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julho 11, 2004

Ninguém investe na pobreza.

Ninguém investe na pobreza.
Caminhamos para Hospitais de ricos e Hospitais de pobres.
Os Hospitais de ricos terão investimento e os Hospitais de pobres ficarão com os mesmos meios que na década de 50 quando foram criados.
Camas nos corredores, casa de banho degradadas e mal cheirosas, comida péssima e, claro, falta de infraestruturas, nomeadamente, o que se verifica com a radioterapia, onde os resultados das nossas velhas máquinas são o caos quando comparados os resultados com os resultados de outros países.
Mas nascemos aqui ...
Os novos hospitais que vão surgir, como o de Loures, que vai ter 600 camas e que visa fechar os hospitais da grande lisboa, serão de parceria público/privado.
Dos Hospitais Públicos só ouviremos más notícias, como as que surgirão este fim de semana sobre Sta Maria. Foi nomeado um novo administrador, engenheiro de minas, que só tem feito asneiras. Chama colaboradores aos professores catedráticos e aos directores de serviço, quer fazer cursos de gestão aos fins de semana, à noite e em Agosto ... enfim, um fartote.
Comparado com o anterior administrador, também engenheiro, é uma sombra ... mas é curioso que esse anterior administrador, que tinha sido secretário de Cavaco Silva, esteve em Sta Maria a "fazer estágio" e foi ganhar cerca de 4000 contos, por convite, para o Grupo Saúde da CGD ... como se vê a dança continua.

(enviado para o Gintónico por e-mail)

Publicado por agineotonico às julho 11, 2004 02:56 PM

Comentários

à formação e não forma

Publicado por: GIN às setembro 12, 2004 12:23 AM

J.L. Cirne de Castro
Penso que tem toda a razão nos seus comentários. De facto fiz uma leitura precipitada e pouco cuidada do próprio post que coloquei e que me foi enviado por email.
De qualquer forma, a questão relativa à nomeação dos administradores penso que se mantém.
As questões que levantei relativamente à forma é que poderá ser posta em causa pela sua inexactidão
De novo obrigado pelos seus comentários
GIN

Publicado por: GIN às setembro 12, 2004 12:22 AM

Gin Tónico,
Estamos a falar linguagens diferentes. Não fiz qualquer consideração sobre o SNS. O "post" que comecei por comentar tinha algumas falsidades, que indiquei. E, pelo visto, continua a confusão, ao falar de cursos de gestão, que não existem, no contexto do "post" com que tudo começou.
Repito que se trata de um processo de reflexão sobre o que se quer que o HSM seja. Tão somente, isso. E, até agora, não percebi que houvesse qualquer tentativa de influenciar as pessoas na expressão do que querem. Por enquanto, o jogo parece limpo (não estou a afirmar que é). Não podemos estar permanentemente de "pé atrás", mesmo quando ainda não há razão para tal. A fórmula é: atitude serena, isenção (sobretudo política) e expectativa armada. Caso contrário, perdemos completamente a razão quando a tivermos.

Publicado por: J.L.Cirne de Castro às setembro 11, 2004 11:25 PM

J.L. Cirne de Castro
Não me parece que a questão essencial das nomeações dos gestores hospitalares, resida nos cursos. A formação, como se sabe, deve ser contínua e mais ainda nos dias de hoje em que as transformações se processam de forma bastante rápida.
A questão reside, em primeiro lugar, nos critérios de nomeação e só depois nas necessidades de formação. Gerir um hospital é extremamente complexo, exige um bom conhecimento do meio e uma vasta cultura sobre as diferentes opções de gestão hospitalar.
As nomeações a que nos habituámos para gestão da “coisa pública” não resultam da competência comprovada, mas de pagamentos políticos e sucessiva redistribuição de lugares independentemente da avaliação do trabalho prestado. A “dança das cadeiras” não se resume aos lugares de governação.
Na gestão dos Hospitais, por ser área extremamente sensível, deveriam ser colocadas pessoas com provas dadas na área de gestão e de conhecimento do meio hospitalar. Mesmo sabendo que “a vida hospitalar” está impregnada de vícios adquiridos ao longo de anos, não deixa de ser assinalável os conflitos generalizados entre as recentes administrações e o pessoal hospitalar. Se até hoje os Hospitais, mesmo com todas as dificuldades de gestão, se têm mantido a funcionar e foram avaliados como sendo o 12º melhor sistema de saúde público do mundo, pergunto onde estão as pessoas com o seu Know how que tal conseguiram. É que não discordo da necessidade de melhorar e optimizar o Sistema de Saúde, o que discordo é a forma aventureira e pouco cuidada como está a ser feita, discordo da ideia de considerar que tudo estava errado, de desprezar o conhecimento adquirido e estragar o que estava feito, para impor uma mudança que tem dado maus resultados. Discordo acima de tudo da pouca/nenhuma clarificação dos objectivos que esta governação tem para a área da saúde e, em particular, para o Sistema de Saúde Público.
Quanto à formação, e tendo em conta o comentário que deu origem a este post “devo acrescentar agora que os tais "cursos" não o são: apenas reflexão sobre o que os responsáveis pelos principais departamentos do Hospital desejariam que ele fosse. Vistas as coisas assim, e se o processo é sério, parece até louvável e não merecedor de críticas negativas”, penso que é necessário que estes responsáveis façam uma reflexão permanente e, nessa perspectiva, não é de facto errado. Agora resta saber se é isso que se considera “curso de formação em gestão hospitalar”, se é por aí que ficam as necessidades de formação desses profissionais.
Ainda em relação à formação em gestão hospitalar que está a ser disponibilizada aos administradores deixaria as perguntas:
Os objectivos definidos para esta formação são claros?
É que se não são claros os objectivos do governo relativamente às decisões postas em marcha no campo da saúde, como podem ser claros os objectivos da formação?
A formação nesta área é abrangente? É uma formação que disponibiliza conhecimento sobre diferentes tipos de gestão: privada, parcerias e pública? É uma formação que se restringe exclusivamente a questões técnicas ou abrange as questões das decisões em políticas de saúde?
Também aqui não têm sido claros os objectivos do governo. É que a restrição do discurso ao que os SA têm poupado, mostra a falta de clareza sobre para onde se quer levar o Sistema de Saúde. Sabe-se que um Sistema Nacional de Saúde Público é caro. Mas é esse “ser caro” que define a opção democrática de acesso igualitário à saúde. O governo tem optado por um discurso meramente técnico, em detrimento de um discurso sobre opções políticas em saúde e é isso que é assustador e põe em risco o nosso Sistema Nacional de saúde.
Penso ser aqui, aliás, que se centra este problema. Sem uma clarificação dos objectivos políticos que norteiam as alterações ao nosso Sistema Nacional de Saúde, não me parece possível pensar uma formação consistente para gestores de Hospitais SA e gestores de Hospitais Públicos. È que se pensam sempre os gestores públicos como tendo que fazer uma gestão para dar lucro. Assim, apresentam-se números sobre as despesas dos seus hospitais para justificar a necessidade de privatização. Mais uma vez, isto demonstra ausência de definição política dos objectivos dos hospitais públicos, ou, pior ainda, pura má fé.
Ainda sobre esta questão da ausência de clareza sobre os objectivos que norteiam as alterações ao Serviço Nacional de Saúde e, em particular, ao papel dos Hospitais Públicos, a preocupação não se limita à necessidade de bons gestores da coisa pública. O problema é muito mais grave. Esta indefinição virá a ter fortes repercussões nos quadros de pessoal, nomeadamente, nos especialistas que ficarão nos Hospitais Públicos. Mas esse será, talvez, tema para outro post.
Restam, ainda, perguntas relacionadas com os formadores.
O leque de formadores recorre a pessoas com experiência em gestão pública hospitalar? Recorre a formadores de países que têm sistemas de saúde públicos eficientes?
Recorre a pessoas que têm dado provas de preocupação e conhecimento profundo desta temática nos seus diversos âmbitos?

Publicado por: GIN às setembro 11, 2004 03:45 PM

Na realidade, devo acrescentar agora que os tais "cursos" não o são: apenas reflexão sobre o que os responsáveis pelos principais departamentos do Hospital desejariam que ele fosse. Vistas as coisas assim, e se o processo é sério, parece até louvável e não merecedor de críticas negativas.

Publicado por: J.L. Cirne de Castro às setembro 11, 2004 12:54 PM

Concordo, na generalidade, com as considerações feitas. Mas há alguns reparos.
Em primeiro lugar, não é verdade que os cursos de gestão sejam ao fim de semana, ou à noite: são às quartas e sextas, das 08H00 às 14H00.
Em segundo lugar, é exagerado dizer que o Presidente do Conselho de Administração do HSM só tem feito asneiras. Isso implicava que tivesse feito algumas coisas e, na realidade, não fez nada. Ainda não fez dois meses de exercício. Acontece que, provavelmente por falta de experiência, tem cometido algumas gafes, sobretudo no modo como lida com algumas categorias hierárquicas do Hospital. Por enquanto não é muito grave, desde que emende a mão. E parece-me que já percebeu isso.
Não vale a pena desacreditar um texto, que diz verdades, com algumas mentiras desnecessárias e marginais.

Publicado por: J.L.Cirne de Castro às julho 20, 2004 06:36 PM

Hospitais de pobres?
Ou antes, pobres hospitais!
A tendência que se a vizinha, será a não existência de doentes pobres, mas antes, de pobres doentes...

Publicado por: jgonçalves às julho 11, 2004 11:19 PM