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maio 03, 2004
Mãe-Negra

Prelúdio
Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela ...
Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.
Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro ...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada ...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar? ...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar? ...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar? ...
Mãe-Negra não sabe nada ...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra! ...
Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar ...
Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar! ...
Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.
É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada.
(Alda Lara, 1951)
Publicado por agineotonico às maio 3, 2004 07:18 AM
Comentários
Que eu conheça, existe um fado que era cantado há muitos anos ... vou "postá-lo"
Publicado por: GIN às maio 4, 2004 11:35 PM
Existe uma música cantada se não erro, pelo Paulo de Carvalho que complementa esta belissima poesia de Alda Lara.Sentir letra e música para mim é verdadeiramente comovente.
Saudações e parabéns pela lembrança...
morfeu
Publicado por: morfeu às maio 4, 2004 11:24 PM
Este país não era de facto o seu e a sua poesia mostra isso claramente, mas foi aqui que ela estudou medicina
abraço
GIN
Publicado por: GIN às maio 4, 2004 06:29 PM
É bom verificar que tantos anos passados sobre a sua morte, num país distante que não era o seu, a poesia de Alda Lara - que profissionalmente era médica! - é conhecida e admirada. Parabéns!
Publicado por: Placard às maio 4, 2004 05:20 PM
Bonito.
Publicado por: canzoada às maio 3, 2004 08:38 PM