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setembro 25, 2004
Ataque cerrado à Escola Pública (3)
Já li este post duas ou três vezes mas tenho-me abstido de fazer comentários. É que, como dizia o "outro" estou farta de dar para este peditório e cansada de me ouvir em dissertações do género. Tenho dois filhos em idade escolar, já fui professora e conheço bem a natureza do nosso ensino e toda a sua evolução. É certo que toda a experiência pessoal é limitada mas não deixa de nos oferecer indicadores sintomáticos do estado geral das coisas e esses, garanto-te, são bem preocupantes.
Infelizmente, e era isto que te queria dizer, o que aqui muito bem denuncias como uma perversão dos pilares fundamentais de qualquer sistema educativo é hoje aplaudido por uma GRANDE parte de professores e, espantem-se, encarregados de educação.
As escolas caminham a uma velocidade assustadora para "centros de detenção" de "objectos humanos" onde a figura do professor autocrático e totalitarista se torna uma realidade cada vez mais evidente. Mais: torna-se uma exigência da própria comunidade e, portanto, uma realidade consentida e permitida pela esmagadora maioria dos encarregados de educação.
O pior é que a breve trecho também esses centros de detenção terão de se tornar rentáveis e o gestor escolar (porque a ideia das nomeações traz implícita a de um gestor escolar) terá como missão rentabilizar o espaço, transformando-o numa espécie de "mercado livre". Falo de publicidade, aluguer de espaços, patrocínios, claro.
Esta questão, naturalmente, é demasiado complexa para se esgotar aqui.
Contudo, seria bom pensarmos até que ponto esta ideologia "securitária" (esta visão do outro como inimigo,de um modo geral, ou do aluno, pai ou professor como inimigo, de um modo particular ) não nos afasta de uma avaliação justa do problema e não nos encerra em lógicas circulares que acabam, apenas, por nos sufocar no medo, na hostilidade e na total ausência de liberdade.
Este é um "discurso" que (porque pertenço a uma associação de pais) tenho "imposto" a vários professores, meus ex-colegas. Respondem-me com olhos de espanto. Defeito meu: gosto do mundo num ponto de vista holista.
abraço
o uno e o múltiplo
Publicado por agineotonico às setembro 25, 2004 12:12 PM
Comentários
É uma pena ver o pais onde nascemos,caminhar alégremente para o abismo.Tenho um filho engenheiro informatico ,e pour nada deste mundo gostava que ele fosse para la
Publicado por: zim-zim às setembro 27, 2004 09:58 AM
joão
ainda quero continuar com o tema. Também dei, já há uns bons anos, formação a professores. Tenho tido pouco tempo disponível, mas voltarei ao assunto para dar a ideia que tenho sobre isto.
Penso que as culpas se podem repartir pelos diversos actores: ME, profs e pais. Mas confesso que, apesar de entender as dificuldades dos profs, tendo a atribuir-lhes algumas responsabilidades pelo que se passa nas escolas.
Abraço
Publicado por: GIN às setembro 25, 2004 10:01 PM
gralha anterior
Leia-se - o ensino perdeu-se.
Publicado por: joão Norte às setembro 25, 2004 08:14 PM
O problema é complexo.
Sou (fui) professor 33 anos, formador de colegas 20 anos e sou pai.
Comungo das mesmas preocupações. Aos meus formandos, aos meus alunos, hoje também professores, sempre transmiti esta mensagem : no dia em que entre professor e aluno deixar de haver amizade, o ensino perdeu-se.
Infelizmente caminhamos nesse sentido. O professor torna-se na peça da engrenagem substituível sem valor.
Publicado por: João Norte às setembro 25, 2004 08:13 PM