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setembro 21, 2004
Efeito Mozart
Frances Rauscher (neurocientista) e Gordon Shaw (físico) divulgaram em 1993 o resultado de uma investigação sobre a influência da música na forma como os neurónios comunicam entre si. Apesar da contestação de que foram alvo, reafirmam que um primeiro estudo demonstrou haver uma grande semelhança entre a música barroca e o ritmo das ondas cerebrais e que há padrões de neurónios que são activados com a audição da Sonata para Dois Pianos em Ré Maior (K448) de Mozart: “há padrões de neurónios que disparam em sequência, e que parece haver locais pré-existentes no cérebro que respondem a frequências específicas” (Shaw)
Alguns cientistas levantaram a hipótese do chamado “efeito de Mozart” ser de origem emocional.
Foram realizadas experiências distintas por colegas de outras universidades que chegaram a resultados diferentes. Algumas não produziram nenhum “efeito Mozart”, enquanto outras confirmaram o trabalho de Shaw. Nasceu assim a polémica.
Mas esta contradição levou à realização de novas experiências e uma nova pesquisa realizada com ratos, vem revelar a base molecular do “efeito de Mozart” atribuindo-lhe origem neurológica.
Já este ano, Shaw, utilizou aparelhos de ressonância magnética para mapear as zonas do cérebro activadas pela música: “percebeu-se então que, além do córtex auditivo, onde o cérebro processa os sons, a música também activa partes associadas com a emoção. “Mas, com Mozart, o córtex inteiro se acende”, diz Mark Bodner, que auxiliou Shaw. E apenas Mozart activa áreas do cérebro envolvidas com a coordenação motora, visão e outros processos mais sofisticados do pensamento. Infelizmente, tal aparelho não explica a razão desse fenómeno. De todo modo, esse trabalho científico provou indubitavelmente que o ensino de música aumenta muito a capacidade mental das crianças. Se elas forem apresentadas a Mozart bem cedo, quando ainda estão desenvolvendo sua rede neural, o resultado positivo pode durar para toda a vida, alegam os especialistas.”
Por outro lado, Kenneth Steele e John Bruer alegam que não há nenhum melhoramento na inteligência ou benefício à saúde pela audição da referida música de Mozart e as suas colegas Karen Bass e Melissa Crook afirmam ter seguido os protocolos estabelecidos por Shaw e Rauscher em 125 alunos mas não conseguiram "encontrar nenhum tipo de efeito" e concluíram que "há pouca evidência para apoiar programas de intervenção baseados no Efeito Mozart" (esta pesquisa a aparece na edição de Julho de 1999 da Psychological Science).
"O Efeito Mozart é um exemplo de como a ciência e a mídia se misturam em nosso mundo. Uma sugestão de uns poucos parágrafos em um jornal científico se torna uma verdade universal em uma questão de meses, acaba sendo acreditada até por cientistas que inicialmente reconheceram como seu trabalho havia sido distorcido e exagerado pela mídia. Outros, farejando o dinheiro, se juntam à corrente, acrescentando à mistura seus próprios mitos, alegações questionáveis e distorções. Neste caso, vários defensores acríticos se alinham para defender a fé, porque o que está em jogo é o futuro de nossas crianças. Nós então temos livros, fitas, CDs, institutos, programas governamentais, etc. Em pouco tempo, milhões acreditam no mito como um fato científico. Neste caso, o processo encontrou pouca resistência crítica, afinal nos já sabemos que a música pode afectar sentimentos e o humor, por que então não afectaria a inteligência e a saúde? É apenas senso comum, certo? Sim, e mais uma razão para ser céptico."
Publicado por agineotonico às setembro 21, 2004 04:59 PM
Comentários
Bom dia, gostei muito do texto penso que deveriamos falar mais sobre o efeito mozart em Portugal... inclusive já lançamos os cd's complilados por Don Campbell, estão agora disponivel em porugal no site www.portugal.com na categoria The Mozart Effect do catálogo.
Cumprimentos,
Ana Gonçalves
Publicado por: Ana Gonçalves às fevereiro 13, 2005 03:08 PM
Olá,
Gostei do comentário.
O Efeito Mozart faz parte da minha vida, tenho notado resultados indiscutiveis no ambito da aprendizagem, tenho ouvido todos os dias as sonatas indicadas pelo Don Campbell e editado pela Fonix Musik www.fonixportugal.com, estou concluindo um trabalho de investigação na área da botanica e esta música tem me ajudado muito.
Saudações,
Ana
Publicado por: Ana Gonçalves às outubro 19, 2004 12:05 AM
Se a música afecta sentimentos e humor então irá afectar a saúde. A maior parte das doenças são psicossomáticas. Gostei do blog. Parabéns.
Publicado por: Paula às setembro 21, 2004 06:23 PM