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setembro 19, 2004

Medicamentos para crianças (1)

Cerca de 50% dos fármacos utilizados em crianças nunca foram testados neste grupo etário, sendo que no subgrupo dos recém-nascidos esta percentagem ascende aos 65%. Segundo a CE, os médicos recorrem com frequência à adaptação das dosagens do adulto para a criança, mas os efeitos secundários desta forma de actuação são frequentes.
«A Europa está perigosamente atrasada, no que respeita ao desenvolvimento e adaptação de medicamentos para crianças», pode ler-se num documento que resume o teor da iniciativa da CE.
Os peritos da CE evidenciam ainda o «dilema dos médicos», pois as crianças não são pequenos adultos: «Uma dosagem inadequada ou erros de cálculo no ajuste da dose pode aumentar o risco de reacção alérgica ou de ineficácia do tratamento, pois, apesar de todas as precauções tidas no cálculo das doses, o metabolismo da criança é diferente do adulto». Além destas consequências, na prática, os médicos são ainda confrontados com outros pequenos problemas, como, por exemplo, a inadequação da fórmula terapêutica, muitas vezes em comprimidos demasiado grandes para que a criança os possa engolir ou com um sabor que dificulta a sua adesão à terapêutica.
Para a Presidente da Comissão Nacional da Saúde da Criança e do Adolescente, Prof.ª Maria do Céu Machado, «este documento é importantíssimo. Grande percentagem dos fármacos que usamos em Pediatria não estão validadas nesta área, nomeadamente para os grupos etários mais baixos e, em particular, para os recém-nascidos, que têm uma farmacocinética própria para quase todos os medicamentos ».
A proposta comunitária assenta na criação de mecanismos de incentivo para as empresas farmacêuticas, de modo a que estas se sintam mais atraídas a apostar num mercado relativamente pequeno e, portanto, pouco rendível. A Dr.ª Ana Maria Nogueira, Presidente da Associação Portuguesa dos Médicos da Indústria Farmacêutica (AMPIF), não concorda, contudo, com a explicação economicista desta realidade. Como sublinhou, «os fármacos são sempre testados primeiro em adultos porque, do ponto de vista ético, é a abordagem mais correcta». Na mesma linha de pensamento, a Dr.ª Maria João Queiroz, Directora Executiva da Eurotrials, acha que «esta legislação é pertinente, mas, no fundo, trata-se apenas de mais um passo num processo evolutivo contínuo, que já vem acontecendo».
(in tempomedicina)

Publicado por agineotonico às setembro 19, 2004 10:10 PM

Comentários

Agora imagina os denominados genéricos.

Publicado por: jgonçalves às setembro 19, 2004 10:14 PM