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setembro 11, 2004
Terrorismo

Faz hoje 3 anos que assistimos horrorizados ao atentado ao World Trade Center em Nova Iorque.
Esta dolorosa experiência que nos deveria ter levado a reflectir sobre a origem de tal barbaridade e a tomar medidas para reduzir semelhantes ocorrências, acabou por nos levar à sua multiplicação.
O discurso da guerra preventiva tomou a dianteira ao discurso alternativo da negociação, do apoio ao desenvolvimento e da paz como forma de prevenção primária do terrorismo.
Como se tem visto, os atentados sucedem-se num escalar de violência e generalizaram-se.
Se é verdade que alguns países, encabeçados pelos Estados Unidos, se aproveitaram do pretexto da necessidade de combater o terrorismo para iniciar uma trajectória de agressão militar visando objectivos de ordem económica e geopolítica, também é verdade que os opositores a esta visão, não souberam desenvolver um combate político eficaz de esclarecimento para desmascarar estas sucessivas agressões.
Volvidos 3 anos sobre os acontecimentos trágicos do 11 de Setembro, podemos somar a este muitos outros atentados terroristas que demonstram o erro da chamada “guerra preventiva” e demonstram a justeza da alternativa da negociação, do desenvolvimento e da paz.
Os argumentos a favor do combate aos terroristas baseado apenas na troca de informação eficaz entre serviços de “intelligencia” e na invasão e agressão militares, são o que resta de um discurso cínico que se tem vindo a esvaziar de sentido.
Luís Delgado, ontem dia 10, na RTP2, era a personificação da probreza e inconsistência de argumentos de quem defende a guerra, de quem defende a política da administração Bush. Dizia ele de olhar esgazeado, que havia terroristas espalhados por todo o mundo, que havia loucos que queriam matar por prazer quem quer que fosse e que era necessária a guerra e a organização dos serviços de informação na Europa. Para LD, a agressão de Israel à Palestina justifica-se para matar os militantes do Hamas e nada tem a ver com a ocupação territorial dos territórios palestinos.
A ideia que os terroristas são loucos “que nasceram para aí virados”, pretende esconder as razões que lhes dão origem.
Sem dúvida que a organização e coordenação dos serviços de informação são fundamentais para prevenir a acção dos terroristas. Mas como referi num outro post, o terrorismo é uma consequência e não uma causa. O terrorismo combate-se desenvolvendo uma acção directa às suas causas e isso implica uma via de negociação e apoio ao desenvolvimento.
Por agora, a trajectória de combate ao terrorismo serve os objectivos ocultos dos países que os põem em marcha e os resultados estão bem à vista: vivemos num mundo onde não sabemos onde será o próximo atentado, nem quem visará, como se viu em Beslan.
Publicado por agineotonico às setembro 11, 2004 07:32 PM