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julho 22, 2004

José Bação Leal (2)

“César: Vou ser punido, e consequentemente transferido. Espetei um murro no of. de transmissões, e o canalha (felizmente) queixou-se.
Total, de momento, o meu desinteresse por esta vida ou por outra. Mueda? Guiné? Ninguém me rouba a flor (vermelha!) dos lábios.
...
Ainda não saiu à ordem (não é assim que eles dizem?). Espero que saia em breve e forte. Não tenciono ceder mais. Aqui, não posso (NÃO DEVO) ficar.
César: inadiável o verão das acácias.

(«no trigo o gume do país, no povo a seara pura»)

25/5/65

(José Bação Leal in Poesias e Cartas)

José Bação Leal
Nasceu em Lisboa em 1942 e morreu aos 23 anos em Nampula, Moçambique, durante a Guerra Colonial. Vítima de uma guerra sem sentido, diz Urbano Tavares Rodrigues no prefácio do seu livro póstumo - "Poeticamente Exausto, Verticalmente Só” - editado pelos amigos e pelo pai: “Além de nos fazer conviver humana e esteticamente com quem teria porventura vindo a ser - não lhe houvessem truncado a vida a crueldade e a insânia que ele denuncia - um dos maiores escritores da língua portuguesa do nosso tempo, este livro fica para sempre, no seu valor testemunhal, como um marco histórico (resumindo a agonia e o martírio de tantos e tantos jovens absurdamente torcidos ou, como ele, quebrados, ao arrepio da história na sua natureza e nas suas opções), eis-nos pois, perante um extraordinário, um apaixonado documento de consciência, que por ser rigorosamente localizado, resulta ainda mais universal”.

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Publicado por agineotonico às julho 22, 2004 11:10 AM

Comentários

Bom post. Gostei.

Publicado por: cachucho às julho 22, 2004 09:06 PM