândalo político do nosso tempo, o último capítulo na longa história do século XX de conquistas ocidentais de outras terras e dos seus recursos. Se permitirmos que isto seja normalizado, se recusarmos questionar e investigar as agendas escondidas e o inexplicável poder secreto das estruturas no coração dos governos "democráticos" e se permitirmos que o povo de Faluja seja esmagado em nosso nome, nós renunciaremos tanto à democracia como à humanidade.

[*] John Pilger actualmente é professor visitante na Cornell University, New York. Seu último livro, Tell Me No Lies: investigative journalism and its triumphs, foi publicado pela Jonathan Cape.

O original deste artigo encontra-se no New Statesman .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info .

Publicado por agineotonico às 07:43 AM

TANQUES EM LOS ANGELES

Uma manifestação anti-guerra realizada dia 11 em Los Angeles foi reprimida pela polícia e com tanques dos US Marines.
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(Resistir e Centre for Research on Globalisation)

Publicado por agineotonico às 07:27 AM | Comentários (1)

corrupção pode estar fora de controlo em Portugal

Maria José Morgado entende que o fenómeno da corrupção pode estar fora de controlo em Portugal, ao considerar que a «sociedade civil se tem deixado embalar e encantar com notícias de escândalos».
A antiga directora nacional adjunta da Polícia Judiciária entende com urgente a criação de um «programa de combate à corrupção» e pediu à sociedade civil que exija da «PJ, Ministério da Justiça e do Procurador-geral da República estatísticas, estudos, diagnósticos e resultados» sobre a questão.
«Volta e meia há um surto de investigações, mas depois não ficam sinais marcantes»
, terminando, muitas delas, em prescrições.
(TSF)

«Não há verdadeiro combate à corrupção»Maria José Morgado considera que o fenómeno da corrupção pode estar fora de controlo em Portugal e que pouco tem sido feito para o combater. A magistrada lembrou que a corrupção está a ter graves efeitos na adminstração pública e na economia.

Maria José Morgado entende que o fenómeno da corrupção pode estar fora de controlo em Portugal, ao considerar que a «sociedade civil se tem deixado embalar e encantar com notícias de escândalos».
A antiga directora nacional adjunta da Polícia Judiciária entende com urgente a criação de um «programa de combate à corrupção» e pediu à sociedade civil que exija da «PJ, Ministério da Justiça e do Procurador-geral da República estatísticas, estudos, diagnósticos e resultados» sobre a questão.
Num discurso no I Congresso sobre Democracia em Portugal, Maria José Morgado, que disse ter aceite o convite para estar presente nesta ocasião «por dívida aos capitães de Abril», insistiu que em Portugal «não há um verdadeiro combate à corrupção».
«Volta e meia há um surto de investigações, mas depois não ficam sinais marcantes», acrescentou a ex-responsável da PJ, que deu como exemplo da falta de investigação o caso do Fundo Social Europeu, «que terminou com meia dúzia de prescrições».
A magistrada lembrou ainda que a evasão fiscal representa qualquer coisa como cinco a sete por cento do PIB e que a corrupção está a ter graves efeitos na administração pública e na economia do país. «A prática de luvas tem custos acentuados para as empresas e distorce a concorrência», adiantou.
«Os números oficiais da corrupção não existem em Portugal. Portugal, enquanto país pobre, fica ainda mais pobre com a corrupção», concluiu Maria José Morgado, que afirmou que as «condenações e acusações existentes [226 casos detectados de 1995 a 2000, todos de pequena corrupção] não correspondem à percepção do fenómeno da corrupção».
Logo a seguir, o socialista Manuel Alegre falou em «promiscuidade entre interesses económicos e decisores políticos», acrescentando mesmo que a «democracia representativa atravessa uma profunda crise».
«Esta traduz-se numa crescente abstenção, na existência de uma alternância sem que haja alternativas e num crescente individualismo, acrescentou o parlamentar do PS, que defendeu ainda uma «refundação da esquerda em Portugal, na Europa e no mundo».
«A democracia tem de romper o cerco, a começar pelo cerco que começa em certas pessoas de esquerda, a quem a direita lhes dita o que deve ou não ser feito», concluiu.

Publicado por agineotonico às 07:16 AM

Barghouthi não fará parte da direcção palestina

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Sylvan Shalom, diz que Barghouthi foi condenado a prisão perpétua e permanecerá encarcerado até ao fim dos seus dias.
Líder do Fatah para a Cisjordânia, Marwan Barghouthi tem sido apontado como um potencial sucessor de Yasser Arafat, líder histórico dos palestinos.
Marwan Barghouthi goza de grande popularidade entre os palestinos. Seria, talvez, o líder que mais condições teria para unificar os diferentes movimentos palestinos. Esta possibilidade de unificação constituiria um risco para Israel que está interessada que se gere uma luta pelo poder que desorganize a resistência.

Publicado por agineotonico às 06:59 AM

novembro 11, 2004

ONU prevê crise humana na Faixa de Gaza


A ONU lançou um alerta esta quinta-feira para uma crise humanitária iminente na Faixa de Gaza, com 72% dos palestinos a viver em condições de pobreza no final de 2006.
Este relatório diz ainda que as restrições de israel dificultam a entrega e a distribuição de artigos de emergência na região.
Desde o dia 28 de setembro, 82 palestinos e cinco israelitas foram mortos em Gaza, incluindo 26 crianças, segundo informações do relatório. Hoje, mais cinco palestinos foram mortos, incluindo dois meninos que estavam a caminho da escola.
Elaborado por 12 agências da ONU, o documento faz um apelo para Israel permitir o livre acesso da organização na Faixa de Gaza.
Segundo o documento, os moradores da região têm dificuldade em encontrar emprego, exportar bens, mudar para fora de Gaza e mandar as suas crianças à escola.
Actualmente, 66% dos palestinos em Gaza vivem com menos de 2 dólares americanos por dia (valor da linha de pobreza definido pela ONU), e a organização estima que cerca de 120 prédios são demolidos por mês pelo Exército israelita.

Publicado por agineotonico às 08:08 PM | Comentários (2)

Vitória em Faluja pode acabar em derrota, diz general britânico

A provável vitória dos EUA na batalha de Faluja pode "criar condições políticas em outras partes do Iraque que resultem na perda da guerra", advertiu nesta quinta-feira um general britânico.
Michael Rose critica o "uso indiscriminado" da força militar americana em áreas populosas porque "inevitavelmente causa destruição e morte", e acusa os miliares de tentarem "destruir tudo o que se movimenta". "Também não é certo", adverte, "que a destruição das bases insurgentes em Faluja vá acelerar o fim da crescente resistência iraquiana à ocupação" estrangeira.
"A realidade é que guerras contra a insurreição armada como esta não podem ser ganhas conquistando território ou mudando regimes, mas só mudando atitudes e isolando os rebeldes do restante da população", observa.
"Como conseqüência do assalto a Faluja, os clérigos sunitas do Iraque já estão fazendo apelos aos 'cidadãos honoráveis' para que boicotem eleições que serão realizadas sobre os corpos dos mortos e o sangue dos feridos em cidades como Faluja", diz Michael Rose.

Publicado por agineotonico às 07:34 PM

Porquê o ranking dos hospitais

Enquanto a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e o Sindicato Independente dos Médicos consideram que o ranking do Ministério da Saúde só serve para descredibilizar os profissionais porque compara realidades completamente diferentes e privilegia uma análise quantitativa na avaliação dos hospitais, Luís Filipe Pereira dá conta das suas motivações:
"os resultados vão ser tidos em conta na decisão de transformar, pelo menos, dez destes hospitais SPA em Sociedades Anónimas (SA)";
"o «ranking» é um dos critérios da escolha. Posteriormente, existem outros factores a ter em conta, como a localização das unidades hospitalares".
"o Hospital de Oliveira de Azeméis, que lidera este ranking, trata-se de uma hipótese que reúne cada vez mais consistência para passar a SA".

Publicado por agineotonico às 07:09 PM | Comentários (1)

Desemprego atinge o valor mais elevado desde 1998


Segundo dados do INE, divulgados esta quinta-feira, a taxa de desemprego fixou-se nos 6,8% no terceiro trimestre deste ano. Um aumento de 12,1% do número de desempregados face ao terceiro trimestre de 2003 e 8,2% em relação ao trimestre anterior.

Publicado por agineotonico às 07:01 PM

Erro médico

Os médicos não cometem mais erros do que outros profissionais de nível superior fora do âmbito da saúde, como em Direito, Arquitectura, Administração, etc. Com certeza, cometem bem menos. A diferença principal está na natureza do seu trabalho.
Embora para o médico a medicina seja um compromisso de meios, para o paciente e a sociedade ela é vista como uma cruel expectativa de resultados.
O doente vai ao médico à procura de resultados, e, quase sempre imediatos, mostra-se ansioso, com a sua vida em jogo e não transige na exigência de resultados substantivos e positivos.
Isso torna quase proibitivo o erro médico. Os resultados são quase sempre visíveis a olho nu e a curto prazo. A verdade é que o resultado adverso em medicina pode ser sinónimo de morte e, por isso, diferente de outros serviços prestados pela sociedade. Enquanto outros serviços malfeitos apenas representam percas financeiras ou materiais, os erros médicos podem gerar sofrimento imediato, perca de órgãos, ou de funções, ou a morte de entes queridos.
Esta circunstância coloca a actividade médica sob pressão constante.
Erro médico; negligência médica; crimes cometidos no exercício da actividade médica, sempre foram uma questão complexa, seja no plano da ética, seja na esfera da própria justiça civil ou criminal.
Sendo uma actividade essencial para a vida humana que está, nos dias de hoje, não só a ser afectada pelo rápido desenvolvimento das tecnologias, como pela exigência da sua rápida privatização que trará desigualdades de atendimento acrescidas, a exigência de apuramento de responsabilidades nos “erros médicos”, fará correr muita tinta.
Não defendendo de forma alguma a impunidade profissional dos médicos, parece que eles tendem e ser colocados na posição de “bode expiatório” das instituições que prestam cuidados de saúde. Transformados em simples prestadores de serviços, com relações distantes dos doentes e substituído o seu tradicional papel social por uma visão economicista de rentabilização de recursos, arcarão com toda a responsabilidade dos maus serviços prestados em saúde.
Mais do que nunca se torna necessária uma reflexão sobre questões verdadeiramente éticas suscitadas pela vida e que são os reais alicerces dos códigos morais e de conduta. Não esquecendo que a actividade médica é realizada por pessoas que carregam consigo as limitações próprias da condição humana e, por isso, com imperfeições, deficiências e contradições, não pactuar com os actos de má prática, nem com a negligência médica deve ser uma exigência da classe médica em particular e de todos os cidadãos.

Publicado por agineotonico às 06:39 PM | Comentários (1)

Sobre a discussão entre João Tilly e Alfredo Vieira

A forma como a comunicação social publicitou o livro sobre “erro médico” de Luís Martins (Prof no ISCTE) e José Fragata (Médico), tem dado origem a grandes discussões.
Aos títulos sensacionalistas “todos os anos morrem nos hospitais portugueses três mil pessoas devido a erros cometidos pelos profissionais de saúde”, fica como de somenos importância os factos de ser «esta estimativa parte de estudos conduzidos nos EUA» adaptados à realidade nacional e de não ser esclarecido a diferença entre conceitos como “erro médico”, negligência”, “imperícia”, “dolo”, etc.
Nos comentários do Blog de João Tilly, podem ler-se verdadeiros insultos à classe médica que têm origem no desconhecimento, na falta de informação e na mítica ideia que os médicos são todos multimilionários que agem sempre de má fé com os doentes.
Esquece-se, em primeiro lugar, que o livro que relança esta importante discussão no nosso país é feito por um membro dessa classe médica que se ataca.
Já diversas vezes referi aqui no blog que a conivência com actos de negligência médica, que o espírito corporativo da Ordem dos Médicos e da classe no seu conjunto, são os grandes culpados da desconfiança dos cidadãos.
Sem dúvida que este é um debate importante. Importante também é que seja feito com seriedade e que faça parte de um conjunto de medidas como, por exemplo, a avaliação independente dos sistemas de saúde (público, SA e Privado), o controle efectivo dos cuidados prestados e o estabelecimento de seguros hospitalares que cubram os erros médicos (e não apenas a negligência).

(Leia alguns dos argumentos de Alfredo Vieira)

Alguns argumentos de Alfredo Vieira
"Só um pateta acha que os médicos são "multi-milionários".
Só um pateta vê as consequências de um sistema que expõe os médicos em condições inacreditáveis de trabalho, e depois lhes atribui a culpa de não se conseguirem duplicar, de não conseguirem ser deuses que acorrem a tudo e a todos em tempo útil.
Só um pateta atribui ao esforço e ao estudo árduo de uma vida inteira o epíteto de grunhice.
Só um pateta chama criminosos, insinua falta de respeito pela vida de outrem, por parte de quem só procura fazer o bem ...
Quando os médicos erram, às vezes, os doentes morrem. Outras demoram mais tempo a curar-se. Invariavelmente sofrem mais do que deviam. E a não ser que erre de propósito, ou que tenha a sorte de voltar atrás e corrigir a tempo, ou de alguém o fazer por ele, o erro passa-lhe despercebido. É assim com aqueles que lidam com a doença, e a morte que a todos toca.
Nas urgências temos, de forma criminosamente legislada, médicos de serviço durante um mínimo de 24 horas seguidas por semana, 47 semanas por ano(...) Nesta situação está a esmagadora maioria. Esperam concentração para o vosso caso em particular, entre 50 mais ou menos graves que ele teve/terá que ver? Depois de 12 horas de serviço? Depois de 18? Esperam que ele não erre? Esperam simpatia? (...) (sem) nunca terem na vida estado tão perto do lado mais carente, mais decadente, menos educado, menos compreensivo e mais agressivo da sociedade que ignoram.
Há erro médico? Cruzes credo, que a terra tremeu! Esses cabrões ainda por cima enganam-se! Não só se divertem a atender-nos mal, a deixar-nos secar com as nossas mazelas, (...) como ainda ... erram. Esses incompetentes, que têm o privilégio de terem sido os melhores entre os melhores nas suas turminhas, nas suas escolinhas, enganam-se? Que tiveram o privilégio de estudar 6 anos de curso em regime de reclusão, que têm o privilégio de terem que trabalhar depois do curso entre 5 a 8 anos para finalmente terem o estatuto (obrigatório) de especialistas, para finalmente não terem emprego certo (ao contrário do que suas excelências sabedoras julgam). E ainda têm a lata de se enganar ... A sociedade a dar todas as benesses deste mundo e do outro, entre cuspidelas e insultos gratuitos, entre indignações egoístas e hipócritas, e eles enganam-se. Sim, porque ninguém mais se engana (...)
Modelos de financiamento? Nem pensar, antes os modelos de não financiarmos todos por igual. Melhor gestão? Não, então e o partidozito que ganha deixaria de poder ocupar centenas de tachos!? (...) Melhor política do medicamento? Então e o nosso ministro deixava de poder relacionar-se com os grandes laboratórios internacionais, a troco só ele sabe do quê, e iria afrontar essa filantropa associação que é a ANF? Melhor controlo da produtividade, com critérios de qualidade (e nunca de quantidade)? Balelas. Fizeram um estudo (foram médicos que o fizeram, os únicos não-sacanas e que nunca se enganam, provavelmente, pensa o Zé povinho) para detectar erros, corrigir procedimentos e exigir reformas? Qual quê! Importante, importante é saber que os cabrões enganam-se! E nem perguntem porquê, que nos dá logo uma dor de cabeça que nos distrai do objectivo fundamental e construtivo (à maneira portuguesa), que é a de insultar uma classe de gente, maioritariamente ímpar no panorama merdoso da intelectualidade nacional. “Os cagões”, pensam 99% dos leitores, “a acharem-se superiores”. Ninguém pede que o reconheçam. Apenas que não chateiem com as futilidades com que gostam de os brindar gratuitamente
".

Publicado por agineotonico às 04:36 PM | Comentários (2)

Armas químicas e gases venenosos na ofensiva contra Faluja

O governo americano infringe, assim, as convenções internacionais que proíbem explicitamente a utilização deste tipo de armas.
"The US occupation troops are gassing resistance fighters and confronting them with internationally-banned chemical weapons,” resistance sources told Al-Quds Press Wednesday, November 10.
The fatal weapons led to the deaths of tens of innocent civilians, whose bodies litter sidewalks and streets, they added.
“They use chemical weapons out of