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outubro 05, 2004
Poupar em saúde? (2)
Hepatite B
É sabido o pouco apoio dispensado aos imigrantes no nosso país. Apenas se fala deles quando a sua situação merece capa de jornal, não pela defesa dos seus direitos a uma vida digna, mas por motivos que os discriminam. As condições em que são obrigados a viver no nosso país, tradicionalmente um país de emigrantes, como não serem pagos pelo trabalho que realizam, apenas fazem notícia fugaz. Já o caso das mafias, das delinquências e, mais recentemente, dos problemas que comportam para a saúde pública, fazem notícia.
Basta ver os títulos dos jornais para se perceber a forma discriminatória como são tratados. Mais uma vez a comunicação social faz um mau trabalho.
Muitos dos imigrantes dos países de leste vivem em condições deploráveis. Dormem em Centros de Abrigo, onde se misturam toxicodepentes, portadores de HIV e das doenças que lhe estão associadas. Não dispõem de apoio específico de acesso à saúde.
Mas o título do jornal reza assim, "Imigração aumenta incidência do vírus da hepatite B em Portugal" e as opiniões que se expressam nesta notícia divergem quanto às medidas a tomar: "Miguel Raimundo, médico especialista e presidente da Associação de Apoio aos Doentes com Hepatites Virais (...) subscreve, alargando o âmbito do rastreio aos grupos de risco actualmente reconhecidos, como toxicodependentes, população prisional e indivíduos ligados à prostituição. Jorge Areias, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado, reconhece que esta é uma «ideia muito interessante», mas duvida que seja financeiramente possível levar este projecto adiante. As análises para detecção da infecção são caras e o investimento prioritário «deve ser feito na prevenção»".
"Um dos maiores problemas com esta infecção, quando evolui para doença crónica, é o facto de ser, na maioria das vezes, assintomática - sendo detectada apenas quando provoca cirrose. Miguel Raimundo assinala que existem muitos doentes «que têm de ser tratados e que ainda não o sabem». Nem todas as infecções, se contraídas por adultos, acabam em doença, mas, de qualquer forma, este especialista alerta que «o cancro do fígado está a aumentar em Portugal à custa das hepatites» ... Outro problema com as comunidades imigrantes é o facto de a transmissão ser feita de mãe para filho. E, quando isso acontece, a probabilidade de a infecção nessa criança evoluir para doença crónica é de 90 por cento. A ocorrência de cirroses hepáticas e de cancros do fígado poderão assim aumentar".
A saúde pública é um bem essencial e a ideia de que pode ser rentável quer a curto quer a longo prazo é um absurdo. De qualquer forma as decisões no âmbito da saúde não podem ser contabilizadas a curto prazo, gasta-se hoje para prevenir, para poupar amanhã. A prevenção destas doenças é fundamental, por isso, Patrick Marcellin, especialista francês em hepatites virais, está a promover um estudo epidemiológico e defende um rastreio da hepatite B aos imigrantes de países com altas taxas de incidência quando chegam à Europa ocidental.
E por cá?
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Publicado por agineotonico às outubro 5, 2004 11:52 AM
Comentários
E a minha opinião vai só para esse título quanto a mim miserável!
Cada vez mais o DN vai nos habituando frequentemente a títulos desse tipo. Não sei o que pretende com isso, mas que os senhores que acentam as suas ideias na xenófobia devem estar contentissimos.
Será que o DN está já a entrar em "estágio" para o grande novo chefe, Delgado?
Publicado por: cachucho às outubro 5, 2004 05:59 PM