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abril 26, 2004

"Espera Média"

Uma senhora deu entrada no Hospital do Montijo devido a uma queda que originou uma fractura grave do fémur. Depois de horas de espera foi transferida para a Unidade de Saúde do Barreiro para ser submetida a uma intervenção cirúrgica de urgência. Aí, nessa Unidade SA, foi-lhe dito que teria que esperar 8 dias pela intervenção porque tinha 14 doentes em lista de espera à sua frente. Senhora de sorte, com família que pediu a sua transferência para um Hospital privado, onde foi operada com urgência por cerca de 5000 euros.

Isto levou-me a pensar nos resultados apresentados pelo Ministro da Saúde sobre um ano de empresarialização dos hospitais e nas vozes críticas que acusam os SA de selecção adversa, isto é, de recusarem doentes de maior dificuldade e custo e de não ser muito clara a forma como conseguem apresentar resultados de redução “da espera média”.
Se já aqui (ACABOU-SE O APOIO) apresentei uma forma de apresentar um aumento no atendimento e redução na espera média das chamadas “sessões” (consultas), seria importante verificar o que se passa com as cirurgias.
É verdade que é difícil provar a acusação de selecção adversa, mas também é verdade que deveria ser criada uma Comissão Independente que permitisse esclarecer estas acusações de forma cabal.

Uma forma possível de verificar o que se passa seria, sem dúvida, uma análise das listas de espera. É que perante a apresentação de números que indiciam um decréscimo da “espera média” em relação às cirurgias, colocam-se algumas questões:
- houve de facto um aumento de eficiência e de produtividade através de uma gestão de recursos até agora sub aproveitados?
ou
- registou-se uma actividade de selecção de doentes tendo os casos mais graves sido desviados para outros hospitais?
ou
- estão a ser operados doentes da listas de espera que são menos graves e, por isso, não necessitam de tanto tempo de intervenção e de internamento, enquanto os casos mais graves estão a ficar em lista de espera?

Seria facilmente verificável se houve diminuição de entradas de doentes graves a necessitar de cirurgia nuns hospitais, relativamente ao que era esperado da análise de anos anteriores, porque isso teria que corresponder ou a um aumento de entrada desses doentes em outros hospitais, ou num aumento de óbitos. Permitiria, ainda, verificar se está a ser invertida a ordem das listas de espera, isto é, se se está a optar por operar primeiro doentes em situação menos grave do que outros, o que, como se sabe, não acontecia antes da empresarialização porque eram tratados primeiro os casos mais graves e urgentes, sendo deixados em lista de espera as situações menos graves ou que poderiam ser alvo de outro tipo de tratamento não cirúrgico.
Deveria esta Comissão Independente elaborar listas que comparassem, por complexidade decrescente, a “espera média” no número de doentes, no ano antes e os deste ano de empresarialização.


GIN

Publicado por agineotonico às abril 26, 2004 05:36 PM

Comentários

Xi...isto passou-se! Desculpa aí...:(

Publicado por: mimalho às abril 26, 2004 06:12 PM

Não sei se gostas de vodka, ou te ficas pelo gin...mas se quiseres vê como se promove um porduto lá no blog! Até logo...

Publicado por: mimalho às abril 26, 2004 06:07 PM