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abril 27, 2004
O sopro do apito dourado
Há para aí quem esteja preocupado com a promiscuidade entre a política e o futebol.
Mais sensato seria que se preocupassem com as semelhanças. O futebol não vai bem? Idem aspas no mundo da política.
O futebol precisa de uma limpeza urgente? Mais ainda precisa o mundo da política.
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Se os homens do futebol raramente se tentam com a política (supremo descuido!), os homens da política já não conseguem resistir à tentação. E sabem exactamente o que querem do futebol e o que este pode dar-lhes. .... e nunca irão desarmar, porque sabem que o conjunto dos simpatizantes do Porto, Sporting e Benfica não só decidem uma votação como podem provocar uma revolução. O resto são delírios. Falar de promiscuidade entre política e futebol chega a ser um contra-senso.
São domínios demasiado idênticos para que possa falar-se de promiscuidade.
O que os une e os confunde é aquilo que ambos têm de pior.
E o futebol contém em si, quase por definição, tudo aquilo que os políticos mais desejam. A adesão irracional e acrítica das massas. A proximidade e os amores das multidões. O êxito fácil. A desculpa brejeira.
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O futebol igualiza os melhores e os piores através das nossas mais misteriosas e inexplicáveis fraquezas. Não há categoria profissional por mais socialmente respeitada que seja, que escape à voragem da sua capacidade de contaminação. Aos equívocos e desmandos que a paixão clubística desencadeia.
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Vem aí o forrobodó. Todos sabemos que os interesses que giram à volta do futebol e das pessoas que dele se servem são altamente duvidosos. Que há resultados forjados. Que são imorais os valores envolvidos nas transferências e nos pagamentos às grandes estrelas. Que, afinal, é tudo uma mentira. Que, como todos os fenómenos capazes de desencadear paixões, existe um abismo entre aquilo que se vê ou julga ver e a realidade que suporta o show. Mas o futebol é o bálsamo dos pobres.
Mas e a (nossa) política? Ajuda? Infelizmente não. Os exemplos, de atropelos, que nos tem dado estão longe de ser mais edificantes que os do futebol.
Quem soprará o apito dourado?
(João Marques dos Santos)
GIN
Publicado por agineotonico às abril 27, 2004 04:53 PM