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abril 15, 2004
Quando não conseguimos crescer
Sem dúvida que as experiências por que passamos na infância e na adolescência deixam marcas que se reflectem na vida adulta. Muitos de nós conseguimos reconciliar-nos com esse nosso passado, sobretudo quando ele teve momentos muito dolorosos, conforme vamos avançando na vida. Outros, ficam presos às memórias desse passado e sentem vergonha do que foram porque não conseguiram reconstruir a sua auto-estima ... vivem num profundo estado de tristeza.
Vem isto a propósito de um artigo de Pedro Mexia na revista "Grande Reportagem" de 28 de Fevereiro sob o título "Um mundo que acaba. Ainda bem. Feira Popular, Elegia".
Pedro Mexia descreve uma infância e adolescência vividas como períodos para esquecer porque "da adolescência, essa, tinha forçosamente de estar acoplada a algo rasca e duvidoso, visto que foi o período mais lamentável que vivi ... o sonho do adolescente pobre de espírito, povoado de máquinas ... e de divertimentos que ignora serem tristes. Pensava espantado e mudo ... por aquela assombração de engenhocas, de fantasias, de creche à solta ... o comboio fantasma ... julgando que o medo era aquilo ... os tirinhos que me denunciavam a inépcia ... os carrinhos de choque ... a incomoda sensação de riso canibal das raparigas ... e depois, deixei de ir à Feira. Acabada a adolescência, atravessada a noite ... Agora, ao que parece, a Feira Popular vai para mais longe. Talvez para o Monsanto. Ainda bem. Longe da vista. Longe do coração."
Percebo e aceito que a Feira Popular possa despertar em Pedro Mexia memórias dolorosas, mas custa-me a aceitar que, por esse motivo, se centre sobre si mesmo e não questione o essencial da questão: a destruição do Monsanto, que Santana Lopes insiste em levar a cabo, e os interesses dos lobbies da especulação imobiliária que cobiçam aquela zona da cidade.
GIN
Publicado por agineotonico às abril 15, 2004 06:48 PM