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setembro 27, 2004

Joanas e Catarinas do nosso país


Enquanto a comunicação social, com a maior das faltas de respeito, arma um carnaval em torno do drama de Joana, o padre da paróquia da Mexilhoeira Grande mete o dedo na ferida.

"Domingos Monteiro, 64 anos, ainda não sabe se terá "que fazer o funeral da Joana". Mas, "se o fizer", promete "palavras duras contra as instituições portuguesas". O padre da paróquia da Mexilhoeira Grande, que abrange a povoação de Figueira, está particularmente indignado com o acompanhamento que a comissão de menores fez da menina e com "o clima doentio" que se vive em volta do caso."

"Os técnicos da comissão de menores, quando foram lá a casa, declararam que não existiam sinais visíveis de maus tratos e, por isso, não deram qualquer importância à queixa. Como se os maus tratos de uma criança passassem só por ela andar com o corpo marcado", atira Domingos Monteiro, nervoso e revoltado."
"Domingos Monteiro insiste: os males permanecem, o Estado negligente, a falta de valores das pessoas, manter-se-ão se tudo continuar como está. "Não tem nada que ver com religiosidade. Nem com o facto das pessoas irem ou não às missas. As pessoas antigamente iam mais às missas e os problemas eram mais do que muitos. A questão tem que ver com ajudar as pessoas a crescerem, a serem livres, com o trabalho no terreno", diz. "

Já tinha comentado em alguns blogs que a questão mais importante é a responsabilização das instituições que deveriam ter acompanhado este processo. Deveria exigir-se que a Comissão de Protecção de Menores, a quem foi feita a denúncia deste caso, apresentasse o relatório que levou ao arquivamento do processo. De igual forma deveria ser ouvido o juiz que o arquivou e a Comissão de Apoio à Vítima de Violência Doméstica que tinha conhecimento da situação desta família. Só com a responsabilização das instituições se pode defender as crianças vítimas de maus tratos. Dever-se-ia exigir que estas Comissões fossem constituidas por profissionais bem treinados e capazes de fazer o diagnóstico destas situações e não por "tias" com preconceitos em relação a estas famílias.
Da comunicação social, infelizmente, já nada se espera a não ser esta pouca vergonha para captar audiências. Limitam-se a fazer entretenimento em vez de informação. Passaram de jornalistas a palhaços ao sabor dos desejos do poder económico que lhes paga.

Publicado por agineotonico às setembro 27, 2004 03:47 PM

Comentários

Este tratamento por parte da comunicação social espelha o país que temos.
um país terceiro mundista, que parece não ter evolução.

Talvez a emigração seja a solução, cada vez penso mais nisso!

Publicado por: cachucho às setembro 27, 2004 06:51 PM