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agosto 05, 2004

Portugal "importa" bebés e "exporta" crianças mais velhas

A estatística da Direcção-Geral da Segurança Social, que detém o monopólio da adopção internacional, mostra um Portugal hesitante entre um comportamento de primeiro-mundo e um estatuto de terceiro-mundo.
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Portugal só sinaliza para a adopção internacional menores para os quais não encontra candidato dentro do país, de acordo com o "princípio de subsidiaridade estabelecido na legislação nacional". E, a avaliar pela estatística oficial, há cada vez mais menores em "fim de linha": "pacotes" de dois ou mais irmãos, crianças com idade superior a dez anos ou com problemas de saúde muito graves.

Dizer que os portugueses não adoptam crianças de "fim de linha" e que estas são dadas para adopção internacional é, uma vez mais, um trabalho jornalístico mal feito. Seria importante que se aprofundasse e desse visibilidade às razões deste fenómeno.
Na verdade, ter um filho deficiente é uma situação muito dolorosa, mas em Portugal é, não só dolorosa, como punitiva.
As dificuldades que enfrentam as famílias com crianças/jovens portadores de deficiência são verdadeiramente dramáticas. A par dos problemas de ordem psicológica (que não recebe qualquer preocupação), a falta de apoio do Estado em matéria de instituições de acolhimento diário (e em alguns casos nocturno), de flexibilidade/redução de horário para acompanhamento da pessoa deficiente às poucas estruturas de apoio para as suas necessidades específicas, de gratuitidade dos serviços de saúde e educação, de entre outros, colocam estas famílias numa situação de vida muito complexa.
Como pode pedir-se aos casais portugueses que nestas condições adoptem crianças e jovens portadores de deficiência?
O mesmo se passa com os "pacotes de rmãos" e as crianças/jovens de risco. Para se resolver o problema destas crianças, criar as condições para que sejam adoptadas no nosso país, são necessárias políticas de apoio como existem noutros países, os tais países que aqui vêm fazer estas adopções.
Somos um País de 3º Mundo não por não adoptarmos as nossas crianças e jovens de “fim de linha” mas por termos um Estado que as não considera nas suas políticas sociais.

Publicado por agineotonico às agosto 5, 2004 12:00 PM