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outubro 25, 2004

Ensinar a Aprender

Uma nova escola de medicina.


A Universidade do Minho arrancou em 2001 com o primeiro ano lectivo do curso superior de ciências da saúde, há muito desejado. O lema da casa é o conhecido chavão Ensinar a Aprender e, na verdade, a aprendizagem nesta escola desenvolve-se de uma forma muito distinta da realidade habitual. Em vez das aulas teóricas, que quase invariavelmente se baseiam na debitação pública de um qualquer livro de autor normalmente estrangeiro (ou sebenta desenhada a partir destes), os alunos minhotos são presenteados com um ensino interactivo em que o professor se comporta principalmente como orientador de estudo. Este método é uma adaptação do sistema americano “Problem-based learning”. Os alunos, como diria o Fernando Pessoa “Primeiro estranham. Depois, entranham!”
Os resultados são visíveis no dia a dia. Elevadíssimos índices de motivação, especialmente nos alunos. Porque este método de ensino exige muito mais domínio teórico dos assuntos leccionados os professores desanimam menos, motivam-se mais, trabalham melhor. Apesar do ratio professor/aluno ser o que a lei manda (aproximadamente 1/8 durante os primeiros 3 anos básicos e 1/4 nos seguintes 3 anos clínicos), os alunos estão infinitamente mais acompanhados e aconselhados do que noutros estabelecimentos de ensino.
Uma das jóias da coroa é seguramente a tarefa Projectos de Opção, novidade introduzida desde o primeiro ano de licenciatura. Todos os anos, os alunos são “convidados” a apresentar uma ideia do que gostariam de fazer durante três semanas. Esta é a primeira grande oportunidade para muitos partirem a descoberta do mundo. Há o exemplo de uma aluna que estagiou numa escola médica em Sheffield para observar in situ as diferenças entre este método de ensino em Portugal e no Reino Unido. Outros partiram à descoberta das desigualdades sociais entre diferentes regiões do país: um foi ao Algarve seguir uma doente com cancro da mama, e outro seguiu os mesmos passos com uma doente de Coimbra. Há inúmeros projectos deliciosos dos quais destaco o aluno que reparou que os pais de bebés internados em unidades de cuidados intensivos neonatais recorrem com mais frequência à ajuda prestada por outros pais em situações semelhantes, do que ao médico de serviço; e a aluno que foi aprender como funciona a Saúde numa prisão do norte do país. Apesar da maior parte dos alunos optar por experimentar a realidade hospitalar (>50%), é curioso verificar que a percentagem de alunos que desenvolve interesse pela investigação científica (básica e clínica) aumenta ao longo do curso e atinge cerca de 20% no terceiro ano da licenciatura. Um número bastante elevado e que poderá vir a ser a força motriz para a investigação clínica, deserta neste país, com algumas excepções a confirmarem a regra.
(in Conta Natura)

Publicado por agineotonico às outubro 25, 2004 08:01 AM