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junho 30, 2004
Temos medo do Santana?
Luís Delgado pergunta de que temos medo quando dizemos que não queremos Santana Lopes como 1º Ministro.
Luís Delgado não se informa e limita-se a fazer declarações políticas sem fundamento e, por isso, não entende que não queremos viver nem no Parque Mayer, nem no túnel das Amoreiras.
Se há informação fácil de obter é esta de saber que Santana Lopes é um incompetente e que tem destruído tudo por onde passa desde o futebol até à Cãmara de Lisboa que se encontra paralizada com a sua gestão desadtrosa.
Hermínio Santos, por seu lado, diz que as instituções não devem funcionar submetendo-se a pressões de rua. Pensa talvez, que a função dos cidadãos é votar de vez em quando e depois limitar-se a ver futebol sem criar ondas.
Um voto não é um cheque em branco e as decisões do Presidente da República são para ser contestadas quando não concordamos com elas.
Democracia não significa "vota e agora come e cala". Democracia significa manifestar as nossas opiniões e saber que elas são tidas em conta. Por isso, um dos garantes das democracias é a liberdade de expressão.
Foi nesta presunção que fui à primeira manif em Belém.
Para mim, acho que a questão está em saber se o PSD está em condições de assumir o governo com um mínimo de estabilidade, o que parece cada vez mais duvidoso se atendermos à crise interna que a saída de Durão Barroso provocou, ou se não oferecendo essa garantia o Presidente se vê na obrigação de convocar eleições antecipadas.
A minha posição face ao PSD e às políticas que tem posto em marcha são claras, mas isso não me leva a considerar que Sampaio se deve aproveitar desta crise para tomar uma posição partidária.
Publicado por agineotonico às 07:40 AM | Comentários (2)
junho 29, 2004
Ele vai para presidente da CE mas ...
como tem vindo a ser dito, por aqui já fez o seu estrago.
"O investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal recuou 44,4% em 2003, enquanto nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico caiu 28,1%, anunciou hoje a OCDE. "
Publicado por agineotonico às 07:13 PM
Cada macaco no seu galho- diz Chirac
"Bush não tem nada a ver com os problemas da União Europeia" - diz Chirac em resposta ao discurso de Bush que prometeu apoiar a campanha da Turquia para admissão na UE.
Publicado por agineotonico às 07:02 PM | Comentários (2)
Manif nos países árabes

A custódia de Saddam passa para o novíssimo governo iraquiano mas apenas o nome. Saddam, esse, continua preso aos cuidados dos americanos ...
Publicado por agineotonico às 06:32 PM
Crime de roubo por menor é mais grave que crime de pedofilia
3 anos de pena suspensa foi a conclusão do Colectivo de Juízes que julgou o professor que abusou de crianças ao seu cuidado. Foram dados como provados 5 casos de abuso sexual de alunas, 2 deles de forma continuada ...
Veja-se a conclusão deste outro caso que envolve um menor que praticou um roubo, viu ser-lhe aplicada a pena de 1 ano de prisão e a quem foi recusado o trabalho a favor da comunidade e a suspensão da pena.
É caso para dizer que se pode abusar sexualmente de crianças à vontade desde que se não lhe roube a carteira.
Tem o Supremo Tribunal de Justiça reflectido que não é de fazer uso da faculdade de atenuação especial prevista no art. 4º do DL nº. 401/82, de 23 de Setembro, quando é grande o grau de ilicitude dos factos praticados pelo arguido e é grave a sua culpa, na forma de dolo directo. Não é o caso de um crime de roubo não agravado em que não se usou de armas ou de violência física e em que a importância retirada ao ofendido era de diminuto valor e foi depois recuperada ... por força dessa norma, a pena deve ser especialmente atenuada, em relação a jovens de 16/18 anos de idade que são julgados pela primeira vez em processo-crime ... Assim, é de recusar a suspensão da pena de prisão e, por maioria de razão, o trabalho a favor da comunidade (art. 58º do CP), pois estas penas de substituição não realizariam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição ... A pena curta de prisão mostra ser o tratamento penal preventivo adequado à personalidade do recorrente, pelo que é de lhe aplicar a pena, especialmente atenuada, de um ano de prisão.
Publicado por agineotonico às 03:32 PM
junho 27, 2004
O Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa considera que Santana Lopes não tem perfil para ser primeiro-ministro
Nada como aguardar com calma ... nem eles o querem
Santana Lopes é uma figura decorativa do PSD, onde mete as mãos escavaca. Basta lembrar o que fez quando esteve na pasta da cultura. Não me parece que o seu próprio partido lhe abra caminho.
Por outro lado, concordo com o Cidadão do Mundo, compete ao PR tomar a decisão.
A manifestação fez todo o sentido como forma de dizer a Sampaio que estamos por aqui e que não queremos Santana como primeiro ministro, mas Sampaio não faz o que lhe apetece e a situação não é fácil se se tiver em conta o resultado das eleições europeias.
Aguardemos pois ...
Publicado por agineotonico às 10:45 PM | Comentários (4)
junho 26, 2004
CADERNO DE ENTARDECER
1
aproximam-se as aranhas do meu projecto de vida,
asas se as tivessem levariam daqui quanto eu risquei
em nome dos vossos interesses, assim o entardecer,
ah as aranhas, as teias, pavores que suporto na pele,
esses livros de versos incompletos, as pedras vazias,
como se nada fosse e ninguém quisesse aparecer,
2
guardai-vos dos dentes, a fera não vem nos livros
desta manhã, anda a jogar ao arco na rua disfarçada
de ternas crianças, se não estivermos atentos nem
as árvores servirão de refúgio, nem os bares, nem o medo,
3
manhã de pequenos corvos sobre coimbra, desfiam-se
as horas como dantes e é tão triste e voam assim baixo
que a terra se encolhe mal lavrada. deste monte, deste
mundo, deste lugar privilegiado no céu da tua boca
onde nem o sol aquece, nem a lua arrefece, longe e gasta.
os motores das chuvas, tudo o que esqueço e se perde
é já deste século, ah isso é tão triste como as manhãs,
como a ronda do cão pelas varandas secretas, sujas,
4
não faltará papel impresso, teremos leis, livros e peles de
animais para fazermos os nossos vestidos. menos uma pena,
menos a opinião dos outros, áparte essas palavras vazias,
e uma rua que se percorre com as mãos nos bolos, triste,
5
escrevo-os, lembrem-se quando pela noite se aproximam
de dentes cerrados, de canos serrados. o chão será de papel,
escrevo-os, e tão torvos os olhos os dedos, lembram-se
da arma perdida em cada palavra, escrevo-os à mesa do café,
6
além está o boi, que é como quem diz, não foi nem podia ser
senão o cartaz dos animais velhos. debaixo de que pedra
colaram o cartaz do seu anúncio? um outro boi assoma
e já se vê o próprio calcanhar da história a amarelecer,
7
era uma vez a mentira nas lentes de uns óculos de sol,
8
mentem as asas do rosto, mentem as pedras do caminho
em definitivo, esvoaçam os pássaros tão lentos e carnívoros,
9
diziam-no cá como em budapeste, mas era demasiado tarde
e, num abrir e fechar de flores, apodreceu a primavera,
os seus fogos de lar, as suas esquinas sem heróis, sem deuses,
10
éramos muitos mais que os mortos, cantávamos na estrada
e andávamos com os pés ensanguentados, aquilo parecia
a conjugação do último dos verbos perdidos, um coração
guardado numa pequena caixa de cartão, ou uma fuga,
11
parecido com as velhas peças de louça nos mármores
dos aparadores, vigiavam-se, afiavam as navalhas
e, sentados, resguardavam todas as palavras do silêncio,
12
assustada, entre a folhagem do jardim dos livros,
tecia o seu pano de linho, os lanhos da vingança,
13
nada lhe digo, sem mágoa, é o tempo que se perde
entre as pedras do ofício. é o verão, os campos
mais secos e um nó na garganta do rio que apodrece,
14
porque me aproximo desta mulher que não tem cores
nem olhos, leio nas suas mãos os anos da fome
guardados num sobrescrito, é um cigarro abandonado,
15
perdemos as cinzas, as terras, os cereais de pragana
e as armas da boca, as rotas já não são as mesmas,
o pó dos caminhos é da cor de um estranho medo,
16
no sabor amargo dos tanques, nada, ninguém cresce,
abrem-se as mãos, ensanguentadas?, e o que cai
no tronco da rapariga das angústias? o regresso
à antiga praia dentro da cabeça, aos teus lábios?
17
em torno dos granitos, os óleos, sobre as águas,
o teu nome como uma torre de fogo e incenso:
e se fingíssemos os invernos? se a língua tocasse,
nos sinos do corpo, o requiem, ou esses venenos?
18
aproximamos os lábios dos lábios, mordemos
a abelha pousada nas costas da mão da acácia,
há um beijo perdido entre as folhas e o amargo
lençol, sobre o teu ombro deixo as palavras,
19
as tuas mãos são as mãos da noite, esse mel
que a língua recolhe no silêncio do corpo.
tocas as raízes, as tardes, as colchas brancas
estendidas, como esses pássaros do outono,
20
esses vales fingidos dividem o horizonte, três aguarelas
marcam o espaço tangente, os rostos vigiam-se, lâminas
em vez de pão em cada manhã, dizem que é coimbra
e eu voo, passa o tempo e a terra de novo se mistura
na voz dos pássaros cantores, no pregão gravado no vinil,
corram as cortinas, é tarde, leio os jornais de ontem,
adormeço rangendo os dentes, rápidos, os corvos descem,
do alto das colinas? mas o olhar desaparece, incomodado,
21
sob as chuvas as palavras caem, ou ecos de palavras,
dissolvem-se, revestidas de um acre mistério onde
os retratos dividem ambas as mãos pelas sombras,
desertos, árvores, entre as naus e os náufragos de outubro,
22
só e em silêncio? apenas ramos de acácias, noites
mortas (as mãos doem?), só e em silêncio? os olhos
perdem-se nos armários e nos mapas do sono,
escrevo, pronuncio, abro a cabeça à fala, importa
um boletim meteorológico, um deus arrependido,
exangue, bíblico, a suicidar-se no bolso do casaco?
e poderia aproximar a língua, em silêncio? enlaçar-te,
estremecer e surpreender-te (as coisas que acontecem
no fio de uma vida) então, é assim o entardecer? na loja
dos horrores, entre restos de deuses, de terra e de anjos,
24
escrevo uma carta, inutilmente a escrevo, adormeço
a desenhar, inutilmente adormeço, que é feito do sonho
e da cobra do medo? conto as pedras, as folhas, os dias,
os lábios, os dedos, os rodeios, as letras do meu nome
(José Viale Moutinho)
Publicado por agineotonico às 05:05 PM
Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa
O Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, reza no seu estatuto, é uma unidade de referência ao serviço da comunidade, principalmente, dos mais pobres - "A Cruz Vermelha Portuguesa, abreviadamente por CVP, é uma instituição humanitária não governamental, de carácter voluntário, que desenvolve a sua actividade devidamente apoiada pelo Estado, reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública administrativa, sem fins lucrativos, com plena capacidade jurídica para a prossecução dos seus fins."
Mas vem agora a público que os 3 responsáveis deste hospital receberam entre 2001 e 2003 o triplo do estabelecido para os gestores dos hospitais SA. Isto é, mais ou menos 15.000 euros mensais.
Publicado por agineotonico às 03:47 PM | Comentários (5)
afinal nem tudo é mais caro em Portugal

Cannabis, ecstasy e cocaína a preços de saldo ...
Somos o 2º país da UE com os preços mais baixos.
Publicado por agineotonico às 03:42 PM | Comentários (1)
Manifestações convocadas por telemovel
As novas tecnologias, e de entre elas os telemóveis, têm vindo a facilitar muito as nossas vidas. Mas elas estendem as suas funções a muitos outros campos da nossa vida.
Recebi esta manhã, nada mais nada menos, que 8 mensagens a convocar-me para uma manifestação. Rezava assim:
"Todos a Belém no domingo as 19h contra o santana lopes a primeiro ministro! abaixo um governo da treta! envia este sms a toda a gente já!"
E eu que estava tão cansada e queria dormir toda a manhã ....
Publicado por agineotonico às 03:24 PM
ONG denuncia

ONG ACUSA ESPANHA DE MATAR 4 LULAS GIGANTES
Ondas de choque provenientes de testes científicos efectuados pela Marinha espanhola mataram quatro lulas gigantes - uma do tamanho de um autocarro -, segundo o director de uma ONG de protecção marinha. Os corpos dos animais apareceram em praias espanholas. A Marinha espanhola nega. "O navio Hesperides está a trabalhar na área e as ondas de choque são responsáveis pela causa da morte", afirma Luis Laria, presidente da Cepesma (Centro de Protecção a Espécies Marinhas).
Publicado por agineotonico às 03:14 PM
Olhar os números do desemprego
Quando se diz que houve uma queda de 1,9% no número de desempregados face ao mês anterior, não há motivo para alegria nenhuma. Esta quebra pode ser relacionada com o trabalho sanzonal e significa que, apesar da redução, mais 38.461 portugueses perderam o emprego no mês de Maio.
Por outro lado, o número de desempregados de longa duração aumentou 24% relativamente ao mês anterior, atingindo 41,4% em Abril de 2004, mantendo-se o acréscimo percentual mais significativo nos habilitados com cursos superiores.
Publicado por agineotonico às 02:57 PM
Um 1º Ministro bem ao jeito do Euro 2004
SANTANA LOPES

Publicado por agineotonico às 02:43 PM
junho 16, 2004
A Amnistia Internacional está obcecada com uma pequeníssima parte da realidade
"Num editorial significativamente intitulado “Um Relatório Político”, a propósito de alegado destaque crítico dado na Introdução do Relatório Anual publicado pela Amnistia Internacional (AI) à actuação do governo dos Estados Unidos, escreve-se que neste Relatório “deixa de haver noção das proporções” e acusa-se esta organização de ter passado “a preocupar-se demasiado com fazer política. Ou, pelo menos, em dar opiniões sobre política”. Conclui-se que a AI “perdeu a memória ou está obcecada com uma pequeníssima parte da realidade”.
Ao longo da história da Amnistia Internacional, muitos foram os seus relatórios que causaram incómodo; muitos outros foram alvo de tentativas de descrédito. Não é nossa intenção alimentar debates, ou responder ponto por ponto às acusações expressas. Sublinhamos apenas que aquilo que é denunciado como sendo de extrema gravidade pela AI na parte do Relatório em que, a AI “cai mesmo no ridículo”, é o facto de governos objectivamente negligenciarem a defesa dos direitos humanos em nome da segurança ou da chamada guerra ao terror. Entre outros efeitos negativos, tal estratégia a longo prazo elimina precisamente as hipóteses de segurança - esta só é sustentável num contexto em que o respeito pelos direitos humanos esteja garantido. Tal como a violência criminal deverá ser combatida através de um melhor – e não de um brutal – sistema de policiamento, também a insegurança e a violência devem ser combatidos por Estados responsáveis, que respeitam os direitos humanos e asseguram a segurança dos seus cidadãos, através do cumprimento e não da violação dos seus direitos humanos. Outro facto ainda denunciado pela AI ligado à chamada guerra ao terror é que, ao concentrar as atenções e recursos da comunidade internacional, põe em risco os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas e conduz ao ignorar ou minimizar de muitas violações graves de direitos humanos que vão ocorrendo em todo o mundo. O propósito do Relatório sempre foi, e continua a ser, não deixar passar em claro esses acontecimentos. Por isso mesmo, estão documentadas violações de direitos humanos em 155 países.
Mas há que não esquecer que o referido Relatório Anual, é como o seu nome indica, ANUAL. O destaque dado às acções protagonizadas pelos Estados Unidos em 2003 (que, aliás, está sempre a par da estrita condenação de acções protagonizadas por grupos terroristas) indica o exacto relevo dessas acções nesse exacto período. Com efeito, da mesma forma que a Amnistia Internacional não estabelece rankings de entidades agressoras de direitos humanos, também não se escusa a nomear a extensão dessas agressões, venham elas de onde vierem. Nem tão pouco afirma a AI que, conforme primeira página do jornal, a “situação dos direitos humanos é a pior dos últimos 50 anos”. O que, na verdade, a AI afirma é que, paralelamente a sinais inequívocos de um poder emergente da sociedade civil para promover a reviravolta a favor dos direitos humanos, quer os padrões quer o enquadramento de defesa dos direitos humanos que têm vindo a ser construídos nos últimos 50 anos, estão a ser alvo do mais sustentado ataque da respectiva história. Nesse sentido, a AI não emite uma “opinião fundada numa orientação política” mas apenas constata que a lei internacional de direitos humanos e a lei humanitária estão a ser desafiadas como ineficazes na sua resposta aos problemas de segurança, e que em vez disso os governos permitem que continuem sem resposta a injustiça e a impunidade, a pobreza, a discriminação e o racismo, o comércio descontrolado de armas ligeiras, a violência contra as mulheres e o abuso de crianças.
Como escrevemos no início, não é nossa intenção polemizar. O texto visado pela crítica (a introdução ao Relatório) está disponível no sítio da Amnistia Internacional www.amnistia-internacional.pt. Convidamos todos a verificar se, sim ou não, a Amnistia Internacional é fiel ao seu ideal de imparcialidade e independência."
A. J. Simões Monteiro
Presidente
Amnistia Internacional, Portugal
Publicado por agineotonico às 07:21 AM | Comentários (2)
Declarada a Lei Marcial na Geórgia
"A região do Sul da Geórgia, nos E.U.A, prepara-se para receber a reunião dos sete países mais industrializados do mundo (E.U.A, França, Itália, Reino Unido, Japão, Alemanha, Canadá), mais a Rússia.
O Governador do Estado, face às manifestações convocadas e à suposta possibilidade de atentados terroristas, declarou a lei marcial.
...
Embora pouco se saiba sobre a agenda da reunião, podemos supôr que serão incluídos temas de natureza económica (necessidade de aboliçãoo dos entraves ao livre comércio e às privatizações), social (a promoção da flexibilizaçãoo do trabalho ou de uma segurança social aberta a empresas privadas) e política (medidas a adoptar contra o terrorismo internacional)."
Publicado por agineotonico às 07:12 AM
junho 15, 2004
O cinismo da política internacional

Os dois países europeus que mais se têm afirmado como campeões da soluções pacíficas para resolver os problemas do mundo por oposição ao belicismo norte-americano, preparam-se para assinar um acordo com Israel sobre venda de material militar. Se pensarmos que esses dois países – a França e a Alemanha – são os que mais têm criticado a forma como o governo de Sharon tem lidado com a questão palestiniana e a carta branca dada por Bush ao primeiro-ministro israelita em questões como os raides mortíferos contra líderes do Hamas, o intercâmbio militar torna-se verdadeiramente surpreendente.
Publicado por agineotonico às 11:02 PM
Luís Delgado ensina receitas ao governo
Luís Delgado e as suas 5 receitas para o governo:
1) Cumprir as promessas eleitorais, coisa que pelos vistos reconhece não ter acontecido.
2) Não convém ter todos como inimigos e os amigos lá de casa não chegam
3) Fazer de conta que se está a renovar, inovar e mudar
4) Comunicar de uma forma eficaz, sistemática, e preventiva. Comunicar bem é escolher correctamente as mensagens políticas e eleitorais, é saber fazer promessas.
5) Abraçar fortemente a coligação e fazer um núcleo duro (ou durão) capaz de controlar todos os danos.
Talvez seja promovido ... a prometedor mor do reino
Publicado por agineotonico às 10:48 PM
Reajustamento da justiça ao poder político
O procurador-geral israelita decidiu esta terça-feira desistir da acusação de corrupção contra o primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, e o seu filho Gilad por insuficiência de provas no caso que alegadamente envolvia elevados pagamentos por parte de um empresário que pretendia investir numa ilha grega.
O caso, que poderia derrubar Sharon e fazer «descarrilar» o respectivo plano de retirada de Gaza, consistia em alegados pagamentos a Gilad de centenas de milhares de dólares por parte de um empresário, que pretendia ser ajudado a desenvolver empreendimentos numa ilha grega, numa altura em que Sharon era ministro dos Negócios Estrangeiros, no final da década de 1990.
Publicado por agineotonico às 10:40 PM
Relatório de Primavera 2004
No Relatório de Primavera de 2003, o Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), na Parte III - O Cidadão - conclui, com base no resultado de diversos estudos, que "não é o mesmo obter a opinião dos cidadãos - o denominado público - com ou sem experiência concreta de utilização, ou interrogar utilizadores efectivos dos serviços de saúde. Enquanto a satisfação dos utentes é influenciada pela sua experiência mais recente, a do público é mais influenciada pelos media e, em Portugal, também por uma atitude demasiado negativa e crítica que têm das suas instituições de saúde.
...
Relativamente aos utentes, 77,8% referiram como positiva a avaliação da última consulta nos hospitais públicos e 67,2% referiram como boa a avaliação global dos cuidados recebidos. Os serviços de urgência foi onde se verificou um menor nível de satisfação e em relação aos quais 61,9% referiram ter ficado satisfeitos com o tratamento recebido.
Estes números contrastam de algum modo com a informação fornecida diariamente pelos mass média. De facto, segundo Villaverde Cabral, os títulos dos jornais «reflectem bem a forma predominantemente negativa da cobertura mediática dos problemas de saúde na sociedade portuguesa». O mesmo autor conclui que « representação negativa que a população, sobretudo aquela que não possui experiência pessoal dos serviços públicos de saúde, é levada a construir a partir dos mass media, pode ter efeitos desencontrados»"
Os dados aqui referidos são os apresentados no relatório de 2003 e, portanto, referem-se ao ano de 2002.
Na minha opinião, tem sido esta atitude dos media que se repercute na população, que tem servido de argumento para destruir o Sistema Nacional de Saúde.
Continue a ler - Relatório de Primavera 2004
Publicado por agineotonico às 10:03 PM
Depois do INE, o Observatório Português dos Sistemas de Saúde?
O governo não tem gostado do resultado dos estudos do INE e propôe-se acabar com ele.
Agora é a vez do Observatório Português dos Sistemas de Saúde apresentarem resultados contrários aos que o governo gostaria de ouvir.
Luís filipe Pereira já afirmou que discorda dos resultados deste estudo - Relatório de Primavera de 2004 - porque ele é tendencioso e parcial.
E agora? Vai também entregar a responsabilidade por este estudo a uma equipa que produza os resultados esperados?
Publicado por agineotonico às 09:39 PM
Competência e Isenção
Aqui pode-se ir seguindo as tentativas do governo para instrumentalizar o INE de forma a conseguir os resultados que pretende fazer passar ao arrepio da verdade.
Publicado por agineotonico às 03:27 PM | Comentários (2)
Com a classe política que temos, continuarão as infernais campanhas em lotas e feiras
Tal como os nossos políticos, também o nosso jornalismo televisivo é fraco e prefere o entretenimento à notícia.
A vergonha do silêncio da televisão portuguesa, nomeadamente do serviço público, perante as magníficas e profundamente significativas cerimónias dos 60 anos do desembarque na Normandia
...
Ser director de um canal de televisão com responsabilidades públicas também é saber escolher o que é importante para o país em termos políticos e culturais. A direcção de informação da RTP revela continuar a estabelecer todo o seu padrão informativo em função do que supõe ser o que garante mais audiência. José Rodrigues dos Santos e Judite de Sousa fazem na RTP o que fariam na SIC ou na TVI: o populismo atravessa hoje quase toda a informação televisiva portuguesa. Mas os nossos Rodrigues dos Santos e Judites de Sousas correspondem aos nossos Sampaios, Durões e Ferros. Com a classe política que temos, continuarão as infernais campanhas em lotas e feiras, continuará a política de estádio e continuarão as correspondentes emissões pimbas sem fim de cada vez que tremulam bandeiras e bandeirolas nos estádios e nas lotas."
Publicado por agineotonico às 01:56 PM | Comentários (1)
O solo urbano é um bem social
Existe um enorme excesso de oferta de casas (nomeadamente novas, por estrear) que não têm comprador. Essas casas não são alugadas nem o seu preço de venda desce, porque os interesses conjugados dos senhorios e dos bancos se opõe a tal. No entanto, no interesse dos muitos que estão mal alojados e, em especial, dos jovens que procuram casa para alugar a preço compatível com os seus baixos e precários salários, o preço da habitação deveria sofrer uma redução.
Nota-se uma grande indiferença da casta política em resolver ou minorar os problemas de habitação de grande parte da população, o que denota até que ponto estão a seguir uma política conforme aos interesses das classes mais abastadas, contra as classes com menos posses.
Para estas últimas, a inflação é muito mais severa, sendo a casa e o alimento as principais rubricas de despesas dos orçamentos familiares dos pobres.
Fazem-se muitos e belos discursos sobre "as causas da pobreza em Portugal", mas não se ataca uma das suas mais óbvias condicionantes: o preço especulativo da habitação.
Bastaria uma política que forçasse, mediante forte penalização (coimas progressivas), a colocar no mercado de arrendamento ou de venda as casas que se mantêm vazias embora estejam habitáveis. Igualmente, os prédios urbanos que estão em ruína deveriam ser imediatamente expropriados pela respectiva autarquia e servirem para construção social.
O solo urbano é um bem social. A sua posse individual não pode ser (nem nunca foi) incondicional.
Apenas aponto estas soluções (perfeitamente enquadráveis dentro da legislação vigente), para mostrar como é que os interesses dos possidentes são cuidadosamente protegidos pela casta política, quer esta esteja no governo central, quer no governo autárquico, quer tenha o selo de "direita" quer de "esquerda"...
Publicado por agineotonico às 07:32 AM
junho 14, 2004
A competição e controlo pelos recursos naturais vitais voltaram a ser a principal causa da geografia de conflitos
Este inusitado apetite pela geo-economia dos recursos "casa" muito bem com a globalização
...
"penso que a competição à volta dos recursos naturais tornar-se-á um factor mais importante, pelo menos em certas áreas do Globo, à medida que as fontes de matérias primas vitais, designadamente água, fontes de energia e terra arável, se tornarem escassas."
(Michael T. Klare, director do Programa de Estudos sobre Paz e Segurança Mundial)
Publicado por agineotonico às 07:28 PM | Comentários (1)
Faleceu o macaqueiro
José Márcio Ayres, zoólogo que trabalhou para preservar grandes trechos da floresta tropical amazônica, com a colaboração da população nativa, morreu no Mount Sinai Hospital, em Manhattan. Casado e pai de dois filhos, tinha 49 anos e passou a maior parte da vida em Belém, sua cidade natal, na embocadura do Rio Amazonas.
Publicado por agineotonico às 06:45 PM
O Amor é realmente cego
Cientistas britânicos conseguiram provar que o Amor é realmente cego. Os sentimentos amorosos podem levar à supressão da actividade nas áreas do cérebro que controlam o pensamento crítico, revelou um estudo publicado na última edição da revista NeuroImage.
Publicado por agineotonico às 06:20 PM
ENFIM NA RETOMA ...
O custo de vida em Lisboa aumentou a um ritmo superior do que o de Nova Iorque, revela um estudo da consultora de recursos humanos Mercer, divulgado esta segunda-feira.
(Diário Digital)
Publicado por agineotonico às 06:15 PM
A opinião pública portuguesa
"A opinião pública portuguesa é maioritariamente composta por cidadãos democratas, insatisfeitos e desafectos. Os portugueses defendem um regime democrático, defendem a democracia como regime adequado, mas estão insatisfeitos com o modo como a democracia funciona", explicou o deputado.
No entanto, as avaliações negativas da qualidade da democracia traduzem-se "não num aumento da acção política na defesa de reformas das democracias, mas sim em sentimentos generalizados de frustração, impotência, passividade, alienação e aquiescência", referem os autores do livro.
Publicado por agineotonico às 07:14 AM
Quando o luar caiu

(Jafar Kari)
Quando o luar caiu e
tingiu de escuro os verdes da ilha
cheguei, mas tu já não eras.
Cheguei quando as sombras revelavam
os murmúrios do teu corpo
e não eras.
Cheguei para despojar de limites o teu nome.
Não eras.
As nuvens estão densas de ti
sustentam a tua ausência
recusam o ocaso do teu corpo
mas não és.
Pedra a pedra encho a noite
do teu rosto sem medida
para te construir convoco os dias
pedra a pedra
no teu tempo consumido.
As pedras crescem como ondas
no silêncio do teu corpo.
Jorram e rolam
como flores violentas.
E sangram como pássaros exaustos
no silêncio do teu corpo
onde a noite e o vento se entrelaçam
no vazio que te espera.
Súbito e transparente chegaste
quando falsos deuses subornavam o tempo,
chegaste sem aviso
para despedir o defeso e o frio,
chegaste quando a estrada se abria
como um rio,
chegaste para resgatar sem demora o principio.
Grave o silêncio agarra-se ao teu corpo,
hostil o silêncio agarra-se ao teu corpo
mas já tomaste horas e caminhos
já venceste matos e abismos
já a espessura do obô resplandece em tua testa.
E não me bastam pombas dementes no teu rosto
não bastam consciências soluçante em teu rasto
não basta o delírio das lágrimas libertas.
Cantarei em pranto teu regresso sem idade
teu retorno do exílio na saudade
cantarei sobre esta terra teu destino de rebelde.
Para te saudar no mar e no palma
na manhã dos cantos sem represas
saudarei a praia lisa e o pomar.
Direi teu nome e tu serás.
(Conceição Lima. São Tomé e Príncipe, 1986)
Publicado por agineotonico às 12:46 AM
junho 13, 2004
lembro as palavras de Tónico sobre as eleições em portugal
"Em Portugal as eleições não se ganham. Perdem-se"
Estas eram as palavras de Tónico sobre as eleições e são verdade.
O PS não ganhou as eleições, foi a coligação que as perdeu.
Qualquer partido da oposição deveria perceber estas palavras que se tornam cada vez mais verdadeiras.
A coligação perdeu as eleições devido ao descontentamento dos portugueses com a sua política.
A penalização reverteu-se numa votação no PS e noutros partidos de esquerda.
Manter a votação implica ganhar votantes conscientes e não apenas descontentes. Esta acho que é a grande lição.
Na verdade, Durão Barroso nas declarações que fez há pouco, mostrou ser um político hábil e descontraído a mentir. Mas mostrou um discurso que parecia convincente mesmo que repleto de mentiras como: "enfrentámos um período difícil mas estamos no bom caminho, vamos dar mais justiça social, mais educação, mais emprego, mais saúde, mais igualdade de oportunidades ... "
Por seu lado, Ferro Rodrigues não convence ninguém ... na minha opinião, a possibilidade de ferro Rodrigues levar o PS a ganhar as próximas legislativas é muito reduzida, seria preciso que Durão Barroso azelhasse muito ...
Publicado por agineotonico às 11:58 PM | Comentários (1)
Máximas da noite
"Entendo a mensagem como uma mensagem de que os portugueses querem mais e prometo que vou dar ainda mais."
(Durão Barroso)
"Deus nos livre"
(GIN)
"muitos dos que se abstiveram votariam coligação. Temos que os compreender, temos que os ouvir ..."
(Paulo Portas)
"que pena não querer ouvir e compreender os que votaram!!"
(GIN)
"Não cumprir as promessas eleitorais afasta as pessoas das urnas"
(Jorge Coelho)
"Não ser uma oposição credível também não as leva lá"
(GIN)
"Toda a gente sabe que o aumento de desemprego neste últimos dois anos é culpa do PS"
(Vasco Graça Moura)
"claro, a coligação só tem arranjado bons empregos"
(GIN)
"A retoma, que o DR Durão Barroso está sempre a falar, parece ser como uma linha de horizonte onde nunca se chega"
(Ana Drago)
"Desejo que o BE saiba para onde ir, saiba assumir a responsabilidade que lhe confere este aumento de votação"
(GIN)
Publicado por agineotonico às 11:42 PM
FOI BONITO O JOGO PÁ ...
mas o que eu gostei mesmo foi este final com a França a ganhar ...
Publicado por agineotonico às 09:44 PM
O Jardineiro Fiel

Li todos os livros de Jonh LeCarré. Após o fim da guerra fria, perguntei a mim mesma como se desenrascaria ele, agora que o tema central dos seus livros tinha perdido oportunidade.
Quando saiu o Jardineiro Fiel fiquei curiosa. Mas LeCarré surpreendeu-me com um livro sobre as multinacionais da indústria farmacêutica e a utilização de africanos como cobaias para testar novos medicamentos contra a tuberculose e cujos efeitos colaterais eram muitas vezes fatais.
Neste livro ele questiona as Ongs e mostra o lado mais negro do capitalismo – a sua ganância a todo o custo e o desrespeito pelos direitos humanos nos países do 3ª mundo.
John LeCarré foi sempre um escritor pouco convencional e crítico. Mesmo que os seus livros sejam considerados como “livros policiais”, a verdade é que ele sempre os escreveu mantendo uma “posição distanciada” sobre as diferentes situações relatadas, isto é, colocava as diferentes posições em pé de igualdade. Lembro-me, por exemplo, de um livro seu dos anos 80, “A Rapariga do Tambor”, que foi passado para o cinema de forma vergonhosa, em que se colocam frente a frente as posições de israelitas e palestinianos de tal forma que balançamos entre uns e outros e que nos permite perceber a origem dos bombistas suicidas.
Mais recentemente, John LeCarré surpreendeu-me de novo ao dar a cara contra a guerra e ao criticar publicamente a política americana de Bush e Blair ...
Publicado por agineotonico às 07:28 PM
ABSTENÇÃO E ABSTENCIONISTAS
Em relação ao post e comentário de João Tilly sobre a maioria absoluta dos abstencionistas gostaria de dizer o seguinte:
1) a abstenção não é um voto. Na situação actual, porque pode haver situações em que se justifique, o voto exprime uma posição. Seja ele em qualquer um dos partidos concorrentes, seja em branco, o voto expresso nas mesas eleitorais é a voz dos cidadãos participantes;
2) a abstenção, no actual estado das coisas, mistura uma série de posições mas é marcadamente "um não me interessa";
3) tentar "ler" a abstenção como um voto expresso e dar-lhe o nome de maioria absoluta é uma tentativa de aproveitamento quer dos que não se interessam, quer dos que se sabe "estarem a mais" nos cadernos eleitorais por deficiência de regularização dos mesmos.
Publicado por agineotonico às 01:41 PM | Comentários (3)
Portugal uma péssima imagem na União Europeia
"Dizem: coitados, nem sequer se sabem gerir a si próprios", observou. "Como é que é possível ter uma administração da justiça que é uma vergonha para nós próprios e para o exterior e, ao mesmo tempo, comprarmos submarinos e construirmos dez estádios de futebol. É uma exorbitância", criticou.
Publicado por agineotonico às 01:08 PM
Procuramos cura para as nossas doenças ou para a nossa vulnerabilidade humana?

O desenvolvimento da ciência e tecnologia médica tem vindo a testar os limites da medicina sem que paremos para reflectir se a evolução tecnológica é, muitas vezes, a solução mais adequada para cada caso. A ideia generalizada que a medicina domina todas as possibilidades, que as tecnologias mais modernas tudo podem resolver, aumenta a pressão sobre os médicos e leva-os a tratamentos invasivos dolorosos para o ser humano, mesmo quando não há esperança de recuperação, mesmo quando a vida tornada vegetativa não vale a pena ser vivida, mesmo quando o paciente é submetido a indignidade e a sua família a grande sofrimento. A esta pressão não é alheia a exigência do poder económico para quem tudo justifica a necessidade de consumo.
A capacidade tecnológica para salvar a vida de prematuros, por exemplo, é notável. Contudo, o que não é dito é que, em muitos casos, os riscos de danos cerebrais e outros são muito elevados, os riscos de fracasso altíssimos, a sobrevida muitas vezes curta e o sofrimento provocado à criança muito prolongado. Este é um dos casos em que a pressão sobre os médicos sobe exponencialmente e em que as famílias/pais depositam expectativas pouco reais sobre a medicina.
Sem dúvida que o aperfeiçoamento tecnológico tem vindo a permitir a utilização de técnicas médicas em situações que antes eram considerados como “casos perdidos”, mas isto tem o reverso da medalha se não pensarmos em termos de quais os limites.
As pessoas aumentaram as expectativas e quando falham as soluções tecnológicas ficam frustadas, acusam os médicos de erro e de negligência. Não entendem que o problema não é apenas tecnológico. Por outro lado, os médicos pressionados não se questionam sobre os limites da sua intervenção, sentem como fracasso a prova da nossa mortalidade e a sua impossibilidade de ascender à categoria de deuses.
A ausência de diálogo médico/paciente/família é mais que evidente.
A medicina não foge à visão consumista do mundo onde se pensa que tudo se compra e tudo se vende, mesmo a nossa dignidade e a dos outros. Não nos conformamos com a nossa natureza humana, aspiramos ser deuses com imagem de marca - a imortalidade.
A tecnologia, os dividendos de alguns que resultam deste apelo ao consumismo, empurra-nos para uma arrogância sem limites, para uma falsa autoridade que não vê limitações nesta procura de “progresso” sem qualquer humanidade.
Acreditar que a ciência tem ou virá a ter todas as respostas para as nossas debilidades, é fugir à realidade da nossa condição humana, de seres falíveis, é vender a ideia que a nossa condição resulta de ajustes tecnológicos e, por isso, tudo é possível.
E no entanto é curioso verificar que enquanto temos esta relação com a medicina e com o avanço das tecnologias vamos, por outro lado e também em nome do progresso, destruindo o ambiente e criando condições de vida que exigem um esforço tremendo de sobrevivência quer sob o ponto de vista económico, quer emocional que, como se sabe, reduz a qualidade e o tempo médio de esperança de vida.
Publicado por agineotonico às 01:01 PM
junho 12, 2004
Por este andar ...
O Ministério da Educação continua a mostrar a sua incompetência colocando-nos bem ao nível dos países mais atrasados.
A incapacidade para organizar a colocação dos professores tem sido de tal ordem que me começo a perguntar se isto não tem outras intenções.
Por este andar pode ser que o ano lectivo comece lá para Dezembro sem os professores todos colocados e sem que todos os alunos tenham aulas.
Publicado por agineotonico às 11:59 PM | Comentários (1)
Países de primeira, países de segunda e países de terceira
Países ricos esvaziam riquezas naturais dos países pobres e acentuam as suas já miseráveis condições de vida. Esta é a verdadeira cara da globalização que está em curso.
Café, cobre, tabaco, algodão e petróleo são os alvos preferenciais de contratos de exploração extrema destes países que vêm sair das suas fronteiras as riquezas sem que isso corresponda a uma melhoria das suas condições de vida. Estes contratos de exploração são conseguidos “pagando por fora" a políticos corruptos que mantém sob coacção violenta as populações. Desviar a oposição ao governo para conflitos étnicos ajuda a manter os interesses dos países chamados do primeiro mundo.
Em muitas situações, a exploração das riquezas naturais acompanha a destruição do ambiente, a destruição das economias locais e conduz a um aumento da violência e dos conflitos étnicos.
Chegam-nos aqui notícias sobre os conflitos étnicos na Nigéria fazendo-nos crer que é um conflito entre fundamentalistas islâmicos, cristãos e animistas. Não nos dizem que esses conflitos surgiram com a exploração do petróleo no Delta Níger que destruiu a economia tradicional da população local.
Há mesmo quem defenda que este levantar da bandeira contra o terrorismo visa fazer esquecer as verdadeiras dificuldades dos países mais pobres que estão a ser sacrificados em benefício dos mais ricos.
Exploração da riqueza dos países pobres e conflitos internos de extrema violência andam de mãos dadas: Serra Leoa (café), Tanzânia (café), Malawi (tabaco), DRC (cobre), Burundi (café), Zâmbia (cobre), Yemen (petróleo), Etiópia (café), Mali (algodão), Madagascar (café), Nigéria (petróleo). Estes são alguns dos países que têm tido conflitos internos brutais e onde as populações locais, para além da miséria, são confrontadas com situações de genocídio.
Publicado por agineotonico às 10:54 PM | Comentários (1)
EURO 2004
Temos sempre uma atitude crítica muito pouco objectiva e justa para com as nossas equipas.
Ou ganhamos e somos os maiores ou perdemos e jogámos muito mal sendo a culpa do treinador.
Com as minhas assumidas limitações de conhecimento sobre futebol, comparo os jogos Portugal/Grécia e Rússia/Espanha e não tenho dúvida que o primeiro jogo foi bastante melhor.
Portugal, à parte algumas azelhices, não jogou mal. Foi confrontado com uma excelente equipa, bem organizada e com uma inteligente estratégia: marcar golo nos primeiros minutos da 1ª e 2ª parte e, de imediato, recolher para a defesa de forma coesa. Neste jogo a Grécia foi uma melhor equipa e nós não fizemos figura de tristes, não jogámos mal mas perdemos.
O jogo Espanha/Rússia foi bastante pior. Foi um jogo muito rápido e duro na primeira parte e mais lento e desorganizado na segunda, mas sem grande estilo.
Talvez tenhamos mais sorte nos próximos jogos.
Continuo a torcer pela equipa portuguesa, é uma boa equipa e isto é um campeonato desportivo não é um jogo de morte.
Mesmo tendo engolido várias pedras de gelo e rodelas de limão e apesar das asneiras que não pude evitar dizer sempre que a bola passava ao lado, quero dizer um "muito obrigado à equipa portuguesa e ao seu treinador pelo excelente jogo que nos deram a oportunidade de ver"
Publicado por agineotonico às 09:55 PM
Portugal veste fato domingueiro
Com a entrada de 10 novos países para a União Europeia, Portugal passa de 15º lugar para 25º na avaliação das áreas mais fundamentais do desenvolvimento.
Com o país em saldo, os direitos sociais em risco e com o alargamento da miséria, o país tudo aguenta sem tugir nem mugir.
Mas com o Euro 2004, chora-se perante as câmaras de televisão, políticos em bicos dos pés debitam discursos inflamados (promiscuidade entre política e futebol? ora essa!!), florescem bandeiras nacionais nos carros e janelas do país inteiro.
Portugal veste o fato domingueiro para assistir ao futebol ...
Embalaram-nos como bons pais e nós deixámo-nos adormecer como bons filhos ...
Publicado por agineotonico às 01:03 PM
junho 11, 2004
EDUCAÇÃO VERSUS INSTRUÇÃO
O Director do New York Times recebeu certa vez uma carta iniciada assim:
«Caro professor, sou um sobrevivente de um campo de concentração. Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos deveriam poder ver: câmaras de gás construídas por engenheiros doutorados; adolescentes envenenados por físicos eruditos; crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas; mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados. Por isso desconfio da educação.»
Depois disto não é difícil partilhar dessa desconfiança. Mas será efectivamente a educação que o autor da carta põe em causa? Por vezes acontece socorrermo-nos de palavras com um sentido original muito distinto do conceito que pretendemos evocar. Utilizamo-las tão somente porque foram consagradas pelo uso (incorrecto, é certo). Mas o pior acontece quando é o próprio conceito a ser confundido. Neste domínio está a educação versus instrução. Bastará estarmos atentos ao trânsito de uma qualquer rua para concluirmos com toda a naturalidade que “instrução” (a qual todos os condutores receberam) e “educação” são de facto coisas distintas, ainda que quotidianamente usadas num sentido único. Do mesmo modo a nossa sociedade tem confundido informação com formação e conhecimento com sabedoria. É inegável a crescente valorização de algo que se tem designado por “educação”. No entanto, o que na realidade se verifica é uma busca frenética do êxito académico com o intuito de assegurar uma futura estabilidade social e financeira, este sim, o objectivo supremo.
Educação = Instrução
Se bem que ferida por excessos, defeitos e desequilíbrios e ainda distorcida pela visão igualmente deturpada que durante muitos anos se teve da criança, a “educação” sempre objectivou mais do que simples instrução. Numa clara distinção dos dois conceitos João Coménio, o maior pedagogo seiscentista, defendeu a ideia que a escola deveria proporcionar instrução e educação. Por “instrução” Coménio entendia «o conhecimento pleno das coisas, das artes e das línguas» b); doutra forma, “educar” corresponderia à acção de «providenciar para que o espírito dos jovens seja preservado das corruptelas do mundo (...)»c).
De facto, essa distinção entre “instrução” e “educação” permanece teoricamente nos nossos dias. Nos dicionários pode ler-se como significados de “instrução” a «educação literária e científica» ou «conhecimentos adquiridos»; enquanto “educação” é definida como o «processo que visa o desenvolvimento harmonioso do homem nos seus aspectos intelectual, moral e físico e a sua inserção na sociedade.» No entanto a confusão tem existido na prática. Aqui os dois conceitos mesclaram-se e, salvo honrosas excepções, as escolas preocupam-se maioritariamente com a instrução (rotulada de “educação”). Potenciada por vários factores de ordem social, a crescente preocupação por uma formação intelectual tem originado uma inequívoca deformação moral. Fala-se hoje em “crise de valores” bem espelhada na cavalgada da delinquência ou no ressurgimento da xenofobia. Os pais, ocupados na absorvente vida profissional ou retidos nas demoradas filas de trânsito, revelam-se manietados para poderem acompanhar os seus filhos na tarefa da educação harmoniosa das suas diferentes facetas. Estes acabam por ficar entregues a si mesmos tendo como formadores a TV, os jogos individuais e, nalguns casos, os colegas. Para além de se socializarem sozinhos e de não desenvolverem competências relacionais, vão absorvendo os valores transmitidos pela TV ou por amigos da mesma idade. Tal como há século e meio as senhoras da alta sociedade transferiam para as amas a “tarefa” de amamentar os seus filhos, também hoje alguns pais pouco atentos e outros impedidos pelas contingências das suas vidas profissionais e sociais, transferem para a Escola a responsabilidade pela educação moral e cívica dos seus filhos. Numa primeira fase a Escola tenta corresponder ao que dela se espera integrando nos seus currículos a disciplina de “Educação Moral e Religiosa”, “Desenvolvimento Pessoal e Social” ou “Educação para a Cidadania” preconizada na eminente reforma curricular. Porém, tal revela-se insuficiente já que nunca a formação será somente obra da informação. Lembremo-nos que conhecer a obrigatoriedade de parar a um STOP não garante a sua observância. Há um trabalho mais amplo e concertado a realizar entre todos os agentes educativos. Daí que concorde na exigência da Escola relativamente ao envolvimento e co-responsabilidade dos Pais na tarefa de educar. Não se pode permitir que a criança continue a receber uma aprendizagem desconexa, ou seja, importa evitar que o papel formador da Escola, o do lar e, tanto quanto possível, o de outros agentes educativos (como a TV ou o círculo de amigos) tenham orientações diferentes e que em cada um as vivências sejam igualmente distintas.
Professores e Pais – dois agentes, um mesmo propósito
Um apelo é feito no duplo sentido.
Professores, recordem as palavras daquele sobrevivente do campo de concentração. Vão para lá da instrução. O referido autor terminava a sua carta escrevendo: «(...) ajudem os vossos alunos a serem humanos. Que os vossos esforços nunca possam produzir monstros instruídos, psicopatas competentes, Eichmanns educados. A leitura, a escrita, a aritmética só são importantes se tornarem as nossas crianças mais humanas».
Pais, invistam na vossa maior riqueza: os vossos próprios filhos. Brinquedo algum, por mais caro que seja, ou mesmo o mais conceituado e publicitado par de calças poderá de alguma forma compensar a vossa ausência. Melhores dividendos advirão no seu acompanhamento do que no sacrifício feito para corresponder às necessidades materiais que manifestam, as quais são, regra geral, criadas artificialmente pela publicidade. Passem tempo com eles garantindo a vivência de determinados valores. E não esperem que seja um mau comportamento deles a levar-vos à escola. Estejam lá antes disso. Falem com os professores, cooperem; o trabalho feito a dois será sem dúvida mais fácil e frutífero.
Pais e professores, não se conformem com a mediocridade. «As nossas ideias acerca da educação têm sido demasiadamente acanhadas e baixas. Há a necessidade de um escopo mais amplo, de um objectivo mais elevado. A verdadeira educação significa mais do que a prossecução de um certo curso de estudos, significa mais do que a preparação para a vida presente. Ela visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem».
(Jorge Branquinho Lopes)
CONTINUE A LER EDUCAÇÃO VERSUS INSTRUÇÃO
Publicado por agineotonico às 04:33 PM | Comentários (2)
Cientistas portugueses criam medicamento contra o cancro
"Investigadores da Universidade de Coimbra criaram um novo medicamento contra o cancro, mais eficaz que os actuais produtos. A terapia fotodinâmica poderá ser o principal método de tratamento de patologias cancerígenas.
Uma equipa de peritos do Departamento de Química da Universidade de Coimbra desenvolveram a molécula bacterioclorina ao longo de sete anos, com a colaboração de equipas da Polónia, França e Brasil.
O método baseia-se num laser que incide na zona do tumor, activando a bacterioclorina que gera depois moléculas de oxigénio com força suficiente para atacar os tumores cancerígenos. «A nova molécula permite activar o oxigénio e é esse o agente que vai degradar as células», explicou em declarações à rádio TSF a investigadora Mariete Pereira. Os investigadores garantem que este método tem menos efeitos secundários e será cerca de 500 vezes mais eficaz que as actuais terapias para o tratamento do cancro."
Publicado por agineotonico às 07:24 AM | Comentários (2)
junho 09, 2004
Monólogo sobre a Morte
Sousa Franco morreu esta manhã. Era-me uma figura simpática pelo que muitos consideram como o seu “politicamente incorrecto”. A sua imagem, a forma como expunha as suas ideias transpirava qualidades que admiro cada vez mais – simplicidade e franqueza. Ele conciliava, ao contrário da maioria das nossas figuras públicas e mesmo das pessoas comuns, estas características de simplicidade e franqueza na exposição e defesa das suas opções políticas, com um saber sério atestado pelos seus mais de 300 trabalhos na área das finanças públicas, do direito económico e do direito europeu. Não se trata de concordar ou não com as suas opções, trata-se de o ver como um parceiro de luta ou como um adversário inteligente. Acima de tudo trata-se de o ver como um ser humano com valor e, no meu caso concreto, como um ser humano com as qualidades que referi.
Por isso, mas não só, me chocou tanto os insultos grosseiros que lhe foram feitos. Insultos que foram dirigidos à sua aparência física e não às suas ideias e opções políticas.
É certo que estamos numa sociedade em que se valoriza acima de tudo as aparências e Sousa Franco era, sem qualquer dúvida, uma figura única.
Quem acompanha este blog sabe que tenho criticado sistematicamente esta valorização do “parecer” em detrimento do “saber ser”.
Talvez porque eu própria sou assim - “politicamente incorrecta” a defender as minhas ideias “em directo”, privilegiando as relações humanas, as particularidades, os defeitos, as capacidades e os méritos individuais acima de tudo. Isso tem custos pessoais grandes neste jogo do parecer, do ser politicamente correcto, do fazer alinhar as ideias pelas mesmas lógicas, do aparentar o que se não é na realidade, do subjugar a dignidade pessoal à luta para se perseguir essa imagem estereotipada que nos vendem ...
A morte confronta-nos com a única verdade que dou como adquirida – a sua certeza e irreversibilidade, a efemeridade da vida.
Somos confrontados com os limites dos nossos seres físicos e dos nossos saberes. Somos confrontados com a nossa incapacidade para dominar a nossa própria natureza, a nossa inevitável mortalidade e, isso, coloca, ou deveria colocar, como valor humano primeiro, o valor da vida humana.
A consciência da nossa condição de mortais deveria levar-nos a ser mais solidários, acho eu, a entender que sendo a vida tão tremenda e assustadoramente efémera não faz qualquer sentido esgotar todas as nossas energias num jogo que, para além de muitas vezes não nos dar grande felicidade e satisfação, traz sofrimento a outros seres humanos.
O valor que atribuímos à vida humana expressa-se pelas políticas que pomos em marcha e que têm impactos sociais, ou que apoiamos de uma maneira ou de outra que sejam postas em marcha, mas também se expressa pela forma como olhamos o que se passa no mundo e nele vivemos, pela forma como nos relacionamos ou usamos as pessoas que se cruzam connosco ao longo da vida. A vida concretiza-se nas pessoas individuais e, esse, é o seu valor, esse é o dado que exige a sua defesa e respeito.
A morte de pessoas de quem gostamos deixa-nos sempre num extremo de incompreensão e, muitas vezes, leva-nos a procurar causas ou culpados que a justifiquem. São actos que fazem parte, acho eu, de um processo doloroso de luto. Há um vazio, porque esses seres são únicos para alguém, fazem sentido para alguém e isso exige que sejamos solidários sob o ponto de vista humano.
Por isso há tanta coisa que, para mim, deixou de fazer qualquer sentido ...
Publicado por agineotonico às 04:32 PM | Comentários (1)
Faleceu o Professor Sousa Franco
O candidato do PS às Europeias faleceu de ataque cardíaco depois de uma confusão no mercado de Matosinhos.
PS e PSD deram por terminada a campanha eleitoral.
Publicado por agineotonico às 10:30 AM
junho 08, 2004
Arrogância e insultos
Depois de Manuela Merreira Leite insultar um deputado do PS, de membros de partidos da coligação insultarem um candidato da oposição, agora é a vez de durão Barroso, para fugir às questões que lhe levantava a deputada "dos verdes", a insultar gratuitamente - "Sem responder à questão que a deputada Isabel Castro lhe colocara sobre a situação económica, a exclusão e a transparência da gestão do Estado, Durão afirmou: "Em matéria de transparência não sei quem representa, nunca se sujeitou a votos." E rematou: "Não confundo ambiente e causas do ambiente com um partido que tem essa bandeira, mas não representa nada nem ninguém ... "é uma questão sobre a qual os legisladores deveriam pensar", Durão Barroso prosseguiu: "É completamente ilegítimo. Mas a nossa lei permite isso, é muito tolerante. É tão tolerante que estou aqui a responder-lhe." E concluiu: "Uma coisa é uma coligação entre partidos que existem, outra é uma pretensa coligação."
Na verdade a situação da deputada "dos verdes" é, em tudo, semelhante à maioria dos deputados dos outros partidos, ninguém os conhece a todos. Questionar a legitimidade da situação desta deputada apenas porque esta lhe faz perguntas incómodas é uma boa prova de intolerância, fazê-lo com a falta de respeito com que o fez é acrescentar-lhe arrogância.
Habituámo-nos no 2º mandato de governo de Cavaco Silva a atitudes deste tipo, mas com Durão Barroso, a arrogância e falta de educação tem sido uma constante desde o primeiro momento.
Publicado por agineotonico às 05:03 PM
Bombeiros estão preparados para o euro 2004
Os bombeiros manifestaram-se frente à residência do 1º Ministro alegando não terem recebido preparação específica para o Europeu.
Figueiredo Lopes afirma que «todos os bombeiros, agentes de protecção civil e do INEM convocados para prestar serviço estão preparados, já foram aos estádios e fizeram exercícios».

Publicado por agineotonico às 04:38 PM
Nova tecnologia não poluente limpa ruas de lisboa durante o euro 2004

Publicado por agineotonico às 04:19 PM
junho 07, 2004
Mas que raio vem a ser isso de Leis Internacionais?
Bush pode contornar leis internacionais contra tortura
O presidente norte-americano, George W. Bush, pode passar por cima das convenções internacionais contra a tortura caso o interesse do país se sobreponha, considerou um grupo de juristas da Casa Branca, avançou esta segunda-feira o Wall Street Journal.
... O documento terá sido elaborado pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, a pedido a dos responsáveis da prisão na Base de Guantanamo, que se queixavam de não conseguir retirar informações suficientes dos detidos."
... o chefe de Estado dos EUA «dispõe de poderes virtualmente ilimitados para conduzir como uma guerra como entenda, sem que o Congresso, os tribunais ou as leis internacionais possam intervir», adianta o Wall Street Journal.
É que as torturas denunciadas nas cadeias do Iraque foram perpetuadas por meia dúzia de soldados descontrolados ... agora é preciso que se descontrolem todos e têm que ser protegidos.
Publicado por agineotonico às 09:24 PM | Comentários (1)
Voto electrónico vai ser testado nas Europeias
"Com o objectivo de oferecer um melhor serviço aos cidadãos e introduzir as novas tecnologias nos processos eleitorais, a Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC) do Governo realiza, nas próximas eleições europeias, a primeira experiência de voto electrónico em Portugal. Uma iniciativa que, mesmo não tendo qualquer validade legal, poderá ser o primeiro passo para a instalação daquilo que os seus responsáveis acreditam ser um sistema mais fiável, mais rápido e, também, mais cómodo para os eleitores."
Se seguirem o exemplo do Ministério da Educação na colocação de professores que faz jus à célebre máxima - "Em todo o mundo os computadores têm memória, mas em Portugal têm apenas uma leve ideia" - teremos que andar a exigir a anulação das eleições enquanto o governo se recusará a fazê-lo, argumentando que o erro foi apenas com dois votos e eram em branco.
Publicado por agineotonico às 09:08 PM | Comentários (1)
eles sabem como é, também têm os índios
Os Estados Unidos pediram esta segunda-feira aos europeus e aos Estados do Golfo que aumentem as respectivas ajudas aos refugiados palestinianos ...
«Não podemos continuar assim ... declarou o secretário de Estado adjunto, Arthur Dewey. «É necessário que os restantes cumpram a sua parte», acrescentou ...
... o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sublinhou que a violência agravou consideravelmente a situação dos refugiados palestinianos nos últimos anos. «Desde Setembro de 2000, o número de palestinianos na Cisjordânia e Gaza que dependem da ajuda alimentar da UNRWA multiplicou quase dez vezes», sublinhou. «Durante o mesmo período, a percentagem de palestinianos que vive abaixo do limiar da pobreza multiplicou três vezes, de 20% para 60%», acrescentou."
Os Estados Unidos têm dado cobertura a todo o processo de ocupação de território e genocídio do Povo Palestiniano por parte de Israel. Estão, por certo, preocupados que a este ritmo não fiquem nenhuns dentro das reservas que Israel está construir, para mostrar aos turistas.
Permitir e apoiar a política israelita que tem vindo a destruir a economia palestiniana e, por outro lado, pedir que se defenda este povo através de donativos internacionais de subsistência é um insulto.
O povo palestiniano não quer viver da caridade internacional, quer o seu território que está a ser ocupado, quer que parem de lhes destruir os campos de cultivo e de oliveiras, quer que parem de os matar, quer manter a sua dignidade.
O povo palestiniano não quer viver emparedado dentro das cidades/reservas para onde estão a ser empurrados por Israel, nem quer ser alimentado pela comunidade internacional como se alimentam os animais dos ZOO, nem quer servir de atracção turística como serviram e ainda servem os índios americanos.
Publicado por agineotonico às 08:42 PM
Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
e sem medo nem dó nos destruímos,
se morremos em tudo o que sentimos
e podemos cantar, é porque estamos
nus em sangue, embalando a própria dor
em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
e a alma possuirá esse esplendor
prometido nas formas que perdemos.
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu - eco da lua
e dos jardins, os gestos recebidos
e o tumulto dos gestos pressentidos
aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei,
não pelo meu rumor que só perdi,
não pelos incertos actos que vivi,
mas por tudo de quanto ressoei
e em cujo amor de amor me eternizei.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Publicado por agineotonico às 06:07 PM
junho 05, 2004
Dia mundial do Ambiente

A Comissão Europeia chamou a atenção para o facto de um terço da orla costeira portuguesa estar em risco de erosão (estudos dos SIAM referem dois terços).
A erosão está a fazer desaparecer várias praias - S. João da Caparica, Esposende, Vagueira, Vila Praia de Âncora - de entre outras.
Dragagem de areias e construção desenfreada são algumas das causas apontadas para este processo de erosão.
Por outro lado, o IPCC prevê um aumento de 1,4 a 5,8 graus da temperatura média mundial ... em portugal o calor já tem e terá cada vez mais cosequências directas sobre a agricultura, sobre a diminuição da esperança média de vida e na qualidade da água.
Publicado por agineotonico às 02:36 PM
A humanização, ou a falta dela
A humanização, ou a falta dela, das relações nos Serviços de Saúde passa, de facto, também, pela questão do “mau estado das instalações e obsolescência de alguns equipamentos”. Também por aqui passa “uma das principais limitações à obtenção de uma boa «performance» de gestão.”
Não se pode pretender valorizar um aspecto único das diferentes necessidades de mudança no sector da saúde em detrimento das outras.
O que me parece que vale a pena referir e desmontar é o discurso do poder sobre que mudanças introduzir nos serviços de saúde e como, é clarificar de que mudanças estamos a falar.
Estamos a falar em mudanças reais que não afrontam o princípio da igualdade/equidade de acesso?
Nesse caso, as mudanças a introduzir passam, necessariamente, por um esforço de todas as partes e, por isso, falar em melhorar as instalações e cortar em materiais fundamentais para a execução das mais simples tarefas de atendimento dos doentes parece um contra-senso no que diz respeito à humanização das relações.
No que se refere à “boa performance de gestão” depende na perspectiva em que nos colocamos.
Recordo, por exemplo, que a demora na empresarialização do IPO se deveu ao facto de se ter tentado que este ficasse desobrigado de prestar serviços de radioterapia gratuita aos utentes, ou que há serviços de saúde em que são os doentes que têm de levar medicação ou materiais seguros de desinfecção, ou que os SA não fazem discriminação entre a necessidade de racionalização de recursos e a obrigatoriedade de os disponibilizar à generalidade dos utentes, etc.
Assistiremos cada vez mais à morte de doentes em nome da racionalização dos recursos como acontece nos EUA com quem não tem seguro de saúde de grande cobertura? Aí nesse país, é comum deixarem-se morrer as pessoas que não têm seguro de saúde.
Esta referência não é feita por um síndroma de anti americanismo primário. É para responder a quem defende que a implementação de um sistema de saúde como o que ali está implementado seria um bom caminho. A verdade é que ele tem consequências graves lá, mas terá consequências desastrosas nas actuais condições económicas em que vivemos aqui no nosso país.
Por isso considero que a “boa performance” pode ter uma leitura muito diversa. Basta ouvir os discursos do Ministro.
Acho que vale a pena “desdobrar” o conceito de humanização em saúde. Foi nesse sentido que coloquei os anteriores post sobre o assunto.
Uma relação humanizada engloba, sem qualquer dúvida, um conjunto de componentes que vão desde a acessibilidade, ao atendimento humano, às condições físicas dos espaços onde se aguarda e se é atendido, aos equipamentos, ao acesso a todos os meios disponíveis, etc.
Mas passa também pela criação de um “clima” facilitador dessas relações. Estou a referir-me concretamente à criação de boas condições de trabalho a todos os que dentro dos serviços de saúde exercem a sua actividade. Também aqui a situação não parece ser simples. Não basta melhorar os equipamentos, é necessário implementar uma nova política de conduta que combata os hábitos enraizados e que, em muitos casos, são os verdadeiros entraves às mudanças. Mas parece-me que isto terá ser feito de forma inclusiva e não hostil, terá que ser dinamizado por pessoas que reconhecidamente têm capacidade para o fazer. Não me parece de todo que isso esteja a ser conseguido, como se pode ver pelas consecutivas demissões.
Pode-se sempre atribuir as culpas ao espírito cooperativo da classe médica e à sua recusa em perder privilégios. Também é verdade que tem sido um dos entraves à mudança, mas pergunto: se somos o 12º melhor sistema nacional de saúde do mundo, a quem devemos isso?
Haverá sem dúvida muitos médicos com comportamento ético duvidoso, há gente assim em todas as profissões. Há também influências culturais, nomeadamente, a alteração de valores a que todos estamos sujeitos e às quais os médicos não são imunes. A valorização das aparências e dos bens materiais em detrimento de valores mais relacionados com as nossas necessidades básicas enquanto seres humanos atravessam toda a nossa sociedade, não é exclusividade da classe médica, e assume a sua principal expressão na privatização dos sistemas de solidariedade social, onde se inclui o Sistema Nacional de Saúde.
Publicado por agineotonico às 01:47 PM
junho 04, 2004
um etsduo da Uinvesriadde de Cmabgirde
Sguedno um etsduo da Uinvesriadde de Cmabgirde, a oderm das lertas nas pavralas não tem ipmortnacia qsuae nnhuema. O que ipmrtoa é que a prmiiera e a utlima lreta etsajem no lcoal cetro. De rseto, pdoe ler tduo sem gardnes
dfiilcuddaes ... Itso é prouqe o crebéro lê as pavralas cmoo um tdoo e não lreta por lerta ...
Publicado por agineotonico às 05:10 PM
Saúde: a questão da boa imagem
"Boa apresentação reforça a imagem da SA:
Sabemos que os senhores administradores SA, têm alertado, repetidamente, o pessoal hospitalar para o zelo e os cuidados a ter, relativamente à sua apresentação. Está provado que, a apresentação cuidada do pessoal hospitalar, reforça a imagem de organização, ajuda a conquistar a confiança dos utentes, podendo constituir, assim, um poderoso dinamizador da realização de receitas de que, os hospitais SA, andam tão carenciados para competirem no "Ranking" criado pela Unidade de Missão."
Sem dúvida que uma das preocupações dos Hospitais SA se relacionam com a “imagem”.
Mas distinguiria aqui duas questões:
1) As relacionadas com o impacto que tem a forma como somos recebidos quando entramos num hospital como doentes ou como seus acompanhantes e
2) as relacionadas com a necessidade de mudar hábitos enraizados que se sabe hoje serem comportamentos de risco dentro das instituições de saúde.
Quanto à primeira questão – a do acolhimento – parece-me bastante visível que as coisas têm de mudar, desde a atitude dos porteiros, passando pelos administrativos e técnicos e chegando aos médicos.
Mas não é verdade que em todas as situações se fique melhor servido num SA com boa imagem ou num privado do que num hospital público, mas a ideia que passa pode ser essa simplesmente pela forma como se é recebido.
Entrar num hospital e ver um porteiro bem vestido, com ar limpo, que nos abre a porta e nos pergunta delicadamente se nos pode ajudar, é diferente de entrar num outro onde um porteiro de ar suado e alucinado nos atira aos gritos um “psst psst, eh eh onde raio pensa que vai?”. Também é diferente chegar a um guichet e ver uma funcionária na conversa mole ao telefone ou com a colega do lado enquanto a “bicha” cresce a olhos vistos e quando se digna a olhar para nós nos atira um “qu’é que quer,?”, ou nos olha em silêncio com um olhar reprovativo e acusador, do que chegar a um balcão aberto onde uma funcionária delicada nos diz “em que posso ajudar?”
E quando finalmente somos atendidos por um médico ao fim de 1, 2, 3 ... 7 horas de espera desconfortável e, muitas vezes, angustiada e nos atiram de lado e por entre dentes “então?”, “dispa-se” e olhamos para as 10 pessoas despidas e vestidas ao lado, com as portas a abrir e a fechar e com pessoas a passar, ou mesmo sem porta alguma, sentimo-nos humilhados, revoltados e tratados como gado, como se não fossemos nada. É diferente quando após uma espera somos recebidos num gabinete por um médico que se levanta nos estende a mão e nos diz “ desculpe este tempo de espera, mas isto hoje está mesmo complicado, diga-me o que se passa consigo?” ... todas as queixas que congeminámos enquanto esperávamos caem por terra e muita da insegurança se suaviza.
Mas mais uma vez reafirmo que isto não significa obrigatoriamente que o serviço médico prestado seja melhor no seu conjunto, significa que no aspecto particular do acolhimento, a forma como ele se processa, facilita muito o sentimento de segurança ou de maior insegurança de quem se vê na necessidade de recorrer aos hospitais.
Quanto à segunda questão – a dos hábitos enraizados e os comportamentos de risco – é verdade que os microbiologistas começaram a embirrar com as gravatas ...
"O problema é que, os microbiologistas, embirraram com as gravatas:
Pois bem. Chegou a altura de lançar um alerta, relativamente ao uso de gravatas. Um estudo recente, apresentado num congresso de microbiologia nos USA, demonstrou que, as gravatas dos médicos, são um poderoso agente potenciador do cruzamento da infecção hospitalar, pelo elevado número de bactérias de que são portadoras. Não sabemos se, o referido estudo, efectuou exames analíticos a outras peças de vestuário do pessoal hospitalar. Sabemos que, a maioria do pessoal hospitalar, não troca de farda todos os dias e que vai tomar as suas refeições ao refeitório ou à cafetaria sem trocar a bata com que atende os doentes.”(in SaudeSA)
Se é verdade que esta conduta tem de ser combatida porque põe em risco a saúde dos utentes e do próprio pessoal dos hospitais, também é verdade que este discurso e preocupações vindos das novas administrações dos SA soam a “tapar o sol com a peneira” porque sabemos que andam a poupar nas luvas cirúrgicas comprando as mais baratas que se rompem facilmente por exemplo, que cortaram na compra de desinfectantes fundamentais e eficientes e nos serviços e materiais de limpeza.
Sem dúvida que uma coisa não anula a outra, mas a autoridade de um discurso que apela a mudanças advém da concordância entre o discurso e a prática de quem faz esse apelo.
Assim, porque não poderei pensar que isto é apenas uma manobra para responsabilizar os médicos e outro pessoal de saúde pelos resultados dos cortes em áreas essenciais?
De certa forma, este é o mesmo tipo de questão que levantei em relação à “Operação conforto”.
Hoje em dia vivemos demasiado das aparências e pouco das pequenas verdades concretas. Isso pode ver-se, por exemplo, quando muda um quadro superior na função pública: a primeira coisa que faz é decorar o gabinete e perguntar pelo ano do carro que lhe vai ser atribuído.
Podemos e devemos melhorar e humanizar o acolhimento nos serviços de saúde sejam eles públicos, SA ou privados, mas acima de tudo não devemos servir-nos do aspecto exterior das coisas para prestar um mau serviço de saúde.
Também podemos e devemos exigir que se corrijam comportamentos de risco dentro das instituições de saúde, exigir que se mudem hábitos através da definição de regras de conduta objectivas e passíveis de serem avaliadas, de fazerem parte quer da avaliação individual, quer colectiva dos serviços mas, por outro lado, também devemos exigir que sejam dadas todas as condições para garantir um eficaz combate à infecção hospitalar, que sejam disponibilizados materiais de reconhecida qualidade e eficácia.
Parece-me evidente que esconder as poupanças dos SA, impondo uma visão de aparente controle “das batas limpas sem gravata”, não resolve o problema, apenas esconde e, como se sabe, “varrer a porcaria para baixo do tapete” não é promover uma conduta de verdadeira qualidade dos serviços.
Quanto aos privados a conversa é outra. A verdade é que ninguém controla o que se passa entre portas, não existem entidades independentes que procedam a uma avaliação rigorosa e isenta de todos os prestadores de saúde privados no nosso país.
Comentários: Saúde: a questão da boa imagem
2. - O nosso sistema de saúde é um dos melhores do mundo como tem referido(12.º).
Apesar de tudo, padece de algumas disfunções.
Uma das principais é a falta de humanização.
Para esta te^m contribuído de forma decisiva o mau estado das instalações e obsolescência de alguns equipamentos.
Resultado do eterno problema da falta de investimento.
3. - Trabalho nos hospitais há largos anos.
O estado degradado das instalações foi, desde sempre, uma das principais limitações à obtenção de uma boa "performance" de gestão.
O levantamento agora efectuado pelo Ministério da Saúde estava prometido há muitos anos.
O marketing do ministério apresenta-o como a mais recente descoberta da gestão hospitalar.
O importante, relativamente a este ponto, é haver verbas de investimento para a realização das obras e das reparações necessárias.
4. -O ponto que, o Gin, aborda no seu "post", diz respeito à humanização dos cuidados de saúde.
A humanização dos cuidados envolve muitos aspectos:
- Instalações adequados e em bom estado de conservação.
- Pessoal técnico habilitado, com preparação para lidar com os utentes, cidadãos que passam por uma fase difícil das suas vidas e que, por conseguinte, requerem uma abordagem muito técnica e especializada.
A apresentação do pessoal é uma componente do atendimento social dos utentes.
Pessoal devidamente fardado, identificado, com perfil e formação adequada para lidar com os utentes.
5. - Concluindo:
A boa prestação de cuidados avalia-se em função das várias componentes que a integram:
acessibilidade, equidade, qualidade e segurança.
No entanto, o cerne da prestação de cuidados de saúde está na efectuação de um correcto diagnóstico, indicação das terapêuticas adequadas e acompanhamento rigoroso da recuperação dos doentes.
Este trabalho é efectuado por equipas pluridisciplinares - administradores, médicos, técnicios, enfermeiros e auxiliares - que no SNS são dos melhores do mundo.
Não estou a exagerar.
Penso que, o sistema de saúde português é dos sectores de actividade melhor apetrechados do ponto de vista técnico e científico.
Tem faltado o resto: falta de investimento (instalações e equipamentos) e aperfeiçoamento do pessoal hospitalar na técnica de relações humanas.
6. -A actual reforma está a ser conduzida essencialmente com o objectivo de ~satisfazer os interesses dos operadores privados.
è uma reforma de cariz eminentemente político.
è a obsessão cega de privatizar, como dizia o professor Santana Castilho no seu brilhante artigo.
Cumprimentos.
Xavier
Publicado por agineotonico às 04:11 PM | Comentários (2)
Uma criança todos os dias

Publicado por agineotonico às 12:03 AM
junho 03, 2004
Operação Conforto
Depois da nomeação de muitos administradores hospitalares (admito a possibilidade de existência de excepções) sem qualquer capacidade de gestão nesta área e de incentivar os Hospitais SA a procederem a cortes aleatórios nas despesas, teve o Sr. Ministro que gastar dinheiro para encomendar um estudo que teria que concluir o óbvio e já denunciado por muitos pacientes e trabalhadores de saúde: problemas graves de falta de limpeza e segurança e necessidade de melhorar o conforto dos utentes.
“O Programa Conforto visa melhorar as infra-estruturas dos hospitais SA, aumentando os níveis de conforto, informação disponível, satisfação e segurança. Cada hospital deverá agora elaborar um plano de acção orientado para a remodelação e humanização de espaços, de forma a serem criadas as condições físicas para um aumento da qualidade do serviço prestado, da motivação dos profissionais e da satisfação e confiança dos utentes.”
De qualquer forma deixo duas ordens de perguntas no ar:
1º - Porque razão esta preocupação e disponibilização de verbas para os SA e se esquece as necessidades dos poucos hospitais públicos que restam? Será que os Hospitais Públicos são extremamente confortáveis e têm todas as condições, estão inseridos em belos espaços verdes com bem projectados parques de estacionamento, com salas de espera arejadas e serviço de bar? Ou será que nos encaminhamos para a conclusão que os privados serão a única possibilidade para resolver os problema destes hospitais SA? Ou ainda, que os privados só lhes pegam se primeiro o Estado os meter com condições mínimas?
2º - Está o governo apenas a recorrer a mais uma bandeira para o período de campanha eleitoral? A necessidade de financiamento prioritário destes hospitais é nestas áreas de forma a que se justifique um estudo e um financiamento a elas delimitado? Não têm estes hospitais outros problemas graves de funcionamento que requeriam ser analisados e financiados?
Na verdade, considero de extrema importância que se proceda a melhorias nas áreas abrangidas por este estudo, mas um post no SaudeSA sobre - Boa apresentação reforça a imagem da SA – fez-me ficar a matutar ...
CONTINUE A LER
Publicado por agineotonico às 11:41 PM | Comentários (3)
Bushinho Fernandes
Fala-nos aqui das implicações da dependência do petróleo nas nossas vidas.
Do seu ponto de vista o mundo não está a querer enfrentar esta questão mas tem que o fazer por razões de ordem ambiental, económicas e políticas.
Quanto às razões ambientais, não vale a pena falar muito disso, nem o acordo de Quioto tem qualquer importância porque as necessidades de desenvolvimento da China e da India transformá-las-ão nas maiores potências poluidoras do mundo nos próximos anos e elas estão de fora desse acordo (talvez por esquecimento, Bushinho Fernandes não tenha referido os EUA que tb estão de fora e são um dos maiores poluidores actuais).
Privilegiar as energias alternativas é optar por um mal menor porque também elas são poluidoras embora em menor grau. Por isso, parem de criticar e deixem fazer-se barragens, parques eólicos ou grandes centrais de energia solar onde nos der na veneta e sem estudos de impacto ambiental porque isso é o menos.
A crise do petróleo é a grande responsável pelo aumento do custo de vida, pelas privatizações dos bens do Estado, nomeadamente da água, pelo desemprego, pelo congelamento dos salários e desemprego de alguns, pelos ordenados escandalosos de outros nomeados para a FP, pela quantidade de carros topo de gama dos serviços públicos, pelo mau estado da justiça, pela inércia no combate à fuga fiscal e à corrupção de colarinho branco, pelos insultos da Ministra das Finanças aos deputados da oposição, pela degradação da nossa economia ... enfim, é culpada e basta.
Além do mais, é preciso que pelo menos 80% da população portuguesa passe a viver no limiar, ou abaixo do limiar, da pobreza para aprenderem a “sentir necessidade” de mudar de hábitos ... estamos pois no caminho certo.
Mas há ainda outro problema que tem que ser resolvido. O petróleo não pode estar nas mãos de países governados por fundamentalistas satânicos que se organizam no “eixo do mal”, que alimentam o terrorismo porque “haveria por certo maior capacidade de gerar mudanças reformistas nesses países se eles não detivessem a arma do petróleo”.
“Isto não nos é indiferente” e regimes como o da Arábia Saudita e o Irão terão que ser, certamente, “domados” pelo “eixo do Bem” como acontece no Iraque que está a ser abrilhantado com um governo novinho em folha com custos mínimos, porque “cerca de dois terços das reservas mundiais conhecidas de petróleo situam-se na região do Golfo Pérsico” ...
Publicado por agineotonico às 10:16 PM
Menos poder de compra
"O salário mínimo nacional existe há 30 anos: foi decretado pelo 1º Governo Provisório, chefiado por Adelino da Palma Carlos.
Começou por ser de 16,40 euros (3300 escudos) e hoje é 365,60 euros.
Apesar deste crescimento, hoje em dia compram-se menos bens com o salário mínimo do que em 1974. Para os portugueses conseguirem manter o mesmo nível de vida de há 30 anos, o salário mínimo teria de ser superior a 500 euros"
(in FOCUS 242)
Publicado por agineotonico às 07:16 PM
Liberdade de imprensa
Photographs of the sadistic torture of Iraqi prisoners at the hands of US troops became front-page news around the world after their release last week. Only in two countries were they largely suppressed by the media—the United States and Iraq itself.
Publicado por agineotonico às 06:49 PM | Comentários (1)
Desenrascanço
The neutrality and factual accuracy of this article are disputed.
Desenrascanço (loosely translatable as "disentanglement") is a Portuguese word used, in common language, to express an ability to solve a problem without having the knowledge or the adequate tools to do so, by use of imaginative resources or by applying knowledge to new situations. Achieved when resulting in a hypothetical good-enough solution. When that good solution doesn't occur we got a failure (enrascanço - entanglement). It is taught, more or less informally, in some Portuguese institutions, such as universities, navy or army. Portuguese people strongly believe it to be one of the their most valued virtues and a living part of their culture. Desenrascanço, in fact, is the opposite of planning: it's managing for the problem not becoming completely out of control and without solution.
However, some critics disagree with the association of the concept of desenrascanço with the mainstream Portuguese culture. They argue that desenrascanço is just a minor feature of some portuguese subcultures confined to some non-representative groups at the end of the 20th century. Critics point out that in the last 30 years the education and culture of the portuguese people improved considerably and that the importance of desenrascanço is declining. Sometimes, the concept is related by some to the discoveries period or to student activities in the 15th century. But sceptics doubt there is any substantial proof of that relation. Critics also argue that there are other sub-cultures in other countries with equivalent concepts and that desenrascanço is not an exclusive of the Portuguese culture.
Universities
Desenrascanço has a role in the academic juvenile sub-culture in some educational institutions. In some universities and politechnical institutes, the older students known as doutores (Eng. doctors) teach Desenrascanço to freshmen (Port. Caloiros) in a ritual, well known as Freshman Reception in Portugal. It is alleged that this skill is taught (informally) in the Portuguese universities since the 14th or 15th century. The freshmen are ordered to do the most impossible things. They must comply or they will be punished. To solve the problems (desenrascar-se) they must be really inventive and/or have a very convincing reason when they cannot do it. Normally, if they cannot or if they are not smart enough and find a boring solution, punishment is done. The punishment is supposedly done under the Praxis rules (Port. Código de Praxe) and aleggedly no harm can be done to the student. But they can get dirty, do a lot of exercise, and do embarrassing things in public or end up doing nothing and standing still for an hour. Freshmen perform this ritual because they want to be part of academic groups to have fun in the continuous parties these groups organize and to generally have lots of helping friends. In the rituals, the doutores are dressed in black (in 19th century traditional clothes) and freshmen dressed in white (normally a shirt and blue jeans nowadays). This might be considered an initiatic ritual in most portuguese universities.... Normal academic activities are also seen as a way to teach desenrascanço. For example, when the teacher does not disclose any suggestions to solve a problem (sometimes because he himself is unaware of any), and the student must search himself. Siemens, a well known German company, has development and engineering offices in Portugal due to this Portuguese characteristic, employing hundreds of Portuguese staff. They say "when a german gives up when encountering a difficulty, a Portuguese will work until it is solved." They also argue that is "due to the quality of Portuguese state-run universities and institutes". Desenrascanço is the finding of a solution for a given problem.
Desenrascanço in the Discoveries Era
In the 16th and 17th centuries, it was very common for other exploring nations to bring a Portuguese national along during the voyages, for two reasons, 1) the Portuguese were skilled by previous knowledge and 2) and, alegedly, for handling emergencies well (what is also known among the Portuguese as "desenrascanço"). Of course, serious historians would disagree with the association between a 20th century idea and 17th century events.
Some groups from Portugal believe that they still have this characteristic, that, theoricaly speaking, make them the best people to handle emergencies, and the worst for situations where planning is needed. There's no impartial verification of those claims.....
Publicado por agineotonico às 04:39 PM
junho 02, 2004
Saúde e a questão da igualdade
A questão da igualdade tem a ver com o direito de todo o cidadão ter os seus interesses igualmente considerados no processo de tomada de decisão.
Colocada a questão nestes termos, parece claro que a igualdade política não remete linearmente para a igualdade normativa. Em períodos de crise económica, quando o dinheiro disponível não é suficiente para ceder gratuitamente a todos os cidadãos bens sociais de primeira necessidade, onde se enquadram os da saúde, é necessário discutir como suprir a falta de meios da forma mais justa possível, de forma a não aprofundar as desigualdades já existentes e a não gerar novas desigualdades.
Mas o que se vem a assistir, com as reformas introduzidas na saúde, é exactamente ao aprofundar e alastrar a um maior número de pessoas o tratamento desigual.
O incentivo aos Hospitais SA para privilegiarem os convencionados e os seguros e as parcerias público/privado, abrem caminho para os programas de saúde compensatórios (já referidos por vários ministros) que serão disponibilizados pelos hospitais públicos que sofrerão um forte desinvestimento.
Isto é uma alteração de fundo nos direitos de cidadania.
Na verdade, o modelo levado à prática por este governo, ao fazer prevalecer a relação entre benefícios sociais e responsabilidades cívicas (o utilizador/pagador, o cliente do hospital e não o utente), move o campo dos direitos para o da responsabilidade individual. Como se a sociedade no seu todo não fosse responsável pelas franjas de pobreza contínua. Assim, este modelo ao enfatizar a vínculação dos direitos sociais ao mercado, propagandeia o direito de autonomia dos cidadãos, apregoa a sua condição de consumidor com direito a escolher entre serviços diversos, o que na nossa realidade social não corresponde à realidade.
Mas o que é grave é que não se trata, como se pretende fazer crer, de direito a uma escolha real, mas sim a uma “escolha orientada” segundo a capacidade económica de cada um. Estão a criar-se “as escolhas” para sujeitos sociais com diferentes graus de posição no mercado.
Se é verdade que neste início do processo de diferenciação no acesso à saúde ainda não nos apercebemos bem para onde nos leva esta reforma, porque ainda se mantém uma camada intermédia que, mesmo já não tendo acesso aos bens mais dispendiosos, ainda consegue alguma resposta de qualidade dos serviços de saúde, é verdade também que esta mesma classe tende a perder privilégios pelas sucessivas penalizações nos convencionados e nos seguros. Por exemplo a ADSE deixou de comparticipar em alguns dos meios de diagnósticos mais dispendiosos, colocando desde logo a primeira clivagem – ou se tem dinheiro e se acede pelos próprios meios a esses bens, ou não se tem dinheiro e esses meios não estão disponíveis.
Por outro lado, o mercado começa a ser invadido pelas grandes companhias de seguros. Os seguros de saúde terão preços altíssimos e dividir-se-ão “em pacotes de acesso”, isto é, cada um comprará o pacote para o qual tiver capacidade financeira e esse pacote determina os meios a que poderá aceder. Por outro lado, as companhias de seguros, enquanto instituições privadas, podem cessar os acordos estabelecidos sempre que o desejarem, coisa que o serviço público não pode fazer.
Teremos então “as escolhas” que podemos fazer:
- os hospitais públicos sem investimento (estilo asilo como na sua origem) com uma política de programas compensatórios mínimos para as franjas tradicionais de pobreza e para as populações recentemente excluídas do mercado de trabalho que deixarão de ser considerados cidadãos/pessoas;
- os Hospitais SA e as PPP que visam uma população com capacidade económica média, os convencionados e os segurados de “pacote médio” e que terão acesso aos serviços e bens em função das suas capacidades de compra;
- os privados para as classes com grande capacidade económica e para os grandes seguros de saúde que terão acesso a todos os bens disponíveis.
Esta é a leitura do conceito de equidade do actual governo.
Publicado por agineotonico às 06:49 PM | Comentários (6)
Saúde e Gestão de dinheiro público
Como já referi num outro post, restringir a questão da justiça social e democratização (neste caso) da saúde a parâmetros meramente quantitativos – custo/efectividade, avaliação /perfil do gasto, etc – não é de todo inocente.
O abandono da discussão em torno da dimensão política das reformas na saúde, da articulação entre política, saúde e democracia, este privilegiar dos aspectos mais pragmáticos como o da implementação/regulamentação, planeamento/avaliação, em detrimento da dimensão da desigualdade no acesso à saúde e esta desigualdade como factor de agravamento da exclusão social, tão pouco é fruto da inocência dos governantes.
Sem querer referir, neste post, a ideologia subjacente a estas reformas e a forte influência globalizante que determina este trajecto de destruição dos sistemas de solidariedade social públicos, de entre estes, o Sistema Nacional de Saúde, gostaria de referir um aspecto que me parece importante e que se relaciona com a democracia.
Este governo está a introduzir profundas alterações no nosso SNS, está a tornar este sistema mais discriminatório e exclusivo utilizando dinheiros públicos.
A postura arrogante que o poder assume face à alocação de recursos parece esquecer que está a gerir dinheiro público, dinheiro que todos nós cidadãos disponibilizamos através dos impostos para garantir um acesso igualitário à saúde.
Nesta perspectiva, qualquer mudança que se insira nesta área e que tenha como consequência uma maior desigualdade entre os cidadãos, deveria ser alvo de uma ampla discussão política e de consensos sobre as opções da distribuição desses mesmos recursos públicos por parte do governo. Nesta discussão deveriam ser ouvidos todos os parceiros, por forma a garantir que todos os cidadãos estariam representados. Por outro lado, a dimensão política das opções nesta área deveria, obrigatoriamente, versar sobre a democracia, a contribuição solidária e a desigualdade.
Ao invés, o governo através do seu Ministério da Saúde, utiliza dinheiro público para financiar os privados enquanto aprofunda e aumenta o fosso das desigualdades sociais.
A premência de repensar como suprir as necessidades de financiamento do sistema de saúde público, ou a opção de criar parcerias que não gerem desigualdade, já que não é das fortunas pessoais dos governantes que saem estes meios, implica, como disse, discutir os conceitos democráticos da igualdade e da contribuição solidária.
Por isso, por muito que se tente explicar a introdução do termo equidade para substituir o conceito de igualdade, essa substituição não passa de pura falácia que visa esconder o verdadeiro objectivo que é a privatização da saúde.
Basta ver algumas medidas que têm sido tomadas para se perceber que o que neste momento se “oferece” aos privados é uma forma de financiamento escondido.
De facto, o ex-PECLEC (Programa especial de combate às listas de espera cirúrgicas) que faliu e mudou de nome para SIGIC (Sistema integrado de gestão de inscritos para cirurgia) foi aberto aos privados dizendo-se que seria fundamental para resolver o problema das listas de espera cirúrgicas. O que não foi dito claramente, é que as cirurgias que lhes foram atribuídas são as de menor custo e maior ganho, como por exemplo as varizes. Por outro lado, os contrato-programa com os hospitais, que definem o seu financiamento, estabelece a penalização para os hospitais que aumentem a sua produção em mais de 10%. Ora como os hospitais púbicos não fazem selecção adversa, fácil será de perceber que as cirurgias que realizam são as mais complexas e as de maior custo, que os SA tendem a fazer selecção adversa para mostrarem resultados positivos e privilegiam os convencionados e os seguros e, assim, os privados recebem no colo o brinde do governo que os representa.
Publicado por agineotonico às 05:41 PM | Comentários (1)
Relação entre política e democracia
PRINCÍPIO 4º (Decl. dos direitos das Crianças)
A criança gozará os benefícios da previdência social.
Terá direito a crescer e criar-se com saúde; para isto, tanto à criança como à mãe, serão proporcionados cuidados e proteção especiais, inclusive adequados cuidados pré e pós-natais.
A criança terá direito a alimentação, habitação, recreação e assistência médica adequadas.
A realidade
Desde o final de século que os direitos fundamentais das crianças são reconhecidos pelos adultos como inerentes às crianças. Isso evidencia que no actual contexto social a criança deveria ser reconhecida como “sujeito social de direitos”. Contudo, é importante destacar que ao mesmo tempo que se fala em respeitar os direitos fundamentais da criança, muitas dela continuam a viver em situações adversas e enfrentando precárias condições de vida.
Nesse sentido é possível perceber que muitas leis e tratados foram aprovados, mas ainda precisam de ser implementados, precisam de ser inseridos na realidade concreta do quotidiano. A produção de legislação por si só, não garante as mudanças sociais. Pouco tem sido feito para mudar, de facto, a dura realidade da situação das crianças. Ao contrário da necessidade de desenvolvimento de uma política social que interfira nesse contexto, que combata a exclusão económica, cultural e social, as mais recentes políticas deste governo têm vindo a piorar a situação não só acentuando a exclusão dos já excluídos, como acrescentando novas exclusões.
As alterações no campo da saúde, da educação, na legislação de trabalho, o aumento do desemprego, o agravamento do custo de vida, tudo tem contribuído para piorar as condições de vida dos portugueses em geral e, em particular, das crianças.
Falar em direitos das crianças, é falar em direitos humanos e respeitar estes direitos implica discutir política e as suas relações com democracia e desigualdade. Colocar a discussão nas dimensões da gestão, da regionalização, do planeamento, da avaliação dos serviços, ou seja, nos aspectos pragmáticos, em detrimento da dimensão das desigualdades é fazer de conta que não é esta mesma dimensão que faz a articulação entre política e democracia.
Publicado por agineotonico às 12:13 AM | Comentários (1)
junho 01, 2004
Roubos no Iraque
O Pentágono está a investigar denúncias de roubos e assaltos alegadamente cometidos por tropas norte-americanas no Iraque. Segundo fontes do Departamento de Defesa, citadas esta terça-feira pelo New York Times, as denúncias estão relacionadas com alegados roubos e episódios de violência física que ocorreram durante rusgas a casas de civis iraquianos e nos postos de controlo de estrada.
Acho bem que sejam investigados e condenados os soldados que se dedicavam as estas práticas.
Mas temo que esta preocupação, que agora parece produzir tanta agitação, se deva apenas a uma tentativa de fazer crer que as torturas nas prisões iraquianas foram também actos isolados de soldados americanos, tentando assim esconder que elas são uma política comum e superiormente incentivada no tratamento dos prisioneiros.
Mais de desconfiar é este processo vir agora a lume quando se sabe que desde a invasão de Bagdad que foi denunciado, e com provas, que o saque aos museus foi perpectuado também pelas tropas de ocupação e outros estrangeiros presentes no contexto da guerra.
Porque razão só um ano depois se retoma este processo?
Publicado por agineotonico às 11:19 PM
Atropelos aos direitos das crianças

PRINCÍPIO 9º (Decl. dos Direitos da Criança)
A criança gozará protecção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objecto de tráfico, sob qualquer forma.
Não será permitido à criança empregar-se antes da idade mínima conveniente; de nenhuma forma será levada a ou ser-lhe-á permitido empenhar-se em qualquer ocupação ou emprego que lhe prejudique a saúde ou a educação ou que interfira em seu desenvolvimento físico, mental ou moral.
A realidade
Numa votação realizada em 3 de abril de 2001 no Conselho Económico e Social -ECOSOC- os Estados Unidos perderam o seu lugar na Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, que detinham sem interrupção desde 1947. Isto deve ser interpretado como uma sanção da comunidade internacional à persistente política desse país, de desrespeito pelos direitos humanos.
Em março de 2000 a Associação Americana de Juristas denunciou perante a Comissão de Direitos Humanos "a violação generalizada e persistente dos direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais nos Estados Unidos da América, agravada pelo facto dos governantes considerarem que o seu país poderia colocar-se acima e à margem do direito internacional" e instou a Comissão a "expressar a sua profunda preocupação por este estado de coisas e indicar ao governo desse país que o direito internacional e os direitos humanos existem para serem respeitados por todos os Estados Membros da comunidade internacional, grandes e pequenos, sem excepção alguma”.
Com efeito, os Estados Unidos da América não aderiram a boa parte dos instrumentos internacionais de direitos humanos vigentes, entre outros, ao Pacto Internacional de Direitos Económicos, Sociais e Culturais; a nenhum dos dois protocolos do Pacto de Direitos Civis e Políticos; a Convenção contra o apartheid; a Convenção sobre a imprescritibilidade dos crimes de guerra e de lesa-humanidade; a Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher; a Convenção sobre os direitos dos trabalhadores migrantes e suas famílias; a Convenção sobre a supressão do tráfico de pessoas e a exploração da prostituição de terceiros; a Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados; a Convenção de Ottawa, de 1997, que proíbe as minas anti-pessoais e se nega a respeitar o Protocolo de Kyoto sobre redução da contaminação da atmosfera.
Tampouco votou pela criação de uma Corte Penal Internacional, com o que seus nacionais terão garantida a impunidade ...
É um dos dois países do mundo (o outro é a Somália), que não ratificou a Convenção dos Direitos da Criança.
Em 1994, James Grant, então director executivo da UNICEF, ao apresentar a publicação "O Progresso das Nações 1994" numa conferência de imprensa, disse que a situação da infância nos Estados Unidos da América do Norte era a pior em todo o mundo industrializado. Com efeito, naquele país 20% dos menores vivem abaixo do limite da pobreza, enquanto em outros países industrializados essa percentagem varia aproximadamente de 5% na Europa Ocidental a 10% no Canadá, Austrália e Reino Unido. Também se estima que nos Estados Unidos são vítimas de abandono, maus tratos ou violência sexual três milhões de crianças por ano, três vezes mais do que em 1980.
O informe de 1996 da relatora especial da Comissão de Direitos Humanos sobre o comércio de crianças, prostituição infantil e a utilização de crianças em pornografia, citava um informe do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos da América do Norte, em que se estima em 300 mil o número de crianças prostituídas naquele país. A mesma cifra, embora de fonte diversa, é citada na publicação da UNICEF "O Progresso das Nações 1995". A relatora reiterou a cifra no informe de 1997 sobre sua missão aos Estados Unidos em dezembro de 1996, no qual acrescentava que, naquele país, 22,7% dos menores de 18 anos vivem abaixo do limite de pobreza.
O trabalho infantil, embora não tenha a magnitude que alcança em alguns países do Terceiro Mundo, existe em grande escala em estabelecimentos clandestinos ou semi-clandestinos em Nova Iorque, Los Angeles e outras cidades, e é habitual no campo.
Desde 1992, quase todos os estados dos Estados Unidos aprovaram leis que permitem julgar os menores como se fossem adultos. Vários estados fixaram a idade penal em 10 anos, salvo Michigan, que não fixou qualquer limite. Nos últimos 10 anos, foram executadas 12 pessoas que haviam sido condenadas por delitos cometidos enquanto eram menores de idade. Ceca de 70 pessoas que praticaram actos de delinquência quando eram menores aguardam presas o momento de serem executadas.
Publicado por agineotonico às 10:39 PM
Não ir e não poder ir à Escola

PRINCÍPIO 7º (Decl. dos Direitos da Criança)
A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário. Ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade.
Os melhores interesses da criança serão a directriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais.
A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.
A realidade
Milhões de alunos em todo o mundo não vão à escola, porque não lhes apetece. No mesmo planeta, em 2003, mais de 121 milhões de crianças não foram à escola porque não puderam: Ou porque trabalhavam, ou porque não existiam escolas onde residiam, ou porque foram discriminadas no acesso ao ensino. Os motivos são muitos. As meninas continuam a ser as mais descriminadas: 65 milhões em todo o mundo. Na mártir região da África subsariana em 1990 eram 20 milhões em 1990, mas em 2002 ultrapassavam os 24 milhões. A esta negra lista é encabeçada pelo sul e o leste da Ásia e Pacífico. Quatro em cada cinco meninas não escolarizadas vivem nestas regiões do planeta. Dados: Unicef, 2003
Publicado por agineotonico às 05:48 PM
Intifada que eu desejo
Publicado por agineotonico às 05:17 PM