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maio 24, 2004

A verborreia de Helena Matos

no artigo Demasiado Chocante não traz nada de novo ao que se já leu no Abrupto. Os argumentos são os mesmos, os exemplos são os mesmos (eu sei que tb é difícil encontrar muitos) e os fins são os mesmos.
Este arremessar de argumentos e de contra argumentos para o que é indefensável, já é uma conversa bem conhecida por todos os que estiveram contra a invasão e ocupação militar do Iraque, para todos os que se habituaram a ver esta sua discordância ser utilizada para “dar corda” às maiores desonestidades intelectuais (para utilizar as palavras de JPP).
É duro ver escarrapachas, na comunicação social, as fotografias e os vídeos do que se passou nas prisões do Iraque.
Para mim, foi duro ver seres humanos serem tratados de forma a que apenas achamos ser possível psicopatas tratarem alguém, mas para Helena Matos (e para JPP) o que foi duro foi mostrarem as imagens. Argumenta que não nos fizeram ver as fotos dos corpos das vítimas do 11 de Setembro, nem as do 11 de Março (é falso porque foram mostradas), nem a decapitação dos americanos, nem da execução do italiano, nem a da mãe e filhas israelitas e por aí fora ...
De nada vale argumentar que a violação dos direitos humanos é igualmente condenável em todos os que as cometem porque a desonestidade intelectual de HM, de JPP e de outros com posições semelhantes não está sequer preocupada com isso.
Eu assumo-me como tendenciosa e não procuro atribuir a outros coisas que eles não dizem. Considero que as imagens falam por mil palavras e que foi importante que tivessem vindo a público para contestar as diferenças entre as práticas e os discursos.
Saddam nunca disse que o Iraque era um país democrático, que defendia os direitos humanos, que invadiu o Kwait para democratizar o país. Assim, sabíamos que havia atentados aos direitos humanos, que a invasão do Kwait não tinha qualquer legitimidade e que Saddam era um ditador.
Os EUA apresentam-se como o exército democrático de libertação mundial, acusam de violação dos direitos humanos todos os países do “eixo do mal” e outros que lhes convenha e na prática apoiam a invasão dos territórios palestinos por parte de Israel, invadem países independentes, cometem atrocidades/crimes de guerra e violam os mais elementares direitos humanos nas cadeias do Iraque (e não só, porque fazem o mesmo no seu próprio país e em outros).
Por isso o problema de HM e de outros seus iguais não é a violação dos direitos humanos, é a chatice da liberdade de imprensa que mostra o que não gostam que seja visto. Os americanos, ingleses e outras forças de ocupação sabiam há muito o que se passava nas cadeias iraquianas e isso não os fez mexer nem um dedo para pôr fim aquela barbaridade. O que os fez mexer foi a publicitação das fotografias e, por isso, elas foram tão importantes. Não é que dê prazer ver aquelas fotos porque acusam a actual administração americana e os seus lacaios, é que foi a única forma de tentar pôr cobro ao sofrimento dos presos iraquianos.
HM insurge-se com a publicitação das fotos e apoia certamente a recente medida de Rumsfield que proíbe a utilização de tlm que tiram fotos por parte de quem entra nas prisões sob o jugo americano. Esta medida é, no mínimo, sinistra porque mostra que o que ali se passou vai continuar a passar-se e que apenas foram tomadas medidas para que não torne a ser possível aparecerem fotografias.

Publicado por agineotonico às maio 24, 2004 08:31 PM