« Para onde vamos com a privatização | Entrada | Para onde vamos com a privatização (3) »

abril 11, 2004

Para onde vamos com a privatização (2)

Passamos a depender, portanto, de mecanismos formais de redistribuição do excedente entre produtores e não produtores. Neste contexto, o ataque generalizado ao Estado, a redução do espaço do Estado na solidariedade social e, sobretudo, a privatização das políticas sociais, tornam a situação absolutamente dramática para amplas faixas da população.
Tentar reduzir o Estado nas suas dimensões sociais constitui, portanto, um absurdo, e uma compreensão completamente equivocada do rumo das transformações sociais.
É importante lembrar que as políticas públicas, apesar da nossa mania de criticar o Estado, constituem de longe o instrumento mais eficiente de promoção de políticas sociais e, nas condições actuais, as únicas que permitem o reequilibramento social.
A razão é bastante simples e clara, por exemplo na saúde e na educação. Uma empresa privada quer ter mais clientes, o que no caso da saúde significa mais doentes. Com isto perde-se a visão essencial da prevenção. Na educação, o processo é semelhante, com as universidades privadas a aumentar simplesmente o número de alunos por professor: aluno é dinheiro, professor e meios de qualidade é custo.
O sector privado quando entra no social procura, naturalmente, servir quem pode pagar, e gera o luxo para as elites, drenando recursos e privando os serviços humanos do seu papel de reequilibrador social.
No conjunto, portanto, enquanto as fases não remuneradas das nossas vidas se expandem, a família perde o seu papel redistribuidor, as comunidades perdem o seu carácter de solidariedade, o Estado abandona o seu papel de provedor, e o sector privado abocanha os recursos direccionando-os para as elites, agravando a situação do conjunto. Geram-se assim imensas tensões na reprodução social, tensões acompanhadas de desespero e impotência, porque sentidas como dramas individuais, de crianças e jovens sem rumos, de idosos reduzidos a uma mendicância humilhante, de um clima geral de vale-tudo social.
A criança não vota, os reformados não paralisam o processo produtivo, a mãe que cria sozinha os seus filhos não tem tempo de pensar nestas coisas e, nós?????????????


GIN

Publicado por agineotonico às abril 11, 2004 02:20 PM