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dezembro 06, 2003

Sociedade Democrática (3) - A Tradição

A tradição, para Giddens, é o conceito mais básico do conservadorismo porque assenta na ideia de que é sinónimo de sabedoria.

As mudanças trazidas pela modernidade às instituições públicas, ao serem confrontadas com os métodos tradicionais, colocaram no “limbo” algumas instituições como a família, a sexualidade e a distinções entre sexos, verificando-se nestas a persistência do peso da tradição e costume.
Ou seja, nas sociedades actuais coabitaram, e coabitam, a modernidade e a tradição.

Com a globalização, estas instituições, (públicas, a família, a sexualidade e a distinções entre sexos) tendem a perder a influência das tradições, “poucos dos aspectos do mundo físico permanecem inteiramente naturais, não afectados pela intervenção humana”.

Isto não significa o fim das tradições, porque elas são necessárias para dar continuidade e forma à vida, mas sim o seu reaparecimento em versões diferentes.

Com as tecnologias da informação, a modernização não se limita a áreas geográficas precisas mas fazem-se sentir a nível global, reflectindo-se nas tradições.

“Uma sociedade que vive para lá da tradição e da natureza, como sucede em quase todos os países ocidentais de hoje, exige que sejam tomadas decisões, tanto na vida corrente como em todos os outros domínios. O lado escuro da tomada de decisões é o aumento das dependências e da repressão.” (Giddens in O Mundo na era da Globalização)

O conceito de dependência alarga-se a muitos dos domínios da vida quotidiana: trabalho, comida, exercício, etc. E dependência significa perca de autonomia, significa que a escolha não vem pela via da autonomia mas pela via da angústia, considera Giddens.

Se na tradição, o presente resulta de um passado de sentimentos e crenças colectivas partilhadas, na dependência, o presente também resulta do passado mas apenas naquilo que não conseguiu romper com os hábitos que começaram por ser escolhidos autonomamente.

Diz Giddens, que “a luta entre dependência e autonomia está num dos pólos da globalização. No outro, encontra-se o embate entre o estilo cosmopolita e o fundamentalismo." (idem)


GIN

Publicado por agineotonico às dezembro 6, 2003 04:04 PM