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maio 29, 2004

Saúde: questionando o conceito de Gestão Empresarial

Este blog aqui tem vindo a "postar" uma série de questões relacionadas com o Sistema de Saúde.
É um blog que vale a pena seguir ...
As minhas leituras por lá, levaram-me a uma série de reflexões que vou passar a postar aqui na esperança que a SaudeSA se decida a permitir colocar comentários.

Implementar um sistema de gestão empresarial nas instituições de prestação de saúde é uma ideia correcta, desde que se acrescente “lógica de gestão empresarial de saúde pública”. Ou seja, a rentabilização dos recursos e o controle do desperdício nos hospitais e outros serviços de saúde pública é uma exigência tão natural como em qualquer outro serviço seja ele público ou privado, e relaciona-se directamente com os critérios de qualidade.
O problema é quando com o argumento faccioso de que “tudo o que é público é mau” e “tudo o que é privado é bom” se visa a privatização da saúde.
Na verdade, chamo a atenção que o “nosso mau serviço nacional de saúde pública”, se expressa na obtenção do 12º lugar dos melhores “Serviço Nacional de Saúde” do mundo ... gostaria de saber que lugar vamos ocupar depois dos imensos estragos que este governo “neocon” tem vindo a fazer.
O problema da gestão pública hospitalar é o mesmo que enformam todos os serviços públicos: a direcção é entregue como forma de pagamento político e não como resultado de uma avaliação das capacidades e saberes reais de gestão na área específica para que se foi nomeado ... basta ver aquilo a que nos habituámos chamar como “a dança das cadeiras”, onde uma mesma pessoa passa como responsável por áreas completamente diferentes (polivalência dos políticos, mas não tanta, bolas). Também é simples verificar, nas notícias que têm vindo a público, onde os políticos/futuros Ministros, Secretários de Estado, Directores Gerais, Presidentes de Institutos, etc., “fazem escola” ... nas Jotas.
Ora nas jotas não se faz escola de gestão de empresas e, assim, a qualidade técnica necessária para executar esse trabalho de gestão é substituída pela capacidade de saber dizer o “sim acrítico” a quem o nomeou e por uma gestão da promoção pessoal nos corredores da politiqueirice.
Por muito que o Ministro da Saúde e o governo afirmem (viciando os dados) que há grandes melhorias na saúde com a introdução da empresarialização, a verdade é que o serviço de saúde está pior, mais exclusivo, com conflitos internos graves e indefinições que o colocam à beira da ruptura.
Na minha opinião, todos temos sido permeáveis a este conceito de “gestão empresarial” que, como disse, é correcto, mas na verdade o sentido dado pelo poder político não é o mesmo que eu lhe atribuo. A única coisa que o poder político “neocon” quis e está a conseguir é, à revelia da nossa Constituição da República, implementar reformas discriminatórias e exclusivas no acesso e usufruto dos bens disponíveis na saúde para todos os cidadãos. Era impensável colocar os hospitais públicos a dar preferência aos convencionados e aos privados, estão aí os SA para o fazer; era impensável os hospitais públicos fazerem selecção adversa, estão aí os SA para o fazer; era impensável negar o direito a medicação dispendiosa que tradicionalmente os hospitais públicos cediam, estão aí os SA para o fazer; era impensável tirar todos os direitos de carreira aos médicos e dividi-los como classe, estão aí os SA para o fazer; a lista é imensa ...


GIN

Publicado por agineotonico às maio 29, 2004 10:26 PM