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dezembro 19, 2003
ERRO MÉDICO
No http://medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com/ fala-se do erro médico.
Concordo em absoluto com o que se escreve.
Contudo interrogo-me para quando um seguro médico capaz?
Quando haverá alguém que denuncie que o seguro que todos os médicos têm é aquilo que se pode chamar uma grande treta ...
Passo a explicar:
O seguro médico só é válido se for provada negligência.
Negligência é sempre difícil de provar mas o doente sofre com complicações inerentes ao tratamento.
Um doente operado à face, ou a um tumor da glândula parótida, por exemplo, pode sofrer um corte de um nervo e ficar desfigurado. O acto pode não ser negligência ... as variantes anatómicas são muitas e existe o risco inerente à patologia.
Serve isto para dizer que, por vezes, há muitas complicações que podem surgir no pré, intra ou pós-operatório que o seguro não prevê, não paga e não cobre, colocando o médico na difícil situação de resolver o problema com o doente, ou mais grave ainda, coloca os médicos na situação de não arriscarem tentar salvar os doentes em determinadas situações limite.
É também importante que os hospitais definam claramente a responsabilidade partilhada: muitos erros, acidentes e complicações são cometidos por falta ou inadequação dos meios de diagnóstico ou de tratamento, por inexistência de equipamentos específicos, por deficientes condições de trabalho, por atendimento de um número excessivo de doentes que faz com que não possam dedicar um período mais longo de observação (caso das urgências), enfim, por um conjunto de situações que não podem ser imputadas exclusivamente aos médicos.
Nestes casos a responsabilidade tem de ser compartilhada com as administrações dos hospitais e, ainda, em certos casos com outras entidades – todos nos lembramos do sangue que contaminou com HIV os hemofílicos, ou dos hemodialisados de Évora.
Parece ser conveniente que se clarifique, também, as responsabilidades individuais e colectivas quando se trabalha em equipa, de forma a saber a quem compete o quê, quem tem que ser responsabilizado individualmente para além da culpa colectiva.
Penso que é fundamental caminhar para a criação de seguros, como existem noutros países, que cobrem quer os casos de negligência, quer os casos de complicações que surgem dos riscos inerentes à patologia ou a outras variantes.
Estes seguros, para além de serem dirigidos aos médicos que terão evidentemente de pagar mais dinheiro por eles, deveriam ser igualmente obrigatórios para os hospitais públicos no sentido de assumirem as suas responsabilidades partilhadas com os actos dos médicos e outro pessoal hospitalar, quer ainda para cobrir os problemas que a ele, enquanto entidade, podem ser imputados.
E só por curiosidade por acaso sabem que os Hospitais públicos não têm seguro?
O seguro é o Estado. Não sei como ficou em relação a esta nova modalidade dos SA, mas que alguém nos defenda quando tivermos um problema qualquer derivado dá má gestão ou das poupanças que aqui se tendem a fazer ....
TÓNICO
Publicado por agineotonico às dezembro 19, 2003 04:33 PM