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abril 06, 2004
O 25 de Abril visto de dentro
Comemorar o 25 de Abril? Sim, sempre
Ao contrário do isolamento, da competição, do individualismo, da pobreza, da violência e do medo, que marcam hoje a nossa vida quotidiana, muitos de nós lutámos/sonhámos com um país acolhedor, com uma intensa vida comunitária que valorizasse a nossa cultura e suas múltiplas identidades, um país que oferecesse uma melhor qualidade de vida a todos os seus cidadãos. Na verdade, o 25 de Abril permitiu dar passos importantes nesse sentido, permitiu que se esboçassem políticas públicas universais e de boa qualidade e para as quais foram mobilizados recursos públicos para garantir alguns dos direitos básicos dos cidadãos na educação, na saúde, no saneamento básico, na habitação, na circulação e nos transportes colectivos, na segurança, no acesso à cultura e ao lazer.
30 anos depois, assistimos à destruição sistemática de tudo aquilo por que lutámos/sonhámos. Assistimos a uma destruição não por negligência do poder, mas sim pela implementação de uma política coerente que divide os cidadãos do nosso país em “incluídos” e “excluídos”, que divide os cidadãos do nosso país em “humanos” e “subhumanos”. “Humanos/incluídos” que têm garantidos o acesso a todos os bens sociais disponíveis e “subhumanos/excluídos” que caminham cada vez mais rápido para o direito a usufruírem de medidas de excepção focalizadas, sob a forma de caridade por parte do Estado.
A história ensina-nos e 25 de Abril confirma, que o progresso social é uma conquista permanente, que os direitos dos cidadãos não estão permanentemente seguros, que à primeira distracção, que ao primeiro esboço de abandono da luta esses direitos estarão em risco. É o que assistimos hoje: aumentam as desigualdades no nosso país, o Estado desobriga-se das suas funções públicas e entrega sectores chaves, que são garantes da igualdade, às elites políticas e económicas.
E nós, que outrora soubemos lutar, soubemos assumir a nossa cidadania na exigência de actividades e instituições de promoção do desenvolvimento comunitário, dos laços de solidariedade multicultural, na exigência de transparência nas relações entre sociedade e governo, perdemo-nos em discussões estéreis que nos dividem e nos impedem de reatar esta luta pela democracia, esta luta pela inclusão e contra a exclusão da maioria dos portugueses.
Comemorar o 25 de Abril?
Sim, sempre. Quanto mais não seja a memória dos dias que mais sentido deram às nossas vidas (de alguns de nós).
Comemorar o 25 de Abril?
Sim, sempre. Mas com preocupação e uma profunda tristeza ....
GIN
Publicado por agineotonico às abril 6, 2004 05:30 PM
Comentários
A resposta ao teu post, que seriamente, analisa o exclusivismo para
onde este executivo tem vindo a atirar o país pode ser lido, no “programa”
das comemorações de Abril, que o governo tenciona levar a efeito.
Publicado por: jgonçalves às abril 6, 2004 10:24 PM