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outubro 27, 2004
O problema não é o calo. Antes fosse ...
José António Saraiva, director do "Expresso", acusou o poder político de ter falta de "calo democrático". O problema não reside no "calo", porque este significaria "inexperiência". A questão reside na falta de postura democrática. A qualidade da comunicação social de um país, a sua pluralidade e a liberdade de expressão concedida aos jornalistas é um dos indicadores fundamentais dos Estados democráticos. É um indicador básico que os distingue dos Estados totalitáros.
Num país pequeno como o nosso, com poucos grupos económicos significativos e com as relações de promiscuidade entre poder político e económico, não me parece de todo descabido que o Estado seja accionista por forma a poder intervir em alguns órgãos de comunicação de impacto nacional.
Mas esta intervenção do Estado deveria ser no sentido de garantir a liberdade da comunicação social no nosso país para que se não dissesse como Paul Sethe (publicista alemão) que "a liberdade de imprensa é a liberdade para duzentas pessoas endinheiradas difundirem suas opiniões".
Mas o que aqui assistimos é ao Governo a intervir nos meios de comunicação social, que têm o Estado como accionista, não de forma ingénua por falta de calo, mas na continuidade da sua postura arrogante, de destruição sistemática dos direitos sociais, que não admite qualquer crítica.
José António Saraiva afirma ainda que "todas as tentativas do Estado têm-se revelado infrutíferas e com esta vai acontecer exactamente a mesma coisa. Quanto maiores forem as tentativas de intervenção do Governo, maior será a pressão dos média sobre o Governo. Isso já se verifica e está a envenenar o ambiente".
Veremos se isso é de facto verdade quando se tornar claro o que o Governo tem na manga para a comunicação social ...
Publicado por agineotonico às outubro 27, 2004 05:43 PM