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julho 09, 2004

A pobreza do debate é dramática

Depois do Euro 2004, podemos perguntar-nos se os portugueses, quando os objectivos são claros, têm capacidade de mobilização. Mesmo sendo óbvio que o futebol mobiliza para lá das opções partidárias, como é possível que os atentados aos direitos sociais e humanos e a degradação das condições de vida encontrem tão pouca resistência?
O que é grave, é que esta falta de mobilização corresponde a uma total ausência de capacidade da oposição para dinamizar um debate generalizado sobre políticas e medidas alternativas às que estão a ser implementadas.
É caso para dizer que, se houver eleições, se vai votar de novo em personalidades e não em programas de governação, com todos os riscos que isso acarreta.
O discurso da continuidade governativa pode ter forte impacto porque se desconhecem alternativas e a coligação agita o papão da descontinuidade. As bandeiras de promoção da coligação são poderosas (a organização do Euro 2004). As políticas que penalizam os portugueses não encontram contestação séria e sistemática, aparecem como um período curto e passageiro necessário para que alcancemos todos o céu em 2005 e até já estamos na tal de retoma que ninguém sabe muito bem o que é.
Sucedem-se as medidas eleitorais de pré-campanha: o irs está a ser devolvido em tempo record, as vitimas das cheias não terão que pagar o repatriamento, esqueceu-se que o problema da construção dos estádios foi uma sujeição ao lobbies da construção civil e do futebol, que o problema não reside na sua construção mas no sorvedouro que será a sua manutenção, etc.
O debate é de uma pobreza dramática ... e aqui em Portugal as eleições não se ganham, perdem-se ... às vezes.

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Publicado por agineotonico às julho 9, 2004 05:01 PM