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maio 23, 2004
A estatística é muito traiçoeira
A estatística é muito traiçoeira, pode ser manipulada para se obterem os resultados desejados.
Diga-se, aliás, que a verificação da subjectividade inerente a esta técnica (e não só, óbvio) tem levado muitos cientistas das chamadas “ciências duras” a questionar a validade científica de muitos estudos que a utilizam em exclusividade.
Sabe-se hoje que, mesmo sendo de inquestionável honestidade quem define os critérios de selecção dos dados considerados como relevantes para um dado estudo, essa selecção implica um juízo de valor e, por isso, subjectividade que deixa de fora dados considerados (subjectivamente) como não relevantes.
Sabe-se também, que se pode conscientemente proceder a uma selecção “viciada” dos dados por forma a obter os resultados que antecipadamente se pretendem alcançar.
A título de exemplo poderia referir-se se o INE, na sua última análise estatística sobre os índices de emprego/desemprego, teve em conta ou não, e se sim, se referiu a importância dos 11 mil recém recrutados para o exército e qual o impacto real desse facto nos resultados obtidos.
Perante isto, e sem querer questionar a honestidade de Hugo Lourenço, parece-me muito discutível que Morais Sarmento tenha nomeado este seu adjunto para vogal do Conselho Superior de Estatística, um organismo que produz a estatística oficial e que deveria garantir total independência em relação ao poder político.
Publicado por agineotonico às maio 23, 2004 11:08 PM