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abril 22, 2004
América-Latina: Maioria apoiaria regresso ao autoritarismo
O impacto das profundas transformações na economia mundial está a aumentar assustadoramente as dificuldades económicas e a miséria de largas camadas da população em todo o mundo. Ao contrário do que muitos defendem, esta situação ao invés de mobilizar no sentido do aprofundamento das democracias, leva à exigência de uma maior "musculação" do poder. A isto não é alheia a concentração dos órgãos de comunicação social nas mãos dos grandes grupos economicos. A informação que chega "às ruas" é controlada com objectivos muito especifícos. De facto, os partidos mais sanguinários e fascistas que chegaram ao poder, fizeram-nos em países que se debatiam com graves problemas económicos e sociais.
"Os latino-americanos são extremamente cépticos em relação aos benefícios da democracia, revela um relatório publicado esta quinta-feira, em Lima – Peru – pela ONU. Segundo o documento, mais de metade dos habitantes do Continente prefeririam um governo autoritário, se isso pudesse resolver os problemas económicos dos seus países.
O estudo «A Democracia na América Latina: no Caminho para a Democracia dos Cidadãos», publicado pelo Programa de Desenvolvimento da ONU, baseou-se em entrevistas a quase 20 mil pessoas de 18 países que, no último quarto de século, têm evoluído no sentido de regimes democráticos.
De acordo com o documento, apenas 43% dos inquiridos apoiavam incondicionalmente a democracia. Inversamente, quase 55% das pessoas afirmaram que prefeririam um regime autoritário, caso isso ajudasse a «resolver» os problemas económicos do país.
Dados que para o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, são «tristes» e «errados». «A solução para os problemas da América Latina não está num regresso ao autoritarismo. Está numa democracia mais forte e melhor estabelecida», afirmou numa mensagem em vídeo transmitia na cerimónia de publicação do Estudo.
A media do Índice de Democracia Eleitoral da América Latina - escala que mede a democracia do país tendo em conta o direito ao voto, eleições livres e justas, e o uso das eleições como forma de instaurar o governo – cresceu de 0.28 em 1977 para 0.93 em 2002 (sendo a classificação máxima o 1). No entanto, desde 2000, quatro presidentes eleitos naquela região foram obrigados a demitir-se antes do fim dos mandatos, depois de terem perdido o apoio popular."
GIN
Publicado por agineotonico às abril 22, 2004 09:36 PM