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setembro 19, 2004
Urgências - o fim de um mito
O Grupo Português de Triagem anunciou os seus mais recentes dados sobre a utilização das Urgências hospitalares em Portugal. Estes resultados foram obtidos a partir da aplicação do sistema de Manchester em 26 hospitais do País e confirmam números anteriores, mais restritos, que apontavam para uma taxa de 60% de utentes com razões mais do que suficientes para recorrer às Urgências.
É uma realidade que desmonta a tese de que os hospitais estão bloqueados por um número excessivo de utentes sem razão para recorrer aos serviços de Urgência. É isto que tem sido sucessivamente dito pelos mais altos responsáveis da tutela, que apontavam, especulativamente, para taxas que chegavam aos 80% de utilizadores indevidos nas nossas Urgências.
Os números, cientificamente obtidos — sublinhe-se —, destroem, agora, qualquer explicação, qualquer decisão ou qualquer desculpa baseadas nessa tese.
Acabou o mito. Ministros e outros responsáveis estavam definitivamente enganados.
Convém que se não volte a agitar consciências com números que não existem. E convém também que se trabalhe cada vez mais e melhor, como é exemplo este caso, para uma quantificação séria da Saúde em Portugal. Já agora convém também que, definitivamente, se dêem meios aos Cuidados de Saúde Primários para dar resposta ao número de utilizadores «indevidos» dos serviços de urgência hospitalares.
(in tempomedicina)
Publicado por agineotonico às setembro 19, 2004 10:28 PM