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dezembro 07, 2003
Sociedade Democrática (6) - A Intimidade
A ideia de intimidade como componente do casamento é recente.
Se na família tradicional, a intimidade no casamento podia existir mas não era a razão da sua existência, para o casal é.
Para o casal a ligação emocional é o início do estabelecimento da relação e, mais tarde, a principal razão para a manter.
Na família tradicional o casamento era entendido como mais uma das fases da vida por onde se tinha de passar e os filhos eram vistos como um recurso de natureza económica.
Na família ocidental actual, o casamento quer dizer que o casal vive uma relação estável e os filhos constituem um pesado encargo económico, por isso tendem a ser uma decisão mais pensada.
Os antigos laços definidores das relações sociais têm vindo a ser substituídos pelas particularidades das relações que se desenvolvem com base na ligação emocional e, consequentemente, na intimidade.
As áreas que sofreram mais este impacto são as relações de amor e sexo, as relações entre pais e filhos e as relações de amizade.
Estas mudanças na instituição familiar e nas relações sociais são muito visíveis nas sociedades ocidentais mas começaram já a globalizar-se.
A igualdade entre os sexos e a liberdade das mulheres são consideradas pelos fundamentalistas como uma maldição e é isso que, visivelmente, define os grupos fundamentalistas religiosos em todo o mundo.
A manutenção de muitos dos aspectos da família tradicional é negativa, principalmente os que impedem o desenvolvimento económico e das democracias.
Sabe-se que desenvolvimento económico e democracia andam a par e passo com o nível de educação e de igualdade das mulheres.
A igualdade sexual é um princípio fundamental da realização individual e da democracia.
Os países que resistem à discussão sobre estas duas ideias - igualdade entre os sexos e a liberdade das mulheres – são países com governos autoritários ou com fortes influências de grupos fundamentalistas que tentam resistir à influência da globalização.
Penso que é nesta perspectiva que deve encarar-se as propostas de alteração da Mudawana apresentadas pelo rei de Marrocos Mohammed VII, ou seja, a consciência da inevitabilidade e necessidade destas alterações.
Esta medida, penso eu, apenas coloca a discussão na praça pública porque o caminho a percorrer é longo e complexo.
Uma “relação pura” de igualdade sexual é, ainda hoje, um conceito meramente abstracto apesar de todas as mudanças ocorridas.
GIN
Publicado por agineotonico às dezembro 7, 2003 01:01 PM