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abril 07, 2004
Mitos e realidades sobre ... (4)
Temas como o do Terceiro Sector, as empresas com responsabilidade social, as alianças e parcerias, se introduziram e enraizaram-se no discurso de muitos que antes se reconheciam por outras identidades. Conceitos como os de desenvolvimento local, participação cidadã, inclusão social, empoderamento da sociedade civil, foram sendo criados ou resignificados, ganhando contornos mais compatíveis com a matriz discursiva de governos e empresas que deles se apropriam e com eles se apresentam como actores cada vez mais comprometidos com a solução dos problemas sociais. A dificuldade está em compreender o alcance e as consequências desse novo discurso. A questão é “como nos referenciar em um mundo que não lhe cessa de falar de “cidadania” e lhe retira o pouco poder de que você dispõe em seu trabalho e na sua vida?”. Esse novo léxico não é nacional. Ele pode ser visto como uma resposta ao aumento da desigualdade no plano mundial e à deterioração das condições de vida em sociedade na grande maioria dos países do mundo. A radicalização dos movimentos internacionais e nacionais de contestação ao modelo de globalização dos mercados passou a ameaçar a estabilidade política das classes dirigentes e a continuidade política do modelo neoliberal, o que pôde ser visto pelas sucessivas crises que abalaram, desde o início dos anos 90, México, o Brasil e a Argentina, para ficarmos apenas na América Latina.
Esse novo discurso é uma resposta à crise política e de legitimidade do padrão de acumulação que desde de meados dos anos 70 vem sendo impulsionado pelos organismos multilaterais – a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial – e imposto aos países do Sul através do receituário a que se convencionou chamar de Consenso de Washington. Nas palavras de um dos teóricos do chamado Terceiro Sector – Jeremy Rifkin – essa crise social e de legitimidade política dos governos precisa ser respondida o quanto antes. E aí entra o papel das alianças e parcerias no interior da sociedade civil, vistas como cada vez mais importantes pois se o chamado Terceiro Sector não ocupar esse espaço “será praticamente impossível tratar delas (das questões sociais) daqui a dez anos; vozes de raiva, de desespero e do ressentimento serão tão fortes que unicamente as ideologias políticas extremas terão êxito”
(Silvio Caccia Bava)
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Publicado por agineotonico às abril 7, 2004 12:27 AM