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julho 09, 2004
A pobreza do debate é dramática (2)
Temos 10 estádios de futebol novinhos em folha e uns submarinos em 2º mão, mas os Hospitais, por exemplo, precisam de investimento e não é possível porque não há dinheiro.
É tudo uma questão de prioridades de governação e, estas, são as deste governo sem que encontre oposição.
Blasfemamos e acusamos os médicos de todos os males do Sistema de Saúde, os órgãos de comunicação já perderam a isenção que os devia caracterizar, com destaque para as televisões, e mostram a justa indignação dos utentes perante a greve dos médicos, mas ninguém questiona as condições em que estes profissionais trabalham, nem o impacto desta falta de condições de trabalho nos utentes dos hospitais.
Insurgimo-nos contra quem critica a aberração da construção de 10 estádios de futebol (que sabemos serão uma dor de cabeça para a sua futura manutenção), contra quem critica a compra de submarinos (que sabemos serem desnecessários), mas não nos insurgimos contra a falta de investimento nos hospitais, nem com o facto de a facciosa desculpa de falta de dinheiro nos atirar para a privatização da saúde. O poder leva-nos a atribuir as culpas a quem lá trabalha, a oposição consente e nós não nos questionamos.
A falta de capacidade para actuarmos como cidadãos responsáveis é a justificação para a inexistência de comissões de utentes dos hospitais que, diga-se, até estão previstas na lei como manda o regime democrático. Em abono da verdade podemos estender, infelizmente, esta constatação de ausência de participação a todas as áreas da vida civil.
Não é uma questão de direita ou de esquerda tão ao jeito dos “debates” que aqui se lêem nos blog, é uma questão de defesa dos direitos sociais e humanos, é, acima de tudo, um exercício de cidadania.
Criticamos de fora, mas não assumimos a participação.
A oposição a qualquer governo, uma oposição séria, faz-se participando na consciencialização dos problemas e nas várias possibilidades de resposta aos problemas concretos e não pedindo a votação nos partidos.
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Publicado por agineotonico às julho 9, 2004 05:40 PM
Comentários
Embora defendesse eleições antecipadas, confesso que estava com dúvidas de que o governo que delas saísse tivesse discernimento para ver quais são as reais prioridades do país.
A pobreza do debate é realmente dramática em áreas-chave como a saúde, a educação e o ambiente.
Esperemos que até 2006 se consigam encontrar alternativas credíveis e sérias ao estado a que isto chegou.
Excelentes textos, tanto o 1 como o 2 (ou, mais informalmente, "ópá, gostei" :)).
Abraço blogueiro,
Publicado por: Luís Humberto Teixeira às julho 11, 2004 12:31 PM