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abril 27, 2004
Os novos paradigmas da educação (4)
Um país sem uma visão educativa ambiciosa não pode deixar de ser um país do terceiro mundo. Ao longo da humanidade, a educação e o conhecimento sempre foram o apanágio de apenas alguns sortudos. Os nossos antepassados recentes mais esclarecidos compreenderam o valor da educação e a injustiça social que resulta de o conhecimento se manter nas mãos dos sortudos. Hoje, nenhum país pode considerar-se civilizado se não fornecer a todos os seus cidadãos uma educação de qualidade. E isto não é apenas por solidariedade, numa postura irónica e irresponsável como as advogadas por Rorty. É também porque é o mais racional a fazer — porque o conhecimento e a inteligência dos seus cidadãos é o que de mais valor um país tem, e o talento e o génio não escolhem classes sociais. Um sistema em que apenas as elites têm acesso à educação é um sistema pior porque nesse sistema pessoas muito mais inteligentes do que as que pertencem às elites não podem desenvolver todo o seu potencial, porque são à partida excluídas.
Hoje, as elites descobriram uma nova maneira de manter os seus privilégios e lixar todo o país: nivelam por baixo. Isto é fixe porque dá a sensação que estão a ser progressistas. Mas é evidente que quem tem a ganhar com um mau ensino generalizado, em que todos os estudantes passam, é quem tem privilégios. Que o filho de um professor universitário ou de um médico tenha uma educação miserável na escola é muito pouco importante porque a tem em casa; mas para o filho do pedreiro, é muito grave: se não a tem na escola, não a tem em lado nenhum. E isto é mau para o país. Porque acabamos por ficar com piores professores universitários e médicos e advogados e engenheiros, que o são só por serem filhos dos privilegiados, ao passo que os filhos dos que não pertencem às elites, mesmo que sejam mais inteligentes do que os outros, vão ficar sempre para trás. E é claro que do ponto de vista pós-modernaço está tudo bem assim, porque é tudo precisamente uma questão de luta irracional, sofística e simiesca pelo poder, não havendo quaisquer critérios de justiça social nem de racionalidade que nos valham.
Quem nos livra dos novos paradigmas da educação?
(Desidério Murcho)
GIN
Publicado por agineotonico às abril 27, 2004 03:15 PM
Comentários
...venho agradecer e retribuir a tua amável visita à minha toca mas, sinceramente, não consigo "adivinhar" quem é este(a) Gin tónico que comigo trocou galhardetes emailianos... sorrio e aguardo novas... entretanto, um abraço amigo...
Publicado por: quim às abril 27, 2004 03:48 PM