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janeiro 10, 2004
FALAMOS MUITO E FAZEMOS POUCO
São as palavras que encontro para exprimir a minha raiva quando leio estas notícias.
“Somos um país de brandos costumes”, sempre ouvimos dizer isto e a grande maioria de nós vive de acordo com esta máxima como se fosse uma espécie de destino a que não podemos fugir.
“Os valores que regem as nossas condutas de vida têm-se alterado, valorizando-se mais os aspectos materiais em detrimento dos valores universais dos direitos do homem”, esta é outra máxima com que aprendemos a viver com passividade.
O nosso país tem muita gente a opinar, mas tem pouca tradição de se organizar em estruturas que desempenhem um papel activo de denúncia e de mobilização da opinião pública em torno da defesa dos mais elementares direitos humanos.
Mas esta situação ultrapassa os limites do compreensível ...
"Um dos negócios de crime organizado que mais tem crescido no mundo, só ultrapassado pelo tráfico de estupefacientes é do tráfico de órgãos humanos. Os clientes são cidadãos dos países ricos ... que não querem entrar nas listas de espera para substituir órgãos doentes ou danificados; os dadores, voluntários ou forçados, são gente pobre, deserdada da vida e sem qualquer horizonte de esperança
O negócio, segundo estimativas oficiais das Nações Unidas, movimenta para cima de 13 mil milhões de dólares por ano ... segundo uma tabela alinhavada pela ONU, um doador pode receber 4 mil dólares por um rim que, revendido, passará a valer 200 mil dólares. Meio fígado será pago a 6 mil dólares e revendido a 150 mil; uma córnea a 3 mil e revendida a 45 mil.
Há mais preços, para quem vende directamente ao cliente: 150 mil dólares por um pulmão, 120 mil por um pâncreas, 60 mil por um coração. Parece mal cotado o coração, neste "talho" humano que vampiriza, fria e cruelmente, a miséria de uma larga parte da humanidade.
Há uma lista de alvos preferenciais dos caçadores de órgãos: imigrantes clandestinos, prostitutas, pobres, miseráveis, desempregados, foragidos, crianças deficientes, escravos. Gente cujo corpo não será procurado após consumado o crime, gente que pouco ou nada conta para as estatísticas com idade e nome e se dilui apenas nos números pesados da miséria global.
Em Moçambique, o primeiro caso registado foi o de uma menina de 12 anos desaparecida em 2002. Foi depois encontrada sem vida e sem alguns órgãos: coração, pulmões e um rim.
Muitas outras crianças terão sido ali assassinadas com a mesma finalidade: arranjar órgãos "frescos" para clientes ávidos deles.
No Brasil, um dos países na triste "linha de frente" deste tipo de tráfico, também se denunciam muitos assassinatos, até mesmo em hospitais, com a cumplicidade de médicos e enfermeiros indignos desse nome ... a maioria é abatida, fria e impiedosamente, e vendida a retalho num mercado milionário. No nosso mundo e para nossa vergonha."
GIN
Publicado por agineotonico às janeiro 10, 2004 03:51 PM
Comentários
Sem duvida é um assunto que merecia um bom debate e em simultâneo uma boa reflexão, não teremos qualquer tipo de duvida o glorioso euro compra tudo e saúde engloba se, mas quanto aos média poderem se debruçar sobre este tema, acho na minha modesta opinião que seria abrir a porta para o pânico geral, afinal...português paga impostos absurdos, tem salários de esmola, o sistema saúde trabalha sim.... onde é que eu não sei, mas aliás é completamente normal, temos que ter em conta que o sistema CRSS é sem duvida se mi gratuito e de graça o povo paga e não bufa, falar em casa pia, é uma maneira de demonstrar que algo anda e sempre andou mal, finalmente o "silencio dos inocentes" terminou, mas daí a dar resultado.....em Portugal? ( já sei sou pessimista) e quanto a guerra do Iraque é tema fácil, vão morrendo uns quantos militares muito destacado penar na imprensa, e mesmo omitindo centenas de crianças mortas nessa guerra que todos nós mesmo sabendo não temos também a coragem de o dizer em viva voz, limitamos nos a ficar calados observando o poder politico usar e abusar seja de quem for, acho que no Iraque " o silencio dos inocentes" ainda é filme corrente, e com isto tudo, se por acaso fosse mos falar em trafico de órgãos......é mesmo de entrar em pânico, sem duvida que estamos a tornar nos um pais de rápidos costumes de 3 mundo, mas como todo o Português tem consciência, devagar aceitamos tudo……
Publicado por: Alguem atento às fevereiro 23, 2004 02:14 PM
"ATão" não se pode beber um gintónico?????
Publicado por: bisbilhoteiro às janeiro 29, 2004 08:50 AM
Talvez seja a nossa herança cultural ladrar muito e morder pouco...
Penso que esta questão de tráfico de órgãos já circula por aqui, mas em círculos limitados e restritos ( por mais de uma vez recebi notícias e comentários sobre o assunto, por mail). O tema ainda não veio para as primeiras páginas dos média por, penso eu, não terem ainda sido relatados casos suficientes no nosso país ( se os há estão no anonimato) ou porque o caso “Casa Pia” e a guerra do Iraque dominam as atenções, e são da perspectiva dos “média” mais atractivos. Do que sei estes dramas são mais comuns em países do 3º mundo ( se bem que em muitas situações, nós também lá devêssemos estar). Contudo penso o tema muito interessante para debater, pois mais dia menos dia, estará aí a bater-nos à porta....
Esta é mais uma situação em que o poder económico consegue “comprar” saúde à custa de desgraçados que têm de vender partes do seu corpo para comer. Outros ainda os há que nem o direito a vender têm, pois são-lhes retirados à força os órgãos. E ainda há outros que não sabem que estão mais “pobres” de órgãos, e só a investigação de cicatrizes recentes vem a mostrar que sofreram ablação de órgãos.
Será este um mal necessário das sociedades modernas? Ou será mais uma forma da nova economia? Já há muitos que defendem há alguns anos que quem quer saúde que a pague; será esta uma das maneiras?
Publicado por: vmar às janeiro 10, 2004 05:39 PM
São cifrão a quanto obrigas!
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado às janeiro 10, 2004 05:16 PM
bem visto!
Publicado por: canzoada às janeiro 10, 2004 04:38 PM