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abril 30, 2004

Ainda a propósito do IRS

SOL - ASSOCIAÇÃO DE APOIO AS CRIANÇAS VIH/SIDA

Não sei se sabem mas podem destinar 5% do que pagam de IRS a uma associação de solidariedade da vossa escolha.
Tudo o que tem a fazer é colocar o número de contribuinte da associação em causa na caixa respectiva. Para o caso de acharem bem, deixo aqui outra sugestão, a Associação SOL que trabalha com crianças infectadas com o HIV e que tem muita falta de meios:

N.º C. 503 075 922

"Daqui a 10 anos a quantidade de órfãos de Sida vai ser tão grande, que temos de encontrar hoje a resposta para esse problema". A contaminação vertical " de mãe para filho " está a aumentar, segundo os dados do último relatório da Comissão Nacional da Luta Contra a Sida. Por outro lado cada vez se aumenta mais a longevidade da vida das crianças devido aos novos medicamentos e por todas estas razões torna-se urgente começar a criar condições para acolher e dar apoio a estas crianças e às suas famílias. A Associação Sol só este ano já recusou cinco crianças por falta de capacidade.
Por tudo isto Teresa Almeida é peremptória quando afirma que é preciso acabar de vez "com a confusão e especulação que se gerou à volta da questão da Sida". Para a Presidente da Associação Sol esta é talvez a "única maneira de enfrentar o problema e terminar com a clandestinidade". Ou seja: "quanto menos se souber mais se investe. E, infelizmente, a Sida está a dar muito dinheiro a muita gente".


GIN

Publicado por agineotonico às 10:50 PM

Fotos de iraquianos torturados «escandalizam» Blair

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, diz estar «escandalizado» com as imagens de prisioneiros iraquianos a ser torturados por soldados norte-americanos, difundidas pela televisão CBS na passada quarta-feira. Segundo o porta-voz de Downing Street, o líder britânico considera que estes actos «contradizem directamente todas as regras preconizadas pela coligação» no Iraque.
Pois é Tony Blair acha que essas coisas não são para ser fotografadas e tornadas públicas, devem permanecer no segredo dos deuses ... ele até não sabia de nada ...


GIN

Publicado por agineotonico às 05:16 PM | Comentários (1)

Os líderes dos EUA consideram-se sacerdotes de uma missão divina para livrar o mundo dos seus demónios

Pela centésima vez, desde que os EUA invadiram o Iraque, os prognósticos feitos por aqueles que têm acesso à inteligência, revelaram-se menos do que confiáveis do que os prognósticos feitos por aqueles sem acesso a ela. E, pela centésima vez, a inexactidão das previsões oficiais tem sido atribuída a "falhas na inteligência".
A explicação está a ficar cada vez mais desgastada. Será que esperam que acreditemos que os membros dos serviços de segurança dos EUA são as únicas pessoas que não podem ver que muitos iraquianos querem ver-se livres do exército dos EUA, com o mesmo fervor com que queriam livrar-se de Saddam Hussein? O que está faltando ao Pentágono e à Casa Branca não é inteligência (ou, pelo menos, do tipo de inteligência que estamos considerando aqui), mas receptividade. Não há falha de informação, mas falha de ideologia.
Para entendermos porque a falha persiste, precisamos antes compreender a realidade, a qual tem sido raramente discutida na imprensa. Os EUA não são mais apenas uma nação. Agora, são uma religião. Os seus soldados foram para o Iraque para libertar o povo não somente do seu ditador, do seu petróleo e da sua soberania, mas também para libertá-los das trevas. Como George Bush disse às suas tropas no dia em que anunciou a vitória: "Onde quer que vocês se dirijam, vocês levam uma mensagem de esperança - uma mensagem que é antiga e sempre nova. Nas palavras do profeta Isaías, "Para os cativos, ‘que saiam’, e para aqueles na escuridão, "que sejam livres".
De forma que os soldados americanos não são apenas combatentes terrestres; eles tornaram-se missionários. Não estão simplesmente a matar os inimigos; estão expulsando os demónios. As pessoas que reconstruíram os rostos de Uday e Qusay Hussein, descuidadamente esqueceram-se de restaurar um par de pequenos chavelhos em cada sobrancelha, mas a ideia de que esses eram oponentes que pertenciam a outro tipo de reino foi transmitida. Como todos os que enviam missionários ao exterior, os altos sacerdotes da América não podem conceber que os infiéis possam resistir por meio do seu próprio livre arbítrio; quando se recusam a converter-se, é obra do demónio, no seu disfarce actual de ex-ditador do Iraque.
Como Clifford Longley demonstra no seu fascinante livro ‘Chosen People’ (Povo Escolhido), publicado no ano passado, os pais fundadores dos EUA, embora às vezes professassem de outra forma, sentiam que estavam sendo guiados por um propósito divino. Thomas Jefferson argumentava que o Grande Selo dos Estados Unidos deveria representar os israelitas, "conduzidos por uma nuvem de dia e por um pilar de fogo à noite". George Washington proclamava, no seu discurso de inauguração, que cada passo em direcção à independência era "caracterizado por alguma marca da providência". Longley argumenta que a formação da identidade americana foi parte de um processo de "supersessão" ("supersession"). A igreja Católica Romana reivindicava que tinha suplantado os judeus como povo eleito, visto que os judeus tinham sido repudiados por Deus. Os protestantes ingleses acusaram os católicos de traírem a fé, e sustentavam que se tinham tornado os bem amados do Senhor. Os revolucionários americanos acreditavam que os ingleses, por sua vez, tinham quebrado o pacto: os americanos, agora, tinham-se tornado o povo escolhido, tendo o dever divino de entregar o mundo ao domínio de Deus. Há seis semanas, como para demonstrar que essa crença persiste, George Bush lembrou-se de um comentário de Woodrow Wilson. "A América", citou ele, "tem em si uma energia espiritual em relação à qual nenhuma outra nação pode contribuir, para a liberação da humanidade".
Gradualmente, esta noção de eleição divina foi misturada com uma outra ideia, ainda mais perigosa. Não só os americanos são o povo escolhido de Deus; a América em si mesma é agora percebida como um projecto divino. No seu discurso presidencial de despedida, Ronald Reagan falou do seu país como a "cidade que brilha no topo da colina", uma referência ao Sermão da Montanha. Mas o que Jesus estava a descrever não era a Jerusalém temporal, mas o reinado dos céus. No relato de Reagan, não somente o reino de Deus podia ser encontrado nos Estados Unidos da América, como também a esfera do inferno podia agora ser localizada na esfera terrestre: o "império do mal" da União Soviética, contra o qual os seus santos guerreiros deveriam ser lançados.
Desde os ataques a Nova York, essa noção da ‘América, A Divina’ tem sido estendida e refinada. Em dezembro de 2001, Rudy Giuliani, o prefeito da cidade, fez o seu principal discurso na St Paul's Chapel, perto do local das torres destruídas. Proclamou: "Tudo o que importa é que vocês abracem a América e compreendam os seus ideais e tudo aquilo de que se trata. Abraham Lincoln costumava dizer que o teste do americanismo de um indivíduo era … o quanto ele acreditava na América. Porque somos como uma religião, na realidade. Uma religião secular". A capela na qual ele fez o seu discurso tinha sido consagrada não só por Deus, como também pelo facto de que George Washington tinha, um dia, rezado lá. Agora, disse ele, "era uma terra consagrada para que as pessoas pudessem sentir o que era a América". Os Estados Unidos da América não precisam mais clamar por Deus; são Deus, e aqueles que forem ao exterior difundir a luz, fazem-no em nome de um domínio divino. A bandeira tornou-se tão sagrada quanto a Bíblia; o nome da nação tão sagrado quanto o nome de Deus. A presidência está a tornar-se um sacerdócio.
Portanto, aqueles que questionam a política externa de George Bush não são apenas meros críticos; são blasfemadores, ou "anti-americanos". Os estados estrangeiros que procuram mudar essa política estão a perder o próprio tempo: pode-se negociar com políticos; não se pode negociar com sacerdotes. Os EUA têm uma missão divina, como sugeriu Bush em janeiro: "defender ... as esperanças de toda a humanidade", e expurgar todos os que anseiam por algo que não seja o American way of life.
Os perigos da divindade nacional não precisam de maiores explicações. O Japão foi à guerra nos anos 30 convencido, como George Bush, de que detinha a missão enviada pelos céus de "libertar" a Ásia e estender o domínio do seu império divino. Seria, como tinha previsto o teórico fascista Kita Ikki: "levar a luz às trevas do mundo todo". Aqueles que procuram arrastar os céus para a terra estão destinados somente a engendrar um inferno.

(George Monbiot in The Guardian. 29 de julho de 2003)

GIN

Publicado por agineotonico às 04:58 PM

A few political sketches took a 15-year-old Prosser boy from his art class to questioning by the Secret Service


On Friday, the boy was questioned by the Secret Service after his art teacher turned in sketches by the boy featuring President Bush. In one, Bush's head was on a stake. In another, he was dressed as the devil, firing off rockets. The caption on one sketch read, "End the War -- on errorism."
There were more sketches, including one of the Bill of Rights and the Constitution in flames. A family friend says the sketchbook has not been returned to the boy. His mother, who refused to comment yesterday, was given photocopies.
...
But Prosser police Chief Win Taylor says the boy and his sketches were seen as "a threat against the president of the United States. And we notified the Secret Service because that's their bailiwick."
He sees the situation as a clear-cut case.
"First of all, the disturbing part was the extreme violence depicted in the pictures," said Taylor, who has seen the drawings. "We assume that he deliberately took an action of his own free will, which he reasonably should have known was against the code of conduct."


GIN

Publicado por agineotonico às 12:42 AM | Comentários (1)

Jornalistas e Democracia


Liberdade de imprensa deteriorou-se no mundo em 2003

Publicado por agineotonico às 12:02 AM | Comentários (1)

abril 29, 2004

Podia ter sido na Suiça a Heidi adoraria

A GNR fez esta quinta-feira uma das maiores apreensões de sempre de haxixe em Portugal, 4.800 quilos. A droga era proveniente do Norte de África e foi apreendida no Algarve. Dez homens foram detidos.


GIN

Publicado por agineotonico às 10:01 PM

Primeiro desatei a rir depois fui verificar

Portugal é segundo país mais íntegro, diz estudo

mais resultados aqui

a lista de países (Luís delgado vai ficar ufano, os EUA estão nesta lista)
A análise do CPI incidiu sobre 25 países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, EUA, Filipinas, Gana, Guatemala, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Namíbia, Nicarágua, Nigéria, Panamá, Portugal, Quénia, Rússia, Turquia, Ucrânia, Venezuela e Zimbabué.


GIN

Publicado por agineotonico às 09:54 PM | Comentários (2)

0,5% para a Amnistia Internacional

O Estado permite que 0,5% do imposto liquidado reverta a favor de uma instituição de utilidade Pública, ou seja, o Estado envia 0.5% do que iria pagar para a instituição que você entender, para isso basta que essa instituição esteja registada como Instituição de Utilidade Pública.

O facto de estar a fazer este donativo não acresce no pagamento do seu imposto.


GIN

Publicado por agineotonico às 09:03 PM | Comentários (1)

Luta contra o terrorismo, Iraque e a pacificação mundial de Bush

Estudo: 2003 teve o maior número de ataques terroristas desde 1991

Quase 7.500 pessoas morreram em consequência dos 3.213 ataques terroristas ou incidentes envolvendo guerrilhas que ocorreram durante 2003, segundo um estudo da Agência de Investigação da Segurança Pública japonesa, publicado esta quinta-feira.


GIN

Publicado por agineotonico às 08:19 PM

O SILÊNCIO DOS ESCRITORES


(Shout, Misha Gordin)

Para os grandes escritores do século XX, a arte não podia estar separada da política. Hoje, há um silêncio perturbador sobre questões que deveriam nos comandar a atenção.
Em 1935, o primeiro Congresso de Escritores Americanos teve lugar no Carnegie Hall, em Nova York, seguido de outro, dois anos depois ... Tratava-se de eventos eletrizantes, com escritores discutindo como poderiam confrontar os acontecimentos na Abissínia, China e Espanha. Telegramas de Thomas Mann, C Day Lewis, Upton Sinclair e Albert Einstein foram lidos em voz alta, refletindo o medo da escalada do grande poder e que tinha se tornado impossível discutir sobre arte e literatura sem se falar de política.

"Um escritor", disse Martha Gellhorn durante o segundo congresso, "deve ser um homem de ação, agora… Um homem que tenha dado um ano de sua vida às greves das metalúrgicas, ou à causa dos desempregados, ou aos problemas do preconceito racial, não perdeu nem desperdiçou o seu tempo. É um homem que se tornou consciente a respeito de onde pertencia. Quem conseguir sobreviver uma ação dessas, o que terá que fazer depois é dizer a verdade sobre o que viveu; é necessário e real, e sua palavra durará".

As palavras de Gellhorn ecoam através do silêncio do tempo presente. Que a ameaça do grande e violento poder em nossos tempos seja aparentemente aceita por escritores famosos, e por muitos daqueles que são os guardiães dos portões da crítica literária, é um facto que não apresenta controvérsias. Não é deles a crença da impossibilidade de se escrever e promover uma literatura tolhida de política. Não é deles a responsabilidade de desembuchar — uma responsabilidade sentida até mesmo pelo apolítico Ernest Hemingway.

Hoje em dia, declarou-se que o realismo é obsoleto; afecta-se uma altivez irónica; o falso simbolismo é tudo. Quanto aos leitores, sua imaginação política deve ser apaziguada, não estimulada; afinal de contas, eles não estão nem aí… Martin Amis expressou isso muito bem, em "Visitando a Sra. Nabokov": "O predomínio do eu não é um ponto fraco, é uma característica evolutiva; as coisas estão simplesmente assim".

Assim, isso é "evolução". Nós evoluímos ao eu apolítico; à introspecção e ao bate-boca de indivíduos divorciados de qualquer noção de que sua auto-obsessão é menos importante e menos interessante que o compromisso em relação a como são as coisas para o resto de nós.

Há alguns anos, o então florescente crítico literário D J Taylor escreveu uma rara peça chamada "When the pen sleeps" ("Quando a caneta dorme"). Ele a expandiu, tranformando-a em livro, "A Vain Conceit" ("Um Vão Conceito"), no qual ele refletia porque o romance inglês degenerava, com tanta frequência, num "gorjeio de sala de visitas" e porque as questões urgentes da atualidade eram evitadas pelos escritores, ao contrário dos escritores de outras regiões, digamos, na América Latina, onde sentiam uma obrigação de acolher a essência política em todas as nossas vidas; ela, que amolda nossas vidas.

Ele se perguntava onde estavam os George Orwells, os Upton Sinclairs, os John Steinbecks? (Parece que recentemente Taylor repudiou esse questionamento; espero que tenha recuperado sua coragem.)

As principais listas de prémios de literatura corroboram sua tese original. Apesar disso, segundo Claire Armistead, editora literária do The Guardian, "os escritores estão desafiando qualquer forma de provincianismo". Mas o que mais desafiam? Ela descreve "uma inventividade realmente genérica" nos três candidatos para a categoria ‘não-ficção’ do Guardian Book Award. Um é sobre um neurologista que brinca com as palavras de um modo "totalmente excêntrico", outro trata de montanhas; o terceiro versa sobre a antiga Alemanha Oriental, em relação ao qual ela diz "que nos faz entender um pouco melhor o velho e engraçado mundo em que vivemos".

Mas onde estão os trabalhos contemporâneos que vão à essência deste ‘velho e engraçado mundo’, como fizeram os livros de Steinbeck e Joseph Heller? Onde está o equivalente de "As Veias Abertas da América Latina" de Eduardo Galeano, de "What a Carve-Up!" de Jonathan Coe e de "The Redundancy of Courage" de Timothy Mo? Existem, naturalmente, exceções honrosas. Pode-se comprar a coleção "And the Judges Said" de James Kelman na W H Smith, prova de que os livros que resgatam a verdadeira política da "inconsequência gozadora" (tanto para tomar emprestada a expressão de F Scott Fitzgerald) das aldeias da mídia de Westminster são muito desejadas pelo público.

Efetivamente, há um grande número de livros de autores pouco conhecidos, produzidos por editoras batalhadoras como Pluto e Zed, os quais iluminam, às vezes de forma brilhante, as sombras do poder predatório, e que são ignorados pela maioria influente. Sem dúvida, são considerados "políticos"; e a menos que a política possa ser reduzida aos seus estereótipos e, ainda melhor, transformada num episódio de TV… a resposta é… Não, muito obrigado.

Afinal de contas, como escreveu um crítico que domina as resenhas de críticas dos livros de não-ficção em edições de capa económica: a ideia de que a democracia social esteja ameaçada pela marcha insana de George Bush e de seu McCarthismo atendente é, bem… "bobinha". Independentemente do facto de que quando você voa aos EUA, você perde as liberdades civis fundamentais de sua privacidade; de que o seu próprio nome possa ser motivo suficiente para levá-lo a inspeções de segurança, como tão frequentemente experienciou Edward Said; de que agora o FBI inspecione rotineiramente a lista de obras lidas nas bibliotecas públicas.

Esses são tempos perigosos, e surreais. Coluna após coluna é dedicada ao culto de Martin Amis: ele, que descreve que "a política definhou nesse país, e que isso é um grande tributo ao carácter altamente evoluído do país", e que debocha das grandes demonstrações anti-capitalistas e anti-guerra, descrevendo-as como "realmente [sobre] anti-política; eles estão protestando contra a política em si".

Enquanto o Guardian se regozija da recém encontrada humanidade da ex-secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, por ocasião da promoção de sua autobiografia, "Madam Secretary", não há uma única referência ao facto de que essa mesma mulher, quando perguntada se valia a pena o preço pago pelas sanções impostas pelos EUA ao Iraque — a morte de 500.000 crianças — respondeu: "Achamos que vale a pena". O título sobre a sua face sorridente diz: "Adorei o que fiz".

"Quando a verdade é substituída pelo silêncio" disse o dissidente soviético Yevgeny Yevtushenko, "o silêncio é uma mentira". Nenhum congresso de escritores hoje em dia se preocupa com as mentiras e os crimes de George Bush e Tony Blair. É gratificante que o dramaturgo David Hare tenha quebrado seu silêncio ("America provides the firepower; we provide the bullshit" /"A América fornece a potência de fogo; nós fornecemos o bostejo"), juntando-se ao corajoso dissidente Harold Pinter.

Agora, há urgência. Um documento de Downing Street circulou entre os governos "progressistas" da Europa; quer uma nova ordem mundial na qual as potências ocidentais tenham a autoridade de atacar qualquer outra nação soberana. Em seis anos, Blair enviou tropas britânicas para participarem de cinco diferentes conflitos, e ainda quer mais sangria. O documento ecoa seus pontos de vista sobre "direitos e responsabilidades" — de matar e devastar povos em lugares remotos e, conseqüentemente, pondo em perigo e nos diminuindo a todos nós.

O que George Orwell diria disso tudo? Há uma série de eventos sobre Orwell planejados para comemorar seu nascimento. A maioria dos que participam é politicamente segura ou são guerreiros liberais devidamente credenciados. E se Orwell tivesse transformado "Animal Farm" ("A Revolução dos Bichos") e "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro" em parábolas sobre o controle do pensamento nas sociedades relativamente livres, nas quais ele identificou as mentes disciplinadas do estado corporativo e as fronteiras invisíveis do controle liberal e as últimas modas nas roupas do imperador? Será que eles o celebrariam ainda?

"Eles não dirão…" escreveu Bertolt Brecht em "Tempos Sombrios". "…quando as grandes guerras estavam sendo preparadas… eles não dirão: os tempos eram sombrios. Mas: porque estavam calados seus poetas?"
(John Pilger)


GIN

Publicado por agineotonico às 07:36 PM | Comentários (2)

Sempre disse que nunca pediria a demissão do ministro, mas há coisas inimagináveis

"Sempre disse que nunca pediria a demissão do ministro, mas há coisas inimagináveis que eu pensava impossíveis e em que a realidade é ultrapassada pela ficção", explicou Miguel Leão, justificando porque mudou de intenção.

"Não quero um doente com, por exemplo, um pé diabético tratado por alguém que não é médico. E este projecto permite-o. Tal como permite a esse alguém não médico pôr próteses, anestesiar pés, etc"
...
Porque está em causa a saúde dos doentes e não estando ainda definido o acto médico [que irá definir as competências exclusivas dos médicos e as que poderão ser praticadas por outros profissionais], a posição do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRN-OM) é a seguinte: ou o senhor ministro retira da sua agenda este projecto ou entendemos que só lhe resta demitir-se", afirma um comunicado.

"Até que o senhor ministro da Saúde demonstre formalmente que este projecto foi retirado da sua agenda ou se demita, o CRN-OM delibera suspender todas as suas relações com o Ministério da Saúde"


GIN

Publicado por agineotonico às 06:32 PM

Cientistas tentam ler o cérebro de eleitores norte-americanos


Muitos norte-americanos concordariam com a afirmação de que os cérebros de democratas e de republicanos funcionam de maneiras diferentes. Agora há dados científicos para sustentar essa ideia. Dois especialistas em neurologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) estão a usar equipamentos de ressonância magnética nuclear para estudar as reacções cerebrais de indivíduos a anúncios televisivos políticos.

Publicado por agineotonico às 12:37 PM

Bush e Annan divergem sobre ação em Falluja

Bush disse que os militares americanos vão tomar quaisquer medidas que acharem necessárias para restaurar a ordem em Falluja, onde cerca de 2 mil insurgentes estão sofrendo um cerco de fuzileiros dos Estados Unidos há cerca de três semanas.
Por sua vez, Annan declarou que as ações americanas em Falluja podem fazer com que a situação piore muito no restante do Iraque.
“(Uma) ação militar violenta por parte de uma força de ocupação contra os habitantes de um país ocupado apenas vai fazer as coisas piores”, afirmou o secretário-geral da ONU. Agora é certamente o momento para aqueles que preferem (...) diálogo se fazerem ouvir.


GIN

Publicado por agineotonico às 11:39 AM

abril 28, 2004

Manifestações de protesto


(Manifestantes em Budapeste)

Milhares de pessoas participaram de manifestações de protesto em várias partes do mundo neste sábado, no primeiro aniversário do início da ofensiva militar no Iraque.


GIN

Publicado por agineotonico às 09:56 PM | Comentários (2)

CBS transmite imagens de militares dos EUA a torturar iraquianos

Imagens de soldados norte-americanos a torturar prisioneiros iraquianos, que «horrorizaram» os responsáveis pelas operações militares no Iraque, vão ser transmitidas na noite desta quarta-feira no programa 60 Minutes da estação de televisão CBS.


GIN

Publicado por agineotonico às 09:31 PM

Uma casa que visitei

(1999-Oleo sobre tela 50x40cm - Francisco Laranjo)

Publicado por agineotonico às 07:50 PM

Até aos 69 ????

"os técnicos do FMI advertem para os riscos de insustentabilidade dos gastos com pensões de reforma (devido ao envelhecimento da população, e ao optimismo - face ao passado e à realidade actual - revelado nas taxas de crescimento da produtividade e de actividade feminina implícitas nos cálculos da sustentabilidade financeira do sistema de pensões) e, por isso, propõem (i) um aumento faseado da idade legal de reforma até aos 69 anos"


GIN

Publicado por agineotonico às 06:15 PM | Comentários (1)

Olh'ó disparate do tribunal!!!

Um grupo de cidadãos, encabeçado por Ruy de Carvalho e Rita Salema, convocaram uma concentração de apoio a Santana Lopes e contra a decisão do tribunal que ordenou a suspenção das obras do túnel das amoreiras.
O clubismo toma a dianteira ao bom-senso.


GIN

Publicado por agineotonico às 05:53 PM

Estratégia face ao Iraque continua correcta

diz Tony Blair em reacção às fortes críticas de que foi alvo.

Por seu lado, o enviado especial das Nações Unidas ao Iraque - Brahimi - diz que, referindo-se aos recentes bombardeamentos contra a cidade de Fallujah e à situação em Najaf, o caminho escolhido pela coligação para a resolução dos conflitos não é o caminho certo.

Parece assim ser claro que se mantêm as divergências na comunidade internacional entre aqueles que integraram a coligação que ocupou militarmente o Iraque e os que se opunham a essa intervenção.
Se a coligação, com uma mão, pede a intervenção da ONU tentando recuperar o apoio da opinião pública nos seus próprios países, com a outra, continua a fazer o que sempre pretendeu - garantir a ocupação militar, garantir a submissão dos Iraquianos a um governo fantoche, garantir que os recursos naturais do Iraque sejam escoados para fora do país por empresas americanas e, também, servir-se do território como base militar para o domínio militar do Médio Oriente. Este domínio do Médio Oriente integra também como estratégia, o reforço de Israel na sua meta de aniquilação do povo Palestiniano e de ocupação dos seus territórios, sendo nesta perspectiva que devem ser encaradas as recentes posições de Bush face a Israel.
Bush conhece a experiência do seu próprio país ... tal como os índios foram metidos numa reservas para turista ver, assim israel meterá meia dúzia de famílias palestinianas emparedadas nos seus muros.


GIN

Publicado por agineotonico às 03:24 PM

abril 27, 2004

Fallujah bombardeada pela coligação

"A cidade de Fallujah, a cerca de 50 km de Bagdad, está a ser alvo de intensos bombardeamentos por parte das forças da coligação anglo-americana.
Fallujah é um dos redutos da resistência iraquiana e tem sido palco de violentos confrontos entre milícias sunitas e as forças norte-americanas.
A cidade encontra-se cercada pelas forças dos Estados Unidos há três semanas."


GIN

Publicado por agineotonico às 07:56 PM

Blair criticado por ex-diplomatas


Um grupo de 52 ex-diplomatas (embaixadores, altos comissários e governadores) acusaram o 1º Ministro Tony Blair de prejudicar os interesses do país devido à sua política seguidista relativamente aos Estados Unidos. Consideram que este seguidismo na política externa britânica, nomeadamente, no que se refere ao Médio Oriente está "condenada ao fracasso".


GIN

Publicado por agineotonico às 07:38 PM

A justiça que temos

O imigrante português a quem o ex-administrador da Caixa Económica Faialense roubou as poupanças viu, ao fim de 18 anos, o julgamento chegar ao fim.
Mais uma vez (já não podemos dizer que com surpresa) o resultado do julgamento favorece quem, de colarinho branco, comete assaltos. A pena atribuída ao ex-administrador foi de 5 anos podendo ser-lhe perdoado 1 ano se devolver os 118 mil contos que roubou. Caramba ... ficar na cadeia um ano a ganhar com isso, mais ou menos, 323 contos por dia, compensa.

Quem vai pagar a este imigrante o dinheiro que lhe foi roubado e que, ao fim de 18 anos, acaba assim a queixa apresentada no tribunal? A ministra da Justiça?


GIN

Publicado por agineotonico às 05:17 PM | Comentários (1)

O sopro do apito dourado

Há para aí quem esteja preocupado com a promiscuidade entre a política e o futebol.
Mais sensato seria que se preocupassem com as semelhanças. O futebol não vai bem? Idem aspas no mundo da política.
O futebol precisa de uma limpeza urgente? Mais ainda precisa o mundo da política.
...
Se os homens do futebol raramente se tentam com a política (supremo descuido!), os homens da política já não conseguem resistir à tentação. E sabem exactamente o que querem do futebol e o que este pode dar-lhes. .... e nunca irão desarmar, porque sabem que o conjunto dos simpatizantes do Porto, Sporting e Benfica não só decidem uma votação como podem provocar uma revolução. O resto são delírios. Falar de promiscuidade entre política e futebol chega a ser um contra-senso.
São domínios demasiado idênticos para que possa falar-se de promiscuidade.
O que os une e os confunde é aquilo que ambos têm de pior.
E o futebol contém em si, quase por definição, tudo aquilo que os políticos mais desejam. A adesão irracional e acrítica das massas. A proximidade e os amores das multidões. O êxito fácil. A desculpa brejeira.
...
O futebol igualiza os melhores e os piores através das nossas mais misteriosas e inexplicáveis fraquezas. Não há categoria profissional por mais socialmente respeitada que seja, que escape à voragem da sua capacidade de contaminação. Aos equívocos e desmandos que a paixão clubística desencadeia.
...
Vem aí o forrobodó. Todos sabemos que os interesses que giram à volta do futebol e das pessoas que dele se servem são altamente duvidosos. Que há resultados forjados. Que são imorais os valores envolvidos nas transferências e nos pagamentos às grandes estrelas. Que, afinal, é tudo uma mentira. Que, como todos os fenómenos capazes de desencadear paixões, existe um abismo entre aquilo que se vê ou julga ver e a realidade que suporta o show. Mas o futebol é o bálsamo dos pobres.
Mas e a (nossa) política? Ajuda? Infelizmente não. Os exemplos, de atropelos, que nos tem dado estão longe de ser mais edificantes que os do futebol.
Quem soprará o apito dourado?
(João Marques dos Santos)


GIN

Publicado por agineotonico às 04:53 PM

Flexibilização do emprego

O Ministro do Trabalho e da Segurança Social encerrou à dias o Fórum "Famílias, Cooperação e Desenvolvimento", devem ser estas as famílias que cooperam neste desenvolvimento de Bagão Félix:

Várias empresas de recursos humanos estão a celebrar contratos de trabalho semanais, renováveis por seis meses, com a maioria dos trabalhadores. A prática, segundo a Associação Portuguesa de Empresas de Trabalho Temporário (APETT), é legal.
"Não há nada na lei sobre restrição à duração do contrato, portanto, não há ilegalidade", afirma ao CM o presidente da APETT, Marcelino Pena Costa.


GIN

Publicado por agineotonico às 04:13 PM

Os novos paradigmas da educação (4)

Um país sem uma visão educativa ambiciosa não pode deixar de ser um país do terceiro mundo. Ao longo da humanidade, a educação e o conhecimento sempre foram o apanágio de apenas alguns sortudos. Os nossos antepassados recentes mais esclarecidos compreenderam o valor da educação e a injustiça social que resulta de o conhecimento se manter nas mãos dos sortudos. Hoje, nenhum país pode considerar-se civilizado se não fornecer a todos os seus cidadãos uma educação de qualidade. E isto não é apenas por solidariedade, numa postura irónica e irresponsável como as advogadas por Rorty. É também porque é o mais racional a fazer — porque o conhecimento e a inteligência dos seus cidadãos é o que de mais valor um país tem, e o talento e o génio não escolhem classes sociais. Um sistema em que apenas as elites têm acesso à educação é um sistema pior porque nesse sistema pessoas muito mais inteligentes do que as que pertencem às elites não podem desenvolver todo o seu potencial, porque são à partida excluídas.

Hoje, as elites descobriram uma nova maneira de manter os seus privilégios e lixar todo o país: nivelam por baixo. Isto é fixe porque dá a sensação que estão a ser progressistas. Mas é evidente que quem tem a ganhar com um mau ensino generalizado, em que todos os estudantes passam, é quem tem privilégios. Que o filho de um professor universitário ou de um médico tenha uma educação miserável na escola é muito pouco importante porque a tem em casa; mas para o filho do pedreiro, é muito grave: se não a tem na escola, não a tem em lado nenhum. E isto é mau para o país. Porque acabamos por ficar com piores professores universitários e médicos e advogados e engenheiros, que o são só por serem filhos dos privilegiados, ao passo que os filhos dos que não pertencem às elites, mesmo que sejam mais inteligentes do que os outros, vão ficar sempre para trás. E é claro que do ponto de vista pós-modernaço está tudo bem assim, porque é tudo precisamente uma questão de luta irracional, sofística e simiesca pelo poder, não havendo quaisquer critérios de justiça social nem de racionalidade que nos valham.

Quem nos livra dos novos paradigmas da educação?
(Desidério Murcho)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:15 PM | Comentários (1)

Os novos paradigmas da educação (3)

Veja-se um exemplo das ideias erradas sobre a educação em Portugal: o programa de Filosofia do Ministério da Educação para o 10.° e o 11.° anos de escolaridade. Compare-se este programa "pós-moderno" com a proposta do Centro para o Ensino da Filosofia (CEF), da Sociedade Portuguesa de Filosofia. Qualquer pessoa, mesmo sem qualquer formação filosófica, compreende imediatamente que o programa do CEF é sério, tem conteúdos e apela à criatividade do estudante. Paradoxalmente, mesmo pessoas com uma boa formação em filosofia terão dificuldade em perceber o que se vai fazer com o programa do Ministério — a não ser deitá-lo para o lixo. Isto acontece quando não se tem uma visão do que é a educação, quando não se tem preparação técnica em filosofia e quando se conhecem as pessoas certas para fazer passar uma vergonha académica. É o pós-modernismo em acção: quaisquer critérios objectivos de qualidade e seriedade são postos de lado e tudo o que conta é quem tem o poder do seu lado.

O que há de irónico em tudo isto é que estas ideias nunca foram concebidas para serem colocadas em prática. As ideias dos grandes gurus pós-modernos e das "ciências" da educação podem e devem ser discutidas nas universidades, mas não devem servir para orientar políticas educativas. É uma grande confusão. Essas ideias servem para notas de rodapé eruditas e vazias, para teses de mestrado e doutoramento infinitas, e mais nada. Calculo que as pessoas que se vêem confrontadas com a aplicação destas ideias inaplicáveis se sintam um pouco angustiadas. Deve ter sido por isso que o Ministério levou anos a preparar um programa que não lembra ao diabo, ao passo que o CEF fez uma contra-proposta num mês. Quando se têm ideias claras e se trabalha com seriedade, as coisas são diferentes do que acontece quando temos fantasias vagas na cabeça que não batem certo em lado algum e temos de reinventar a pólvora seca debaixo de água para fazer passar a coisa.
(Desidério Murcho)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:11 PM

Os novos paradigmas da educação (2)


A educação de qualidade é um projecto para o futuro, para o desconhecido, para o que será o mundo que nós agora desconhecemos. Não podemos andar a reboque das últimas modas da pedagogia.

Precisamente porque não sabemos como será o mundo daqui a 20 anos, temos de transmitir o nuclear, para que os estudantes possam enfrentar com criatividade, seriedade e competência os desafios do futuro. E o que é o nuclear senão estar à-vontade com as ideias, saber discuti-las, saber argumentar, e ter um conhecimento sólido das disciplinas milenares centrais? Um estudante que tem um conhecimento sólido de física, de história, das línguas cultas mais significativas, de filosofia, geografia, matemática, etc., e que tem instrumentos críticos que lhe permitem avaliar criativamente ideias, será um cidadão bem equipado para enfrentar os desafios do futuro. Um estudante que sabe enfrentar problemas, avaliar e propor teorias e argumentos — que sabe, em suma, pensar por si — é um cidadão criativo e crítico, elementos sine qua non para uma sociedade próspera. Mas um estudante que sabe apenas repetir ideias que não compreende e que não discute, ideias que não passam de jogos de palavras e que não têm qualquer relação com seja o que for, é garantia de atraso. Se ainda por cima essas ideias já forem velhas quando ele as aprendeu, o atraso será grotesco. Não se percebe agora melhor o atraso nacional?

Um ensino voltado para as "necessidades concretas" dos estudantes e da sociedade é um mau ensino. Porque as "necessidades concretas" são mitos, configurações do que algumas pessoas pensam agora que é necessário, em função da maneira antiquada como vêem o mundo. É como decidir agora ensinar a todos os estudantes de forma dogmática e acrítica a usar o Windows 95. Daqui a 10 anos ninguém se vai lembrar do que é o Windows 95, e os estudantes vão ficar com uma aprendizagem que podem deitar para o lixo. O ensino de qualidade não pode estar todo voltado para o que agora está na moda, porque as modas passam. Ao invés, tem de estar voltado para o que nunca passará de moda: a capacidade para compreender problemas, teorias e argumentos, e a capacidade para reagir a eles de forma criativa e consequente.
(Desidério Murcho)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:00 PM

Os novos paradigmas da educação (1)

Alguns discursos de responsáveis e estudiosos da educação são muito inquietantes. Esses discursos têm vários ingredientes, um dos quais é precisamente o uso de expressões como "novos paradigmas", "modernidade", "pós-modernidade" e outros deste género. Nestas linhas vou procurar mostrar alguns dos problemas de que enfermam este tipo de discursos.

Em primeiro lugar, estão ultrapassados. Os chamados "novos paradigmas" são ideias que se baseiam em livros que têm quase 40 anos. Tomemos a ideia de que o projecto da modernidade "faliu" e que estamos a transitar para a "pós-modernidade". Estas ideias estão longe de ser novas ou aceitáveis. O escândalo Sokal devia fazer as pessoas das "ciências" da educação pensar duas vezes neste tipo de ideias. Só porque alguns intelectuais fizeram um dado diagnóstico cultural temos de o aceitar dogmaticamente, sem discussão? Por outro lado, olhe-se para a realidade: quais são as melhores universidades do mundo? São as que adoptaram as ideias pós-modernistas, ou as que continuam a apostar nos melhores padrões de seriedade académica, que colocam a objectividade e a procura da verdade acima dos interesses, do poder e da retórica?

Em segundo lugar, ainda que tais ideias não estivessem ultrapassadas e não fossem discutíveis, é sempre triste ver como as pessoas que falam da educação não têm a menor ideia do que é educar, não têm um conceito claro, não têm uma visão. Tudo o que fazem é repetir acriticamente certas ideias como se fossem a novidade triunfante da educação, da cultura, e da sociedade. Mas se há um axioma básico da educação é que não pode andar a reboque das últimas novidades fascinantes — e tantas vezes fascizantes no seu relativismo incoerente e no seu aplauso à retórica sofística. Porque as últimas novidades fascinantes serão velharias inúteis, ideias mortas e enterradas, dentro de 20 anos. E quando introduzimos mudanças na educação, elas fazem-se sentir dentro de 20 anos e não hoje. Orientar a nossa educação pelas ideias de hoje já é um disparate, mas orientar a educação por ideias que até hoje já estão enterradas é monstruoso.
(Desidério Murcho)


GIN

Publicado por agineotonico às 02:49 PM

Politicamente primaveril

Gostei desta do Luís Delgado no seu “ Como vai ser em 2004?”
Dou comigo a imaginar-me, não num “foguetório do tipo 4 de Julho, nos EUA”, mas, sem dúvida, vestida à “Folies Bergeres” “num desfile à francesa”, nas comemorações do 25 de abril de 2024. De muletas, é certo, mas de ligas vermelhas à vista – “ça me va vachement bien”.

Vem isto a propósito da conversa mole na sic notícias, ontem à noite, sobre o “apito dourado” em que participou Jorge Coelho, sem barba e muito primaveril nas suas observações, e nas notícias sobre o fim do julgamento do caso Brisa.
Primaveril estava também o advogado de um dos arguidos do caso Brisa quando disse ser dura e exagerada a pena atribuída ao seu cliente que, por um mero peculato, levou 2 anos e 11 meses de pena suspensa.
Sem dúvida que no nosso país compensa, para alguns, ser um primaveril criminoso.

Quanto a mim, confesso que já me chateia estar a pagar impostos para sustentar julgamentos mediáticos dos quais já todos conhecemos o desfecho. É um desperdício de dinheiro e tempo. Serve apenas para a comunicação social fazer dinheiro e para nos darem a verdadeira dimensão de quem pode, quer e manda.

Mostramos ao país e ao mundo a pouca vergonha que temos e somos, aquilo que os nossos todo poderosos e impunes cidadãos são capazes de fazer ilegalmente e em proveito próprio e reforçamos essa imagem ilibando, deixando prescrever, atribuindo penas suspensas ou penas simbólicas que depois são amnistiadas nas alturas devidas.
Mostramos ao mundo as nossas particularidades criativas e originais, o nosso ser politicamente primaveris ...


GIN

Publicado por agineotonico às 07:08 AM

abril 26, 2004

"Espera Média"

Uma senhora deu entrada no Hospital do Montijo devido a uma queda que originou uma fractura grave do fémur. Depois de horas de espera foi transferida para a Unidade de Saúde do Barreiro para ser submetida a uma intervenção cirúrgica de urgência. Aí, nessa Unidade SA, foi-lhe dito que teria que esperar 8 dias pela intervenção porque tinha 14 doentes em lista de espera à sua frente. Senhora de sorte, com família que pediu a sua transferência para um Hospital privado, onde foi operada com urgência por cerca de 5000 euros.

Isto levou-me a pensar nos resultados apresentados pelo Ministro da Saúde sobre um ano de empresarialização dos hospitais e nas vozes críticas que acusam os SA de selecção adversa, isto é, de recusarem doentes de maior dificuldade e custo e de não ser muito clara a forma como conseguem apresentar resultados de redução “da espera média”.
Se já aqui (ACABOU-SE O APOIO) apresentei uma forma de apresentar um aumento no atendimento e redução na espera média das chamadas “sessões” (consultas), seria importante verificar o que se passa com as cirurgias.
É verdade que é difícil provar a acusação de selecção adversa, mas também é verdade que deveria ser criada uma Comissão Independente que permitisse esclarecer estas acusações de forma cabal.

Uma forma possível de verificar o que se passa seria, sem dúvida, uma análise das listas de espera. É que perante a apresentação de números que indiciam um decréscimo da “espera média” em relação às cirurgias, colocam-se algumas questões:
- houve de facto um aumento de eficiência e de produtividade através de uma gestão de recursos até agora sub aproveitados?
ou
- registou-se uma actividade de selecção de doentes tendo os casos mais graves sido desviados para outros hospitais?
ou
- estão a ser operados doentes da listas de espera que são menos graves e, por isso, não necessitam de tanto tempo de intervenção e de internamento, enquanto os casos mais graves estão a ficar em lista de espera?

Seria facilmente verificável se houve diminuição de entradas de doentes graves a necessitar de cirurgia nuns hospitais, relativamente ao que era esperado da análise de anos anteriores, porque isso teria que corresponder ou a um aumento de entrada desses doentes em outros hospitais, ou num aumento de óbitos. Permitiria, ainda, verificar se está a ser invertida a ordem das listas de espera, isto é, se se está a optar por operar primeiro doentes em situação menos grave do que outros, o que, como se sabe, não acontecia antes da empresarialização porque eram tratados primeiro os casos mais graves e urgentes, sendo deixados em lista de espera as situações menos graves ou que poderiam ser alvo de outro tipo de tratamento não cirúrgico.
Deveria esta Comissão Independente elaborar listas que comparassem, por complexidade decrescente, a “espera média” no número de doentes, no ano antes e os deste ano de empresarialização.


GIN

Publicado por agineotonico às 05:36 PM | Comentários (2)

Lá chegaremos não tarda

Publicado por agineotonico às 04:23 PM

Há dias gratificantes

Passeio-me por muitos blog ... já faz parte do meu dia-a-dia, do meu chegar a casa e descontrair de um dia de trabalho.
Mas há dias em que é muito gratificante este "passeio" porque nos deparamos com posturas que nos surpreendem, que mexem connosco, que nos fazem sentir que a solidariedade e a capacidade para olhar para os outros para além dos nossos preconceitos, ainda existe ... esta é uma homenagem e um obrigado ao Paulo Querido pelo seu texto "A heroína do 25 de Abril".


GIN

Publicado por agineotonico às 03:09 PM | Comentários (1)

Jogo do "Ser e do Parecer"

(Dos afectos à construção da Sociedade Democrática)

Quando se fala em democracia, nas sociedades de hoje, não consigo deixar de pensar em certos pais que são tolerantes com os seus filhos enquanto eles fazem o percurso que, do seu ponto de vista, consideram adequado, mas que, quando os filhos se autonomizam e decidem um percurso de vida diferente ao que lhes “estava destinado”, lhes “apertam os calos” através de medidas que vão desde o “corte da mesada”, até à agressão verbal e física.
O mesmo se passa ao nível social: enquanto nos mantivermos na “linha”, passivos perante as políticas económicas e sociais postas em marcha, temos a tolerância do poder. Quando tomamos uma atitude activa de contestação, então, “apertam-nos os calos” através de medidas que vão desde o controle da comunicação social, passam por exclusão dos “críticos”, pela liberalização do emprego e, se for necessário, pela repressão policial.
E, tal como os pais que utilizam o dinheiro para controlar, agradar ou punir os filhos, o poder económico também arranja estratégias de alienação para impedir a contestação.
Muito se fala da sociedade que apela ao consumismo. É verdade que este é uma necessidade do poder económico, mas a forma como esse apelo é feito tem efeitos perversos na socialização e, consequentemente, na construção individual dos valores que guiam as nossas expectativas e as nossas condutas.
Fala-se, então, da crise de valores que enferma as sociedades actuais. O discurso do poder não nos impede de falar sobre estes assuntos como noutros tempos, pelo contrário, são os primeiros a diagnosticar as situações, mas atribuem-nos individualmente as culpas quando é ele próprio a fornecer os meios.
Cria-se o “modelo” do humano bonito, rico e feliz consigo próprio, ridiculariza-se e despreza-se o ser humano solidário – “ou tens as minhas ideias e fazes o que eu quero, ou estás contra mim e não tens lugar no nosso mundo”.
Temos relações de competitividade desleal, fora do circuito da competência, temos a vida construída sobre falsos pressupostos, sobre o “parecer ser”, perdemos a maior parte das nossas energias a lutar para pagar os custos dessa aparência imposta e ficamos sem tempo para “olhar” para nós e para os outros, os nossos filhos incluídos.
Neste jogo do “ser e do parecer”, incluem-se tanto os aspectos de carácter económico, como, em muitos casos, aspectos ligados à afirmação intelectual, à chamada “cultura”.
Se nuns vemos um “vazio cultural” e um enfoque na aparência de riqueza material, noutros vemos um “vazio cultural” e um enfoque num discurso democrático deslocado da prática individual que leva, muitas vezes, à incoerência na análise das situações concretas.
Uns e outros são filhos dos mesmos pais, varia apenas as diferenças individuais sobre as quais se constróem. Ambos são capazes de olhar para dentro de si, mas são cegos e surdos para algumas das suas áreas.
Contudo, restam ainda algumas “ovelhas ranhosas” desta grande família ... aqueles que acreditam que é possível construir uma vida pessoal e social baseada em bases sólidas de solidariedade humana.


GIN

Publicado por agineotonico às 02:12 PM

ALEXITIMIA

(Dos afectos à construção da Sociedade Democrática)

Alexitimia – léxis (ausência) + thimos (emoção)

A alexitimia – Perda ou incapacidade de reconhecer sentimentos e emoções, ou elaboração de fantasias. É um termo que se refere a pessoas que têm uma marcante dificuldade para identificar, ou descrever os seus sentimentos.
Muitos investigadores têm tentado identificar as características clínicas da alexitimia. Depois das observações iniciais, em 1972 numa conferência em Londres atribui-se como provável uma etiologia biológica e em 1976 em Heidelberg é classificada em conjunto com os transtornos psicossomáticos. Nos anos seguintes, inúmeros estudos clínicos encontraram características alexitimícas, em percentagem variável, em pacientes que sofriam de diferentes distúrbios (abuso de substâncias, transtorno alimentar, depressão típica, personalidade borderline, transtornos somatoformes) mas também em indivíduos normais.
A prática clínica, por seu lado, ainda defende ter motivos para considerar que não há, necessariamente, uma ausência de emoções, apesar de, na maioria dos casos, os alexitímicos sofrerem de incapacidade para manifestar as emoções, para descrever os seus próprios sentimentos ou para reconhecer os sentimentos dos outros, para discriminar as suas emoções de sensações físicas, isto é, não conseguem estabelecer uma conexão de causa e efeito.
Têm-se vindo a incluir neste constructo algumas características do chamado pensamento operatório. De facto, a capacidade para elaborar representações mentais evolui desde muito precocemente e está ligada intimamente à competência de regulação afectiva. Há, assim, uma relação de dependência do desenvolvimento intelectual (ou inteligência racional) das nossas emoções, da nossa capacidade de as reconhecer, de falar sobre elas e de as controlar, ou seja, da nossa inteligência emocional.
Se é verdade que sentimentos fortes nos podem devastar ou toldar o raciocínio, a falta de sentimentos é ainda mais destrutiva, principalmente, em momentos de avaliar e tomar decisões importantes para a nossa vida, para o nosso futuro, decisões duradouras.
Nos alexitimícos observa-se uma focalização nos acontecimentos exteriores em detrimento da experiência íntima, o seu modo de pensar e de viver está exclusivamente virado para a realidade externa e, por isso, demonstram uma adaptação excessiva às exigências do meio, com uma hiperactividade artificial e pragmática que os incapacita de simbolizar a representação (o “pensamento operatório”), de fantasiar e os leva a apresentar uma grande pobreza nos investimentos libidinais. Estas pessoas, na maioria das vezes, demonstram boa capacidade de adaptação social e são boas profissionais, mas vivem em permanente estado de tensão, rivalidade e competição e bloqueiam a expressão física deste estado, dessas emoções.
As pessoas que possuem um elevado nível de inteligência emocional são capazes de, facilmente, identificar e descrever os seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como sabem regular os estados de activação emocional em si e nos outros de forma a usarem as emoções de forma adaptativa.
Cada vez são mais os estudos que estabelecem relação entre inteligência emocional e saúde mental e física. O controle emocional já foi implicado como um dos factores que protegem o estado de saúde e, por outro lado, a alexitimia já foi associada a situações de doença e a um aumento da mortalidade de todos os tipos.
Nos médicos ainda há muito cepticismo relativamente ao papel das emoções no adoecimento somático, mas a verdade é que se têm estabelecidos relações firmes entre uma coisa e outra.


GIN

Publicado por agineotonico às 07:18 AM | Comentários (2)

abril 25, 2004

Anónimo


"...
De repente fecharam-se os sorrisos ao som dos tiros. Dei por mim caída no chão a olhar para uns olhos assustados. Enquanto me levantava disse para aqueles olhos “vem gestas, corre, hoje não é dia para se morrer”. Mas ele não se levantou, nem correu ... senti que me arrastavam pelos braços e ouvia vozes “estúpida, estúpida, estúpida”, “cala-te que ela está ferida”, “olha a perna dela, olha”. Finalmente encostada contra uma parede, encolhi os joelhos e chorei sobre o sangue que me manchava as calças, sobre aqueles olhos assustados para nunca mais ..."

Publicado por agineotonico às 08:35 PM

O AMOR


Também por tudo isto, meu amor, nós tivemos de percorrer os becos negros do medo, num tempo sem luz - e amavamos a cidade.
Navegámos na aventura de recusar evidências.
Tivemos de fugir, construir paraísos clandestinos, e descobrir cerejas onde só havia cardos.
Mergulhámos, verticais, na raiva de resistir ao destino e à má sorte.
Aprendemos, na dor, a amar a arquitectura das coisas com os olhos das mãos.
Como o pescador ama o céu e o mar, e os recados que o vento lhe rasga no chão da pele.
E o camponês ama a terra no milagre repetido de a fazer parir o pão - e a sombra dos pinheiros.
Como o marinheiro ama a linha do horizonte e o porto de chegada - ou de partida.
E o operário ama a cambota que constrói diariamente - à espera da saída.
Como o mineiro ama os labirintos de lama, o fogo do carvão - e o luar.
Assim ensinarás sempre os teus caminhos às minhas mãos sedentas. E eu hei-de percorrer-te, saber os teus segredos, sair para a rua em Maio, e conquistar, contigo, inteira, a dimensão de amar.
(José Fanha in Busca)

Publicado por agineotonico às 03:39 PM

A MEDIDA EXACTA


um homem
não tem tamanho
nem preço
nem medida
vale pelo que produz
desde o começo
até ao fim da sua vida

e se
com mão firme sobre o leme
que conduz
se destaca do anónimo rebanho

e o inimigo o teme

(António Joaquim Linhaça, 1979)

Publicado por agineotonico às 03:20 PM

25 de Abril Sempre

Publicado por agineotonico às 02:03 PM

abril 24, 2004

Iraquianos estão a pagar a campanha eleitoral de Bush

"More than 70 American companies and individuals have won up to $8 billion in contracts for work in postwar Iraq and Afghanistan over the last two years, according to a new study by the Center for Public Integrity. Those companies contributed more money to the presidential campaign of George W. Bush—more than $500,000—than to any other politician over the last dozen years, the Center found"


GIN

Publicado por agineotonico às 04:58 PM | Comentários (3)

Vingançazinhas democráticas

Depois dos brasileiros, é agora a vez dos espanhóis pagarem por os governos dos seus países discordarem da política americana.
Como se sabe "ou estás com bush ou estás contra ele"

"Os EUA vão exigir a partir de segunda-feira a todos os espanhóis que se desloquem ao país sem ser por turismo ou por uma estadia superior a 90 dias a apresentação de um visto biométrico, que poderá ser obtido na embaixada norte-americana em Madrid. Na embaixada ser-lhe-ás retirada uma fotografia digital e impressões digitais, seguindo-se uma entrevista pessoal. A exigência do novo visto será efectiva a partir de segunda-feira para os espanhóis que se desloquem aos EUA para uma estadia superior a 90 dias ou para estadias inferiores mas sem fins turísticos, como é o caso dos trabalhadores temporários, estudantes, jornalistas e inclusivamente tripulações.
A partir de 26 de Outubro o visto biométrico será obrigatório para todos os espanhóis."


GIN

Publicado por agineotonico às 04:49 PM

"Famílias, Cooperação e Desenvolvimento"

O ministro da Segurança Social e do Trabalho, Bagão Félix, ouviu ontem os lamentos dos 96 desempregados de uma fábrica de calçado, em Santa Maria da Feira, que no início desta semana foram dispensados, devido a dificuldades financeiras alegadas pelo proprietário da empresa.
Foi esta a recepção que o membro do Governo teve no encerramento do fórum "Famílias, Cooperação e Desenvolvimento", no Inatel feirense. Depois do assessor do ministro ter informado que Bagão Félix não tinha tempo para receber os ex-funcionários e representantes do sindicato do sector - chegando-se a prever que o governante iria "contornar" o encontro, saindo pela porta das traseiras, a verdade é que o político acabou por ouvir os lamentos dos desempregados - que já na segunda-feira vão protestar em frente à Câmara da Feira."


GIN

Publicado por agineotonico às 04:26 PM

Dez euros por cada estagiário

O Instituto Superior de Saúde do Alto Ave, uma escola privada de ensino superior de enfermagem, sedeada na Póvoa de Lanhoso, informou que vai passar a efectuar os seus estágios curriculares em unidades hospitalares da Galiza, porque os hospitais SA portugueses começaram a cobrar à instituição uma taxa diária que ronda os dez euros por cada estagiário.


GIN

Publicado por agineotonico às 04:23 PM | Comentários (1)

Tropas dos EUA no Iraque estão a disparar sobre hospitais, ambulâncias e civis

Iraqi doctors, health minister confirm US war crimes [en]
[en] Iraqi doctors confirmed that US occupation troops are hampering medical relief work and indiscriminately killing non-combatants. Moreover, the Iraqi minister of health acknowledged that US troops intentionally shoot at ambulances, not only in Fallujah but also in other places.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:39 AM

EUA levantam embargo económico contra a Líbia

"Esta decisão do Executivo de George W. Bush vai permitir ao regime de Kadhafi retomar a maioria das sua actividades comerciais, transacções financeiras e investimentos, e também que as empresas norte-americanas «possam comprar ou investir em produtos e petróleo líbio».
Segundo o comunicado da Casa Branca, esta decisão foi tomada porque «a Líbia tomou medidas significativas com vista à eliminação de armas de destruição massiva e mísseis de longo alcance, e reiterou a sua posição de apoio na luta contra o terrorismo».


GIN

Publicado por agineotonico às 01:10 AM

abril 23, 2004

Revisão constitucional

A revisão constitucional foi hoje aprovada, em votação final global, com os votos favoráveis da maioria PSD/CDS-PP e do PS e com os votos contra de PCP, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista "Os Verdes".

"Terminou a revisão constitucional. Chegou a hora de a maioria e de o Governo começarem a resolver os problemas dos portugueses", declarou o líder da bancada socialista, António José Seguro"

GIN

Publicado por agineotonico às 06:34 PM

Estudos estatísticos da cultura dos americanos

57% dos norte-americanos acredita que o Iraque apoiava a organização terrorista de Osama bin Laden;

20% dos cidadãos dos EUA acreditam que o governo de Saddam Hussein estava mesmo directamente implicado nos atentados de 11 de Setembro;

38% dos inquiridos acredita que o Iraque tinha armas de destruição massiva antes do início da invasão;

22% pensam que Bagdad teria um programa para desenvolver este tipo de armamento;

86% dos americanos acredita em milagres;

89% acreditam no paraíso;

73% acreditam no diabo e no inferno.

É caso para perguntar que raio de comunicação social têm os americanos no seu próprio país ...


GIN

Publicado por agineotonico às 06:14 PM

O provocador

Quando todos os líderes da União Europeia dão por adquirido o fim do modelo social europeu, um dos poucos sábios da economia portuguesa diz que não é bem assim.

Segundo Silva Lopes, na Europa «deve-se ter uma boa fatia de custos sociais» e evitar a invasão do modelo liberal norte-americano. Este é provavelmente um dos maiores desafios de sempre da Europa: ter a vitalidade económica dos EUA sem sacrificar o seu modelo social. O norte europeu e o Canadá – um país geograficamente colado aos norte-americanos mas muito diferente ao nível da prioridades sociais – têm boas experiências neste domínio. Seria bom que elas fossem mais aprofundadas. Como diz Silva Lopes é um problema de política e não da economia
...
«Pensar que Portugal pode tornar-se numa espécie de mono-cultura turística é um erro», diz. Apostar nas indústrias que exijam mais qualificação de mão-de-obra e inovação é o melhor caminho para Portugal
...
Harmonizar economia com preocupações sociais deveria ser uma das prioridades da agenda europeia. Ela existe ao nível das intenções, não existe ao nível das práticas. A Europa dos 25 deveria distinguir-se pela promoção de um capitalismo humanista mas, acossada pela tradicional dinamismo liberal dos EUA, pelas economias de baixos salários, muita produtividade e poucas garantias sociais de alguns países asiáticos e alvo de grupos terroristas, ela pode vir a passar a História. O despertar dos nacionalismos ou das tensões fronteiriças – como pode ser o caso da Espanha e das relações entre os estados bálticos e a Rússia, depois da adesão dos primeiros à NATO – podem complicar ainda mais a vida aos europeus. "


GIN

Publicado por agineotonico às 05:57 PM

Professores e Médicos

"Professores e médicos com um nível de eficiência próximo do melhor, mas um desperdício elevado ao nível financeiro: este é o panorama encontrado em Portugal por dois economistas do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) quando analisaram os dados disponíveis para trinta países da OCDE.
...
em Portugal deveria ter sido possível, com 30% dos gastos efectuados em Educação, obter os mesmos níveis de sucesso escolar. Já na Saúde seria apenas necessário utilizar 63% dos recursos financeiros, para atingir os mesmos resultados em termos de esperança média de vida e taxa de mortalidade infantil.
...
afirma António Afonso, um dos autores, acrescentando que “é no entanto necessário rigor na interpretação dos resultados, uma vez que a eficiência de um país é medida contra um óptimo de eficiência que é teórico”
...
Considerando as horas de aulas e o número de professores por estudante, o nível de eficiência português (0,88) surge acima da média da UE alargada (0,84) e é ultrapassado apenas pela Finlândia, Suécia e Alemanha. Isto quer dizer que cada hora de aulas e cada professor ao serviço no sistema educativo português produz resultados próximos dos melhores da Europa. Na Saúde, o cenário é o mesmo. O parâmetro de eficiência para os recursos considerados “médicos, enfermeiros e camas de hospital” é de 0,84. Esta discrepância de resultados mostra que os países onde os recursos são mais caros (por exemplo o salário de um médico ou de um professor), são fortemente penalizados na análise de eficiência financeira."


GIN

Publicado por agineotonico às 05:40 PM | Comentários (1)

Torres de Lisboa

Publicado por agineotonico às 12:09 AM

abril 22, 2004

América-Latina: Maioria apoiaria regresso ao autoritarismo

O impacto das profundas transformações na economia mundial está a aumentar assustadoramente as dificuldades económicas e a miséria de largas camadas da população em todo o mundo. Ao contrário do que muitos defendem, esta situação ao invés de mobilizar no sentido do aprofundamento das democracias, leva à exigência de uma maior "musculação" do poder. A isto não é alheia a concentração dos órgãos de comunicação social nas mãos dos grandes grupos economicos. A informação que chega "às ruas" é controlada com objectivos muito especifícos. De facto, os partidos mais sanguinários e fascistas que chegaram ao poder, fizeram-nos em países que se debatiam com graves problemas económicos e sociais.

"Os latino-americanos são extremamente cépticos em relação aos benefícios da democracia, revela um relatório publicado esta quinta-feira, em Lima – Peru – pela ONU. Segundo o documento, mais de metade dos habitantes do Continente prefeririam um governo autoritário, se isso pudesse resolver os problemas económicos dos seus países.
O estudo «A Democracia na América Latina: no Caminho para a Democracia dos Cidadãos», publicado pelo Programa de Desenvolvimento da ONU, baseou-se em entrevistas a quase 20 mil pessoas de 18 países que, no último quarto de século, têm evoluído no sentido de regimes democráticos.
De acordo com o documento, apenas 43% dos inquiridos apoiavam incondicionalmente a democracia. Inversamente, quase 55% das pessoas afirmaram que prefeririam um regime autoritário, caso isso ajudasse a «resolver» os problemas económicos do país.
Dados que para o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, são «tristes» e «errados». «A solução para os problemas da América Latina não está num regresso ao autoritarismo. Está numa democracia mais forte e melhor estabelecida», afirmou numa mensagem em vídeo transmitia na cerimónia de publicação do Estudo.
A media do Índice de Democracia Eleitoral da América Latina - escala que mede a democracia do país tendo em conta o direito ao voto, eleições livres e justas, e o uso das eleições como forma de instaurar o governo – cresceu de 0.28 em 1977 para 0.93 em 2002 (sendo a classificação máxima o 1). No entanto, desde 2000, quatro presidentes eleitos naquela região foram obrigados a demitir-se antes do fim dos mandatos, depois de terem perdido o apoio popular."


GIN

Publicado por agineotonico às 09:36 PM

Que o pessoal do clube me desculpe esta brincadeira

Um erro de interpretação levou Pinto da Costa a comprar seis mil bilhetes para o festival de música Rock in Rio, convencido de que se tratava de uma sessão de apedrejamento público a Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto!
A confusão reside na tradução literal de Rock in Rio, que é "pedra no rio".
O erro também se deveu ao facto de Pinto da Costa não ter conseguido obter a opinião da sua habitual conselheira para assuntos mediáticos, Maria Elisa, que estava incontactável em Londres, onde exerce actualmente funções de adida de imprensa na embaixada portuguesa.
Foi a própria organização do Rock in Rio que percebeu que alguma coisa estava errada quando receberam o telefonema de um funcionário do clube azul e branco perguntando "quantos calhaus é que cada pessoa podia levar para
o recinto".


GIN

Publicado por agineotonico às 06:52 PM

Cravos vermelhos

para sempre símbolo do 25 de Abril

Publicado por agineotonico às 06:37 PM | Comentários (1)

Os inconformistas

"Portugal é um país de conformistas exuberantes e de inconformistas silenciosos ou silenciados ... inconformista é quem vai contra a corrente. Faz análises contra o senso comum e propostas para além do que é considerado legítimo. Ser inconformista é muito difícil, devido ao peso dos média. Por um lado, reforçam o conformismo ao transformá-lo na opinião pública. Por outro lado, ante o que identificam como inconformismo, ou ignoram-no, se podem, ou, se não podem, hostilizam-no pela dramatização, caricatura ou insulto" ...

Passo por cima das considerações que Boaventura dos Santos tece sobre Saramago e o seu último romance, que acho uma reflexão bastante interessante, diga-se de passagem. Queria apenas referir outras considerações que faz neste seu artigo, com as quais concordo plenamente e que vão na mesma "linha" de ideias da minha "posta" "O povo sabe a diferença".

Diz Boaventura dos Santos que: "o aumento das desigualdades sociais cria um padrão de relações entre cidadãos em que é patente o abismo entre a democracia política e a democracia social" e que podemos "estar a entrar num período em que as sociedades são politicamente democráticas mas socialmente fascistas".
...
"os inconformistas quase nunca têm razão nos precisos termos em que se manifestam. Mas quase sempre têm razão na identificação do problema que os inconforma e no sentido geral da solução que eventualmente lhe será dada."

(in Visão 579)


GIN

Publicado por agineotonico às 06:30 PM

Não compro essa ...

Troca de comentários aqui do blog:

"Alguns dos vossos comentários são anti-semitas e anti-americanos, se é que percebem ainda o que isso representa!
Morreram milhões de judeus na II Guerra (com o apoio dos islâmicos), e também ao longo de várias perseguições centenares. Chega ou ainda não?
O alvo Sharon ou Bush é só um pretexto dos "pacifistas" de hoje, como o foi defender o não-intervencionismo quando a Alemanha de Hitler invadiu a Checoslováquia. Tal como hoje o que importa é distrair as atenções, esconder o essencial e falar apenas do acessório. A questão não está em gostar do Bush ou do Kerry, a questão está em querer ou não derrotar o fascismo islâmico!
Blog: Anti-Jihad Portugal
http://www.alternativa2000.org/Anti-Jihad_Portugal/Blogger.html

Website: Contra o Terror Islâmico
http://www.alternativa2000.org/Contraoterrorislamico.html

Afixado por Anti-Jihad Portugal em abril 22, 2004 04:55 PM

. .


Estou farta da conversa do que se passou na 2ª guerra mundial como argumento para justificar o que se passa na palestina. Também estou farta da conversa que, por não concordar com o genocídio do povo palestiniano e com a ocupação dos seus territórios por parte do governo de Sharon, a minha discordância seja chamada de anti-semitismo.
Não compro essa ... prezo, acima de tudo, a minha liberdade de expressão, de concordar ou não com o que vejo passar-se no mundo. Não sofro do complexo "anti-semita", porque não confundo o povo judeu com os seus dirigentes políticos.

GIN

Afixado por GIN em abril 22, 2004 05:52 PM

Publicado por agineotonico às 05:54 PM

Mais do que uma provocação. É uma ameaça ao mundo


British peace activist Thomas Hurndall was shot in the head at the start of a protest, as he was rescuing Palestinian children from fire in Rafah, southern Gaza


American peace activist and human shield, Rachel Corrie (23 years old), is killed by an Israeli bulldozer in her attempt to stop the demolition of a Palestinian home in Rafah, Gaza


GIN


Bush: O Mundo deve um «obrigado» a Sharon
O presidente norte-americano, George W. Bush, disse esta quarta-feira que o mundo deve um «obrigado» ao primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, pelos seus planos de pacificação para os territórios ocupados
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Publicado por agineotonico às 07:40 AM | Comentários (1)

abril 21, 2004

Quem é John Negroponte

Bush nomeia John Negroponte novo embaixador do Iraque
Negroponte, de 64 anos, irá substituir Paul Bremer e deverá assumir o seu mandato após a transferência de poder no Iraque, que está prevista para 30 de Junho. A decisão de Bush ainda tem de ser aprovada pelo Senado norte-americano
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"Negroponte was ambassador to Honduras from 1981 to 1985. During that time, the Reagan administration gave covert aid to right-wing Contra rebels trying to overthrow the Sandinista government of Nicaragua. At the same time, Honduran death squads began operating with impunity. Murders and disappearances are well-documented; at least one victim was a U.S. citizen. The notorious Battalion 3-16 was trained by the CIA. And yet, in congressional testimony, Negroponte maintained plausible deniability -- hadn't seen, didn't know. If he had said the Honduran dictatorship was responsible for atrocities, the country could not have continued as our partner."

"According to The New York Times, Negroponte was responsible for "carrying out the covert strategy of the Reagan administration to crush the Sandinistas government in Nicaragua." Critics say that during his ambassadorship, human rights violations in Honduras became systematic. Negroponte supervised the creation of the El Aguacate air base, where the US trained Nicaraguan Contras and which critics say was used as a secret detention and torture center during the 1980s. In August 2001, excavations at the base discovered 185 corpses, including two Americans, who are thought to have been killed and buried at the site. Records also show that a special intelligence unit of the Honduran armed forces, Battalion 3-16, trained by the CIA and Argentine military, kidnapped, tortured and killed hundreds of people, including US missionaries. Critics charge that Negroponte knew about these human rights violations and yet continued to collaborate with the Honduran military while lying to Congress
...
When John Negroponte was ambassador he looked the other way when serious atrocities were committed. One would have to wonder what kind of message the Bush administration is sending about human rights by this appointment."


GIN

Publicado por agineotonico às 11:54 PM | Comentários (2)

Nem que tenhamos que os matar a todos

The words of Paul Bremer, Washington's overlord in Iraq, need no "sexing up". "We are going to fight them and impose our will on them and we will capture or... kill them until we have imposed law and order on this country," he declared at the weekend. "We dominate the scene and we will continue to impose our will on this country."


GIN

Publicado por agineotonico às 11:11 PM | Comentários (1)

Afinal eram mercenários

American 'civilians' killed, mutilated in Falluja were mercenaries

"The four dead people worked for Blackwater Security Consulting, a firm based in North Carolina, USA that 'has its roots in the Special Operations Community'. Blackwater will deploy "with little notice in support of US national security objectives, private or foreign interests". So what were privatised American Special Forces doing in Falluja? Officially, they were "providing convoy security for food deliveries in the Falluja area". This obviously begs the question 'who is dependant on food deliveries and why?', but even if we assume the absolute truth of the official explanation, mercenaries in Iraq are known to be carrying out far less benign deeds. In February the Ecologist reported that 'private security consultants' in Iraq were testing special bullets that penetrate steel but 'explode' on contact with human flesh causing horrific injuries. They were testing them on real life Iraqis. Moscow Times Journalist Chris Floyd comments "these mercenaries are not always bound by the laws, regulations and codes of honour that govern regular military forces, so they're free to do any dirty work the [US] administration wants kept off the books"


GIN

Publicado por agineotonico às 10:23 PM

Progredir é uma questão de perseverança

Marçal Grilo, ex-ministro da educação, diz in Pública:
"Os portugueses ainda pensam que isto de progredir é, sobretudo, uma questão de sorte. Não reconhecem que é uma questão de trabalho, de esforço, de perserverança."


GIN

Publicado por agineotonico às 10:11 PM

O povo sabe a diferença

Carlos Martins Ventura diz (FOCUS 236) que os portugueses sabem estabelecer a diferença entre não terem as suas necessidades básicas resolvidas e a realidade das conquistas do 25 de Abril.
Carlos Ventura esquece que todos os que têm idade, no mínimo, inferior a 45 anos, não faz ideia a que conquistas ele se refere.
Sem dúvida que muitos portugueses, com idade inferior a essa que referi, sabem estabelecer “teoricamente” essa diferença, tiveram acesso a uma cultura que lhes permitiu isso, mas a realidade da maioria dos portugueses não é, necessariamente, essa.
É que é bastante preocupante, principalmente se nos lembrarmos que 200 mil pessoas em Portugal passam fome, 62% nunca leram um livro e 80% sofre de iliteracia.
Por outro lado, tanto quanto se sabe, são as nossas necessidades que definem as nossas preocupações, ou motivações, e elas têm uma hierarquia de importância e influência. Hierarquia de necessidades essa, que tem na sua base as necessidades mais básicas (necessidades fisiológicas) e no topo, as necessidades mais elevadas (as necessidades de auto realização). Assim, apenas quando se resolve uma se consegue motivação para procurar a satisfação de outra (isto dito de forma muito simplificada).
Se aceitarmos que assim é, fácil será de perceber que, como dizia o outro, “estou desempregado, tenho fome, não me consigo preocupar com essas ninharias do 25 de Abril”.
Esquece também, Carlos M. Ventura, que as mudanças a que se assiste hoje na economia mundial, são mudanças profundas, estruturais e estão a alterar brutalmente o equilíbrio social. O impacto está a ser de tal forma violento que tem vindo a exigir a “musculação” das democracias e ainda exigirá mais num futuro próximo.
O desemprego, a privatização dos sistemas de solidariedade social (como saúde, reformas, contratos de trabalho, etc) e outras medidas de desprotecção social, a privatização dos órgãos de comunicação social, de entre outros, faz com que muitas pessoas vejam na “musculação democrática” a solução dos problemas.
Hitler, por exemplo, subiu ao poder numa conjuntura de crise económica, de grande descontentamento popular e viu nos mais jovens um exército de apoio que cometeu grandes atrocidades.
Bush tem levado o mundo a um crescendo de violência e continua à frente nas sondagens.
Em Portugal, a direita mais reaccionária, tem-se organizado e tenta ter voz activa.
Cada vez se ouvem mais vozes que, se juntam à tradicional “o que faz falta é um novo Salazar”, e dizem que “é preciso que alguém ponha ordem nesta bagunçada”.
Na realidade não há “um povo”, não há os “portugueses descontentes” que acham que é necessário “aprofundar o 25 de Abril”, porque isso teria implícito que haveria uma estrutura mais ou menos organizada e mobilizadora desse “tal povo”.
O que vemos é uma oposição incapaz de apresentar alternativas concretas de aprofundamento das conquistas de Abril, incapaz de agregar e mobilizar de forma activa as várias “classes de descontentamento”. A oposição é vista, por uma grande maioria desse “tal povo”, como “são todos iguais uns aos outros” e, isso, não é nada mobilizador como se sabe.
Estão, assim, criadas as condições para que se continue a destruir as “conquistas de Abril”, mesmo a conquista do “direito de se zangarem com a política e com os políticos” - é só acabar de destruir a contratação colectiva e implementar os contratos individuais de trabalho, como se já está a fazer com bastante rapidez. Depois dos avençados, foram os médicos e já se fala na possibilidade de os professores passarem a ser contratados directamente pelas autarquias e pelas próprias escolas ...
É muito perigoso achar que é impossível destruir as poucas conquistas de abril que restam porque o povo sabe a diferença ... elas têm vindo a ser destruídas sem grande oposição. Já não é Revolução, mas Evolução e poderá tornar-se Ilusão.


GIN

Publicado por agineotonico às 08:49 PM

Médicos denunciam violação de iraquianas

El Observatorio de la Ocupación en Bagdad y fuentes médicas iraquíes han detectado desde hace meses un número creciente de casos de mujeres que han denunciado prácticas vejatorias, abusos sexuales y violaciones por parte de soldados de ocupación y miembros de los cuerpos de seguridad iraquíes durante el periodo de encarcelamiento, según el Comité de Solidaridad con la Causa Arabe (CSCA).


GIN

Publicado por agineotonico às 06:20 PM

Enquanto isso ...

e como não bastasse o dinheiro gasto nos carros de luxo disponibilizados a qualquer político de cargo intermédio, os chorudos ordenados dos cargos criados para os "boys", agora vêm os submarinos que a NATo considera um desperdício ...

"quem ocupa o mesmo o primeiro lugar no 'ranking' dos maus pagadores é o Estado, que chega a demorar um ano ou mais a pagar facturas. A indústria farmacêutica é uma das queixosas. E média os Hospitais demoram 352 dias a pagar ... mas há quem ultrapasse esse limite.
...
Situações como esta levam o economista Francisco Sarsfield Cabral a considerar que o pior exemplo vem de cima. 'O Estado português deve a muita gente: aos funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, aos médicos, às construtoras, à indústria farmacêutica e a muitos outros'.
...
Para Luís Salvaterra, prsidente da Associação Portuguesa de Empresas de Recuperação e Gestão de Créditos ... a prática de pagar tarde e a má horas pode pôr em causa a sobrevivência das empresas ... que ficam em situações de grande aflição, pois vêem-se confrontadas com falta de liquidez e perda de produtividade"

(in FOCUS 236)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:30 PM

A NATO não entende a necessidade dos submarinos

"Os dois submarinos vão custar 800 milhões de euros, um investimento que a NATO considera "um desperdício" e que levou esta organização a recusar um pedido da Marinha portuguesa para justificar o programa"


GIN

Publicado por agineotonico às 03:07 PM

Despertar vocações adormecidas


Paulo Portas "vai organizar centenas de acções de recrutamento em escolas e centros de emprego, mas também em praias e centros comerciais" porque "quer despertar vocações adormecidas"


GIN

Publicado por agineotonico às 02:54 PM

Contradições

Bem ao nível dos países do 3º Mundo, onde grassa a falta de cultura, Bush ainda consegue ir com 5 pontos de avanço sobre o candidato da oposição.
O mais grave é que, pelas recentes declarações de Bush, se ganhar as eleições vai levar o mundo na continuação da escalada de violência e de crimes "legalizados" pelos discursos e práticas xenófobas que têm vindo a provocar.
Os seus acordos com o terrorista Sharon, que o levam a considerar que Israel tem direito a manter como seus os territórios anexados ao povo palestiniano, a proibir que os refugiados palestinianos regressem às suas terras, que israel pode e deve continuar com as execuções sumárias de dirigentes e com o extermínio do povo palestiniano, mostram claramente onde nos levará a vitória eleitoral de Bush.
Também as recentes declarações de Blair, que levou o seu país a fazer parte da coligação de "libertação militar" do Iraque, já fez saber que o seu exército de libertação permanecerá pelo menos 10 anos no terreno a libertar os iraquianos (talvez dos seus recursos naturais, já que do resto está a ver-se como tem sido).


GIN

Publicado por agineotonico às 07:22 AM | Comentários (1)

abril 20, 2004

Traz um amigo também

Publicado por agineotonico às 05:43 PM | Comentários (2)

Campanha pelos direitos educativos

"Crianças de todo o mundo uniram-se numa campanha pelos seus direitos educativos. Oriundas de 105 países, estas crianças participam na Global Campaign for Education, que denuncia que cem milhões de crianças em todo o mundo não vão à escola, pedindo aos seus líderes que façam mais por esses jovens."

Também
O programa de cooperação para o período de 2002 a 2006, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) optou por uma programação baseada no ciclo de vida. São três programas contemplando o Desenvolvimento Infantil (de 0 a 6 anos); a Educação para a Inclusão (de 7 a 14 anos); e a Cidadania dos Adolescentes ( de 12 a18 anos incompletos) e mais dois programas que atravessam todas as faixas etárias: Sistema de Garantias e Protecção; e Monitoramento e Comunicação pelos Direitos.


Estes programas propostos pela UNICEF, levantam a questão do alargamento do conceito de pré-escolar em Portugal, que apenas engloba as idades dos 3/6 anos, para os 0/6 anos, retirando-lhe o carácter filantrópico e assistencialista que caracteriza a intervenção, principalmente, dos 0/3 anos e atribuindo-lhe a perspectiva de Desenvolvimento.
Coloca a questão da "educação para a inclusão" nas idades dos 7/14 anos, porque é neste período que se decide o abandono escolar por razões relacionadas com o sentimento de rejeição e exclusão.
Define o programa de "Cidadania dos Adolescentes" para os jovens dos 12/18 anos, chamando a atenção para a necessidade de proceder, não apenas à inclusão escolar, mas já à inclusão na sociedade. Muitos dos jovens que enveredam por percursos marginais, estão nestas idades, são os que abandonaram as escolas, são os que abandonaram já a infância e estão na entrada da vida adulta e precisam de soluções que lhes permita integrarem-se na sociedade. Esta integração passa pela disponibilização de formação profissional e, em muitos casos, em colocação no mundo do trabalho .... já sei que sou uma poeta do caraças ...

Na verdade, tanto quanto me apercebo da situação destes jovens, esta fase de comportamentos a que chamamos de delinquentes ou marginais, parecem corresponder a uma fase de trânsição, a um processo de "integração social" com caracteristicas muitos específicas dessa população. A favor desta ideia está o facto de muitos destes jovens, quando arranjam trabalho ou constituem família, abandonarem esses comportamentos e terem uma posição francamente crítica face a eles. Poder-se-á dizer que, esses comportamentos que nós vemos como delinquentes, constituem-se mais como comportamentos de risco e de afirmação pessoal, do que propriamente comportamentos que eles entendam como de marginais. O problema é que, com a forte crise económica que se vive, estão cada vez mais reduzidas as alternativas para eles poderem proceder a essa integração. Assim, alguns conseguem, outros não.


GIN

Publicado por agineotonico às 02:39 PM

O Sonho de todos os Pais?

Publicado por agineotonico às 07:33 AM | Comentários (1)

Reino Unido vai pagar aos alunos para continuarem a estudar

Enquanto o Ministro da Educação falava aos jornalistas sobre as "escolas de referência" que vai criar para combater o abandono escolar, disse uma frase que me pareceu surpreendente. Disse ele que, os pais teriam que tomar consciência que investir dinheiro na educação dos filhos era uma aposta no futuro. Confesso que não pude deixar de sorrir perante esta estúpida afirmação. A maioria dos jovens que abandonam a escola, são jovens de famílias carenciadas que mal têm dinheiro para o dia-a-dia quanto mais para pagar a escola, mas não voltei a pensar nisso, ou antes, limitei-me a referir aqui num post a contradição entre a criação das escolas tecnológicas para combater o abandono escolar e o aumento brutal que o ministro tinha imposto às escolas profissionais, nomeadamente, à ETIC.

Lembrei-me dessa frase ao ler esta notícia:
"O projecto, baptizado de «ganha enquanto aprendes», visa combater o abandono escolar depois dos 16 anos de idade.
A medida tem estado a ser testada desde 1999 em 56 escolas, num total de 120 mil alunos, tendo-se verificado que o abandono escolar diminuiu consideravelmente: a participação dos rapazes com 16 anos aumentou 6,9% e nas raparigas 5,9%. Estima-se que cerca de 353 mil de um total de 666 mil alunos com 16 anos de idade venham a receber este incentivo já este ano e também em 2005."


GIN

Publicado por agineotonico às 12:35 AM

abril 19, 2004

Nasceu há oito anos na prisão


Tino é tão pequeno que não chega aos pedais, mas já roubou e várias vezes conduziu carros. "Puxo o banco todo para a frente", explica a rir. Teve acidentes, despistes graves. O Honda é a sua perdição. Tem dezenas de processos, por furto, roubo de viaturas com chave falsa ou arrombamento de canhão de fechadura.
...
Claudino fugiu várias vezes de casa. "O padrasto batia-me com o cinto e a trela do cão", conta muito baixinho. Uma noite foi encontrado a dormir no Mercado da Ribeira em Lisboa. Tem 12 anos e uma extensa lista de "ilícitos criminais" cometidos desde os 9 anos
...
Migas é dos miúdos mais temidos, um dos mais espertos, também. Nasceu há oito anos na prisão. A mãe foi condenada por tráfico. O pai desapareceu. Migas sai em passo acelerado da escola. Não tem nada para contar. "Quem os cria é o pessoal da rua", diz um rapaz mais velho. Os pais estão muitas vezes ausentes. Muitas crianças não têm o apoio dos pais, ou não têm pais.
...
Flávio conta os euros do espesso maço de notas que tira do bolso. "É preciso alimentar a vida, não é só para a fatiota." Tem os dois irmãos na cadeia, ídolos para os mais pequenos que se inspiram nas suas histórias de armas e perseguições. "A polícia nunca me vai apanhar" ... Tencionam manter a guerra à polícia. Um miúdo de 15 anos desabafa: "Um dia vou para o inferno. Mas antes de ir, vou matá-los. Eles são muito abusados." Dizem que os polícias entram armados, revistam as pessoas, em demonstração de força e de abuso de poder. "Eles não têm respeito pelas pessoas."
...
Algumas vivem na rua. Um dia participam num roubo, aprendem as regras do furto, entram no vício dos automóveis. Aos 9 anos, tornam-se indispensáveis, abandonam a escola ou são expulsos por faltas. Surpreendem-se ao volante de carros roubados, em aguerridas perseguições com a polícia. Vibram a contar essas histórias. Alguns ajudam os mais velhos a traficar.
"Já cheirei. Já roubei. Já matei."
...
Huco - Não se conforma com a condição humilde da família. "Tenho que orientar dinheiro." E os pais? A mãe não tem hora. O pai chega para lá da meia-noite. "Queria ter paz e dinheiro, fazer a minha vida feliz. Não queria ser pobre." Rouba para ter dinheiro, para comprar roupa, e outras coisas. Basta alguém dizer, "Vou buscar um carro. Alinhas?"
...
Culpam o Governo, a câmara, a polícia. Em poucas palavras dizem a sua revolta: "As pessoas não sabem ver as pessoas." Os pais - que muitas vezes os abandonaram - são os últimos em quem deixam de acreditar.

Têm saudades da vida que levavam na Pedreira dos Húngaros. "A polícia não entrava lá." Mas não é só por isso, explica um rapaz mais velho. "Aqui nós não temos voz." Queixam-se da falta de espaços verdes e de associações onde se organizavam convívios. "No meu bairro, tínhamos campo, tínhamos curso. Estamos aqui há cinco anos e não temos nada." Eram mais alegres. Um dia, deram-lhes uma chave. A mudança só tornou mais visível a ira da sua geração.
...
"Isto é uma podridão", desabafa Maria. Desde que se mudou para este bairro social, vive no medo que os seus dois filhos entrem nesse mundo oculto da delinquência e do tráfico que afinal se faz à vista de todos.
...
A delinquência não se restringe aos bairros sociais, onde há muitas famílias disfuncionais. Mas o realojamento em casas, depois das demolições de bairros de barracas como a Pedreira dos Húngaros, o 6 de Maio ou as Fontainhas, não acabou com os problemas. Pelo contrário. Poderá tê-los acentuado ou tornado mais visíveis.
...
Dave - O irmão ficou dois dias estendido no asfalto do casal Ventoso, em Lisboa. Dave foi encontrá-lo ao relento, de cabeça para baixo e braços abertos. As pessoas pensavam que dormia. Tinha morrido de overdose. "Nem chorei." ... Tem 21 anos, mas o corpo frágil de um adolescente. Podia ter completado os estudos, ter arranjado um trabalho. Aos 11 anos deixou a escola, desencaminhou para outra vida. "Se eu sou assim agora é porque já passei mal." Serve-se de mais um copo. "O meu pai já morreu, a minha irmã já morreu, a minha mãe já foi de cana e eu já passei fome." Naquele dia muita gente foi presa. A mãe também. Dave tinha cinco anos. Ela nunca vendeu nada a ninguém. "Mas guardava a 'cena' de outras pessoas num cofre grande." Com um gesto com os braços mostra o tamanho do cofre, que tinham na casa onde moravam na Pedreira dos Húngaros. Os vizinhos passaram a tomar conta. "De mim e da minha falecida irmã." A irmã morreu do vírus (da SIDA). O pai também."


GIN

Publicado por agineotonico às 11:56 PM

A maioria dos israelitas está cansada da ocupação

"ninguém pode dizer que a verdade é anti-semita. Está ou não Israel a fazer o que o livro descreve? As acusações de anti-semitismo são geralmente feitas pelos que querem silenciar a oposição. Se nos opomos aos actos do governo e do exército israelitas, dizem-nos que somos opositores dos judeus. Mas, pelo contrário, quando não se aceitam as críticas está-se a fazer automaticamente uma identificação entre o governo israelita e os judeus em todo o mundo
...
Eu creio que a maioria dos israelitas está cansada da ocupação e quer livrar-se dos territórios. Isto é o que as sondagens mostram repetidamente. Sessenta por cento dos israelitas aceitam o desmantelamento da maior parte dos colonatos e uma retirada quase total dos territórios. Ao mesmo tempo, porém, isso não tem influência sobre a política israelita. A liderança israelita habilmente transforma esta maioria numa minoria radical. É assim que se controlam consciências
...
Creio que pessoas com princípios morais também se sentiriam revoltadas, sobretudo os judeus. Porque os judeus foram perseguidos, não só durante o século XX mas ao longo de toda a História, deveriam mais do que ninguém ser sensíveis ao sofrimento que é infligido a outros pelo seu próprio povo. A nossa primeira responsabilidade, como judeus, é tomar consciência de que estamos a matar, a deixar morrer à fome, a expropriar terras de camponeses pobres."


GIN

Publicado por agineotonico às 10:51 PM | Comentários (3)

Escolas tecnológicas denunciam abandono do Governo

Tem sido claro que neste correr do “tacho para os amigos”, se tem vindo a disseminar as pequenas empresas de serviços nas margens da Função Pública e de outros Serviços Públicos; se têm criado lugares a que chamam “pessoal de gabinete”, “órgãos consultivos e de fiscalização”, "grupos de trabalho ou equipas de missão"; se tem procedido à nomeação de pessoas para quadros médios e superiores dos Serviços Públicos baseados em critérios de compadrio e não em critérios de capacidade e competência.
Chegou agora a vez de tentar perceber no que vão dar as propostas do Ministro da Educação sobre a criação das “15 a 20 escolas tecnológicas de referência” para combater o abandono escolar.

Rede nacional lamenta que proposta de criação de novas escolas não se articule com a já existente
Os responsáveis da rede nacional de 10 escolas tecnológicas (ET) tuteladas pelo Ministério da Economia estão descontentes com a forma como foi preparado o processo de criação, até 2006, de um conjunto de 15 a 20 novos estabelecimentos de ensino de referência ... este programa pretende reduzir para menos de metade, até 2010, a taxa de abandono precoce das escolas. Os responsáveis das ET lamentam que a experiência das actuais estruturas - criadas durante a década de 90 para responder às necessidades de quadros intermédios com formação técnica e tecnológica avançada e intimamente ligadas ao tecido empresarial - não tenha sido considerada no estudo e temem que a futura rede não tenha qualquer articulação com a que está no terreno.
É ingrato e um desperdício brutal de recursos humanos e 'know-how' que deveriam ser aproveitados", diz Eduardo Cardoso, coordenador da Escola de Tecnologia e Gestão Industrial, tutelada pela Associação para a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica. Esta ET é responsável pela formação anual de cerca de 200 quadros intermédios nas áreas da microbiologia, qualidade alimentar, qualidade ambiental e tecnologia alimentar.

Também Deolinda Portela, directora da Forino - Escola de Novas Tecnologias (que desenvolve a sua actividade de formação nas áreas de Organização Industrial, Telecomunicações e Redes e Energia e Automação) ... e que conta, entre os seus fundadores, com empresas dos grupos EDP e PT - sublinha o perigo de "nascerem cogumelos de cursos tecnológicos sem consistência, sem condições, sem um modelo definido", lembrando os efeitos nefastos da proliferação de licenciaturas no país."

É mesmo de perguntar quem vai estar à frente deste cogumelos que vão nascer ...


GIN

Publicado por agineotonico às 10:29 PM | Comentários (1)

Zapatero anuncia retirada imediata das tropas espanholas do Iraque

"O novo primeiro-ministro espanhol, que ontem prestou juramento, vai mesmo retirar as tropas espanholas do Iraque. A confirmação foi feita hoje, pelo próprio, num inesperado encontro com jornalistas em Moncloa: os soldados vão abandonar o Iraque "no menor tempo e com a maior segurança possíveis".
José Luis Rodríguez Zapatero fez da retirada das tropas espanholas que se encontram no Iraque — na sequência do apoio dado pelo seu sucessor, José María Aznar, à ofensiva militar liderada pelos EUA contra o defunto regime de Saddam Hussein — uma das suas grandes bandeiras durante a campanha eleitoral. Mais do que isso, comprometeu-se a realizá-la se vencesse as legislativas de dia 14 do mês passado. "


GIN

Publicado por agineotonico às 07:22 AM

abril 18, 2004

PARA QUE SERVEM OS BLOG

Publicado por agineotonico às 11:37 PM

O Luís Delgado quer dar com a palmatória no governo

"O amadorismo dos primeiros tempos do Governo já não tem razão para persistir. Dois anos depois, as falhas são imperdoáveis ... O último erro foi a escolha de Deus Pinheiro para as europeias ... Figueiredo Lopes, um homem excelente, mas nitidamente em dificuldades na gestão de crise, disse na sexta-feira o que nenhum ministro poderia dizer, muito menos o da Administração Interna: que em situação de grande agravamento, da situação no Iraque, e a pedido do comandante da GNR, poderia retirar as nossas forças do Iraque ... O PM não pode ser o eterno apaga-fogos dos erros de alguns ministros e da coligação." (ainda por cima se tivermos em conta que há muitos fogos postos pelos próprios membros do governo)

Precisamos do homens de barba rija, defensores da guerra e da musculação da democracia ... LUÍS DELGADO PARA O GOVERNO JÁ E DE PALMATÓRIA EM PUNHO!!!!


GIN

Publicado por agineotonico às 11:11 PM | Comentários (1)

Educação e vulnerabilidade (2)

Não é somente a família, como disse, já fragilizada pelo seu estado de miséria, que deve ser responsabilizada pela situação irregular das suas crianças e adolescentes. É o Estado, este sim, que deve utilizar mais recursos num trabalho efectivo de implementação de políticas de apoio social, de educação e de saúde, que são obrigações desse mesmo Estado.
A procura de medidas efectivas para protecção dos direitos da criança e do adolescente em situação de risco, têm sido simplesmente deixadas de lado. A rua é para estes uma alternativa, um espaço de perturbação criativa que permite escapar aos modelos de homogeneização impostos pela sociedade disciplinar, mas pode tornar-se também um meio por onde se resvala sem retorno para caminhos de destruição e morte.
É na tentativa de evitar esse desvio que se deveria centrar um trabalho de intervenção quer na sua componente de prevenção, quer na sua componente de remediação. Não através da tentativa de homogeneizar os comportamentos, mas respeitando as singularidades e investindo na descoberta de novas formas de resistência que, na procura de um efectivo exercício de liberdade, os ajude a pactuar com a Vida!
No nosso país, cresceu o número de meninos de rua e aumentou a prostituição infantil e outras formas de delinquência. A maioria das famílias das crianças em idade escolar continua sem as condições mínimas necessárias para as manter na escola, muitas famílias não têm o controle dos filhos, principalmente se o pai está desempregado. Não podendo sustentar a casa, ele perde o respeito que lhe tinham. Ele próprio se sente diminuído, ferido na sua dignidade. Como consequência, assiste-se ao aumento da violência.
Lidamos com um novo tipo pobreza, uma pobreza estrutural globalizada, resultante de um sistema de acção deliberada do poder, esse também, globalizado.
O processo pelo qual se gera o desemprego e as condições e remuneração do emprego torna-se cada vez pior, ao mesmo tempo que o poder público limita as suas obrigações de protecção social. Pode dizer-se que a divisão do trabalho e a ausência deliberada do Estado na sua missão social de regulação estão a contribuir para a globalização da pobreza. Os pobres deixam agora de se considerar as franjas marginais da sociedade. Engrossaram largamente as suas fileiras e passaram a ser excluídos, excluídos de direitos básicos até hoje considerados de direitos de cidadania.
Da história real, das dificuldades destas crianças/jovens poucos querem saber – o absurdo é considerado natural. Chama-se delinquentes, marginais, criminosos, aos alvos da maior miséria, da fome, da destruição, das doenças endémicas que ceifam vidas, aos alvos do não acesso à educação e à saúde, da negação ou violação das diferentes culturas colectivas, das dificuldades de acesso à Justiça e à existência de uma cultura jurídica que limita os seus direitos.
Falamos de cidadania, mas a cidadania implica um processo onde, embora se preserve a individualidade, os direitos e interesses de cada um se circunscrevem à razão pública e aos interesses colectivos. Por isso, o exercício da cidadania obriga a um esforço de superação de estereótipos, que se têm vindo a criar para ajudar a manter privilégios e para inibir as pessoas na obtenção dos seus direitos fundamentais.

Já não sei quem é que propôs, e com justiça, que se alterasse a máxima “os direitos de cada pessoa terminam onde começam os do outro”, para “os direitos de cada um terminam onde terminam os direitos dos demais”.


GIN

Publicado por agineotonico às 10:40 PM

Educação e vulnerabilidade

Hoje, apetece-me falar da infância, em particular dos meninos e meninas das periferias das nossas cidades, dos nossos bairros de realojamento que vieram substituir os bairros de lata. Apetece-me falar dos que foram e são violados, aviltados, achincalhados de todos os direitos e que, só por mero acaso, não foram privados do direito à sobrevivência (que falar de direito à vida seria excessivo).
Quero falar dos sobreviventes, daqueles que não morreram nos primeiros anos de vida, daqueles que têm agora entre 8 e 16 anos.
Eles imitam esta sociedade, reproduzem a forma como sentem que são tratados e, por isso, eles utilizam, por exemplo, os assaltos aos comboios, às pessoas, aos bens dos outros, eles destroem as escolas e agridem os professores, eles abandonam as escolas.
Na realidade, eles não querem destruir as escolas, porque é lá que têm alguns amigos, é lá que arranjam namoradas/os, é lá que, mesmo que inconscientemente, sentem que alguma coisa poderia vir a ser diferente e é lá que, muitas vezes, encontram alguns adultos/professores que os tratam pelo nome próprio e lhes servem de referência. Quando praticam a destruição das escolas, eles estão apenas a querer questionar as relações autoritárias que ali dentro se desenvolvem, aquela metodologia que não os ajuda, aqueles conteúdos que não lhes servem para a vida.
Ao serem marginalizados pelo sítio onde vivem, pelas condições de vida que têm, pelas suas dificuldades, pela imagem que a sociedade lhes devolve, estes meninos/jovens formam de si mesmos uma imagem negativa que constitui uma das causas para a permanência do problema. Esta auto-imagem acaba por os condicionar a um círculo vicioso, onde as suas experiências não se projectam para o futuro, pois pouco contribuem para as suas vidas fora do contexto das ruas, do contexto dos seus próprios bairros marginalizados.
A pobreza extrema, a desintegração familiar, a falta de alternativas e de suporte social, são factores que levam estes meninos/jovens a escolher as ruas e a abandonar a escola e, muitas vezes, as suas próprias casas.
Em muitos países, a consciencialização pública sobre as causas e as possíveis soluções do problema não se reflectem em medidas práticas, não passam das declarações de princípios dos responsáveis do poder, ou de imagens distorcidas fornecidas pela comunicação social.
Inventam-se uns programas de carácter assistencial, que se resume a “uns favores” do Estado, sempre temporários, sempre levados à prática por mão de obra barata (estagiários de cursos da área das ciências sociais), sempre sem qualquer perspectiva séria de implementação de medidas sócio-educativas (essas limitam-se a ficar no papel), de medidas que visem mudar o curso de vida destes jovens que se sentem encurralados.
Agora inventa-se a punição e responsabilização das famílias pelos actos dos seus filhos. Esta atribuição de responsabilidade significa um aumento da violência sobre estas crianças e jovens e visa apenas satisfazer o incómodo que causa a subida dos números da criminalidade, a vergonha dos números do abandono escolar.
O Estado, que tem vindo a degradar as condições de vida da população, pela mão dos responsáveis das pastas da Segurança Social, da Educação, da Saúde, da Justiça, tenta desresponsabilizar-se pela situação que ele próprio tem vindo a criar e torna as famílias no bode expiatório da sua política. O Estatuto da Criança e do Adolescente atribui ao Estado responsabilidades específicas no que diz respeito ao direito à vida, à saúde, à educação, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
Este estatuto da criança e do adolescente, atribui, também, às famílias essas competências e o dever de assegurar esses direitos. Mas muitas delas estão em tal situação de miséria e fragilizadas que seria necessário direccionar estruturas de apoio para as ajudar a lidar com a situação irregular dos seus filhos e não medidas punitivas e de culpabilização por uma situação que sai fora das suas capacidades.


GIN

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Publicado por agineotonico às 09:35 PM

KOSOVO - tiros entre polícias norte-americanos e jordanos

O incidente, entre polícias norte-americanos e jordanos, terá começado, segundo fonte citada pela Reuters, por uma discussão em torno da guerra do Iraque. De repente, os polícias começaram um intenso tiroteio entre eles, que durou cerca de dez minutos e provocou a morte de três polícias da ONU (duas mulheres norte-americanas e um jordano) e onze feridos, seis dos quais foram internados em estado grave no hospital local.
Os seis polícias internados foram submetidos a intervenções cirúrgicas de emergência, tendo quatro deles ficado nos cuidados intensivos do hospital de Mitrovica.
Um porta-voz da Polícia da ONU em Pristina, Neeraj Singh, confirmou o incidente, descrevendo-o como "um incidente armado entre membros da Polícia internacional".

GIN

Publicado por agineotonico às 02:36 PM

E calamos, calamos porque estamos presos a uma indefinição do conceito

A ocupação militar do Iraque, toda a gente sabe, nada tinha a ver com o 11 de setembro, nem com o combate ao “terrorismo”, nem com as armas de destruição maciça. A ocupação do Iraque, torna-se cada vez mais claro, faz parte de uma estratégia dos Estados Unidos de dominação do mundo. Como diz Luís Delgado, parafraseando Bush, "também não é difícil antever, se Bush ganhar as eleições, que países como o Irão e a Síria estarão na lista de prioridades políticas e militares da Casa Branca. Ou mudam como a Líbia, ou alguém os muda."

Não deixa também de ser curioso que, por exemplo, o blog mais lido neste nosso “clube” – Barnabé – nada tivesse dito sobre este último assassinato na Palestina, ou ainda o “BdE” que nada disse também, ou o “Grão de Areia” que fez uma referência sem grande tomada de posição terminando com um breve “a política israelita é para continuar e com o apoio claro dos EUA.” (dados recolhidos esta manhã).
Outros blog, fazem referências tipo “a única forma de acabar com o terrorismo é eliminar os líderes do terrorismo” e por aí fora ... não fui ver os blog de quem costuma beber um copo celebrando cada assassínio cometido por Israel.

Na comunidade internacional
"O secretário-geral condena o assassinato por Israel do chefe do Hamas Abdelaziz al-Rantissi", afirma um comunicado divulgado pelo porta-voz de Annan”, como se vê falam os “porta-voz”.

A União Europeia declarou ontem, após uma reunião dos seus ministros dos Negócios Estrangeiros ... que a retirada israelita da Faixa de Gaza proposta pelo primeiro-ministro israelita Ariel Sharon é "um passo significativo no 'Roteiro' para a paz”. Esta posição constitui um recuo da EU que, anteriormente, tinha considerado que estava fora de questão as afirmações de Sharon de não abandonar os territórios ocupados.

Com tudo isto, parece-me que Israel e os Estados Unidos, estão a conseguir levar à prática todas as suas intenções:
- misturar dentro do mesmo saco “os terroristas”, seja os que cometem um acto como o 11 de Setembro ou o 11 de Março, seja aqueles que integram organizações de países ocupados e alvo de violência militar sistemática como é o caso da Palestina;
- assassinar quem lhes apetece, porque não lhes passa sequer pela cabeça que toda a pessoa tem direito a um julgamento justo;
- prosseguir com a ocupação militar de qualquer território que cobicem;
- calar a boca a todos os cidadãos do mundo a pretexto que todos “os outros” não passam de terroristas e, por isso, alvos a abater justificadamente;
- aproveitar o passado do povo judeu para reforçar um estranho sentimento culpa que nos faz sentir permanentemente em dívida, para justificar as atrocidades cometidas por Israel sobre os palestinos e conseguir que se faça silêncio ou frágeis condenações dos seus actos.

Enquanto isso, vamos assistindo com algum mal estar a esta escalada de inqualificável violência e prepotência dos países mais poderosos militarmente, sobre pessoas e povos com menos capacidades militares.

E calamos, calamos porque estamos presos a uma indefinição do conceito de “terrorista” que nos impuseram, porque tememos que nos chamem radicais, que nos englobem no mesmo saco dessa indefinição.

Ficamos presos ao estereótipo de “civilizado”, de “ocidental”, de “democratas”, ficamos presos ao silêncio imposto pelos novos donos do mundo.

Sem dúvida que os novos donos do mundo nos têm sabido calar, nos têm sabido remeter ao papel passivo que lhes convém ....


GIN

Publicado por agineotonico às 12:15 PM | Comentários (2)

abril 17, 2004

Líder máximo dos xiitas faz sinal de stop aos EUA

LINHA VERMELHA Ayatollah Sistani avisa americanos que atacar as cidades santas de Najaf e Kerbala terá consequências incalculáveis

A mais alta autoridade xiita do Iraque, o ayatollah Ali Sistani, avisou a coligação que não irá tolerar um ataque contra as cidades santas de Kerbala e Najaf, onde está refugiado o líder dos rebeldes daquela comunidade, Moqtada al-Sadr.
Os comandantes norte- -americanos garantem que, santa ou não, Najaf será atacada e Moqtada al-Sadr morto ou capturado. Às portas da cidade, milhares de soldados aguardam apenas uma decisão política para vingar a morte das dezenas de camaradas caídos em combate em virtude das acções do Exército de Mehdi, as milícias às ordens do líder rebelde.
...
O representante de Sistani, o xeque Mehdi Karbalai, avisa os americanos: "A Marjaiya (suprema autoridade xiita) não pode impedir as forças de ocupação de violar a santidade de Kerbala e Najaf. Há linhas vermelhas que a coligação não pode passar. Se issosuceder, as consequências serão incalculáveis".
Karbalai foi mesmo mais longe: "Se a Marjaiya entender que a única via são as armas e o derramamento de sangue não hesitará em recorrer a meios mais eficazes para atingir os seus objectivos".


GIN

Publicado por agineotonico às 05:06 PM

A luta por um país mais justo


GIN

Publicado por agineotonico às 04:46 PM

Incentivo à "excelência" para atrair portugueses radicados no estrangeiro

Nem o neurocientista António Damásio, nem o físico João Magueijo, ambos portugueses radicados no estrangeiro, poderiam voltar ao país graças ao "complemento de estímulo à excelência" idealizado pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior (MCES) para contrariar a fuga de cérebros nacionais para países cientificamente apetecíveis. Porque nenhum deles tem cem (100) artigos publicados em revistas internacionais, critério de elegibilidade para se ser excelente e financiado por isso. Nem eles, nem Gary Backer, Prémio Nobel da Economia em 1992. Ou tão pouco um dos maiores cientistas políticos de sempre, Jurgen Habermas!
É com erros de apreciação como este que o novo "Modelo de Financiamento do Sistema Científico, Tecnológico e de Inovação" esta semana posto à discussão pública pela ministra e também cientista Maria da Graça Carvalho perde muito do carácter positivo que encerra."


GIN

Publicado por agineotonico às 04:32 PM

Poluentes químicos podem estar a mudar o sexo dos peixes


A poluição nos rios pode estar a causar uma mudança de sexo nos peixes.
Um estudo realizado por investigadores franceses veio revelar que os poluentes químicos estão a agir como hormonas femininas, perturbando as funções endócrinas e conduzindo a uma feminização dos peixes.
Os cientistas chegaram à conclusão de que as substâncias químicas de determinados detergentes industriais, bem como hormonas e medicamentos que os peixes ingerem, estão a agir como hormonas femininas.


GIN

Publicado por agineotonico às 04:04 PM | Comentários (1)

São uns ingratos

Reformados protestam contra a Política da Família
Reformados vindos de todo o país são esperados este sábado em Lisboa para se manifestarem às 14:30 horas, no Terreiro do Paço, em Lisboa. Os reformados vão protestar contra a Política de Família anunciada pelo primeiro-ministro, Durão Barroso.
As organizações dos reformados dizem que 100 medidas anunciadas pelo Governo para a Política a Família são uma farsa sem qualquer conteúdo prático.
Maria Vilar, presidente do MURPI (confederação que representa os reformados) apontou à TSF os motivos do protesto: «as reformas de miséria, o aumento do custo de vida, em especial dos bens de primeira necessidade, os cuidados de saúde que cada vez são menos acessíveis e mais dispendiosos, as deficiências dos transportes públicos subordinados exclusivamente à lógica do lucro, a insuficiente resposta dos poderes públicos às crescentes situações de dependência, isolamento, de solidão das populações do interior, a situação degradada nos lares de idosos».


GIN

Publicado por agineotonico às 03:13 PM | Comentários (1)

Equipamento das Forças Segurança para 2004

Publicado por agineotonico às 02:10 PM

abril 16, 2004

Governo fixa taxas moderadoras acima do limite legal


"Várias taxas moderadoras definidas recentemente em portaria do Ministério da Saúde são ilegais. São pelo menos 15 os casos irregulares e na sua maioria tratam-se de intervenções médicas prescritas com muita frequência. De facto, a partir de 13 de Setembro último, os preços cobrados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos utentes pela realização de exames tão comuns como análises ao colesterol, glucose (típico em diabéticos) ou ácido úrico (realizada na maioria das análises ao sangue e à urina) estão acima do valor permitido por lei. E estes não são os únicos exemplos ... Esta situação, que configura uma violação da lei, representa uma poupança de vários milhões de euros para o Ministério da Saúde, penalizando todos os utentes que, por opção ou impossibilidade financeira, recorram ao Serviço Nacional de Saúde."


GIN

Publicado por agineotonico às 10:59 PM

Ou se ajoelham todos ou ...

mandamos o nosso exército ... ou são Bushistas ou terroristas de pacotilha, das duas uma.

"Também não é difícil antever, se Bush ganhar as eleições, que países como o Irão e a Síria estarão na lista de prioridades políticas e militares da Casa Branca. Ou mudam como a Líbia, ou alguém os muda."
(Luís Delgado)


GIN

Publicado por agineotonico às 10:47 PM

Fazer túneis a olhómetro

O Eng. Mário F. Oliveira, em representação do IEP, informava, então, a Comissão que:
1. Não há em Portugal quaisquer normas, recomendações ou legislação sobre segurança em túneis;
2. As medidas que a Comissão Internacional de Peritos elaborou são, para Portugal, suficientes e satisfatórias;
3. O IEP e o estado português não parecem considerar propor alterações à proposta dos peritos;
4. Não há metodologias para análise e gestão do risco de acidentes e incêndios em túneis, em Portugal;
5. Portugal não tem, nem considera vir a ter, qualquer classificação dos túneis, em função do seu grau de risco;
6. O IEP não dispõe de informação estatística ou outra sobre incêndios, acidentes ou avarias, ocorridos em túneis portugueses.


GIN

Publicado por agineotonico às 10:31 PM

"Temos de assegurar que vamos dar aos iraquianos a oportunidade que eles procuram", declarou Blair.

"O chefe de Estado Maior das Forças Armadas norte-americanas, general Richard Myers, anunciou esta quinta-feira em Bagdade que os EUA vão enviar mais tropas para o Iraque. A situação de instabilidade que se vive no território levou também ao prolongamento da estadia de um contingente de cerca de 20 mil soldados por um período de três meses."


GIN

Publicado por agineotonico às 10:26 PM

Responsabilidade e Seguro Escolar


A menina de 7 anos que no ano passado foi baleada na cabeça, com um tiro desferido por um jovem que “brincava” com uma caçadeira, enquanto se encontrava no recreio da escola (Centro de Bem Estar Social do Pendão em Queluz), continua com a bala na cabeça. A criança começou a queixar-se que vê duas imagens, os pais foram informados que a bala poderia resvalar e cegá-la e os médicos consideram que ele deveria ser operada para retirar a bala. O pai tem 59 anos e é reformado, recebendo 208 euros, a mãe está desempregada e recebe 350 euros de subsídio de desemprego e o Hospital de Sta. Maria continua a enviar as contas.
Os pais não sabem que fazer – “às vezes atrasamos as consultas porque não temos dinheiro” – diz a mãe.
Existe Seguro escolar obrigatório mas não cobre estas situações: Exclusões – As ocorrências que resultem de actos danosos cuja responsabilidade, nos termos legais, seja atribuída a entidade extra-escolar;”


GIN

Publicado por agineotonico às 08:32 PM

Urgência recusa grávida

O Hospital de Torres Novas, recusou assistência a uma grávida no Serviço de Urgências. A senhora foi dar à luz, à porta do Quartel dos Bombeiros Voluntários ... neste momento, mãe e bebé, estão no Hospital de Abrantes.
Não sei qual a justificação apresentada para esta recusa (se é que poderá haver alguma), mas a verdade é que vamos começar a assistir a esta situação nos Hospitais SA. É que os SA procedem à transferência de doentes que possam vir a exigir grandes cirurgias e/ou tempo prolongado de internamento para outros hospitais – assim, manda a política de redução de custos e quem paga as ambulâncias não são eles. Muitos doentes a necessitar de intervenção médica urgente vão morrer neste empurra.
Como não há fiscalização independente dos hospitais, os médicos vão servir de bode expiatório do governo, como já está a acontecer, e a população aplaude porque não entende o comportamento pouco ético de alguns médicos e vê neles os culpados de todas as situações.


GIN

Publicado por agineotonico às 08:01 PM

Um bom exemplo

"Como medida preventiva para travar o surto de pneumonia, a Direcção Geral de Saúde promoveu o afastamento do infantário, até à cura clínica, das crianças cujas análises deram resultado positivo, para tentar cortar a cadeia de transmissão da infecção ..."
E o Ministro da Segurança Social garante a reposição do ordenado que vai ser descontado, ao abrigo da nova lei, a estas famílias que se vêm na necessidade de recorrer à baixa de curta duração?
Este é apenas um bom exemplo de como esta nova lei pode vir a ter repercussões graves na saúde pública e, em particular, na das crianças pequenas. Muitas destas famílias têm escassos recursos e condições de trabalho complexas e, por isso, tenderão a ignorar o estado de saúde dos seus filhos, a medicá-los para baixar a febre e a ir colocá-los nos infantários.


GIN

Publicado por agineotonico às 07:46 PM

Desconheço o autor deste artigo

A discussão acerca do número de médicos e enfermeiros necessários para assegurar os cuidados adequados aos doentes tem sido alvo de longas e por vezes estéreis discussões. De um lado estão os que trabalham directamente com os doentes defendendo maior dotação para melhor tratamento e do outro os gestores argumentando com os custos elevados dessa filosofia. Ainda está por encontrar de forma definitiva e consensual os rácios certos. Numa época de grandes mudanças de filosofia de gestão hospitalar em Portugal e de repetidos apelos à contenção de custos na saúde, importa analisar 2 artigos saídos no final do ano transacto no JAMA. Ambos abordam o tema da dotação de pessoal, quer de médicos quer de enfermeiros, na prestação de cuidados em diferentes áreas hospitalares.
Estes 2 trabalhos levantam diversas questões pertinentes.
A realidade da estrutura operacional das UCIs dos EUA é muito diferente das europeias. Estima-se que apenas 10% das UCIs norte-americanas tenham médico intensivista disponível em permanência, ao passo que na Europa em geral, e em Portugal em particular, mais de 80% das UCIs têm médico residente. Os resultados deste estudo confirmam outros já anteriormente publicados em que se demonstra que a presença permanente de um intensivista numa UCI diminui de forma significativa a mortalidade assim como o tempo de internamento [3-5]. Por tudo isto, e parafraseando Malcom Fisher, as UCIs “abertas” devem ser rapidamente encerradas. Doutra forma estamos a prestar aos doentes uma medicina de 2ª qualidade, que deverá ser considerada má prática médica.
Outro aspecto pouco claro no artigo prende-se com o que os autores consideraram intensivistas assim como a sua diferenciação. Ao falarmos de intensivista temos de pensar em 3 vertentes: 1) a formação específica e organizada, 2) a carreira estruturada que defina diferentes níveis de diferenciação técnico-profissional e 3) o regime de trabalho (preferencialmente em dedicação exclusiva). A realidade europeia é muito diversa. Em Portugal estamos numa fase de mudança em direcção ao reconhecimento pela parte do Ministério da Saúde da existência de sub-especialistas em Medicina Intensiva. Mas ainda muito está por fazer.
O segundo artigo, apesar de não ter sido realizado em UCIs, levanta o eterno problema relação doente-enfermeiro. O que fica demonstrado é que à medida que o número de doentes atribuídos a um enfermeiro aumenta observa-se um aumento paralelo da mortalidade. Neste aspecto em Portugal estamos razoavelmente bem nas UCIs com rácios doente-enfermeiro entre 2:1 e 3:1. No entanto, nas enfermarias a situação é completamente diferente, sendo nalguns hospitais de quase ruptura. Não é raro encontrar serviços de Medicina e Cirurgia com 2 enfermeiros no turno da noite para 25 ou mais doentes. Estes números dispensam qualquer comentário.
Em conclusão, estes trabalhos servem para demonstrar que a organização e dotação em pessoal, quer de médicos quer de enfermeiros, influencia de forma significativa a mortalidade dos doentes não só de cuidados intensivos mas também de enfermaria. A saúde é cara e os recursos não são inesgotáveis pelo que devem ser usados racionalmente. Contudo a sociedade tem que saber que preço está disposta a pagar pela sua saúde e os gestores dos nossos hospitais devem estar avisados do impacto que certas medidas de contenção de custos podem acarretar em termos assistenciais.
Nota final – O Serviço Nacional de Saúde Português apesar dos recursos físicos limitados, de alguma desorganização e descoordenação, das listas de espera, da falta de recursos humanos, etc., está em 12º lugar do ranking mundial da OMS (health system performance)

(http://www.who.int/whr2001/2001/archives/2000/en/pdf/
StatisticalAnnex.pdf pág 12) que engloba mais de 190 países, colocando o nosso SNS entre os melhores do mundo.


GIN

Publicado por agineotonico às 02:59 PM | Comentários (1)

Bem dizia eu que eles não queriam testemunhas

Ataque norte-americano a Falluja mata 15 iraquianos

Pelo menos 15 iraquianos morreram e mais de 20 ficaram feridos na sequência de bombardeamentos da aviação e da artilharia norte-americanas contra a zona oeste da cidade de Falluja.
A Associação de Clérigos sunita, que medeia o conflito, acusou os Estados Unidos de deitarem por terra o cessar-fogo na cidade.
Este bombardeamento é a violação mais grave do cessar-fogo acordado no início da semana, após vários dias de intensos combates que causaram centenas de vítimas mortais civis.
Várias áreas da cidade sofreram nas últimas horas os bombardeamentos lançados por aviões de combate e helicópteros que causaram graves danos materiais em Falluja, onde vivem cerca de 250 mil pessoas.
Desde sexta-feira que o Exército americano anunciara a suspensão da ofensiva, inicialmente para permitir que fosse prestada ajuda às vítimas. Entretanto tem reunido reforços em redor da cidade e exige que os guerrilheiros se entreguem e que os líderes da cidade detenham e lhes entreguem os responsáveis pelo assassínio de quatro americanos, mortos dia 31 de Março.
Por seu lado, as guerrilhas que têm combatido os americanos na cidade de Falluja exigem que os marines ponham fim ao cerco e que a segurança na cidade seja entregue às forças de segurança iraquianas.
Na quarta-feira tudo parecia bem encaminhado para uma resolução quando o líder xiita Moqtada Sadr renunciou às condições que tinha imposto para negociar e prometeu transformar a sua milícia num movimento político e submeter-se à Marjaya, a mais alta autoridade religiosa xiita. Com as mortes de hoje, porém, tudo parece ter regressado à estaca zero.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:31 PM

Ministério das Finanças facilita acesso da PJ às bases de dados fiscais

O Ministério das Finanças deu o seu assentimento, no início deste mês, ao projecto que vai permitir à Polícia Judiciária (PJ) aceder aos dados da administração fiscal e da Segurança Social para acções de investigação sem inquérito aberto ... a aprovação do Ministério das Finanças colide com a opinião que tinha sido manifestada pelo próprio Ministério das Finanças, nas reuniões interministeriais, em que foram levantados diversosobstáculos. Designadamente, à questão-base deste diploma, ou seja, a de permitir o acesso sem abertura de um inquérito em curso.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:24 PM

Num país de irregularidades é difícil governar

Centenas de alunos continuam à espera de apoio educativo
A secretária de Estado da Segurança Social garantiu ontem que os serviços do ministério se limitaram a «aplicar a lei» que regulamenta os subsídios para as crianças com necessidades educativas especiais. Em causa estão «irregularidades» detectadas que levaram ao corte nas atribuição destas ajudas - mas contestadas pelos pais que, desde o início do ano lectivo, esperam por apoio para quase 800 crianças, só no distrito de Viana do Castelo.
" ... trata-se apenas de «distribuir melhor» a verba disponível, apoiando «mais quem mais precisa» - contrariamente ao «equívoco mantido durante muitos anos de que se devia apoiar toda a gente da mesma forma». A responsável reconhece que «houve cortes» nos subsídios, já que as entidades que concedem este apoio passaram a «assegurar o rigoroso cumprimento da lei», apoiando «os agregados que, de facto, têm carências efectivas e para os quais se justifica essa prestação»
A mudança deve-se «à existência de situações de abuso», já que «a lei não estava a ser aplicada no sentido de apoiar estritamente quem precisa». Mas a secretária de Estado assegura que estão «cobertos os casos mais carenciados e as situações mais prementes».
Abusámos, levámos com a lei das baixas. Abusamos das doenças, perdemos direitos no acesso à saúde. Abusamos da comida, aumentaram-nos o custo de vida. Abusamos do trabalho, perdemos os empregos ... assim com os portugueses todos a abusar é difícil de governar este país.


GIN

Publicado por agineotonico às 12:32 AM

As jogadas dos números do Ministério da Saúde

"De acordo com dados do Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde, a que o JN teve acesso, as ARS de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte foram responsáveis por dois terços do total das despesas, calculado em 3256 milhões."
Esqueceram-se de informar os leitores que o ministro da saúde transferiu para as ARS as dívidas dos medicamentos do Hospitais SA.
Assim, é fácil de provar que as privatizações são menos dispendiosas, quando estudos em diversos países demonstram exactamente o contrário.

O presidente da Unidade de Missão dos Hospitais SA, José Mendes Ribeiro, afirmou esta segunda-feira que o facto de não ter incluído os custos dos medicamentos nas despesas daquelas unidades é «o modelo de comparticipação normal dos medicamentos». Mendes Ribeiro acrescentou ainda que «os hospitais não têm que suportar o custo dos medicamentos que são prescritos na consulta externa dos hospitais.


GIN

Publicado por agineotonico às 12:02 AM

abril 15, 2004

Celeste Cardona continua com deficiente percepção

Governo suspende pagamento de subsídio materno-infantil

Os funcionários com filhos menores de sete anos já não recebem desde Fevereiro o subsídio materno-infantil, de cerca de 15 euros. Os serviços sociais do Ministério da Justiça suspenderam o pagamento por falta de verbas.
A ministra da Justiça adiantou que não tem conhecimento da questão, mas garante que o problema vai ser resolvido.
Segundo disse uma fonte do gabinete da ministra à rádio TSF o pagamento do subsídio materno-infantil deve-se a problemas no processamento informático, sendo que a situação será regularizada ainda este mês.


GIN

Publicado por agineotonico às 11:55 PM

Palestina: 35% dos jovens querem ser kamikazes

Palestina: 35% dos jovens querem ser kamikazes

Mais de um terço dos jovens palestinianos com idades entre os 12 e os 13 anos, 35%, querem converter-se num mártir e morrer pela causa palestiana, revela um estudo do Centro de Saúde Mental de Gaza, que será publicado na próxima sexta-feira pelo semanário italiano Vita.
Segundo o estudo, 35% dos jovens que vivem naquele território querem ser kamikazes e sentem admiração pelos suicidas palestinianos, enquanto 66,9% já viram alguém morrer em consequência de um conflito armado.
O mesmo estudo revela que 83,2% das crianças já assistiram a tiroteios e homicídios e 32,7% sofre de traumas relacionados com a observação de actos violentos.


GIN

Publicado por agineotonico às 11:52 PM | Comentários (1)

Mandem o Luís Carvalho para o Iraque também

O mundo dito “ocidental” e “civilizado” anda indignado com o fundamentalismo islâmico, com o terrorismo islamita, com a violência popular nas cidades iraquianas que vitimam militares e civis em actos de extrema violência ...

Continua acusando de incivilizados: Os marroquinos, os sauditas, os iraquianos, os somalis, os palestinianos, hooligans ingleses do Heysel Park, irlandeses que espancaram até à morte polícias britânicos, kosovares que tentam eliminar a minoria sérvia e vice-versa, Os terroristas da Al-Qaeda, do Hamas, da Fatah, do Hezbolla, são iguais aos terroristas das Brigadas Vermelhas, do IRA, da ETA, da FNLC.

Cá na minha faltam aqui muitos nomes que Luís Carvalho considera de "civilizados" ... os "ocidentais" ...


GIN

Publicado por agineotonico às 11:45 PM | Comentários (2)

Quando não conseguimos crescer

Sem dúvida que as experiências por que passamos na infância e na adolescência deixam marcas que se reflectem na vida adulta. Muitos de nós conseguimos reconciliar-nos com esse nosso passado, sobretudo quando ele teve momentos muito dolorosos, conforme vamos avançando na vida. Outros, ficam presos às memórias desse passado e sentem vergonha do que foram porque não conseguiram reconstruir a sua auto-estima ... vivem num profundo estado de tristeza.
Vem isto a propósito de um artigo de Pedro Mexia na revista "Grande Reportagem" de 28 de Fevereiro sob o título "Um mundo que acaba. Ainda bem. Feira Popular, Elegia".
Pedro Mexia descreve uma infância e adolescência vividas como períodos para esquecer porque "da adolescência, essa, tinha forçosamente de estar acoplada a algo rasca e duvidoso, visto que foi o período mais lamentável que vivi ... o sonho do adolescente pobre de espírito, povoado de máquinas ... e de divertimentos que ignora serem tristes. Pensava espantado e mudo ... por aquela assombração de engenhocas, de fantasias, de creche à solta ... o comboio fantasma ... julgando que o medo era aquilo ... os tirinhos que me denunciavam a inépcia ... os carrinhos de choque ... a incomoda sensação de riso canibal das raparigas ... e depois, deixei de ir à Feira. Acabada a adolescência, atravessada a noite ... Agora, ao que parece, a Feira Popular vai para mais longe. Talvez para o Monsanto. Ainda bem. Longe da vista. Longe do coração."
Percebo e aceito que a Feira Popular possa despertar em Pedro Mexia memórias dolorosas, mas custa-me a aceitar que, por esse motivo, se centre sobre si mesmo e não questione o essencial da questão: a destruição do Monsanto, que Santana Lopes insiste em levar a cabo, e os interesses dos lobbies da especulação imobiliária que cobiçam aquela zona da cidade.


GIN

Publicado por agineotonico às 06:48 PM

O túnel das Amoreiras

Pelas notícias vindas a público, o túnel das amoreiras poderá ser uma ratoeira mortal.
Construído contrariando todas as normas de segurança, é mais uma construção típica que, tristemente, caracteriza o nosso país, onde não se exerce fiscalização e não se punem os culpados por estas irresponsabilidades.
Santana Lopes e os engenheiros responsáveis por esta obra podem dormir descansados. A recente decisão dos tribunais sobre a queda da ponte de Entre-os-Rios e as contínuas decisões que deixam impunes, no nosso país, as classes coladas ao poder económico, assegura-lhes que podem continuar a cometer este tipo de criminalidade.
Unir-nos-emos perante as televisões, onde estes irresponsáveis têm lugar cativo, a chorar os nossos mortos ...


GIN

Publicado por agineotonico às 02:40 PM

Nós temos provas

Dados recolhidos pela "FOCUS", confirmam que o governo arranjou tacho para "5900 boys": 1600 para "pessoal de gabinete", 2500 para quadros médios e superiores da Administração Pública, 1000 nomeações para "órgãos consultivos e de fiscalização", 650 para "grupos de trabalho ou equipas de missão" e outros 150 em "diversos" (categorias não englobáveis nas anteriores).
Refere ainda esta revista, que nestes números não estão quantificadas as nomeações de quadros das empresas públicas nem os administradores dos Hospitais SA.
Questionado o porta-voz do PSD, Pedro Duarte diz estar de consciência tranquila quanto a estas nomeações porque este governo tem sido o que mais tem feito "emagrecer o Estado".

Muitos de nós sabemos que é verdade, confirmamos e apresentamos provas concretas: os recibos dos nossos vencimentos dos últimos dois anos. Estamos ainda disponíveis para comprovar que mais coisas emagreceram com este governo .... também apresentaremos provas se necessário.

GIN

Publicado por agineotonico às 01:01 PM

Educação de Infância

A creche constitui-se, hoje, como um equipamento importante de resposta às necessidades da população como consequência das transformações sócio-economicas, das alterações nos modos de relações entre os indivíduos e de mudanças no exercício das funções das mulheres. Estas passam, cada vez mais, a trabalhar fora de casa, motivadas pela necessidade de contribuir para economia familiar, ou pelo desejo de realização profissional. Associado a isso, a migração em larga escala de populações rurais para os centros urbanos industrializados, a diminuição no número de elementos da família, a quebra na rede de apoio familiar e de vizinhança e um distanciamento físico e psicológico entre os diferentes membros (irmãos, tios, avós etc.), levam à procura de soluções para os cuidados da criança fora do espaço familiar, complementares à mãe. Mesmo as mulheres que não trabalham fora de casa, têm procurado um espaço de socialização para as crianças uma vez que contam com poucos recursos no espaço doméstico. Essas formas têm sido encontradas a diferentes níveis mas, fundamentalmente, através de creches ou amas.
Nesse contexto, duas questões se mostram especialmente relevantes e em conflito: a função da maternidade e a educação de crianças, especialmente nos primeiros anos de vida, em ambientes colectivos.
A concepção que prevalece na nossa sociedade é a de que o único cuidado capaz de prover as condições adequadas ao desenvolvimento do bebé é o prestado pela mãe no contexto da família. Assume-se o modelo de criação na família nuclear, constituída por mãe, pai, filhos e parentes mais próximos, como "natural", isto é, requerido por características próprias do ser humano. Contextos de desenvolvimento diversos, como o cuidado colectivo de crianças pequenas em creche, são encarados como "mal necessário", por constituírem um risco ao desenvolvimento sadio da criança e aceitáveis apenas naqueles casos em que a mãe ou a família não tem condições de criar o filho em casa. Contudo, esta visão tem vindo a ser contestada especialmente a partir de estudos que procuram demonstrar de que maneira ela se encontra influenciada por práticas, concepções e valores sociais, constituídos historicamente. O exercício da maternidade nos moldes como conhecemos hoje é relativamente recente na história da humanidade. As mudanças estão intimamente associadas às transformações económicas e sociais que ocorreram através das épocas nas várias sociedades e, em particular, na família. Assim, a estrutura de certas sociedades ou grupos sociais promove um cuidado mais compartilhado das crianças pequenas, com crianças mais velhas, adolescentes e adultos, com ou sem grau de parentesco, colaborando nesta tarefa. Já na sociedade ocidental moderna predomina o modelo de família nuclear, com uma frequência cada vez maior de mães e/ou pais solteiros ou divorciados, famílias agregadas com filhos de diferentes casamentos, famílias com filhos adoptivos, famílias de homossexuais, etc. Há grandes diferenças também na forma como o Estado concebe a responsabilidade pela educação da criança. Por um lado, temos países como os Estados Unidos e a Inglaterra, que atribuem essa função exclusivamente à família e dão-lhe uma conotação de mal necessário, por outro temos países que propõem que essa responsabilidade seja compartilhada entre as famílias e o Estado.
Em Portugal, as importantes transformações sociais iniciadas com o 25 de Abril, deu origem a movimentos que exigiram ao Estado um auxílio de qualidade na educação dos seus filhos. Através dessas lutas, para além do aparecimento de inúmeras instituições de acolhimento de crianças (creches, jardins de infância e outras situações), conseguiu-se que fosse consagrada na lei a Educação Pré-Escolar como um direito da criança, um dever do Estado e uma opção da família, tirando-lhe assim a conotação meramente assistencial, típica dos momentos anteriores.
Aqui, como em muitos outros países, a creche desempenhou, através dos anos, actividades de carácter predominantemente assistencialistas e filantrópicas de apoio às mães integradas no mundo do trabalho, ou como forma de combate à pobreza e à mortalidade infantil, envolvendo situações de grande miséria e desestruturação familiar. Assim, a rotina de funcionamento da maioria das creches centrou mais a sua atenção na guarda e nos cuidados físicos da criança, do que na educação e na procura de um desenvolvimento global adequado.
Este percurso persiste na consciência da colectividade e leva à atribuição de funções á creche bastante desfasadas da realidade, não só porque as várias classes sociais passam a considerá-la como alternativa, como porque a psicologia da 1ª infância tem feito progressos notáveis no conhecimento desta fase da vida.
Por outro lado, esta visão colectiva das funções da creche faz com que o Estado se tenha desresponsabilizado totalmente por estes equipamentos. O Ministério da Educação apenas reconhece a existência de crianças a partir de 3 anos de idade, penaliza os educadores que trabalham em creches (o tempo de serviço aí prestado não conta para progressão na carreira, os ordenados são mais baixos) e atribui ao Ministério da Segurança Social e do Trabalho a competência de equacionar as necessidades sociais das crianças dos 0 aos 3 anos. Este Ministério, por sua vez, atribui aos privados a criação de respostas e não faz qualquer tipo de fiscalização.
Como a formação tende a organizar-se em resposta às necessidades do mercado de trabalho, as escolas de formação inicial de educadores de infância não dão qualquer preparação para o trabalho em creche que, sem qualquer dúvida, exige uma formação específica apurada e profissionais bem treinados porque vão lidar com crianças de idades extremamente vulneráveis.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:02 AM

abril 14, 2004

Celeste Cardona continua uma vez mais

com "deficiente percepção da informação"

43 juízes viram cancelada a tomada de posse por falta de dotação orçamental.
"Por deficiente percepção da informação" (diz a própria ministra) não se apercebeu de que tinha de comunicar ao Conselho Superior de Magistratura que as verbas para o pagamento dos vencimentos dos novos juízes estariam disponíveis.
Mas também, que raio, eles recebem ordenado???


GIN

Publicado por agineotonico às 02:01 PM | Comentários (2)

Acordos entre Sharon e Bush

Futuro do Iraque e Médio Oriente «estão estreitamente ligados» diz Bush
A sério????? Não é que ainda não tínhamos estabelecido esta relação!!!!!!

E para provar que assim é, desenha-se mais uma solução para o médio Oriente.

"Sharon revela seus planos de colonização antes da reunião com Bush
09h15 - Jerusalém - O primeiro-ministro Ariel Sharon prometeu reforçar os blocos de colonização judeus na Cisjordânia ocupada antes de apresentar, nesta quarta-feira ao presidente americano George W. Bush, o seu plano de retirada da Faixa de Gaza. Sharon, que chega nesta terça-feira a Washington, quer obter dos Estados Unidos o mais claro apoio possível para manter essas colónias em território ocupado, destacando que é indispensável para que o seu partido, o Likud, aceite a retirada de Gaza.
A Autoridade Palestina denunciou imediatamente as declarações de Sharon, qualificando-as de "receita para destruir o processo de paz". "O que Sharon diz é extremamente grave e o mundo tem de saber o que pretende conseguir como recompensa por manter a ocupação e a colonização", declarou à AFP o ministro palestino encarregado das Negociações, Saeb Erakat.
Na segunda-feira à noite, Sharon se comprometeu a "manter sob controle de Israel" seis blocos de colonização na Cisjordânia, a leste de Jerusalém, no sector anexado e ocupado. As colónias que se manteriam sob controle e protecção de israel no interior do território palestino são Maalé Adumin, Kiryat Arba, perto de Hebron (sul), a colónia judia no interior da cidade palestina de Hebron, o bloco de Gush Etzion (sul), a colónia de Ariel e outros blocos em torno da colónia de Givat Zeev, ao norte de Jerusalém. É a primeira vez que Sharon especifica os blocos de colónias que Israel espera manter na Cisjordânia. Nelas vive a grande maioria dos 220.000 colonos judeus instalados em território da Cisjordânia, sem contar os 200.000 habitantes israelitas de Jerusalém leste, anexado depois da conquista em junho de 1967.
Por outro lado, Sharon também anunciou que o controverso muro da vergonha, em construção na Cisjordânia, rodearia Maalé Adumin, a maior colónia israelita, a uma dezena de quilómetros do centro de Jerusalém.
Os Estados Unidos apresentam uma solução difusa, segundo a qual qualquer acordo permanente sobre o conflito israel-palestino deveria "levar em conta realidades demográficas" no terreno, mas sem se comprometer claramente, como deseja Sharon, na manutenção dos grupos de colónias.
Entretanto, autoridades israelitas minimizaram a importância dos desentendimentos, estimando que Sharon e Bush vão superá-los durante seu encontro. O número dois do Governo, Ehud Olmert, disse que Sharon pedirá aos Estados Unidos a garantia de que Israel "manterá a sua liberdade para lutar contra o terrorismo" depois de uma retirada da Faixa de Gaza."

(Da France Presse)


GIN

Publicado por agineotonico às 01:46 PM

Que se está a tramar no Iraque?

Pode ser por desconfiança minha, mas acho que se está a preparar uma agressão massiva no Iraque.
1) O Hotel Palestina voltou a ser alvo de bombardeamento por parte de tropas americanos, tendo sido assassinados mais dois jornalistas.
2) O primeiro-ministro, Durão Barroso, aconselhou esta terça-feira os civis portugueses a abandonar o Iraque, lembrando a «situação extremamente grave» que se vive no país.
3) O governo francês recomendou «formalmente» esta terça-feira aos seus cidadãos que se encontram no Iraque a abandonar o país, segundo anunciou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. «Recomendamos formalmente aos franceses que ali se encontram que abandonem o Iraque e às pessoas que pretendam viajar para o país que adiem a sua viagem», declarou Hervé Ladsous em conferência de imprensa.
4) A sociedade russa Tekhnoprom, que emprega 370 pessoas no sector energético no Iraque, anunciou esta terça-feira que vai evacuar todo o pessoal. «Todos os empregados da nossa companhia, 370 pessoas, estão a ser evacuadas», anunciou o gabinete de imprensa da Tekhnoprom.
5) Alemanha pede aos seus cidadãos que abandonem o país, dando um sinal claro de que a coalizão perdeu o controle da segurança na região.
6)A Embaixada da Espanha no Iraque também emitiu um conselho aos cidadãos espanhóis no país para que tomem todos os cuidados necessários e que evitem passar por estradas.

Estas decisões tomadas pelos diferentes países, apontam no sentido de se correr de lá com todas as possíveis testemunhas.
As notícias de hoje dão conta que os EUA estão a concentrar forças em Najaf e, assim, as dúvidas passam a preocupação crescente.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:16 PM

Reforma na Educação e Literacia

Os livros estão caros, os jovens não lêem nem vêm a importância disso, as obras de referência são grandes e chatas, apareceram muitas edições com resumos simplificados das leituras obrigatórias na escola. Como o abandono escolar é grande no nosso país, o resultado dos estudos sobre a literacia são escandalosos, a União Europeia aponta o dedo aos nossos resultados, o Ministro da Educação está preocupado, não em tomar medidas concretas, mas em apresentar estatísticas que dizem que as coisas estão melhores, proponho a edição de resumos de forma a que se possa referir, nas referidas estatísticas, o número de obras de referência que os nossos alunos lêem por ano.
Eis alguns exemplos:

1) Marcel Proust. À la recherche du temps perdu. Paris, Gallimard, 1922 (1ère edition) - À procura do tempo perdido. Livros do Brasil, Colecção Dois Mundos), 1965
Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de asma
porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos. Tudo
termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito velhinhos e pronto.

2) Leão Tolstoi, Guerra e Paz, (1800 páginas)
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade Moscovo. A rapariga casa-se com outro.
Fim.

3) Luís de Camões, Os Lusíadas (várias edições), versão portuguesa de João de Barros)
Resumo: Um poeta com insónias decide chatear o rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa porreiraça), têm o justo prémio numa ilha cheia de gajas boas.

4) Gustave Flaubert, Madame Bovary, (378 páginas)
Resumo: Uma dona de casa engana o marido com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do talho, o merceeiro, e um vizinho cheio de massa. Envenena-se e morre.

5) William Shakespeare, Hamlet, Londres, Oxford Press
Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre, assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.

6) Anónimo colectivo. Novo Testamento (4 versões)
Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de pescadores.
Por causa de um bufo, é preso e morre.


GIN

Publicado por agineotonico às 12:58 PM | Comentários (1)

Os Estados Unidos estão orgulhosos

por conduzirem "os exércitos da libertação" no Iraque e no Afeganistão, diz o Presidente norte-americano.
Que aconteceria se fossem um exército de ocupação???

LIBERTAÇÃO DO IRAQUE
"Os marines norte-americanos bombardearam hoje uma mesquita em Fallujah, a oeste de Bagdad, onde estavam entrincheirados pelo menos 40 combatentes da resistência sunita contra a presença norte-americana no Iraque, anunciou um responsável americano."

"A Liga Árabe condena as "agressões" que fizeram "mais de 500 vítimas entre os civis" no Iraque ... O responsável qualificou os combates no Iraque como "inaceitáveis e extremamente graves", salientando que a situação poderá ter "repercussões negativas" ... estes responsáveis apelaram ao fim imediato dos combates e ao levantamento do cerco imposto pelas forças americanas na cidade de Falluja".

"Em Kirkuk, oito iraquianos morreram em confrontos entre soldados americanos e manifestantes que protestavam contra a intervenção militar em Fallujah"

"O comité internacional da cruz vermelha (CICV) manifestou- se extremamente alarmado com a escalada da violência em todo o território iraquiano e apelou aos beligerantes para que respeitem a população civil e os estabelecimentos hospitalares. O CICV receia que a situação humanitária, já precária, se deteriore no pais, sublinha a organização num comunicado divulgado hoje, em Genebra. O CICV afirma estar particularmente preocupado com o numero crescente de vitimas e com as dificuldades encontradas para lhes fornecer serviços essenciais, nomeadamente cuidados médicos"
"Uma reportagem no diário Washington Post afirma que a unidade com 620 homens recusou um chamado para ir a Falluja após ter sido alvo de tiros num bairro xiita de Bagdad."

LIBERTAÇÃO DO AFEGANISTÃO
"Cabul - Num grave incidente que ameaça o processo de pacificação do Afeganistão, a milícia do senhor da guerra usbeque, Abdul Rashid Dostum, ocupou hoje a cidade de Maimane, capital da província nortista de Faryab, informou o ministro do Interior afegão, Ali Ahmad Jalali. Em outro incidente não menos sério, sete pessoas morreram em confrontos no sul do país, entre os quais quatro soldados do Exército afegão"

"Segundo o ministro do Interior, cerca de 2 mil homens controlam a província, forçando a retirada do governador, Anauatula Anayat, e de chefes militares leais ao governo central de Cabul. "A ocupação é uma flagrante violação da Constituição afegã", disse o ministro. O ministro do Interior não se referiu a baixas nos combates ocorridos durante a ocupação, mas a imprensa local menciona grande número de mortos e feridos."

“Um relatório da organização para os direitos humanos, Human Rights Watch, que foi lançado na ultima segunda-feira, não poupa os Estados Unidos de duras críticas no que diz respeito a sua actuação no Afeganistão. O órgão afirma que as tropas norte-americanas que actuam no Afeganistão, desde a invasão neste país em retaliação aos atentados de 11 de setembro, fazem uso de extrema violência, custando a vida de civis sem nenhuma justificativa. As tropas americanas se utilizariam de tácticas militares , incluindo acções mortais sem terem sido provocados para tal. O documento de 59 páginas, é fruto de investigações feitas pela organização entre 2003 e o início deste ano, em solo afegão e no Paquistão. Também os meios adotados pelos norte-americanos para chegar a estes suspeitos teriam atingido graus extremos. O Human Rights Watch escreve no documento que a atuação dos Estados Unidos custou a vida de 300 civis, que poderiam ter sido poupados."

"A New Yorker desta semana publicou uma reportagem do Sy Hersh mostrando as mentiras da campanha do Afeganistão e como os erros na estratégia militar comandada pelo Rummy levaram a mais um atoleiro que o exército mais poderoso do mundo também não deve conseguir sair tão cedo.
Meanwhile, the United States continued to pay off and work closely with local warlords, many of whom were involved in heroin and opium trafficking. Their loyalty was not for sale but for rent. Warlords like Hazrat Ali in eastern Afghanistan, near the Pakistan border, and Mohammed Fahim had been essential to America’s initial military success, and, at first, they had promised to accept Karzai. Hazrat Ali would be one of several commanders later accused of double-crossing American troops in an early, unsuccessful sweep for Al Qaeda, in 2002. Fahim, now the defense minister, is deeply involved in a number of illicit enterprises.
Combatentes leais a Zaher Naib Zada, um chefe de guerra da região de Herat, no oeste do Afeganistão, mataram ontem o ministro da Aviação do país, Mirwais Sadiq, desencadeando uma onda de violência com armas pesadas e com tanques na qual cerca de cem pessoas morreram, segundo disse Zada à agência de notícias Associated Press. ... A morte de Sadiq, filho do poderoso governador de Herat, Ismail Khan, que era um dos líderes da Aliança do Norte (grupo liderado por chefes de guerra que contribuiu ativamente para a deposição do regime do Taleban), tende a deixar ainda mais instável a situação na região. Sadiq foi a terceira autoridade assassinada nos últimos tempos ... Trabalhadores internacionais que lidam com ajuda humanitária disseram, também por telefone, ter ouvido muitos tiros e explosões. Funcionários da ONU tiveram de ficar escondidos no prédio da organização na região."

RESPOSTA DO EXÉRCITO DE LIBERTAÇÃO
"Diante de todas as críticas, um porta-voz do exército americano no Afeganistão se manifestou, negando todas as acusações. Ele afirma que a organização não levou em conta a instabilidade em que o Afeganistão se encontra. A Casa Branca também se manifestou na questão contestando o conteúdo do relatório"


GIN

Publicado por agineotonico às 12:04 AM

abril 13, 2004

O aumento dos pensionistas

Pensionistas são aumentados

Bagão Félix anuncia o fantástico aumento dos pensionistas. Nem mais nem menos que 2% de aumento, o equivalente a pouco mais que 4 euros ....
Que festarola vai ser naquelas casas ... com esta maravilhosa medida de convergência das pensões com o elevado ordenado mínimo nacional. Agora é que vai ser poupar e amealhar.


GIN

Publicado por agineotonico às 11:36 PM | Comentários (2)

(NO COMMENTS)

Publicado por agineotonico às 10:22 PM | Comentários (4)

Bush proibido de aparecer na TV e rádios americanas

Câmara dos Representantes dos EUA agrava multas por indecência na TV e rádio
Washington - A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos da América (EUA) aprovou esta quinta-feira um decreto de lei que agrava em 18 vezes o valor máximo da multa por indecência contra as emissoras de televisão e rádio.


GIN

Publicado por agineotonico às 07:10 PM | Comentários (1)

C.E. de 50 escolas com processos disciplinares

50 Conselhos Executivos de Escolas da Grande Lisboa, estão a ser alvo de processos disciplinares.
O governo prepara-se, sem dúvida, para criar a instabilidade necessária de forma a surgirem as Escolas SA, com gestores escolares nomeados à sua escolha, bem pagos e com a competência que se lhes reconhece ...


GIN

Publicado por agineotonico às 06:41 PM

SEM compromissos" para a família publicados hoje em Diário da República

As cem medidas anunciadas em Março pelo Governo para "uma política de família coerente e articulada" foram hoje publicadas em Diário da República. Entre elas destacam-se o apoio ao ensino especial e à criação de centros de noite para idosos.”
E como "A família constitui, desde sempre, uma célula fundamental da sociedade e assume uma preponderância decisiva no desenvolvimento integral das pessoas, com repercussões no desenvolvimento harmonioso das comunidades em que se integram, sendo imperioso reconhecer as funções específicas que desempenha e estimular a realização plena dessas funções", o governo para além das que, neste diploma tem em “intenção”, tem vindo a pôr na prática algumas medidas fundamentais de apoio às famílias: aumento do desemprego, congelamento dos salários, aumento dos preços dos serviços e bens de saúde, descongelamento das rendas de casa, aumento nos bens essenciais, promoção da prevenção em saúde através da nova lei das baixas que penaliza fortemente as jovens mães que têm os seus filhos doentes, enfim ... um conjunto de medidas coerentes, articuladas e facilitadoras da vida em família e de incremento da natalidade.


GIN

Publicado por agineotonico às 04:06 PM | Comentários (1)

Direitos dos animais

A Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais entregou ao Ministério da Agricultura uma petição com 10 mil assinaturas a favor de uma legislação que salvaguarde condições mínimas no transporte dos animais.


GIN

Publicado por agineotonico às 01:43 PM

Os muros estão na moda

Chegou ao Brasil a empreitada dos muros. As favelas do Rio de Janeiro vão ser isoladas através da construção de muros de 3 metros de altura, devidamente policiados. O responsável governamental por esta medida, nada menos que o vice governador do Rio de Janeiro, considera que a delimitação das favelas vai favorecer os seus moradores e a população.
Em breve viveremos aprisionados na nossa própria vergonha.

GIN

Publicado por agineotonico às 01:35 PM

Problemas de visão ou perturbação mental?

O Governo de Madrid recomendou aos jornalistas espanhóis que cobrem a ofensiva militar em curso no Iraque para abandonarem o país, na sequência da morte do repórter de imagem da estação televisiva espanhola Tele 5. Ao mesmo tempo, pediu "explicações" aos EUA.

Dois jornalistas morreram hoje na sequência de um ataque, levado a cabo por um tanque norte-americano, contra o Hotel Palestina, em Bagdad, que alberga muitos dos jornalistas que se encontram a cobrir a guerra. Para além do espanhol José Couso, também o operador de televisão ucraniano Taras Protsyuk, que trabalhava para a Reuters, morreu no incidente.
...
Na sequência da morte dos dois jornalistas espanhóis, o Ministério da Defesa de Madrid entrou em contacto com os responsáveis dos órgãos de comunicação social do país e pediu-lhes para apelarem aos repórteres para saírem do Iraque, já que correm o risco de se transformarem em "alvos militares".
...
Segundo o Comando Central norte-americano (Centcom), que já lamentou a morte dos jornalistas, as forças norte-americanas responderam a "tiros inimigos significativos, provenientes do Hotel Palestina". Esta versão foi contrariada por um repórter do canal de televisão francês France 3, Hervé de Ploëg, que filmou a cena e garante não ter ouvido "nenhum tiro em direcção ao tanque", que disparou contra o hotel. Do ataque resultaram ainda três jornalistas feridos.

Nem só de Espanha vieram os protestos. As organizações profissionais de jornalistas condenaram o sucedido e pediram também explicações a Washington. A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) considerou mesmo o acto um "crimes de guerra". Por seu lado, os Repórteres Sem Fronteiras protestaram contra "o que parece ser um acto deliberado do Exército americano".


GIN

Publicado por agineotonico às 12:18 AM

Com as peles novamente na moda, a caça retomou o antigo vigor

A maior caçada dos últimos 50 anos
Canadá autoriza abate de 350 mil focas

Os caçadores de focas canadianos começaram hoje, na Terra Nova, o maior abate de focas dos últimos 50 anos, depois do Governo ter autorizado a morte de mais de 350 mil animais. Movimentos ambientalistas e dos direitos dos animais já avançaram os protestos.
Otava alega que a campanha é economicamente justificada e nega quaisquer fragilidades a nível ecológico. Além disso, a partir de agora, a matança das focas tem novas regras, segundo as quais estas não devem ser espancadas até à morte mas baleadas, noticia a BBC online.
A caça anual ocorre na região de Newfoundland e Labrador e no ano passado foram abatidos 300 mil animais.
Em 1972, os Estados Unidos suspenderam as importações de produtos derivados destes animais e, uma década depois, a União Europeia avançou com a proibição de importações de peles de foca.
Como resultado, o Governo canadiano reduziu as quotas de caça para 15 mil por ano, principalmente para consumo de carne e artesanato local. Mas, com as peles novamente na moda, a caça retomou o antigo vigor. No ano passado, o Canadá voltou a aumentar as quotas, permitindo a matança de um milhão de focas no espaço de três anos.

John Efford, ministro canadiano dos Recursos Naturais, sublinha que muitos protestos estão errados. Segundo Effor, a população de focas estava a crescer demasiado e os recursos pesqueiros a desaparecer.

Vários movimentos ambientalistas já iniciaram campanhas onde apelam ao boicote do turismo no Canadá. "Filmámos e presenciámos focas a serem esfoladas vivas", disse Rebecca Aldworth, do International Fund for Animal Welfare (Ifaw). Esta organização critica ainda o Governo canadiano por adiar a entrega de licenças para os activistas presenciarem os abates.

GIN

Publicado por agineotonico às 12:10 AM

abril 12, 2004

Infecção hospitalar


Os primeiros hospitais eram considerados insalubres e a sua população estava restringida a inválidos e excluídos, onde era prestada uma assistência mais humanitária que científica.
O desenvolvimento da microbiologia que permite comprovar a etiologia microbiana das doenças infecciosas e, principalmente, o desenvolvimento do controle de infecção hospitalar, estão na origem dos hospitais modernos, finalmente considerados seguros para o exercício profissional de clínicos, cirurgiões, enfermeiros entre outros, que podem congregar esforços para a recuperação da saúde humana.
Se anteriormente os microorganismos venciam em decorrência da precariedade do atendimento e dos escassos recursos, hoje proliferam, muitas vezes, em consequência da crescente sofisticação e com custos cada vez mais elevados.
A grande maioria das infecções hospitalares têm origem endógena (são processos infecciosos adquiridos no ambiente hospitalar), elas ocorrem fundamentalmente devido ao desequilíbrio entre flora microbiana normal de um doente e seus mecanismos de defesa (microbiota). Esse desequilíbrio é provocado por determinadas doenças responsáveis pela hospitalização, a que se juntam a utilização de procedimentos invasivos que constituem “portas de entrada” de microrganismos e a pressão selectiva a favor dos germes resistentes, exercida pelos antibióticos.
A infecção exógena é limitada pela pequena capacidade que estes microrganismos apresentam de sobrevivência no meio ambiente, na ausência de matéria orgânica que favoreça a sua proliferação, principalmente sangue, secreções e excreções eliminados pelos pacientes. A transmissão cruzada de infecções ocorre, essencialmente, pelas mãos da equipe ou por artigos recentemente contaminados pelo paciente. É fácil de concluir que muitas, embora não todas, das infecções hospitalares são evitáveis.
É por estas razões que todos os hospitais têm, obrigatoriamente, Comissões de Controle de Infecção Hospitalar. Só que, a maioria das vezes, os membros que constituem estas comissões aceitam que o seu nome faça parte da comissão, mas não exercem qualquer função nesse sentido. Pode dizer-se que são mais uma comissão administrativamente formalizada porque é obrigatória.
Embora a ocorrência de um episódio de infecção hospitalar não signifique automaticamente falta de qualidade dos serviços, a qualidade dos serviços de apoio constituem uma importante condição para a prevenção e controle de infecção hospitalar. Resumidamente, a equipe que coordena as acções do controle de infecção hospitalar deve ter entre as suas principais atribuições: actualizar-se teoricamente sobre o tema, servindo de apoio científico-legal de toda comunidade hospitalar; avaliar todos os cuidados prestados directa ou indirectamente ao paciente a fim de se identificar problemas e apontar soluções; medir o risco de aquisição de infecção hospitalar, avaliando prioridades para o seu controle, auxiliando toda comunidade hospitalar na aplicação de recursos técnicos financeiros; verificar a necessidade de programas educativos e colaborar na sua execução e servir de intermediário das relações do hospital com as autoridades sanitárias.

A todas estas questões, juntam-se outras que assumem hoje outra dimensão: por um lado, com o envelhecimento da população, a nossa sociedade torna-se progressivamente menos resistente às infecções resultando num maior número de pacientes graves, em extremos de idade, com necessidade de cuidados assistenciais de qualidade e, por outro lado, as recentes vagas de privatização dos serviços de saúde, entram em conflito com a necessidade de despender verbas consideráveis na prevenção das infecções hospitalares.

Ainda muita tinta há-de correr sobre este assunto nos tempos mais próximos ...

GIN

Publicado por agineotonico às 11:02 PM | Comentários (2)

Tuberculose e Constituição

A directora clínica dos Hospital de Torres Vedras mais 60 profissionais de saúde vão apresentar, na Assembleia de República, um pedido de alteração da Constituição que permita internar compulsivamente os portadores de tuberculose que não cumpram os tratamentos.
O Bastonário da Ordem dos médicos chama a atenção, e bem, que uma medida deste tipo levanta questões éticas importantes.
Estranha-se uma iniciativa deste tipo porque, como se sabe, a maioria dos doentes portadores de tuberculose são toxicodependentes. Estranha-se, também, que não se comece por pedir medidas de prevenção mais eficazes, como parece ser a do rastreamento dos sem abrigo e dos emigrantes que constituem o 2º grande grupo portador de tuberculose. Quanto a estes últimos, a subnutrição, a falta de condições sanitárias, o desemprego, a depressão e o stress de viver como clandestino, são um meio favorável para o aparecimento e alastramento da doença e não me parece que o internamento compulsivo seja uma solução. Para este grupo, só medidas concretas de apoio social permitirá resolver ou, pelo menos, minorar o problema rapidamente.
Em relação aos toxicodependentes, sabe-se como resistem a abandonar a dependência e como reincidem, sabe-se os comportamentos de risco, sabe-se que são uma população de doentes que dificilmente serão levados a cumprir um tratamento com regularidade. Também se sabe, que quando dão entrada nos hospitais, estão em situação de saúde extremamente precária e de lá saem, ao fim de poucos dias, com a mesma precaridade porque os hospitais não têm camas, nem condições que permita mantê-los mais tempo. Assim, são postos na rua com a indicação de ir tomar a medicação/tuberculostáticos ao sítio X, porque a tomada é, obrigatoriamente, presencial. Os poucos que têm sorte, conseguem dormir um ou dois dias num centro de abrigo, onde se misturam diferentes grupos de risco e todos eles potenciais portadores de tuberculose: imigrantes, sem abrigo e toxicodependentes. Durante o dia e as restantes noites, voltam às ruas.
Parece-me, mais uma vez, que a solução dificilmente passará pelo internamento compulsivo porque a duração mínima de tratamento é de seis meses, ou então teremos mesmo os referidos "campos de concentração" de que falava o bastonário da Ordem dos Médicos.
A solução passa pela criação de comunidades terapeuticas e centros de acolhimento que disponibilizem acompanhamento médico e psicológico a estes doentes, que controlem a tomada de medicação e que desenvolva actividades de ocupação e de formação adequadas no sentido de conseguir a sua frequência regular.
Vir com a exigência de internamento compulsivo quando se desinveste no pouco que foi feito (como os centros de metadona, os centros de abrigo, os centros de dia, por exemplo) parece-me um verdadeiro absurdo porque não só é mais dispendioso, como tenho fortes dúvidas que viesse a resolver o problema.
Que a tuberculose, que tem vindo a alastrar no nosso país, é um grave problema de saúde pública, ninguém tem dúvidas e, por isso mesmo, exige um planeamento sério que vise uma redução rápida da sua crescente incindência. É necessário proceder ao rastreamento das populações de risco, definindo claramente os alvos imediatos da intervenção e os meios adequados para o fazer. Este trabalho, pela complexidade da população em causa, exige uma melhor articulação entre os serviços de saúde, entre estes e as parcerias como as IPSS, as Ongs no terreno, etc., e a disponibilização dos meios humanos e técnicos necessários.

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Publicado por agineotonico às 06:29 PM | Comentários (3)

British commanders condemn US military tactics

Senior British commanders have condemned American military tactics in Iraq as heavy-handed and disproportionate.
One senior officer said that America's aggressive methods were causing friction among allied commanders and that there was a growing sense of "unease and frustration" among the British high command.
The officer, speaking on condition of anonymity, said part of the problem was that American troops viewed Iraqis as untermenschen - the Nazi expression for "sub-humans".
Speaking from his base in southern Iraq, the officer said: "My view and the view of the British chain of command is that the Americans' use of violence is not proportionate and is over-responsive to the threat they are facing. They don't see the Iraqi people the way we see them. They view them as untermenschen. They are not concerned about the Iraqi loss of life in the way the British are."
The phrase untermenschen - literally "under-people" - was brought to prominence by Adolf Hitler in his book Mein Kampf, published in 1925. He used the term to describe those he regarded as racially inferior: Jews, Slavs and gypsies.
Although no formal complaints have as yet been made to their American counterparts, the officer said the British Government was aware of its commanders' "concerns and fears".
The officer explained that, under British military rules of war, British troops would never be given clearance to carry out attacks similar to those being conducted by the US military, in which helicopter gunships have been used on targets in urban areas.
British rules of engagement only allow troops to open fire when attacked, using the minimum force necessary and only at identified targets. The American approach was markedly different, the officer said.
"When US troops are attacked with mortars in Baghdad, they use mortar-locating radar to find the firing point and then attack the general area with artillery, even though the area they are attacking may be in the middle of a densely populated residential area.
"They may well kill the terrorists in the barrage, but they will also kill and maim innocent civilians. That has been their response on a number of occasions. It is trite, but American troops do shoot first and ask questions later."
The officer believed America had now lost the military initiative in Iraq, and it could only be regained with carefully planned, precision attacks against the insurgents.
"The US will have to abandon the sledgehammer-to-crack-a-nut approach - it has failed," he said.
"They need to stop viewing every Iraqi, every Arab as the enemy and attempt to win the hearts and minds of the people."
(By Sean Rayment - London - April 12, 2004)


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Publicado por agineotonico às 01:18 AM

Começou a campanha eleitoral

Os ministros vêm a público desmultiplicando-se em promessas, enquanto na prática continuam com a destruição sistemática das instituições públicas.
No caso concreto da educação, o ministro diz-se profundamente preocupado com o abandono escolar - 44,8% dos jovens portugueses abandonam a escola antes do ensino secundário completo.
Assim, como se tivesse chegado ao ministério a semana passada, cria-se a comissão de estudos da praxe (mesmo sabendo que há estudos diagnóstico já realizados), promete-se a criação, nos próximos 2 anos, de "15 a 20 escolas tecnológicas de referência" (mas aumentou, este ano lectivo, as propinas da técnico-profissional ETIC para o dobro - de 130 para 260 euros=a 60 contos pela moeda antiga, por exemplo), inventa a figura do tutor, um "professor encarregado de identificar e acompanhar crianças e jovens em risco de abandono escolar (esquecendo que muitas escolas têm gabinetes de psicologia de orientação vocacional composto por equipas multidisciplinares) e avança-se com a proposta de lançamento do programa "Pais na Escola" (fazendo de conta que as escolas têm horários de atendimento compatíveis com os horários de trabalho dos pais).
É chocante nesta campanha eleitoral do governo que visa dar visibilidade a "intenções" e varrer para baixo do tapete a realidade, que, a ser verdade a vontade de implementar programas de combate ao abandono escolar, nenhuma estrutura das escolas tenha sido chamada a participar na elaboração destas propostas. Mais chocante ainda, é o descaramento com que o ministro demonstra o seu evidente desconhecimento da realidade das escolas, dos professores e outros trabalhadores que aí desempenham funções, dos alunos e das suas famílias.
Sem dúvida que estamos em pré campanha eleitoral ...

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Publicado por agineotonico às 01:02 AM | Comentários (1)

A língua portuguesa na comunicação social

Eu sei que não escrevo lá muito bem. Falta de prática e de tempo ajudam a isso. Mas na comunicação social os pontapés na língua portuguesa são indesculpáveis. No Diário Digital, numa notícia sob o título "Bush admite que semana foi «dura» no Iraque", pode ler-se : presidente norte-americano, George W. Bush, admitiu este domingo que a semana que termina «foi dura» no Iraque, numa visita à base militar de Fort Hood (Texas, sudoeste do país). Bush passou o Domingo de Ressurreição em Fort Hood, uma das bases militares mais grandes dos Estados Unidos, que enviou muitas tropas ao Iraque

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Publicado por agineotonico às 12:02 AM

abril 11, 2004

Comentários aos dados do Ministro da Saúde

Diz o Minstro da Saúde: "balanço positivo de um ano de actividade"
"Nos 31 hospitais SA realizaram-se, em 2003, mais 319.281 consultas externas que no ano anterior, quando não tinham uma gestão empresarial. Fizeram mais 33.363 cirurgias, mais 50.123 sessões de hospital de dia, mais 18.508 altas de internamento e mais 26.949 casos de urgência."

Comentários dos leitores:

É bom para o zé, segundo a opinião dos governantes. Mas eles não vão para lá, a ministra da Justiça foi para o Brasil. Mas se por qualquer azar tiverem de ir a um Hospital SA, serão bem tratados de certeza e não haverá falta de material nem que tenha de vir urgentemente de avião da terra do tio Sam.

Duas cirurgias, alta após 24 horas. Pré operatório, partiu-se torneira do cateter. Anestesia raquial, já não há agulhas diâmetro x! Ainda há três! Menos de 72 horas depois à espera de consulta, de pé (eu e outros). Para bom entendedor!

O Sr. ministro da Saúde tem razão. No hospital do Barreiro, tem-se poupado a todos os níveis. No internamento, na alimentação, no material cirúrgico, etc.. Aumentou: na morgue, na alimentação intragável (o doente que não tiver possibilidades de comer, morre de fome, se por lapso médico for internado, nem tempo tem para se vestir, já estão a chamar a família para ir morrer em casa). Aumentou nos ordenados da "administração".

Ao menos matam-se melhor os doentes. Agora morrem em boa saúde.

Não sei muito de matemática, mas se não mudaram as condições nem se introduziu mais pessoal, tendo aumentado o número de atendimentos por pessoa, isto só significa que o rácio entre atendedores e atendidos aumentou, mais doentes para o mesmo pessoal, logo, parece-me, decresceu em qualidade. Se nos queixamos dos rácios médico/doente, enfermeiro/doente, etc.,dos mais baixos da Europa, vimos agora apresentar como vitória uma alteração em que aumenta esse rácio? OK, os números dão para tudo...

É perfeitamente inacreditável como ainda se continua a fazer, sem punição, contabilidade martelada em Portugal...

Acredito, principalmente no Amadora-Sintra, em que entramos para morrer, sejamos novos ou velhos. Tenho duas mortes na família em circunstãncias duvidosas no Amadora-Sintra.

O Estado vai rico e os pobres vão ficar mortos, para não chatearem o Estado!
(in Correio da Manhã)

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Publicado por agineotonico às 05:53 PM | Comentários (3)

Para onde vamos com a privatização (3)

Nas sociedades tradicionais, havia uma certa continuidade na organização da produção, de uma geração para outra, a inserção produtiva ocorria naturalmente, pelo fato de haver coincidência entre o espaço casa e o espaço produtivo. Os jovens iam gradualmente aprendendo com os pais, organizavam-se diversas formas de divisão de trabalho na família, ou seja, ia-se mantendo um processo de reprodução social onde o trabalho representava uma continuidade entre gerações.
Mas o mundo das nossas relações é, hoje, essencialmente urbano e são raros os casos de continuidade profissional, salvo no caso de pequenas empresas familiares. Não há qualquer coincidência entre o espaço casa e o espaço de trabalho, e cada vez mais a casa é para onde se volta cansado à noite, e de onde saem sonolentos pais e filhos cada vez mais cedo: os subúrbios constituem hoje cidades dormitório e, de forma geral, as nossas casas transformaram-se em casas dormitório.
Com as condições economicamente precárias das famílias, estas ficam com muito pouca iniciativa sobre o seu trabalho. A pessoa não “organiza” as suas actividades, “procura” emprego no espaço anónimo da cidade. Com o aprofundamento da divisão do trabalho na sociedade, há empresas especializadas para cada coisa, e o acesso ao que nos é necessário na vida quotidiana passa a depender do dinheiro que entra em casa. O que perdemos, em grande parte, é o sentimento de que a nossa vida depende de nós, do nosso esforço, do que gostamos e da nossa iniciativa. Sentimo-nos empurrados por forças cujos mecanismos nos escapam.
O espaço da família era um espaço onde se fazia coisas juntos, como era o caso das comunidades. O desaparecimento desta dimensão da organização social gera uma sociedade de indivíduos que rosnam uns para os outros na luta pelo dinheiro, e esquecem que a qualidade de vida é uma construção social. Vencer na vida, da forma como nos apresentam diariamente na televisão, é um processo de guerra contra os outros, e resulta em morarmos num condomínio caro e cercado de guaritas.
É o sucesso: o executivo uniformizado de ataché-case, caneta Mont Blanc, e outros apetrechos correspondentes, – versão sofisticada do homem-sanduiche, ostentando um cartaz a dizer “sou melhor que vocês”.
Este raciocínio do sucesso a todo o custo, leva-nos à questão de que o trabalho não deve ser encarado apenas como uma tarefa técnica que consiste em produzir o mais rápido possível, o mais possível, com vista à obtenção do máximo de dinheiro possível. O trabalho deve constituir um elemento essencial da organização e aprendizagem das relações sociais.
A ruptura profunda gerada, entre o universo do trabalho e o universo familiar, tende naturalmente a desestruturar a família. E o trabalho, privado da sua dimensão afectiva de relacionamento, na correria do just-in-time, na malvadeza cientificamente assumida do lean-and-mean, na patologia cristã de que só é virtuoso o que nos faz sofrer, o que nos sacrifica, gera gradualmente um deserto onde vemos pouco sentido no que fazemos no emprego, a não ser no dinheiro do fim do mês, na compra de mais uma televisão, na troca do sofá.
A sociabilidade no trabalho é funcional, interessada, presa à hierarquia de quem manda e de quem obedece, eivada de rivalidades, ciúmes, cotoveladas discretos, sorrisos amarelos.

A exigência de criação de equipamentos de solidariedade social dependentes do Estado, da redução do horário semanal de trabalho, essencial para melhorar a nossa produtividade e para resgatar o elo temporal entre a vida familiar, a vida profissional e actividades sociais complementares, está gradualmente a ser substituída pelo trabalho avençado sem controle de horas de trabalho, pelo desemprego, pelo aumento com as despesas da saúde, da educação, enfim, por um conjunto de dificuldades acrescidas.
De certa maneira, estamos perante um mecanismo perverso, onde o acesso às coisas elementares da vida exige cada vez mais dinheiro, onde se exige que as famílias se organizem para maximizar os seus salários, que os seus filhos já entram na primeira infância com a filosofia da competição, a que chamamos preparação para a vida, carregando as suas pesadas mochilas de material escolar. Perde-se o convívio familiar, a sociabilidade comunitária, gera-se um bando de zombis eficientes que não param para perguntar o mais evidente: estamos todos a correr para onde??

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Para onde vamos com a privatização

Publicado por agineotonico às 04:50 PM | Comentários (1)

Para onde vamos com a privatização (2)

Passamos a depender, portanto, de mecanismos formais de redistribuição do excedente entre produtores e não produtores. Neste contexto, o ataque generalizado ao Estado, a redução do espaço do Estado na solidariedade social e, sobretudo, a privatização das políticas sociais, tornam a situação absolutamente dramática para amplas faixas da população.
Tentar reduzir o Estado nas suas dimensões sociais constitui, portanto, um absurdo, e uma compreensão completamente equivocada do rumo das transformações sociais.
É importante lembrar que as políticas públicas, apesar da nossa mania de criticar o Estado, constituem de longe o instrumento mais eficiente de promoção de políticas sociais e, nas condições actuais, as únicas que permitem o reequilibramento social.
A razão é bastante simples e clara, por exemplo na saúde e na educação. Uma empresa privada quer ter mais clientes, o que no caso da saúde significa mais doentes. Com isto perde-se a visão essencial da prevenção. Na educação, o processo é semelhante, com as universidades privadas a aumentar simplesmente o número de alunos por professor: aluno é dinheiro, professor e meios de qualidade é custo.
O sector privado quando entra no social procura, naturalmente, servir quem pode pagar, e gera o luxo para as elites, drenando recursos e privando os serviços humanos do seu papel de reequilibrador social.
No conjunto, portanto, enquanto as fases não remuneradas das nossas vidas se expandem, a família perde o seu papel redistribuidor, as comunidades perdem o seu carácter de solidariedade, o Estado abandona o seu papel de provedor, e o sector privado abocanha os recursos direccionando-os para as elites, agravando a situação do conjunto. Geram-se assim imensas tensões na reprodução social, tensões acompanhadas de desespero e impotência, porque sentidas como dramas individuais, de crianças e jovens sem rumos, de idosos reduzidos a uma mendicância humilhante, de um clima geral de vale-tudo social.
A criança não vota, os reformados não paralisam o processo produtivo, a mãe que cria sozinha os seus filhos não tem tempo de pensar nestas coisas e, nós?????????????


GIN

Publicado por agineotonico às 02:20 PM

Para onde vamos com a privatização

A unidade básica de organização da reprodução humana é a família. Ou pelo menos foi: hoje, o processo está a tornar-se incomparavelmente mais complexo e diversificado.
Numa perspectiva económica, a reprodução de gerações na família constrói-se através de laços de solidariedade. Os pais cuidam das crianças, e dos seus próprios pais já idosos, e serão por sua vez cuidados pelos filhos. A solidariedade é marcada pela panela, pelo facto de um grupo sobreviver através de esquemas de entre-ajuda financeira.
Como a criança não tem autonomia para sobreviver, nem o idoso, a sobrevivência das sucessivas gerações dependia no passado, e ainda depende em grande parte nas sociedades modernas, da solidariedade familiar.
Em termos económicos, a fase activa da nossa vida, tipicamente dos 16 aos 64 anos, pode ser vista como produzindo um excedente: produzimos nesta idade mais do que o que consumimos, e com isto podemos sustentar filhos e idosos, eventuais deficientes, ou doentes, ou pessoas da família que, mesmo em idade activa, não tenham forma de subsistência autónoma. Dito de outra forma, a economia da família permite, ou permitia, uma redistribuição interna entre os que produzem um excedente, e os que necessitam deste excedente para sobreviver.
O capitalismo moderno, centrado no consumismo, inventou a família economicamente rentável, composta de mãe, pai e um casal de filhos, o apartamento, o sofá e a televisão: é a família nuclear.
A mudança profunda e acelerada na estrutura familiar teve sem dúvida um profundo impacto sobre um grande número de dinâmicas sociais, a cultura, os valores, as formas de convívio.
Para além da família, havia as comunidades, havia o suporte solidário da comunidade, ou seja, podia procurar-se o vizinho.
Hoje, nesta era da sociedade anónima, uma pessoa está literalmente só na multidão urbana. Para esta solidão contribuiu a urbanização, mas também contribuíram a televisão, a formação dos subúrbios e das cidades-dormitório que, em conjunto com a família, fragilizam a própria articulação da comunidade e da solidariedade social.
Com a revolução tecnológica, o conhecimento torna-se num elemento central dos processos produtivos e, se na geração anterior, a infância terminava relativamente cedo, hoje, para a maioria das pessoas, a fase dependente no início da vida tende a estender-se cada vez mais. Vemos com frequência jovens que vivem uma pós-adolescência tardia, pela necessidade de maior formação que, eventualmente, lhes permita um emprego no horizonte.
Do lado do idoso, havia uma certa lógica nas sociedades de antigamente. Vivia-se até os 50 anos, quando muito, e o tempo de criar os filhos era a conta justa. Hoje, uma pessoa pode perfeitamente viver até aos 80 ou mais anos, e a terceira idade assume uma dimensão que cobre entre um quarto e um terço da nossa vida.
Trata-se, aqui também, de uma fase de dependência muito precária, pois os sistemas de reforma, tanto em termos de cobertura como de nível de remuneração, são muito deficientes, e a família não tem meios para suportar esta dependência e, assim, simplesmente evita o convívio com os idosos.
Ou seja, o tempo de dependência da nossa vida aumentou dramaticamente, enquanto a família, que assegurava a redistribuição do excedente entre as gerações – e entre as fases remuneradas e não-remuneradas das nossas vidas – está a tornar-se cada vez menos presente.
Este processo torna absolutamente indispensável a presença de mecanismos sociais de redistribuição de bens, suprindo o papel que as famílias estão incapazes de desempenhar. Trata-se de uma redistribuição de bens essenciais, já não só dos ricos para os pobres, mas entre gerações.


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Publicado por agineotonico às 02:00 PM

Reestruturação e optimização da Função Pública

A Universidade de Coimbra está a reestruturar os seus Serviços Centrais.
Transferências compulsivas de pessoal do quadro, com classificação de “Muito Bom” e “Excelente”, para os Serviços das Faculdades sem explicação das razões da transferência, enquanto se mantêm nos Serviços Centrais pessoal sem vínculo e com menos experiência.;
Criação de novas estruturas, entregues a avençados enquanto técnicos superiores são colocados “na prateleira”, ou a fazer trabalho administrativo abaixo das suas funções.
Trabalhadores do quadro são chefiados por prestadores de serviços que, nos últimos anos, viram os seus vencimentos duplicados;
Funcionários que abandonaram o vínculo à Universidade de Coimbra, voltam agora como prestadores de serviços ...
E ainda há quem se queixe da necessidade de reestruturação?????


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Publicado por agineotonico às 01:06 PM

Cada um fantasia o seu mérito como pode

O ministro da saúde apresentou o “Relatório de actividades do ano 2003” dos Hospitais SA. Baralha números, selecciona apenas os dados que lhe dão jeito, põe de lado os que não convêm, apresenta uma caldeirada estatística facciosa e, por último, apresenta o Hospital Pulido Valente como um exemplo do sucesso. O Hospital Pulido Valente teve um aumento, em apenas um ano, de 62% nas cirurgias.
“Esqueceu-se” o Ministro de esclarecer que esse aumento do número de cirurgias se deveu a obras iniciadas antes da empresarialização e que criou duas novas salas de cirurgia ... não foi obra de magia, nem mérito das novas políticas de saúde. Foi habilitar os profissionais de saúde do Pulido Valente com os meios necessários.
Cada um fantasia o seu mérito como pode ... mas que o faça com seriedade, bolas ....


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Publicado por agineotonico às 01:05 PM

O Programa “Escolhas”

Um despacho conjunto dos Ministérios da Educação e da Segurança Social e do Trabalho, cria um grupo de trabalho com o objectivo de elaborar o Plano Nacional de Prevenção do Abandono Escolar. Este grupo tem como funções : “recolher toda a informação necessária a um bom diagnóstico do problema, quer na perspectiva da sua evolução, do seu enquadramento geográfico e social, bem como da análise comparada no quadro da União Europeia; identificar causas e contextos, natureza e factores que sustentam os fenómenos do abandono e do insucesso escolares; identificar as principais consequências de carácter económico, social e cultural daquele fenómeno; propor as estratégias, medidas e metas, visando a prossecução dos objectivos; elaborar o projecto do Plano e preparar e acompanhar a sua discussão pública.”

Talvez os Srs. Ministros pudessem explicar porque desapoiaram e acabaram com um Programa inovador que há 3 anos desenvolvia trabalho nos bairros de realojamento mais problemáticos de Lisboa, Porto e Setúbal em torno deste mesmo problema.
O Programa “Escolhas”, pela forma inovadora como desenvolveu a sua actividade nesses bairros e com a criação da figura do “mediador”, conseguiu alcançar uma população de jovens que mais nenhuma instituição até hoje foi capaz de trabalhar.
O “mediador” é, talvez, a mais original e bem conseguida inovação deste Programa. São jovens do próprio Bairro que receberam formação para trabalhar com jovens dos 8 aos 14/15 anos em risco de abandono escolar e com jovens dos 16 em diante que já abandonaram a escola e estão num percurso de delinquência.
O fim deste Programa, que vinha a ser esvaziado de apoio e de sentido desde há algum tempo pelos Ministérios acima referidos, não só desampara estes “mediadores” que, muitos deles, poderiam constituir-se como importantes quadros locais de combate ao abandono escolar e de encaminhamento de jovens problemáticos para cursos de formação profissional, como desperdiça todo o conhecimento recolhido ao longo destes 3 anos por uma equipa de técnicos que com eles tem trabalhado no terreno.
Dê uma olhada à página do ESCOLHAS


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Publicado por agineotonico às 01:01 AM | Comentários (1)

abril 10, 2004

A arrogância esquizóide de Bush

A arrogância esquizóide de Bush e da sua administração, bem como dos países que a eles se aliaram na guerra do Iraque, está a provocar uma escalada generalizada da violência.
O Iraque transformou-se num inferno para toda a população iraquiana, para as tropas que estão no terreno, para as organizações humanitárias e para os representantes dos órgãos de comunicação internacional. A violência alastrou muito para além das fronteiras iraquianas.
Se a decisão de invadir militarmente o Iraque já era muitíssimo contestável, mesmo antes da evidência das mentiras com que foi justificada, então os estúpidos erros estratégicos, fruto do chauvinismo americano, de fechar um jornal xiita, aliada à prisão de dirigentes religiosos, ao bombardeamento de uma mesquita e, finalmente, a uma operação em larga escala de violência dos marines sobre a cidade de falluja parece levar irremediavelmente o Iraque para o caos.
A frágil unidade conseguida entre as diferentes forças representativas do povo iraquiano para a constituição de um governo de transição, podem correr o risco de se desmoronar perante mais esta demonstração de incapacidade das forças que compõem actualmente a coligação.
A par destes acontecimentos, coloca-se a questão dos reféns. A posição de não negociar a sua libertação é um erro grosseiro e mostra a inépcia de quem tem na mão o poder de tomar decisões. Não parece haver qualquer dúvida que a situação criada passa necessariamente pela negociação com os líderes religiosos no sentido de pôr fim à escalada de violência e, esta obrigatória negociação, inclui a libertação dos reféns.
Por outro lado, as vozes histéricas (dos que não estão no terreno) que defendem que a retirada dos EUA da direcção deste processo seria uma vitória para os opositores iraquianos e uma demonstração de fraqueza da super potência americana, mais não fazem do que acompanhar esta esquizofrenia sem sentido.
A verdade é que a única saída que parece ser possível, para se tentar uma situação de equilíbrio mínima que permita devolver o Iraque aos iraquianos, é a entrega da condução do processo nas mãos das Nações Unidas que, com o apoio de outros países da região, ajudem a criar os consensos necessários.


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Publicado por agineotonico às 12:56 AM | Comentários (1)

abril 08, 2004

Música Sacra fora da igreja já!!

O bispo da Diocese de Viana de Castelo proibiu a realização de concertos de música sacra em todas as igrejas do concelho. Diz o bispo, que a música sacra fora do serviço litúrgico é um evento cultural e, esses, têm locais próprios para serem realizados que não as igrejas. Diz ainda o bispo, que os fieis conscientes não aprovam a utilização das igrejas para a realização destes concertos.
Pois é ... há muitos infieis inconscientes neste país, é preciso a acabar com eles porque gostam de eventos culturais e a igreja não tem nada a ver com cultura, só mesmo com serviços litúrgicos.


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Publicado por agineotonico às 11:44 PM | Comentários (2)

As mulheres estão de parabéns

Segundo sondagens hoje publicadas, a maioria das mulheres vota contra este governo, ao contrário dos homens.
Sem querer hastear a bandeira de militante femininista bacoca (que não sou), não posso deixar de dizer que me parece natural o resultado desta sondagem, porque as mulheres não só sofrem mais com o aumento do desemprego, como são elas que gerem as contas da casa e são mais confrontadas com as dificuldades de gerir a economia familiar.


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Publicado por agineotonico às 10:33 PM | Comentários (6)

SNS - uma conquista do 25 de Abril

Cidadãos portadores de deficiência acusam ...

A confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD) manifestou-se desiludida com o programa de saúde actual e acusa os Hospitais SA de desumanização e rejeição do atendimento a pessoas portadoras de deficiência.
Aproveitando o Dia Mundial da Saúde e a proximidade do 30º aniversário do 25 de Abril, acusa o governo de estar a destruir o Sistema Nacional de Saúde que foi uma das mais importantes conquistas da revolução.
Segundo a (CNOD) esta é a "ocasião propícia para fazer o contraste entre o programa de saúde implementado na sequência da revolução e o programa de saúde posto em prática na actualidade" ... lamenta que actualmente se encerrem centros de saúde, se reduza o pessoal médico e paramédico, bem como as comparticipações de medicamentos e os transportes para pacientes, e acusa o Governo de desumanizar o atendimento às pessoas com deficiência, rejeitando-os nos hospitais S.A., e de desactivar os serviços de saúde mental e de reabilitação ... recorda que após a revolução de 25 de Abril de 1974 se "generalizou a toda a população o direito à saúde", nomeadamente com a criação de centros de saúde, a extensão de cuidados primários, o alargamento dos cuidados diferenciados a pessoas com deficiência, o crescimento da medicamentação gratuita e o melhoramento da rede hospitalar ... considera que a "saúde é hoje relegada para um plano secundário", promovendo-se a privatização e afastando os sectores mais desfavorecidos do direito à saúde. Reprovando "activa e firmemente" a permanente violação do direito "fundamental" à saúde ... reclamou o "cumprimento em Portugal do objectivo 'saúde para todos no ano 2000' definido pela Organização Mundial de Saúde"
(in Público)


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Publicado por agineotonico às 09:00 PM | Comentários (1)

O Sangue-frio

Mexicana faz cesariana em si própria

"Uma mulher mexicana deu à luz um saudável rapaz depois de ter feito, em si própria, uma cesariana com uma faca de cozinha. Este é o primeiro caso do género conhecido em que tanto a mãe como o bebé sobreviveram. Com 40 anos, a mãe, que vive numa zona rural sem electricidade, água canalizada e esgotos, a oito horas de distância de um hospital, decidiu fazer a operação depois de não conseguir ter um parto natural. Já tinha perdido um filho devido a complicações durante o parto. O médico do hospital de San Pablo, que divulgou a notícia na revista internacional de Ginecologia e Obstetrícia, contou que a mulher tomou três copos de um forte licor, pegou na faca de cozinha e cortou o seu abdomen após três tentativas. O bebé nasceu respirando normalmente e gritando a plenos pulmões. Antes de perder os sentidos, a mãe pediu a um outro filho que chamasse a enfermeira local, que a coseu com uma agulha normal e linha de algodão. Mãe e filho foram depois transferidos para o hospital, noticiou a Reuters."


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Publicado por agineotonico às 07:47 PM | Comentários (1)

Um outro olhar sobre os médicos e o Sistema de Saúde (2)

Algumas das coisas já referidas neste blog sobre o Sistema de Saúde e os médicos

Segundo parece, a estas e outras colocadas nos posts anteriores, pode juntar-se a substituição de anestésicos utilizados nas cirurgias por genéricos já referenciados como potencialmente perigosos mas que “são mais baratos”.

"Em que critérios se baseia a opção de seleccionar a entrada em medicina pela nota de disciplinas gerais, que pouco ou nada têm a ver com as aptidões de cada um para um, para o exercício de uma profissão? Quais os critérios, no caso concreto da medicina em que para além do necessário saber científico e técnico, necessita de dedicação, de espirito de sacrifício e de uma constante actualização que apenas se pode obter possuindo espírito crítico e uma boa dose de criatividade?"
...
"Mas o que faz ser bom ou mau cirurgião ... Um dom natural, uma característica genética?
Na maioria dos casos a dedicação, o conhecimento resultante do esforço de manter uma informação actualizada, um bom senso adquirido e a calma, a calma que se adquire quer na tentativa de uma vida pessoal e interior equilibrada, quer a calma necessária para viver a vida profissional dentro de sistemas muitas vezes complexos e conflituosos."

...
"O Sindicato dos Enfermeiros denunciou hoje que alguns hospitais-empresa estão a transferir doentes, numa triagem motivada por valores economicistas, devido aos custos dos tratamentos."
...
"Dizem outros médicos: “os doentes mais complicados e com internamentos que se prevêem longos, tendem a ser transferidos dos SA para outras unidades”. “O IPO, foi o último Hospital a assinar o contrato porque teve muitas dificuldades em ver nele incluídos os tratamentos mais caros, com é o caso da radioterapia”.
É também importante que os hospitais definam claramente a responsabilidade partilhada: muitos erros, acidentes e complicações são cometidos por falta ou inadequação dos meios de diagnóstico ou de tratamento, por inexistência de equipamentos específicos, por deficientes condições de trabalho, por atendimento de um número excessivo de doentes que faz com que não possam dedicar um período mais longo de observação (caso das urgências), enfim, por um conjunto de situações que não podem ser imputadas exclusivamente aos médicos. Nestes casos a responsabilidade tem de ser compartilhada com as administrações dos hospitais e, ainda, em certos casos com outras entidades – todos nos lembramos do sangue que contaminou com HIV os hemofílicos, ou dos hemodialisados de Évora."

...
"Jorge Mineiro, médico ortopedista, na sua tese de doutoramento conclui que 61,2% das mortes de feridos graves que dão entrada nas urgências dos hospitais podiam ser evitadas. Algumas das razões apresentadas para esta elevada taxa de mortalidade são a transferência inter-hospitalar dos feridos, o tempo de espera no atendimento, a falta de formação na área de trauma e a demora na intervenção dos diferentes especialistas."
...
"Maria José vive na Covilhã e tem um problema de coluna há vários anos. O médico que a atende no Hospital da Covilhã SA, diz-lhe que ela poderia ter também duas hérnias, mas para ter a certeza seria necessário fazer uma TAC, contudo não lhe receitou o exame. Esta é apenas mais uma das queixas que se torna comum ouvir relativamente ao atendimento nos Hospitais SA ... em causa está, também, a falta de fiscalização e controle dos objectivos a que estes hospitais se propõem."
...
"A forma descontrolada, pouco clara e desonesta como os grandes grupos privados estão a entrar na gestão da Saúde, está a destruir o 12º melhor Sistema de Saúde do Mundo – o nosso (classificação atribuída pela OMS). Quem o diz, é o social-democrata e Prof. José Manuel Silva (Ass. Graduado de Medicina Interna dos HUC), que juntamente com Jorge Roque Cunha (C.N. do PSD) e Miguel Leão (Pr. do CRN da Ordem dos Médicos) ...
J.M. Silva considera que:
1º - “A gestão privada piora a qualidade dos serviços”. Estudos realizados no Canadá, demonstram que há maior mortalidade nos hospitais geridos com fins lucrativos; nos EUA, estudos comparativos sobre a mortalidade dos insuficientes renais nos serviços de diálise com ou sem fins lucrativos, mostram que a mortalidade nas instituições com fins lucrativos é bastante superior (mais de 1200 a 4000 mortos prematuros).
2º - “A gestão privada dificulta o acesso dos cidadãos a cuidados de saúde de qualidade” ... os que não têm seguro, têm dificuldade de acesso aos serviços de saúde essenciais, recebem menos cuidados, menos medidas de prevenção e têm menos saúde que os segurados."

GIN

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Publicado por agineotonico às 07:15 PM | Comentários (1)

Um outro olhar sobre os médicos e o Sistema de Saúde

Há muito que defendo que o espírito corporativo da Ordem dos Médicos (OM)a impede de ter uma actuação exemplar na fiscalização, avaliação e punição dos seus associados que cometem erros grosseiros.
Esta conivência da OM ao invés de benéfica, quer para a maioria dos médicos, quer para a população que a eles recorre, tem resultado numa opinião pública extremamente negativa da classe.
Sempre que a comunicação social relata uma ocorrência num hospital que tenha tido como consequência danos permanentes ou a morte de doentes, são poucos os que, não sendo médicos, acreditam que a culpa poderá não estar no médico.
Não querendo fazer de advogada do diabo, chamo a atenção para o que já foi dito neste blog sobre diferentes questões relativas ao Sistema Nacional de Saúde.
Agora que o Tónico (autor da maioria desses posts) já não se encontra entre nós, tentarei ir fazendo o levantamento de um conjunto de factores que considero importantes ter em conta na análise destas notícias vindas a público sempre com uma visão estreita e simplista.
Se o vou conseguir fazer?
Não sei, sinceramente .....

GIN

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Publicado por agineotonico às 05:57 PM

Cartoon

de Vieira

Publicado por agineotonico às 02:59 PM

MFA

ACÇÂO CÌVICA

Publicado por agineotonico às 02:51 PM

As jovens da Faixa de Gaza anseiam tornar-se bombistas suicidas

Na Faixa de Gaza, o tema de conversa favorito de todos, incluindo as mulheres jovens, é o desejo de se tornarem mártires - ou bombistas suicidas, como são terrivelmente conhecidas.
...
Todos os dias de madrugada, os homens válidos e com os papéis em ordem saem de Gaza para irem trabalhar como mão-de-obra barata na construção de colonatos israelitas, como Erez Development, nos arredores. Todos os dias ao anoitecer, cerca de 15 mil palestinianos exaustos saem dos autocarros israelitas e lançam-se a toda a velocidade no longo corredor da Passagem de Erez, entre Israel e a Faixa de Gaza, para chegarem a casa mais depressa.
O desespero da Passagem de Erez lembra o "corredor" que atravessava a Alemanha Oriental antes da queda do Muro de Berlim. As pessoas são empurradas para pátios em filas ordenadas para serem separadas e revistadas antes de terem autorização para entrar ou sair de Gaza. O menor protesto dos trabalhadores palestinianos pode provocar os disparos do exército israelita ou o lançamento de granadas de gás lacrimogéneo. E estes são os palestinianos com mais sorte, autorizados pelos israelitas a trabalhar nos colonatos em troca de alguns 'shekels' - a moeda de Israel- por dia para pagarem a comida e a educação dos filhos.
Não há aeroporto em Gaza. Foi destruído em 2002 pelos jactos israelitas que voam constantemente em missões de reconhecimento sobre a antiga pista de aterragem. Não há navios a circular, e mesmo os pequenos bar cos de pesca não estão autorizados a navegar, dentro ou fora do velho porto. Os navios-patrulha israelitas estão sempre por perto e disparam sobre tudo o que flutua ao longo dos 40 quilómetros da costa de Gaza. Para quem queira sair do território não há outro caminho a não ser a Passagem de Erez - e o trabalho mais humilde. E os palestinianos continuam a morrer.
...
As mulheres de Gaza candidatas a bombistas suicidas são sobretudo estudantes universitárias, elegantes com os seus véus islâmicos. Sabem que não têm outro sítio para onde ir a não ser Gaza ou o Paraíso, e estão convencidas de que sabem do que falam. "Gaza é o lugar com o maior desemprego 'per capita' do mundo", diz Mina à laia de explicação. As suas longas pestanas e os olhos negros penetrantes são tudo o que se consegue ver dela. Mina e todas as suas amigas querem ser bombistas suicidas. Em Gaza não há nada para os jovens fazerem, além de irem à escola e à universidade para conseguirem uma formação.
...
Os Jovens universitários de Gaza sentem que o martírio pode ser a única maneira de alcançar alguma coisa. São pessoas com o "luxo" de uma formação universitária que noutro sítio seria a chave para largar o passado e alcançar um futuro melhor. Há três universidades na cidade de Gaza - e dezenas de milhares de estudantes que sabem que nunca conseguirão emprego quando acabarem o curso.
Mina e as suas amigas são alunas do primeiro e segundo ano da Faculdade de Farmácia da Universidade Al Azhar, na cidade de Gaza. A universidade tem entre dez e 12 mil estudantes e forma entre três a cinco mil jovens por ano, sobretudo nas áreas dos Estudos Islâmicos, Direito e Ciências. “Sei que nunca vou encontrar um emprego quando me formar, mas espero consegui-lo. A única opção que me resta é escolher o caminho da resistência e tomar-me mártir, sim, uma bombista suicida." É Mina quem o diz, com os olhos a faiscar.
...
Jovens como Mina e as amigas são as próximas bombistas suicidas que os israelitas tanto temem e que os palestinianos vêem como a sua arma secreta.
Os muçulmanos devotos acreditam que todos os mártires, homens ou mulheres, são recebidos no Paraíso por um mínimo de 70 'houri el-ein'. A tradução mais aproximada não é "virgens", como muita imprensa escreve, mas "ninfas" ou aparições de beleza sobrenatural. Estas lavam os pecados dos mártires, abrem as portas do Paraíso e proporcionam-lhes todos os prazeres que Deus concedeu à Humanidade. O aspecto sexual não é de natureza terrena, consiste antes numa espécie de realização e deleite celestial. Os homens mártires não têm um tratamento diferente do das mulheres mártires.
...
Segundo as estatísticas da ClA, a população de Gaza é de 1 270 000 habitantes, com uma taxa de natalidade de 41,2 por mil. Mas a imprensa árabe assegura que o número de habitantes ultrapassa 1 800 000. O actual nível de desemprego atinge os 50 por cento e continua a subir. De cada vez que há um ataque suicida, israel fecha a passagem de Erez durante quatro semanas, fazendo com que milhares de palestinianos percam o seu único emprego - por ironia do destino, a construção de colonatos israelitas.
Em Gaza ninguém vai de férias. Os hotéis estão vazios. Os dias são aborrecidos e infindáveis, a menos que Israel lance algum ataque contra militantes islâmicos, disparando mísseis a partir de helicópteros; Os "carros são alvejados sempre na mesma rua, uma estreita faixa de rodagem que. corta a cidade de Gaza ao meio. As forças de segurança palestinianas são muitas vezes vistas a lutar para manter a ordem à volta dos locais dos raides israelitas, enquanto uma multidão invade o local, gritando por vingança.
Com a Cisjordânia a sofrer constantes incursões israelitas, Gaza é o único local que os palestinianos podem chamar seu mas, mesmo aqui, estão numa espécie de prisão domiciliária. Gaza transformou-se num gueto desolado, com uma geração de jovens inflamadas em que floresce uma doutrina feminista islâmica de suicídio romântico. Todas e cada uma delas esperam a chamada para derramar o seu sangue, matando ao mesmo tempo civis israelitas inocentes. O mais estranho é que não parecem desesperadas.
(in FOCUS 233)

Publicado por agineotonico às 01:50 PM

País de Abril


São tristes as cidades sob a chuva
E as canções que se atiram contra as grades
- a minha pátria vestida de viúva
entre as grades e a chuva das cidades.

É triste o cão que ladra no canil
Quando é março ou abril e lhe prendem as pernas
É triste a primavera no País de Abril
- minha pátria perfil de mágoas e tabernas.

É triste: uns vestem-se de abril outros de trapos.
Tu ó estrangeiro é só por fora que nos olhas
- a minha pátria bordada de farrapos
capa de trapos remendada a verdes folhas.

Abril tão triste no País de Abril. Por fora
é tudo verde. (Abril com máscaras de festa).
Por dentro – minha pátria a rir como quem chora.
(A festa da tristeza é tudo quanto lhe resta).

Abril tão triste no País de Abril. Aqui
A noite aqui a dor meninos velhos
- minha pátria a chorar como quem ri
em surdina em silêncio. E de joelhos.

(Manuel Alegre in Praça da Canção)


GIN

Publicado por agineotonico às 10:49 AM

Disparava a arma ou não?

Assisti no noticiário do canal 2, à destruição de mais um campo de oliveiras, propriedade de uma família palestina, justificado pela necessidade de prosseguir com a construção do "Muro da Vergonha e Símbolo de Genocídio" por parte de israel.
As imagens são revoltantes (e felizmente estavam presentes órgãos de comunicação internacional). Enquanto são destruídas aquelas árvores, a subsistência dos seus proprietários e de quem ali trabalha - palestinos - soldados agridem um velho e um homem mais novo que assistem desesperados àquela destruição criminosa e abusiva das suas propriedades, da sua subsistência, das suas vidas.
Como chamar terroristas a estes homens se eles se fizerem explodir no meio da população civil israelita?
Olha para as minhas mãos, sentidas como mais preparadas para salvar vidas, olho para dentro de mim, para as minhas convicções de que a violência é detestável e que deve utilizar-se a mediação pacífica dos conflitos e dou por mim a perguntar-me: "que faria eu numa situação daquelas? que faria eu se estivesse a ser alvo de uma agressão tão injusta e tivesse uma arma nas mãos?"
Na verdade dou comigo a vacilar sobre a resposta a dar a esta questão, mas ... talvez disparasse a arma.

GIN

Publicado por agineotonico às 12:21 AM

abril 07, 2004

Voto em branco, abstenção e democracia

Diz aqui que “A abstenção é o voto fora do sistema ... mas é muitas vezes o voto da ignorância, da preguiça, ou do simples desinteresse”. Diz ainda que o voto em branco é mais merecedor de credibilidade que a abstenção porque “não sendo o “cartão amarelo à democracia”, é o cartão amarelo à democracia que temos, aos partidos que a compõe, é o "outro partido" que não existe ...”.
Eu diria que o voto em branco traduz, para além disso, a recusa ao discurso estafado do “voto (in)útil” esbracejado pela oposição, nos períodos que antecedem os actos eleitorais, tentando fazer-nos sentir culpados pela sua própria incompetência enquanto oposição.
A questão do voto em branco, não me parece que deva ser colocada em termos de “voto inteligente” (como é feito no referido post), mas sim enquanto resultado de um acto consciente de cidadania: eu vou votar porque considero que, como cidadã, tenho a obrigação de “dar a minha opinião” sobre a matéria colocada a plebiscito. O meu voto é a minha voz tornada pública, o meu voto em branco é o dizer, “alto e em bom som”, que não concordo, ou não dou credibilidade às alternativas apresentadas. Assim, o voto em branco, está a dizer que não está conivente com a democracia (este conceito está a tornar-se excessivamente elástico) que temos e com quem a leva à prática – o actual governo – nem com as alternativas a esta democracia que temos – as diferentes oposições (se é que as há).
O voto em branco tem peso na leitura que se faz dos resultados eleitorais, tem o peso dessa “leitura” que é razoavelmente homogénea – o cartão amarelo, conscientemente assumido.
Considero, salvo raras excepções, o apelo à abstenção um aproveitamento oportunista dos resultados eleitorais. A abstenção é um enorme saco onde cabem muitas e diferentes motivações/razões para a não participação neste mecanismo da democracia.


GIN

Publicado por agineotonico às 05:24 PM | Comentários (5)

(Re)caracterizar a classe política

e não só ...

Trinta dinheiros

No bengaleiro do mercado público
penduraram o coração.
Vestem o fato dos domingos fáceis.
Não têm rosto
têm sorrisos muitos sorrisos
aprendidos no espelho da própria podridão.
Têm palavras como sanguessugas.
Curvam-se muito.
As mãos parecem prostitutas.
alma não têm. Penduraram a alma.
Por fora parecem humanos.
Custam apenas trinta dinheiros.

(Manuel Alegre in Praça da Canção)

Publicado por agineotonico às 10:11 AM

Mitos e realidades sobre ... (8)

É inegável que na actual conjuntura a agenda social mundial tem sido mantida e renovada nos termos de complementaridade aos programas de ajuste estrutural das economias dos países pobres, segundo o modelo identificado como sendo o do Consenso de Washington. Mas como se propaga essa ideologia ao ponto da agenda social mundial que dela decorre ser assumida pelas ONGs do Sul?
Aqui cabe referir a importância das redes de instituições que se conectam e interagem seja na produção da agenda social mundial, seja no financiamento dos trabalhos das ONGs do Sul. Essa cadeia de relações é assimétrica, possui elos mais fortes e elos mais fracos. No seu lado mais forte estão as instituições multilaterais que contam com vastos recursos intelectuais, financeiros e de comunicação. Entre elas se destacam o Banco Mundial, organismos vários das Nações Unidas, a União Europeia. Ainda nesta parte mais forte da cadeia de relações com as ONGs estão os governos nacionais dos países desenvolvidos (cada vez mais conservadores), que interagem, influenciam e são influenciados pela produção e pelas propostas das agencias multilaterais. Estes governos nacionais, por sua vez, exercem uma influencia crescente sobre as ONGs do Norte, agencias privadas de cooperação existentes em seus países e que dependem cada vez mais dos recursos públicos repassados pelos governos. No elo mais fraco desta cadeia estão as ONGs do Sul, que dependem dos recursos financeiros do Norte e, pelas limitações da própria agenda internacional, que por exemplo não financia pesquisas, não têm conseguido desenvolver análises críticas da realidade social e da produção teórica que orienta a construção da agenda social global.
Em um texto recente Bebbington chama a atenção de que este tema é bem mais abrangente, trata da relação entre o poder e a comunicação (à la Habermas), ou entre o poder e o conhecimento (à la Foucault). “De Habermas (1984) temos a ideia de que não há nenhuma forma de comunicação que não seja distorcida pelas relações de poder; e de Foucault (1980) temos a noção de que existem relações de poder inscritas em toda forma de conhecimento”. Em um recente estudo promovido pela Associação Latino-americana de Organizações de Promoção – ALOP, uma das mais importantes redes de ONGs de Desenvolvimento, a questão da fragilidade das ONGs enquanto um elo da cadeia de instituições do mundo da cooperação é reconhecida e identificada como uma limitação dada pelas dificuldades de desenvolver uma análise crítica da realidade social e de produzir propostas alternativas. Para isso consideram como uma das mais importantes necessidades reforçar sua capacidade de pesquisa e sistematização. “Hoje torna-se evidente a necessidade de recolocar a questão dos paradigmas do desenvolvimento e de pensar novas estratégias para enfrentar realidades mais complexas ... em muitos casos será necessário reconceituar os temas, independentemente dos marcos utilizados pelos modelos imperantes ... há temas que são tratados isoladamente do seu contexto, como o da pobreza; outros que desapareceram da agenda social e que precisam ser retomados, como o da concentração da riqueza ou o das estruturas nacionais e regionais de poder ...”
Essa proposta de pensar novas estratégias, de buscar reconceituar certos temas e reintroduzir outros no debate, de questionar os paradigmas impostos por uma agenda de desenvolvimento, tem a maior importância. Ela permite sair do campo previamente demarcado do debate, do conflito, e criar um novo campo de disputas onde os termos do debate possam ser de nova qualidade, introduzindo questões como a redistribuição da riqueza e a socialização do poder, ou como diz Boaventura de Souza Santos, a democratização da democracia. Estas novas propostas são essenciais para que as ONGs possam superar esta zona cinzenta de indeterminações a que nos referimos no início e actualizar sua dimensão de agentes sociais de mudança. A análise crítica desta agenda social global poderá permitir encontrar novos caminhos para recuperar a esfera pública e a política como espaço da resolução dos conflitos sociais; poderá permitir mapear e identificar quais os actores sociais que podem configurar um campo de alianças na perspectiva da mudança social e quais actores sociais que hoje se apresentam como “parceiros”, de fato não o são. E para isso as ONGs terão de se perguntar qual a sua agenda e quem são seus pontos de apoio, que actores colectivos estimulam e defendem seus temas. Com base nestas referências e na perspectiva de discutir os limites e possibilidades de nossa agenda social, serão tratados a seguir os temas desenvolvimento local, inclusão social e participação cidadã.
(Silvio Caccia Bava)

Publicado por agineotonico às 09:38 AM

Mitos e realidades sobre ... (7)

Em recente artigo no Le Monde Diplomatique, Jean Ziegler atribui aos ideólogos do Banco Mundial um infatigável trabalho de multiplicar teorias justificativas que, segundo ele, ao mapearem o campo do conflito e identificarem as principais críticas e demandas da sociedade, as trabalham e as transformam em propostas dissociadas de qualquer historicidade que, no entanto, passam a ocupar o espaço do debate público sobre as questões sociais. “Em 1972 o Clube de Roma adverte que o crescimento ilimitado levará à destruição do planeta, o Banco reconhece e valida esta critica e produz a teoria do desenvolvimento integrado. O grupo de pesquisadores coordenado por Gro Brundtland e Willy Brandt, a seguir, critica o economicismo do Banco, reivindicando outros parâmetros para medir o desenvolvimento, tais como saúde e educação. E o Banco reage apresentando a teoria do desenvolvimento humano. Num novo momento o movimento ecológico ganha importância e influência em toda a Europa e América do Norte, sua critica é sobre as consequências presentes e futuras da acção económica sobre o meio ambiente. Os ideólogos da Banco produzem a teoria do desenvolvimento sustentável. Em 1993, na Conferencia sobre Direitos Humanos, em Viena, as nações do Terceiro Mundo – contra os americanos e certos países europeus – impõem o reconhecimento dos direitos económicos, sociais e culturais. O Banco se coloca na vanguarda do combate pela realização dos direitos económicos, sociais e culturais, o que pode ser comprovado em setembro de 2000, pelo discurso de seu presidente em Praga. Como compreender este jogo de poder, como interpretar esta disputa de significados e seu impacto sobre as instituições de produção do conhecimento, como identificar os processos que fazem com que essa agenda que se constrói neste jogo de forças internacional seja assumida pelas ONGs?
Talvez a chave que nos permita a compreensão de todo esse processo nos tenha sido dada por Ziegler e Bordieu, quando eles identificam o papel do Banco Mundial como produtor de ideologia. Ideologia é aquilo que tem por função, ao se impor como discurso racional, de impedir a interrogação sobre os fundamentos, a legitimidade e a evolução da ordem social, como nos ensina Claude Lefort. Por esta via de explicação as causas do aprofundamento da pobreza e da desigualdade no mundo são deixadas de lado, a globalização dos mercados nos moldes do Consenso de Washington passa a ser compreendida como um processo inexorável, as políticas possíveis para se enfrentar as mazelas do mundo são as apontadas em uma agenda social mundial para a qual a contribuição do Banco Mundial tem um papel determinante. E por que o Banco Mundial, que é antes de mais nada um banco, teria tanto interesse em produzir análises e propostas que busquem organizar o debate público mundial em torno de um certo enfoque sobre as alternativas de desenvolvimento e da superação da crise social?
Este complexo jogo da disputa dos significados faz parte de um jogo mais amplo de poder. Conforme nos adverte Francisco de Oliveira: “Impor a agenda não significa necessariamente ter êxito, ganhar a disputa; antes, significa criar um campo específico dentro do qual o adversário é obrigado a mover-se. É evidente que o adversário, em seus movimentos, tenta, por sua vez, desvencilhar-se da pauta e sair fora da agenda que lhe é oferecida/imposta. É nesse intercâmbio, desigual, que se estrutura o próprio conflito, ou o jogo da política. Há, pois, na política, uma permanente mudança de qualidade. A força de uma invenção se expressa na capacidade de manter o adversário nos limites do campo criado pela proposta/resposta, e isto confere estabilidade ao campo político, permanecendo a pauta e a agenda das questões”
(Silvio Caccia Bava)

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Publicado por agineotonico às 09:34 AM

Mitos e realidades sobre ... (6)

Este último tópico – o da criação e disseminação do conhecimento – é especialmente importante para discutirmos a questão da agenda social internacional não só porque mobiliza recursos sem paralelo, mas porque cria uma referência internacional que até o momento não tem um “alter ego” crítico. Talvez o Fórum Social Mundial esteja buscando tornar-se esta referência crítica, assim como nos anos 90 os Fóruns Globais organizados pela sociedade civil quando da ocorrência da Rio 92 e das demais conferências mundiais organizadas pelas Nações Unidas tentaram fazê-lo. Mas o FSM não produz conhecimentos, apenas publicita as análises que se fazem no campo da sociedade civil. Todos esses temas que foram objecto de atenção dos discursos do Presidente do Banco Mundial fazem actualmente parte da agenda social das ONGs latino-americanas, pode-se mesmo arriscar a hipótese de que façam parte da agenda global das ONGs.
E como se dá a ligação entre os discursos de Wolfensohn e a agenda social das ONGs?
Evidentemente a questão da agenda social mundial é de uma importância e uma abrangência muito maior que sua influência sobre as ONGs. Ela de facto pretende pautar o campo no qual a disputa de alternativas define também o campo do conflito social e a produção do conhecimento na análise das questões sociais. Como vem ocorrendo, toda essa produção de respostas às pressões da sociedade se orienta para dissociá-las das políticas macro-económicas, como se pode observar pelas análises dos principais organismos das Nações Unidas, como é o PNUD por exemplo. O impacto de suas publicações anuais que avaliam o estado do mundo é enorme. E temas como o desenvolvimento humano e sustentável tornam-se referência obrigatória em todas as discussões que envolvem a busca de novos paradigmas para a configuração das sociedades futuras. Todo ano o Banco Mundial publica seu “World Development Report” (o relatório sobre o desenvolvimento do mundo), publicação que se torna referencia obrigatória nos meios universitários e nas Nações Unidas. Essa publicação tem o propósito de fixar os grandes temas que, durante um certo tempo, ocuparão as agências especializadas da ONU, as universidades e, mais além, a opinião pública.
(Silvio Caccia Bava)

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Publicado por agineotonico às 12:44 AM

Mitos e realidades sobre ... (5)

Esse apelo de Rifkin é secundado por ninguém menos que o presidente do Banco Mundial – James Wolfensohn – que em sua fala anual aos governadores do Banco, em 1997, adverte para os riscos do aprofundamento da pobreza e da desigualdade:
“Este - o desafio da inclusão - é o principal desafio do desenvolvimento em nossa era. Os senhores e eu e todos nós nesta sala - os privilegiados no mundo industrial e em desenvolvimento - podemos optar por ignorá-lo. Podemos concentrar-nos apenas nos sucessos. Podemos viver com um pouco mais de crime, com algumas guerras a mais, com ar um pouco mais poluído. Podemos nos isolar de partes inteiras do mundo para as quais a crise é real e diária mas que para o resto de nós é em grande parte invisível. Mas devemos reconhecer que estamos vivendo com uma bomba-relógio e que se não tomarmos medidas agora ela pode explodir na face dos nossos filhos”.
De facto, depois das crises políticas que se sucederam em vários países nos anos 90 em decorrência da imposição do modelo neoliberal, a questão da estabilidade política dos regimes e governos ganha mais importância, abrindo campo para a elaboração de novos discursos como o do combate à pobreza, o da good governance, o do fortalecimento institucional de governos e instituições da sociedade civil; e, nas palavras do Banco, da promoção de parcerias e coalizões baseadas na cooperação de todos: Nações Unidas, governos, entidades multilaterais, sector privado e sociedade civil. É importante observar, para fins de nossa discussão, que esses e outros temas foram o foco dos discursos anuais de Wolfensohn dirigidos aos governadores do Banco Mundial. Em 1995, o desafio do desenvolvimento; em 1996, a importância da geração de conhecimentos e do combate à corrupção; em 1997, o desafio da inclusão social; em 1998, o combate à pobreza e a redução das disparidades sociais; em 1999, o tema das parcerias e coalizões; em 2000, o tema da participação cidadã e da criação e disseminação do conhecimento.
(Silvio Caccia Bava)

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Publicado por agineotonico às 12:31 AM

Mitos e realidades sobre ... (4)

Temas como o do Terceiro Sector, as empresas com responsabilidade social, as alianças e parcerias, se introduziram e enraizaram-se no discurso de muitos que antes se reconheciam por outras identidades. Conceitos como os de desenvolvimento local, participação cidadã, inclusão social, empoderamento da sociedade civil, foram sendo criados ou resignificados, ganhando contornos mais compatíveis com a matriz discursiva de governos e empresas que deles se apropriam e com eles se apresentam como actores cada vez mais comprometidos com a solução dos problemas sociais. A dificuldade está em compreender o alcance e as consequências desse novo discurso. A questão é “como nos referenciar em um mundo que não lhe cessa de falar de “cidadania” e lhe retira o pouco poder de que você dispõe em seu trabalho e na sua vida?”. Esse novo léxico não é nacional. Ele pode ser visto como uma resposta ao aumento da desigualdade no plano mundial e à deterioração das condições de vida em sociedade na grande maioria dos países do mundo. A radicalização dos movimentos internacionais e nacionais de contestação ao modelo de globalização dos mercados passou a ameaçar a estabilidade política das classes dirigentes e a continuidade política do modelo neoliberal, o que pôde ser visto pelas sucessivas crises que abalaram, desde o início dos anos 90, México, o Brasil e a Argentina, para ficarmos apenas na América Latina.
Esse novo discurso é uma resposta à crise política e de legitimidade do padrão de acumulação que desde de meados dos anos 70 vem sendo impulsionado pelos organismos multilaterais – a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial – e imposto aos países do Sul através do receituário a que se convencionou chamar de Consenso de Washington. Nas palavras de um dos teóricos do chamado Terceiro Sector – Jeremy Rifkin – essa crise social e de legitimidade política dos governos precisa ser respondida o quanto antes. E aí entra o papel das alianças e parcerias no interior da sociedade civil, vistas como cada vez mais importantes pois se o chamado Terceiro Sector não ocupar esse espaço “será praticamente impossível tratar delas (das questões sociais) daqui a dez anos; vozes de raiva, de desespero e do ressentimento serão tão fortes que unicamente as ideologias políticas extremas terão êxito”
(Silvio Caccia Bava)

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Publicado por agineotonico às 12:27 AM

abril 06, 2004

Mitos e realidades sobre ... (3)

A agenda tanto dos governos locais progressistas como das ONGs passa hoje por uma redução drástica de seu horizonte utópico. Para aqueles que antes se referenciavam no socialismo e numa ética que, entre outros elementos, defende a justiça social, a equidade, a participação activa da cidadania na condução e fiscalização das políticas públicas, a situação actual é questionadora desta identidade. Essa agenda do “melhorar um pouco o que aí está” pode ser ilustrada com exemplos como bolsa-escola, renda mínima, micro-crédito, orçamento participativo, programas de geração de emprego e renda, todos projectos articulados a discursos que visam promover a inclusão social, o desenvolvimento local, a participação cidadã. Um olhar mesmo que superficial sobre a amplitude da cobertura destas políticas, sobre os recursos a elas destinados, sobre os resultados a que chegam, permite dizer que seus propósitos estão longe de ser alcançados. Programas de desenvolvimento local que não desenvolvem, programas de inclusão social que não incluem, programas de participação cidadã que não socializam o poder. Este novo desenho do papel do Estado e das políticas sociais opera uma conversão nos significados dos termos e, nesta nova matriz discursiva, transforma as demandas por direitos em carências. A arena pública e a política são substituídas pela filantropia e pelo assistencialismo.
Não é preciso dizer que neste contexto qualquer discurso de crítica ao modelo actual é visto como uma ameaça à estabilidade política e económica e combatido abertamente. A expectativa por parte dos governos é a do consentimento passivo dos cidadãos. E para que isso se dê é mister desmontar as capacidades das instituições e movimentos sociais que possam elaborar um pensamento crítico, autónomo, de busca através da criação, das inovações, de caminhos alternativos, de outras propostas de políticas, outros paradigmas para o desenvolvimento. Esse comportamento repressivo pode ser observado tanto no plano internacional, na forma como foram reprimidas as manifestações de protesto contra as políticas do Consenso de Washington, como as de Seattle e Genova, mas também no plano nacional. No caso brasileiro as manifestações públicas e movimentos como o sindicalismo combativo e os movimentos dos sem-terra sofrem fortes ataques. Mas os enfrentamentos não se dão somente nas praças públicas. Eles se dão também no campo da produção de conhecimentos, na disputa de significados, na determinação do campo dos conflitos, na configuração do que queremos como futuro. E nunca é demais lembrar que quando se tem o poder, é possível também orientar a produção das ideias.
(Silvio Caccia Bava)

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Publicado por agineotonico às 10:01 PM

Mitos e realidades sobre ... (2)

Mitos e realidades sobre inclusão social, participação cidadã e desenvolvimento local

Mas a inquietação destas ONGs não é com uma confusão semântica. Ela vai para mais além do desafio de preservarem suas identidades, seus projectos, sua missão enquanto educadores populares comprometidos com a construção da cidadania e a radicalização da democracia. A inquietação diz respeito, principalmente, à capacidade dos novos discursos gerados pelos governos e empresas – e assimilados por grande parte da sociedade civil organizada – confundirem o campo das disputas de interesses e dos conflitos políticos em nossa sociedade, apresentarem propostas impossíveis e mesmo assim se afirmarem como o discurso hegemónico. Surpreende igualmente a incapacidade destas ONGs elaborarem criticamente esse novo discurso e criarem respostas que reponham a dimensão da disputa, do conflito, na esfera pública, a disputa por recursos públicos e políticas, como o caminho para a superação dos problemas sociais. As dificuldades destas ONGs não são apenas suas. São de todo um conjunto de actores sociais que se posicionam na contramão de um cenário em que as políticas nacionais acentuam os processos de exclusão social e a desigualdade pela via da flexibilização das relações de trabalho, pela redução da cobertura e da qualidade das políticas sociais, pelo aumento do desemprego, pela redução do salário. O que está em jogo é a destinação da receita pública e o desenho das políticas públicas como respostas do governo ao acirramento da crise social. Essa resposta hoje tem a marca da exclusão social, ela se dá pela via da implementação de políticas de carácter emergencial e destinadas apenas aos grupos mais vulneráveis. E como seu alcance é muito limitado, os governos convocam a “parceria” das ONGs e das empresas para “se engajarem na luta contra a exclusão social”.
Existe uma coerência nesta estratégia, uma vez que a restrição imposta às políticas sociais e aos direitos de cidadania é condição para viabilizar o modelo económico actual. Neste cenário, a proposta de “mudança social”, bandeira das ONGs, fica confinada aos limites de melhorar um pouco o que aí está, mantidas as condições actuais de temperatura e pressão. E é justamente esse “melhorar um pouco o que aí está” que se tornou o factor limitativo das escolhas quanto aos engajamentos que definem a identidade das ONGs. O que dá margem à criação, no plano simbólico, da proposta de um novo campo de parcerias e alianças que antes não existia.
(Silvio Caccia Bava)

Publicado por agineotonico às 08:30 PM

Mitos e realidades sobre ...

Mitos e realidades sobre inclusão social, participação cidadã e desenvolvimento local

Nesse momento há uma inquietação muito grande da parte de uma parcela das ONGs brasileiras. Nos anos 90 elas viram seu léxico, articulado em torno dos temas da cidadania, apropriado por empresas, governos e organismos multilaterais. Ao mesmo tempo outras questões penetraram no seu universo: eficiência e eficácia, indicadores de resultados, planejamento estratégico e gerência por objectivos, temas do mundo da administração das empresas. Também os governos inovaram no discurso e adoptaram uma nova postura: buscam ONGs para execução de projectos sociais, apresentam propostas de parcerias com a sociedade civil como recurso para a solução dos problemas sociais.
Neste novo cenário neoliberal dos anos 90 – marcado pela desconstrução de direitos e por políticas assistenciais, focalizadas e compensatórias – criou-se uma linguagem que acaba por se impor ao conjunto da sociedade, gerando um campo de indeterminações, uma zona cinzenta, uma mistura de identidades, na qual a situação actual das ONGs que se identificam enquanto grupos de cidadãos que se organizam para a defesa e ampliação de direitos, para dizer o menos, tornou-se bastante difícil e complexa.
Os novos discursos assumidos por empresas e pelo Estado aproximam estas instituições do léxico das ONGs de tal forma que muitas vezes suas identidades se confundem. Nas palavras de Paulo Arantes: “De uns tempos para cá, autoridades governamentais desandaram a gesticular e arengar como se fossem militantes de uma ONG, de todas as ONGs, misteriosamente eleitos pela mão invisível do destino para advogar a boa causa da sociedade, ocupando, porém, graças sabe-se lá a que manobras astuciosas da razão, postos-chave no aparelho do Estado, sobretudo os directamente concernidos por uma enteléquia cívica denominada “o social”. Depois de referir-se às novas atitudes do Estado, o autor referido observa que: “também as empresas, por uma espécie de esquizofrenia programada, principiaram a se comportar em público como se fossem de verdade organizações não lucrativas! No fundo, se ainda distribuem dividendos para seus accionistas, é por mera e incontrolável decorrência técnica de sua maior eficácia no uso de bens escassos. Em primeiro lugar viriam os incontornáveis direitos de cidadania – como seria de esperar dessas verdadeiras centrais de recursos à disposição da sociedade.”
(Silvio Caccia Bava)

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Publicado por agineotonico às 07:57 PM

O 25 de Abril visto de dentro

Comemorar o 25 de Abril? Sim, sempre

Ao contrário do isolamento, da competição, do individualismo, da pobreza, da violência e do medo, que marcam hoje a nossa vida quotidiana, muitos de nós lutámos/sonhámos com um país acolhedor, com uma intensa vida comunitária que valorizasse a nossa cultura e suas múltiplas identidades, um país que oferecesse uma melhor qualidade de vida a todos os seus cidadãos. Na verdade, o 25 de Abril permitiu dar passos importantes nesse sentido, permitiu que se esboçassem políticas públicas universais e de boa qualidade e para as quais foram mobilizados recursos públicos para garantir alguns dos direitos básicos dos cidadãos na educação, na saúde, no saneamento básico, na habitação, na circulação e nos transportes colectivos, na segurança, no acesso à cultura e ao lazer.
30 anos depois, assistimos à destruição sistemática de tudo aquilo por que lutámos/sonhámos. Assistimos a uma destruição não por negligência do poder, mas sim pela implementação de uma política coerente que divide os cidadãos do nosso país em “incluídos” e “excluídos”, que divide os cidadãos do nosso país em “humanos” e “subhumanos”. “Humanos/incluídos” que têm garantidos o acesso a todos os bens sociais disponíveis e “subhumanos/excluídos” que caminham cada vez mais rápido para o direito a usufruírem de medidas de excepção focalizadas, sob a forma de caridade por parte do Estado.
A história ensina-nos e 25 de Abril confirma, que o progresso social é uma conquista permanente, que os direitos dos cidadãos não estão permanentemente seguros, que à primeira distracção, que ao primeiro esboço de abandono da luta esses direitos estarão em risco. É o que assistimos hoje: aumentam as desigualdades no nosso país, o Estado desobriga-se das suas funções públicas e entrega sectores chaves, que são garantes da igualdade, às elites políticas e económicas.
E nós, que outrora soubemos lutar, soubemos assumir a nossa cidadania na exigência de actividades e instituições de promoção do desenvolvimento comunitário, dos laços de solidariedade multicultural, na exigência de transparência nas relações entre sociedade e governo, perdemo-nos em discussões estéreis que nos dividem e nos impedem de reatar esta luta pela democracia, esta luta pela inclusão e contra a exclusão da maioria dos portugueses.
Comemorar o 25 de Abril?
Sim, sempre. Quanto mais não seja a memória dos dias que mais sentido deram às nossas vidas (de alguns de nós).
Comemorar o 25 de Abril?
Sim, sempre. Mas com preocupação e uma profunda tristeza ....


GIN

Publicado por agineotonico às 05:30 PM | Comentários (1)

abril 05, 2004

25 de Abril visto de fora

“A transição é um processo estranho porque não se trata de uma revolta. Chamamos-lhe assim justamente porque não houve uma revolução como aconteceu, por exemplo, em Portugal. Em Espanha, a transição foi orientada pelos franquistas, por Adolfo Suárez e pelo rei Juan Carlos ... do lado de Franco, houve um processo de tentar salvar tudo quanto fosse possível ... A revolução portuguesa não foi uma revolução popular, foi uma revolução conduzida pelo exército. E a imagem que, até então, nós tínhamos do exército português era praticamente a mesma que tínhamos do exército espanhol ... ou pior ainda, uma vez que se tratava de um exército que ainda travava uma guerra colonial ... os fundamentalistas democráticos são aqueles que pensam que existe uma democracia pura e incorruptível. Uma democracia que pode vender-se aos pacotes, instalar-se em países que nada têm a ver com ela e, assim, tentar resolver as coisas ... a democracia não é uma solução, mas apenas uma condição para tudo.
(Juan Luis Cebrián in Visão 578)


GIN

Publicado por agineotonico às 03:10 PM | Comentários (2)

abril 03, 2004

ACHO QUE É EM 2005 QUE FICAMOS A VIVER MELHOR, NÃO É?

DADOS DO DESEMPREGO EM PORTUGAL

Fevereiro 2003 - 412.497
Fevereiro 2004 – 467.540

+ 55.043 desempregados = 13% de aumento

destes, 28.557 são homens e 26.486 são mulheres

5,4% deste aumento do desemprego, em apenas um ano, são jovens com menos de 25 anos

15% têm mais de 25 anos

4% destes novos desempregados não têm qualquer instrução

12,3% têm o 1º ciclo

12,2% têm o 2º ciclo

13,5% têm o 3º ciclo

13,3% têm o Secundário

29,9% são licenciados

Mas Durão Barroso diz que estamos a começar a retoma (não sei de quê, mas enfim ...)

“Margarida Chagas Lopes, que pertence ao Observatório do Emprego, lembra que o sector de serviços cresceu muito, embora de forma desigual nos diversos sectores. «Só que, ao contrário do que se esperava, não absorveu suficientemente a mão-de-obra qualificada ... a maioria das empresas portuguesas é pouco inovadora, possui equipamentos sem grande complexidade e processos de trabalho que se aprendem rapidamente ... os qualificados iriam possivelmente exigir maiores ordenados e, mesmo que não o fizessem sentir-se-iam subaproveitados, pouco motivados. Além disso, facilmente poderiam deter ascendente sobre os dirigentes e gestores, que têm, frequentemente, menos habilitações que os empregados ... mesmo quando chegar a tão falada retoma, estas pessoas vão demorar mais a voltar ao mercado de trabalho do que há 10 anos”
(Visão nº 578)


GIN

ACHO QUE É EM 2005 QUE FICAMOS A VIVER MELHOR, NÃO É?

Publicado por agineotonico às 02:43 AM | Comentários (2)

abril 02, 2004

EUA e ISRAEL decidem destino da Palestina

Bush respondeu na quarta-feira dando algumas garantias a Sharon, declarando que após um acordo de paz Israel não será forçado a recuar completamente para a Linha Verde (fronteira internacional de 1967). Em termos práticos, isto quer dizer que os grandes colonatos, próximos da fronteira, deverão ser integrados em Israel. Mas, provavelmente, em troca da cessão de outras terras aos palestinianos


GIN

Publicado por agineotonico às 09:41 PM | Comentários (2)