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setembro 14, 2004
Trabalhem mais e ...
comam menos, arranjem casa noutro sítio, andem a pé, não adoeçam ou andem doentes a trabalhar, aguentem com os vossos familiares desempregados e, entretanto, aproveitem para comprar aos poucos os materiais escolares das vossas crianças e jovens que a abertura do ano escolar dá-vos muito tempo para isso.
Esta foi a mensagem transmitida na "conversa em família" de Bagão Félix, na 2ª feira.
Com o seu de ar benemérito compreensivo e, simultaneamente, de pai educador de todos nós, explicou-nos como gerir as finanças do país à imagem e semelhança da sua figura de gestor sabido em economia familiar. Exortou os portugueses a trabalhar mais, porque o trabalho dá saúde e não pode ser considerado um sacríficio mesmo que sem salário. Por último, assumindo-se como figura de proa do optimismo nacional, disse: nada de "cepticismo, pessimismo e negativismo" ... eu estou aqui e as provas do que digo também:
Portugal tem um milhão de analfabetos: um milhão de pessoas que nunca foram à escola, não conhecem as letras, os números, nem são capazes de preencher os impressos dos seus impostos, números que colocam o País na cauda da Europa em relação ao alfabetismo
Uma taxa diferenciadora na área da saúde, foi anunciado pelo primeiro-ministro, Santana Lopes, este fim-de-semana.
Salário mínimo mais longe dos Quinze: o salário mínimo nacional português é muito mais baixo do que em Espanha e na Grécia. E continuará atrás, mesmo que o Governo aceite a proposta mais arrojada de aumento.
Os professores portugueses estão entre os mais mal pagos dos países desenvolvidos e houve uma queda significativa no investimento público na educação em Portugal, em termos do Produto Interno Bruto
A nova lei das rendas, que José Luís Arnaut vai levar a Conselho de Ministros já na próxima semana, deixará mais de 300 mil famílias a deitar contas à vida.
O número de desempregados inscritos nos centros do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) atingiu os 462.056, enquanto isso o ministro das Finanças defendeu, ontem à noite, a necessidade de "diminuir" o número de funcionários públicos.
Publicado por agineotonico às setembro 14, 2004 06:16 PM
Comentários
Não foi tudo em dois anos. Os baixos salários, incluindo o miserável salário mínimo já vêm de trás. A taxa de analfabetismo também não é nova. A verdade é que Portugal nunca foi bem governado, fosse à esquerda, fosse à direita.
Isto, claro, não invalida que este governo esteja (ostensivamente) a deteriorar ainda mais as coisas. E, aí sim, a perspectiva de ter que os aguentar mais dois anos, é terrível.
Publicado por: Mário Cunha às setembro 15, 2004 02:18 AM
Cada país tem o governo que merece...quem votou no "pai" deste, que se aguente...quem não votou..que se cuide!
Publicado por: João às setembro 14, 2004 11:50 PM
Excelente post!
Concordo em absoluto com tudo o que dizes e apetece dizer e, isto tudo em apenas dois anos!
E ainda nos restam 2. assustador!
Publicado por: cachucho às setembro 14, 2004 07:16 PM