Nos Estados Unidos
De entre os direitos em risco desde o início da "guerra contra o terrorismo" citamos os de: liberdade de expressão, liberdade de associação, direito à privacidade, direito a julgamentos justos, incluindo o acesso a um advogado e à confidencialidade das informações trocadas entre este e o seu cliente, o direito a não ser torturado ou sujeito a outros tratamentos desumanos, cruéis ou degradantes, o direito de asilo.
No Reino Unido entrou em vigor em Dezembro de 2001, a Lei Securitária de Combate ao Terrorismo e Crime que permite a detenção por tempo indefinido, sem culpa formada e sem julgamento, de estrangeiros considerados "suspeitos de serem terroristas internacionais ou de constituirem um risco para a segurança nacional"
Nos Estados Unidos da América, a Lei Patriótica dos EUA, de Outubro de 2001, permite a detenção indefinida de cidadãos estrangeiros sempre que o Procurador Geral tenha "bases razoáveis para acreditar" que estão comprometidos em actividades terroristas ou que constituem uma ameaça para a segurança nacional. Em 15 de Novembro de 2001, o Presidente Bush assinou a Ordem Militar que permite que os cidadãos estrangeiros acusados de terrorismo possam ser julgados por Comissões Militares que dispensam as regras normais de provas e salvaguardas constantes do Sistema de Justiça Criminal dos EUA; estas Comissões podem operar secretamente e condenar à morte, não sendo as suas sentenças passíveis de recurso. Nas bases militares de Guantánamo (Cuba) ou de Bagram (a norte de Kabul) centenas de prisioneiros são mantidos há mais de um ano, sem estatuto legal face à lei internacional (Convenções de Genebra) ou à lei criminal dos EUA, com fortes restrições quanto ao direito de defesa e em incumprimento de normas internacionais ... "
Porque será que depois achamos estranho e perigoso que ...
- Irão recusa restrições ao seu programa nuclear civil, que se comece a verificar uma corrida ao armamento nos países do Médio Oriente???
Como diz o tónico "as eleições em Portugal não se ganham, perdem-se"
E estranha-se o resultado das sondagens .... pelas razões que João Cravinho apresenta numa entrevista ao Público ...
"-O PS não terá muitas críticas a fazer sobre a questão do Iraque porque eclipsou-se deste debate.
- Temos de pensar e fazer uma autocrítica para ter aí uma acção muito mais forte. Temos de ter uma maior persistência, coerência e capacidade de intervir nos momentos próprios.
- Não acha que falta ao PS uma definição estratégica de alvos claros? Fica a sensação que há muita gente do PS a falar em muitos fóruns diferentes e a falar de coisas diferentes ....
- Ponho as coisas de uma forma diferente. Temos de reforçar a objectividade e a capacidade de intervenção ..."
isso João Cravinho ... repensar fazer alguma oposição !!!!!!
O Tónico diz-me sempre, “as eleições em Portugal não se ganham, perdem-se”.
Quando leio que a oposição surge à frente nas sondagens, penso sempre na verdade que esta frase encerra.
De facto, não me parece que nos últimos tempos tenha visibilidade uma oposição credível ao actual governo e, paradoxalmente, as sondagens dão vantagem a essa oposição que não tem existido de forma visível e consistente.
Parece ser a verdade: “As eleições em Portugal não se ganham, perdem-se”
GIN
Ordem dos enfermeiros suspende enfermeiras envolvidas no caso de morte por asfixia no Hospital Egas Moniz.
Se o que a TSF afirma é verdade, estamos uma vez mais perante uma atitude cooperativista da ordem dos médicos que em nada dignifica a classe.
Afinal quem é o responsável máximo pelo tratamento de um doente? O enfermeiro?? É apenas da competência dos enfermeiros avisar da situação clínica de um doente? Porque razão são só os enfermeiros acusados e penalizados??
Em relação aos médicos envolvidos, será que não era melhor vir a lume toda a verdade? Ou por ter pedido a reforma (dizem as más línguas) já não se assume as responsabilidades?
Dúvidas que, certamente, um correcto jornalismo de informação deveria ter a preocupação de investigar no sentido de informar e esclarecer os seus públicos.
Os próprios médicos deveriam ser os primeiros a exigir à sua Ordem que tivesse maior rigor no apuramento de responsabilidades dos seus membros para que a população ganhasse confiança numa classe que teme mas não confia e que cada vez mais é posta em causa. As consequências do encobrimento destes casos recai sobre toda a classe e começaremos a assistir a médicos a ser postos em causa e acusados por situações que nada têm a ver com negligência, como parece ter sido este caso, mas por ocorrências que estão descritas como possíveis.
Tónico
Que os órgãos de comunicação social têm andado , por vezes, a fazer um trabalho duvidoso e que muitos dos jornalistas têm um déficit de formação ética e profissional, já todos demos por isso.
A liberdade de expressão e a imprensa livre são um dos suportes fundamentais da democracia mas assiste-se hoje, com o apoio da maioria parlamentar, à concentração da imprensa nas mãos dos grandes grupos económicos.
"o que por aí existe já é suficiente para justificar o toque das campainhas de alarme para os democratas"
O significado das acções, neste caso da "marcha branca", não pode ser avaliado pelas reacções que as pessoas que nela participam têm. Acresce, ainda, que a informação sobre o processo da Casa Pia aliado ao que todos temos vindo a assistir sobre a impunidade de que beneficiam os equivalentes das "senadoras dos bons sentimentos", fazem com que o "povo branco" tema que, mais uma vez, tudo seja abafado e os culpados fiquem de novo impunes. Esta, creio eu, é a questão importante: a impunidade.
Quanto ao "sebastianismo", as razões prendem-se com o que disse atrás. Relacionam-se com a necessidade de acreditar que nos órgãos de poder deste país ainda há alguém que é honesto e tem coragem de enfrentar os seus pares.
Não sei o que move "a nova vedeta" Rui Teixeira, mas ele é visto pelo "povo branco" como a esperança que alguma coisa possa ser feita no que respeita ao processo Casa Pia e, de uma forma mais alargada, que algumas mudanças se produzam na aplicação do sistema judicial, tornando-o menos conivente com as práticas criminosas dos “senhores do poder”.
“pedofilia – castração – prisão perpétua” é o resultado do descrédito na justiça do nosso país, é o grito da “populaça” que espera e desespera.
Não estou aqui a fazer de advogada do diabo, ou do "povo branco", estou a reclamar da visão do alto da tribuna do conhecimento que transpira no artigo do Barnabé. Concordo com muito do que diz, nomeadamente no que se refere ao comportamento de pessoas com responsabilidades quer neste processo, quer enquanto figuras públicas, mas não posso deixar de discordar da forma como o diz.
PS: A saber: eu não salto e não sou pedófila.
GIN

Chuva Oblíqua
I
Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas ...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado ...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol ...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo ...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro.
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro ...
Não sei quem me sonho ...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvores, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma ...
(Fernando Pessoa - ficções do interlúdio)
“Em ano e meio, o Governo criou todas as condições para diminuir as responsabilidades do Estado no sector da Saúde.
A VERDADE “NUA E CRUA” é que o governo está a “ VENDER” o Serviço Nacional de Saúde aos grupos económicos privados.”
(in comunicado do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses)
A vender, vender não digo ... mas a colocar uma boa parte do SNS no sector privado, disso não tenhamos dúvidas.
Mas como as listas de espera não vão acaba, até pode dar algum jeito.
Tónico
O autor do MATA-MOUROS apresenta as suas razões para não ir à marcha branca. Diz ele "Não vou à “Marcha Branca” porque muitos dos seus promotores não me merecem consideração.". Percebo que se sinta incompatibilizado com muitos dos participantes naquela iniciativa, até porque todos os partidos e "personalidades" estarão lá representados e seria difícil que tivessem as mesmas ideias e objectivos para aderirem a esta iniciativa. Mas a verdade é que a realização desta marcha não é da iniciativa das pessoas que o MATA-MOUROS refere. Sugiro, pois, que dê uma olhada para Marcha-Branca.

Foto tirada por Gin e Tónico no Parque dos Poetas em Oeiras
Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de oiro e pedrarias ...
Sobem-me aos lábios súplicas estranhas ...
Sobre o meu coração pesam montanhas ...
Olho assombrada as minhas mãos vazias ...
(charneca em flor)

Foto tirada por gin e tónico no Parque dos Poetas em Oeiras
CRUCIFICAÇÃO
Vertical sou contra Deus
Horizontal a favor.
Nesta cruz me crucifico.
Vertical com desespero.
Horizontal com amor.

(Foto tirada da capa da revista MODERN PAINTERS)
Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor escura do café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto do meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os outros, o Mundo é geralmente maniqueísta. (Pepetele in Mayombe)
Guterres passa Soares
As sondagens em Portugal são a desgraça que se conhece. Penso mesmo que, por vezes, são forjadas ... ou talvez até pagas para que a escolha da amostra, ou a leitura estatística se adeqúe melhor ao que cada um pretende!!! ...alguém tem dúvidas que Guterres, mesmo com um psiquiatra ao lado, (para o tratar dos momentos de depressão e de desalento) não tem qualquer hipótese de ganhar seja o que for neste país?
Por favor “Messias” vem de Estrasburgo, ou de outro lado qualquer e dá uma reviravolta neste partido socialista de forma a que se volte a organizar o espaço de centro esquerda. Não é que seja filiado nesse partido, mas que está por aqui um vazio que se torna perigoso, está.
É que, por estranho que pareça, as eleições em Portugal perdem-se, não se ganham ...
Que dirá o JPP no seu ABRUPTO? Que isto não é mais que uma tentativazinha para tornar o Guterres mediático tentando apagar o passado? Ou que o PS está em roda livre e não arranja substitutos credíveis para esta direcção bacoca?
O Tónico
Felizmente que alguém começa a ter juízo em Israel. Mais importante isso é porque a oposição começa a surgir dentro do próprio exército. Pilotos israelitas recusam-se a atacar alvos palestinianos
Biólogos ingleses, das universidades de Edimburgo, Saint Andrews e Leads fazem há longos anos uma investigação sobre os peixes e descobriram que os peixes são:
- muito inteligentes
- manipuladores
- podem até ter uma cultura
- reconhecem o prestígio social
- utilizam ferramentas para construir ninhos complexos
- demonstram ter memória de longo prazo.
Será que é esta a origem da alcunha atribuída ao nosso 1º Ministro???
Pedi ao meu filho de 17 anos que é um web navegador compulsivo:
- Dás-me uma ajuda na configuração do blog? sabes o que é não sabes?
- Sei, sim, são coisas de pessoas demasiado vaidosas para participarem nos chats e aguentarem-se a ser apenas um entre muitos. Estou farto de Blogs, desenrasca-te sozinha.
Isto deu-me que pensar. De facto, se dermos uma volta pelos chats e foruns que por aqui pululam, ficamos arrepiados com o nível das coisas (não me atrevo a chamar diálogos, ou troca de ideias) que por ali se lêem. E questionei-me ....
Aparvalhem como eu aparvalhei (fim)
(ainda a entrevista de Maria Belo)
PARA FINALIZAR ESTE ASSUNTO
Não me move nenhum prazer mórbido ver pessoas conhecidas presas no contexto deste processo.
Confesso mesmo, que fiquei profundamente abalada com a notícia de alguns dos que estão em prisão preventiva. Também as minhas "fantasias" em torno do mundo, esbarraram de encontro a uma realidade demasiado sórdida e aberrante.
Mas não posso deixar de pensar no sofrimento daquelas crianças, no sofrimento dos jovens adultos e dos adultos que passaram por tudo isto sem terem a quem recorrer para pedir ajuda. Todos os arguidos têm direito a, pelo menos, um advogado, têm o apoio de familiares e amigos, mas as vítimas da Casa Pia viveram estes abusos numa imensa solidão e sem qualquer direito a defesa.
Espero que não seja mais uma "fantasia colectiva", a esperança de que os culpados sejam acusados e penalizados com penas exemplares ....
A GIN
Aparvalhem como eu aparvalhei (4)
(ainda a entrevista da Maria Belo)
"A verdade é que todos nós fomos violados na infância, isto é, temos fantasias, quase sempre inconscientes, de violação, de sermos batidos, que podem ter uma base de realidade, mas que são sobretudo um biombo para o nosso desejo infantil ... é preciso que os investigadores saibam isto, mas também têm de saber que o facto de haver estas fantasias e fantasmas nas crianças não significa que as crianças não tenham sido abusadas realmente" (sic)
É verdade que, desde muito cedo, a criança fantasia o mundo real. É a partir das fantasias que a criança se vai apropriando desse mundo real e o vai integrando em forma de conhecimento. Vai também fantasiar em torno da sexualidade e continuará a fantasiar pela vida fora.
Agora falar em fantasiar na infância no contexto deste Processo da Casa Pia, coloca-me a questão de se Maria Belo acredita que as dezenas, senão centenas de crianças que referem terem sido alvo de abuso sexual, andaram a fantasiar colectivamente. Será possível que acredite também que a fantasia marcou fisicamente algumas destas crianças para toda a vida, como é o caso das que sofrem de incontinência anal?
Quanto às marcas psicológicas, e ao impacto destas no percurso de vida dos que foram alvo de abuso sexual, seria interessante que Maria Belo se dedicasse a esse estudo e apresentasse as suas conclusões na qualidade de psicanalista.
Seria interessante sobretudo, porque se tem tentado passar a ideia que aquelas crianças nasceram prostitutas e que, por isso, o terem relações com adultos não cabe no quadro de abuso de menores.
Muitas destas crianças foram violadas de forma continuada dentro da Casa Pia, foram levadas, de forma organizada, a manter relações com adultos fora da instituição a troco de dinheiro e, claro, muitas delas prosseguiram a sua vida na prostituição, na toxicodependência e noutras formas de delinquência.
Mas outras tentaram e conseguiram refazer as suas vidas à custa de muito sofrimento, de muito silêncio, de muito "esquecimento" e o levantar deste processo está, com toda a certeza, a ter um tremendo impacto nas suas vidas pessoais.
A exigência do apuramento de responsabilidade e a punição exemplar dos culpados, deve-se à necessidade de, por lado, pôr termo a esta situação que se arrasta há décadas e, por outro, ajudar as crianças, os jovens adultos e os adultos alvos destes abusadores a fazerem o "luto", a perceberem que a maioria dos portugueses e os seus representantes máximos que durante tanto tempo fecharam os olhos, não os vêm como culpados, mas como vítimas.
Esta parece-me ser a questão essencial ...
DA GIN
Aparvalhem como eu aparvalhei (3)
(ainda a entrevista de Maria Belo na FOCUS)
”O crime tão hediondo” é o da pedofilia pura e dura de que não há conhecimento em Portugal" (sic)
Talvez não exista pedofilia pura e dura em Portugal, como diz Maria Belo.
Talvez, digo eu ... mas tentando esquecer as inesquecíveis imagens de uma criança torturada, que percorreram este país e que se pensa ser de uma criança portuguesa desaparecida. Mas coloco, por ora, essa imagem de lado e volto à questão da pedofilia versus abuso de menores e, mais concretamente, ao que li naquela entrevista de Maria Belo sobre o Processo Casa Pia.
Na minha opinião, parece-me que a diferença entre um pedofilo e um abusador de crianças reside no facto de o o abuso praticado pelo pedofilo ser compulsivo, i.e., ele abusa sexualmente crianças sem conseguir controlar esse impulso, enquanto que um abusador de crianças sabe que está a cometer um crime e pratica-o com essa consciência. Talvez se possa estabelecer a comparação entre um assassínio involuntário e um assassínio premeditado.
No caso concreto da Casa Pia, a que se refere esta entrevista, a situação de abuso de menores assume proporções dramáticas, quer porque não se trata de abuso sexual apenas dentro da instituição e localizado num tempo limitado, quer porque se trata de crianças sem família ou com famílias disfuncionais e que se encontram sob a responsabilidade do estado.
O que se sabe hoje, ou melhor, o que se tornou público, é que o abuso de menores nesta instituição não foi localizado no tempo e esporádico, foi abuso continuado ao longo de décadas e muitos dos abusadores eram estranhos à Casa Pia. Acresce ainda a isto, que não era abuso casual de uma louco qualquer, mas sim organizado em forma de rede pedofila de que ainda não conhecemos os contornos.
Mas ainda mais grave, é que esta rede funcionava fornecendo crianças a abusadores "ricos", e ao que parece com responsabilidades públicas, que sempre que alguma coisa vinha a público, conseguiam ver os processos abafados e as provas destruídas. As crianças continuavam a ser vitimadas e os abusadores continuaram impunes. Penso que estes dados constituem um dado importante para mostrar o poder e a extensão desta rede.
Se há pedofilia pura e dura em Portugal, penso que é coisa que ainda está para se determinar, mas deveria ser investigado até às últimas consequências.
Eu não tenho a certeza da Maria Belo para afirmar tão categoricamente que não há conhecimento de pedofilia pura e dura em Portugal ...
DA GIN
Aparvalhem como eu aparvalhei (2)
(ainda a entrevista de Maria Belo na FOCUS)
É verdade que “A cultura portuguesa tem costumes muito violentos na família ... o abuso sexual na família utiliza muito mais a violência psicológica do que a coacção física. Embora não se deva esquecer a própria violência doméstica ... e, sobretudo das mães sobre as crianças.” (sic).
Como disse atrás, parece-me mais razoável e fácil de gerir que se seja espancado ou seviciado por um membro da família que se conhece bem do que por alguém que não nos é nada e que está protegido por uma instituição, porque isso nos deixa mais indefesos. E não estou com isto a defender que se deva pactuar com a violência doméstica, mas sabemos como as difíceis condições de vida, as dificuldades económicas, a exclusão social, as perturbações emocionais de entre outras, podem contribuir para esse fenómeno. Estou apenas a querer dizer que o facto de haver crianças que são violentadas dentro da própria família é algo de muito condenável, mas que não pode ser comparado com a violentação de crianças entregues ao cuidado de uma instituição do Estado. Parte-se do princípio que estas Instituições têm a função de acolher, proteger e integrar socialmente as crianças que, por diversas razões, não têm condições para estarem integradas no seu meio familiar. São crianças que se sentem diferentes à partida, são crianças que se sentem rejeitadas, são crianças que, muitas vezes, já experienciaram situações de violência, são crianças profundamente sós e, isso, já deixa marcas que bastem ...
Nestas instituições as crianças deveriam ter oportunidade de viver relações sociais positivas, ter oportunidade de sentir que são respeitadas enquanto pessoas, para que se tornem adultos socialmente integrados.
Tentar fazer correspondência entre a situação de agressão familiar e a situação de agressão dentro da Casa Pia, é uma tentativa de dizer que o que se passa lá dentro é a mesma coisa que acontece nas famílias e, por isso, é natural ...
A GIN
Na FOCUS de Setembro, vem uma entrevista com a ex eurodeputada e psicanalista Maria Belo sobre o processo Casa Pia.
PASMÁMOS!!!!!!!!
Então não é que temos estado a embandeirar em arco, na perspectiva de Maria Belo, no que respeita a este processo???????
O que se passou com aquelas crianças e pré adolescentes foi apenas “pedofilia mansa, ou seja, trata-se muito mais de uma relação de sedução do que de situação de violência” (sic)
Que Maria Belo diga que em Instituições desta natureza, as crianças estabelecem relações afectivas entre elas e que, como por regra não são mistas, essas relações podem ser consideradas de cariz homossexual, é uma coisa que aceito. Acho mesmo compreensível e aceitável que essas relações se estabeleçam porque permite que estas crianças encontrem algum equilíbrio afectivo num meio que lhes é hostil. Sabemos que viver nestas instituições em Portugal é muito duro (como demonstra este processo).
Outra coisa bem diferente, é defender uma atitude passiva perante o abuso sexual dos alunos mais velhos sobre os mais novos, ou dos mais fortes sobre os mais fracos.
Mas ainda mais diferente e mais grave, é defender que o abuso sexual e as violações de que foram alvo centenas de crianças da Casa Pia, por pessoas que nada tinham a ver com a instituição, não passou de um jogo de sedução e que “para muitas daquelas crianças, poderá ter sido muito mais traumático estar a viver na Casa Pia do que ter andado a namorar com algumas daquelas pessoas” (sic).
Cara Doutora, todos sabemos que viver institucionalizado é traumático. Viver e crescer sem ser no seio de uma família, por muito que esta seja disfuncional, é melhor que viver institucionalizado porque nos dá referências importantes. Agora, daí a dizer que viver na Casa Pia é mais traumático do que ser violentado, servir de brinquedo a abusadores de menores e, em muitos casos, encaminhado para a prostituição e para redes de pedofilia, vai um bom passo.
E, francamente, chamar à violentação “ter andado a namorar” deixa-me absurdamente sem palavras.
Parece-me, doutora Maria Belo, que tem ideias claras sobre este assunto e que “o que choca é isso vir a lume” (sic) e, ainda por cima, não a doutora mas “a lei diz que se trata de um crime, e é por esse crime ... que os arguidos terão eventualmente que responder.” (sic).
A GIN
Sampaio chama notáveis da saúde ...
O ano da verdade ... saúde cumpre!
“Expresso 20/09/03”
“Conseguimos uma redução dos custos à custa de uma maior racionalização de recursos” Nos hospitais empresarializados e, comparando o primeiro semestre deste ano com período igual de 2002, a massa salarial só aumentou 0,6%”.
A demagogia deste ministério é atroz ... a única coisa que estes senhores fizeram nos hospitais empresa foi:
1) Congelar qualquer entrada e facultar as saídas. Sim, em termos práticos não entrou ninguém e mesmo os médicos que acabavam uma especialidade de 5 ou 6 anos foram confrontados com uma de duas alternativas: a) ou com um contrato de 6 meses nos hospitais empresarializados ou b) com um contrato de 3 anos nos restantes hospitais públicos ligados à função publica ....... como optarias Gin? ...... claro, pelo público, mais estável porque já se conhecem as regras e que nestes “hospitais privados” se teima em não as redefinir em termos de gestão privada e onde trabalham milhares de funcionários públicos.
Mas atenção, se isto acontece não é culpa só deste governo. Durante anos a saúde foi mal administrada, mal gerida, mal distribuída. Os hospitais não foram actualizados, não se incentivou o deslocamento de profissionais para a periferia ... enfim, centenas de erros que se traduzem hoje nesta desgraça. Reparem que estes jovens especialistas não deveriam ficar noutro hospital da área de Lisboa ou do Porto, deveriam ser colocados fora, em zonas criticas, criando e desenvolvendo pólos que tornasse atractiva a ideia de fazerem a sua vida futura por lá. Vejam a vizinha Espanha e sigam o exemplo.
2) Alterar a estatística dos serviços para se adequar à leitura que lhes convém. Na maioria dos serviços a prática, a forma de actuar, o número de altas dadas, o número de cirurgias realizadas é o mesmo, mas houve uma melhoria significativa dos índices. Porquê?? Porque se alterou a estatística. Foi unicamente esse tipo de estratégia que os novos administradores, vindos sabe-se lá de onde, souberam fazer.
Como é possível que estes hospitais estejam bem administrados?
A gestão hospitalar é muito complexa, mais complexa que a maioria das empresas de outros ramos. Muitos, se não a maioria, dos administradores colocados nos hospitais não têm experiência de gestão hospitalar e, mais grave ainda, nem sequer parecem ter grandes capacidades de gestão já que nada fazem.
Os hospitais empresarializados estão com terríveis crises internas, a situação pouco clara e a ausência de directivas objectivas têm vindo a desgastar os serviços. Espero que os “notáveis” que vão ao Presidente tenham alguma ideia desta realidade.
3) Não pagar horas extraordinárias. Concordo que em alguns sítios elas eram muito exageradas, que era necessário rentabilizar os serviços, mas francamente não é cortar sem ter em conta o mínimo de actividade assistencial porque a quebra da actividade assistencial não pode nem deve ser nunca afectada ... e já é!
O que irá a acontecer a estes hospitais ?
Na maioria, não tenho dúvidas, estão a ser preparados para tratar sobretudo patologias pouco honorosas para depois serem vendidos a privados e assistiremos cada vez mais a administradores hospitalares irem a Madrid buscar os médicos que são recusados por lá.
Isto não passa de mais uma manobra financeira no sentido da privatização e da desresponsabilização do Estado no que diz respeito à saúde.
Muito mal vai esta medicina em Portugal ... onde está a qualidade ... o mérito ..o prestígio dos nossos antepassados do início do século XX? Na lama certamente...
Bem!!! das listas de espera falaremos depois ....
Lá vou tomar mais um gintónico para descomprimir ...
O Tónico
“Mais uma vez, Medicina conquistou as médias mais elevadas, com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto a registar a nota mais elevada do último aluno colocado: 185,8 pontos. A classificação mais baixa coube à Faculdade de Medicina da Universidade Técnica de Lisboa: 181,5 pontos.” (JN 23/09/03)
Porque continuamos nesta palhaçada de quem vai para medicina terem, forçosamente, de ser os indivíduos que têm melhores notas? Será que no próximo ano melhorará o nível dos candidatos seleccionados com o novo modelo de concurso de acesso?
Em que critérios se baseia a opção de seleccionar a entrada em medicina pela nota de disciplinas gerais, que pouco ou nada têm a ver com as aptidões de cada um para um, para o exercício de uma profissão? Quais os critérios, no caso concreto da medicina em que para além do necessário saber científico e técnico, necessita de dedicação, de espirito de sacrifício e de uma constante actualização que apenas se pode obter possuindo espírito crítico e uma boa dose de criatividade?
Nos dias de hoje, não basta deter os conhecimentos técnicos e científicos, é necessário que os jovens médicos tenham capacidades para produzir conhecimento e, isso, essa capacidade não se determina através de uma selecção que tem como referência as inflacionadas notas das disciplinas gerais.
E a propósito desta questão que coloco e como vai mal a nossa medicina em relação a estes princípios, pergunto: quantos médicos conhecem com uma verdadeira dedicação à profissão e com capacidades de produção de conhecimentos que lhes permita uma abordagem abrangente no tratamento dos doentes?
Poucos certamente. E com os ingressos no curso de medicina desta forma, suspeito que teremos formação de onde sairão investigadores para um lado e médicos para a clínica para o outro mas, de entre estes últimos, poucos que verdadeiramente nos tratem. Na verdade, basear a selecção nos critérios actuais, impede o ingresso nos cursos de medicina de candidatos de classes sociais diferenciadas, nomeadamente, daqueles cuja classe de origem é igual ou próxima da classe da maioria dos doentes. Todos temos consciência da subjectividade subjacente às notas dadas aos alunos e muitos jovens que, eventualmente, estejam verdadeiramente vocacionados para o exercício da prática médica vêm, à partida, as portas fechadas para uma profissão em que gostariam de investir.
Por isso, advogo o concurso por escola médica. Cada escola faz uma prova de acesso e o candidato é seleccionado por essa prova que deverá ter, para além de uma componente de avaliação de conhecimentos, em que poderá entrar a nota do secundário, terá forçosamente de ter uma entrevista e, eventualmente, outras provas de aptidão.
Vou beber mais um GinTónico para animar
Beijos Gin do Tónico
Em Defesa de Uma Opinião Pública Activa (EDUOPA)
Caro Tónico, descobrimos os dois muito recentemente este fenómeno dos Blogs. Como com tudo o que é novo, a nossa curiosidade levou-nos a “vasculhar” este mundo e, rapidamente, percebemos que estamos perante mais uma situação daquelas em que o nosso espírito crítico tem que se elevado ao rubro.
Lemos muito sobre esta questão, sobre se por aqui deve ser deixado espaço a uma boa quantidade de tolice, de provocação, de informação e desinformação, de opiniões pessoais sobre coisas das mais simples às mais complexas, de exposições de “eu”, etc.
Confessamos que muito do que lemos nos irritou, nos desconcertou, nos admirou, nos agradou, ... ou, ....ou, ... ou, mas uma coisa em que temos estado sempre de acordo (temos falado bastante sobre isso ) e que nos tem parecido muito interessante é saber se: “Poderá este fenómeno dos Blog contribuir para o aparecimento de Uma Opinião Pública Activa (UOPA)?
Este parece ser um bom desafio numa altura em que se questiona a isenção da informação veiculada pelos diferentes órgãos de comunicação social.
Concordo contigo em algumas das questões que levantas quanto ao que JPP diz sobre o MM no ABRUPTO, mas na verdade ele hoje reconhece que “A atitude correcta face ao Muito Mentiroso (MM) seria desde início não lhe ligar, deitá-lo ao lixo, como uma carta anónima. Eu fiz essa comparação logo de início, mas já não tem sentido. O MM está hoje publicado para milhões e é visto por muitos milhares. Seria aliás praticamente impossível que fosse doutra maneira, por razões que têm a ver com o tipo de populismo e demagogia que se vai tornando dominante em, todos os aspectos da vida pública. Por isso, mais vale discuti-lo que ignorá-lo”. Como vês, de certa forma, esta mudança de atitude vai de encontro ao que temos falado.
Como temos concordado, é verdade que se torna complicado para muitas pessoas discriminar a informação ou desinformação que por aqui paira, até porque sempre fomos ensinados a ser acríticos, mas mesmo assim continua a ser um bom desafio saber até que ponto os melhores bloguistas conseguem ganhar terreno às manifestações daquilo que temos de pior, ao tal gosto pelo populismo de que fala JPP.
Por outro lado, discordo o JPP, quando ele refere no ABRUPTO que “..., uma Internet em que este tipo de operações ficassem impunes – no meio de um processo com a delicadeza e os interesses em jogo do da pedofilia – tornar-se-ia um meio mais selvagem do que o mundo comunicacional clássico. Não podemos queixar-nos da falta de deontologia dos media e depois aceitar o vale tudo somente por que se passa na Internet”. Não concordo, de facto, com esta posição do JPP. O problema dos media, é que pouca gente tem acesso a eles no sentido de aí colocar as suas opiniões e, infelizmente, exige-se pouca independência e formação profissional e ética aos nossos “jornalistas”, “colunistas”, “comentadores”, etc. É por isso que temos andado curiosos em saber até que ponto este fenómeno dos blogs sustentará o aparecimento de UOPA, certo?
JPP, ao achar que é errado não haver controle sobre o que por aqui se escreve e deixar impune quem, em alguns blogs, acusa e faz insinuações como as que refere no seu artigo, torna-se perigoso porque, por um lado, apela a que se comece a censurar os blogs que consideramos como um espaço aberto de Opinião Pública e, por outro, impede que a comunidade bloguista faça um esforço por desmascarar os argumentos e afaste esses blogs. Claro que compreendo o ponto de vista dele, seria mais fácil, seria o mundo controladinho da informação ... mas depressa, como também já concordámos, desapareceria este espaço de opinião livre. Passaríamos a ter nos blogs o mesmo que temos nos media.
Mas enfim .... acho que está na altura de ir beber um GinTónico.
Beijo da GIN
“Como tão bem se diz no Barbeiro de Sevilha: a Calúnia começa por um vento muito ligeiro (brisa) e acaba ribombando como um canhão”
Concordo, concordo com o Critico (http://criticomusical.blogspot.com/) e, em parte, com o Abrupto (http://abrupto.blogspot.com/) em relação ao MM. Mas será que não ler, apagar o link, é a melhor atitude?
Não me parece. Só o conhecimento faz com que as sociedades evoluam, mesmo que o processo de aquisição desse conhecimento se faça à custa de muita mentira, ou melhor, à custa da discriminação entre a verdade e a mentira (referimo-nos à verdade e à mentira não enquanto conceito, que sabemos subjectivo, mas enquanto tentativas de informação e desinformação conscientes, visando objectivos concretos).
É necessário investigar, é certo. A sociedade portuguesa para viver com alguma tranquilidade e com alguma confiança nos políticos tem de ser esclarecida.
Cabe às autoridades, também elas visadas pela necessidade de controle, investigar e esclarecer. Não é possível continuarmos no obscurantismo, que durante tantos anos nos foi imposto de forma clara, para continuarmos no obscurantismo camuflado pela ignorância e falta de informação. Nós os portugueses, homens e mulheres, que nunca ou quase nunca tínhamos ouvido falar de pedofilia temos o direito de ver esclarecido quem escreve sobre estas coisas e quais os seus propósitos ... e, por favor, não me venham dizer que este blog é feito na América ...
Concordo que o MM baralha, para voltar a dar e que, certamente, tem a ver com a defesa de alguns dos detidos preventivamente ... mas há factos, e estes têm que ser esclarecidos, sobretudo aqueles que são relacionados com figuras públicas e responsáveis políticos, porque são estes que mais têm beneficiado de impunidade e são estes que deviam ser mais penalizados por estarem em cargos que lhes impõe responsabilidade pública acrescida.
Não, não me digam que a história dos ministros, se os há implicados nesta história seja de que forma for, não tem de vir a público, isso é colaborar com a impunidade, é colaborar com uma rede de criminosos que durante anos actuou, e se não estivermos atentos continuará a actuar, no nosso país às custas de crianças desprotegidas para com as quais o Estado tinha obrigações de protecção e defesa ... e isso não queremos, queremos um processo de “Mãos Limpas”.
Tónico
Já bem mais importante, útil e urgente é a remodelação do PS, da sua direcção e sobretudo do seu secretário-geral. Este partido encontra-se num lastimoso estado. Prisioneiro de tendências e fracções, é também refém do PC e do Bloco. A fuga de Guterres, o terrorismo internacional, a guerra do Iraque, o défice público e a pedofilia deixaram-no destroçado. A sua direcção parece composta de amadores e de dirigentes de uma pró-associação de estudantes. Apesar dos seus alegados talentos como gestor do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, Ferro Rodrigues tem revelado uma total falta de jeito e autoridade. Confunde berraria com firmeza. Perfilha contradições alheias e simpatiza com todas as ideias que julga serem de esquerda, por mais aberrantes que sejam. O vozeirão de Mário Soares e o fantasma de Guterres limitam-lhe os movimentos, a sinceridade e a inteligência. Os mais reputados e capazes dirigentes do partido remetem-se a um incómodo silêncio, à espera da inevitável queda de Ferro. Melhor fariam se decidissem pôr a casa em ordem. A remodelação do líder e da direcção do PS é uma clara urgência, para bem da democracia e da vida pública. Tal como para a esquerda.
(in Público)
Allende e Pablo Neruda
Manuel Poppe
1. A diferença é de poucos dias – doze – e tudo aconteceu há trinta anos: em 11 de Setembro de 1973, Salvador Allende, Presidente da República do Chile, suicidava-se, no Palácio de La Moneda, assaltado pelas tropas do fascista Pinochet; no dia 23 do mesmo mês, morria, num hospital de Santiago, Pablo Neruda, poeta e Nobel honroso, amigo de Allende. Sequazes do futuro ditador saquearam o palácio e a casa de Neruda. A liberdade dos mortos assusta. O ódio –e o medo – à liberdade não conhece limites, que o digam as vítimas do salazarismo e do franquismo, cuja agonia, aliás, já se iniciara. Pinochet continua vivo, gozando a imunidade de "doente senil"... E porque foi obrigado a resignar. Mas, sob condição e depois de muitos anos de assassinatos e torturas.
2. Horas antes de ser internado, Neruda disse ao oficial que lhe revistou a casa: "Há aí uma coisa perigosa". O esbirro, alarmado, perguntou: "O quê?!" E a resposta é tremenda: "Há poesia..." Exactamente aquilo que levara Allende a sonhar democracia e liberdade. Aquilo por que fuzilaram milhares de chilenos. A força mais forte de todas as forças, que, diante da raiva da besta fascista, se opõe à opressão e à exploração do outro -a força do Espírito.
3. No estertor final, Neruda acusava ainda: "Los están fusilando, los están fusilando!" O cortejo fúnebre que acompanhou o poeta à cova provisória caminhou entre metralhadoras. Hoje, Allende e Neruda recuperaram campa digna. Mas convém não esquecer nada -a besta espreita, escarafuncha, rosna.
(in JN)